Accessibility / Report Error

Desenvolvimento, consumo ninfal e exigências térmicas de Orius thyestes Herring (Hemiptera: Anthocoridae)

Development, nymphal consumption and thermal requirements of Orius thyestes Herring (Hemiptera: Anthocoridae)

Resumos

A temperatura e o alimento têm um importante papel no desenvolvimento e nas atividades de adultos de espécies de Orius, e esses parâmetros biológicos são fundamentais para propósitos de criação massal de inimigos naturais e seu uso em programas de controle biológico. O objetivo deste trabalho foi avaliar a influência de diferentes temperaturas no desenvolvimento ninfal do predador Orius thyestes Herring alimentado com ovos de Anagasta kuehniella (Zeller). Também foram determinadas as exigências térmicas e o consumo ninfal. O experimento foi conduzido em câmaras climáticas a 16, 19, 22, 25, 28 e 31 ± 1ºC, UR de 70 ± 10% e fotofase de 12h. O. thyestes apresentou cinco ínstares. O período ninfal foi cerca de seis vezes maior a 31ºC (9,8 dias) do que a 16ºC (58,2 dias). A menor sobrevivência ninfal do predador foi a 16ºC, com somente 40% das ninfas atingindo a fase adulta. Maiores percentagens de sobrevivência das ninfas foram observadas a 22ºC (96,4%), 25ºC (94,5%) e 28ºC (100%). Cada ninfa de O. thyestes consumiu 39,4 ovos de A. kuehniella. O predador apresentou temperatura base e constante térmica para a fase ninfal de 12,8ºC e 173,82 graus-dia, respectivamente. O intervalo mais adequado para o desenvolvimento de O. thyestes situa-se entre 22ºC e 28ºC. O. thyestes provavelmente encontra melhores chances de colonização e estabelecimento em regiões tropicais e subtropicais.

Temperatura; predador; controle biológico


Temperature and food play an important part in the development time and adult activities of Orius species, and these biological parameters are important for purpose of mass rearing of natural enemies for use on biological control programs. The objective of this research was to evaluate the influence of different temperatures on nymphal development of Orius thyestes Herring when fed with Anagasta kuehniella (Zeller) eggs in climatic chambers at 16, 19, 22, 25, 28 and 31 ± 1°C, 70 ± 10% RH and 12h photophase. The thermal requirements and nymphal consumption were also determined. O. thyestes presented five instars. The nymphal period was about six times shorter at 31°C (9.8 days) than at 16°C (58.2 days). Nymph survival was lowest at 16°C, with only 40% of the nymphs reaching adult stage. The higher nymph survival were found at 22°C (96.4%), 25°C (94.5%) and 28ºC (100%). Each nymph of O. thyestes consumed 39.4 eggs of A. kuehniella. The lower temperature threshold and thermal constant for the nymphal development of O. thyestes were 12.8°C and 173.82 day-degrees, respectively. The interval from 22°C to 28°C is more suitable for nymphal development of O. thyestes. O. thyestes finds probably better chance for colonization and establishment in tropical and subtropical regions.

Temperature; predator; biological control


BIOLOGICAL CONTROL

Desenvolvimento, consumo ninfal e exigências térmicas de Orius thyestes Herring (Hemiptera: Anthocoridae)

Development, nymphal consumption and thermal requirements of Orius thyestes Herring (Hemiptera: Anthocoridae)

Lívia M. Carvalho; Vanda H.P. Bueno; Simone M. Mendes

Depto. Entomologia, Univ. Federal de Lavras, C. postal 3037, 37200-000, Lavras, MG, carvalholm@hotmail.com, vhpbueno@ufla.br

RESUMO

A temperatura e o alimento têm um importante papel no desenvolvimento e nas atividades de adultos de espécies de Orius, e esses parâmetros biológicos são fundamentais para propósitos de criação massal de inimigos naturais e seu uso em programas de controle biológico. O objetivo deste trabalho foi avaliar a influência de diferentes temperaturas no desenvolvimento ninfal do predador Orius thyestes Herring alimentado com ovos de Anagasta kuehniella (Zeller). Também foram determinadas as exigências térmicas e o consumo ninfal. O experimento foi conduzido em câmaras climáticas a 16, 19, 22, 25, 28 e 31 ± 1ºC, UR de 70 ± 10% e fotofase de 12h. O. thyestes apresentou cinco ínstares. O período ninfal foi cerca de seis vezes maior a 31ºC (9,8 dias) do que a 16ºC (58,2 dias). A menor sobrevivência ninfal do predador foi a 16ºC, com somente 40% das ninfas atingindo a fase adulta. Maiores percentagens de sobrevivência das ninfas foram observadas a 22ºC (96,4%), 25ºC (94,5%) e 28ºC (100%). Cada ninfa de O. thyestes consumiu 39,4 ovos de A. kuehniella. O predador apresentou temperatura base e constante térmica para a fase ninfal de 12,8ºC e 173,82 graus-dia, respectivamente. O intervalo mais adequado para o desenvolvimento de O. thyestes situa-se entre 22ºC e 28ºC. O. thyestes provavelmente encontra melhores chances de colonização e estabelecimento em regiões tropicais e subtropicais.

