A mulher com altas habilidades/superdotação: à procura de uma identidade

Women with exceptional abilities/giftedness: in search of identity

Resumos

Este artigo teve como objetivo revisitar a história de duas mulheres com Altas Habilidades/Superdotação, com idades de 47 e 50 anos, que foram identificadas já adultas e que ainda relutavam para se reconhecer, como pessoas com Altas Habilidades/Superdotação (PAH/SD). Pensamos que, escavando a história de vida delas, possamos entender algumas das razões que fazem com que as mulheres com AH/SD sejam identificadas em menor número, não reconheçam ou escondam os indicadores de AH/SD e custem a construir essa identidade específica de PAH/SD. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, do tipo estudo de caso, numa perspectiva longitudinal. Os instrumentos utilizados foram o QIIAHSD-Adultos aplicado em 3 oportunidades distintas - 2008, 2009 e 2011 - e uma entrevista semiestruturada. Constatamos que, nas participantes desta pesquisa, houve, ao longo dos anos, uma progressiva aceitação dos indicadores de AH/SD depois da identificação formal e, portanto de sua identidade como PAH/SD. As respostas indicam um processo de construção positivo da identidade como mulher com AH/SD, visto que, muitos indicadores que em 2008 não eram percebidos, em 2011, passam a ser incorporados no discurso e nas atitudes. Parte desse processo está alicerçado na troca com pares com AH/SD e na crescente discussão do tema; porém, é evidente que a identificação foi um fator decisivo na aceitação e reconhecimento das AH/SD por parte dessas mulheres. Esse fato nos leva a defender que, além do atendimento educacional especializado para os estudantes com AH/SD, já previsto na legislação, deveríamos pensar ainda em estratégias específicas para o atendimento à mulher com AH/SD.

Educação especial; Altas Habilidades; Mulher; Identidade


This paper aims to revisit the history of two gifted women (47 and 50 years old) identified in adulthood who were still reluctant to recognize themselves as gifted persons. We considered that uncovering their life history would enable us to understand some of the reasons why the number of women identified as gifted is lower than men, why they fail to recognize themselves as gifted or why they hide their giftedness indicators and have trouble building their specific identity as gifted persons. This is a qualitative longitudinal case study. The research instruments were the QIIAHSD-Adult (Questionnaire to Identify Giftedness Indicators-Adults) applied on three separate occasions - 2008, 2009 and 2011 - and a semi-structured interview. We realized that, over the years, both participants have showed progressive acceptance of giftedness indicators after formal identification, as well as of their identity as gifted persons. Their answers revealed that they were building a positive identity as gifted women; the evidence for this is that many indicators not perceived in 2008 emerged in their discourse and attitudes in 2011. Part of this process is based upon contact and exchanges with gifted peers and increased discussion of the theme. Nevertheless, it is also clear that identification was a decisive factor in these women's acceptance and recognition of themselves as gifted. This evidence leads us to defend that, in addition to specialized educational services for gifted students, which are already assured by law, we should also think about specific strategies to nurture giftedness in women.

Special Education; Giftedness; Women; Identity


RELATO DE PESQUISA

A mulher com altas habilidades/superdotação: à procura de uma identidade

Women with exceptional abilities/giftedness: in search of identity

Susana Graciela Pérez Barrera PérezI; Soraia Napoleão FreitasII

IDoutor em Educação. Conselho Brasileiro para Superdotação / Associação Gaúcha de Apoio às Altas Habilidades/Superdotação. susanapb@terra.com.br IIDocente do Programa de Pós-graduação da Universidade Federal de Santa Maria. soraianfreitas@yahoo.com.br

RESUMO

Este artigo teve como objetivo revisitar a história de duas mulheres com Altas Habilidades/Superdotação, com idades de 47 e 50 anos, que foram identificadas já adultas e que ainda relutavam para se reconhecer, como pessoas com Altas Habilidades/Superdotação (PAH/SD). Pensamos que, escavando a história de vida delas, possamos entender algumas das razões que fazem com que as mulheres com AH/SD sejam identificadas em menor número, não reconheçam ou escondam os indicadores de AH/SD e custem a construir essa identidade específica de PAH/SD. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, do tipo estudo de caso, numa perspectiva longitudinal. Os instrumentos utilizados foram o QIIAHSD-Adultos aplicado em 3 oportunidades distintas - 2008, 2009 e 2011 - e uma entrevista semiestruturada. Constatamos que, nas participantes desta pesquisa, houve, ao longo dos anos, uma progressiva aceitação dos indicadores de AH/SD depois da identificação formal e, portanto de sua identidade como PAH/SD. As respostas indicam um processo de construção positivo da identidade como mulher com AH/SD, visto que, muitos indicadores que em 2008 não eram percebidos, em 2011, passam a ser incorporados no discurso e nas atitudes. Parte desse processo está alicerçado na troca com pares com AH/SD e na crescente discussão do tema; porém, é evidente que a identificação foi um fator decisivo na aceitação e reconhecimento das AH/SD por parte dessas mulheres. Esse fato nos leva a defender que, além do atendimento educacional especializado para os estudantes com AH/SD, já previsto na legislação, deveríamos pensar ainda em estratégias específicas para o atendimento à mulher com AH/SD.

Palavras-chave: Educação especial. Altas Habilidades/Superdotação. Mulher. Identidade.

ABSTRACT

This paper aims to revisit the history of two gifted women (47 and 50 years old) identified in adulthood who were still reluctant to recognize themselves as gifted persons. We considered that uncovering their life history would enable us to understand some of the reasons why the number of women identified as gifted is lower than men, why they fail to recognize themselves as gifted or why they hide their giftedness indicators and have trouble building their specific identity as gifted persons. This is a qualitative longitudinal case study. The research instruments were the QIIAHSD-Adult (Questionnaire to Identify Giftedness Indicators-Adults) applied on three separate occasions – 2008, 2009 and 2011 – and a semi-structured interview. We realized that, over the years, both participants have showed progressive acceptance of giftedness indicators after formal identification, as well as of their identity as gifted persons. Their answers revealed that they were building a positive identity as gifted women; the evidence for this is that many indicators not perceived in 2008 emerged in their discourse and attitudes in 2011. Part of this process is based upon contact and exchanges with gifted peers and increased discussion of the theme. Nevertheless, it is also clear that identification was a decisive factor in these women's acceptance and recognition of themselves as gifted. This evidence leads us to defend that, in addition to specialized educational services for gifted students, which are already assured by law, we should also think about specific strategies to nurture giftedness in women.

Keywords: Special Education. Giftedness. Women. Identity.

"Disse também à mulher: 'Multiplicarei os sofrimentos do teu corpo; darás à luz com dores, teus desejos te impelirão para o teu marido e tu estarás sob o seu domínio'". (Gênesis 3:16, BÍBLIA SAGRADA, 1997, p.51).

