Resumo
Objetivo Analisar a associação entre estressores ocupacionais e transtornos mentais comuns, segundo sexo e geração de nascimento.
Métodos Estudo transversal com trabalhadores ativos participantes da linha de base do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil). Transtorno mental comum (TMC) foi mensurado com o Clinical Interview Schedule – Revised (CIS-R) e estressores ocupacionais com o Questionário Sueco de Demanda-Controle-Apoio Social (DCSQ). Empregou-se regressão logística binária, com estratificação por sexo e geração de nascimento.
Resultados Participaram 11.601 trabalhadores, 52,1% do sexo feminino. A prevalência global de TMC foi 26,8%, 35,9% entre as mulheres e 19,3% entre os homens. Houve associação entre estressores ocupacionais e TMC após ajuste apenas entre mulheres da Geração Baby Boomer com trabalho ativo (OR = 1,32; IC95% = 1,13; 1,54) e de alta exigência (OR = 1,41; IC95% = 1,14; 1,73) e entre mulheres da Geração X com trabalho ativo (OR = 1,39; IC95% = 1,09; 1,78).
Conclusão Evidenciou-se a necessidade de se investigar efeitos de longo prazo associados à ocorrência de eventos de vida produtores de estressores e fatores que potencialmente modifiquem seu impacto. Ações voltadas a grupos mais afetados, no ambiente de trabalho e/ou nos serviços de saúde, são recomendadas para a promoção e proteção da saúde.
Palavras-chave:
Transtornos Mentais Comuns; Gênero e Saúde; Diferenças Geracionais; Estresse Ocupacional; Saúde Mental; Saúde do Trabalhador
Abstract
Objective To analyze the association between occupational stressors and common mental disorders, by sex and birth cohort.
Methods A cross-sectional study of currently employed workers participating in the baseline of the Brazilian Longitudinal Study of Adult Health (ELSA-Brasil). Common mental disorders (CMD) were assessed using the Clinical Interview Schedule – Revised (CIS-R), and occupational stressors using the Swedish Demand-Control-Support Questionnaire (DCSQ). Binary logistic regression was employed, stratified by sex and birth cohort.
Results A total of 11,601 workers participated, 52.1% of whom were female. The overall prevalence of CMD was 26.8%, 35.9% among women, and 19.3% among men. Occupational stressors and CMD were associated after adjustment only among working women of the Baby Boomer generation (OR = 1.32; 95% CI = 1.13, 1.54) and those in high-demand jobs (OR = 1.41; 95% CI = 1.14, 1.73), and among Generation X women who were currently employed (OR = 1.39; 95% CI = 1.09, 1.78).
Conclusion It is necessary to investigate long-term effects associated with the occurrence of life events that generate stressors and factors that may potentially modify their impact. Interventions targeting the most affected groups, in the workplace and/or health care settings, are recommended for the promotion and protection of health.
Keywords:
Common Mental Disorders; Gender and Health; Generational Differences; Occupational Stress; Mental Health; Occupational Health
Introdução
Os transtornos mentais têm se constituído em um dos maiores fenômenos psicossociais da atualidade, com elevada prevalência em países de baixa, média e alta renda em todo o mundo e respondendo globalmente por cerca de um terço das doenças mentais1,2. Os transtornos mentais comuns (TMC) designam sintomas como insônia, ansiedade, depressão, irritabilidade, dificuldade de concentração, esquecimento, fadiga e queixas somáticas, acometendo mais mulheres que homens2. Dentre estes, a depressão e a ansiedade representam os principais causadores de incapacidade no mundo, sendo responsáveis por, aproximadamente, 40 milhões de anos de invalidez na faixa etária de 20 a 29 anos3. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde, na América Latina, o Brasil é o país com maior prevalência de depressão, sendo que 5,8% da população tem depressão e 9,3% tem sintomas relacionados à ansiedade1-3.
No contexto do trabalho, os TMC têm ocasionado encargos econômicos e sociais sobre toda a sociedade como principais fatores de aumento do custo da carga da doença nos países ocidentais industrializados por absenteísmo e incapacidade3. Na associação dos TMC com o estresse ocupacional em trabalhadores do serviço público francês, a prevalência do problema entre mulheres foi quase duas vezes maior em relação aos homens4. Ainda no contexto francês, a Pesquisa Nacional SUMER 2010, realizada pelo Ministério do Trabalho da França a cada sete anos com cerca de 50.000 trabalhadores, para verificar associações entre fatores psicossociais do trabalho e afastamentos por doença, mostrou que períodos de ausência e depressão relacionados ao estresse no trabalho foram significativamente maiores entre pessoas do sexo feminino5,6.
O estresse vivenciado em muitas situações no trabalho soma-se ao processo de precarização no mundo do trabalho, e são associados à intensificação dos ritmos de produção, a jornadas de trabalho prolongadas e à demanda por trabalhadores polivalentes e multifacetados. Nesse contexto, os processos de trabalho nas universidades também sofreram uma série de modificações e incertezas cujas exigências podem representar condições estressoras para sua força de trabalho7. Características como baixo controle, altas demandas e baixo apoio social no ambiente de trabalho têm sido relatadas como fatores de risco para problemas de saúde mental em estudos epidemiológicos1,5.
Em decorrência da etiologia múltipla do estresse e do tempo gasto na vida adulta com a atividade laboral, é importante identificar possíveis mecanismos pelos quais o ambiente de trabalho afeta a saúde de trabalhadores. Os aspectos psicossociais do trabalho são fontes de estresse ocupacional, com impactos à saúde mental8-10. Dentre estes possíveis mecanismos, o gênero e a geração de nascimento são considerados construções sociais altamente influentes no processo de saúde-adoecimento11.
O gênero é um fator reconhecido como marcador social. Analisar o papel dessas diferenças é imprescindível para compreender melhor as desigualdades e o adoecimento que ocorrem nos contextos laborais12-14. Estudos utilizando a categoria gênero associada à saúde mental dos trabalhadores têm sido realizados em diversos países9,10,15 e indicam que mulheres e homens de diversas populações apresentam diferentes chances de adoecimento relacionado ao estresse no trabalho.
