Práticas de ressuscitação volêmica em unidades de terapia intensiva brasileiras: uma análise secundária do estudo Fluid-TRIPS

Flavio Geraldo Rezende de Freitas Naomi Hammond Yang Li Luciano Cesar Pontes de Azevedo Alexandre Biasi Cavalcanti Leandro Taniguchi André Gobatto André Miguel Japiassú Antonio Tonete Bafi Bruno Franco Mazza Danilo Teixeira Noritomi Felipe Dal-Pizzol Fernando Bozza Jorge Ibrahin Figueira Salluh Glauco Adrieno Westphal Márcio Soares Murillo Santucci César de Assunção Thiago Lisboa Suzana Margarete Ajeje Lobo Achilles Rohlfs Barbosa Adriana Fonseca Ventura Ailson Faria de Souza Alexandre Francisco Silva Alexandre Toledo Aline Reis Allan Cembranel Alvaro Rea Neto Ana Lúcia Gut Ana Patricia Pierre Justo Ana Paula Santos André Campos D. de Albuquerque André Scazufka Antonio Babo Rodrigues Bruno Bonaccorsi Fernandino Bruno Goncalves Silva Bruno Sarno Vidal Bruno Valle Pinheiro Bruno Vilela Costa Pinto Carlos Augusto Ramos Feijo Carlos de Abreu Filho Carlos Eduardo da Costa Nunes Bosso Carlos Eduardo Nassif Moreira Carlos Henrique Ferreira Ramos Carmen Tavares Cidamaiá Arantes Cintia Grion Ciro Leite Mendes Claudio Kmohan Claudio Piras Cristine Pilati Pileggi Castro Cyntia Lins Daniel Beraldo Daniel Fontes Daniela Boni Débora Castiglioni Denise de Moraes Paisani Durval Ferreira Fonseca Pedroso Ederson Roberto Mattos Edgar de Brito Sobrinho Edgar M. V. Troncoso Edison Moraes Rodrigues Filho Eduardo Enrico Ferrari Nogueira Eduardo Leme Ferreira Eduardo Souza Pacheco Euzebio Jodar Evandro L. A. Ferreira Fabiana Fernandes de Araujo Fabiana Schuelter Trevisol Fábio Ferreira Amorim Fabio Poianas Giannini Fabrício Primitivo Matos Santos Fátima Buarque Felipe Gallego Lima Fernando Antonio Alvares da Costa Fernando Cesar dos Anjos Sad Fernando G. Aranha Fernando Ganem Flavio Callil Francisco Flávio Costa Filho Frederico Toledo Campo Dall´Arto Geovani Moreno Gilberto Friedman Giulliana Martines Moralez Guilherme Abdalla da Silva Guilherme Costa Guilherme Silva Cavalcanti Guilherme Silva Cavalcanti Gustavo Navarro Betônico Gustavo Navarro Betônico Hélder Reis Helia Beatriz N. Araujo Helio Anjos Hortiz Júnior Helio Penna Guimaraes Hugo Urbano Israel Maia Ivan Lopes Santiago Filho Jamil Farhat Júnior Janu Rangel Alvarez Joel Tavares Passos Jorge Eduardo da Rocha Paranhos José Aurelio Marques José Gonçalves Moreira Filho Jose Neto Andrade José Onofre de C Sobrinho Jose Terceiro de Paiva Bezerra Juliana Apolônio Alves Juliana Ferreira Jussara Gomes Karina Midori Sato Karine Gerent Kathia Margarida Costa Teixeira Katia Aparecida Pessoa Conde Laércia Ferreira Martins Lanese Figueirêdo Leila Rezegue Leonardo Tcherniacovsk Leone Oliveira Ferraz Liane Cavalcante Ligia Rabelo Lilian Miilher Lisiane Garcia Luana Tannous Ludhmila Abrahão Hajjar Luís Eduardo Miranda Paciência Luiz Monteiro da Cruz Neto Macia Valeria Bley Marcelo Ferreira Sousa Marcelo Lourencini Puga Marcelo Luz Pereira Romano Marciano Nobrega Marcio Arbex Márcio Leite Rodrigues Márcio Osório Guerreiro Marcone Rocha Maria Angela Pangoni Alves Maria Angela Pangoni Alves Maria Doroti Rosa Mariza D’Agostino Dias Miquéias Martins Mirella de Oliveira Miriane Melo Silveira Moretti Mirna Matsui Octavio Messender Orlando Luís de Andrade Santarém Patricio Júnior Henrique da Silveira Paula Frizera Vassallo Paulo Antoniazzi Paulo César Gottardo Paulo Correia Paulo Ferreira Paulo Torres Pedro Gabrile M. de Barros e Silva Rafael Foernges Rafael Gomes Rafael Moraes Raimundo Nonato filho Renato Luis Borba Renato V Gomes Ricardo Cordioli Ricardo Lima Ricardo Pérez López Ricardo Rath de Oliveira Gargioni Richard Rosenblat Roberta Machado de Souza Roberto Almeida Roberto Camargo Narciso Roberto Marco Roberto waltrick Rodrigo Biondi Rodrigo Figueiredo Rodrigo Santana Dutra Roseane Batista Rouge Felipe Rubens Sergio da Silva Franco Sandra Houly Sara Socorro Faria Sergio Felix Pinto Sergio Luzzi Sergio Sant’ana Sergio Sonego Fernandes Sérgio Yamada Sérgio Zajac Sidiner Mesquita Vaz Silvia Aparecida Bezerra Bezerra Tatiana Bueno Tardivo Farhat Thiago Martins Santos Tiago Smith Ulysses V. A. Silva Valnei Bento Damasceno Vandack Nobre Vicente Cés de Souza Dantas Vivian Menezes Irineu Viviane Bogado Wagner Nedel Walther Campos Filho Weidson Dantas William Viana Wilson de Oliveira Filho Wilson Martins Delgadinho Simon Finfer Flavia Ribeiro Machado Sobre os autores

