Renealmia L.f.: aspectos botânicos, ecológicos, farmacológicos e agronômicos

Renealmia L..f.: botanical, pharmacological and agronomical aspects.

RESUMO:

Renealmia L.f. é um gênero de Zingiberaceae com inúmeros usos, entre eles: ornamental, medicinal e alimentício. Visando ressaltar a importância deste gênero como potencial fonte de recursos agroeconômicos apresenta-se esta revisão sobre aspectos botânicos, ecológicos, farmacológicos, e agronômicos. De um universo de 87 espécies formalmente inseridas em Renealmia, registrou-se indicação de uso popular para 18 destas. Em sua maior parte as indicações de uso estiveram associadas a R. alpinia, R. exaltata e R. guianensis englobando, principalmente, os usos ornamental, alimentício e medicinal. Dentre as 14 espécies com indicação de uso popular medicinal, registram-se pesquisas farmacológicas para apenas quatro: R. alpinia, R. exaltata, R. nicolaioides e R. thyrsoidea. Entretanto, estas pesquisas evidenciam um amplo espectro de bioatividade, com ênfase na ação anticancerígena e antiofídica, especialmente de R. alpinia. Apenas seis espécies foram avaliadas quanto a composição química (R. floribunda, R. guianensis, R. alpinia, R. chrysotricha, R. exaltata e R. nicolaioides), identificando-se perfil químico que corrobora a potencialidade anticancerígena e antiofídica para os representantes deste gênero. Evidenciou-se grande lacuna no que se refere ao conhecimento científico ou técnico para o cultivo de espécies de Renealmia. Isto pode se configurar num impedimento importante na utilização destas espécies como recurso econômico.

pacová; planta alimentícia; planta medicinal; planta ornamental; Zingiberaceae

ABSTRACT:

The Renealmia L.f. is a genus that belongs to the Zingiberaceae with several applications, including the ornamental, medicinal and food ones. Aiming to emphasize the importance of this genus as a potential agro-economic resource, a review of its botanical, pharmacological and agronomic aspects is presented. From 87 species formally inserted in the Renealmia, 20 were registered with popular uses. In general, these popular uses were associated with R. alpinia, R. exaltata and R. guianensis, mainly including the ornamental, nourishing and medicinal uses. Among 14 species with indication of popular medicinal use, pharmacological studies were registered for only four: R. alpinia, R. exaltata, R. nicolaioides and R. Thyrsoidea. However, these studies show a large bioactivity range, with emphasis in the anti-carcinogenic and antiophidic action, especially for R. alpinia. Only six species were analyzed in terms of chemical composition (R. floribunda, R. guianensis, R. alpinia, R. chrysotricha, R. exaltata and R. nicolaioides). Their chemical profiles corroborate the anti-carcinogenic potential for the representatives of this genus. There is a great scientific or technical gap on the cultivation of Renealmia species. This can be an important limiting factor in the use of these species as economical resource.

red ginger; edible food plant; medicinal plant; ornamental plant; Zingiberaceae

ASPECTOS BOTÂNICOS

Classificação botânica

O gênero Renealmia foi descrito em 1782, por Carl Von Linné Filho, tendo como espécie typus Renealmia exaltata L. f. (Publicado em Supplementum Plantarum 7, 79. 1781[1782]. (Apr 1782) (Suppl. Pl.). O gênero está incluído em Zingiberaceae, família que reúne 53 gêneros e 1.200 espécies pantropicais concentradas especialmente no sudeste da ásia (Kress, 1990KRESS, W.J. The phylogeny and classification of the Zingiberales. Annals of the Missouri Botanical Garden, v. 77: 698-721, 1990.). Esta família, classificada como Monocotiledônea - Comelinidea (Stevens, 2013STEVENS, P.F. Angiosperm Phylogeny Website. Disponível em: <http://www.mobot.org/MOBOT/research/APweb/>. Acesso em 02/03/2013.
http://www.mobot.org/MOBOT/research/APwe...
), inclui apenas representantes herbáceos rizomatosos.

O autor do gênero, também chamado de Carolus Linnaeus Filius ou Carl von Linné Le Jeune (1741 -1783), foi um naturalista sueco, filho do famoso sistemático de mesmo nome Carl von Linné ou Carolus Linnaeus (1707-1778). O nome deste gênero foi uma homenagem ao botânico francês Paul de Reneaulme(1560-1624) (Merriam-Webster, 2013MERRIAM-WEBSTER. Renealmia. Disponível em: <http://www.merriam-webster.com/dictionary/renealmia>. Acesso em: 19 mar. 2013.
http://www.merriam-webster.com/dictionar...
).

Atualmente, há 151 espécies associadas a Renealmia, sendo 87 destas formalmente aceitas (The Plant List, 2013THE PLANT LIST. Renealmia. Disponível em:< http://www.theplantlist.org/>. Acesso em 20 mar 2013.
http://www.theplantlist.org/...
). Botanicamente (Tropicos, 2013TROPICOS. Renealmia. Disponível em:< http://www.tropicos.org/>. Acesso em: 20 mar. 2013.
http://www.tropicos.org/...
), este gênero está assim classificado:

  1. • Classe: Equisetopsida C. Agardh

    1. • Subclasse: Magnoliidae Novák ex Takht.

      1. • Superordem: Lilianae Takht.

        1. • Ordem: Zingiberales Griseb.

          1. • Família: Zingiberaceae Martinov

            1. • Subfamília: Alpinioideae Link

              1. • Gênero: Renealmia L.f.

Conforme Jannes (2008)JANNES, M. Systematics and biogeography of Renealmia l.f. (Zingiberaceae) based on nuclear and chloroplast DNA sequences. 2008. 28 p. Dissertação (Mestrado em Botânica Sistemática e Evolução). Universidade de Oxford, Inglaterra., a atual classificação das espécies deste gênero é baseada em características morfológicas e dividida de acordo com sua distribuição neotropical e africana. As espécies neotropicais estão divididas nos seguintes grupos de espécies: grupo Renealmia cernua; grupo Renealmia alpinia; grupo Renealmia acreana e grupo Renealmia aromatica. Três espécies isoladas (Renealmia jamaicensis (Gaertn) Horan; R. pyramidalis (Lam.) Maas, and R.variegata Maas & Maas) também estão inseridas entre as espécies neotropicais (Maas & Maas, 1987MAAS, P.J.M.; MAAS, H. Notes on New World Zingiberaceae: 3.some new species in Renealmia. Notes from the Royal Botanical Garden, Edinburgh, v. 44, p. 237-248, 1987.; 1990MAAS, P.J.M.; MAAS, H. Notes on New World Zingiberaceae: 4. some new species of Costus and Renealmia. Notes from the Royal Botanical Garden, Edinburgh, v. 46, p. 307-320,1990.).

Na áfrica, o gênero é dividido em dois principais complexos de espécies: complexo Renealmia africana e complexo Renealmia congoensis. Adicionalmente, há onze espécies fora destes complexos: Renealmia battenbergiana Cummins ex Baker, R. bracteata de Wild. & T.Durand, R. cincinnata(K. Schum.) Baker, R. densispica J.Koechlin, R. engleri K. Schum., R. longifolia K. Schum., R. maculata Stapf., R. mannii Hook.f., R. polyantha K. Schum., R. polyantha K. Schum., R. polypus Gagnep., and R. sancti-thomae I.M.Turner. (Jannes, 2008JANNES, M. Systematics and biogeography of Renealmia l.f. (Zingiberaceae) based on nuclear and chloroplast DNA sequences. 2008. 28 p. Dissertação (Mestrado em Botânica Sistemática e Evolução). Universidade de Oxford, Inglaterra.).

Caracterização Botânica

Renealmia está inserido em Alpinioideae, a segunda maior subfamília de Zingiberaceae, que se distingue morfologicamente das outras subfamílias principalmente por dois atributos: 1. folhas dísticas de disposição transversa em relação ao rizoma (Figura 1A); 2. flores com dois estaminódios laterais muito reduzidos ou ausentes Figura 1B) (Jannes, 2008JANNES, M. Systematics and biogeography of Renealmia l.f. (Zingiberaceae) based on nuclear and chloroplast DNA sequences. 2008. 28 p. Dissertação (Mestrado em Botânica Sistemática e Evolução). Universidade de Oxford, Inglaterra.).

FIGURE 1
Renealmia L.f.: A-B) detalhe da disposição foliar dística, transversa ao rizoma; C) detalhe da flor: 1- cálice tubular; 2- antera e estilete; 3- petaloide ereta e labelo 3-lobado; 4- bractéola tubular; 5-corola. D) pelo estelar das folhas. (Fonte: Jannes, 2008JANNES, M. Systematics and biogeography of Renealmia l.f. (Zingiberaceae) based on nuclear and chloroplast DNA sequences. 2008. 28 p. Dissertação (Mestrado em Botânica Sistemática e Evolução). Universidade de Oxford, Inglaterra.).

Renealmia se distingue dos demais representantes da sub-família Alpinoide, assim como de Aframomum K. Schum. o gênero mais próximo, devido a ter a corola mais comprida do que o cálice e pela presença de pelos estelares na lâmina foliar (Maas, 1977MAAS, P.J.M. Renealmia (Zingiberaceae- Zingiberoideae). Costoideae (Additions) (Zingiberaceae). Flora Neotropica Monograph, v.18, p.1-218, 1977.; Jannes, 2008JANNES, M. Systematics and biogeography of Renealmia l.f. (Zingiberaceae) based on nuclear and chloroplast DNA sequences. 2008. 28 p. Dissertação (Mestrado em Botânica Sistemática e Evolução). Universidade de Oxford, Inglaterra.) (Figura 1C).

é notável a diversidade de caracteres morfológicos registrada para as espécies de Renealmia, especialmente no que concerne ao porte, especialização dos ramos florais, inflorescências, flores e síndromes florais assim como em relação ao indumento e folhas. Entretanto, não há grande variação na morfologia polínica (Maas, 1977MAAS, P.J.M. Renealmia (Zingiberaceae- Zingiberoideae). Costoideae (Additions) (Zingiberaceae). Flora Neotropica Monograph, v.18, p.1-218, 1977.). Quase nada se sabe sobre a variação de outros órgãos e partes como, por exemplo, das sementes (Ospina-González 2011).

Conforme Maas (1977)MAAS, P.J.M. Renealmia (Zingiberaceae- Zingiberoideae). Costoideae (Additions) (Zingiberaceae). Flora Neotropica Monograph, v.18, p.1-218, 1977., os representantes de Renealmia são plantas terrestres (1-3 m de altura, podendo chegar a 6 m), herbáceas com rizoma de ramificação simpodial, geralmente espesso e de textura quase lenhosa, com raízes carnosas muito finas. Apresentam caules foliáceos eretos dispostos em touceiras densas; folhas dísticas com bainha aberta, lígula, pecíolo às vezes pouco evidente e lamina linear peniparalelinérvia orientada verticalmente. A estrutura da bainha é um importante caráter de identificação taxonômica das espécies. As inflorescências podem ser terminais nos ramos eretos ou em escapos florais independentes que emergem da base da touceira. As flores são bissexuadas, zigomorfas, diclamídeas e heteroclamídeas; cálice trímero e gamossépalo; corola trímera, gamopétala. Apresenta dois principais tipos de flores: 1. inteiramente tubular e 2. base tubular com labelo aberto horizontalmente. Os frutos são geralmente capsulas globosas a elípticas (3-40 mm comprimento) de paredes espessas, com deiscência (loculicida e longitudinal) da base para o ápice. Em algumas espécies, os frutos são coroados por um cálice persistente.

O número de sementes por fruto (1-200) também é uma característica taxonômica importante. As sementes (2-5 mm de diâmetro) são elípticas a globosas, amarronzadas, com hilo amarelado bem desenvolvido e amplo arilo lacerado (branco, amarelo ou laranja) (Maas,1977MAAS, P.J.M. Renealmia (Zingiberaceae- Zingiberoideae). Costoideae (Additions) (Zingiberaceae). Flora Neotropica Monograph, v.18, p.1-218, 1977.).