Palavras-chave: Temperatura, predador, controle biológico

ABSTRACT

Temperature and food play an important part in the development time and adult activities of Orius species, and these biological parameters are important for purpose of mass rearing of natural enemies for use on biological control programs. The objective of this research was to evaluate the influence of different temperatures on nymphal development of Orius thyestes Herring when fed with Anagasta kuehniella (Zeller) eggs in climatic chambers at 16, 19, 22, 25, 28 and 31 ± 1°C, 70 ± 10% RH and 12h photophase. The thermal requirements and nymphal consumption were also determined. O. thyestes presented five instars. The nymphal period was about six times shorter at 31°C (9.8 days) than at 16°C (58.2 days). Nymph survival was lowest at 16°C, with only 40% of the nymphs reaching adult stage. The higher nymph survival were found at 22°C (96.4%), 25°C (94.5%) and 28ºC (100%). Each nymph of O. thyestes consumed 39.4 eggs of A. kuehniella. The lower temperature threshold and thermal constant for the nymphal development of O. thyestes were 12.8°C and 173.82 day-degrees, respectively. The interval from 22°C to 28°C is more suitable for nymphal development of O. thyestes. O. thyestes finds probably better chance for colonization and establishment in tropical and subtropical regions.

Key words: Temperature, predator, biological control

Espécies do gênero Orius Wolff são importantes agentes de controle biológico, principalmente de tripes, em casas de vegetação em clima temperado (van den Meiracker 1999). A espécie mais abundante e comum do gênero no Brasil é O. insidiosus (Say) (Bueno 2000), entretanto, O. pallidus (Poppius), O. perpunctatus (Reuter) e O. tristicolor (White) também foram relatadas por (Herring 1966) e Silveira et al. (2003) registraram a primeira ocorrência de O. thyestes Herring no País.

A literatura sobre espécies de Orius é limitada, principalmente sobre a influencia da temperatura, fotoperíodo, umidade e alimento no desenvolvimento e reprodução das mesmas (Bueno 2000). O efeito da temperatura é importante para se determinarem as condições ótimas para criação massal e previsão da duração do ciclo biológico de inimigos naturais em temperaturas conhecidas (Champlain & Buttler 1967). Além disso, a informação das exigências térmicas possibilita a previsão do desenvolvimento populacional das espécies por meio do acúmulo de temperaturas que ocorrem acima do limite térmico inferior e abaixo do limite térmico superior de seu desenvolvimento (Wilson & Barnett 1983). A quantidade acumulada de temperatura é conhecida como tempo fisiológico e proporciona uma medida precisa do desenvolvimento de insetos (Campbell et al.1974).

De acordo com van den Meiracker (1999) o conhecimento do consumo de presas capacita ajustes de suprimento alimentar aos requerimentos específicos de cada idade do predador em sistema de criação. Segundo Mendes et al. (2002), ovos de Lepidoptera representam o alimento mais adequado para Orius spp. mas o número de presas consumidas pode variar com a espécie e o estágio dos inimigos naturais.

Este trabalho teve como objetivo avaliar a influência de diferentes temperaturas no desenvolvimento ninfal e determinar o potencial de consumo e as exigências térmicas de O. thyestes alimentado com ovos de Anagasta kuehniella (Zeller), visando à obtenção de parâmetros à criação massal do predador.

Material e Métodos

O experimento foi conduzido no Laboratório de Controle Biológico do Departamento de Entomologia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) com insetos da segunda geração de uma criação de manutenção (Bueno 2000).

