Respostas de tangerineiras 'Montenegrina' à calagem e adubação orgânica e mineral

'Montenegrina' tangerine responses to liming and to organic and mineral fertilizers

Nestor Valtir Panzenhagen Otto Carlos Koller Ivar Antonio Sartori Nelso Volcan Portelinha

Resumos

Esta pesquisa objetivou estudar a influência da calagem e de adubações minerais e orgânicas na produção de tangerineiras (Citrus deliciosa Tenore) cv. Montenegrina, enxertadas em Poncirus trifoliata Raf. O plantio foi realizado em julho de 1988, num solo Podzólico Vermelho-Escuro, de textura franco-argilosa. O delineamento experimental constou de blocos ao acaso, com nove tratamentos e quatro repetições, usando três plantas úteis por parcela. Os tratamentos utilizados foram: testemunha (sem adubação e sem calagem); solo corrigido a pH 6,5 antes do plantio; adubações com esterco de aviário + calagem anualmente; adubações com esterco bovino + calagem anualmente; adubações com N e K + calagem anualmente; adubações com N e K + calagem anualmente + correção com P antes do plantio; adubações com N, P na dose simples e K + calagem anualmente; adubações com N, P na dose dupla e K + calagem anualmente; adubações anuais com N, P na dose simples e K, sem calagem. A adubação corretiva com P, na instalação do pomar, foi suficiente para assegurar uma produção de frutos similar à obtida pelas adubações de reposição anual deste nutriente, até oito anos após o plantio. A elevação dos teores foliares de N foi positivamente relacionada com o aumento da produção de frutos e com a diminuição do peso médio dos mesmos. O uso de sulfato de amônio acidifica o solo e requer maior quantidade de calagem de manutenção.

Citrus deliciosa; nutrição de plantas


The objectives of the present study were to investigate the influence of liming and mineral and organic fertilization on yields of cv. 'Montenegrina' tangerines (Citrus deliciosa Tenore) grafted onto Poncirus trifoliata Raf. The grove was planted in July of 1988 on a Dark-Red Podzolic (Rhodic Paleudult) soil. The experiment was set up in randomized blocks design composed of nine treatments and four replicates, with three plants per plot. The treatments were: control (without liming and fertilizers); soil acidity neutralization to pH 6,5 before planting; annually poultry manure and liming; annually cattle manure and liming; annually N and K fertilizers and liming; annually N and K fertilizers, liming and P fertilizer before planting; annually N, P and K fertilizers and liming; annually N, K and double the rate of P, and liming; annually N, P and K fertilizers without liming. The results showed that P application before planting were sufficient to maintain adequate fruit yield up to eight years after planting. The increases of leaf N contents was positively related to increases in production and to decreases of the average fruit weight. The ammonium sulphate application acidifies the soil, and requires a greater quantity of liming support.

Citrus deliciosa; plant nutrition


RESPOSTAS DE TANGERINEIRAS 'MONTENEGRINA' À CALAGEM E ADUBAÇÃO ORGÂNICA E MINERAL1 1 Aceito para publicação em 23 de setembro de 1998. 2 Eng. Agr., M.Sc., R. Kraemer Eck, n.71, B. Centenário, CEP 93800-000 Sapiranga, RS. 3 Eng. Agr., Dr., Dep. de Horticultura e Silvicultura, UFRGS, Caixa Postal 776, CEP 91501-970 Porto Alegre, RS. Bolsista do CNPq. E-mail: ockoller@myway.com.br 4 Estudante da Faculdade de Agronomia da UFRGS, Caixa Postal 776, CEP 91501-970 Porto Alegre, RS. Bolsista do CNPq. 5 Eng. Agr., M.Sc., EMATER/RS, Caixa Postal 2727, CEP 90150-053 Porto Alegre, RS.