FIGURE 2
Renealmia petasites Gagnep.: a- folha; b- inflorescência; c- infrutescência; d- flor; e- labelo e estame; f- estigma visto de dois lados; g- glândulas nectárias. (Fonte: Maas, 1977MAAS, P.J.M. Renealmia (Zingiberaceae- Zingiberoideae). Costoideae (Additions) (Zingiberaceae). Flora Neotropica Monograph, v.18, p.1-218, 1977.).

Nomes vulgares

Dependendo do país onde se encontram, genericamente os representantes de Renealmia são popularmente conhecidos por distintos nomes vulgares, incluindo Mishqui panga (Perú), no dialeto quéchua onde "mishqui" significa saborosa e "panga" quer dizer folha (Tabela 1).

TABELA 1
Nomes vulgares associados a representantes específicos de Renealmia L.f., em distintos países.

ASPECTOS ECOLÓGICOS

A quase totalidade de espécies do gênero está confinada às regiões de floresta tropical úmida desde o nível do mar até cerca de 2.500 metros. Nestes ambientes, normalmente ocupam áreas abertas ou margem de rios (Maas, 1977MAAS, P.J.M. Renealmia (Zingiberaceae- Zingiberoideae). Costoideae (Additions) (Zingiberaceae). Flora Neotropica Monograph, v.18, p.1-218, 1977.).

A polinização das flores tubulares é feita por beija-flores e das flores de labelo exposto é feita por abelhas (Maas, 1977MAAS, P.J.M. Renealmia (Zingiberaceae- Zingiberoideae). Costoideae (Additions) (Zingiberaceae). Flora Neotropica Monograph, v.18, p.1-218, 1977.)

Dentre os poucos registros que existem sobre o processo de dispersão deste gênero, sabe-se que R. alpinia apresenta frutos bi-coloridos (vermelhos quando imaturos e roxos quando maduros) característicos de plantas cujas sementes são dispersas por aves diurnas. Entretanto, foram registrados roedores (Oecomys bicolor e O. concolor) como frugívoros oportunistas desta espécie (Bizerril & Gastal, 1997BIZERRIL, M.X.; GASTAL, M.L.A. Fruit phenology and mammal frugivory in Renealmia alpinia (Zingiberaceae) in a gallery forest of central Brazil. Revista Brasileira de Biologia, v.57, n.2, p.305-309, 1997.). Conforme Maas (1977), alguns nomes vulgares associados às espécies de Renealmia são indicativos de potenciais dispersores e/ ou consumidores de frutos: comida de veado (Brasil); tamay de puerco (porco) (México), fruto de mono (macaco) (Colômbia).

Distribuição

A maioria das espécies de Renealmia é neotropical, distribuindo-se desde o norte do México (ca. 22o N lat.), Cuba e Bahamas até o norte da Bolívia e Sul do Brasil (ca. 30o S lat.), não ocorrendo no Paraguai, Argentina ou Uruguai (Maas, 1977MAAS, P.J.M. Renealmia (Zingiberaceae- Zingiberoideae). Costoideae (Additions) (Zingiberaceae). Flora Neotropica Monograph, v.18, p.1-218, 1977.). Cerca de apenas 20 espécies são encontradas na áfrica (Renner, 2004RENNER, S. Plant dispersal across the tropical Atlantic by wind and sea currents. International Journal of Plant Sciences, v.165, n.4 supl., p.S23-S33, 2004.).

Poucos gêneros de Angiospermas compartem este padrão anfiatlântico de distribuição (Renner, 2004RENNER, S. Plant dispersal across the tropical Atlantic by wind and sea currents. International Journal of Plant Sciences, v.165, n.4 supl., p.S23-S33, 2004.). De acordo a Särkinen et al. (2007), este é um padrão muito interessante do ponto de vista biogeográfico evolutivo. Supõe-se que Renealmia se originou na áfrica e colonizou a América do Sul por dispersão oceânica de longo alcance durante o Mioceno ou Plioceno (15.8-2.7 milhões de anos atrás), de onde começou uma rápida diversificação, influenciada pela orogênese andina. Aparentemente, a especiação foi praticamente simultânea nos dois lados do Atlântico.

No Brasil, Renealmia é o único gênero nativo de Zingiberaceae (SOUZA & LORENZI, 2005SOUZA, V.C. & LORENZI, H. Botânica Sistemática: guia ilustrado para identificação das famílias de Angiospermas da flora brasileira, baseado em APGII. São Paulo: Nova Odessa/Instituto Plantarum, 2005. 640p.). Há registro de 21 espécies de Renealmia nativas (7 endêmicas) distribuídas nas distintas regiões do País: Norte (Roraima, Amapá, Pará, Amazonas, Acre, Rondônia), Nordeste (Ceará, Pernambuco, Bahia), Centro-Oeste (Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul), Sudeste (Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Rio de Janeiro), Sul (Paraná, Santa Catarina) (Maas & Maas, 2013) (Tabela 2).

TABELA 2
Espécies de Renealmia L.f. nativas do Brasil (organizada a partir de Maas & Maas, 2013MAAS, P., MAAS, H. Zingiberaceae in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Disponível em :<http://floradobrasil.jbrj.gov.br/2012/FB110707>. Acesso em 08 abr. 2013.
http://floradobrasil.jbrj.gov.br/2012/FB...
) (*= espécie endêmica do Brasil).

Estado de Conservação

Maas (1977) lista um conjunto de espécies de Renealmia tidas como raras e de ocorrência em ambientes sujeitos a elevado grau de deterioro ambiental sendo, portanto, consideradas como ameaçadas de extinção, a saber: R. chiiriquina, R. helenae (Panamá); R. densiflora (Haiti); R. sylvestris (Jamaica); R. alticola, R. caucana, R. chacochlora e R. ferruginea(Colombia); R. oligotricha e R. dolichocalyx(Equador); R. pallida e R. wurdackii (Peru). No que concerne às espécies encontradas no Brasil, lista como ameaçadas R. braziliensis; R. chrysotricha e R. reticulata e como provavelmente extinta cita R. pycnostachys, espécie representada apenas pelo typus coletado em Minas Gerais.

Minas Gerais (1997;MINAS GERAIS. Deliberação do Conselho Estadual de Política Ambiental - COPAM nº 85, de 21 de outubro de 1997. Aprova a lista das espécies ameaçadas de extinção da flora do Estado de Minas Gerais. Diário do Executivo [do Estado de Minas Gerais], 30/10/1997.2008)MINAS GERAIS. Deliberação do Conselho Estadual de Política Ambiental - COPAM nº 367, de 15 de dezembro de 2008.Aprova a lista das espécies ameaçadas de extinção da flora do Estado de Minas Gerais. Diário do Executivo [do Estado de Minas Gerais], 17/12/2008. reporta o estado de conservação para duas espécies de Renealmia no contexto brasileiro:

Renealmia brasiliensis K. Schum. = Categoria: vulnerável; Critério: poucas coleções

Renealmia petasites Gagnep. = Categoria: provavelmente extinta; Critério: sem coleta nos últimos 30 anos

USOS ETNOBOTÂNICOS

Registrou-se indicação de uso popular para 18 espécies de Renealmia, englobando principalmente os usos ornamental, alimentício e medicinal, entre outros. Em sua maior parte, estas indicações de uso estão associadas a R. alpinia, R. exaltata e R. guianensis. As indicações de uso abrangem todas as partes do organismo vegetal, com ênfase na planta toda, rizoma e sementes.

No que concerne ao uso como planta ornamental, R. cernua, R. exaltata, R. jamaicensis, R. mexicana e R. occidentalis têm reconhecida importância comercial tanto como flores de corte, plantas envasadas, rizomas ou sementes (Ayala-Silva et al., 2007AYALA-SILVA, T. et al. Ornamental plant germplasm exploration in tropical forests of Puerto Rico. Proceedings of the Florida State Horticultural Society, v. 120, p. 4-7, 2007.; Miceli et al., 2008MICELI, F.A.G. et al. Optimization of R. mexicana(Klotzsch ex. Petersen) cultivation in vitro. In Vitro Cellular & Developmental Biology - Plant , v.44, n. 1, p. 33-39, 2008.; Aloha Tropicals, 2013ALOHA TROPICALS. Renealmia. Disponível em < http://www.alohatropicals.com/renealmi.html>. Acesso em: 20 mar.2013.
http://www.alohatropicals.com/renealmi.h...
; Montoso Gardens, 2013MONTOSO GARDENS. Renealmia occidentalis (Zingiberaceae). Disponível em <http://www.montosogardens.com/renealmia_occidentalis.htm>. Acesso em 21 mar.2013.
http://www.montosogardens.com/renealmia_...
; Tropical Flower, 2013; Tropilab, 2013TROPILAB INC. Renealmia exaltata - masusa. Disponível em: http://www.tropilab.com/masusa.html. Acesso em 22/03/2013.
http://www.tropilab.com/masusa.html...
).

No que tange ao uso alimentício, as folhas frescas de algumas espécies de Renealmia são empregadas como envoltório para cozinhar peixe (patarashca) e, quando secas e moídas, servem como condimento (Rainforest, 2013RAINFOREST Conservation Fund. Renealmia spp. (Mishqui panga). Disponível em <http://www.rainforestconservation.org/AGROFORESTRY-ETHNOBOTANY/AGROFORESTRY-ETHNOBOTANY/RENEALMIA-SPP-MISHQUI-PANGA> Acesso em 20/03/2013.
http://www.rainforestconservation.org/AG...
). Especificamente, registra-se para R. alpinia o emprego das folhas frescas como envoltório de tamales e empanadas, lhes conferindo um sabor peculiar e picante (Macía, 2003MACÍA, M. J. Renealmia alpinia (Rottb.) Maas (Zingiberaceae): planta comestible de la sierra norte de Puebla (México). Anales del Jardín Botánico de Madrid, v. 60, n.1, p.183-187, 2003.). As folhas aromáticas de R. battenbergiana são usadas como condimento na preparação de vários pratos como sopas e molhos, enriquecendo seu sabor. Também são utilizadas industrialmente para aromatizar óleos vegetais (Ofosu et al., 2012OFOSU, I.W.; OPPONG, S.Y.; ODURO, I. Optimization of incorporation conditions of Renealmia battenbergiana extract in refined bleached deodorized (RBD) palm olein. Food and Nutrition Sciences, v.3, p.1976-1983, 2012.).