Assim como o gênero decorre da construção social, as gerações de nascimento também são influenciadas socialmente. O contexto histórico de nascimento e de cada etapa da vida determina comportamentos e reflete diferentes chances de adoecimento dos grupos geracionais16. As discussões sobre gerações têm ganhado relevância, especialmente pela necessidade de compreender como indivíduos de diferentes grupos geracionais respondem às situações vivenciadas no trabalho, considerando seus contextos culturais, suas relações nos ambientes laborais e as estratégias desenvolvidas para lidar com as pressões e demandas do trabalho.
O estresse ocupacional abrange dimensões da demanda psicológica envolvida no trabalho e no grau de controle do trabalhador sobre o próprio trabalho. Sugere-se que a maioria das reações adversas às exigências psicológicas se relaciona centralmente a essas dimensões do trabalho, uma vez que, quando combinadas, geram diferentes situações laborais com impactos variados na saúde mental dos trabalhadores17.
É notório que os indivíduos se comportam de maneira peculiar a depender do contexto em que vivem e das influências que receberam e/ou recebem ao longo de suas vidas. Podem ter diferentes atitudes face às pressões geradas nestes locais, haja vista a forma como lidam com a organização e o processo de trabalho, essas categorias de análise influenciam na autonomia e competitividade dos trabalhadores, os quais compõem elementos determinantes para o surgimento dos TMC, o que, por sua vez, pode tornar determinada geração mais suscetível a apresentar doenças relacionadas ao trabalho. Assim, este estudo tem como objetivo analisar a associação entre o estresse ocupacional e os TMC, segundo o sexo e a geração de nascimento.
Métodos
Desenho do estudo e contexto
O presente estudo transversal utilizou dados da linha de base do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil). Trata-se de uma coorte brasileira, multicêntrica envolvendo 15.105 participantes de seis instituições de ensino e pesquisa das Regiões Nordeste, Sudeste e Sul do país (Universidade Federal da Bahia – UFBA, Universidade de São Paulo – USP, Universidade Federal do Espírito Santo – UFES, Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS e Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz)18 tendo como objetivos principais investigar a incidência e progressão de diabetes e doenças cardiovasculares e seus determinantes biológicos, comportamentais, ambientais, ocupacionais, psicológicos e sociais18. Os dados foram coletados mediante aplicação de questionário por entrevistadores treinados e supervisionados, em todas as etapas, pela equipe de coordenação18. Os procedimentos metodológicos da coorte estão detalhados em outras publicações18,19.
Participantes
Foram elegíveis para o estudo todos aqueles que participaram do ELSA-Brasil na linha de base, das seis instituições supracitadas (2008–2010), exceto os aposentados (n = 3.009). Foram excluídos da análise de modelagem estatística os participantes de raça/cor indígena e amarela, por corresponderem a 3,47% do total, e os participantes que não responderam a todas as questões relativas ao estresse ocupacional ou à avaliação dos TMC, totalizando 11.601 trabalhadores, 6.046 do sexo feminino e 5.555 do masculino.
Variáveis
Desfecho: Transtornos Mentais Comuns (TMC)
Para a avaliação dos TMC, foi utilizado o questionário Clinical Interview Schedule – Revised (CIS-R)20, um instrumento traduzido para o português do Brasil e adaptado à realidade cultural, por meio dos processos de tradução e adaptação transcultural, a fim de permitir sua utilização com maior confiabilidade nesta coorte de trabalhadores20. O CIS-R é uma entrevista estruturada para mensurar sintomas neuróticos nos últimos 30 dias e sete dias anteriores à entrevista, por meio de 14 seções: sintomas somáticos, fadiga, concentração e esquecimento, problemas do sono, irritabilidade, preocupação com a saúde física, depressão, ideias depressivas, preocupações, ansiedade, fobias, pânico, compulsões e obsessões20. O escore do CIS-R para presença de TMC é igual ou maior que 12 pontos (a pontuação do instrumento varia entre 0 e 57 pontos)20,21.
Exposição principal: Estressores Ocupacionais
A avaliação dos estressores ocupacionais foi restrita aos participantes que exerciam atividade laboral no momento da entrevista, uma vez que os instrumentos utilizados mensuram características do trabalho atual, como demandas psicológicas, controle sobre o trabalho e apoio social. Esses modelos foram desenvolvidos para avaliar exposições psicossociais durante o exercício da atividade laboral, não sendo recomendada sua aplicação em indivíduos aposentados, desempregados ou afastados do trabalho, o que poderia comprometer a validade da medida e introduzir erro de classificação da exposição21-23.
Para avaliar os estressores ocupacionais neste estudo, concomitantemente à aplicação do CIS-R, foi utilizada a versão brasileira do Questionário Sueco de Demanda-Controle-Apoio Social (DCSQ), o Job Stress Scale, elaborado por Theorell em 1988 e adaptado para o português por Alves et al.22. O DCSQ abrange três dimensões: demanda psicológica (cinco questões); controle do trabalho (seis questões) e apoio social no trabalho (seis questões), com respostas do tipo Likert. Cada dimensão foi pontuada como a soma de todas as questões correspondentes e depois categorizada como alta ou baixa usando a mediana da população do estudo como ponto de corte (14 pontos para demandas psicológicas do trabalho e 18 pontos para controle do trabalho)23.
A partir da combinação entre níveis de demanda e controle, estabeleceram-se os quatro quadrantes previstos no modelo de Karasek, caracterizando-se a situação de trabalho em baixa exigência (alto controle e baixa demanda), que representa o grupo de referência classificado como não exposto; trabalho passivo (baixa demanda e baixo controle) e trabalho ativo (alta demanda e alto controle) foram considerados como grupos de exposição intermediários; trabalho de alta exigência (alta demanda e baixo controle) foi considerado como grupo de maior exposição. O apoio social no trabalho foi dicotomizado em alto ou baixo usando o valor da mediana na amostra do estudo como ponto de corte (18 pontos)21,24.
A versão brasileira do DCSQ demonstrou consistência interna com coeficientes de correlação intraclasse de 0,88, 0,87 e 0,86 e alfa de Cronbach de 0,72, 0,63 e 0,86 para as dimensões demandas psicológicas do trabalho, controle do trabalho e apoio social no trabalho, respectivamente22. A estrutura dimensional deste instrumento foi avaliada por estudos realizados com diferentes grupos ocupacionais23.
