Acessibilidade / Reportar erro

Formação e envolvimento docente no ensino superior brasileiro em Saúde: fragilidades e fortalezas

Teacher training and engagement in Brazilian health higher education: fragilities and strengths

Formación y participación docente en la educación superior brasileña en salud: fragilidades y fortalezas

Resumo:

A pandemia escancarou a necessidade de discutirmos com profundidade a qualidade da formação em Saúde no País, destacando-se o papel central do professor nesse processo. Nesse âmbito, o objetivo deste artigo foi investigar a formação e a atividade docentes no ensino superior em Saúde, considerando perfil, engajamento e principais percepções profissionais. Trata-se de um estudo transversal, quantitativo, de abordagem descritiva e analítica, que investigou a capacitação didático-pedagógica e as percepções da atividade docente de 223 professores do ensino superior em Saúde de todo o Brasil. Entre eles, a maioria considera sua função docente como principal (71,30%), afirma conhecer as Diretrizes Curriculares Nacionais dos seus respectivos cursos de atuação (91,48%) e relata familiaridade com os elementos relacionados ao corpo docente presentes nos documentos de avaliação de curso e institucionais (83,41%). Embora declarem, notadamente os profissionais da rede privada (89,8% versus 73,08% da rede pública, p<0.001), que suas instituições possuem adequada infraestrutura, há um relativo descontentamento no tocante à remuneração, especialmente entre profissionais com formação original em Medicina (59,57% versus 34,88% em outras formações, p=0.001). No contexto de virtualização do trabalho docente, 85,20% afirmam utilizar ferramentas tecnológicas e 69,06% se sentem aptos para atuar no ensino remoto, bem como 58,74% o consideram eficaz. Este estudo lança luz sobre um tema ainda pouco explorado no País, mas que representa grande impacto na qualidade da formação de profissionais de saúde brasileiros.

Palavras-chave:
docentes; educação em saúde; ensino superior; pessoal de saúde

Abstract:

The pandemic revealed the need to discuss in depth the quality of Health training in the country, highlighting the central role of professors in this process. In this context, the objective of this article was to investigate the training and teaching activity in higher education in Health, considering profile, engagement and main professional perceptions. This is a cross-sectional, quantitative study with a descriptive and analytical approach, which investigated the didactic-pedagogical training and the perceptions of the teaching activity of 223 Health higher education professors throughout Brazil. Among them, most consider their teaching function as the main one (71.30%), claim to know the National Curriculum Guidelines of their respective acting courses (91.48%) and report familiarity with the elements related to the body faculty present in the course and institutional evaluation documents (83.41%). Although professionals from the private institutions (89.8% versus 73.08% from the public ones, p<0.001) report, notably, that their institutions have adequate infrastructure, there is relative dissatisfaction with regard to remuneration, especially among professionals with original training in Medicine (59.57% versus 34.88% in other areas, p=0.001). In the context of virtualization of teaching work, 85.20% claim to use technological tools and 69.06% feel able to work in online teaching, as well as 58.74% consider it effective. This study sheds light on a subject that is still little explored in the country, but which represents a great impact on the quality of training of Brazilian health professionals.

Keywords:
professors; health education; higher education; health personnel

Resumen:

La pandemia reveló la necesidad de discutir en profundidad la calidad de la educación en salud en el país, destacando el papel central del docente en este proceso. En este contexto, el objetivo de este estudio fue investigar la actividad formativa y docente en la educación superior en salud, considerando su perfil, compromiso y principales percepciones profesionales. Se trata de un estudio transversal, cuantitativo, con enfoque descriptivo y analítico, que investigó la formación didáctico-pedagógica y las percepciones de la actividad docente de 223 profesores de educación superior en salud en todo Brasil. Entre ellos, la mayoría considera su función docente como la principal (71,30%), afirman conocer las Directrices del plan de estudios nacional (91,48%) y reportan familiaridad con los elementos relacionados con el cuerpo docente presente en los documentos del curso y de la evaluación institucional (83,41%). Si bien declaran, los profesionales de la red privada (89,8% vs 73,08% público, p <0,001) que sus instituciones cuentan con una infraestructura adecuada, existe una relativa insatisfacción con la remuneración, especialmente entre los profesionales con formación original en Medicina (59,57% vs. 34,88% otra formación, p = 0,001). En el contexto de virtualización de la labor docente, reportan utilizar herramientas tecnológicas (85,20%) y sentirse capaces de trabajar en educación a distancia (69,06%), además de considerarla efectiva (58,74%). Este estudio arroja luz sobre un tema aún poco explorado en el país, pero que representa un gran impacto en la calidad de la formación de los profesionales de la salud brasileños.

Palabras-clave:
docentes; educación en salud; educación superior; personal de salud

Introdução

Na educação superior, as exigências legais e as métricas de desempenho que privilegiam as atividades técnico-científicas do professor são encaradas como grandes desafios (Felden, 2017FELDEN, E. L. Desenvolvimento profissional docente: desafios e tensionamentos na educação superior na perspectiva de coordenadores de área. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, Brasília, DF, v. 98, n. 250, p. 747-763, set./dez. 2017.). Nota-se, especialmente em algumas áreas do saber (como a Saúde), um limitado envolvimento didático-pedagógico entre esses profissionais (Quintanilha; Farias; Andrade, 2021QUINTANILHA, L. F.; FARIAS, C. S. S.; ANDRADE, B. B. Formação e envolvimento pedagógico entre docentes do ensino superior em Saúde: uma análise dos cursos médicos. Revista Internacional de Educação Superior, Campinas, v. 7, e021026, 2021. ).