1 POR QUE FALAR DELAS?

Quando falamos em Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD), geralmente pensamos em crianças, como se essa criança nunca crescesse. À medida que o tema nos é mais familiar, pensamos no adulto e é então, somente mais tarde, que começamos a nos preocupar com essa "minoria" que representa aproximadamente 51% da população - a mulher.

Embora seja sabido que, na Educação Básica, o número de meninos matriculados tem sido historicamente maior que o de meninas (aproximadamente 0,6%, nos últimos anos), quando observamos o número de alunos com AH/SD identificados pelos Núcleos de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação (NAAH/S), em uma pesquisa realizada para a Secretaria de Educação Especial do MEC (PÉREZ, 2011), verificamos que apenas 38,7% são meninas, o que corrobora o que Ellis e Willinsky (1999) afirmavam em relação às escolas norte-americanas há mais de 10 anos, nas quais apenas 30 a 40% das matrículas nos programas de atendimento eram mulheres.

Se a identificação e o atendimento aos alunos com AH/SD causa desconforto em certos círculos intelectuais - que consideram que essa identificação e esse atendimento são desnecessários e somente refletiriam uma meritocracia -, pensar nessa possibilidade para uma fração ainda mais específica (embora não minoritária) dessa população é um desafio que decidimos assumir.

Este artigo teve como objetivo revisitar duas mulheres que foram identificadas já adultas em uma pesquisa de Doutorado (PÉREZ, 2008) e que, naquela época, ainda relutavam para se reconhecer, aceitar e valorizar como pessoas com Altas Habilidades/Superdotação (PAH/SD). Escavando a história de vida dessas duas mulheres, possamos entender algumas das razões que fazem que as mulheres com AH/SD sejam identificadas em menor número, não reconheçam ou escondam os indicadores de AH/SD e custem a construir essa identidade específica de PAH/SD.

2 DE LÁ PRÁ CÁ...

Em algum ponto, a história da humanidade começa a se dividir na história de um homem provedor, caçador, dono do conhecimento e da lei, ator da vida pública, e na história de uma mulher procriadora, cuidadora dos filhos, dona da sensibilidade, da beleza, desprovida das letras, que atua apenas na vida privada.

Naturalizada como ser pueril, dependente, incapaz de criar, imaginar e produzir conhecimento, a mulher tem acesso à educação somente 1000 anos depois da criação das primeiras escolas, embora Sartori (2006, apud MOREIRA et al., 2010) destaca a exceção das universidades italianas que, desde sua fundação, aceitaram alunas e até algumas docentes.

Até a revolução agrícola, a história nos remete a culturas matriarcais nas quais as relações de poder entre homens e mulheres eram igualitárias e nas quais ela era responsável pela política do grupo. O preparo da terra, o cuidado das plantas, a cerâmica, a criação dos filhos, a organização das aldeias (e todo o conhecimento que isso implicava) colocava nas mãos das mulheres a responsabilidade de suprir as necessidades básicas do grupo. À medida que a produção agrícola começa a ter excedentes e com a domesticação dos animais, o homem passa a ser o protetor dos bens que começam a ser privados. Com o advento do Estado, o patriarcado aniquila o papel da mulher, que agora tem a função de reproduzir a mão de obra para o trabalho e é propriedade desse homem (IOP, 2009). Somente em períodos de conflito, em que os homens deixam de ocupar seus postos profissionais, como nas duas grandes guerras, é que as mulheres são "oficialmente" convocadas ao mundo laboral e inclusive militar, em funções "próprias" da mulher e necessárias para a manutenção dos exércitos, como enfermeiras, cozinheiras e funções administrativas. Talvez tenham sido essas experiências nos períodos de guerra que levaram algumas delas a aventurar-se em atividades tipicamente masculinas no mundo moderno e a desafiar o poderio masculino.

À mulher são associadas "virtudes" e "qualidades" vinculadas à sensibilidade, à intuição, à dependência, à solidariedade, à compreensão, enquanto que o homem manifesta sua masculinidade mediante atributos como a fortaleza, a independência, a autonomia, a autoconfiança, a coragem, a tomada de decisões, a responsabilidade, dentre outros.

Na mitologia grega, Lara, ninfa que gostava de falar muito, é castigada por Júpiter, que arranca a sua língua, e é convertida na deusa do silêncio, passando a ser um modelo a ser seguido pelos romanos, para os quais o "silêncio" não era somente uma virtude, mas um dever das mulheres.

Não é raro encontrar, em quase todas as profissões que requeriam estudos universitários, e até o século XX, inclusive, mulheres tendo que se travestir de homens para frequentar os bancos escolares, assim como a recusa dos pedidos de reconhecimento legal de seus títulos e os obstáculos para o exercício profissional.

Segundo uma Memória da Comissão de Mulheres Letradas do Ilustre Colegio de Abogados del Señorío de Vizcaya, (2011, p. 6), quando as mulheres se destacavam por apresentar atributos "próprios dos homens", como a autonomia, a independência e a autoconfiança ou por demonstrar desempenho extraordinário em áreas de domínio masculino, chegavam a ser consideradas andróginas ou mesmo mulheres de reputação dúbia, como mostra o comentário do historiador Valério Máximo quando referia a defesa de Maesia perante o tribunal, provavelmente acusada de adultério e que consegue ser absolvida por unanimidade: "Por este motivo, porque escondia sob seu aspecto exterior de mulher um ânimo viril, a chamavam de andrógina".

Mesmo assim, elas conseguiram produzir as sementes que cresceram à sombra do preconceito e do estigma e chegar a uma época em que, apesar de ainda receberem salários inferiores que os homens nos mesmos cargos e de terem maiores exigências que eles para serem reconhecidas nos círculos científicos, já não pode mais esconder algumas de suas conquistas.

3 UM MODELO DE MULHER

Mulheres como Caia Afrânia (ou Carfânia), que advogou na época da República Romana, provocando o édito pretoriano que proibia as mulheres de advogar em nome de terceiros (MADEIRA, 2008); como a egípcia Merit-Ptah, primeira médica (2.700 A.C.) (FOWLER, 2007); como a grega Helena de Egito, primeira pintora (400 A.C.) (HALLOWELL, 1894) ou Maria a judia (ou Maria a Profetisa), célebre filósofa e alquimista egípcia que deu nome ao banho-maria (273 A.C.), não são lembradas nos livros escolares.

Se pedirmos a qualquer plateia para citar alguns gênios da humanidade, os nomeados provavelmente sejam Einstein, Newton, Leonardo da Vinci, Mozart, Shakespeare, Beethoven...

