O acolhimento institucional e a reintegração familiar de adolescentes são processos complexos que envolvem diferentes atores e interações. Este artigo tem como objetivo compreender como se dão os vínculos entre a família e a instituição durante o processo de acolhimento institucional de adolescentes e a reintegração familiar, à luz da Teoria Bioecológica do Desenvolvimento Humano. É um estudo exploratório de abordagem qualitativa. Foram participantes duas técnicas de referência da unidade de acolhimento e duas mães de adolescentes acolhidos que tinham possibilidades de reintegração familiar. Os dados foram coletados por meio do método da Inserção Ecológica em prontuários, entrevistas semiestruturadas e diário de campo e analisados a partir do Modelo Bioecológico e da Análise do Discurso. A partir do Modelo Bioecológico emergiram as seguintes categorias: o acolhimento institucional e a ruptura de vínculos; a história de Maria; a história de João; a unidade de acolhimento e a reintegração familiar e a formação de novos vínculos. Observou-se que a distância geográfica entre a unidade de acolhimento e os municípios de origem dos adolescentes, o número elevado de acolhidos, o insuficiente quadro de profissionais e a indisponibilidade de transportes para as viagens apareceram como fatores que dificultaram a manutenção dos vínculos entre o adolescente e a família durante o período de acolhimento institucional. Verificaram-se, no discurso de profissionais da instituição, expressões que estigmatizam famílias pobres, especialmente as mulheres, revelando a urgência em promover reflexões acerca da política de acolhimento e de direitos da criança e do adolescente.
Palavras-chave:
Estatuto da criança e do adolescente; adolescente institucionalizado; família
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