Os frutos frescos de R. petasites e R. alpinia são considerados comestíveis, especialmente pela presença de arilo em suas sementes (Otero et al. 2000aOTERO, R. et al. Snakebites and ethnobotany in the northwest region of Colombia. Part I: Traditional use of plants. Journal of Ethnopharmacology, v.71, n.3, p.493-504, 2000a. Disponível em:< http://www.sciencedirect.com/science>. Acesso em 03 abr. 2013.
http://www.sciencedirect.com/science...
; Macía, 2003MACÍA, M. J. Renealmia alpinia (Rottb.) Maas (Zingiberaceae): planta comestible de la sierra norte de Puebla (México). Anales del Jardín Botánico de Madrid, v. 60, n.1, p.183-187, 2003.; Frutas Raras, 2013FRUTAS RARAS. Conheça as frutiferas nativas do Brasil e dos respectivos ecossistemas. Disponível em:<http://www.colecionandofrutas.org/nativas.htm>. Acesso em: 21 mar.2013.
http://www.colecionandofrutas.org/nativa...
). As sementes marrom-amareladas de R. exaltata são utilizadas como condimento e corante alimentício, especialmente em pratos com arroz (Tropilab, 2013TROPILAB INC. Renealmia exaltata - masusa. Disponível em: http://www.tropilab.com/masusa.html. Acesso em 22/03/2013.
http://www.tropilab.com/masusa.html...
). As sementes de R. petasites também são usadas como tempero ou condimento (Frutas Raras, 2013FRUTAS RARAS. Conheça as frutiferas nativas do Brasil e dos respectivos ecossistemas. Disponível em:<http://www.colecionandofrutas.org/nativas.htm>. Acesso em: 21 mar.2013.
http://www.colecionandofrutas.org/nativa...
). O óleo obtido das sementes de R. alpinia tem emprego culinário (Maas, 1977MAAS, P.J.M. Renealmia (Zingiberaceae- Zingiberoideae). Costoideae (Additions) (Zingiberaceae). Flora Neotropica Monograph, v.18, p.1-218, 1977.; Acero, 1979ACERO, L.E. Principales plantas útiles de la Amazonia Colombiana. Bogotá: Guadalupe; 1979, 263p.; Villalobos Contreras, 1994VILLALOBOS CONTRERAS, G. Plantas comestibles en dos comunidades de la Sierra Norte de Puebla: Xochitlán de Vicente Suárez y Zapotitlán de Méndez. 1994. 315p. Monografia (Graduação em Biologia) - Universidad Nacional Autónoma de México, México, D.F.; Martínez Alfaro et al., 1995MARTÍNEZ ALFARO M.A. et al. Catálogo de plantas útiles de la Sierra Norte de Puebla, México. México D.F: Instituto de Biología, Universidad Nacional Autónoma de México. Cuadernos del Instituto de Biología, v. 27, p.1-303, 1995.; Macía, 2003MACÍA, M. J. Renealmia alpinia (Rottb.) Maas (Zingiberaceae): planta comestible de la sierra norte de Puebla (México). Anales del Jardín Botánico de Madrid, v. 60, n.1, p.183-187, 2003.).

Há uma ampla variedade de uso medicinal popular associada a espécies de Renealmia, que incluem o emprego da planta toda, folhas, flores, frutos e/ou sementes associados a distintos modos de utilização como infusos, decocto, banhos, extratos e pastas, conforme detalhado a seguir.

O infuso das folhas e rizomas de R. alpinia, R.guianensis ou de R. monosperma é considerado abortifaciente(Defilipps et al., 2004DEFILIPPS, R.A.; MAINA, S.L.; CREPI, J. Medicinal plants of the Guianas (Guyana, Surinam, French Guiana). Washington (DC): Smithsonian Institute, 2004. 490p.).

A ingestão oral do produto da decocção ou infusão das folhas de R. alpinia, R. asplundii, R.brasiliensis, R. cincinnata ou R. guianensis é tida como de efeito analgésico contra dores de cabeça e musculares (Milliken & Albert, 1996MILLIKEN, W.; ALBERT, B. The use of medicinal plants by the Yanomami Indians of Brazil. Economic Botany, v. 50, n.1, p.10-25, 1996.; Silva, 2002SILVA, R.B.L. A etnobotânica de plantas medicinais da comunidade quilombola de Curiaú, Macapá-AP, Brasil. 2002. 172p. Dissertação (Mestrado em Agronomia) - Universidade Federal Rural da Amazônia, Belém 2002.; Coe, 2008COE, F.G. Rama midwifery in eastern Nicaragua. Journal of Ethnopharmacology, v. 117, n.1, p.136-157, 2008. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1016/j.jep.2008.01.02721>. Acesso em 5 abr. 2013.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jep.2008.01....
; Coelho-Ferreira, 2009COELHO-FERREIRA, M. Medicinal knowledge and plant utilization in an Amazonian coastal community of Maruda, Para State (Brazil). Journal of Ethnopharmacoly, v.126, p.159-175, 2009. Disponível em:<http://dx.doi.org/10.1016/j.jep.2009.07.016>. Acesso em 8 abr. 2013.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jep.2009.07....
; Valadeau et al., 2009VALADEAU, C. et al. Medicinal plants from the Yanesha (Peru): Evaluation of the leishmanicidal and antimalarial activity of selected extracts. Journal of Ethnopharmacology, v. 123, n. 3, p. 413-422, 2009.; OPatiño et al., 2012PATIÑO, A. C. et al. Efecto inhibitorio de extractos de Renealmia alpinia Rottb. Maas (Zingiberaceae) sobre el veneno de Bothrops asper (mapaná). Biomédica: Revista del Instituto Nacional de Salud, v. 32, n. 3, p 365-374, 2012.).

O decocto das folhas e rizomas de R. alpinia administrado oralmente é tido como de efeito antiácido para gestantes (Coe, 2008COE, F.G. Rama midwifery in eastern Nicaragua. Journal of Ethnopharmacology, v. 117, n.1, p.136-157, 2008. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1016/j.jep.2008.01.02721>. Acesso em 5 abr. 2013.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jep.2008.01....
).

O infuso das sementes trituradas de R. exaltata é indicado para o tratamento antibruxismo (Justo et al., 2009JUSTO, B.H.; MOTA, D.S.; COELHO, S. A etnobotânica e o conhecimento popular: estudos de caso na cidade de Sorocaba, SP, Brasil. In: CONGRESSO DE MEIO AMBIENTE DA AUGM, 6, 2009. São Carlos. Anais... São Carlos, AUGM, 2009. p.1-15. Disponível em:< http://www.ambiente-augm.ufscar.br/uploads/A3-097.pdf>. Acesso 2m 15 mar. 2013.
http://www.ambiente-augm.ufscar.br/uploa...
).

O decocto das folhas de R. alpinia (Defilipps et al., 2004DEFILIPPS, R.A.; MAINA, S.L.; CREPI, J. Medicinal plants of the Guianas (Guyana, Surinam, French Guiana). Washington (DC): Smithsonian Institute, 2004. 490p.) assim como a infusão das sementes de R. petasites são referidos como de efeito antidisentérico(Lopes, 2010LOPES, C.V.G. O conhecimento etnobotânico da comunidade quilombola do Varzeão, Dr. Ulysses (PR): no contexto do desenvolvimento rural sustentável. 2010. 162 p. Dissertação (Mestrado - Agronomia). Universidade Federal do Paraná, Curitiba.).

Os frutos de R. alpinia são tidos como de efeito antiemético e antinauseante (Maas, 1977MAAS, P.J.M. Renealmia (Zingiberaceae- Zingiberoideae). Costoideae (Additions) (Zingiberaceae). Flora Neotropica Monograph, v.18, p.1-218, 1977.; Acero, 1979ACERO, L.E. Principales plantas útiles de la Amazonia Colombiana. Bogotá: Guadalupe; 1979, 263p.; Villalobos Contreras, 1994VILLALOBOS CONTRERAS, G. Plantas comestibles en dos comunidades de la Sierra Norte de Puebla: Xochitlán de Vicente Suárez y Zapotitlán de Méndez. 1994. 315p. Monografia (Graduação em Biologia) - Universidad Nacional Autónoma de México, México, D.F.; Martínez Alfaro et al., 1995MARTÍNEZ ALFARO M.A. et al. Catálogo de plantas útiles de la Sierra Norte de Puebla, México. México D.F: Instituto de Biología, Universidad Nacional Autónoma de México. Cuadernos del Instituto de Biología, v. 27, p.1-303, 1995.; Macía, 2003MACÍA, M. J. Renealmia alpinia (Rottb.) Maas (Zingiberaceae): planta comestible de la sierra norte de Puebla (México). Anales del Jardín Botánico de Madrid, v. 60, n.1, p.183-187, 2003.).

O banho com o decocto dos ramos e folhas de R. guianensis e R. monosperma é citado para o tratamento antifadiga (Defilipps et al., 2004DEFILIPPS, R.A.; MAINA, S.L.; CREPI, J. Medicinal plants of the Guianas (Guyana, Surinam, French Guiana). Washington (DC): Smithsonian Institute, 2004. 490p.).

Para tratamento antiflatulência, indica-se o uso das inflorescências de R. guianensis e R. monosperma (Defilipps et al., 2004DEFILIPPS, R.A.; MAINA, S.L.; CREPI, J. Medicinal plants of the Guianas (Guyana, Surinam, French Guiana). Washington (DC): Smithsonian Institute, 2004. 490p.) assim como a decocção das folhas e rizomas de R. alpinia e das sementes e rizomas de R. exaltata (Plantamed, 2013PLANTAMED. Índice de Plantas e Ervas Medicinais por Nomes Científicos. Disponível em < http://www.plantmed.com.br/>. Acesso em 21/3/2013.
http://www.plantmed.com.br/...
).

O suco do fruto de R. floribunda tem emprego medicinal como antifúngico (Defilipps et al., 2004DEFILIPPS, R.A.; MAINA, S.L.; CREPI, J. Medicinal plants of the Guianas (Guyana, Surinam, French Guiana). Washington (DC): Smithsonian Institute, 2004. 490p.).

A inalação do vapor da decocção de R. cf. floribunda assim como o xarope ou suco do rizoma de R. alpinia são considerados como de efeito antigripal (Defilipps et al., 2004DEFILIPPS, R.A.; MAINA, S.L.; CREPI, J. Medicinal plants of the Guianas (Guyana, Surinam, French Guiana). Washington (DC): Smithsonian Institute, 2004. 490p.).

A ingestão oral do rizoma de R. alpinia macerado e fervido em água é tida de efeito anti-hemorrágico, sendo especialmente benéfica em casos de hemorragias ginecológicas (Valadeau et al., 2009VALADEAU, C. et al. Medicinal plants from the Yanesha (Peru): Evaluation of the leishmanicidal and antimalarial activity of selected extracts. Journal of Ethnopharmacology, v. 123, n. 3, p. 413-422, 2009.).

Há registro histórico do uso de R. dominguensis como anti-hemorroidas, pela civilização Maia (Usher,1974USHER, G. Dictionary of plants used by man. New York: Hafner Press, 1974. 619p.).

O suco dos frutos de R. floribunda é citado como indicado para tratamento de antiherpes genital e aftas (Defilipps et al., 2004DEFILIPPS, R.A.; MAINA, S.L.; CREPI, J. Medicinal plants of the Guianas (Guyana, Surinam, French Guiana). Washington (DC): Smithsonian Institute, 2004. 490p.).

O infuso das folhas de R. alpinia é citado como de uso popular como antihipertensivo (Defilipps et al., 2004DEFILIPPS, R.A.; MAINA, S.L.; CREPI, J. Medicinal plants of the Guianas (Guyana, Surinam, French Guiana). Washington (DC): Smithsonian Institute, 2004. 490p.).

O infuso das sementes de R. petasites é citado como medicamento popular anti-infertilidade (Lopes, 2010LOPES, C.V.G. O conhecimento etnobotânico da comunidade quilombola do Varzeão, Dr. Ulysses (PR): no contexto do desenvolvimento rural sustentável. 2010. 162 p. Dissertação (Mestrado - Agronomia). Universidade Federal do Paraná, Curitiba.).

Tanto o decocto das folhas e rizomas de R. brasiliensis como de R. alpinia (Coe, 2008COE, F.G. Rama midwifery in eastern Nicaragua. Journal of Ethnopharmacology, v. 117, n.1, p.136-157, 2008. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1016/j.jep.2008.01.02721>. Acesso em 5 abr. 2013.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jep.2008.01....
) são considerados como de efeito anti-inflamatório.

O decocto dos rizomas de R. floribunda, R. guianensis ou R. monosperma é tido como de efeito antimalarial (Defilipps et al., 2004DEFILIPPS, R.A.; MAINA, S.L.; CREPI, J. Medicinal plants of the Guianas (Guyana, Surinam, French Guiana). Washington (DC): Smithsonian Institute, 2004. 490p.).