Entretanto, há milhares de mulheres que poderiam ser citadas em quaisquer áreas do saber e do fazer humano. Somente a título de exemplo e para não deixá-las esquecidas, lembramos, no século XVII, Marie Meurdrac, que escreveu uma enciclopédia de química e Elisabeth Fulham, a primeira pesquisadora química profissional, que descobriu as reduções metálicas, a catálise e a fotorredução. Do século XVIII, Emilie du Châtelet, a primeira mulher física reconhecida pela comunidade cientifica; Marie Kirch, que descobriu um cometa e escreveu importantes tratados astronômicos, e, no século XIX, Ada Byron, precursora da informática moderna, e Maria Mitchell, que também descobriu um cometa. No século XX, além de Marie Curie, primeira mulher a receber dois prêmios Nobel (em física, 1903, e em química, 1911) e sua filha Joliot-Curie, também ganhadora do prêmio Nobel de química, em 1935; Emmy Noether, inventora da álgebra moderna e do "teorema de Noether" e Maric Mileva (1875-1948), matemática e física brilhante, ambas cientistas que auxiliaram Einstein a desenvolver a teoria da relatividade (APOTHEKER; SARKADI, 2011; MOREIRA et al., 2010; TENT, 2008).

Kirch, que desenvolveu o observatório astronômico de Berlim com o seu marido, durante 10 anos, foi rejeitada pela Academia de Berlim para assumir o cargo oficial de astrônoma quando seu marido morreu, e Mitchell foi a primeira a ocupar o cargo de astrônoma profissional durante 19 anos, porém, ganhando três vezes menos que os homens na mesma função. Noether foi admitida como ouvinte na universidade em 1900, tornando-se professora em 1915, enquanto que a associação dos químicos recusou a candidatura de Joliot-Curie duas vezes (MOREIRA et al., 2010).

Já no século XX, a antropóloga americana Zélia Nutall e a sua colega mexicana Isabel Ramirez foram marginalizadas pela comunidade científica e somente hoje as suas pesquisas tiveram reconhecimento (MARTINEZ, 2006 apud MOREIRA et al., 2010). A questão de gênero também teve influência na carreira de Juana Miguela Petrocchi, entomologista argentina que descreveu onze espécies de mosquitos até então desconhecidos. Apesar de ser altamente recomendada pelo seu professor, não foi aceita na cátedra em zoologia da Faculdade de Ciências Exatas e Naturais da Universidade de Córdoba, pois o conselho universitário decidiu que o sexo seria inconveniente para desempenhar tal cargo (GARCIA, 2006, apud MOREIRA et al., 2010). O mesmo aconteceu com a zoóloga Maria Isabel Hilton Scott que, apesar de possuir uma trajetória universitária invejável, viu sua candidatura ao concurso para professor de zoologia recusada porque sua condição de mulher não lhe permitiria sair em pesquisa de campo (GARCIA, 2006, apud MOREIRA et al., 2010).

4 AS MULHERES BRASILEIRAS

A mulher brasileira somente teve acesso à educação básica em 1827 e à superior, em 1879 (IBGE, 2011), não sem que as que decidiram frequentá-lo fossem duramente criticadas.

Myrthes Gomes bacharelou-se em Direito no Rio de Janeiro, em 1898 e tornou-se a primeira mulher brasileira a advogar somente em 1906, quando a OAB aprovou seu ingresso na carreira, após uma votação de 23 votos contra 15 a favor (GUIMARÃES; FERREIRA, 2009).

A carioca Maria Augusta Generosa Estrela resolveu estudar Medicina aos 14 anos. Em 1875, foi para os Estados Unidos, candidatando-se à New York College and Hospital for Women; teve de esperar a sua maioridade, em 1881, para ser diplomada solenemente, tendo recebido uma medalha de ouro pela melhor dissertação de tema clínico, sendo ainda a oradora da turma (GUIMARÃES, 2006).

Além de ter sido a primeira médica formada no Brasil, em 1887, a gaúcha Rita Lobato Velho Lopes foi a segunda na América Latina e também foi vereadora eleita, em 1935 (ACERVO E PESQUISA, s/d).

A nadadora Maria Lenk foi a primeira atleta olímpica, em 1932 (IBGE, 2011).

A primeira deputada eleita em uma Assembléia Constituinte foi a paulista Carlota Pereira de Queiroz, em 1933; a primeira senadora, a mineira Júnia Marise, em 1990; a primeira governadora eleita, Roseana Sarney, em 1994, a primeira ministra do Brasil, Zélia Cardoso de Mello, em 1993 (IBGE, 2011) e a primeira presidente brasileira, Dilma Rousseff, em 2011. Nélida Piñón é a primeira presidenta da Academia Brasileira de Letras, em 1996 (IBGE, 2011).

O ano de 2009 presenciou a formatura das sete primeiras mulheres brasileiras a atuar como prático em portos brasileiros (CAVACO, 2010) e a atuação de Silvia Regina de Oliveira, primeira árbitra de futebol brasileira (AS PRIMEIRAS MULHERES NO MUNDO DO FUTEBOL, 2011).

Em todas as áreas do saber e do fazer humano sempre houve mulheres que se destacaram e que deveriam ser lembradas, especialmente porque o seu extraordinário desempenho geralmente teve que enfrentar o preconceito, barreiras culturais e sociais e mesmo econômicas.

5 A CULTURA, A ECONOMIA E A SOCIEDADE: BLOCOS DE CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DA MULHER

Algumas discussões mais recentes sobre identidade apontam para uma concepção cultural desse construto. Para Hall (2000), a identidade do sujeito pós-moderno deixa de ser única, como acontecia no sujeito do iluminismo e passa a ser múltipla, definida histórica e não biologicamente, mutável e estreitamente vinculada à representação cultural.

Concordamos com a mutabilidade e multiplicidade da identidade propostas pelas perspectivas não essencialistas, nas quais a identidade e a diferença são criaturas culturais e sociais, produzidas pela linguagem. Entretanto, não podemos deixar de observar que os aspectos biológicos também concorrem para a definição da identidade e, mesmo que a exclusão gerada pela diferença que a determina possa ter raízes culturais e estar baseada na representação cultural que se tenha dela, existem, sim, identidades que são formadas em torno de certas características genéticas do ser humano, como, por exemplo, nas PAH/SD, cujas características provêm de aspectos genéticos e ambientais (habilidade acima da média, elevados níveis de criatividade e de comprometimento com a tarefa) e cuja identidade é marcada por essas diferenças, assim como pela representação cultural que elas geram.

Partindo do pressuposto de que a identidade é múltipla (HALL, 2000; WOODWARD, 2002), as dificuldades para configurar uma das "facetas" da identidade de uma pessoa – a de PAH/SD - também parecem afetar as demais facetas, ou seja, a identidade desta pessoa em relação ao seu gênero, a sua etnia, a sua classe social e a outras tantas posições de sujeito, constituindo empecilhos para que a PAH/SD - e a sociedade, tal como ela é hoje – aceite, reconheça e valorize estas diferenças. Construir uma identidade de "mulher com AH/SD" implica elaborar esse processo para essas duas facetas - mulher e PAH/SD; quando uma delas não conta com modelos, comportamentos, atitudes, valores e/ou expectativas de referência, a constituição da identidade não pode ser concluída e, em certas ocasiões, tem que ser "negociada".