A atratividade do corpo docente é fator essencial no processo de ensino-aprendizagem, enquanto a dificuldade na transmissão do conhecimento é crucial para o desinteresse dos estudantes. Adicionalmente, no contexto da indissociabilidade entre ensino e pesquisa, ter excelente desempenho científico parece não contribuir para a constituição de um professor motivador (Murray et al., 2020MURRAY, D. et al. Exploring the personal and professional factors associated with student evaluations of tenure-track faculty. PLoS One, [S. l.], v. 15, n. 6, e0233515, Jun. 2020. ). Corroborando a ideia da importância do engajamento dos docentes da área de Saúde nas práticas de ensino, um recente estudo acerca do envolvimento didático-pedagógico de professores de cursos de Medicina demonstrou que parte deles não tem a atividade docente como principal ofício, com parcela representativa da amostra jamais tendo realizado capacitações na área de Educação, por considerar sua atividade prática mais importante que sua formação pedagógica (Quintanilha; Farias; Andrade, 2021QUINTANILHA, L. F.; FARIAS, C. S. S.; ANDRADE, B. B. Formação e envolvimento pedagógico entre docentes do ensino superior em Saúde: uma análise dos cursos médicos. Revista Internacional de Educação Superior, Campinas, v. 7, e021026, 2021. ). Esse exercício da profissão docente no ensino superior como diletantismo é, portanto, real, temerário, e se opõe às mudanças nos paradigmas educacionais que estamos vivenciando. Em concordância com essa visão, Cruz (2017CRUZ, G. B. Didática e docência no ensino superior. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, Brasília, DF, v. 98, n. 250, p. 672-689, set./dez. 2017.) afirma que é imprescindível o reconhecimento da necessidade de que, para ensinar, não basta o domínio do conteúdo, mas também as razões pelas quais se ensina de determinada forma.

Apesar de não se tratar de algo efetivamente novo no contexto da educação superior em Saúde (Conterno; Lopes, 2016CONTERNO, S. F. R.; LOPES, R. E. Pressupostos pedagógicos das atuais propostas de formação superior em saúde no Brasil: origens históricas e fundamentos teóricos. Avaliação: Revista da Avaliação da Educação Superior, Campinas, v. 21, n. 3, p. 993-1016, nov. 2016. ), a transição do modelo de ensino (do tradicional expositivo para o centrado no aluno) e do currículo (do conteudista para o baseado em competências) é uma realidade constante e explícita nas diretrizes da maioria dos cursos de graduação em Saúde (Franco et al., 2014FRANCO, R. S. et al. O conceito de competência: uma análise do discurso docente. Revista Brasileira de Educação Médica, Brasília, DF, v. 38, n. 2, p. 173-181, 2014. ; Vargas; Portilho, 2017VARGAS, A.; PORTILHO, E. M. L. Metacognição em grupos de Problem-Based Learning (PBL). Educação, Santa Maria, RS, v. 42, n. 2, p. 421-434, 2017. ). Para Silva e Pacheco (2005SILVA, A. C. R.; PACHECO, J. A. Organização curricular por competência no ensino superior: dificuldades e possibilidades. In: CONGRESSO GALAICO-PORTUGUÊS DE PSICOPEDAGOGIA, 8., 2005, Braga, Portugal. Anais... Braga, Portugal: Universidade do Minho, 2005. p. 2929-2941.), um currículo pautado em competências mescla e integra conhecimentos gerais, profissionais, experiências de vida e de trabalho, os quais em geral são explorados isoladamente.

Devemos, ainda, destacar as características da geração de estudantes que atualmente adentram as salas de aula das instituições de ensino superior (IES). Esses jovens, pertencentes à chamada geração Z, são nativos digitais, globalizados, acostumados a ambientes interativos e, por essas características, apresentam muita dificuldade de pertencimento aos modelos mais tradicionais de ensino, ao passo que são muito receptivos às novas estratégias ativas de ensino-aprendizagem (McCrindle, 2014MCCRINDLE, M. The ABC of XYZ: understanding the global generations. 3rd. ed. Bella Vista, Australia: McCrindle Research Pty Ltd, 2014. ). Estudos recentes revelaram que eles são altamente receptivos à utilização de ferramentas on-line e à inserção de metodologias ativas de aprendizagem (Quintanilha, 2017QUINTANILHA, L. F. Inovação pedagógica universitária mediada pelo Facebook e YouTube: uma experiência de ensino-aprendizagem direcionado à geração-Z. Educar em Revista, Curitiba, n. 65, p. 249-263, jul./set. 2017. ; Quintanilha; Costa; Coutinho, 2018QUINTANILHA, L. F.; COSTA, G. N.; COUTINHO, M. R. Medical student perceptions about active methodologies in the study of physiology in medical schools in Salvador, Brazil. Advances in Physiology Education, [S. l.], v. 42, n. 4, p. 693-696, Dec. 2018. ).

Adicionalmente, há um número cada vez maior de estudantes com deficiência e pertencentes a minorias (por exemplo, étnicas e de gênero), carecendo de maior acessibilidade pedagógica devido a inúmeros fatores físicos, biológicos e sociais. Nesse âmbito, as práticas docentes exigem preparo do profissional ao tratar do processo de ensino-aprendizagem desses estudantes e atitudes que devem ser exercitadas na práxis docente (Castanho; Freitas, 2006CASTANHO, D. M.; FREITAS, S. N. Inclusão e prática docente no ensino superior. Revista Educação Especial, Santa Maria, RS, n. 27, p. 93-99, 2006. ; Quintanilha, 2019QUINTANILHA, L. F. Atitudes de liderança entre professores. Revista Internacional de Educação em Saúde, Salvador, v. 3, n. 1, p. 30-35, out. 2019. ).