Covariáveis
Para a construção da variável “geração de nascimento”, utilizou-se a variável “ano de nascimento”, categorizando-se três coortes geracionais: i -Tradicionalistas ou Era Vargas (geração nascida entre 1934–1945, com 63 a 74 anos no início do estudo); ii – Baby Boomers ou Geração de pré-ditadura (geração nascida entre 1946–1964, com 44 a 62 anos no início do estudo) e iii – Geração X ou Geração de Ditadura (geração nascida entre 1965–1975, com 35 a 43 anos no início do estudo). Neste estudo, as gerações foram denominadas Tradicionalistas, Baby Boomers e Geração X, para corroborar a nomenclatura utilizada em outros estudos.
A variável sexo foi utilizada neste estudo como proxy de gênero, uma vez que há acúmulo de evidências na literatura25, ao sinalizar diferenças entre mulheres e homens com relação aos papéis sociais. A geração e o sexo dos participantes foram tratados como variáveis modificadoras de efeito neste estudo.
As covariáveis confundidoras analisadas foram selecionadas de acordo com a literatura e oriundas dos questionários que incluíram questões sobre aspectos sociodemográficos (raça/cor da pele autodeclarada, escolaridade e situação conjugal); comportamentos de saúde (atividade física no lazer, ao considerar a prática semanal em minutos de atividade leve (caminhada) e atividade moderada e forte realizadas; consumo de álcool, tabagismo e uso de medicamentos); e variáveis dos domínios do trabalho (jornada de trabalho semanal, tempo na atividade atual (anos), demanda psicológica, controle sobre o trabalho, apoio social).
A jornada semanal de trabalho foi categorizada em menos de 40 horas/semana, igual a 40 horas/semana e mais de 40 horas/semana, devido ao regime de 40 horas semanais ser comum no ambiente universitário.
Análise estatística
Aplicou-se estatística descritiva para obter as distribuições das frequências das variáveis de interesse e a exposição principal. A prevalência da variável desfecho (TMC) foi analisada de acordo com as características da população segundo sexo e entre os grupos de exposição, com diferenças analisadas por testes baseados na distribuição do qui-quadrado de Pearson. A exposição, estresse ocupacional, foi analisada por quadrantes (trabalho de baixa exigência, trabalho passivo, trabalho ativo e trabalho de alta exigência) e por dimensões individuais (demanda psicológica do trabalho, grau de controle do trabalho e apoio social no trabalho). Para os modelos com quadrantes, o quadrante “trabalho de baixa exigência” foi utilizado como categoria de referência.
Verificou-se a existência de potenciais confundidores e de modificadores de efeito na associação entre estresse ocupacional e TMC para as seguintes covariáveis, selecionadas de acordo com a literatura: raça/cor da pele autodeclarada, situação conjugal, escolaridade, atividade física no tempo livre, uso de antidepressivos e uso de benzodiazepínicos, consumo de álcool, hábito de fumar, tempo na atividade profissional e jornada de trabalho semanal.
A identificação de interação foi realizada mediante Teste de Razão de Máxima Verossimilhança (Likelihood Ratio Test) após a definição dos modelos de regressão logística saturados e reduzidos para cada uma das possíveis variáveis modificadoras de efeito e seus termos produtos correspondentes. Não foram identificadas variáveis modificadoras de efeito para as associações estudadas, segundo o referido teste ao nível de 5%26. Para a entrada das variáveis no modelo de regressão logística e verificação dos potenciais confundidores, utilizou-se o método backward. Partiu-se de uma equação completa com potenciais confundidores. Foram consideradas como possíveis confundidoras aquelas variáveis cuja alteração percentual fosse de 10 ou mais ao comparar a associação bruta com a ajustada. Todas as análises para avaliar potenciais confundidores e modificadores de efeito foram realizadas separadamente por gênero e geração de nascimento. Trataram-se geração e sexo como modificadores de efeito a priori.
Para examinar a associação estudada, foi calculada a odds ratio (OR) com intervalo de confiança (IC) de 95% para a associação bruta e ajustada. As análises de regressão logística envolveram apenas os participantes sem dados faltantes para as variáveis incluídas nos modelos.
As análises entre estresse ocupacional e TMC, segundo geração e sexo, foram ajustadas de acordo com as variáveis confundidoras: escolaridade, jornada de trabalho semanal, tempo de atividade no trabalho atual e apoio social. O modelo final da regressão logística binária, conduzido para ambos os sexos, manteve somente as gerações Baby Boomer e X, visto que não houve associação positiva e estatisticamente significante em nenhuma variável na Geração Tradicionalista. Não foi encontrada presença de interação. Todas as análises foram realizadas usando Statistics Data Analysis (Stata), versão 14.
Considerações éticas
O ELSA-Brasil foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto de Saúde Coletiva (CEP/ISC nº 027-06), em 26 de maio de 2006, e pelos Comitês de Ética em Pesquisa dos seis Centros de Investigação. Todos os participantes assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido.
Resultados
Dos 11.601 participantes ativos, 52,1% eram do sexo feminino. Dentre as mulheres, 70,31% pertenciam à geração Baby Boomers, a maioria com nível de escolaridade superior completo (55,35%), raça/cor da pele autodeclarada branca (52,36%) e com união estável (55,04%). A maioria das características sociodemográficas masculinas mostrou-se semelhante às femininas, exceto pela situação conjugal (casados). Nessa categoria, 81,09% dos homens eram casados, o que representa uma proporção 47% superior (diferença relativa) em comparação com as mulheres (Tabela 1)
No que tange ao comportamento de saúde, a maioria das mulheres ativas declarou que pratica atividade física de lazer leve (82,12%), nunca haver fumado (63,08%) e consumir bebidas alcoólicas atualmente (65,53%). Quanto à utilização de medicamentos, 91,88% das mulheres não faziam uso de antidepressivos e 95,98% não usavam benzodiazepínicos, verificando-se para estas características selecionadas, diferenças estatisticamente significantes entre os sexos (p < 0,05) (Tabela 1).