Efeito da Temperatura Sobre O. thyestes. Foram utilizadas 55 ninfas de O. thyestes, recém-eclodidas, com até 24h, individualizadas em placa de Petri de 5 cm de diâmetro, cada uma representando uma repetição, mantidas em câmaras climatizadas a 16, 19, 22, 25, 28 e 31 ± 1ºC, 70 ± 10% de UR e 12h de fotofase, com os tratamentos em delineamento inteiramente casualizado. Foram colocados em cada placa de Petri, ovos de A. kuehniella como alimento, e algodão umedecido, para evitar a dessecação. O número e a duração dos ínstares, o período de desenvolvimento, a sobrevivência de cada ínstar e a sobrevivência ninfal foram observados diariamente sob microscópio estereoscópico. Foram realizados análise de variância e o teste de Scott & Knott (1974), em caso de significância.

Consumo Alimentar. O potencial de consumo de O. thyestes foi avaliado em câmara climatizada a 28 ± 1ºC, UR de 70 ± 10% e 12h de fotofase. Vinte e cinco ninfas de 1º ínstar, com até 24h após a eclosão, obtidas da criação de manutenção, foram individualizadas em placas de Petri de 5 cm de diâmetro com uma camada de 0,5 cm de ágar-água a 1% e um disco foliar de 5 cm de diâmetro de plantas de pepino como suporte e vedadas com filme de polietileno. Diariamente, foram fornecidos 20 ovos de A. kuehniella como presa, em tiras de papel de 0,25 cm2 sobre o disco foliar.

O número de ovos consumidos por estádio foi avaliado diariamente e novos ovos foram repostos quando aqueles predados e não predados foram eliminados. Ovos de A. kuehniella foram considerados predados quando estava apenas com o córion, ou com seu conteúdo parcialmente removido. Os dados foram comparados por análise de variância e, quando significativa, as médias submetidas ao teste de Scott & Knott (1974).

Exigências Térmicas. As exigências térmicas, temperatura base e constante térmica foram calculadas a partir dos dados da biologia de O. thyestes com metodologia de Haddad et al. (1999), utilizando-se o programa estatístico MOBAE (Modelos Bioestatísticos Aplicados a Entomologia).

Resultados e Discussão

Desenvolvimento Ninfal. Ninfas de O. thyestes apresentaram cinco ínstares em todas as temperaturas estudadas, de forma semelhante a da maioria das espécies do gênero Orius (Bueno 2000, Malais & Ravensberg 2003). Os três primeiros ínstares apresentaram maior duração, cerca de duas vezes e meia, nas temperaturas mais baixas (16, 19 e 22ºC) e com valores semelhantes a 25ºC e 31ºC (Tabela 1), demonstrando a probabilidade de maior sensibilidade de O. thyestes nos ínstares iniciais a temperaturas mais baixas, possivelmente devido ao seu menor tamanho.

A duração do 4º e 5º ínstares foi influenciada pelas temperaturas avaliadas, com duração decrescente entre 16ºC e 25ºC, e valores semelhantes a 28ºC e 31 ºC (Tabela 1). O 5º estádio de O. thyestes apresentou maior duração em todas as temperaturas avaliadas, o que pode ser considerado uma característica comum entre percevejos predadores do gênero Orius, pois concorda com o obtido para O. thyestes alimentada com ovos de A. kuehniella a 25ºC (Carvalho et al. 2003). Resultados semelhantes foram observados para O. insidiosus (Isenhour & Yeargan 1981, Mendes et al. 2002, Carvalho et al. 2003), O. laevigatus (Fieber) (Alauzet et al. 1994), O. perpunctatus (Carvalho et al. 2003), O. sauteri (Poppius) (Nagai & Yano 1999) e O. strigicollis (Poppius) (Ohta 2001). A maior duração do 5º ínstar pode ser considerada uma vantagem no controle biológico, pois esse estádio apresenta maior capacidade predatória (Mendes et al. 2002) e é, também, aquele usualmente liberado em conjunto com indivíduos adultos em programas de controle biológico em casas de vegetação (van den Meiracker 1999).

A duração da fase ninfal de O. thyestes diminuiu de 58,2 para 9,8 dias quando a temperatura aumentou de 16ºC para 31ºC (Tabela 1). Para O. sauteri esta redução foi de, aproximadamente, quatro vezes quando a temperatura aumentou de 15ºC para 30ºC (Nagai & Yano 1999).

A diminuição na duração da fase ninfal de O. thyestes foi significativa apenas entre 16ºC e 25ºC, e com tendência de estabilização no tempo de desenvolvimento em 28ºC e 31ºC (Tabela 1), semelhante ao relatado para O. insidiosus (Malais & Ravensberg 2003), O. laevigatus (Alauzet et al. 1994) e O. strigicollis (Ohta 2001).