A ingestão oral do decocto e/ou banhos com o extrato etanólico de rizomas de R. alpinia são considerados de efeito antiofídico(Otero, 2000aOTERO, R. et al. Snakebites and ethnobotany in the northwest region of Colombia. Part I: Traditional use of plants. Journal of Ethnopharmacology, v.71, n.3, p.493-504, 2000a. Disponível em:< http://www.sciencedirect.com/science>. Acesso em 03 abr. 2013.
http://www.sciencedirect.com/science...
). O suco elaborado com frutos de R. alpinia e Costus scaber é indicado no tratamento antiofídico veterinário, para cães (Lans et al., 2001LANS, C.; HARPER, T.; GEORGES, K.; BRIDGEWATER, E. Medicinal and ethnoveterinary remedies of hunters in Trinidad. BMC Complementary and Alternative Medicine, n.1, p.1-17, 2001. Disponível em:http://www.biomedcentral.com/1472-6882/1/10. Acesso em 12 mar.2013.
http://www.biomedcentral.com/1472-6882/1...
). A pasta feita com água e folhas e rizomas triturados de R. alpinia, R. asplundii, R. brasiliensis, R. guianensis ou de R. thyrsoidea é colocada sobre picada de cobras, especialmente Bothrops atrox e B. asper. O chá das folhas destas espécies é utilizado para aliviar o inchaço provocado pela picada de cobra (Davis & Yost, 1983DAVIS, E.W.; YOST, J.A. The ethnomedicine of the Waorani of Amazonian Ecuador. Journal of Ethnopharmacology, v.9, p. 273-297, 1983.; Silva, 2002SILVA, R.B.L. A etnobotânica de plantas medicinais da comunidade quilombola de Curiaú, Macapá-AP, Brasil. 2002. 172p. Dissertação (Mestrado em Agronomia) - Universidade Federal Rural da Amazônia, Belém 2002.; Patiño et al., 2012PATIÑO, A. C. et al. Efecto inhibitorio de extractos de Renealmia alpinia Rottb. Maas (Zingiberaceae) sobre el veneno de Bothrops asper (mapaná). Biomédica: Revista del Instituto Nacional de Salud, v. 32, n. 3, p 365-374, 2012.).

O decocto de frutos e folhas de R. alpinia é usado em banhos para cães como antipediculose (Lans, 2001LANS, C.; HARPER, T.; GEORGES, K.; BRIDGEWATER, E. Medicinal and ethnoveterinary remedies of hunters in Trinidad. BMC Complementary and Alternative Medicine, n.1, p.1-17, 2001. Disponível em:http://www.biomedcentral.com/1472-6882/1/10. Acesso em 12 mar.2013.
http://www.biomedcentral.com/1472-6882/1...
).

Banhos com o decocto das folhas e rizomas de R. alpinia, R. asplundii, R. cincinnata, R. floribunda, R. guianensis, R. monosperma ou R. pedicelaris (Altschul, 1973ALTSCHUL, S. Drugs and foods from little-known plants.Cambridge: Harvard Univ. Press, 1973. 518p.; Milliken & Albert, 1996MILLIKEN, W.; ALBERT, B. The use of medicinal plants by the Yanomami Indians of Brazil. Economic Botany, v. 50, n.1, p.10-25, 1996.; Zhou et al., 1997ZHOU, B. et al. Bioactive labdane diterpenoids from R. alpinia collected in the Suriname Rainforest. Journal of Natural Products, v.60, n.12, p.1287-1293, 1997. Disponível em:<http://dx.doi.org/10.1021/np970233c>. Acesso em: 15 mar. 2013.; Defilipps et al., 2004DEFILIPPS, R.A.; MAINA, S.L.; CREPI, J. Medicinal plants of the Guianas (Guyana, Surinam, French Guiana). Washington (DC): Smithsonian Institute, 2004. 490p.; Patiño et al., 2012PATIÑO, A. C. et al. Efecto inhibitorio de extractos de Renealmia alpinia Rottb. Maas (Zingiberaceae) sobre el veneno de Bothrops asper (mapaná). Biomédica: Revista del Instituto Nacional de Salud, v. 32, n. 3, p 365-374, 2012.) assim como o extrato alcoólico de R. alpinia (Otero et al., 2000aOTERO, R. et al. Snakebites and ethnobotany in the northwest region of Colombia. Part I: Traditional use of plants. Journal of Ethnopharmacology, v.71, n.3, p.493-504, 2000a. Disponível em:< http://www.sciencedirect.com/science>. Acesso em 03 abr. 2013.
http://www.sciencedirect.com/science...
) são tidos como de efeito antipirético. Folhas maceradas de R. thyrsoides são referenciadas como para aliviar os sintomas febris da malária (Schultes & Raffauf, 1990SCHULTES, R.E.; RAFFAUF, R.F. The healing forest: medicinal and toxic plants of the northwest Amazonia. Portland: Dioscorides Press, 1990. 484p.).

O suco do fruto de R. floribunda é utilizado para tratamento antipruridos (Defilipps et al., 2004DEFILIPPS, R.A.; MAINA, S.L.; CREPI, J. Medicinal plants of the Guianas (Guyana, Surinam, French Guiana). Washington (DC): Smithsonian Institute, 2004. 490p.).

O uso dos rizomas R. pyramidale macerados e misturados com rum ou vermute é tido como de efeito antirreumático (Defilipps et al., 2004). São apontados também com este efeito: a infusão das folhas e rizomas de R. brasiliensis (Milenar Terapias, 2013MILENAR TERAPIAS. Pacová - Renealmia brasiliensis . Disponível em: < http://www.lojamais.com.br/Loja/Emp_MostraProd.aspx?codProduto=376805&codemp=5120>. Acesso em: 21/03/2013.
http://www.lojamais.com.br/Loja/Emp_Most...
); das sementes de R. petasites (Cesarino & Negrelle, 2012CESARINO, D.D.; NEGRELLE, R.R.B. Produção de sementes e aspectos da germinação de Renealmia petasites GAGNEP. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE ETNOBIOLOGIA E ETNOECOLOGIA, 9, 2012, Florianópolis. Resumos... Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2012. p.228.) e o decocto ou garrafada com rizomas e folhas de R. exaltata (Vila Verde et al., 2003VILA VERDE, G.M.; PAULA, J.R; CANEIRO, D.M. Levantamento etnobotânico das plantas medicinais do cerrado utilizadas pela população de Mossâmedes (GO). Revista Brasileira de Farmacognosia, v. 13, supl., p. 64-66, 2003.).

A ingestão assim como banhos com o decocto das folhas de R. alpiniae de R. guianensis são citados como de efeito calmante(Silva, 2002SILVA, R.B.L. A etnobotânica de plantas medicinais da comunidade quilombola de Curiaú, Macapá-AP, Brasil. 2002. 172p. Dissertação (Mestrado em Agronomia) - Universidade Federal Rural da Amazônia, Belém 2002.; Defilipps et al., 2004DEFILIPPS, R.A.; MAINA, S.L.; CREPI, J. Medicinal plants of the Guianas (Guyana, Surinam, French Guiana). Washington (DC): Smithsonian Institute, 2004. 490p.).

O infuso de flores de R. guianensis (SILVA, 2002SILVA, R.B.L. A etnobotânica de plantas medicinais da comunidade quilombola de Curiaú, Macapá-AP, Brasil. 2002. 172p. Dissertação (Mestrado em Agronomia) - Universidade Federal Rural da Amazônia, Belém 2002.) assim como o decocto, xarope e suco do rizoma de R. alpinia (Defilipps et al., 2004DEFILIPPS, R.A.; MAINA, S.L.; CREPI, J. Medicinal plants of the Guianas (Guyana, Surinam, French Guiana). Washington (DC): Smithsonian Institute, 2004. 490p.) são tidos como cardiotônico.

A ingestão do infuso de folhas, sementes, flores e/ou rizomas de R. alpinia, R. asplundii, R. brasiliensis, R. cincinnata, R. exaltata, R. guianensis, R. orinocensis e R. petasites é apontada como de efeito carminativo (Milliken & Albert, 1996MILLIKEN, W.; ALBERT, B. The use of medicinal plants by the Yanomami Indians of Brazil. Economic Botany, v. 50, n.1, p.10-25, 1996.; Silva, 2002SILVA, R.B.L. A etnobotânica de plantas medicinais da comunidade quilombola de Curiaú, Macapá-AP, Brasil. 2002. 172p. Dissertação (Mestrado em Agronomia) - Universidade Federal Rural da Amazônia, Belém 2002.; Vila Verde et al., 2003VILA VERDE, G.M.; PAULA, J.R; CANEIRO, D.M. Levantamento etnobotânico das plantas medicinais do cerrado utilizadas pela população de Mossâmedes (GO). Revista Brasileira de Farmacognosia, v. 13, supl., p. 64-66, 2003.; Defilipps et al., 2004DEFILIPPS, R.A.; MAINA, S.L.; CREPI, J. Medicinal plants of the Guianas (Guyana, Surinam, French Guiana). Washington (DC): Smithsonian Institute, 2004. 490p.; Lopes, 2010LOPES, C.V.G. O conhecimento etnobotânico da comunidade quilombola do Varzeão, Dr. Ulysses (PR): no contexto do desenvolvimento rural sustentável. 2010. 162 p. Dissertação (Mestrado - Agronomia). Universidade Federal do Paraná, Curitiba.; Cesarino & Negrelle, 2012CESARINO, D.D.; NEGRELLE, R.R.B. Produção de sementes e aspectos da germinação de Renealmia petasites GAGNEP. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE ETNOBIOLOGIA E ETNOECOLOGIA, 9, 2012, Florianópolis. Resumos... Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2012. p.228.).

As sementes de R.exaltata são referidas como de ação cicatrizante (Plantamed, 2013PLANTAMED. Índice de Plantas e Ervas Medicinais por Nomes Científicos. Disponível em < http://www.plantmed.com.br/>. Acesso em 21/3/2013.
http://www.plantmed.com.br/...
).

O banho com o decocto de rizoma e folhas de R. guianensis ou de R. monosperma são considerados como de ação desinfetante de feridas associadas à Leishmaniose (Defilipps et al., 2004DEFILIPPS, R.A.; MAINA, S.L.; CREPI, J. Medicinal plants of the Guianas (Guyana, Surinam, French Guiana). Washington (DC): Smithsonian Institute, 2004. 490p.).

A polpa dos frutos de R. orinocensis é utilizada como inseticida para exterminar formigas cortadeiras (Atta sp.) (Van Andel, 2000VAN ANDEL, T. The diverse uses of fish-poison plants in Northwest Guyana. Economic Botany, v.54, n.4, p.500-512, 2000.)

O infuso da flor de R. guianensis é considerado como de efeito laxante (Silva, 2002SILVA, R.B.L. A etnobotânica de plantas medicinais da comunidade quilombola de Curiaú, Macapá-AP, Brasil. 2002. 172p. Dissertação (Mestrado em Agronomia) - Universidade Federal Rural da Amazônia, Belém 2002.).

O suco dos frutos de R. exaltata (Tropilab, 2013TROPILAB INC. Renealmia exaltata - masusa. Disponível em: http://www.tropilab.com/masusa.html. Acesso em 22/03/2013.
http://www.tropilab.com/masusa.html...
) assim como o decocto dos rizomas de R. alpinia (Defilipps et al., 2004DEFILIPPS, R.A.; MAINA, S.L.; CREPI, J. Medicinal plants of the Guianas (Guyana, Surinam, French Guiana). Washington (DC): Smithsonian Institute, 2004. 490p.) são citados como medicamentos oftálmicos.

O infuso de sementes de R. petasites é tido como vermígugo (Lopes, 2010LOPES, C.V.G. O conhecimento etnobotânico da comunidade quilombola do Varzeão, Dr. Ulysses (PR): no contexto do desenvolvimento rural sustentável. 2010. 162 p. Dissertação (Mestrado - Agronomia). Universidade Federal do Paraná, Curitiba.).

Enquanto a uso místico, cita-se os banhos com decocto das folhas de R. alpinia como complemento do ritual Ayahuasca (Sachavacay, 2013SACHAVACAY. Plantas maestras. Disponível em http:<www.sachavacay.org/plantas-maestras.html>. Acesso em 18/03/2013.
www.sachavacay.org/plantas-maestras.html...
) assim como o banho com decocto das folhas de R. guianensis para tirar feitiçaria, mau-olhado e trazer sorte no amor e na profissão (Silva, 2002SILVA, R.B.L. A etnobotânica de plantas medicinais da comunidade quilombola de Curiaú, Macapá-AP, Brasil. 2002. 172p. Dissertação (Mestrado em Agronomia) - Universidade Federal Rural da Amazônia, Belém 2002.).