NESTOR VALTIR PANZENHAGEN2 1 Aceito para publicação em 23 de setembro de 1998. 2 Eng. Agr., M.Sc., R. Kraemer Eck, n.71, B. Centenário, CEP 93800-000 Sapiranga, RS. 3 Eng. Agr., Dr., Dep. de Horticultura e Silvicultura, UFRGS, Caixa Postal 776, CEP 91501-970 Porto Alegre, RS. Bolsista do CNPq. E-mail: ockoller@myway.com.br 4 Estudante da Faculdade de Agronomia da UFRGS, Caixa Postal 776, CEP 91501-970 Porto Alegre, RS. Bolsista do CNPq. 5 Eng. Agr., M.Sc., EMATER/RS, Caixa Postal 2727, CEP 90150-053 Porto Alegre, RS. , OTTO CARLOS KOLLER3 1 Aceito para publicação em 23 de setembro de 1998. 2 Eng. Agr., M.Sc., R. Kraemer Eck, n.71, B. Centenário, CEP 93800-000 Sapiranga, RS. 3 Eng. Agr., Dr., Dep. de Horticultura e Silvicultura, UFRGS, Caixa Postal 776, CEP 91501-970 Porto Alegre, RS. Bolsista do CNPq. E-mail: ockoller@myway.com.br 4 Estudante da Faculdade de Agronomia da UFRGS, Caixa Postal 776, CEP 91501-970 Porto Alegre, RS. Bolsista do CNPq. 5 Eng. Agr., M.Sc., EMATER/RS, Caixa Postal 2727, CEP 90150-053 Porto Alegre, RS. , IVAR ANTONIO SARTORI4 1 Aceito para publicação em 23 de setembro de 1998. 2 Eng. Agr., M.Sc., R. Kraemer Eck, n.71, B. Centenário, CEP 93800-000 Sapiranga, RS. 3 Eng. Agr., Dr., Dep. de Horticultura e Silvicultura, UFRGS, Caixa Postal 776, CEP 91501-970 Porto Alegre, RS. Bolsista do CNPq. E-mail: ockoller@myway.com.br 4 Estudante da Faculdade de Agronomia da UFRGS, Caixa Postal 776, CEP 91501-970 Porto Alegre, RS. Bolsista do CNPq. 5 Eng. Agr., M.Sc., EMATER/RS, Caixa Postal 2727, CEP 90150-053 Porto Alegre, RS. e NELSO VOLCAN PORTELINHA5 1 Aceito para publicação em 23 de setembro de 1998. 2 Eng. Agr., M.Sc., R. Kraemer Eck, n.71, B. Centenário, CEP 93800-000 Sapiranga, RS. 3 Eng. Agr., Dr., Dep. de Horticultura e Silvicultura, UFRGS, Caixa Postal 776, CEP 91501-970 Porto Alegre, RS. Bolsista do CNPq. E-mail: ockoller@myway.com.br 4 Estudante da Faculdade de Agronomia da UFRGS, Caixa Postal 776, CEP 91501-970 Porto Alegre, RS. Bolsista do CNPq. 5 Eng. Agr., M.Sc., EMATER/RS, Caixa Postal 2727, CEP 90150-053 Porto Alegre, RS.

RESUMO - Esta pesquisa objetivou estudar a influência da calagem e de adubações minerais e orgânicas na produção de tangerineiras (Citrus deliciosa Tenore) cv. Montenegrina, enxertadas em Poncirus trifoliata Raf. O plantio foi realizado em julho de 1988, num solo Podzólico Vermelho-Escuro, de textura franco-argilosa. O delineamento experimental constou de blocos ao acaso, com nove tratamentos e quatro repetições, usando três plantas úteis por parcela. Os tratamentos utilizados foram: testemunha (sem adubação e sem calagem); solo corrigido a pH 6,5 antes do plantio; adubações com esterco de aviário + calagem anualmente; adubações com esterco bovino + calagem anualmente; adubações com N e K + calagem anualmente; adubações com N e K + calagem anualmente + correção com P antes do plantio; adubações com N, P na dose simples e K + calagem anualmente; adubações com N, P na dose dupla e K + calagem anualmente; adubações anuais com N, P na dose simples e K, sem calagem. A adubação corretiva com P, na instalação do pomar, foi suficiente para assegurar uma produção de frutos similar à obtida pelas adubações de reposição anual deste nutriente, até oito anos após o plantio. A elevação dos teores foliares de N foi positivamente relacionada com o aumento da produção de frutos e com a diminuição do peso médio dos mesmos. O uso de sulfato de amônio acidifica o solo e requer maior quantidade de calagem de manutenção.