Nos aspectos referentes aos domínios do trabalho, observou-se que a maioria dos participantes relatou jornadas de trabalho menores ou iguais a 40 horas. O tempo na atividade atual foi diferente entre os períodos para ambos os gêneros, maior entre os homens. Quanto à demanda psicológica, ou seja, o tempo gasto com o trabalho, nível de exigência e velocidade na execução das tarefas e ao conflito entre diferentes demandas, houve pequenas diferenças na baixa demanda entre os homens (54,69%) e mulheres (52,43%). O alto controle sobre o trabalho foi semelhante entre as mulheres (71,10%) e homens (72,21%) (Tabela 1).
A dimensão do apoio social, que reflete os aspectos relacionados às relações existentes com colegas e chefes, tanto os homens (93,34%) quanto as mulheres (92,44%) relataram conviver em um ambiente mais agradável e possuir relações interpessoais menos conflituosas. O estresse ocupacional, medido pelo modelo demanda-controle, demonstrou que 37,45% das mulheres e 38,79% dos homens estavam inseridos em um trabalho de baixa exigência e 33,66% das mulheres e 33,41% dos homens referiram desenvolver um trabalho ativo. Importante destacar que as variáveis “controle sobre o trabalho” e “apoio social” não apresentaram associação positiva estatisticamente significante com o gênero (Tabela 1).
Entre as/os 11.601 participantes ativos do estudo, 26,8% apresentaram presença de TMC. No entanto, observou-se uma diferença significativa por sexo: a prevalência entre pessoas do sexo feminino foi de 35,9%, e 19,3% entre pessoas do sexo masculino, com uma razão 86% maior de TMC para as mulheres em comparação aos homens (OR = 1,86; IC95% 1,75; 1,98) (Tabela 2).
Alguns resultados obtidos no grupo das mulheres indicaram associação positiva e estatisticamente significativa com a presença dos TMC, tais como: pertencer a geração de nascimento Baby Boomer e Geração X, ter raça/cor da pele autorreferida preta ou parda, realizar prática de atividade física leve, ser fumante, não consumir bebida alcoólica atualmente, utilizar antidepressivos e benzodiazepínicos, ter jornada de trabalho semanal acima de 40 horas, ter menor tempo na atividade (0 a 9 anos), apresentar alta demanda psicológica, baixo/médio controle sobre o trabalho e baixo apoio social. Ter nível de escolaridade superior completo constituiu-se um fator de proteção (OR = 0,71; IC95% 0,61; 0,84) na ocorrência dos TMC entre as mulheres (Tabela 2).
Entre os homens da Geração X, observou-se associação positiva estatisticamente significativa de TMC com raça/cor da pele autorreferida parda, realizar prática de atividade física leve, ser fumante, uso de antidepressivos e benzodiazepínicos, ter menor tempo na atividade, apresentar alta demanda psicológica, baixo controle sobre o trabalho, baixo apoio social e alta exigência no trabalho. Ter nível superior completo constituiu-se um fator de proteção na ocorrência dos TMC (OR = 0,69; IC95% 0,58; 0,82), assim como possuir situação conjugal estável (OR = 0,72; IC95% 0,63; 0,84) (Tabela 3).
No que tange a prevalência de TMC de acordo com geração e sexo, observou-se que, na Geração Tradicionalista, em ambos os sexos, não houve associação entre TMC e todas as variáveis analisadas (Tabela 3 e 4).
Foram encontradas associações positivas com os TMC com as seguintes características entre os homens da Geração Baby Boomer: ser pardo, praticar atividade física leve, ser fumante, utilizar antidepressivos e benzodiazepínicos, ter menor tempo na atividade atual, possuir baixo/médio apoio social e uma alta exigência no trabalho. Foram fatores negativamente associados aos TMC ter nível superior completo (OR = 0,64; IC95% 0,51; 0,78) e possuir situação conjugal estável (OR = 0,71; IC95% 0,60; 0,84) (Tabela 3).
Os fatores positivamente associados com os TMC entre as mulheres da Geração Baby Boomer foram: ser parda ou preta, praticar atividade física leve, ser fumante, não consumir bebida alcoólica atualmente, utilizar antidepressivos e benzodiazepínicos, apresentar alta demanda psicológica no trabalho, baixo controle sobre o trabalho, baixo apoio social, trabalho ativo, trabalho passivo ou trabalho de alta exigência (Tabela 4).
Para as mulheres da Geração X foram encontradas associações positivas nas seguintes características: ser parda ou preta, praticar atividade física leve, ser fumante, não consumir bebida alcoólica atualmente, utilizar antidepressivos e benzodiazepínicos, ter baixo apoio social e trabalho ativo, trabalho passivo ou trabalho de alta exigência (Tabela 4). Para os homens, as associações positivas ocorreram nas seguintes características: praticar atividade física leve, utilizar antidepressivos e benzodiazepínicos e possuir baixo apoio social (Tabela 3).
Analisando a associação entre o estresse ocupacional e os TMC no modelo bruto para as mulheres da Geração Baby Boomer, quando comparado ao trabalho de baixa exigência (baixa demanda psicológica e alto controle), observou-se maior razão de prevalência entre os trabalhos ativo (OR = 1,38; IC95% 1,19; 1,61); passivo (OR = 1,42; IC95% 1,17; 1,72) e de alta exigência (OR = 1,75; IC95% 1,44; 2,13). Quando analisada a exposição ao trabalho de alta exigência (baixo controle e alta demanda), as mulheres apresentaram maior probabilidade de ocorrência de TMC (OR = 1,75; IC95% 1,44; 2,13) que os homens desta geração (OR = 1,40; IC95% 1,09; 1,80) (Tabela 5).
Entre as mulheres da Geração X também foi observada associação positiva entre TMC e as categorias trabalho ativo (OR = 1,45; IC95% 1,14; 1,85), trabalho passivo (OR = 1,55; IC95% 1,14; 2,10) ou trabalho com alta exigência (OR = 1,49; IC95% 1,10; 2,03). Entre os homens da Geração X, a maior ocorrência de TMC associou-se ao trabalho de alta exigência (OR = 1,54; IC95% 1,02; 2,32) (Tabela 5).