RESUMO

Objetivo:

Descrever as práticas de ressuscitação volêmica em unidades de terapia intensiva brasileiras e compará-las com as de outros países participantes do estudo Fluid-TRIPS.

Métodos:

Este foi um estudo observacional transversal, prospectivo e internacional, de uma amostra de conveniência de unidades de terapia intensiva de 27 países (inclusive o Brasil), com utilização da base de dados Fluid-TRIPS compilada em 2014. Descrevemos os padrões de ressuscitação volêmica utilizados no Brasil em comparação com os de outros países e identificamos os fatores associados com a escolha dos fluidos.

Resultados:

No dia do estudo, foram incluídos 3.214 pacientes do Brasil e 3.493 pacientes de outros países, dos quais, respectivamente, 16,1% e 26,8% (p < 0,001) receberam fluidos. A principal indicação para ressuscitação volêmica foi comprometimento da perfusão e/ou baixo débito cardíaco (Brasil 71,7% versus outros países 56,4%; p < 0,001). No Brasil, a percentagem de pacientes que receberam soluções cristaloides foi mais elevada (97,7% versus 76,8%; p < 0,001), e solução de cloreto de sódio a 0,9% foi o cristaloide mais comumente utilizado (62,5% versus 27,1%; p < 0,001). A análise multivariada sugeriu que os níveis de albumina se associaram com o uso tanto de cristaloides quanto de coloides, enquanto o tipo de prescritor dos fluidos se associou apenas com o uso de cristaloides.

Conclusão:

Nossos resultados sugerem que cristaloides são usados mais frequentemente do que coloides para ressuscitação no Brasil, e essa discrepância, em termos de frequências, é mais elevada do que em outros países. A solução de cloreto de sódio 0,9% foi o cristaloide mais frequentemente prescrito. Os níveis de albumina sérica e o tipo de prescritor de fluidos foram os fatores associados com a escolha de cristaloides ou coloides para a prescrição de fluidos.

Descritores:
Hidratação; Cuidados críticos; Coloides; Soluções cristaloides; Hemodinâmica; Choque

Abstract

Objective:

To describe fluid resuscitation practices in Brazilian intensive care units and to compare them with those of other countries participating in the Fluid-TRIPS.

Methods:

This was a prospective, international, cross-sectional, observational study in a convenience sample of intensive care units in 27 countries (including Brazil) using the Fluid-TRIPS database compiled in 2014. We described the patterns of fluid resuscitation use in Brazil compared with those in other countries and identified the factors associated with fluid choice.