Termos para indexação: Citrus deliciosa, nutrição de plantas.

'MONTENEGRINA' TANGERINE RESPONSES TO LIMING AND TO ORGANIC AND MINERAL FERTILIZERS

ABSTRACT - The objectives of the present study were to investigate the influence of liming and mineral and organic fertilization on yields of cv. 'Montenegrina' tangerines (Citrus deliciosa Tenore) grafted onto Poncirus trifoliata Raf. The grove was planted in July of 1988 on a Dark-Red Podzolic (Rhodic Paleudult) soil. The experiment was set up in randomized blocks design composed of nine treatments and four replicates, with three plants per plot. The treatments were: control (without liming and fertilizers); soil acidity neutralization to pH 6,5 before planting; annually poultry manure and liming; annually cattle manure and liming; annually N and K fertilizers and liming; annually N and K fertilizers, liming and P fertilizer before planting; annually N, P and K fertilizers and liming; annually N, K and double the rate of P, and liming; annually N, P and K fertilizers without liming. The results showed that P application before planting were sufficient to maintain adequate fruit yield up to eight years after planting. The increases of leaf N contents was positively related to increases in production and to decreases of the average fruit weight. The ammonium sulphate application acidifies the soil, and requires a greater quantity of liming support.

Index terms: Citrus deliciosa, plant nutrition.

INTRODUÇÃO

O cultivo da tangerineira (Citrus deliciosa Tenore) cv. Montenegrina encontra-se em expansão no Estado do Rio Grande do Sul. Os frutos são muito apreciados, pois apresentam ótimo sabor, boa conservação, polpa firme e maturação tardia. Além disso, devido ao inverno frio do Rio Grande do Sul, os frutos apresentam coloração intensa e suco de boa qualidade.

Existem vários fatores e interações que interferem na produtividade dos pomares, como: clima, solo, qualidade das mudas, porta-enxerto, estado fitossanitário, manejo do solo, e adubação. Dentre os fatores limitantes da produção, salientam-se a baixa fertilidade dos solos, e as adubações insuficientes ou desequilibradas (Koller, 1994). Isto ficou evidente num levantamento do estado nutricional dos citros na região produtora do Rio Grande do Sul, realizado por Koller et al. (1986).

O N é um dos elementos mais importantes para a citricultura. Há fortes evidências de que a intensidade de florescimento, e, conseqüentemente, a produção, dependem da quantidade de carboidratos presentes na planta e, principalmente, do conteúdo foliar de N (Lovatt et al., 1992). O P exerce papel importante no sistema energético das células e na divisão celular. O K é necessário para o desenvolvimento adequado do fruto e para o aumento da espessura da casca (Rodriguez, 1980; Davies & Albrigo, 1994). Em pomares de boa produtividade, a reposição de K é importante para evitar a diminuição do tamanho dos frutos, sua queda prematura, secamento de ramos e alternância de produção (Caetano, 1985).

As plantas cítricas são muito exigentes em Ca. Desta forma, é esperado que elas sejam sensíveis à acidez do solo e respondam bem à calagem (Anderson, 1971).