Após ajuste do modelo em relação aos potenciais confundidores, a associação positiva e estatisticamente significativa entre os estressores ocupacionais e os TMC se manteve apenas entre mulheres da Geração Baby Boomer que possuíam trabalho ativo (OR = 1,32; IC95% 1,13; 1,54) e trabalho de alta exigência (OR = 1,41; IC95% 1,14; 1,73) e entre as mulheres da Geração X que exerciam trabalho ativo (OR = 1,39; IC95% 1,09; 1,78) (Tabela 5).
Discussão
Os resultados mostraram que a prevalência dos TMC em pessoas da Geração X, em comparação às gerações mais velhas, foi 55% maior entre os homens e 64% entre as mulheres. Revelaram ainda que os estressores ocupacionais foram associados à maior prevalência de TMC em mulheres da Geração Baby Boomer quando exerciam trabalhos de alta exigência e em mulheres da Geração X na prática do trabalho ativo, comparados ao trabalho de baixa exigência, após o ajuste.
Outros estudos no contexto de saúde do trabalhador também observaram que os trabalhadores mais jovens e mulheres apresentaram maior ocorrência de TMC27,28.
A discussão sobre o maior risco de adoecimento mental entre as mulheres tem sido evidenciada na literatura10,29. Aspectos sobre a divisão sexual do trabalho destacam não apenas as desigualdades entre as mulheres e os homens no mercado de trabalho, mas também a distribuição desigual das tarefas domésticas entre os sexos, acentuando os conflitos que podem deteriorar relacionamentos no trabalho e na família, além de contribuir para o desenvolvimento de problemas de saúde13,29.
Tanto as mulheres pardas quanto as pretas da geração Baby Boomer apresentaram maiores prevalências de TMC que as mulheres brancas. Tais achados corroboram outros estudos que encontraram tendências semelhantes na prevalência de TMC, segundo raça/cor da pele10,12,30, ainda que no campo da saúde mental o quesito raça/cor da pele seja pouco explorado como uma unidade central na análise a despeito das evidências robustas dos efeitos do racismo na saúde mental. A raça pode influenciar a exposição ao estresse, uma vez que é um determinante de posição social, assim como em virtude das experiências de discriminação e racismo30.
Os fatores socioeconômicos, individuais e hábitos de vida podem influenciar no adoecimento no ambiente de trabalho, agravando ou produzindo diversos problemas de saúde, tais como os transtornos mentais. Nesta investigação, o hábito de fumar entre os homens da Geração X e entre as mulheres da geração Baby Boomer constituiu-se um fator relacionado à prevalência dos TMC para estes participantes. Estudos apontam aumento da prevalência e gravidade dos TMC e de sintomas depressivos associados ao tabagismo31,32. No entanto, a natureza seccional das análises limita as interpretações em relação à direcionalidade das associações observadas e a causalidade reversa não pode ser descartada.
Ao contrário do esperado na maioria das pesquisas, nesse estudo, não consumir bebida alcoólica encontrou associação positiva com a presença dos TMC, para as mulheres da geração Baby Boomer e da Geração X. Os estudos, em sua maioria, apontam associação entre TMC e consumo excessivo de álcool, bem como sugerem que episódios de ansiedade e depressão estão relacionados com o consumo excessivo de álcool33. O achado de maior prevalência de TMC entre mulheres que relataram não consumir bebida alcoólica deve ser interpretado com cautela, pois estudos transversais não permitem estabelecer a temporalidade da associação. Estudos têm demonstrado que essa associação pode refletir o fenômeno conhecido como sick quitter effect34, no qual indivíduos interrompem o consumo de álcool em decorrência de problemas de saúde, produzindo uma aparente associação entre abstinência e pior saúde mental. Outra hipótese é que o não consumo represente menor participação em atividades sociais, funcionando como um marcador indireto de isolamento social.
A utilização de medicamentos antidepressivos e benzodiazepínicos mostrou associação positiva e estatisticamente significativa com a presença dos TMC, para ambos os sexos, em todas as gerações, exceto na Geração Tradicionalista. Os benzodiazepínicos e os antidepressivos estão entre os medicamentos psicotrópicos mais consumidos em diferentes países no mundo. Estudo realizado em um ambulatório de saúde mental no estado de São Paulo evidenciou o uso inadequado de benzodiazepínicos em adultos e idosos. Observou-se que somente uma reduzida proporção das prescrições foi considerada adequada, tanto em relação à indicação quanto ao tempo de tratamento recomendado35.
Estudo sobre prevalência e fatores associados ao uso de antidepressivos em adultos de área urbana de Pelotas evidenciou uma tendência de aumento no consumo de antidepressivos, servindo de alerta aos profissionais da saúde para que sejam mais criteriosos na sua indicação e evitem a prescrição indiscriminada desses fármacos35. Os estudos também apontaram que os antidepressivos foram os psicotrópicos mais comumente associados aos benzodiazepínicos35.
No que tange aos aspectos relacionados entre o estresse ocupacional e os TMC na linha de base do ELSA-Brasil, observou-se uma associação consistente nesse estudo. Diversas pesquisas corroboram nossos achados quanto à associação entre os fatores psicossociais relacionados ao trabalho e o adoecimento mental36,37, ao mesmo tempo em que traz contribuições por meio do uso da combinação da geração de nascimento e gênero dos participantes.
O estresse ocupacional foi um construto avaliado no domínio do trabalho, apresentando associações mais robustas entre as mulheres. Desenvolver trabalhos em situação de alta exigência, ou seja, com alta demanda e baixo controle, foi prejudicial para a saúde mental das trabalhadoras destas universidades. Essa associação entre gênero e estresse tem se mostrado significativa em diversos estudos10,16, demonstrando possivelmente as desigualdades e discriminações de gênero no ambiente de trabalho.
Ao analisar a associação entre o estresse ocupacional e os TMC no modelo bruto dessa pesquisa, tanto as mulheres da Geração Baby Boomer quanto as da Geração X apresentaram elevada prevalência de TMC nos trabalhos ativos, passivos e de alta exigência quando comparado ao trabalho de baixa exigência (baixa demanda psicológica e alto controle). Entre os homens, observou-se associação positiva e significativa somente com o trabalho de alta exigência. Atividades que envolvem altas demandas psicológicas e baixo controle favorecem o desgaste no trabalho e, consequentemente, o adoecimento físico e psicológico38.