A forma como as PAH/SD percebem sua diferença em relação a seus pares ocorre, assim como a construção da identidade de qualquer pessoa, como afirma Mosquera (1987), ao longo do tempo, no espaço e em determinada cultura, e está vinculada a fatores internos e externos, permitindo que ela elabore sua autoimagem, a visão pessoal dela própria, construída a partir dos seus próprios modelos e da imagem que ela tem dos outros, e a autoestima, que decorre de sua autoimagem.

A representação, considerada como processo cultural, ou seja, as "[...] práticas de significação e os sistemas simbólicos por meio dos quais são produzidos os significados e que nos posicionam como sujeitos" (WOODWARD, 2002, p. 14), é capaz de estabelecer identidades individuais e coletivas. Por isso, quando essa representação encerra valores e sentimentos opostos, como o amor e o ódio em relação às PAH/SD, pode fazer que essa pessoa decida mascarar a sua identidade individual, de "outro", para não ter censurada sua identidade "coletiva", de mulher/homem, de mãe/pai, aluno/a, enfim, de ser humano.

Há de se considerar, também, que a representação cultural das AH/SD está alicerçada em mitos e crenças populares, assim como a da mulher. A "noção de superdotação" como afirma Mahoney (1995), não se baseia na realidade da vida diária, mas em um ideal romântico e perfeito. A idéia de perfeição absoluta, de sucesso incondicional e de prevalência em classes favorecidas, entre outras, reforça os modelos de Einsteins e Newtons que "[...] não contribuem em nada para a formação da identidade dessas pessoas, pois só colocam nas suas costas expectativas exageradas e inalcançáveis, especialmente para aquelas que não têm oportunidades devido a um ambiente pouco favorável" (PÉREZ, 2007, p. 94), assim como para a mulher, que não teve esses modelos na sua formação. Desta forma, a posição de sujeito gerada por essa representação cultural é rejeitada pela PAH/SD – e mais ainda pela mulher com AH/SD - que, muitas vezes, não a considera alcançável.

Quando assumir a identidade de mulher com AH/SD implica negar a identidade de mulher "normal", "igual às outras", assumir-se diferente, ser a diferença, o "outro", a "forasteira", a "estranha" (porque a sociedade considera como regra o "normal", "a igualdade"), esse processo é muito doloroso, já que o outro não contribui dialeticamente para a construção de si mesmo, mas é um parâmetro de exclusão.

Vários autores referem maior dificuldade para identificar mulheres do que homens com AH/SD (LANDAU, 2002; ELLIS; WILLINSKY, 1999; BENITO MATE, 1999; DOMÍNGUEZ RODRÍGUEZ et al., 2003; GARCÍA COLMENARES, 1997), porque uma das atitudes adotadas por elas é a ocultação das AH/SD. Desde a adolescência, as mulheres tendem a valorizar mais as relações sociais, preocupando-se mais em agradar aos outros ou com a aprovação dos outros.

Reis (2002) refere uma pesquisa de Buescher et al. (1987), na qual 65% das adolescentes superdotadas escondem suas habilidades e que, segundo Walker, Reis e Leonard (1992), três de cada quatro mulheres superdotadas não acreditam na sua inteligência superior. Essa ocultação das habilidades, muitas vezes, continua ao longo da vida, como se constata em muitas das respostas aos questionários deste estudo de caso; porém, quando o questionamento envolve uma narração livre, sem atribuições de valor, ou quando são solicitados esclarecimentos que levam a uma elaboração mais demorada da resposta, os depoimentos contradizem a valoração padronizada.

Os fatores ambientais e situacionais estão muito vinculados à cultura, que transmite os estereótipos e os papéis sexuais, e ao contexto familiar, que está imbuído dos valores culturais e é responsável por muitas das mensagens contraditórias que a mulher recebe.

É sabido que a família educa a mulher de forma diferente ao homem. No seu afã de protegê-la, geralmente privando-a de sua liberdade, limita sua autonomia e seus mecanismos de defesa e reduz as expectativas de futuro em relação a ela (DOMÍNGUEZ RODRÍGUEZ et al., 2003). Reis (2002) também afirma que o excessivo fomento dos "bons modos" na infância pode atrofiar a atitude das mulheres, assim como sua capacidade de questionar e se impor, promovendo uma passividade que cria uma jovem que não pergunta ou que não levanta a mão na sala de aula. Comenta que a pesquisa com mulheres superdotadas tem constatado "[...] uma série de barreiras internas, prioridades pessoais e decisões que têm surgido consistentemente como razões pelas quais não podem ou não desenvolvem seu potencial" (p. 1), dentre as quais os dilemas sobre suas habilidades e talentos, decisões sobre a família e sobre as obrigações e cuidados, que se opõem ao seu desenvolvimento pessoal. Os conflitos e as barreiras tornam-se mais evidentes à medida que elas amadurecem e a intersecção das habilidades, da idade, da escolha profissional e das decisões pessoais que envolvem casamento e filhos pode acrescentar novas barreiras internas (REIS, 2002).

Uma dessas barreiras, segundo Reis (2002), está vinculada à ética do cuidado, que permeia o senso de integridade da mulher que, muitas vezes, é confundida com a procura ou a necessidade de aprovação dos demais, como menciona uma das participantes deste estudo: "Me preocupo demais com os outros, como se eu tivesse que estar sempre agradando-os. Sinto que tenho uma grande necessidade de ser aceita pelos outros" (Alice).

Muitas mulheres com AH/SD começam a sentir que ser ambiciosas é sinônimo de ser egoístas, como também refere Alice, quando comenta que um dos fatos mais importantes da sua vida foi a maternidade - "[...] que me fez sair do egocentrismo e perceber que tem pessoinhas que dependem da minha atenção e dedicação" - e quando comenta seu sentimento em relação ao seu trabalho: "Dedico mais tempo ao trabalho do que à família e sinto por ser assim" .

Reis (2002) refere que muitas mulheres superdotadas não têm oportunidades de desenvolver a autoeficácia - o julgamento que uma pessoa tem a respeito de sua habilidade para executar determinada atividade - devido às barreiras externas e internas que elas enfrentam na vida. O medo do sucesso, causado pelo receio de serem rejeitadas por outras mulheres ou não desejadas pelos homens também pode levar a uma perda de confiança em si mesmas, e a outra participante do nosso estudo, Marina, explica esse sentimento de forma muita clara:

Ainda assim, minha percepção de mim mesma não é muito positiva. Sinto-me insegura diante de situações inesperadas/novas ou de grupos aos quais não conheço. Antes de iniciar uma tarefa sempre julgo que não terei capacidade de terminá-la a contento. Isso faz com que eu evite assumir novos desafios, pois minha insegurança os torna um fardo. Meu desejo, minha expectativa e minha luta têm sido na busca de não me 'inferiorizar', de assumir minhas qualidades (e não negá-las, como tenho feito sistematicamente); de sair da caverna e enxergar a luz do sol; de ter coragem de botar a cara o mundo e enfrentar as dificuldades cotidianas com normalidade. Quando me comparo aos demais vejo que as pessoas são mais corajosas, seguras e felizes nas atividades que desenvolvem, ainda que tenham mais dificuldades e entraves para executá-las do que eu.