Zanette (1977) estudou, durante doze anos, o efeito do calcário e dos nutrientes N, P e K na produção de laranjeiras 'Pêra' (Citrus sinensis (L.) Osbeck), enxertadas em laranjeiras 'Caipira'. A ausência de N e P diminuiu a produção de frutos, não se verificando o mesmo efeito quando da supressão de K e de calcário. A ausência de N e de K na adubação prejudicou o crescimento das plantas.

Magalhães & Cunha Sobrinho (1983) estudaram a influência de níveis de adubação mineral em laranjeiras 'Pêra' enxertadas em limoeiro 'Cravo'. Após três colheitas, as respostas indicaram que a adubação nitrogenada proporcionou aumento do número de frutos e do peso da produção, e diminuição do peso médio dos frutos, e que houve uma relação positiva entre a elevação do teor foliar do nutriente e a produção. O K reduziu o número de frutos produzidos, mas aumentou o peso da produção, em virtude do aumento do peso médio dos frutos. A aplicação de P não influenciou a produção.

Em Taquari, no Rio Grande do Sul, Goepfert et al. (1987) verificaram, após oito safras, que a adubação nitrogenada aumentou o teor foliar de N e o peso total da produção de frutos, mas reduziu os teores foliares de K em laranjeiras 'Valência'. As adubações potássicas e fosfatadas aumentaram o número de frutos e o peso total da produção.

Em São Paulo, Donadio et al. (1987) estudaram o efeito da calagem e das adubações minerais e orgânicas em laranjeiras 'Natal'. Na avaliação das três primeiras safras, a adubação com esterco de aves aumentou a produção de frutos em relação à adubação mineral. O calcário não promoveu aumentos na produção, quando associado aos adubos minerais e orgânicos.

No presente trabalho, estudou-se a influência da calagem e de adubações minerais e orgânicas no pH do solo, nas características químicas foliares, e no crescimento e produção da tangerineira (Citrus deliciosa Tenore) cv. Montenegrina.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi realizado na Estação Experimental Agronômica da Faculdade de Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Eldorado do Sul, Km 146 da BR-290, a 30o05' de latitude Sul e 51o40' de longitude Oeste. O solo da área é classificado como Podzólico Vermelho-Escuro, de textura franco-argilosa.

Tangerineiras 'Montenegrina', enxertadas em Poncirus trifoliata Raf., foram plantadas em julho de 1988, num espaçamento de 2,5 x 5,0 m e submetidas a diversas adubações. O delineamento experimental foi o de blocos ao acaso, com nove tratamentos e quatro repetições. Cada parcela constou de três plantas úteis, rodeadas por plantas bordaduras.

Os tratamentos utilizados foram: testemunha, solo sem adubação e sem calagem; correção da acidez do solo a pH 6,5 antes do plantio, sem adubação e calagem de manutenção; adubação com esterco de aves curtido + calagem anualmente; adubação com esterco bovino curtido + calagem anualmente; adubação com N e K + calagem anualmente; adubação com N e K + calagem anualmente + correção do solo com P antes do plantio; adubação com N, P na dose simples e K + calagem anualmente; adubação com N, P na dose dupla e K + calagem anualmente; adubação com N, P na dose simples e K, sem calagem anual.

Com base na análise do solo, antes do plantio das tangerineiras foi realizada a calagem com calcário dolomítico nas parcelas do tratamento que previa a correção da acidez do solo para elevar o pH a 6,5 antes do plantio. Nas parcelas dos demais tratamentos, exceto na testemunha, realizou-se a calagem, com calcário dolomítico, antes do plantio, para elevar o pH do solo a 6,0. A incorporação do adubo e do calcário foi realizada mediante lavração até 20 cm de profundidade, seguida de gradagem. No tratamento-testemunha, a análise do solo revelou um pH inicial de 5,5.