Segundo Griep et al.39, a análise de fatores psicossociais no trabalho pode ser considerada uma medida relevante para avaliar as condições de saúde, podendo colaborar para a melhoria das condições de trabalho, na diminuição de faltas e licenças pelas condições do adoecimento e do estresse ocupacional, além de contribuir para a promoção da saúde dos trabalhadores bem como na prevenção dos riscos e agravos nos ambientes e processos de trabalhos.
Estudos apontam que o estresse psicossocial no trabalho está claramente associado aos TMC8,36,37. Em pesquisa que visava investigar a relação entre estresse ocupacional psicossocial e adoecimento mental, verificou-se que o risco de depressão foi aproximadamente o dobro em trabalhadores expostos à alta exigência no trabalho, que é definido como altas demandas de trabalho combinadas com baixo controle do trabalho (estimativa de efeito [EE]=1,99, IC95% 1,68; 2,35)36. Em uma revisão sistemática com meta-análise sobre as associações entre fatores psicossociais de trabalho e resultados de saúde, o estresse psicossocial se configurou uma importante exposição para desfechos como sintomas depressivos e ansiosos9.
A incorporação da escolaridade, apoio social, jornada de trabalho, tempo na atividade diminuíram a força da associação entre o desfecho analisado e o trabalho ativo para as mulheres das Gerações Baby Boomers e Geração X e entre o trabalho de alta exigência para as mulheres da Geração Baby Boomers. Entre os homens, a incorporação dessas variáveis no modelo tornou não significativa a associação entre o estresse ocupacional e os TMC. Nesse estudo, os dados apontaram que ter nível superior completo constituiu-se um fator de proteção em 31% na ocorrência dos TMC para os homens e em 29% para as mulheres.
Em estudo realizado com servidores públicos de uma universidade pública, observou-se que o maior grau de escolaridade desses trabalhadores pode estar relacionado ao fato de possuírem estabilidade no emprego e concorrerem a um percentual de vagas gratuitas em cursos nessas instituições. Tais fatores, por sua vez, estimulam a sua inserção em processos de capacitação e o desenvolvimento de habilidades adicionais, tornando-se um aspecto positivo para a qualidade de vida no trabalho40.
A associação entre apoio social e TMC foi identificada em outro estudo39. O apoio dos colegas e supervisores pode modificar o efeito do estresse do trabalho ou até mesmo atuar como protetor do desgaste no trabalho sobre a saúde39.
A principal limitação deste estudo decorre da utilização de dados transversais, que não permitem investigar a possibilidade de causalidade reversa. O fato de a amostra deste estudo ser constituída por uma população de funcionários públicos estatutários, portanto, uma população empregada e com estabilidade, diferencia-a da população geral, colocando-a em diferentes condições. Em populações submetidas à instabilidade no emprego, ou até mesmo desempregadas e, portanto, mais expostas a determinados fatores psicossociais estressantes, esses aspectos analisados poderiam impactar negativamente, aumentando a ocorrência dos TMC. Todavia, apresenta importantes aspectos que reforçam sua contribuição para a Saúde do Trabalhador, especialmente trabalhadores expostos ao trabalho de alta exigência e baixo apoio social. Destaca-se a utilização de uma ampla população de trabalhadores, conferindo elevado poder estatístico e maior precisão às estimativas de prevalência e às medidas de associação. Outro aspecto importante consiste na incorporação da perspectiva geracional ao analisar os TMC, abordagem ainda pouco explorada em estudos nacionais. A utilização do Modelo Demanda-Controle-Apoio Social, amplamente validado na literatura internacional, fortalece a consistência teórica do estudo, enquanto as análises ajustadas para potenciais fatores de confundimento conferem maior robustez aos resultados e reduzem a possibilidade de associações espúrias.
Conclusão
Este estudo evidenciou elevada prevalência de TMC entre trabalhadores ativos do ELSA-Brasil, significativamente maior entre as mulheres do que entre os homens. Em ambos os sexos, os TMC estiveram associados a fatores relacionados aos comportamentos de saúde, às características psicossociais do trabalho, especialmente, ao baixo apoio social no trabalho e ao trabalho de alta exigência, confirmando a relevância dos fatores ocupacionais para a saúde mental dos trabalhadores.
Observou-se, entretanto, que as associações diferiram segundo o sexo e a geração de nascimento. As mulheres apresentaram maior prevalência de TMC e um mais amplo número de fatores associados quando comparadas aos homens. Além disso, as análises estratificadas mostraram que as gerações Baby Boomers e X, especialmente entre as mulheres, concentraram maior vulnerabilidade aos TMC, sugerindo que experiências geracionais e desigualdades de gênero podem influenciar a forma como os fatores ocupacionais e os comportamentos de saúde repercutem na saúde mental. Entre os homens, embora algumas associações tenham sido observadas, elas mostraram-se menos consistentes após a estratificação por geração.
Os resultados encontrados neste estudo apontam para a necessidade de se investigar efeitos de longo prazo associados à ocorrência de eventos de vida produtores de estresse, assim como de fatores que potencialmente modifiquem seu impacto (por exemplo, apoio social). Pessoas pertencentes à Geração X, especialmente mulheres, e com menor escolaridade estão mais expostas aos efeitos do estresse do trabalho e à falta de apoio social. Ações voltadas à atenção a estes grupos, sejam no ambiente de trabalho e/ou nos serviços de saúde, são recomendadas para a promoção e proteção da saúde dessas pessoas.