Reis (2002, p. 15) comenta que:

Mesmo as mulheres mais talentosas se preocupam com a crítica e, muitas vezes duvidam, de sua capacidade e de seu trabalho. Diversos pesquisadores encontraram que a falta de confiança nas mulheres jovens parece aumentar nas mulheres mais inteligentes e esse padrão pode continuar na meia idade.

Outra barreira interna, comum entre as mulheres, é a atribuição do sucesso ao esforço ou à sorte, enquanto os homens costumam atribuir o sucesso à sua própria capacidade. Dominguez Rodríguez (2003) afirma que sempre se diz para a mulher que ela tem que fazer o dobro do esforço que os homens para conseguir o mesmo sucesso e que isso pode levá-la a pensar que, se tem que fazer tanto esforço é porque, na realidade, não é superdotada.

Dominguez Rodríguez et al. (2003) e Reis (1999) também referem que a mulher superdotada tem um nível muito elevado de perfeccionismo e autoexigência, tem medo do sucesso e costuma exagerar a magnitude de seus erros. Esse perfeccionismo excessivo pode derivar na "síndrome do impostor", que se reflete numa autoestima muito baixa, que faz que as mulheres com AH/SD não atribuam seu sucesso a seu próprio esforço e percebam sua imagem de PAH/SD como algo imerecido e acidental. García Colmenares (1997) também refere a baixa autoestima feminina e que isso faz que elas considerem que suas aptidões são inferiores ao que são na realidade.

A falta de planejamento que se constata em muitas mulheres com AH/SD pode ser resultado da educação diferenciada na família. Geralmente, o homem é levado a organizar sua vida e a planejar seus passos em função de seus objetivos, enquanto que a mulher não recebe este tipo de instrução. O depoimento de Alice ilustra isso quando se refere às semelhanças com seu pai: "Temos dificuldade em nos organizar no tempo, geralmente nos atrasamos", ou quando diz: "Tenho sempre muitas idéias, mas não ponho em prática e não me organizo para que elas possam acontecer".

Reis (1999) tem observado uma falta de produtividade criativa em diversos estudos com mulheres adultas e que isso pode ser consequência, simplesmente, da falta de tempo. Comenta a autora que muitas mulheres superdotadas canalizam sua criatividade a atividades relacionadas à família e ao lar, em atividades manuais, na forma de preparar a comida ou decorar a casa ou na confecção de roupas. Alice confirma esse direcionamento da sua criatividade ao tricô, ao bordado, à decoração da casa, à jardinagem, e mesmo à organização das atividades sociais e culturais no trabalho e comenta "Em relação aos trabalhos manuais (pintura, crochê, tricô, pequenos reparos e reformas, etc.) sempre fui muito criativa e fiz coisas que os outros admiram bastante", e ao referir que as demais pessoas a valorizam por ser quem se encarrega das atividades sociais e das confraternizações. Marina também destaca sua criatividade em fazer mosaicos e na música, mas não na sua atividade profissional e nem literária, como foi indicado pela segunda fonte.

Tem outro aspecto relevante em relação à criatividade que faz pensar em razões adicionais para essa falta de produção criativa, em comparação aos homens. Enquanto alguns componentes da criatividade, como curiosidade, independência, iniciativa e agressividade são qualidades esperadas e incentivadas nos homens, não o são nas mulheres, como "impulsividade, autoconfiança, senso de aventura, necessidade de desafio... são mais próprios da personalidade masculina", segundo Sánchez Chamizo (2003, p. 114). A flexibilidade, a intuição, a sensibilidade são dimensões da criatividade geralmente incentivadas nas mulheres, deixando de lado outros componentes que são tão importantes quanto esses, mas que, se não forem desenvolvidos, não permitirão uma produção criativa. A independência de pensamento, o questionamento das normas e da autoridade, a autonomia, a não sujeição às pressões do ambiente, a capacidade e o gosto por assumir riscos, a originalidade, a autoconfiança são, ao contrário, traços mais aceitáveis e desenvolvidos no homem, enquanto a mulher é ensinada a integrar-se, a adaptar-se, a conformar-se.

Finalmente, outro fator que afeta a produção criativa da mulher e o não reconhecimento das AH/SD e, em consequência, de sua identidade como PAH/SD, está vinculado à falta ou ao desconhecimento de modelos femininos de sucesso, especialmente em áreas dominadas por homens, como já referimos anteriormente.

Nas pesquisas sobre superdotação, Domínguez Rodríguez (2003) comenta que são pouco conhecidas as observações de Leta Hollingworth sobre a amostra do estudo de Terman, que indicavam que, até os 14 anos, as meninas obtinham escores dois ou três pontos superiores aos dos meninos no teste de Stanford-Binet.

Um relatório de pesquisa (HILL;CORBERTT; ROSE, 2010) informa que o estereotipo de que os meninos são melhores do que as meninas nas áreas de matemática e ciências de fato reduz o desempenho das meninas nos testes de avaliação e que:

A questão da autoavaliação, ou a forma como percebemos as nossas próprias habilidades, é outra área na qual foi constatado que os fatores culturais limitam o interesse das meninas em matemática e carreiras que envolvam desafios matemáticos. A pesquisa apresentada mostra que as meninas avaliam suas habilidades matemáticas como sendo inferiores às dos meninos com rendimento semelhante na matemática (p. 16).

Uma das diferenças cognitivas de gênero tem sido na área espacial, considerada muito importante para a engenharia e outros campos científicos, quando, geralmente os homens apresentam um desempenho superior ao das mulheres. O mesmo relatório de pesquisa documenta que, após um simples curso de treinamento, as habilidades espaciais dos indivíduos melhoram de forma consistente e dramaticamente em um curto prazo e que:

Se as meninas crescem em um ambiente que estimula seu sucesso nas ciências e na matemática com um treinamento das habilidades espaciais, elas são mais propensas a desenvolver suas habilidades assim como a sua confiança e a considerar um futuro na área de ciências, tecnologia, engenharia e matemática (HILL, 2010, p. 16).