O predador O. thyestes completou o período ninfal nas diferentes temperaturas (16ºC e 31ºC) com ovos de A. kuehniella, entretanto, as temperaturas mais baixas ocasionaram um prolongamento em seu período de desenvolvimento e isto pode estar relacionado ao decréscimo da atividade metabólica de ninfas do predador sob essas condições. Segundo Higley et al. (1986) as temperaturas mais altas fornecem maior quantidade de energia para as reações metabólicas dos insetos.

Temperaturas entre 28ºC e 31ºC favoreceram o desenvolvimento ninfal de O. thyestes, podendo ser esse o intervalo adequado para a utilização em criações massais do predador em laboratório. Os efeitos da temperatura sobre insetos imaturos são importantes para se determinar o ambiente ótimo para a criação massal de inimigos naturais e para prever a duração dos estádios em temperaturas conhecidas, corroborando as afirmações de Champlain & Buttler (1967).

Sobrevivência Ninfal. A sobrevivência do 1º ínstar de O. thyestes, em relação aos demais ínstares, foi a mais afetada pela temperatura, especialmente a 16, 19 e 31ºC. A partir do 2º estádio, a sobrevivência das ninfas foi afetada apenas pela temperatura de 16ºC (Tabela 1). Segundo Manuel (1980) esse mesmo predador a 27ºC apresentou maior mortalidade no 1º ínstar (87%).

A temperatura influenciou a sobrevivência ninfal de O. thyestes com maior efeito a 16ºC, quando apenas 40% das ninfas atingiram a fase adulta (Tabela 1). Isso pode indicar que a espécie é mais adaptada a temperaturas mais elevadas. Essa hipótese também pode ser confirmada pelas porcentagens de 54% dos adultos emergidos com asas deformadas e 27% de indivíduos que não conseguiram soltar-se da última exúvia. Outras espécies de Orius mostraram comportamento semelhante, como O. laevigatus o qual apresentou menor número de adultos emergidos (6,8%) a 14ºC (Alauzet et al. 1994) ninfas de O. sauteri tiveram sobrevivência de 51,4% a 15 ºC (Nagai & Yano 1999).

O. thyestes apresentou maior sobrevivência ninfal a 22, 25 e 28ºC (Tabela 1). O período ninfal de O. thyestes foi semelhante a 28ºC e 31ºC (Tabela 1), mas a sobrevivência ninfal foi menor (83,6%) a 31ºC, provavelmente, pela dessecação das ninfas de 1º e 2º ínstares (Tabela 1). A mortalidade em ambientes com altas temperaturas pode resultar da diminuição da umidade e dessecação dos insetos (Sterling et al. 1990). A sobrevivência do predador a 31ºC foi semelhante àquela encontrada a 19ºC (83,6%) demonstrando que as temperaturas extremas influenciam o desenvolvimento de O. thyestes, resultando em maior mortalidade.

O. thyestes apresentou melhor desenvolvimento e sobrevivência a 28ºC e deve ser criada nessa temperatura para se obter maior número de indivíduos em menor período de tempo.

Consumo Alimentar. As ninfas de O. thyestes predaram ovos de A. kuehniella. Em alguns casos apenas inseriram o aparelho bucal sem consumir seu conteúdo, no entanto, os ovos foram inviabilizados.

O consumo de ovos de A. kuehniella por O. thyestes aumentou a cada ínstar (2,5; 3,8; 7,2; 10,6 e 15,3 ovos no 1º, 2º, 3º, 4º e 5º ínstares, respectivamente) (Tabela 2) ocorrendo redução no consumo próximo à ecdise. O consumo foi maior no 5º ínstar (15,3 ovos). O. thyestes consumiu 39,4 ovos de A. kuehniella durante a fase ninfal (Tabela 2). Esses valores foram semelhantes aos 34,6 ovos de Spodoptera frugiperda (S.E. Smith) (Bueno 2000) e 37,1 ovos de A. kuehniella (Mendes et al. 2002) consumidos durante a fase ninfal da espécie O. insidiosus.

A duração da fase ninfal de O. thyestes foi de 10,3 dias, com consumo diário de 3,8 ovos de A. kuehniella (Tabela 2), sendo o consumo de aproximadamente sete ovos por dia durante o 4º e 5º ínstares. Esse predador consumiu 5,1 ovos de Sitotroga cerealella (Olivier) por dia (Manuel 1980), enquanto oito ovos de E. kuehniella diários foram suficientes para O. insidious completar seu desenvolvimento (van den Meiracker 1999).