Referências
-
1 Bezerra HS, Alves RM, Nunes ADD, Barbosa IR. Prevalence and associated factors of common mental disorders in women: a systematic review. Public Health Rev. 2021;42:1604234. https://doi.org/10.3389/phrs.2021.1604234
» https://doi.org/10.3389/phrs.2021.1604234 -
2 World Health Organization. Depression and other common mental disorders: global health estimates [Internet]. Geneva: WHO; 2017 [citado 14 jun 2023]. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/depression-global-health-estimates
» https://www.who.int/publications/i/item/depression-global-health-estimates -
3 Vos T, Flaxman AD, Naghavi M, Lozano R, Michaud C, Ezzati M et al. Years lived with disability (YLDs) for 1160 sequelae of 289 diseases and injuries 1990-2010: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2010. Lancet. 2012;380(9859):2163-96. https://doi.org/10.1016/s0140-6736 (12)61729-2
» https://doi.org/10.1016/s0140-6736 (12)61729-2 -
4 Malard L, Chastang JF, Niedhammer I. Changes in major depressive and generalized anxiety disorders in the national French working population between 2006 and 2010. J Affect Disord. 2015;178:52-9. https://doi.org/10.1016/j.jad.2015.02.027
» https://doi.org/10.1016/j.jad.2015.02.027 -
5 Niedhammer I, Coindre K, Memmi S, Bertrais S, Chastang JF. Working conditions and depression in the French national working population: results from the SUMER study. J Psychiatr Res. 2020;123:178-86. https://doi.org/10.1016/j.jpsychires.2020.01.003
» https://doi.org/10.1016/j.jpsychires.2020.01.003 -
6 Lesuffleur T, Chastang JF, Sandret N, Niedhammer I. Psychosocial factors at work and sickness absence: results from the French national SUMER survey. Am J Ind Med. 2014;57(6):695-708. https://doi.org/10.1002/ajim.22317
» https://doi.org/10.1002/ajim.22317 -
7 Dias Sobrinho J. Universidade em tempos de precarização e incertezas. Avaliação (Campinas). 2018;23(3):736-53. https://doi.org/10.1590/s1414-40772018000300010
» https://doi.org/10.1590/s1414-40772018000300010 -
8 Niedhammer I, Bertrais S, Witt K. Psychosocial work exposures and health outcomes: a meta-review of 72 literature reviews with meta-analysis. Scand J Work Environ Health. 2021;47(7):489-508. https://doi.org/10.5271/sjweh.3968
» https://doi.org/10.5271/sjweh.3968 -
9 Nybergh L, Bergström G, Hellman T. Do work- and home-related demands and resources differ between women and men during return-to-work? A focus group study among employees with common mental disorders. BMC Public Health. 2020;20(1):1914. https://doi.org/10.1186/s12889-020-10045-4
» https://doi.org/10.1186/s12889-020-10045-4 -
10 Campos FM, Araújo TM, Viola DN, Oliveira PCS, Sousa CC. Estresse ocupacional e saúde mental no trabalho em saúde: desigualdades de gênero e raça. Cad Saúde Colet. 2020;28(4):579-89. https://doi.org/10.1590/1414-462x202028040559
» https://doi.org/10.1590/1414-462x202028040559 -
11 Costa Júnior FM, Couto MT. Geração e categorias geracionais nas pesquisas sobre saúde e gênero no Brasil. Saúde Soc. 2015;24(4):1299-315. https://doi.org/10.1590/s0104-12902015140408
» https://doi.org/10.1590/s0104-12902015140408 -
12 Smolen JR, De Araújo EM, De Oliveira NF, De Araújo TM. Intersectionality of race, gender, and common mental disorders in northeastern Brazil. Ethn Dis. 2018;28(3):207-14. https://doi.org/10.18865/ed.28.3.207
» https://doi.org/10.18865/ed.28.3.207 -
13 Hirata H, Kergoat D. Novas configurações da divisão sexual do trabalho. Cad Pesq. 2007;37(132):595-609. https://doi.org/10.1590/s0100-15742007000300005
» https://doi.org/10.1590/s0100-15742007000300005 -
14 Wang YP, Gorenstein C. Gender differences and disabilities of perceived depression in the workplace. J Affect Disord. 2015;176:48-55. https://doi.org/10.1016/j.jad.2015.01.058
» https://doi.org/10.1016/j.jad.2015.01.058 -
15 Milner A, King T, LaMontagne AD, Bentley R, Kavanagh A. Men's work, women's work, and mental health: a longitudinal investigation of the relationship between the gender composition of occupations and mental health. Soc Sci Med. 2018;204:16-22. https://doi.org/10.1016/j.socscimed.2018.03.020
» https://doi.org/10.1016/j.socscimed.2018.03.020 -
16 Smola KW, Sutton CD. Generational differences: revisiting generational work values for the new millennium. J Organ Behav. 2002;23(4):363-82. https://doi.org/10.1002/job.147
» https://doi.org/10.1002/job.147 -
17 Araújo TM, Graça CC, Araújo E. Estresse ocupacional e saúde: contribuições do Modelo Demanda-Controle. Cien Saúde Colet. 2003;8(4):991-1003. https://doi.org/10.1590/S1413-81232003000400021
» https://doi.org/10.1590/S1413-81232003000400021 -
18 Aquino EM, Barreto SM, Bensenor IM, Carvalho MS, Chor D, Duncan BB et al. Brazilian Longitudinal Study of Adult Health (ELSA-Brasil): objectives and design. Am J Epidemiol. 2012;175(4):315-24. https://doi.org/10.1093/aje/kwr294
» https://doi.org/10.1093/aje/kwr294 -
19 Aquino EM, Araujo MJ, Almeida MC, Conceição P, Andrade CR, Cade NV et al. Recrutamento de participantes no Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil). Rev Saúde Pública. 2013;47(Suppl 2):10-8. https://doi.org/10.1590/s0034-8910.2013047003953
» https://doi.org/10.1590/s0034-8910.2013047003953 -
20 Nunes MA, Alves MG, Chor D, Schmidt MI, Duncan BB. Adaptação transcultural do CIS-R (Clinical Interview Schedule - Revised Version) para o português no estudo longitudinal de saúde do adulto (ELSA). Clin Biomed Res. 2012;31(4):487-9. https://doi.org/10.22491/2357-9730.24065
» https://doi.org/10.22491/2357-9730.24065 -
21 Lewis G, Pelosi AJ, Araya R, Dunn G. Measuring psychiatric disorder in the community: a standardized assessment for use by lay interviewers. Psychol Med. 1992;22(2):465-86. https://doi.org/10.1017/s0033291700030415
» https://doi.org/10.1017/s0033291700030415 -
22 Alves MG, Chor D, Faerstein E, Lopes CS, Werneck GL. Versão resumida da "job stress scale": adaptação para o português. Rev Saúde Pública. 2004;38(2):164-71. https://doi.org/10.1590/S0034-89102004000200003
» https://doi.org/10.1590/S0034-89102004000200003 -
23 Gralle APBP, Moreno AB, Juvanhol LL, Fonseca MJM, Melo ECP, Nunes MAA et al. Job strain and binge eating among Brazilian workers participating in the ELSA-Brasil study: does BMI matter? J Occup Health. 2017;59(3):247-55. https://doi.org/10.1539/joh.16-0157-OA
» https://doi.org/10.1539/joh.16-0157-OA -
24 Araújo TM, Aquino E, Menezes G, Santos CO, Aguiar L. Aspectos psicossociais do trabalho e distúrbios psíquicos entre trabalhadoras de enfermagem. Rev Saúde Pública. 2003;37(4):424-33. https://doi.org/10.1590/S0034-89102003000400006
» https://doi.org/10.1590/S0034-89102003000400006 -
25 Bauer GR. Sex and gender multidimensionality in epidemiologic research. Am J Epidemiol. 2023;192(1):122-32. https://doi.org/10.1093/aje/kwac173
» https://doi.org/10.1093/aje/kwac173 - 26 Rothman KJ, Greenland S, Lash TL. Modern epidemiology. 3rd ed. Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins; 2008.