Uma porção do talo herbáceo foliar de R. alpinia é colocada na cova de semeadura de milho, como controle biológico associado a este cultivo, visando afugentar roedores e aves frugívoras (Macía, 2003MACÍA, M. J. Renealmia alpinia (Rottb.) Maas (Zingiberaceae): planta comestible de la sierra norte de Puebla (México). Anales del Jardín Botánico de Madrid, v. 60, n.1, p.183-187, 2003.).

A partir da maceração dos frutos maduros roxos e das raízes amarelas das espécies de Renealmia obtêm-se corantes naturais (Rainforest, 2013RAINFOREST Conservation Fund. Renealmia spp. (Mishqui panga). Disponível em <http://www.rainforestconservation.org/AGROFORESTRY-ETHNOBOTANY/AGROFORESTRY-ETHNOBOTANY/RENEALMIA-SPP-MISHQUI-PANGA> Acesso em 20/03/2013.
http://www.rainforestconservation.org/AG...
). Especificamente, cita-se esta possibilidade a partir do exocarpo carnoso do fruto de R. alpinia (Maas, 1977MAAS, P.J.M. Renealmia (Zingiberaceae- Zingiberoideae). Costoideae (Additions) (Zingiberaceae). Flora Neotropica Monograph, v.18, p.1-218, 1977.; Acero, 1979ACERO, L.E. Principales plantas útiles de la Amazonia Colombiana. Bogotá: Guadalupe; 1979, 263p.; Villalobos Contreras, 1994VILLALOBOS CONTRERAS, G. Plantas comestibles en dos comunidades de la Sierra Norte de Puebla: Xochitlán de Vicente Suárez y Zapotitlán de Méndez. 1994. 315p. Monografia (Graduação em Biologia) - Universidad Nacional Autónoma de México, México, D.F.; Martínez Alfaro et al., 1995MARTÍNEZ ALFARO M.A. et al. Catálogo de plantas útiles de la Sierra Norte de Puebla, México. México D.F: Instituto de Biología, Universidad Nacional Autónoma de México. Cuadernos del Instituto de Biología, v. 27, p.1-303, 1995.; Macía, 2003MACÍA, M. J. Renealmia alpinia (Rottb.) Maas (Zingiberaceae): planta comestible de la sierra norte de Puebla (México). Anales del Jardín Botánico de Madrid, v. 60, n.1, p.183-187, 2003.).

R. battenbergiana é reportada como flavorizante industrial, especialmente na indústria farmacêutica, cosmética e de perfumaria (Ofosu et al., 2012OFOSU, I.W.; OPPONG, S.Y.; ODURO, I. Optimization of incorporation conditions of Renealmia battenbergiana extract in refined bleached deodorized (RBD) palm olein. Food and Nutrition Sciences, v.3, p.1976-1983, 2012.).

COMPOSIÇÃO QUÍMICA

Poucas espécies inseridas no gênero Renealmia tem sido objeto de estudo quanto à sua composição química. O conhecimento disponível sobre a composição química destas espécies é apresentado a seguir:

R. alpinia

O óleo das sementes de R. alpinia foi analisado quanto a presença de glicerídeos e esteróis, evidenciando-se triacilglicerol como o principal constituinte glicerídico. A análise dos ácidos graxos (GLC) revelou a presença de 14 compostos. O fracionamento da porção não saponificável apontou a presença de esteróis, metilesterois e álcool triterpênico. As análises GCMS e GLC evidenciaram colesterol, campesterol, estigmasterol, β-sitosterol, como principais moléculas esterólicas (Lognay et al., 1989LOGNAY, G.; MARLIER, M.; HAUBRUGE, E.; TREVEJO, E. Study of the lipids from Renealmia alpinia (Rott) Maas. Grasas y Aceites, v.40, n.6, p. 351-355, 1989.).

Outro estudo da composição química das sementes de R. alpiniarevelou a presença de 14% de óleo-resina marrom-escura. Na análise desta, combinando-se técnicas de cromatografia e espectrometria, evidenciou-se entre os compostos voláteis (4.4% da oleoresina), a predominância de monoterpenos (β-pineno 22.3%, limoneno 18.4% e β-felandreno 38.0%). O fracionamento da óleo-resina revelou a presença de β-caroteno, nerolidol e manol. O principal constituinte (45%) foi identificado como 8(17),12(E)-labdadieno-15,16-dial (Lognay et al., 1991LOGNAY, G.; MARLIER, M.; HAUBRUGE, E.; TREVEJO, E. Study of the lipids from Renealmia alpinia (Rott) Maas. Grasas y Aceites, v.40, n.6, p. 351-355, 1989.).

A pesquisa de Lognay et al.(1991)LOGNAY, G, MARLIER M, SEVERIN M, HAUGRUGE E, GIBON V, TREVEJO E. On the characterization of some terpenes from Renealmia alpiniaRottb. (Maas) Oleoresin. Flavour and Fragance Journal, v.6, p.87-91, 1991. também reporta a presença de β -caroteno em R. alpinia.

Na sequência, Zhou et al. (1997)ZHOU, B. et al. Bioactive labdane diterpenoids from R. alpinia collected in the Suriname Rainforest. Journal of Natural Products, v.60, n.12, p.1287-1293, 1997. Disponível em:<http://dx.doi.org/10.1021/np970233c>. Acesso em: 15 mar. 2013. isolaram, a partir do extrato foliar de R. alpinia, dois novos diterpenos labdanos (11-hydroxy-8(17),12(E)-labdadieno-15,- 16-dial 11,15-hemiacetal e 16-oxo-8(17), ácido 12(E)-labdadieno-15-oico) assim como o diterpeno 8(17),12(E)-labdadieno-15,16-dial, já conhecido.

Yang et al. (1999)YANG, S.W. et al. A new labdane diterpene from Renealmia alpinia collected in the Suriname Rainforest. Journal of Natural Products, v.62, n.8, p.1173-1174, 1999., a partir do extrato foliar de R. alpinia, isolaram dois diterpenoides já conhecidos assim como um novo labdano diterpenoide (C20H30O4).

De acordo a Defilipps et al. (2004)DEFILIPPS, R.A.; MAINA, S.L.; CREPI, J. Medicinal plants of the Guianas (Guyana, Surinam, French Guiana). Washington (DC): Smithsonian Institute, 2004. 490p., R. alpinia contém protocianina.

Boukouvalas et al. (2006)BOUKOUVALAS, J.; WANG, J.X.; MARION, O.; NDZI, B. synthesis and stereochemistry of the antitumor diterpenoid (+)-Zerumin b. Journal of Organic Chemistry, v.71, n.18, p. 6670-6673, 2006. reportam que o labdano diterpenoide, previamente isolado por Yang et al. (1999)YANG, S.W. et al. A new labdane diterpene from Renealmia alpinia collected in the Suriname Rainforest. Journal of Natural Products, v.62, n.8, p.1173-1174, 1999. para R. alpinia, possui estrutura idêntica ao diterpenoide (+)-zerumin B, isolado por Xu et al. (1996)XU, H.X.; DONG, H.; SIM, K.Y. Labdane diterpenes from Alpinia zerumbet. Phytochemistry v.42, n.1, p. 149-151, 1996. para a planta chinesa Alpinia zerumbet (Figura 3).

FIGURE 3
Estruturas químicas originalmente assignadas para (+)-zerumin B (1) e para o diterpenoide isolado de R. alpinia (2) (Fonte: Boukouvalas et al.,2006BOUKOUVALAS, J.; WANG, J.X.; MARION, O.; NDZI, B. synthesis and stereochemistry of the antitumor diterpenoid (+)-Zerumin b. Journal of Organic Chemistry, v.71, n.18, p. 6670-6673, 2006.).

O óleo essencial das folhas de R. alpinia foi analisado por GC e GC-MS, evidenciando-se 35 constituintes com predominância de β-cariofileno (22.9%), β-pineno (12.0%), espatulenol (10.0%), alloaromadendreno (8.3%), ç-cadineno (5.3%) e germacreno D (5.1%). Trinta e dois componentes foram identificados no óleo de ramos, com predominância de alloaromadendreno (15.7%), espatulenol (12.1%), germacreno D (9.9%), β-pineno (9.5%), g-cadineno (9.1%), epi-cubebol (5.3%) and β-cariofileno (5.1%). Dentre os trinta e oito constituintes identificados no óleo do fruto, β-felandreno (60.4%) e β-pineno (19.8%) resultaram como os principais compostos (Maia et al., 2007MAIA, J. G. S. et al. Essential oil composition of Renealmia alpinia (Rottb.) Maas. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE ÓLEOS ESSENCIAIS, 4, 2007, Fortaleza. Disponível em:< http://www.ivsboe.padetec.ufc.br/CDSimposio/quimicaeatividadesbiologicasdosoleosessenciais/Resumo_MaiaJGS1.pdf>. Acesso em: 21 mar. 2013.
http://www.ivsboe.padetec.ufc.br/CDSimpo...
) (Tabela 3)

TABELA 3
Constituintes voláteis identificados no óleo de distintas partes de R. alpinia

Silva (2008)SILVA, F.M. Potencial antifúngico de extratos de plantas medicinais do cerrado brasileiro. 2008. 222p.. Dissertação (Mestrado em Ciências Médicas) - Universidade de Brasília, Brasília, 2008. isolou 2,4-di-hidroxi-6-(fenileteno)-benzoato de metila e 2,4-di-hidroxi-6-(feniletano)-benzoato de metila, a partir do extrato hexânico da folha de R. alpinia.

Alarcón et al. (2008)ALARCÓN, J.C. In vitro propagation of Renealmia alpinia (Rottb), plant against snakebite. Vitae, v.15, n.1, p. 61-69, 2008. Disponível em:< http://www.scielo.org.co/pdf/vitae/v15n1/v15n1a08.pdf>. Acesso em 12 mar. 2013.
http://www.scielo.org.co/pdf/vitae/v15n1...
evidenciaram a presença de cumarinas no tecido foliar de plântulas de R. alpinia obtidas a partir de propagação in vitro.

Marchese (2009)MARCHESE, R. M. Atividade de constituintes micromoleculares de R. alpinia (Rottb.) Maas (Zingiberaceae) sobre Leishmania (Leishmania) chagasi. 167p. 2009. Dissertação. (Mestrado Ciências da Saúde) - Universidade de Brasília, Brasília., a partir do fracionamento químico do extrato hexânico de folhas de R. alpinia, isolou dois compostos inéditos para a espécie: 2,4-di-hidroxi-6-(fenileteno)-benzoato de metila e do 2,4-di-hidroxi-6-(feniletano)-benzoato de metila, elucidados por meio de técnicas espectrométricas de ressonância magnética nuclear de uma dimensão (1D) (1H e 13C) e bidimensional (2D) (COSY, HSQC e HMBC) e de infra-vermelho (IV).

R. chrysotrycha

A partir da análise das folhas de R. chrysotrycha, Kaplan et al. (2000)KAPLAN M.A.C. et al. The stereochemistry of ledol from Renealmia chrysotrycha: an NMR study. Phytochemistry, v. 55, n.7, p.749-753, 2000. reportam o isolamento do álcool sesquiterpênico identificado como ledol conjuntamente com três outros compostos (aromadendreno, cis-calameneno e palustrol).

R. exaltata

A partir de sementes de R. exaltata, Sekiguchi et al. (2001)SEKIGUCHI M. et al. Pacovatinins A-C, new labdane diterpenoids from the seeds of Renealmia exaltata. Journal of Natural Products, v.64, n.8, p.1102-6, 2001. isolaram três novos labdanos diterpenoides, as pacovatinas A (C20H30O3), B (C20H30O4) e C (C20H28O4) (Figura 4).