As adubações minerais e orgânicas de manutenção, no período de julho de 1988 a agosto de 1996, foram realizadas por planta, em cobertura, na área de projeção da copa, e determinadas com base nas recomendações feitas por Siqueira et al. (1987). As quantidades de calcário, dos adubos orgânicos e dos nutrientes minerais aplicados anualmente constam na Tabela 1. As adubações orgânicas, o calcário dolomítico e o P2O5 foram aplicados uma única vez ao ano, sempre no mês de agosto. As adubações minerais com K foram parceladas em duas épocas, sempre nos meses de agosto e fevereiro, enquanto as nitrogenadas foram divididas em três períodos, nos meses de agosto, novembro e fevereiro. Durante o período experimental não foram realizadas adubações de manutenção ou correção com micronutrientes.

Dado o excesso de produção de frutos em algumas plantas, a partir da safra de 1992, no mês de fevereiro de cada ano, realizou-se o raleio manual de frutos, quando estes apresentavam aproximadamente 1,5 a 2,0 cm de diâmetro, conservando-se na planta apenas um fruto por raminho ou a cada 20 cm de extensão do ramo.

Nos meses de março de 1995 e 1996 foram colhidas amostras de folhas, com 6 a 7 meses de idade, de ramos com frutos, para determinação dos teores de N, P, K, Ca, Mg, Mn e Zn, segundo metodologia descrita por Tedesco et al. (1995).

O crescimento vegetativo das plantas foi avaliado anualmente, no mês de janeiro, através de medições do perímetro do tronco, 10 cm acima do ponto de enxertia. A medição foi realizada com fita métrica, em local marcado com tinta.

Durante seis anos de colheita, os frutos foram classificados e pesados em três categorias comerciais: primeira, com diâmetro superior a 6,7 cm; segunda, com diâmetro entre 5,7 a 6,7 cm; e terceira, com diâmetro inferior a 5,7 cm.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

No somatório de seis safras, os resultados mostraram que tanto as adubações minerais quanto as orgânicas propiciaram aumentos no peso da produção de frutos de segunda, primeira + segunda categorias e no total da produção, em comparação com a testemunha e com o tratamento de correção do pH do solo para 6,5 antes do plantio (Tabelas 2 e 3).

Os tratamentos com adubações minerais e com esterco de aves, de modo geral, apresentaram maior produção de frutos, proporcionada possivelmente pelos teores foliares de N mais elevados (Tabela 4) e ao maior crescimento das plantas (Tabela 5), de conformidade com os resultados obtidos por Magalhães & Cunha Sobrinho (1983) e as observações feitas por Lovatt et al. (1992). Por outro lado, os tratamentos-testemunha e com acidez do solo corrigida a pH 6,5 antes do plantio proporcio-naram as menores produções de frutos, o que pode ser atribuído principalmente aos menores teores foliares de N e à redução do crescimento das plantas, que diminuíram seu potencial produtivo. Embora os teores foliares de N, nesses tratamentos, sejam interpretados como satisfatórios em relação às plantas cítricas, segundo padrões da Comissão de Fertilidade do Solo-RS/SC (1995), supõe-se que possam estar aquém das necessidades das tangerineiras 'Montenegrina'. Tais tratamentos não diferiram entre si, o que indica que a simples correção do pH do solo antes do plantio não foi suficiente para aumentar a produção ou a qualidade física dos frutos, de conformidade com o observado por Zanette (1977). Em ambos os tratamentos, os teores foliares de Ca foram considerados satisfatórios, segundo os padrões da Comissão de Fertilidade do Solo-RS/SC (1995), o que evidencia que havia teores suficientes deste elemento no solo, para suprir as necessidades da planta.

Entre as adubações orgânicas, verifica-se que não houve diferenças significativas no peso total dos frutos, embora tenha havido tendência para maior produção na adubação com esterco de aves motivada, provavelmente, pelos maiores teores foliares de N (Tabela 4).

Na Tabela 3, verifica-se que na adubação com esterco bovino, a reduzida produção de frutos de segunda foi compensada pela maior produção de frutos de primeira categoria, resultando em produção de frutos de primeira + segunda, semelhantes aos demais tratamentos de adubação mineral e orgânica, exceto quando comparado aos que receberam as adubações com N, K, dosagem dupla de P e acrescidas de calcário dolomítico.