Results:

On the study day, 3,214 patients in Brazil and 3,493 patients in other countries were included, of whom 16.1% and 26.8% (p < 0.001) received fluids, respectively. The main indication for fluid resuscitation was impaired perfusion and/or low cardiac output (Brazil: 71.7% versus other countries: 56.4%, p < 0.001). In Brazil, the percentage of patients receiving crystalloid solutions was higher (97.7% versus 76.8%, p < 0.001), and 0.9% sodium chloride was the most commonly used crystalloid (62.5% versus 27.1%, p < 0.001). The multivariable analysis suggested that the albumin levels were associated with the use of both crystalloids and colloids, whereas the type of fluid prescriber was associated with crystalloid use only.

Conclusion:

Our results suggest that crystalloids are more frequently used than colloids for fluid resuscitation in Brazil, and this discrepancy in frequencies is higher than that in other countries. Sodium chloride (0.9%) was the crystalloid most commonly prescribed. Serum albumin levels and the type of fluid prescriber were the factors associated with the choice of crystalloids or colloids for fluid resuscitation.

Keywords:
Fluid therapy; Critical care; Colloids; Crystalloid solutions; Hemodynamics; Shock

INTRODUÇÃO

Define-se ressuscitação volêmica como a administração intravenosa de fluidos com o objetivo de melhorar a perfusão tissular em estados de choque. Trata-se de uma das intervenções mais comuns em pacientes críticos. Apesar de ser uma intervenção frequente, a ressuscitação volêmica ainda não tem definição clara. A escolha do fluido a ser administrado, assim como a dose e a velocidade de administração, ainda não foi bem determinada, o que leva a diferenças, em termos de práticas a beira leito.(11 Finfer S, Myburgh J, Bellomo R. Intravenous fluid therapy in critically ill adults. Nat Rev Nephrol. 2018;14(9):541-57.,22 Myburgh JA, Mythen MG. Resuscitation fluids. N Engl J Med. 2013;369(13):1243-51.)

Nos últimos 15 anos, uma série de ensaios randomizados controlados e subsequentes metanálises demonstraram que o tipo de fluido utilizado para a ressuscitação, particularmente o hidroxietilamido (HES), pode afetar negativamente os desfechos.(33 Myburgh JA, Finfer S, Bellomo R, Billot L, Cass A, Gattas D, Glass P, Lipman J, Liu B, McArthur C, McGuinness S, Rajbhandari D, Taylor CB, Webb SA; CHEST Investigators; Australian and New Zealand Intensive Care Society Clinical Trials Group. Hydroxyethyl starch or saline for fluid resuscitation in intensive care. N Engl J Med. 2012;367(20):1901-11.

4 Perner A, Haase N, Guttormsen AB, Tenhunen J, Klemenzson G, Aneman A, Madsen KR, Møller MH, Elkjær JM, Poulsen LM, Bendtsen A, Winding R, Steensen M, Berezowicz P, Søe-Jensen P, Bestle M, Strand K, Wiis J, White JO, Thornberg KJ, Quist L, Nielsen J, Andersen LH, Holst LB, Thormar K, Kjældgaard AL, Fabritius ML, Mondrup F, Pott FC, Møller TP, Winkel P, Wetterslev J; 6S Trial Group; Scandinavian Critical Care Trials Group. Hydroxyethyl starch 130/0.42 versus Ringer's acetate in severe sepsis. N Engl J Med. 2012;367(2):124-34.

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6 Annane D, Siami S, Jaber S, Martin C, Elatrous S, Declère AD, Preiser JC, Outin H, Troché G, Charpentier C, Trouillet JL, Kimmoun A, Forceville X, Darmon M, Lesur O, Reignier J, Abroug F, Berger P, Clec'h C, Cousson J, Thibault L, Chevret S; CRISTAL Investigators. Effects of fluid resuscitation with colloids vs crystalloids on mortality in critically ill patients presenting with hypovolemic shock: the CRISTAL trial. JAMA. 2013;310(17):1809-17.

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10 Gillies MA, Habicher M, Jhanji S, Sander M, Mythen M, Hamilton M, et al. Incidence of postoperative death and acute kidney injury associated with i.v. 6% hydroxyethyl starch use: systematic review and meta-analysis. Br J Anaesth. 2014;112(1):25-34.