Outro ponto que merece destaque é a utilização de inovações tecnológicas no ensino. Recentemente, a pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2) impactou profundamente várias esferas da sociedade, incluindo a educação. Nesse cenário, os professores, acostumados com o modelo presencial, em sua maioria, tiveram que se adaptar rapidamente ao ensino remoto. Sem tempo para ambientação e treinamento das “novas” tecnologias, notou-se um forte movimento das IES no sentido de capacitar prontamente o seu corpo docente para o formato de aulas remotas. As ferramentas para isso, de maneira geral, já existiam, mas não eram utilizadas ou eram subaproveitadas. Assim, o modelo de ensino remoto, que vinha ganhando força em números de maneira gradual, atingiu, repentinamente, a maior parte do ensino superior privado em Saúde, ofertado nos principais centros do País, e os professores tiveram que, inesperadamente, migrar todo o seu material de aula para uma ou mais plataformas on-line (Quintanilha et al., 2021QUINTANILHA, L. F.; FARIAS, C. S. S.; ANDRADE, B. B. Formação e envolvimento pedagógico entre docentes do ensino superior em Saúde: uma análise dos cursos médicos. Revista Internacional de Educação Superior, Campinas, v. 7, e021026, 2021. ).

Esse movimento deixou bem claro que não estávamos preparados para uma inserção tecnológica dessa magnitude na educação superior. As travas de qualidade no ensino remoto ficaram evidentes, como problemas de acesso (conexão) e inabilidade dos professores com as ferramentas utilizadas, além de alguma resistência por parte dos profissionais com relação a essa modalidade de ensino (Patto, 2013PATTO, M. H. S. O ensino a distância e a falência da educação. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 39, n. 2, p. 303-318, abr./jun. 2013. ; Silva, 2019SILVA, A. V. M. Tecnologias e educação: o discurso da Unesco. Educação, Santa Maria, RS, v. 44, e65, 2019. ).

Com todo o exposto, a pergunta que fica é: os professores atualmente em atividade na educação superior em Saúde no País estão preparados para todas essas mudanças no contexto da educação? Nesse cenário, o objetivo deste estudo foi investigar uma série de fatores relacionados à formação e à atividade docente no ensino superior em Saúde de todo o Brasil, com o intuito de que os resultados possam colaborar para as melhorias do ensino na área da Saúde e, indiretamente, para a assistência à saúde da população brasileira.

Métodos

Tipo de estudo

Trata-se de um estudo transversal descritivo, analítico e quantitativo, que investigou a capacitação didático-pedagógica e as percepções da atividade docente entre 223 professores do ensino superior em Saúde no Brasil.

Instrumento e forma de coleta de dados

Inicialmente, foram listados e agrupados por unidades federativas todos os centros universitários ou universidades com, pelo menos, cinco cursos de Saúde autorizados e/ou reconhecidos pelo Ministério da Educação (MEC). Em seguida, enviamos uma carta-convite para os respectivos departamentos, solicitando formalmente a distribuição do instrumento de coleta aos professores atuantes nos cursos de Saúde dessas IES. Posteriormente, com o intuito de alcançarmos uma amostra representativa da população de docentes do País, realizamos buscas ativas nos websites dessas mesmas instituições e enviamos novos e-mails para os professores coordenadores, convidando-os a participarem da pesquisa, quando disponíveis.

Como instrumento de coleta, foi utilizado um formulário virtual, semiestruturado, por meio da ferramenta Google Forms, contendo questões sociodemográficas de única escolha e de percepções, utilizando a escala Likert com cinco níveis de respostas, sendo considerados três estratos - concordância (total ou parcial), indiferença e discordância (total ou parcial) -, além de questões abertas, de modo a abordar todos os objetivos propostos. Antes de iniciar a coleta de dados com o questionário virtual, foi inserido um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), composto por uma página de explicações sobre a pesquisa, com a solicitação de autorização para o uso dos dados.

Critérios de inclusão e exclusão

Foram incluídos no estudo professores de cursos de Saúde de centros universitários ou universidades com pelo menos cinco cursos nessa área autorizados ou reconhecidos pelo MEC, e foram excluídos os indivíduos que, apesar de iniciarem a coleta, não concordaram com o TCLE ou preencheram o questionário de maneira incorreta/incompleta.

Análises estatísticas

Foram realizadas análises das frequências das respostas e, para os dados categorizados, foi aplicado o teste Qui-quadrado para observar diferenças do padrão de respostas dadas pelos professores. Foi considerado um erro alfa de 5% nas análises, o que corresponde a um valor de p<0.05 para denotar significância estatística de uma associação e/ou comparação. Todos os dados foram analisados no programa GraphPad Prism, versão 8.0.

Considerações éticas

Todos os participantes do estudo foram esclarecidos sobre os objetivos e a metodologia da pesquisa, sendo garantido sigilo sobre a origem dos dados. A participação voluntária se concretizou por meio da assinatura virtual do TCLE. O presente trabalho está em consonância com a Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde (CNS) e foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (Certificado de Apresentação de Apreciação Ética - Caae: 39518620.6.0000.5033).

Resultados

Características da amostra

A amostra do presente estudo foi composta predominantemente por professores do sexo feminino (61,88%), com média de idade de 45 anos (38,0-54,5), casados (60,54%) e com filhos (74,89%). Com relação à formação, os participantes possuem doutorado (60,09%), com prevalência representativa de médicos (42,15%), biólogos (12,11%) e fisioterapeutas (8,97%). Já no tocante à atividade profissional, os participantes atuam no magistério superior, em média, há 13 anos (7,5-20,0), são de IES privadas (53,36%), com vínculo de tempo integral, com ou sem dedicação exclusiva (56,95%), e têm como atividade principal a docência (71,30%). Interessantemente, 87,44% deles relatam ter participado de cursos de aperfeiçoamento docente na área de Educação, conforme se observa na Tabela 1. Importante destacar a distribuição nacional dos professores, com maior representação das regiões Sudeste (36%), Nordeste (36%) e Sul (17%) e representatividade predominante de capitais e regiões metropolitanas (58,7%), de acordo com a Figura 1.