Outro aspecto não menos relevante para a construção da identidade da mulher está vinculado a questões econômicas. A síntese de indicadores sociais do Brasil(2010) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que informa os dados de 2009, mostra que as mulheres brasileiras apresentam um número maior de anos de estudo que os homens. Dentre a população ocupada com mais de 16 anos de idade, a média de anos de estudo delas é de 8,8 (contra 7,7 anos para os homens). Entretanto, na mesma população e no mesmo ano, constatou-se que elas ganham, em média, aproximadamente 30% menos que eles, o que indica que, quanto maior o nível educacional das mulheres, menor o percentual de rendimento em relação aos homens (IBGE, 2010).

Passamos agora a descrever o método de pesquisa deste estudo de caso.

6 SOBRE O MÉTODO, OS INSTRUMENTOS E AS MULHERES DA PESQUISA

Trata-se de uma pesquisa qualitativa, do tipo estudo de caso, numa perspectiva longitudinal. Os participantes da pesquisa foram duas mulheres com AH/SD adultas com idades de 47 e 50 anos que responderam aos instrumentos.

Os instrumentos utilizados foram um questionário individual para a identificação de indicadores de Altas Habilidades/Superdotação em adultos – QIIAHSD-Adulto (Pérez 2008) que foi reformulado em 2009 e sofreu pequenas alterações em 2011, aplicado em três oportunidades distintas - 2008, 2009 e 2011 – uma entrevista semiestruturada também respondida individualmente e observação direta das participantes, complementados com esclarecimentos específicos, por escrito, quando havia alguma dúvida sobre determinada resposta. Para contrastar as respostas, o QIIAHSD-Adulto também foi respondido por segundas fontes, ou seja, pessoas que conheciam as participantes há mais de dois anos. As informantes assinaram termos de consentimento livre e esclarecido e os nomes utilizados neste artigo são fictícios para preservar a identidade das mesmas.

A entrevista teve um roteiro de questões abertas que objetivou obter uma breve história de vida das participantes, que refletisse aspectos pessoais, familiares, escolares, laborais e interpessoais. Entre outras, as questões investigaram a percepção sobre si próprias; sobre como as demais pessoas as percebem; sobre os modelos e características modelares que elas têm; sobre as AH/SD; sobre a história escolar delas, sobre as atividades desenvolvidas fora da atividade principal; sobre as relações interpessoais anteriores e atuais; sobre as atividades laborais e as relações com o trabalho; sobre os marcos significativos que provavelmente influenciaram o desenvolvimento da identidade delas; sobre seus sentimentos para com elas mesmas e sobre o seu desempenho.

O QIIAHSD-Adulto era um questionário composto por 58 questões divididas em sete seções (informações pessoais e socioeconômicas, características de aprendizagem, de motivação, de criatividade, de liderança, de planejamento, de comunicação e de áreas de destaque), elaborado para a investigação de uma tese de doutorado (PÉREZ, 2008). A partir dos resultados dessa tese, o mesmo foi reformulado para refletir de forma mais clara o referencial teórico que o embasa (RENZULLI, 1978; 1986) e os achados da tese, contendo agora 75 questões divididas também em sete seções (dados pessoais e socioeconômicos, características gerais de AH/SD, indicadores de liderança, de habilidades acima da média, de criatividade, de comprometimento com a tarefa e de áreas de destaque) e foi revalidado mediante um teste piloto em 2010 (FREITAS; PÉREZ, 2010).

Os três questionários são do tipo Lickert, solicitando que o respondente indique uma das cinco alternativas/critério de análise (Nunca, raramente, às vezes, frequentemente e sempre). As respostas foram interpretadas com base na ficha de respostas mais comuns ao QIIAHSD (FREITAS; PÉREZ, 2010, p. 28-31) e, quando havia necessidade de esclarecimento quanto a alguma resposta, foi encaminhada uma solicitação por meio eletrônico.

Agora passamos a descrever as duas participantes – Marina e Alice.

MARINA

Marina tem 50 anos, é solteira e professora universitária. É a mais nova de quatro irmãos (três mulheres e um homem), filhos de uma bancária e um comerciante. Sua mãe tem nível de ensino técnico e seu pai, primário. Nasceu em Canela (RS), onde cursou o ensino fundamental e médio em escola pública estadual e mudou-se para Porto Alegre (RS), onde se graduou em Ciências; fez Mestrado em Biociências, numa universidade privada, e Doutorado sanduíche em Zoologia junto a uma universidade privada brasileira e uma espanhola, sendo bolsista CNPq em ambas as instâncias. É pesquisadora na área de Zoologia, participando de projeto de pesquisa financiado por uma agência de cooperação estrangeira, sendo coautora de três livros e diversos artigos científicos na área de Zoologia e um livro de contos. É detentora de um prêmio de uma sociedade científica e sua tese foi indicada para uma premiação da melhor tese na área de Zoologia. Atualmente é sócia-proprietária de uma editora. Apresenta indicadores de AH/SD nas áreas linguística, naturalista e lógico-matemática. Realiza trabalhos voluntários na área de pesquisa científica e suas atividades de lazer são viajar e fazer mosaicos. É muito exigente consigo mesma. Seu questionário foi respondido de forma bem sintética e, em alguns casos, tivemos que pedir que complementasse perguntas que não haviam sido respondidas. Hoje fala com mais naturalidade sobre as AH/SD, reconhecendo-se e começando a aceitar-se e valorizar-se como tal.

ALICE

Alice tem 47 anos, é casada, tem dois filhos, e é professora. Nasceu e mora em Porto Alegre (RS), onde cursou o ensino fundamental em escola pública estadual e o ensino médio (magistério) em escola privada. Graduou-se em Letras numa universidade privada e concluiu três especializações em universidades públicas federais, sempre trabalhando paralelamente. Atualmente, trabalha como professora em uma sala de recursos multifuncional para alunos com Altas Habilidades/Superdotação de uma escola pública. É a segunda de cinco irmãos (três mulheres e dois homens), quatro deles filhos de uma dona de casa com nível de educação primário e um jornalista, sendo o quinto, filho de outro relacionamento do pai. Pratica futebol, voleibol e patinação e realiza atividades voluntárias em duas ONGs. Suas atividades de lazer são assistir cinema, cultivar plantas ornamentais, fazer crochê e tricô e reformas na sua casa, e assistir cursos extracurriculares e palestras. Seu sonho era graduar-se em farmácia, mas não tentou fazê-lo porque se autoconvencia de que não conseguiria passar no vestibular. Vive imaginando diferentes projetos para um Mestrado ao qual nunca se candidata por argumentar que não tem capacidade de enfrentar a vida acadêmica. É muito brincalhona e utiliza o humor com destreza. Alice tem destaque na área interpessoal e linguística, além de ter um desempenho acima da média na área esportiva. É uma pessoa extremamente solidária e muito preocupada com questões sociais, dedicando muito tempo a ajudar às pessoas. Alice se autoidentificou quando adulta, a partir da identificação do seu filho mais velho e de uma palestra ministrada por um profissional da área de AH/SD; porém, era muito insegura quanto a essa identificação, sempre buscando atribuir as características de AH/SD a diferentes patologias que, depois de estudar, percebia que não se encaixavam no seu comportamento. Foi formalmente identificada aos 44 anos e atualmente já reconhece ser uma pessoa com AH/SD, porém ainda não aceita e nem valoriza esta condição.