11 Perel P, Roberts I, Ker K. Colloids versus crystalloids for fluid resuscitation in critically ill patients. Cochrane Database Syst Rev. 2013;(2):CD000567.
-1212 Rochwerg B, Alhazani W, Sindi A, Heels-Ansdell D, Thabane L, Fox-Robichaud A, Mbuagbaw L, Szczeklik W, Alshamsi F, Altayyar S, Ip WC, Li G, Wang M, Wludarczyk A, Zhou Q, Guyatt GH, Cook DJ, Jaeschke R, Annane D; Fluids in Sepsis and Septic Shock Group. Fluid resuscitation in sepsis: a systematic review and network meta-analysis. Ann Intern Med. 2014;161(5):347-55.) Mesmo com diretrizes recentemente publicadas que incluíram novas evidências,(1313 Cecconi M, De Backer D, Antonelli M, Beale R, Bakker J, Hofer C, et al. Consensus on circulatory shock and hemodynamic monitoring. Task force of the European Society of Intensive Care Medicine. Intensive Care Med. 2014;40(12):1795-815.,1414 Rhodes A, Evans LE, Alhazzani W, Levy MM, Antonelli M, Ferrer R, et al. Surviving Sepsis Campaign: International Guidelines for Management of Sepsis and Septic Shock: 2016. Intensive Care Med. 2017;43(3):304-77.) é comum que ocorram retardos e falhas na aplicação das recomendações para a prática, o que leva a uma variabilidade nos cuidados proporcionados.(1515 Vander Schaaf EB, Seashore CJ, Randolph GD. Translating Clinical Guidelines Into Practice: Challenges and Opportunities in a Dynamic Health Care Environment. N C Med J. 2015;76(4):230-4.,1616 Lira A, Pinsky MR. Choices in fluid type and volume during resuscitation: impact on patient outcomes. Ann Intensive Care. 2014;4:38.) O Saline versus Albumin Fluid Evaluation - Translation of Research Into Practice Study (SAFE-TRIPS), um estudo transversal realizado em 2007 e que incluiu 391 unidades de terapia intensiva (UTIs) em 25 países, relatou que as práticas de ressuscitação tiveram ampla variação. Embora as soluções coloides fossem mais dispendiosas e pudessem ser potencialmente danosas para alguns pacientes, eram administradas a mais indivíduos durante episódios de ressuscitação do que os cristaloides.(1717 Finfer S, Liu B, Taylor C, Bellomo R, Billot L, Cook D, Du B, McArthur C, Myburgh J; SAFE TRIPS Investigators. Resuscitation fluid use in critically ill adults: an international cross-sectional study in 391 intensive care units. Crit Care. 2010;14(5):R185.)

Recentemente, o mesmo grupo realizou um estudo observacional semelhante em uma amostra de conveniência de UTIs: o Fluid-TRIPS.(1818 Hammond NE, Taylor C, Finfer S, Machado FR, An Y, Billot L, Bloos F, Bozza F, Cavalcanti AB, Correa M, Du B, Hjortrup PB, Li Y, McIntryre L, Saxena M, Schortgen F, Watts NR, Myburgh J; Fluid-TRIPS and Fluidos Investigators; George Institute for Global Health, The ANZICS Clinical Trials Group, BRICNet, and the REVA research Network. Patterns of intravenous fluid resuscitation use in adult intensive care patients between 2007 and 2014: An international cross-sectional study. PLoS One. 2017;12(5):e0176292.) Este estudo demonstrou uma modificação importante na prática clínica, com uso preferencial de cristaloides em comparação a coloides, especificamente soluções balanceadas. Outro achado interessante desse estudo foi que a seleção do fluido a ser utilizado era determinada pela prática local mais do que por qualquer característica identificável do paciente.

O número de UTIs do Brasil participantes no estudo Fluid-TRIPS foi de um pouco mais da metade do total de unidades participantes, permitindo uma oportunidade singular para analisar em separado os dados brasileiros. Nossa hipótese foi a de que as UTIs brasileiras teriam padrões diferentes para a ressuscitação volêmica, principalmente com relação à escolha dos cristaloides.

Assim, o objetivo deste estudo foi descrever as práticas atuais de ressuscitação volêmica nas UTIs brasileiras e comparar os dados do Brasil com os de outros países que participaram do estudo.