Tabela 1
Perfil dos docentes de cursos de Saúde no Brasil

Figura 1
Distribuição de docentes de acordo com estado (A), região (B) e local (C) de atuação

De forma pormenorizada, podemos destacar que os professores com formação em outros cursos da Saúde, quando comparados com os médicos, são majoritariamente do sexo feminino (71,32% versus 48,94%, p=0.001), além de mais jovens (43 anos versus 49 anos, p=0.001), mais titulados (95,35% de doutores versus 76,60% de médicos, p<0.001) e com regime de trabalho de tempo integral (63,57% versus 47,87%, p<0.001).

Com relação à categoria administrativa da instituição, quando comparados com os atuantes em IES públicas, os professores da rede privada são mais jovens (43 anos versus 47,5 anos, p=0.007), solteiros (26,05% versus 7,69%, p=0.003), sem filhos (31,09% versus 18,27%, p=0.041), com atividade em IES em capitais e regiões metropolitanas (69,75% versus 46,15%, p=0.002), com menor tempo de atividade docente (12 anos versus 15 anos, p=0.007), maior proporção de horistas (31,93% versus 0,96%, p<0.001) e menor de regime de tempo integral com dedicação exclusiva (3,36% versus 50%, p<0.001). Não houve associações do sexo com as variáveis sociodemográficas e acadêmicas.

Fortalezas, fragilidades e desafios da docência superior em Saúde

Acerca das percepções, os professores relatam conhecer as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) dos seus respectivos cursos de atuação (91,48%) e estar familiarizados com os elementos presentes nos documentos de avaliação de curso e institucionais (83,41%), além de se considerarem capacitados para a elaboração de documentos acadêmicos em geral (94,62%). Sabe-se que aspectos como infraestrutura e reconhecimento são essenciais para a boa atividade profissional em qualquer esfera e, nesse âmbito, os professores entrevistados declaram que suas IES possuem adequada infraestrutura (81,61%), especialmente as privadas (89,8% versus 73,08%, p<0.001), mas há um relativo descontentamento no que tange aos proventos recebidos (45,29%), notadamente entre os professores médicos (59,57% versus 34,88%, p=0.001), de acordo com a Tabela 2.

Dentre os recentes desafios no ensino, destacam-se o aumento no tamanho de turmas, o ingresso de novos perfis de estudantes e a inserção de tecnologias. Nesse cenário, os professores, notadamente do sexo masculino (70,59% versus 60,87%, p=0.025), consideram-se capazes de realizar bons trabalhos com turmas grandes e com estudantes com deficiência (46,19%). Finalmente, com relação às mudanças recentes do modelo de ensino, especialmente impulsionadas pela pandemia, os professores mencionam utilizar ferramentas tecnológicas em suas aulas (85,20%) e se sentem aptos para atuar no ensino remoto (69,06%), bem como o consideram eficaz (58,74%). Embora haja elevado grau de concordância nessas percepções, os docentes médicos têm menores taxas de utilização de ferramentas tecnológicas (78,72% versus 89,92%, p=0.025), e os atuantes nas IES privadas se sentem mais confortáveis com a atuação no modelo remoto (77,31% versus 59,62%, p=0.031), conforme a Tabela 2.

Tabela 2
Percepções dos docentes em Saúde no Brasil acerca da sua atividade profissional no ensino superior

Discussão

A educação superior é reconhecidamente um importante fator estratégico no desenvolvimento econômico e social das regiões e, quando ofertada de maneira ampla e com qualidade, tem enorme poder social transformador. No contexto do ensino superior, tem-se discutido sobre o papel ativo das IES no sistema regional de inovação, assistência e desenvolvimento locorregional (Peer; Penker, 2014PEER, V.; PENKER, M. Higher education institutions and regional development: a meta-analysis. International Regional Science Review, [S. l.], v. 39, n. 2, p. 228-253, 2014. ; Silva et al., 2018SILVA, F. A. et al. Papel docente no fortalecimento das políticas de integração ensino-serviço-comunidade: contexto das escolas médicas brasileiras. Interface: Comunicação, Saúde, Educação, Botucatu, v. 22, n. 1, p. 1411-1423, set. 2018. ). Especificamente na área da Saúde, a formação dos novos profissionais está atrelada à assistência à saúde ofertada à população; por esse motivo, as investigações acerca da formação nessa área merecem esmero e profundidade.

A demanda por ampliação com qualidade do ensino superior em Saúde perpassa vários fatores, como formação escolar básica, infraestrutura, regulação e avaliação, mas, indubitavelmente, também se conecta com a formação e o engajamento educacional dos professores universitários, atores-chave no processo de ensino-aprendizagem. Neste estudo, portanto, foi investigada a formação e a atividade dos professores atuantes no ensino superior em Saúde.