Ovos de A. kuehniella foram adequados para o desenvolvimento de ninfas de O. thyestes. Isto pode auxiliar no planejamento de métodos para criação em laboratório, pois o conhecimento da quantidade mínima para um indivíduo completar seu desenvolvimento é fundamental para a criação massal econômica desses predadores.

Exigências Térmicas. O limite térmico inferior de desenvolvimento (Tb) e a constante térmica (K) de O. thyestes mostraram relação inversa entre a duração das fases imaturas e a velocidade de desenvolvimento, que se ajustou ao modelo linear obtido através da recíproca da equação da hipérbole (Fig. 1). O tempo de desenvolvimento de O. thyestes diminuiu com o aumento da temperatura, como verificado para outras espécies do gênero Orius (Isenhour & Yergan 1981, Alauzet et al. 1994, Nagai & Yano 1999, Ohta 2001, Malais & Ravensberg 2003).


A temperatura base e a constante térmica de O. thyestes variaram entre os estádios (Tabela 2) como observado para O. insidiosus (McCaffrey & Horsburgh 1986), O. laevigatus (Alauzet et al. 1994), O. sauteri (Nagai & Yano 1999) e O. strigicollis (Ohta 2001). A temperatura base de O. thyestes variou de 10,73ºC, no 1º ínstar, a 14,56ºC no 5º. Resultados intermediários foram obtidos do 2º ao 4º ínstar, com 11,18; 12,59 e 13,14ºC, respectivamente. A menor temperatura base para O. insidiosus foi obtida no 1º ínstar (8,0ºC) (McCaffrey & Horsburgh 1986). Entretanto, Isenhour & Yeargan (1981) observaram a menor temperatura base no 2º ínstar (7,5ºC) desse predador. Isto ocorre pelo fato de que a temperatura base e a constante térmica podem variar em função do regime alimentar e da origem geográfica para uma mesma espécie de inseto (Campbell et al. 1974).

A temperatura base da fase ninfal de O. thyestes foi de 12,8ºC. O. sauteri presente em regiões de clima temperado apresentou limite térmico inferior de 10,6ºC para a fase imatura (Nagai & Yano 1999), enquanto O. strigicollis mostrou temperatura base de 10,3ºC (Otha 2001) e O. laevigatus de 10,6ºC (Alauzet et al. 1994), ambos criados com ovos de A. kuehniella e, também, de áreas temperadas.

O limite térmico inferior de desenvolvimento de O. thyestes (12,8°C) indica que a espécie, provavelmente, encontra-se adaptada a regiões com temperaturas mais elevadas, pois insetos de locais frios apresentam temperaturas favoráveis mais baixas e limites térmicos inferiores de desenvolvimento menores (Campbell et al. 1974).

A constante térmica de O. thyestes variou de 30,75 graus-dia no 4º ínstar a 40,93 no 5º e foi de 35,02; 35,48; 31,48 graus-dia nos 1º, 2º e 3º ínstares, respectivamente, tendo necessitado 173,82 graus-dia para completar seu desenvolvimento ninfal (Tabela 2). Fêmeas e machos de O. strigicollis requerem 158,7 e 166,7 graus-dia para completarem seu desenvolvimento (Ohta 2001). A constante térmica da fase ninfal de O. sauteri foi de 180,8 graus-dia (Nagai & Yano 1999), e a de O. laevigatus foi de 255 graus-dia (Alauzet et al. 1994).

Diferentes fatores podem influenciar os requerimentos térmicos para o desenvolvimento de determinada espécie. Os insetos podem se adaptar às mais variadas mudanças sazonais, pois as condições adequadas para crescimento, desenvolvimento e reprodução, geralmente prevalecem somente durante parte do ano. Os resultados obtidos poderão auxiliar no planejamento de uma criação em laboratório, visando à utilização de O. thyestes em programas de controle biológico de pragas.

Agradecimentos

Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPq) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pelas bolsas de estudo e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) pelo apoio financeiro.

Literatura Citada

Received 27/II/04. Accepted 24/V/05.