MÉTODOS

Esta análise secundária de um estudo observacional transversal, prospectivo, internacional, foi realizada em uma amostra de conveniência de UTIs de 27 países com utilização da base de dados Fluid-TRIPS, compilada em 2014.(1818 Hammond NE, Taylor C, Finfer S, Machado FR, An Y, Billot L, Bloos F, Bozza F, Cavalcanti AB, Correa M, Du B, Hjortrup PB, Li Y, McIntryre L, Saxena M, Schortgen F, Watts NR, Myburgh J; Fluid-TRIPS and Fluidos Investigators; George Institute for Global Health, The ANZICS Clinical Trials Group, BRICNet, and the REVA research Network. Patterns of intravenous fluid resuscitation use in adult intensive care patients between 2007 and 2014: An international cross-sectional study. PLoS One. 2017;12(5):e0176292.)

No Brasil, recrutamos os centros participantes nas reuniões de terapia intensiva realizadas por meio do sítio de internet da Brazilian Research in Critical Care Network (BRICNet) e de contatos com importantes formadores de opinião. A participação foi voluntária, e qualquer hospital que desejasse juntar-se ao estudo era considerado elegível, sem qualquer critério de exclusão. O centro coordenador foi a Universidade Federal de São Paulo, e o Comitê de Ética da instituição aprovou o protocolo do estudo sob o número CAAE 36093314.4.1001.5505, dispensando a necessidade de obtenção do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido em razão da natureza observacional do estudo.

Participantes e coleta de dados

No Brasil, os centros colheram os dados em qualquer único dia entre 9 e 11 de dezembro de 2014. Os detalhes metodológicos foram publicados previamente.(1818 Hammond NE, Taylor C, Finfer S, Machado FR, An Y, Billot L, Bloos F, Bozza F, Cavalcanti AB, Correa M, Du B, Hjortrup PB, Li Y, McIntryre L, Saxena M, Schortgen F, Watts NR, Myburgh J; Fluid-TRIPS and Fluidos Investigators; George Institute for Global Health, The ANZICS Clinical Trials Group, BRICNet, and the REVA research Network. Patterns of intravenous fluid resuscitation use in adult intensive care patients between 2007 and 2014: An international cross-sectional study. PLoS One. 2017;12(5):e0176292.) Em resumo, o dia do estudo foi definido como um período de 24 horas. Os investigadores incluíram todos os pacientes acima de 16 anos de idade com necessidade de um ou mais episódios de ressuscitação volêmica durante o período do estudo. Não se utilizaram critérios de exclusão. Registrou-se também o número total de pacientes tratados nas UTIs no dia do estudo. Definiu-se um episódio de ressuscitação volêmica como 1 hora durante a qual um paciente recebeu bolos intravenosos de qualquer solução cristaloide ou coloide, infusão contínua de 5mL/kg/hora ou mais de cristaloides e/ou qualquer dose de coloides por infusão contínua.(1818 Hammond NE, Taylor C, Finfer S, Machado FR, An Y, Billot L, Bloos F, Bozza F, Cavalcanti AB, Correa M, Du B, Hjortrup PB, Li Y, McIntryre L, Saxena M, Schortgen F, Watts NR, Myburgh J; Fluid-TRIPS and Fluidos Investigators; George Institute for Global Health, The ANZICS Clinical Trials Group, BRICNet, and the REVA research Network. Patterns of intravenous fluid resuscitation use in adult intensive care patients between 2007 and 2014: An international cross-sectional study. PLoS One. 2017;12(5):e0176292.)

Registramos informações sobre a disponibilidade de fluidos nas UTIs participantes, assim como os dados relacionados aos pacientes, inclusive demográficos, escores de severidade da doença, diagnóstico na admissão, dados de exames laboratoriais, dados clínicos no dia do estudo, características predefinidas do subgrupo (trauma, traumatismo craniencefálico - TCE, sepse e síndrome do desconforto respiratório agudo - SDRA) e informações sobre o tipo e volume dos fluidos utilizados para a ressuscitação. A razão para a ressuscitação volêmica e as características do prescritor também foram registradas. Definimos médico especialista ou assistente como intensivista com título de especialista ou o médico responsável pela UTI no dia do estudo. Definimos residente ou estagiário sênior como médicos graduados ou residentes no último ano de sua residência, e residentes foram definidos como os médicos nos primeiros anos de sua residência, independentemente da especialidade, já que no Brasil é usual a existência de residentes de diferentes especialidades em treinamento.

Colhemos todos os dados pela utilização de um sistema de captura eletrônica de dados (REDCap, Vanderbilt University, Tennessee, Estados Unidos), instalado nos equipamentos do Instituto D’Or de Ensino e Pesquisa, no Rio de Janeiro.