-
27 Santos FFD, Brito MFSF, Pinho L, Cunha FO, Rodrigues Neto JF, Fonseca ADG et al. Common mental disorders in nursing technicians of a university hospital. Rev Bras Enferm. 2020;73(1):e20180513. https://doi.org/10.1590/0034-7167-2018-0513
» https://doi.org/10.1590/0034-7167-2018-0513 -
28 Alves AP, Pedrosa LAK, Coimbra MAR, Miranzi MAS, Hass VJ. Prevalência de transtornos mentais comuns entre profissionais de saúde. Rev Enferm UERJ. 2015;23(1):64-9. https://doi.org/10.12957/reuerj.2015.8150
» https://doi.org/10.12957/reuerj.2015.8150 -
29 Griep RH, Toivanen S, van Diepen C, Guimarães JMN, Camelo LV, Juvanhol LL et al. Work-family conflict and self-rated health: the role of gender and educational level. Baseline data from the Brazilian Longitudinal Study of Adult Health (ELSA-Brasil). Int J Behav Med. 2016;23(3):372-82. https://doi.org/10.1007/s12529-015-9523-x
» https://doi.org/10.1007/s12529-015-9523-x -
30 Smolen JR, Araújo EM. Raça/cor da pele e transtornos mentais no Brasil: uma revisão sistemática. Cien Saúde Colet. 2017;22(12):4021-30. https://doi.org/10.1590/1413-812320172212.19782016
» https://doi.org/10.1590/1413-812320172212.19782016 -
31 Araya R, Gaete J, Rojas G, Fritsch R, Lewis G. Smoking and common mental disorders: a population-based survey in Santiago, Chile. Soc Psychiatry Psychiatr Epidemiol. 2007;42(11):874-80. https://doi.org/10.1007/s00127-007-0238-4
» https://doi.org/10.1007/s00127-007-0238-4 -
32 Patel V, Kirkwood BR, Pednekar S, Weiss H, Mabey D. Risk factors for common mental disorders in women: population-based longitudinal study. Br J Psychiatry. 2006;189(6):547-55. https://doi.org/10.1192/bjp.bp.106.022558
» https://doi.org/10.1192/bjp.bp.106.022558 -
33 Austin MA, Villarosa-Hurlocker MC. Drinking patterns of college students with comorbid depression and anxiety symptoms: the moderating role of gender. J Subst Use. 2021;26(6):650-6. https://doi.org/10.1080/14659891.2021.1879291
» https://doi.org/10.1080/14659891.2021.1879291 -
34 Skogen J, Mykletun A, Ferri C, Bebbington P, Brugha T, Coid J et al. PW01-128 - Abstinence from alcohol in relation to mental disorder and personality disorder: results from a national household survey. Eur Psychiatry. 2010;25(Suppl 1):1544. https://doi.org/10.1016/S0924-9338 (10)71527-3
» https://doi.org/10.1016/S0924-9338 (10)71527-3 -
35 Naloto DCC, Lopes FC, Barberato Filho S, Lopes LC, Del Fiol FS, Bergamaschi CC. Prescrição de benzodiazepínicos para adultos e idosos de um ambulatório de saúde mental. Cien Saúde Colet. 2016;21(4):1267-76. https://doi.org/10.1590/1413-81232015214.10292015
» https://doi.org/10.1590/1413-81232015214.10292015 -
36 Seidler A, Schubert M, Freiberg A, Drössler S, Hussenoeder FS, Conrad I et al. Psychosocial occupational exposures and mental illness. Dtsch Arztebl Int. 2022;119(42):709-715. https://doi.org/10.3238/arztebl.m2022.0295
» https://doi.org/10.3238/arztebl.m2022.0295 -
37 Madsen IEH, Nyberg ST, Magnusson Hanson LL, Ferrie JE, Ahola K, Alfredsson L et al. Job strain as a risk factor for clinical depression: systematic review and meta-analysis with additional individual participant data. Psychol Med. 2017;47(8):1342-56. https://doi.org/10.1017/s003329171600355x
» https://doi.org/10.1017/s003329171600355x -
38 Karasek RA. Job demands, job decision latitude, and mental strain: implications for job redesign. Adm Sci Q. 1979;24(2):285-308. https://doi.org/10.2307/2392498
» https://doi.org/10.2307/2392498 -
39 Griep RH, Rotenberg L, Landsbergis P, Vasconcellos-Silva PR. Uso combinado de modelos de estresse no trabalho e a saúde autorreferida na enfermagem. Rev Saúde Pública. 2011;45(1):145-52. https://doi.org/10.1590/S0034-89102011000100017
» https://doi.org/10.1590/S0034-89102011000100017 -
40 Moura DCA, Greco RM, Paschoalin HC, Portela LF, Arreguy-Sena C, Chaoubah A. Demandas psicológicas e controle do processo de trabalho de servidores de uma universidade pública. Cien Saúde Colet. 2018;23(2):481-90. https://doi.org/10.1590/1413-81232018232.13892015
» https://doi.org/10.1590/1413-81232018232.13892015