7 AS PERGUNTAS QUE NOS DERAM AS RESPOSTAS

É importante observar que as respostas das segundas fontes aos questionários sobre Marina e Alice foram muito uniformes, tendo apenas três exceções.

Na seção Características Gerais, Marina demonstrou uma maior aceitação da maioria dos indicadores, assim como da sua independência na forma de pensar e de agir, o que ela explica: "Frequentemente sou independente na forma de pensar. Às vezes, na forma de agir".

O mesmo ocorreu com a percepção do seu conceito de amizade diferenciado, que ela justifica da seguinte forma:

De fato, essa resposta mudou com o passar do tempo. Acreditava que meu conceito de amigo (matar ou morrer por – ah, ah, ah) fosse compartilhado por pessoas que considerava amigos e vi que não é assim. Então, meu conceito de amizade – hoje - é FREQUENTEMENTE diferente das demais pessoas (Marina).

Nesta mesma seção do questionário de Alice, das 13 questões, cinco tiveram alteração nas respostas entre 2008 e 2011, tendo aumentado a percepção quanto ao sentimento de deslocamento ou diferença em relação às demais pessoas, o que talvez demonstre a aceitação da identidade como mulher com AH/SD que foi evoluindo ao longo dos anos, o que pode ser observado na sua afirmação: "Acho que o trabalho com os meninos está fazendo com que eu aceite alguns comportamentos que eu negava. Na tentativa de convencê-los a aceitar suas diferenças e ver que não são problemas, acabo me convencendo" (Alice).

À pergunta que indaga se lê por conta própria e se o volume de leitura é maior que o das demais pessoas, Alice contradiz as observações da segunda fonte e as das autoras. À solicitação de esclarecimento, ela respondeu: "Não leio muitos livros por falta de tempo. Se eu pudesse, estaria sempre lendo e estudando" (Alice).

As perguntas que indagam sobre a independência na forma de pensar e agir e se é perfeccionista foram menos positivas que em 2009, contrariando a sua afirmação de que "sou bem independente", no pedido de esclarecimentos, quando talvez ela tenha feito uma apreciação mais objetiva, que ratifica a avaliação da segunda fonte que respondeu "sempre" a ambas as perguntas.

A capacidade de observação maior que nas demais pessoas é um atributo que normalmente a mulher subvaloriza, pois deve estabelecer uma comparação. No caso de Alice, a sua percepção dessa característica evoluiu positiva e radicalmente após a sua identificação.

Nos indicadores de liderança houve uma mudança negativa na percepção de Marina quanto a sua autossuficiência; segundo ela: "[...] essa resposta depende sim, do momento que estamos vivendo. Nesse momento NÃO SOU autossuficiente, ainda que me SINTA autossuficiente..."

Melhorou a sua percepção quanto à preferência das demais pessoas pela sua liderança e que ela justifica que "Também tem a ver com o sentimento: eu não me sinto uma líder, mas, de fato, as pessoas costumam achar que sou e me escolhem para liderar (acho que é porque falo alto...".

Dos indicadores de liderança de Alice, dois foram alterados negativamente - a percepção sobre a autossuficiência e a capacidade de persuasão e convencimento, contradizendo a percepção da segunda fonte sobre esses dois indicadores ("sempre") e a capacidade de liderança de Alice como um todo, constatada nas funções de direção, coordenação e assessoria para as quais sempre foi indicada profissionalmente, além dos cargos de direção em duas instituições não governamentais para os quais foi eleita e reeleita. A sua liderança se estende ainda a outras iniciativas inovadoras na sua atuação profissional, incluindo, dentre elas, a implementação da primeira sala de recursos para atendimento a alunos com AH/SD do seu município. Provavelmente, a sua percepção negativa da autossuficiência e da capacidade de persuasão e convencimento na última avaliação possa estar relacionada à sua insegurança devido à sobrecarga de atividades de organização no momento do preenchimento do questionário de 2011. Ela esclarece: "Sou autossuficiente. Não consigo ficar tranquila, quando não sou eu quem faz. [...] Sou persuasiva, mas, nem sempre consigo convencer os outros". (Alice).

Em relação aos 13 indicadores de habilidade acima da média, Marina apresentou evolução positiva em uma questão; negativa em duas, sendo que os 10 restantes se mantiveram inalterados. Já Alice teve uma evolução positiva em sete indicadores, negativa em dois, mantendo inalteradas as respostas a quatro questões.

As questões relacionadas à percepção sobre o vocabulário avançado e rico, capacidade de dedução, rapidez na aprendizagem, e de abstração, assim como o destaque em atividades de interesse de Alice foram avaliadas de forma mais positiva que no primeiro questionário (2008), sendo que as questões relacionadas a sua capacidade de adaptação a situações novas e modificação, percepção sobre suas notas escolares e capacidade de indução se mantiveram com avaliações dentro da faixa esperada de respostas.

Normalmente, a pergunta que investiga a capacidade de memória é subavaliada em mulheres, pois implica comparar o desempenho em habilidades socialmente valorizadas com seus pares; a mulher não considera que sua memória é melhor do que a dos demais e, particularmente na faixa etária das participantes, essa avaliação tende a baixar ainda mais. Essa capacidade frequentemente não é comparada à de outras pessoas da mesma idade, mas a épocas anteriores da sua própria vida, o que certamente leva a fazer uma avaliação negativa. As PAH/SD efetivamente possuem uma capacidade de memória muito destacada; porém, como em qualquer outra pessoa, essa capacidade se reduz no decorrer do tempo. Nessa questão, Marina teve uma evolução positiva, enquanto que a de Alice foi negativa, assim como a da que avalia a obtenção de informações sobre temas de interesse. Porém,, os esclarecimentos sobre essas percepções são autoexplicativos: "Não tenho memória destacada, mas memorizo o que me interessa" [...] Sobre temas de meu interesse, eu busco muitas informações, se tiver tempo para tal" (Alice).

A vida adulta vai acrescentando responsabilidades e reduzindo o tempo hábil para o desenvolvimento de atividades de interesse em todas as pessoas; mesmo assim, as PAH/SD conseguem manter um nível de informações bem mais elevado quando a atividade é do interesse delas, embora a redução real do tempo dedicado à procura dessas informações seja percebida como uma redução real do volume de informações.

Em dois indicadores – percepção da sua capacidade de generalização e de adaptação a situações novas – as respostas de Marina tiveram uma evolução negativa. Ela explica que "Essas aparentes 'contradições' nas repostas têm muito a ver com meu interesse na temática abordada".