  • Alauzet, C., D. Dargagnon & J.C. Malausa. 1994. Bionomics of a polyphagous predator: Orius laevigatus (Heteroptera: Anthocoridae). Entomophaga 39: 3-44.
  • Bueno, V.H.P. 2000. Desenvolvimento e multiplicação de percevejos predadores do gênero Orius Wolff, p. 69-90, cap. 6. In V.H.P. Bueno, Controle biológico de pragas: Produção massal e controle de qualidade. Lavras,UFLA, 207p.
  • Campbell, A., B.D. Frazer, N. Gilbert, A.P. Gutierrez & M. Mackauer. 1974. Temperature requirements of some aphids and their parasites. J. Appl. Ecol. 11: 431-438.
  • Carvalho, L.M., V.H.P. Bueno & L.C.P. Silveira. 2003. Nymphal development of three Orius species reared on eggs of Ephestia kuehniella Zeller. IOBC/WPRS Bulletin 26: 131-134.
  • Champlain, R.A. & G.D. Butler. 1967. Temperature effects on development of the egg and nymphal stages of Lygus hesperus (Hemiptera: Miridae). Ann. Entom. Soc. Am. 60: 519-521.
  • Haddad, M.L., J.R.P. Parra & R.C.B. Moraes. 1999. Métodos para estimar os limites térmicos inferiores e superiores de desenvolvimento de insetos. Piracicaba, FEALQ, 29p.
  • Herring, J.L. 1966. The genus Orius of the western hemisphere (Hemiptera: Anthocoridae). Ann. Entomol. Soc. Am. 59: 1093-1109.
  • Higley, L.G., L.P. Pedigo & K.R. Ostlie. 1986. Degday: A program for calculating degree-days, and assumption venid the degree-day approach. Environ. Entomol. 15: 999-1016.
  • Isenhour, D.J. & K.V. Yeargan. 1981. Effect of temperature on the development of Orius insidiosus, with note on laboratory rearing. Ann. Entomol. Soc. Am. 74: 114-116.
  • Malais, M. & W.J. Ravensberg. 2003. The biology of glasshouse pest and their natural enemies: Knowing and recognizing. 2ed. The Netherlands, Koppert Biological System, 288p.
  • Manuel, F.J. 1980. Biologia, comportamento y capacidad depredadora de Orius tristicolor (White) y Orius thyestes (Hemiptera: Anthocoridae) y su efecto sobre el acaro del cacahuate, Tetranychus urticae Koch. Tese de mestrado, Chapingo, Colegio de postgraduados, 106p.
  • McCaffrey, J.P. & L. Horsburgh. 1986. Biology of Orius insidiosus (Heteroptera: Anthocoridae): An predator in Virginia apple orchards. Environ. Entomol. 15: 984-988.
  • Meiracker, R.A.F. van den. 1999. Biocontrol of western flower thrips by heteropteran bugs. PhD thesis, University van Amsterdam, Amsterdam. 145p.
  • Mendes, S.M., V.H.P. Bueno, V.M. Argolo & L.C.P. Silveira. 2002. Type of prey influence biology and consumption rate of Orius insidiosus (Say) (Hemiptera: Heteroptera). Rev. Bras. Entomol. 46: 99-103.
  • Nagai, D. & E. Yano. 1999. Effect of temperature on the development and reproduction of Orius sauteri (Poppius) (Heteroptera: Anthocoridae), a predator of Thrips palmi Karny (Thysanoptera: Thripidae). Appl. Entomol. Zool. 34: 223-229.
  • Ohta, I. 2001. Effect of temperature on development of Orius strigicollis (Heteroptera: Anthocoridae) fed on Frankliniella occidentalis (Thysanoptera: Thripidae). Appl. Entomol. Zool. 36: 483-488.
  • Scott, A.J. & M.A. Knott. 1974. A cluster analysis method for grouping means in the analysis of variance. Biometrics. 30: 507-512.
  • Silveira, L.C.P., V.H.P. Bueno & S.M. Mendes. 2003. Records of two species of Orius Wolff (Hemiptera: Anthocoridae) in Brazil. Rev. Bras. Entomol. 47: 303-306.
  • Sterling, W., A. Dean, A. Hartstack & J. Witz. 1990. Partitioning boll weevil (Coleoptera: Curculionidae) mortality associated with high temperature: Desiccation or thermal death? Environ. Entomol. 19: 1457-1462.
  • Wilson, L.T. & W.W. Barnett. 1983. Degree-days: An aid in crop and pest management. Calif. Agric. 37: 4-7.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    26 Set 2005
  • Data do Fascículo
    Ago 2005

Histórico

  • Recebido
    27 Fev 2004
  • Aceito
    24 Maio 2005
Sociedade Entomológica do Brasil Sociedade Entomológica do Brasil, R. Harry Prochet, 55, 86047-040 Londrina PR Brasil, Tel.: (55 43) 3342 3987 - Londrina - PR - Brazil
E-mail: editor@seb.org.br