FIGURE 4
Labdanos diterpenoides identificados em R. exaltata(Fonte: Sekiguchi et al., 2001SEKIGUCHI M. et al. Pacovatinins A-C, new labdane diterpenoids from the seeds of Renealmia exaltata. Journal of Natural Products, v.64, n.8, p.1102-6, 2001.)

Sekiguchi et al. (2002)SEKIGUCHI M. et al. Renealtins A and B, New diarylheptanoids with a tetrahydrofuran ring from the seeds of Renealmia exaltata. Journal of Natural Products, v.65, n.3, p.375-376, 2002. reportam o isolamento, a partir também de sementes de R. exaltata, de dois novos diarilheptanoides, as renealtinas A (C21H24O7) e B (C21H24O) (Figura 5).

FIGURA 5
Renealtinas A (1) e B (2) identificados em R. exaltata (Fonte: Sekiguchi et al., 2002SEKIGUCHI M. et al. Pacovatinins A-C, new labdane diterpenoids from the seeds of Renealmia exaltata. Journal of Natural Products, v.64, n.8, p.1102-6, 2001.)

Gowravaram et al. (2007)GOWRAVARAM, S.; YADAGIRI, K.; YADAV, J. S. A short and efficient synthesis of renealtins A and B. Tetrahedron Letters, v.48, n.45, p.8065-8068, 2007. Disponível em:<DOI: 10.1016/j.tetlet.2007.09.025>. Acesso em: 20 mar. 2013.
https://doi.org/10.1016/j.tetlet.2007.09...
reportam o isolamento de dois diarilheptanoides, as renealtinas A e B (Figura 6), a partir de sementes de R. exaltata.

FIGURE 6
Diarilheptanoides identificados em R. exaltata (Fonte: GOWRAVARAM et al., 2007GOWRAVARAM, S.; YADAGIRI, K.; YADAV, J. S. A short and efficient synthesis of renealtins A and B. Tetrahedron Letters, v.48, n.45, p.8065-8068, 2007. Disponível em:<DOI: 10.1016/j.tetlet.2007.09.025>. Acesso em: 20 mar. 2013.
https://doi.org/10.1016/j.tetlet.2007.09...
)

R. floribunda

Um dos trabalhos pioneiros da caracterização da composição química de representantes de Renealmia foi relativo ao óleo essencial obtido a partir de folhas de R. floribunda, apresentada em Luz et al. (1984)LUZ A. I. R. et al. Essential Oils of Some Amazonian Zingiberaceae, 3. Genera Alpinia and Renealmia. Journal of Natural Products, v.47, n.5, p.907-908, 1984. Disponível em:<DOI: 10.1021/np50035a037> Acesso em: 22 mar. 2013.
https://doi.org/10.1021/np50035a037>...
. Neste, evidenciou-se a predominância do monoterpeno β-pineno, entre outros compostos (Tabela 4).

TABELA 4
Constituintes do óleo essencial das folhas de Renealmia floribunda

Defilipps et al. (2004)DEFILIPPS, R.A.; MAINA, S.L.; CREPI, J. Medicinal plants of the Guianas (Guyana, Surinam, French Guiana). Washington (DC): Smithsonian Institute, 2004. 490p. reiteram que o principal constituinte do óleo essencial de R. floribunda é o β-pineno.

Renealmia guianensis

Ramiandrasoa et al. (1986)RAMIANDRASOA F. et al. Labda-8(17),12-diene-15,16-dial, a constituent of Renealmia guianensis (Zingiberaceae). Plantes Medicinales et Phytotherapie v.20, n.3, p.227-230, 1986 isolaram o terpeno labda-8(17),12-diene-15,16-dial de folhas de R. guianensis.

R. mexicana

Segundo Miceli et al. (2008)MICELI, F.A.G. et al. Optimization of R. mexicana(Klotzsch ex. Petersen) cultivation in vitro. In Vitro Cellular & Developmental Biology - Plant , v.44, n. 1, p. 33-39, 2008., R. mexicana é fonte de curcuminoides.

R. nicolaioides

A partir do extrato metanólico do rizoma de R. nicolaioides, foram isoladas três novas dihidrochalconas preniladas, as nicolaioidesinas A, B, e C (1-3). Também foi identificado o produto natural 5- estirilfuraona-2- ácido metil éster carboxílico (4), juntamente com os compostos, 2'-hidroxi-4',6'-dimetoxichalcona (5), (+/-) -5-hidroxi-7-metoxiflavanona (6), (+/-) -5-hidroxi-7,4'-dimetoxiflavanona e panduratin A (Gu et al., 2002GU, J.Q. et al. Activity-guided isolation of constituents of Renealmia nicolaioides with the potential to induce the phase II enzyme quinone reductase. Journal of Natural Products, v.65, n.11, p:1616-1620, 2002.).

De acordo a Jung & Lee (2008)JUNG, E.M.; LEE, Y.R. First concise total syntheses of biologically interesting nicolaiodesin C, Crinatusin C1, and Crinatusin C2. Korean Chemical Society, v.29, n.6, p.1199-1204, 2008., as nicolaioidesinas A, B e C reportadas em Gu et al. (2002)GU, J.Q. et al. Activity-guided isolation of constituents of Renealmia nicolaioides with the potential to induce the phase II enzyme quinone reductase. Journal of Natural Products, v.65, n.11, p:1616-1620, 2002. são isômeros de panduratin A (Figura 7).

FIGURE 7
Dihidrochalconas naturais, conforme Jung & Lee (2008)JUNG, E.M.; LEE, Y.R. First concise total syntheses of biologically interesting nicolaiodesin C, Crinatusin C1, and Crinatusin C2. Korean Chemical Society, v.29, n.6, p.1199-1204, 2008.

Renealmia sp.

Leclercq et al. (2000)LECLERCQ, P. A. et al. Aromatic Plant Oils of the Peruvian Amazon. Part 2. Cymbopogon citratus (DC) Stapf., Renealmia sp., Hyptis recurvata Poit. and Tynanthus panurensis (Bur.) Sandw. Journal of Essential Oil Research, v.12, n.1, p.14-18, 2000. Disponível em:<DOI: 10.1080/10412905.2000.9712030>. Acesso em 22 mar. 2013.
https://doi.org/10.1080/10412905.2000.97...
reportam a análise do óleo essencial das folhas de espécie não identificada de Renealmia encontrada no Peru, citando β-pineno, 1,8-cineol e cânfora como constituintes mais expressivos (Tabela 5)

TABELA 5
Constituintes do óleo essencial de folhas de Renealmia sp.

ASPECTOS FARMACOLÓGICOS

De um universo de 87 espécies formalmente reconhecidas, incluindo pelo menos 14 com indicação de uso popular medicinal, registram-se pesquisas farmacológicos para apenas quatro destas espécies: R. alpinia, R. exaltata, R. nicolaioides e R. thyrsoidea.. Entretanto, estas pesquisas evidenciam um amplo espectro de bioatividade, com ênfase na ação anticancerígena e antiofídica, especialmente de R. alpinia, conforme detalhado a seguir.

Analgésico

Patiño et al. (2012)PATIÑO, A. C. et al. Efecto inhibitorio de extractos de Renealmia alpinia Rottb. Maas (Zingiberaceae) sobre el veneno de Bothrops asper (mapaná). Biomédica: Revista del Instituto Nacional de Salud, v. 32, n. 3, p 365-374, 2012., registraram efeito analgésico da fração de metanol obtida das folhas de R. alpiniaem ratos submetidos a injeção intraperitoneal de agente causador de dor (2-fenil-1,4-benzoquinona ou fenilquinona). A dose de 100 mg/kg determinou até 98% de proteção contra o estímulo doloroso, efeito comparável a dose de 75 mg/kg de ibuprofeno.

Anticancerígeno

Zhou et al. (1997)ZHOU, B. et al. Bioactive labdane diterpenoids from R. alpinia collected in the Suriname Rainforest. Journal of Natural Products, v.60, n.12, p.1287-1293, 1997. Disponível em:<http://dx.doi.org/10.1021/np970233c>. Acesso em: 15 mar. 2013., utilizando labdanos diterpenoides isolados do extrato das folhas de R. alpinia,identificaram atividade antitumoral in vitro, em ensaio com células de carcinoma pulmonar.

Gu et al. (2002)GU, J.Q. et al. Activity-guided isolation of constituents of Renealmia nicolaioides with the potential to induce the phase II enzyme quinone reductase. Journal of Natural Products, v.65, n.11, p:1616-1620, 2002. identificaram os compostos 2´-hidroxi-4´,6´-dimetoxichalcona e (+/-)-5-hidroxi-7-metoxiflavanona, isolados de R. nicolaioides, como indutores de quinona redutase, uma enzima anticarcinogênica, em teste com células de hepatoma de ratos.

Kang & Pezzuto (2004)KANG, Y.; PEZZUTO, J.M. Induction of quinone reductase as a primary screen for natural product anticarcinogens. Methods in Enzymology, v.382, p.380-414, 2004. reiteram a capacidade de R. nicolaioides de induzir a quinona redutase, dada a presença de chalconas em sua composição química.

Cuendet et al (2006)CUENDET, M. et al. Quinone reductase induction as a biomarker for cancer chemoprevention. Journal of Natural Products, v.69, n.3, p.460-463, 2006., avaliando mais de 2600 extratos de plantas, reforçam a capacidade de representantes de Renealmia induzir a quinona redutase, sendo ativos na prevenção anticâncer.

Segundo Cragg et al. (2006)CRAGG, G. M.; NEWMAN, D. J.; YANG, S. S. Natural product extracts of plant and marine origin having antileukemia potential. Journal of Natural Products, v.69, n.3, p.488-498, 2006., devido aos seus constituintes químicos lábdano diterpênicos, R. alpinia é considerada como planta anticancerígena, com potencial para tratamento de leucemia.

De acordo a Gowravaram et al (2007)GOWRAVARAM, S.; YADAGIRI, K.; YADAV, J. S. A short and efficient synthesis of renealtins A and B. Tetrahedron Letters, v.48, n.45, p.8065-8068, 2007. Disponível em:<DOI: 10.1016/j.tetlet.2007.09.025>. Acesso em: 20 mar. 2013.
https://doi.org/10.1016/j.tetlet.2007.09...
, as renealtinas A e B evidenciadas em R. exaltata são diarelheptanoides caracterizados por um anel tetrahidrofurano. A presença destes compostos químicos confere à esta espécie uma alta potencialidade de ação antitumoral.

Conforme Majumdar et al. (2011)MAJUMDAR, I.D. et al. Synthetic cyclohexenyl chalcone natural products possess cytotoxic activities against prostate cancer cells and inhibit cysteine cathepsins in vitro. Biochemical and Biophysical Research Communications, v.416, n.3-4, p.397-40216, 2011., os compostos naturais panduratin A e nicolaiodesin C identificados como ciclohexenil chalconas, encontrados nos rizomas de R. nicolaioides, inibem a catepsina, uma protease da cisteína que possui relação fundamental com o desenvolvimento, invasão e metastase de tumores humanos.

Antichagásico

Rangel (2010)RANGEL, E.T. Atividade antiprotozoária, antifúngica e citotóxica de extratos de plantas do bioma Cerrado, com ênfase em Leishmania (Leishmania) chagasi. 131p. 2010. Tese (Doutorado em Ciências da Saúde) - Universidade de Brasília, Brasília. identificou atividade do extrato diclorometânico do rizoma de R. alpinia sobre formas epimastigotas de Trypanosoma cruzi (IC50= 50 μg/mL). Esta atividade foi próxima ao benznidazol ou benzonidazol (Rochagan®, Rodanil®) (IC= 46 μg/mL), medicamento referência do teste e usado para a quimioterapia específica da doença de Chagas.