Análise estatística

As variáveis contínuas são expressas como a média ± desvio-padrão (DP) ou como a mediana [intervalos interquartis]. As variáveis categóricas são expressas como contagens (percentagens). A comparação dos dados entre o Brasil e outros países e entre a administração de coloides e cristaloides nos pacientes brasileiros foi realizada com utilização do teste t ou com o teste rank-sum de Wilcoxon para dados contínuos, ou com o teste do qui-quadrado de Pearson para dados categóricos, conforme apropriado. As diferenças nas proporções de episódios com cristaloides e coloides foram testadas com utilização de equações de estimativas generalizadas (GEEs), levando em conta os agrupamentos em nível de paciente.

Assim como no estudo principal,(1818 Hammond NE, Taylor C, Finfer S, Machado FR, An Y, Billot L, Bloos F, Bozza F, Cavalcanti AB, Correa M, Du B, Hjortrup PB, Li Y, McIntryre L, Saxena M, Schortgen F, Watts NR, Myburgh J; Fluid-TRIPS and Fluidos Investigators; George Institute for Global Health, The ANZICS Clinical Trials Group, BRICNet, and the REVA research Network. Patterns of intravenous fluid resuscitation use in adult intensive care patients between 2007 and 2014: An international cross-sectional study. PLoS One. 2017;12(5):e0176292.) conduziram-se análises multivariáveis com utilização de GEEs, levando em conta os agrupamentos em nível de paciente para determinar as associações entre os dados demográficos dos pacientes, suas características clínicas e o tipo de fluido administrado. Utilizamos na análise dois desfechos binários: (1) episódio com cristaloides Sim versus episódio com cristaloide Não; e (2) episódio com coloide Sim versus episódio com coloide Não. Os denominadores desses dois desfechos foram o número total de episódios com fluidos. Assim, como um determinado paciente pode ter recebido tanto cristaloides quanto coloides na mesma hora (o mesmo episódio com fluidos), o número total de episódios com fluidos foi maior do que a soma dos episódios com cristaloides e episódios com coloides. Como esses desfechos foram analisados separadamente, geraram-se dois conjuntos diferentes de razão de chances (RC) para cada variável. As variáveis que cumpriam um nível predeterminado de significância estatística (p < 0,1) com a administração de cristaloides ou coloides em modelos de análise univariada foram incluídas no modelo multivariável final. As associações foram consideradas estatisticamente significantes se tivessem valor de p < 0,01. Os resultados da análise multivariável são apresentados como RC ajustadas e intervalos de confiança de 95% (IC95%). Os detalhes referentes ao manuseio de dados faltantes foram fornecidos na publicação principal.(1818 Hammond NE, Taylor C, Finfer S, Machado FR, An Y, Billot L, Bloos F, Bozza F, Cavalcanti AB, Correa M, Du B, Hjortrup PB, Li Y, McIntryre L, Saxena M, Schortgen F, Watts NR, Myburgh J; Fluid-TRIPS and Fluidos Investigators; George Institute for Global Health, The ANZICS Clinical Trials Group, BRICNet, and the REVA research Network. Patterns of intravenous fluid resuscitation use in adult intensive care patients between 2007 and 2014: An international cross-sectional study. PLoS One. 2017;12(5):e0176292.) Todas as análises foram realizadas com utilização do pacote estatístico R, versão 3.1.0 (2014-04-10).

RESULTADOS

No Brasil, participaram do estudo 217 UTIs (os centros participantes estão listados no final deste artigo). O resumo geral dos dados do Fluid-TRIPS é apresentado na tabela 1. Os dados referentes à participação de outros países podem ser encontrados em detalhes no estudo principal.(1818 Hammond NE, Taylor C, Finfer S, Machado FR, An Y, Billot L, Bloos F, Bozza F, Cavalcanti AB, Correa M, Du B, Hjortrup PB, Li Y, McIntryre L, Saxena M, Schortgen F, Watts NR, Myburgh J; Fluid-TRIPS and Fluidos Investigators; George Institute for Global Health, The ANZICS Clinical Trials Group, BRICNet, and the REVA research Network. Patterns of intravenous fluid resuscitation use in adult intensive care patients between 2007 and 2014: An international cross-sectional study. PLoS One. 2017;12(5):e0176292.) Durante o período de 24 horas do estudo, foram incluídos, no Brasil, 3.214 pacientes, dos quais 519 (16,1%) receberam fluidos. Quase metade dos pacientes recebeu fluidos dentro dos primeiros 2 dias após admissão à UTI (46%). As características basais dos pacientes no Brasil e de outros países são apresentadas na tabela 2.