Dos quinze indicadores de criatividade, Marina manteve 10 ou os alterou positivamente dentro da faixa de respostas mais comuns; tendo cinco que apresentaram alterações significativas. Alice manteve nove com avaliação positiva, tendo alterado quatro positivamente e dois negativamente.

Marina oscilou muito na resposta à questão que investiga o gosto por correr riscos e conta que essa variação está relacionada ao que ela sentia no momento em que respondeu aos questionários, mas afirma "NÃO GOSTO de arriscar-me, mas arrisco-me frequentemente". Isso reforça a influência da educação sexista que, embora não tenha afetado o comportamento de Marina, ela justifica fazendo uso das normas sociais "estabelecidas" para a mulher.

Quando foi solicitado que explicasse a razão da mudança das respostas à pergunta que indagava se é inconformista e não se importa em ser diferente, que também oscilou, Marina refere "Sou inconformada, sim, e vivo achando que poderia mudar as coisas. Porém, odeio quando me sinto 'diferente', no sentido de chamar a atenção sobre mim", o que explica a força que têm as expectativas que a sociedade coloca na mulher.

Duas questões do questionário são um diferencial muito claro entre homens e mulheres; é o cuidado e a organização dos cadernos escolares e o gosto pelo cumprimento de regras. As respostas das mulheres geralmente (uma vez mais) mostram como elas procuram cumprir o padrão social exigido. Marina e Alice comentam:

[...] O aspecto geral de meus cadernos escolares ia piorando na medida em que o ano avançava!!! Mas eu pedia cadernos de colegas emprestados e passava tudo a limpo. Sempre gostei de cadernos organizados e me esforçava muito para mantê-los em ordem (Marina).

[...]Meus cadernos escolares eram caprichados, mas, nem sempre completos. Eram organizados da minha forma, como me facilitava o entendimento (Alice).

No que tange ao cumprimento das regras, Marina enfatiza que "SEMPRE cumpro todas as regras, ainda que não goste de muitas delas", enquanto que Alice especifica que não se trata do cumprimento de regras aleatórias, mas daquelas que ela considera corretas, evidenciando ainda uma característica que é muito própria das PAH/SD, que é a preocupação com os outros e com questões sociais: "Só gosto de cumprir regras, usando lógica para isto e percebendo que favorecem o coletivo, pelo bem do social e que sejam justas" (Alice).

Com exceção dos indicadores relativos ao planejamento, que costumam ser subavaliados na mulher, os 13 indicadores de Comprometimento com a Tarefa são os que mais se mantêm ao longo dos anos na faixa correspondente a "Frequentemente" e "sempre", pois a mulher, desde a infância, é educada para ser responsável e "cumprir com as suas obrigações". Marina teve uma mudança importante em um único indicador, o implícito na pergunta "Deixa de fazer outras coisas para envolver-se numa atividade que lhe interessa?", à qual ela responde mostrando a ambivalência entre o comportamento que a maioria das mulheres refere - de compromisso na realização das tarefas que a "vida real" impõe – e a atitude oposta, que evidencia um dos indicadores mais fortes da PAH/SD que é a concentração e dedicação aos seus interesses:

Eu costumo dizer que sou uma "cumpridora de tarefas". Se tenho que fazer algo, faço, seja ela de meu interesse ou não. Quando a atividade é do meu interesse, desligo-me do mundo, concentro-me e não me desprendo dela até tê-la concluído. Então, sempre que tenho opção, envolvo-me com atividades que me interessam. Porém, a "dureza" da vida real só tem me permitido fazer isso algumas vezes...[...] (Marina).

Alice manteve nove deles com avaliação positiva (a dedicação de mais tempo e energia a atividades de interesse, a autocrítica, a insistência em procurar soluções para os problemas, a organização própria, a segurança e teimosia em suas convicções, a necessidade de estímulo externo para concluir tarefas que lhe interessam, o interesse e eficiência na organização das tarefas e a capacidade de discriminar consequências e efeitos de suas ações). Três indicadores de planejamento tiveram uma avaliação mais positiva que nos questionários anteriores, assim como o de persistência nas atividades que lhe interessam e busca pela conclusão das tarefas a elas relacionadas, o que reforça a ideia de que, ao longo dos anos, houve um fortalecimento da identidade de PAH/SD.

8 UM PONTO FINAL PARA CONTINUAR...

Embora ainda se perceba a inexorável influência das barreiras internas e externas e a ocultação das características de AH/SD e da gama de fatores individuais (baixa autoestima, depressão, etc.) e ambientais (familiares, sociais e educacionais), constatamos que, nas participantes desta pesquisa, houve, ao longo dos anos, uma progressiva aceitação dos indicadores de AH/SD depois da identificação formal e, portanto, de sua identidade como PAH/SD.

Logicamente, essa gama de fatores inclui fatores internos (como características de personalidade, maturidade, tipo e área de AH/SD), assim como externos, dentre os quais, especialmente na mulher, destacamos a falta de disponibilidade de modelos bem-sucedidos de mulheres com AH/SD e também a representação cultural de PAH/SD da sociedade em que ela vive.

A análise das respostas das duas participantes, contrastadas às respostas das segundas fontes e aos depoimentos e esclarecimentos solicitados permitiu perceber contradições que revelam a ocultação das características e indicadores de AH/SD. Dentre as causas dessa ocultação, Reis (2002) refere o não reconhecimento ou sub-reconhecimento dos indicadores de AH/SD, fato este digno de menção e que constitui uma pista importante a ser considerada na educação formal das mulheres com AH/SD para fomentar uma construção saudável da identidade como PAH/SD. Porém, como afirma Dominguez Rodríguez (2003, p. 39), no caso das mulheres superdotadas, a interpretação que elas fazem desses fatores adquire "uma função protagonista para a construção, avaliação, eleição e manifestação de sua própria identidade como mulher e como superdotada".

As respostas de Marina e de Alice indicam um processo de construção positivo da identidade como mulher com AH/SD, visto que, muitos indicadores que em 2008 não eram percebidos, aceitos e nem valorizados, em 2011, passam a ser incorporados no discurso e nas atitudes. Parte desse processo está alicerçada na troca com pares com AH/SD e na crescente discussão do tema; porém, é evidente que a identificação foi um fator decisivo na aceitação e reconhecimento das AH/SD por parte dessas mulheres. Esse fato nos leva a defender que, além do atendimento educacional especializado para as crianças com AH/SD, já previsto na legislação, deveríamos pensar ainda em estratégias específicas para o atendimento à mulher com AH/SD.

Recebido em: 06/03/2012

Reformulado em: 20/11/2012

Aprovado em: 21/11/2012

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    04 Jan 2013
  • Data do Fascículo
    Dez 2012

Histórico

  • Recebido
    06 Mar 2012
  • Aceito
    21 Nov 2012
  • Revisado
    20 Nov 2012
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