Antifúngico

Segundo Rangel (2010)RANGEL, E.T. Atividade antiprotozoária, antifúngica e citotóxica de extratos de plantas do bioma Cerrado, com ênfase em Leishmania (Leishmania) chagasi. 131p. 2010. Tese (Doutorado em Ciências da Saúde) - Universidade de Brasília, Brasília., o extrato diclorometânico do rizoma de R. alpinia foi ativo sobre Candida krusei LMGO 174 (CIM de 31,5 μg/mL), C. parapsilosis ATCC 22019 e C. glabrata LMGO 44 (ambos com CIM de 125 μg/mL). Igualmente registrou-se atividade deste extrato sobre Cryptococcus neoformans var. gattii (CIM de 32,5 μg/mL) e C. neoformans var. neoformans (CIM de 7,81 μg/mL).

Silva (2008)SILVA, F.M. Potencial antifúngico de extratos de plantas medicinais do cerrado brasileiro. 2008. 222p.. Dissertação (Mestrado em Ciências Médicas) - Universidade de Brasília, Brasília, 2008. evidenciou 100% de inibição do desenvolvimento de Trichophytum rubrum com a utilização do extrato hexânico de folhas de R.alpinia (10 e 20mg/mL).

Anti-inflamatório

Segundo Wohlmuth et al. (2010)WOHLMUTH, H. et al. Diarylheptanoid from Pleuranthodium racemigerum with in vitro prostaglandin e inhibitory and cytotoxic activity. Journal of Natural Products, v.73, n.7 p.43-746, 2010., a presença dos compostos diarilheptanoides nos representantes de Renealmialhes confere potente propriedade anti-inflamatoria.

Antileishmaniose

Marchese (2009)MARCHESE, R. M. Atividade de constituintes micromoleculares de R. alpinia (Rottb.) Maas (Zingiberaceae) sobre Leishmania (Leishmania) chagasi. 167p. 2009. Dissertação. (Mestrado Ciências da Saúde) - Universidade de Brasília, Brasília. identificou a atividade do extrato hexânico das folhas de R.alpinia sobre formas promastigotas de Leishmania (Leishmania) amazonenses(IC50 = 40,58 μg/mL). O extrato hexânico de folhas juntamente com rizomas desta mesma espécie apresentou atividade sobre formas promastigotas de Leishmania (Leishmania) chagasi (IC50= 22,81 μg/mL).

Valadeau et al. (2009)VALADEAU, C. et al. Medicinal plants from the Yanesha (Peru): Evaluation of the leishmanicidal and antimalarial activity of selected extracts. Journal of Ethnopharmacology, v. 123, n. 3, p. 413-422, 2009. evidenciaram interessante atividade leishmanicida sobre Leishmania (Leishmania) amazonenses testando o extrato etanólico do rizoma de R. alpinia (IC50 < 10 μg/mL).

Rangel (2010)RANGEL, E.T. Atividade antiprotozoária, antifúngica e citotóxica de extratos de plantas do bioma Cerrado, com ênfase em Leishmania (Leishmania) chagasi. 131p. 2010. Tese (Doutorado em Ciências da Saúde) - Universidade de Brasília, Brasília. registrou a atividade do extrato diclorometânico do rizoma de R. alpinia sobre as formas amastigotas de L. (L.) chagasi e L. (L.) amazonensis, com IC50 de 6,03 e 11,58 μg/mL, respectivamente. Para as células de mamíferos, esse extrato apresentou IC50 de 235,38 μg/mL, com índice de seletividade de 39 para L. (L.) chagasi.

Antimalárico

De acordo a Gowravaram et al (2007)GOWRAVARAM, S.; YADAGIRI, K.; YADAV, J. S. A short and efficient synthesis of renealtins A and B. Tetrahedron Letters, v.48, n.45, p.8065-8068, 2007. Disponível em:<DOI: 10.1016/j.tetlet.2007.09.025>. Acesso em: 20 mar. 2013.
https://doi.org/10.1016/j.tetlet.2007.09...
, a presença de renealtinas A e B evidenciadas em R. exaltataconfere à esta espécie uma alta potencialidade de ação antimalárica.

Valadeau et al. (2009)VALADEAU, C. et al. Medicinal plants from the Yanesha (Peru): Evaluation of the leishmanicidal and antimalarial activity of selected extracts. Journal of Ethnopharmacology, v. 123, n. 3, p. 413-422, 2009. evidenciaram que o extrato etanólico do rizoma de R. thyrsoidea apresentou boa atividade contra Plasmodium falciparum resistente a cloroquina (IC50 < 10 μg/ mL).

Antiofídico

OOtero et al. (2000b)OTERO R. et al. Snakebites and ethnobotany in the northwest region of Colombia, Part II: Neutralization of letal and enzymatic effects of Bothrops atrox venom. Journal of Ethnopharmacology, v.71, n.3, p.505-511, 2000b. Disponível em:< http://www.sciencedirect.com/science>. Acesso em 03 abr. 2013.
http://www.sciencedirect.com/science...
evidenciaram que o extrato etanólico de rizomas de R. alpinia apresentou 100% de capacidade neutralizadora, dentro de 48 h, do efeito letal do veneno de Bothrops atrox quando injetado em cobaias (0.5-4.0 mg/rato; LD50=99.3 mg).

OOtero et al. (2000c)OTERO, R. et al. Snakebites and ethnobotany in the northwest region of Colombia, Part III: Neutralization of the haemorrhagic effect of Bothrops atrox venom. Journal of Ethnopharmacology, v.73, n.1-2, p.233-241, 2000c. Disponível em:< http://www.sciencedirect.com/science>. Acesso em 03 abr. 2013.
http://www.sciencedirect.com/science...
reportam que o extrato etanólico de rizoma de R. alpinia apresentou moderada capacidade de neutralização (37±8%; 4 mg/rato) do efeito hemorrágico gerado pelo veneno de B. atrox.

Núñez et al. (2004a)NÚÑEZ, V. et al. Neutralization of the edema-forming, defibrinating and coagulant effects of Bothrops asper venon by extracts of plants used by healers in Colombia. Brazilian Journal of Medical and Biological Research, v.37, p.969-977, 2004a., utilizando extrato etanólico de folhas de R. alpinia, evidenciaram neutralização parcial do edema (66±3%; 100 μg/cobaia) e 100% redução dos efeitos defibrinante e coagulante causados pelo veneno de B. asper.

Núñez et al. (2004b)NÚÑEZ, V. et al. Inhibition of the toxic effects of Lachesis muta, Crotalus durissus cumanensis and Micrurus mipartitus snake venoms by plant extracts. Pharmaceutical Biology , v. 42, n.1, p.49-54, 2004b. registraram total neutralização dos venenos dos ofídios Lachesis muta, Crotalus durissus cumanensis e Micrurus mipartitus com injeção intrapeitoral de extrato etanólico de R. alpinia em cobaias pré-incubadas (1,5 LD 50 )

Fernández et al. (2010)FERNÁNDEZ, M. et al. Evaluación de las propriedades antiofídicas del extrato etanólico y fracciones obtenidas de Renealmia alpinia(Rottb.) Mass (Zingiberaceae) cultivada in vitro. Vitae, Revista de la Faculdade de Química Farmacêutica, v.17, n.1, p. 75-82, 2010. avaliaram a capacidade inibidora dos extratos etanólicos de folhas e rizomas e frações obtidas por cromatografia em coluna de R. alpinia, cultivada in vitro, sobre os efeitos hemolítico indireto, proteolítico e coagulante induzidos pelo veneno de Bothrops asper. A atividade hemolítica indireta foi maiormente inibida pela fração 7-8 (47,3 ± 2,20%), seguida pelos extratos do rizoma (32,6 ± 6,90%) e folhas (24,2 ± 4,43%) de origem in vitro e folhas ex vitro (16,2 ± 3,88%). A atividade proteolítica foi fortemente inibida pelos extratos foliares tanto produzidos in vitro como ex vitro, sem diferenças significativas. Contra a atividade coagulante, foi registrada uma maior neutralização com o extrato de rizomas produzidos in vitro (81,73 ± 9,94s). Foi descartado um potencial mecanismo de ação proteolítico sobre o veneno de B. asper dado que não se produziram variações nos padrões eletroforéticos do veneno. Segundo os autores, estes resultados viabilizam a aplicação de R.alpinia como coadjuvante no tratamento de acidente ofídico e sustentam a utilidade da micro propagação para a produção massiva de componentes ativos.

Patiño et al. (2012)PATIÑO, A. C. et al. Efecto inhibitorio de extractos de Renealmia alpinia Rottb. Maas (Zingiberaceae) sobre el veneno de Bothrops asper (mapaná). Biomédica: Revista del Instituto Nacional de Salud, v. 32, n. 3, p 365-374, 2012. evidenciaram que o extrato etanólico das folhas de R. alpinia apresentou efeito inibitório total (100%) do efeito letal do veneno de B. asper, em experimento in vivo com ratos tratados previamente com 225 mg/kg deste extrato. Registraram também efeito inibitório deste extrato sobre a atividade hemolítica indireta assim como sobre a atividade coagulante e atividade proteolítica sobre azocaseína, associadas ao acidente ofídico.

Antioxidante

De acordo a Defilipps et al. (2004)DEFILIPPS, R.A.; MAINA, S.L.; CREPI, J. Medicinal plants of the Guianas (Guyana, Surinam, French Guiana). Washington (DC): Smithsonian Institute, 2004. 490p., R. alpinia é fonte de protocianina, antioxidante natural que previne a peroxidação lipídica e homeostase.

Antiparasitário

Conforme Gowravaram et al (GOWRAVARAM, S.; YADAGIRI, K.; YADAV, J. S. A short and efficient synthesis of renealtins A and B. Tetrahedron Letters, v.48, n.45, p.8065-8068, 2007. Disponível em:<DOI: 10.1016/j.tetlet.2007.09.025>. Acesso em: 20 mar. 2013.
https://doi.org/10.1016/j.tetlet.2007.09...
), as renealtinas A e B evidenciadas em R. exaltata confere à esta espécie uma alta potencialidade de ação anti-helmíntica.

Xavier et al. (2008)XAVIER, T. B. et al. Avaliação da atividade antiparasitária de Renealmia exaltata frente a Haemonchus contortus em ovinos. In: Congresso da Sociedade Paulista de Parasitologia, 4., 2008, Campinas. Resumos... Disponível em:< http://www2.ib.unicamp.br/branco/parasit/spp/VI%20congresso/fscommand/resumos/tratamento/TRAT11_Thalyta_Baldim_Xavier2.pdf>. Acesso em: 21 mar. 2013.
http://www2.ib.unicamp.br/branco/parasit...
não evidenciaram atividade antiparasitária de R. exaltata frente a Haemonchus contortus em ovinos. Para este teste, foram utilizadas sementes R. exaltata secas, pulverizadas e veiculadas em gel de hidroxietil celulose (HEC), nas concentrações de 50 mg/Kg e 100 mg/Kg de peso corpóreo, administradas via oral a ovinos.

Moluscicida

Santos & Sant´Ana (2000)SANTOS, A.F.; SANT'ANA; A.E.G. The molluscicidal activity of plants used in Brazilian folk medicine. Phytomedicine, v. 6, n. 6, p.431-438, 2000. registraram que o extrato crú de folhas de R. exaltata apresentou significante atividade moluscicida contra Biomphalaria glabrata(adulto DL50= 28,03 ppm; ovo DL50= 21,67 ppm)

Toxicidade

Patiño et al. (2012)PATIÑO, A. C. et al. Efecto inhibitorio de extractos de Renealmia alpinia Rottb. Maas (Zingiberaceae) sobre el veneno de Bothrops asper (mapaná). Biomédica: Revista del Instituto Nacional de Salud, v. 32, n. 3, p 365-374, 2012. não evidenciaram qualquer tipo evidência de toxicidade ou morte de ratos cobaias, durante 14 dias de tratamento com extrato etanólico de folhas de R. alpinia, com dose de 2000 mg/kg.

