Este artigo visa compartilhar a experiência da Navegantes Clínica Psi, construída em 2024 por três profissionais da psicologia: duas brasileiras e um mexicano. O objetivo inicial da Clínica consistia em realizar atendimentos grupais a pessoas migrantes brasileiras espalhadas pelo mundo. Usando metodologias grupais e inventando outras a partir das nossas vivências profissionais e militantes, nossa intenção era criar comunidades - mesmo que por meio de encontros virtuais -, na contramão do tão frequente sentimento de solidão, muito comum a quem migra. Ao longo do desenvolvimento do primeiro grupo realizado, apoiados nas reuniões semanais de debate sobre a clínica, fomos entendendo que nosso caminho na Navegantes era muito mais amplo. Muito além da migração, o que faz a nossa clínica existir são os grupos. Entendemos que desenvolver grupos como dispositivos terapêuticos é uma estratégia radical de encontro entre as diferenças - territoriais, culturais, de sexualidade, raciais, teóricas, entre tantas outras. Como escutar essas diferenças, organizar os encontros e desenvolver os grupos como espaços de trocas são alguns dos tópicos que exploraremos neste relato-ensaio de experiência. Com esta mirada, e colocando em discussão o conceito de interseccionalidade, analisamos as experiências grupais que temos desenvolvido e propomos um questionamento sobre as práticas individualizantes e excludentes da psicologia contemporânea, na esperança de fazer ressoar os encontros alegres e criativos que vivemos na diversidade e de impulsionar outras ousadias clínicas a partir do comum e dos coletivos.
Palavras-chave:
Psicologia de Grupos; Migração; Diferença; Clínica Psi