As adubações minerais também proporcionaram maior produção de frutos de terceira categoria em relação aos demais tratamentos, o que indica que a maior produção total de frutos também pode ser atribuída ao acentuado aumento da produção de frutos pequenos, de má qualidade e indesejáveis comercialmente. A elevada produção de frutos com menor tamanho determinou a diminuição do seu peso médio (Tabela 3).

Entre os tratamentos com adubações minerais, não houve diferenças significativas no peso total de frutos de primeira, segunda, primeira + segunda categorias e na produção total das seis safras. As adubações de manutenção com P, nas doses simples e dupla, não contribuíram para aumentar significativamente a produção, em comparação com a dos tratamentos sem reposição anual com P. Resultados semelhantes foram obtidos por Aldrich & Buchanan (1954), que não obtiveram resposta produtiva à adubação fosfatada em pomares cítricos que apresentavam teores foliares iguais ou superiores a 0,10% de P. Além disso, a ausência de diferenças nos teores foliares de P (Tabela 4) entre os tratamentos de adubação mineral permitem supor que a adubação corretiva com P pode ser considerada satisfatória, e que não há necessidade de adubações posteriores de manutenção com esse nutriente, o que contribui para a diminuição dos custos de produção.

Em todos os tratamentos de adubação mineral, observou-se a presença de altos teores foliares de Mn, relacionados aos mais baixos valores de pH do solo. Isto deveu-se, principalmente, ao efeito de acidificação do solo provocado pelo uso contínuo de sulfato de amônio como fonte nitrogenada, o que evidencia que a quantidade de calcário utilizada nestes tratamentos foi insuficiente para a manutenção do pH próximo aos valores iniciais. Resultados semelhantes foram obtidos por Sarooshi et al. (1994). Nas adubações minerais com N, P e K verifica-se, ainda, que a ausência de calagem proporcionou um significativo aumento dos níveis foliares de Mn, com tendência de redução dos teores de Ca e Mg em relação aos demais tratamentos (Tabela 6).

Em todos os tratamentos, nas cinco primeiras safras, a produção por planta foi baixa. O baixo vigor do porta-enxerto Poncirus trifoliata (Koller, 1994), os altos teores foliares de Mn, e os baixos teores foliares de Zn e de K, em todos os tratamentos, foram as prováveis causas da reduzida produção de frutos por planta (Tabelas 2, 4, e 6).

CONCLUSÕES

1. A adubação corretiva com P, na instalação do pomar, é suficiente para assegurar a produção de frutos similar à obtida pelas adubações de reposição anual desse nutriente, até oito anos após o plantio.

2. A elevação dos teores foliares de N está positivamente relacionada com o aumento da produção de frutos e com a diminuição do seu peso médio.

3. O uso de sulfato de amônio acidifica o solo e requer maior quantidade de calagem de manutenção.

REFERÊNCIAS

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  • 1
    Aceito para publicação em 23 de setembro de 1998.
    2
    Eng. Agr., M.Sc., R. Kraemer Eck, n.71, B. Centenário, CEP 93800-000 Sapiranga, RS.
    3
    Eng. Agr., Dr., Dep. de Horticultura e Silvicultura, UFRGS, Caixa Postal 776, CEP 91501-970 Porto Alegre, RS. Bolsista do CNPq. E-mail:
    4
    Estudante da Faculdade de Agronomia da UFRGS, Caixa Postal 776, CEP 91501-970 Porto Alegre, RS. Bolsista do CNPq.
    5
    Eng. Agr., M.Sc., EMATER/RS, Caixa Postal 2727, CEP 90150-053 Porto Alegre, RS.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    08 Jun 2006
  • Data do Fascículo
    Abr 1999

Histórico

  • Recebido
    23 Set 1998
  • Aceito
    23 Set 1998
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