ASPECTOS AGRONÔMICOS

Há uma grande lacuna no que se refere a conhecimento científico ou técnico sobre o cultivo de espécies de Renealmia. Em sites comerciais de venda de plantas envasadas, sementes ou rizomas de Renealmia spp., registram-se orientações simples de cultivo. Dentre estes, Rainforest (2013)RAINFOREST Conservation Fund. Renealmia spp. (Mishqui panga). Disponível em <http://www.rainforestconservation.org/AGROFORESTRY-ETHNOBOTANY/AGROFORESTRY-ETHNOBOTANY/RENEALMIA-SPP-MISHQUI-PANGA> Acesso em 20/03/2013.
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indica que as espécies de Renealmia são de fácil cultivo mas requerem condições úmidas e solos férteis. De acordo a Hawaiian Tropical Plants (2013)HAWAIIAN TROPICAL PLANT NURSERY. Renealmia sp. Disponível em:< http://www.store.hawaiiantropicalplants.com/Renealmia-sp-55-inch-square-pot-1490.htm>. Acesso em 12 mar. 2013.
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, estas plantas crescem bem mesmo quando envasadas e preferem solos levemente ácidos e com alto teor de matéria orgânica. Podem ser cultivadas a pleno sol ou meia sombra, devendo ser mantido solo úmido.

R. petasites tem sido regularmente cultivada por pequenos agricultores na região litorânea do Paraná (Mun. Guaratuba), a partir de formação de mudas por propagação vegetativa (rizomas). Este cultivo é em associação com outros cultivos locais, especialmente nos entremeios de plantios de banana. Não há registro de requerimentos especiais para o cultivo desta espécie (Cesarino, 2013CESARINO, D.D. Extrativismo, cultivo e comercialização de Renealmia petasites Ganep. Na APA de Guaratuba (PR). 2013. 50p. Monografia (Graduação em Ciências Biológicas). Universidade Federal do Paraná, Curitiba.).

No entanto, segundo Macía (2003)MACÍA, M. J. Renealmia alpinia (Rottb.) Maas (Zingiberaceae): planta comestible de la sierra norte de Puebla (México). Anales del Jardín Botánico de Madrid, v. 60, n.1, p.183-187, 2003., especialmente R. alpinia apresenta germinação seminal pouco exitosa e propagação dependente da continua geração de brotos a partir do rizoma. Frente a esta dificuldade de produção de mudas via germinação ou propagação vegetativa, Alarcón et al. (2008)ALARCÓN, J.C. In vitro propagation of Renealmia alpinia (Rottb), plant against snakebite. Vitae, v.15, n.1, p. 61-69, 2008. Disponível em:< http://www.scielo.org.co/pdf/vitae/v15n1/v15n1a08.pdf>. Acesso em 12 mar. 2013.
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propõem o cultivo in vitro como alternativa para a produção da espécie. Segundo estes autores, a adição de 6- Bencilaminopurina (3 mg/L) promove a propagação desta espécie vegetal, com taxa de velocidade de multiplicação (TVM) de 1.39 brotos/semana, enquanto que a indução de tecido indiferenciado é favorecida pela exposição dos explantes foliares a combinação de 2,4-D (2 mg/L) y BA (1mg/L).

COMÉRCIO

Os principais segmentos de comercialização de espécies de Renealmiasão o de plantas ornamentais e de plantas medicinais e menos expressivamente, o alimentício. Vários sites de venda de plantas ornamentais oferecem espécies de Renealmia, num contexto de mercado internacional. Dentre estes, o Hawaiian Tropical Plant (2013)HAWAIIAN TROPICAL PLANT NURSERY. Renealmia sp. Disponível em:< http://www.store.hawaiiantropicalplants.com/Renealmia-sp-55-inch-square-pot-1490.htm>. Acesso em 12 mar. 2013.
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oferece representantes deste gênero por US$17,00 a unidade. As variedades "freed red" e "yellow spike" de R. cernua são também comercializadas como plantas ornamentais, tanto envasadas como na forma de unidade reprodutiva (rizomas), com preços entre US$ 12,00 a 25,00 (Aloha Tropicals, 2013ALOHA TROPICALS. Renealmia. Disponível em < http://www.alohatropicals.com/renealmi.html>. Acesso em: 20 mar.2013.
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). O site E*Species Tropical Seeds oferece o cento de sementes de R. aromática a US$7,95. Os rizomas de R. exaltata são oferecidos pelo Tropilab (2013)TROPILAB INC. Renealmia exaltata - masusa. Disponível em: http://www.tropilab.com/masusa.html. Acesso em 22/03/2013.
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a US$ 9,75 cada.

De acordo com Miceli et al. (2008)MICELI, F.A.G. et al. Optimization of R. mexicana(Klotzsch ex. Petersen) cultivation in vitro. In Vitro Cellular & Developmental Biology - Plant , v.44, n. 1, p. 33-39, 2008., R. mexicana é comercializada como planta ornamental no sul do México. Entretanto, o mercado desta planta é problemático dada a sua baixa capacidade de propagação e germinação em condições naturais.

O comércio representante de Renealmia no segmento de plantas medicinais parece ser mais regionalizado ou em nível local. Segundo Zaroni et al. (2004)ZARONI, M. et al. Qualidade microbiológica das plantas medicinais produzidas no Estado do Paraná. Revista Brasileira de Farmacognosia, v.14, n.1, p.29-29, 2004., R. exaltata - A identificação desta espécie deve ser confirmada, dado que a mesma não é nativa no Brasil (ver Maas & Maas, 2012) - tem sido produzida no Mun. Pinhais (PR) e comercializada como planta medicinal. Entretanto, através de análise de amostras deste cultivo evidenciou-se baixa qualidade microbiológica deste produto especialmente devido a presença de enterobactérias e outras bactérias Gram negativas assim como contagens elevadas de aeróbios, bolores e leveduras. Os frutos de R. petasites cultivada por agricultores da Colônia Castelhanos (mun. Guaratuba, PR), são comercializados como recurso medicinal (Cesarino, 2013CESARINO, D.D. Extrativismo, cultivo e comercialização de Renealmia petasites Ganep. Na APA de Guaratuba (PR). 2013. 50p. Monografia (Graduação em Ciências Biológicas). Universidade Federal do Paraná, Curitiba.). R. floribunda, apesar de ser considerada planta rara, é comercializada como planta medicinal no Suriname, a partir de coleta extrativista (Van Andel & Havinga, 2008VAN ANDEL, T.; HAVINGA, R. Sustainability aspects of comercial medicinal plant harvesting in Suriname. Forest Ecology and Management, v.256, p. 1540-1545, 2008.). Alguns sites de venda de produtos naturais e plantas medicinais também oferecem espécies de Renealmia. Na Milenar Terapias (2013)MILENAR TERAPIAS. Pacová - Renealmia brasiliensis . Disponível em: < http://www.lojamais.com.br/Loja/Emp_MostraProd.aspx?codProduto=376805&codemp=5120>. Acesso em: 21/03/2013.
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, anuncia-se pacote de 80g de folhas e rizomas desidratados de R. brasiliensis, marca comercial Flor do Campo, por R$ 6,20.

As folhas aromáticas de R. battenbergiana têm sido, há várias décadas, o principal recurso econômico de algumas comunidades rurais de Gana envolvidas com seu extrativismo. Estas folhas são usadas tanto como condimento como para aromatizar óleos vegetais (Ofosu et al., 2012OFOSU, I.W.; OPPONG, S.Y.; ODURO, I. Optimization of incorporation conditions of Renealmia battenbergiana extract in refined bleached deodorized (RBD) palm olein. Food and Nutrition Sciences, v.3, p.1976-1983, 2012.). Os frutos frescos de R. petasites e R. alpinia, considerados comestíveis, são comercializados com tal finalidade (Otero et al. 2000aOTERO, R. et al. Snakebites and ethnobotany in the northwest region of Colombia. Part I: Traditional use of plants. Journal of Ethnopharmacology, v.71, n.3, p.493-504, 2000a. Disponível em:< http://www.sciencedirect.com/science>. Acesso em 03 abr. 2013.
http://www.sciencedirect.com/science...
; Macía, 2003MACÍA, M. J. Renealmia alpinia (Rottb.) Maas (Zingiberaceae): planta comestible de la sierra norte de Puebla (México). Anales del Jardín Botánico de Madrid, v. 60, n.1, p.183-187, 2003.; Frutas Raras, 2013FRUTAS RARAS. Conheça as frutiferas nativas do Brasil e dos respectivos ecossistemas. Disponível em:<http://www.colecionandofrutas.org/nativas.htm>. Acesso em: 21 mar.2013.
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). Conforme Macía (2003)MACÍA, M. J. Renealmia alpinia (Rottb.) Maas (Zingiberaceae): planta comestible de la sierra norte de Puebla (México). Anales del Jardín Botánico de Madrid, v. 60, n.1, p.183-187, 2003., na região de Puebla (México), a venda dos frutos de R. alpinia representa um ingresso econômico complementar para as famílias. No auge da colheita registrou-se o valor de US$ 1,1 / Kg para este produto.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Renealmia é um gênero que engloba 87 espécies amplamente distribuídas na região neotropical e algumas com ocorrência também na áfrica. No Brasil, está representado por 21 espécies, sendo registrado em todas as regiões do País.

Vários usos populares são atrelados a estas espécies, ressaltando-se os usos alimentício (4 espécies), ornamental (5 espécies) e medicinal (14 espécies). Em sua maior parte, estas indicações de uso estão associadas a R. alpinia (18 indicações), R. guianensis (11) e R. exaltata (8). As indicações de uso abrangem todas as partes do organismo vegetal, com ênfase na planta toda, rizoma e sementes. No que se refere ao uso medicinal, a maior diversidade de usos é registrada para R. alpinia (17), R. guianensis(11) e R. monospema (7).

Entretanto, poucas espécies inseridas no gênero Renealmia tem sido objeto de estudo quanto à sua composição química. De um total de 17 pesquisas identificadas sobre esta temática, 47% enfocavam R.alpinia, 18% eram sobre R. exaltata e 35% referiam-se a seis outras distintas espécies. Nestas pesquisas, registrou-se relativa similaridade na composição química das espécies estudadas. Dentre os compostos comumente encontrados nestas espécies, citam-se o β-pireno e os lábdanos diterpenoides.

Igualmente escassa é a pesquisa sobre aspectos farmacológicos das espécies de Renealmia. Das 14 espécies reportadas como de uso etnobotânico, apenas quatro foram analisadas quanto as suas propriedades farmacológicas: R. alpinia, R. exaltata, R. nicolaoides e R. thyrsoidea. Interessante notar, entretanto, que há pouca coincidência entre o reportado como uso etnobotânico e os enfoques de pesquisa farmacológica sobre estas espécies. No geral, a grande maioria das indicações de etnobotânicos carecem de pesquisas que as respaldem.

A maior parte das pesquisas farmacológicas enfoca R. alpinia,especialmente no que se refere a confirmação das propriedades anticancerígena, antichagásica, antileishmaniose e antimalária. Estas propriedades, no entanto, não são referenciadas nas indicações de uso etnobotânico.

Em linhas gerais, há um vasto universo de conhecimento químico e farmacológico a ser desvendado no que se refere a Renealmia, mas com interessante perspectiva de aplicação no tratamento de importantes enfermidades humanas.

Outra importante lacuna de conhecimento merece atenção no sentido de otimizar o uso e aplicação das espécies de Renealmia. Apesar de haver referência de comercialização de representantes de Renealmia, tanto para fins alimentícios e ornamentais assim como medicinal, o conhecimento sobre o cultivo destas espécies é ainda escasso. A sustentabilidade do uso e conservação das espécies de interesse comercial são diretamente afetadas pela disponibilidade deste recursos em sistemas produtivos adequados e eficientes. A ampliação da base de conhecimento agronômico é, portanto, imprescindível nesta perspectiva.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    Apr-Jun 2015

Histórico

  • Recebido
    25 Abr 2013
  • Aceito
    14 Jul 2014
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