Com relação às suas características sociodemográficas, o perfil apresentado de docentes é jovem, majoritariamente feminino e com atividade profissional na rede privada de ensino. Esse resultado está de acordo com os últimos dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira - Inep. O Censo da Educação Superior destacou o alto predomínio do sexo feminino entre os concluintes da área de Saúde, revelando que cerca de três em cada quatro novos profissionais de saúde formados no Brasil são mulheres (Brasil. Inep, 2019BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Notas Estatísticas 2019 [Censo da Educação Superior]. Brasília, DF, 2019. Disponível em: <Disponível em: https://download.inep.gov.br/educacao_superior/censo_superior/documentos/2020/Notas_Estatisticas_Censo_da_Educacao_Superior_2019.pdf >. Acesso em: 3 set. 2021.
https://download.inep.gov.br/educacao_su...
). Cursos tradicionalmente femininos, como Fisioterapia, Psicologia e Enfermagem, agora se juntam a cursos como Medicina, que passa por um processo veloz de feminização (Scheffer; Cassenote, 2013SCHEFFER, M. C.; CASSENOTE, A. J. F. A feminização da medicina no Brasil. Revista Bioética, Brasília, DF, v. 21, n. 2, p. 268-277, 2013. ). Esse cenário suscita uma importante discussão acerca das condições de trabalho dos professores. Em razão da tendência de um perfil docente cada vez mais feminino, as IES devem estar atentas às necessidades geracionais e biológicas desse novo perfil de profissionais. No caso das mulheres, por exemplo, espera-se que haja uma preocupação com um ambiente de trabalho mais amigável para as professoras, por apresentarem um estilo de vida mais direcionado aos aspectos relacionados à maternidade (Buddeberg-Fischer et al., 2010BUDDEBERG-FISCHER, B. et al. The impact of gender and parenthood on physicians’ careers - professional and personal situation seven years after graduation. BMC Health Services Research, [S. l.], v. 10, n. 40, p. 1-10, Feb. 2010. ). Ainda sobre esse ponto, existe uma expectativa de que, gradualmente, os professores de Saúde se interessem mais por sua formação educacional, já que dados sugerem que as mulheres parecem valorizar mais a sua formação didático-pedagógica, bem como suas atividades no magistério superior (Quintanilha; Farias; Andrade, 2021QUINTANILHA, L. F.; FARIAS, C. S. S.; ANDRADE, B. B. Formação e envolvimento pedagógico entre docentes do ensino superior em Saúde: uma análise dos cursos médicos. Revista Internacional de Educação Superior, Campinas, v. 7, e021026, 2021. ).

Acerca da categoria administrativa das IES nas quais atuam, a grande expansão da rede privada de ensino superior no País nos últimos anos justifica o predomínio de professores atuantes nessas instituições (Locatelli, 2017LOCATELLI, C. Os professores no ensino superior brasileiro: transformações do trabalho docente na última década. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, Brasília, DF, v. 98, n. 248, p. 77-93, jan./abr. 2017.). Em 2019, as IES privadas detinham cerca de três em cada quatro alunos de graduação, com crescimento relativo de 2,4% contra apenas 0,1% da rede pública (Brasil. Inep, 2019BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Notas Estatísticas 2019 [Censo da Educação Superior]. Brasília, DF, 2019. Disponível em: <Disponível em: https://download.inep.gov.br/educacao_superior/censo_superior/documentos/2020/Notas_Estatisticas_Censo_da_Educacao_Superior_2019.pdf >. Acesso em: 3 set. 2021.
https://download.inep.gov.br/educacao_su...
). Ao avaliarmos a titulação máxima, os dados demonstraram prevalência de profissionais com doutorado, o que está de acordo com o incremento da qualificação dos docentes da educação superior no Brasil. Em 2019, esses profissionais representavam mais de 45% da força de trabalho, especialmente na rede pública, em que, devido à categoria predominante (universidades) e aos critérios de análise de seus concursos, há priorização das mais altas titulações.

Sabe-se que o Brasil apresenta desigualdades marcantes nos mais diferentes aspectos, o que inclui o acesso à saúde e à educação superior (Andrade, 2012ANDRADE, C. Y. Acesso ao ensino superior no Brasil: equidade e desigualdade social. Revista Ensino Superior, Campinas, n. 6, p. 18-27, jul./set. 2012. ; Castro et al., 2020CASTRO, C. S. et al. Pandemia da covid-19: cenário do sistema de saúde brasileiro para o enfrentamento da crise. Research, Society and Development, [S. l.], v. 9, n. 7, e516974383, 2020. ). Essas diferenças devem ser abarcadas nas pesquisas com o intuito de mensurar, de forma adequada e global, as perguntas de investigação propostas. Neste estudo, ressalta-se a abrangência nacional da amostra investigada. Apesar da discrepância numérica na distribuição de professores entre regiões, nossos dados estão de acordo, por exemplo, com a distribuição geográfica de matrículas e as instituições de ensino superior no País, as quais ainda apresentam um predomínio da região Sudeste, seguida por Nordeste e Sul, sendo as regiões Norte e Centro-Oeste as menos contempladas nessas análises (Diniz; Vieira, 2015DINIZ, C. C.; VIEIRA, D. J. Ensino superior e desigualdades regionais: notas sobre a experiência recente do Brasil. Revista Paranaense de Desenvolvimento, Curitiba, v. 36, n. 129, p. 99-115, jul./dez. 2015. ). Nesse âmbito, destaca-se o local de atuação desses professores aqui investigados: apesar de ainda concentrarem suas atividades nas capitais e regiões metropolitanas, os dados sugerem uma tendência à interiorização do ensino superior em Saúde no País, uma das metas para a universalização do seu acesso.

Este estudo foi realizado durante a pandemia do novo coronavírus, a qual impactou fortemente a educação superior. A migração para um modelo remoto de ensino (Quintanilha et al., 2021QUINTANILHA, L. F.; FARIAS, C. S. S.; ANDRADE, B. B. Formação e envolvimento pedagógico entre docentes do ensino superior em Saúde: uma análise dos cursos médicos. Revista Internacional de Educação Superior, Campinas, v. 7, e021026, 2021. ) deve estar relacionada com o fato de que a grande maioria dos respondentes relatou ter realizado cursos de capacitação na área de Educação. Essas capacitações, possivelmente, embasam o fato de grande parte dos professores utilizar ferramentas tecnológicas em suas aulas e se sentir apta para atuar no ensino remoto, bem como uma percepção positiva com relação a esse modelo. Independentemente da razão impulsionadora, a realização dessas capacitações deve ser celebrada, uma vez que as mudanças paradigmáticas no ensino são uma realidade que carece de adaptação e maior envolvimento dos professores. Na área da Saúde, as inovações pedagógicas, como o currículo baseado em competências (Franco; Cubas; Franco, 2014FRANCO, R. S. et al. O conceito de competência: uma análise do discurso docente. Revista Brasileira de Educação Médica, Brasília, DF, v. 38, n. 2, p. 173-181, 2014. ), a incorporação de metodologias ativas (Quintanilha; Costa; Coutinho, 2018QUINTANILHA, L. F.; COSTA, G. N.; COUTINHO, M. R. Medical student perceptions about active methodologies in the study of physiology in medical schools in Salvador, Brazil. Advances in Physiology Education, [S. l.], v. 42, n. 4, p. 693-696, Dec. 2018. ) e de práticas em educação interprofissional na saúde (Silva, 2011SILVA, R. H. A. Educação interprofissional na graduação em saúde: aspectos avaliativos da implantação na Faculdade de Medicina de Marília (Famema). Educar em Revista, Curitiba, n. 39, p. 159-175, jan./abr. 2011. ), a utilização de simulações realísticas (Weller, 2004WELLER, J. M. Simulation in undergraduate medical education: bridging the gap between theory and practice. Medical Education, [S.l.], v. 38, n. 1, p. 32-38, Jan. 2004.) e a execução de novos modelos de avaliação (Castellani et al., 2020CASTELLANI, L. et al. Objective Structured Clinical Examination (OSCE) as a reliable evaluation strategy: evidence from a Brazilian medical school. Problems of Education in the 21st Century, [S. l.], v. 78, n. 5, p. 674-687, 2020. ), por exemplo, são uma realidade para a qual os professores em atividade não foram originalmente formados e, portanto, devem se capacitar, construindo caminhos em direção ao desenvolvimento profissional (Felden, 2017FELDEN, E. L. Desenvolvimento profissional docente: desafios e tensionamentos na educação superior na perspectiva de coordenadores de área. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, Brasília, DF, v. 98, n. 250, p. 747-763, set./dez. 2017.). Segundo Campani, Silva e Parente (2018CAMPANI, A.; SILVA, R. M. G.; PARENTE, P. M. M. Inovação pedagógica na universidade. Educação e Fronteiras, Dourados, v. 8, n. 22, p. 18-34, jan./abr. 2018.), a inovação pedagógica na universidade exige ruptura pragmática com modelos tradicionais dominantes e legitimados pelas instituições de ensino. Ainda nesse contexto, é interessante refletir sobre um possível paradoxo na função do docente em Saúde, que, premido pelo mesmo enxugamento ocorrido com profissionais de outras áreas do conhecimento mediante consolidação de turmas, pode ver disparar o interesse pela formação em Saúde despertado pela atuação destacada de médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos e outras profissões da saúde no enfrentamento da pandemia.

Outro dado interessante e que merece ser destacado é que os professores de Saúde no Brasil relatam conhecer as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) dos seus respectivos cursos de atuação, estão familiarizados com os elementos presentes nos documentos de avaliação de curso e institucionais e se consideram capacitados para a elaboração de documentos acadêmicos em geral. Em contraste, as condições de trabalho parecem ser um ponto de discórdia. Quando questionados sobre a infraestrutura para realização de um bom trabalho, houve uma diferença na percepção dos professores atuantes nas esferas privada e pública. Neste último caso, ocorreu uma pior avaliação desse item, fato que pode ser parcialmente explicado pelo investimento das instituições privadas com o fundo econômico da concorrência e do mercado, ao mesmo tempo que o País observa um sucateamento das IES públicas, derivado de vários fatores, como má gestão, falta de planejamento e de investimento (Borges; Aquino, 2012BORGES, M. C.; AQUINO, O. F. Educação superior no Brasil e as políticas de expansão de vagas do Reuni: avanços e controvérsias. Educação: Teoria e Prática, Rio Claro, SP, v. 22, n. 39, p. 117-138, jan./abr. 2012. ; Campos; Veras; Araújo, 2020CAMPOS, T. C.; VERAS, R. M.; ARAÚJO, T. M. Trabalho docente em universidades públicas brasileiras e adoecimento mental: uma revisão bibliográfica. Revista Docência do Ensino Superior, Belo Horizonte, v. 10, e015193, 2020. ).

Ainda sobre as condições de trabalho, nossos dados apontam para um relativo descontentamento quanto aos proventos recebidos, especialmente entre os professores com formação médica. Isso sugere associação com dois fatos que se somam: reduzido status social da carreira docente e destacado status social da carreira médica no País, o que, consequentemente, impacta a disparidade dos proventos recebidos (Vargas, 2010VARGAS, H. M. Sem perder a majestade: “profissões imperiais” no Brasil. Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 15, n. 28, p. 107-124, 2010. ). Sugere-se que a permanência desses profissionais no magistério superior esteja mais atrelada à realização pessoal do que, efetivamente, a questões salariais, salvo em situações especiais de remuneração corriqueiramente observadas no ensino privado.

Considerando a educação inclusiva e a progressiva discussão sobre a democratização do ensino superior, é relevante observar que parte representativa dos docentes avaliados demonstrou uma percepção de aptidão para trabalhar com estudantes com deficiência. Entretanto, esse dado deve ser interpretado com cautela, pois diversos estudos apontam a dificuldade na execução de políticas institucionais de acompanhamento desses estudantes, que permitam identificar suas necessidades educativas e preparar os professores para esse trabalho, além do notório desconhecimento acerca da temática (Borges et al., 2017BORGES, M. L. et al. Desafios institucionais à inclusão de estudantes com necessidades educativas especiais no ensino superior. Revista Portuguesa de Educação, Braga, Portugal, v. 30, n. 2, p. 7-31, 2017. ; Mazzoni; Torres; Andrade, 2001MAZZONI, A. A.; TORRES, E. F.; ANDRADE, J. M. B. Admissão e permanência de estudantes com necessidades educativas especiais no ensino superior. Acta Scientiarum: Human and Social Sciences, Maringá, v. 23, n. 1, p. 121-126, 2001. ).

Uma limitação deste estudo é o fato de o desenho experimental não nos permitir investigar a prática docente e, portanto, a realidade. Além disso, é importante salientar o contexto pandêmico do momento da coleta de dados. Aqui são apresentados, além do perfil docente, a percepção desses profissionais acerca da sua atuação no magistério superior. Por outro lado, até o nosso conhecimento, este é o primeiro trabalho analítico com abrangência nacional que avalia a formação e a atividade dos professores atuantes no ensino superior em Saúde. Nesse contexto, é necessária a elaboração de mais estudos com enfoque no trabalho desses profissionais, dada a importância desses atores da educação na formação de profissionais de saúde no País e, em consequência, na qualidade da assistência oferecida à população.

Considerações finais

Este estudo investigou o perfil dos docentes do ensino superior em Saúde no Brasil. Esses profissionais são majoritariamente mulheres, casados, com pós-graduação stricto sensu, contratados em tempo integral por IES privadas, distribuídas em capitais e cidades do interior. Esses dados estão parcialmente de acordo com o Censo da Educação Superior no Brasil, exceto pelo predomínio de mulheres, uma característica dos cursos de Saúde.

Com relação às suas atividades, os professores investigados afirmam ter sua função docente como principal em relação à carga horária e relatam a realização de cursos de aperfeiçoamento docente na área de Educação. Ademais, afirmam conhecer as diretrizes curriculares dos cursos de graduação em que lecionam, bem como os critérios de avaliação do Inep, uma característica que deve ser celebrada, pois se alinha com a preocupação de aumento permanente da qualidade e efetividade acadêmica. Embora estejam, especialmente os que atuam em IES privadas, satisfeitos com a infraestrutura de trabalho, não têm o mesmo reconhecimento quando questionados sobre a remuneração, principalmente aqueles com formação médica, o que pode se relacionar com a desvalorização do trabalho docente no Brasil e os ganhos financeiros que esses profissionais podem alcançar na área assistencial.

No contexto pandêmico, que impulsionou a virtualização do trabalho docente, os profissionais relatam utilizar ferramentas tecnológicas em suas aulas e se sentem confortáveis com o ensino remoto, o qual consideram eficaz. Esse fato é especialmente importante por suscitar discussões sobre a virtualização do trabalho docente e seus ainda desconhecidos efeitos na aprendizagem dos estudantes.

Este trabalho lança luz sobre um tema ainda pouco explorado no País, mas que representa grande impacto na qualidade da formação de profissionais de saúde, ainda carente e desigual no Brasil. O cenário pandêmico vivido por toda a sociedade escancarou a necessidade de discutir a formação em Saúde, o que, inequivocamente, perpassa a atuação docente. Finalmente, espera-se que este estudo sirva como embasamento de novas reflexões e estratégias para o constante aperfeiçoamento do corpo docente dos cursos de Saúde no Brasil, já que o papel dos professores é essencial no processo de formação de novos profissionais de saúde humanizados e com excelente qualidade técnica.

Referências

  • ANDRADE, C. Y. Acesso ao ensino superior no Brasil: equidade e desigualdade social. Revista Ensino Superior, Campinas, n. 6, p. 18-27, jul./set. 2012.
  • BORGES, M. C.; AQUINO, O. F. Educação superior no Brasil e as políticas de expansão de vagas do Reuni: avanços e controvérsias. Educação: Teoria e Prática, Rio Claro, SP, v. 22, n. 39, p. 117-138, jan./abr. 2012.
  • BORGES, M. L. et al. Desafios institucionais à inclusão de estudantes com necessidades educativas especiais no ensino superior. Revista Portuguesa de Educação, Braga, Portugal, v. 30, n. 2, p. 7-31, 2017.
  • BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Notas Estatísticas 2019 [Censo da Educação Superior]. Brasília, DF, 2019. Disponível em: <Disponível em: https://download.inep.gov.br/educacao_superior/censo_superior/documentos/2020/Notas_Estatisticas_Censo_da_Educacao_Superior_2019.pdf >. Acesso em: 3 set. 2021.
    » https://download.inep.gov.br/educacao_superior/censo_superior/documentos/2020/Notas_Estatisticas_Censo_da_Educacao_Superior_2019.pdf
  • BUDDEBERG-FISCHER, B. et al. The impact of gender and parenthood on physicians’ careers - professional and personal situation seven years after graduation. BMC Health Services Research, [S. l.], v. 10, n. 40, p. 1-10, Feb. 2010.
  • CAMPANI, A.; SILVA, R. M. G.; PARENTE, P. M. M. Inovação pedagógica na universidade. Educação e Fronteiras, Dourados, v. 8, n. 22, p. 18-34, jan./abr. 2018.
  • CAMPOS, T. C.; VERAS, R. M.; ARAÚJO, T. M. Trabalho docente em universidades públicas brasileiras e adoecimento mental: uma revisão bibliográfica. Revista Docência do Ensino Superior, Belo Horizonte, v. 10, e015193, 2020.
  • CASTANHO, D. M.; FREITAS, S. N. Inclusão e prática docente no ensino superior. Revista Educação Especial, Santa Maria, RS, n. 27, p. 93-99, 2006.
  • CASTELLANI, L. et al. Objective Structured Clinical Examination (OSCE) as a reliable evaluation strategy: evidence from a Brazilian medical school. Problems of Education in the 21st Century, [S. l.], v. 78, n. 5, p. 674-687, 2020.
  • CASTRO, C. S. et al. Pandemia da covid-19: cenário do sistema de saúde brasileiro para o enfrentamento da crise. Research, Society and Development, [S. l.], v. 9, n. 7, e516974383, 2020.
  • CONTERNO, S. F. R.; LOPES, R. E. Pressupostos pedagógicos das atuais propostas de formação superior em saúde no Brasil: origens históricas e fundamentos teóricos. Avaliação: Revista da Avaliação da Educação Superior, Campinas, v. 21, n. 3, p. 993-1016, nov. 2016.
  • CRUZ, G. B. Didática e docência no ensino superior. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, Brasília, DF, v. 98, n. 250, p. 672-689, set./dez. 2017.
  • DINIZ, C. C.; VIEIRA, D. J. Ensino superior e desigualdades regionais: notas sobre a experiência recente do Brasil. Revista Paranaense de Desenvolvimento, Curitiba, v. 36, n. 129, p. 99-115, jul./dez. 2015.
  • FELDEN, E. L. Desenvolvimento profissional docente: desafios e tensionamentos na educação superior na perspectiva de coordenadores de área. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, Brasília, DF, v. 98, n. 250, p. 747-763, set./dez. 2017.
  • FRANCO, C. A. G. S.; CUBAS, M. R.; FRANCO, R. S. Currículo de medicina e as competências propostas pelas diretrizes curriculares. Revista Brasileira de Educação Médica, Brasília, DF, v. 38, n. 2, p. 221-230, 2014.
  • FRANCO, R. S. et al. O conceito de competência: uma análise do discurso docente. Revista Brasileira de Educação Médica, Brasília, DF, v. 38, n. 2, p. 173-181, 2014.
  • LOCATELLI, C. Os professores no ensino superior brasileiro: transformações do trabalho docente na última década. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, Brasília, DF, v. 98, n. 248, p. 77-93, jan./abr. 2017.
  • MAZZONI, A. A.; TORRES, E. F.; ANDRADE, J. M. B. Admissão e permanência de estudantes com necessidades educativas especiais no ensino superior. Acta Scientiarum: Human and Social Sciences, Maringá, v. 23, n. 1, p. 121-126, 2001.
  • MCCRINDLE, M. The ABC of XYZ: understanding the global generations. 3rd. ed. Bella Vista, Australia: McCrindle Research Pty Ltd, 2014.
  • MURRAY, D. et al. Exploring the personal and professional factors associated with student evaluations of tenure-track faculty. PLoS One, [S. l.], v. 15, n. 6, e0233515, Jun. 2020.
  • PATTO, M. H. S. O ensino a distância e a falência da educação. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 39, n. 2, p. 303-318, abr./jun. 2013.
  • PEER, V.; PENKER, M. Higher education institutions and regional development: a meta-analysis. International Regional Science Review, [S. l.], v. 39, n. 2, p. 228-253, 2014.
  • QUINTANILHA, L. F. Inovação pedagógica universitária mediada pelo Facebook e YouTube: uma experiência de ensino-aprendizagem direcionado à geração-Z. Educar em Revista, Curitiba, n. 65, p. 249-263, jul./set. 2017.
  • QUINTANILHA, L. F. Atitudes de liderança entre professores. Revista Internacional de Educação em Saúde, Salvador, v. 3, n. 1, p. 30-35, out. 2019.
  • QUINTANILHA, L. F. et al. Impact of SARS-COV-2 pandemic on medical education: “compulsory” migration for elearning modality, preliminary insights from medical education managers. International Journal of Health Education, [S.l], v. 5, n. 1, p. 119-125, Oct. 2021.
  • QUINTANILHA, L. F.; COSTA, G. N.; COUTINHO, M. R. Medical student perceptions about active methodologies in the study of physiology in medical schools in Salvador, Brazil. Advances in Physiology Education, [S. l.], v. 42, n. 4, p. 693-696, Dec. 2018.
  • QUINTANILHA, L. F.; FARIAS, C. S. S.; ANDRADE, B. B. Formação e envolvimento pedagógico entre docentes do ensino superior em Saúde: uma análise dos cursos médicos. Revista Internacional de Educação Superior, Campinas, v. 7, e021026, 2021.
  • SCHEFFER, M. C.; CASSENOTE, A. J. F. A feminização da medicina no Brasil. Revista Bioética, Brasília, DF, v. 21, n. 2, p. 268-277, 2013.
  • SILVA, A. V. M. Tecnologias e educação: o discurso da Unesco. Educação, Santa Maria, RS, v. 44, e65, 2019.
  • SILVA, A. C. R.; PACHECO, J. A. Organização curricular por competência no ensino superior: dificuldades e possibilidades. In: CONGRESSO GALAICO-PORTUGUÊS DE PSICOPEDAGOGIA, 8., 2005, Braga, Portugal. Anais.. Braga, Portugal: Universidade do Minho, 2005. p. 2929-2941.
  • SILVA, F. A. et al. Papel docente no fortalecimento das políticas de integração ensino-serviço-comunidade: contexto das escolas médicas brasileiras. Interface: Comunicação, Saúde, Educação, Botucatu, v. 22, n. 1, p. 1411-1423, set. 2018.
  • SILVA, R. H. A. Educação interprofissional na graduação em saúde: aspectos avaliativos da implantação na Faculdade de Medicina de Marília (Famema). Educar em Revista, Curitiba, n. 39, p. 159-175, jan./abr. 2011.
  • VARGAS, A.; PORTILHO, E. M. L. Metacognição em grupos de Problem-Based Learning (PBL). Educação, Santa Maria, RS, v. 42, n. 2, p. 421-434, 2017.
  • VARGAS, H. M. Sem perder a majestade: “profissões imperiais” no Brasil. Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 15, n. 28, p. 107-124, 2010.
  • WELLER, J. M. Simulation in undergraduate medical education: bridging the gap between theory and practice. Medical Education, [S.l.], v. 38, n. 1, p. 32-38, Jan. 2004.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    14 Abr 2023
  • Data do Fascículo
    2023

Histórico

  • Recebido
    17 Fev 2022
  • Aceito
    10 Out 2022
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira Setor de Indústrias Gráficas - Quadra 04 - lote 327, Térreo, Ala B, CEP 70.610-440 – Brasília-DF – Brasil, Telefones: (61) 2022-3077, 2022-3078 - Brasília - DF - Brazil
E-mail: editoria.rbep@inep.gov.br