Tabela 1
Resumo geral do estudo Fluid-TRIPS
Tabela 2
Características basais dos pacientes no Brasil e em outros países

Em 880 episódios de ressuscitação volêmica no Brasil, o principal prescritor de fluidos foi um especialista (82,3%), e a principal indicação para a ressuscitação volêmica foi comprometimento da perfusão e/ou baixo débito cardíaco (71,7%) (Tabela 3 e Tabela 1S no Material suplementar). O volume total recebido de fluidos para ressuscitação e o balanço líquido de fluidos no dia do levantamento foi maior no Brasil do que em outros países (Tabela 4).

Tabela 3
Indicações para ressuscitação volêmica no Brasil e em outros países
Tabela 4
Características dos fluidos recebidos por pacientes no Brasil e em outros países

Em comparação com outros países, no Brasil, as soluções cristaloides foram utilizadas mais frequentemente do que soluções coloides (Figura 1). No Brasil, foi significantemente mais comum a utilização da solução de cloreto de sódio a 0,9% do que em outros países (62,5% versus 27,1%; p < 0,0001) (Tabela 1S no Material suplementar), a despeito da disponibilidade de diferentes fluidos nas UTIs participantes (Tabela 2S - Material suplementar). No Brasil, assim como em outros países, a solução cristaloide balanceada mais comumente utilizada foi Ringer Lactato. A solução Plasma Lyte foi utilizada mais frequentemente em outros países do que no Brasil (Tabela 1S no Material suplementar). A percentagem de pacientes que receberam soluções cristaloides ou coloides ou o número de episódios com solução cristaloide ou coloide não foram modificados mediante a presença de trauma, TCE, sepse ou SDRA. Essas condições não levaram a modificações significantes no volume total de fluido de ressuscitação recebido no dia da pesquisa. Entretanto, pacientes com sepse e SDRA tiveram balanço hídrico médio de fluidos mais elevado no dia da pesquisa (Tabela 3S a Tabela 6S - Material suplementar).

Figura 1
Episódios de ressuscitação volêmica no Brasil e em outros países. (A) Comparação da escolha do fluido para cada episódio. (B) Comparação da escolha de cristaloides nos episódios nos quais se utilizaram cristaloides. (C) Comparação da escolha de coloides nos episódios em que se utilizaram coloides. As percentagens podem não totalizar 100%, já que os pacientes podem ter recebido mais de um tipo de fluido durante os episódios de ressuscitação. HES - hidroxietilamido.

Analisamos os fatores associados com a escolha de soluções cristaloides ou coloides para os episódios de ressuscitação volêmica. A análise multivariada (Tabela 5) sugeriu que, no Brasil, níveis mais baixos de albumina (isto é, < 27g/dL, ≥ 27g/dL ou faltante), em geral, associaram-se com o uso de cristaloides e coloides (p = 0,001 e < 0,0001, respectivamente).

Tabela 5
Análise multivariada dos fatores associados com a escolha de cristaloide ou coloide para episódios de ressuscitação volêmica em pacientes brasileiros

Dentre os pacientes que receberam cristaloides, a tendência a ter um nível de albumina ≥ 2g/dL foi 9,4 vezes maior (RC = 8,6 [0,8 - 89,8]) do que ter um nível < 27g/dL.

Houve também chance mais alta de ter valores de albumina desconhecidos/faltantes (RC = 7,2; IC95% 2,5 - 20,7) do que de ter nível de albumina < 27g/dL. Semelhantemente, dentre os que receberam coloides, a tendência a ter um nível de albumina ≥ 27g/dL foi de um quinto (RC = 0,2 [0,0 - 0,9]) da chance de ter níveis < 27g/dL. Além disso, para pacientes que receberam cristaloides, a tendência a que tivessem a prescrição por um residente/estagiário sênior foi 9,9 mais alta (RC = 9,9; IC95% 3,6 - 27,7) do que a prescrição feita por um médico especialista/assistente. Para pacientes que receberam coloides, não houve associação clara com o prescritor dos fluidos. A análise univariada está disponível na tabela 7S (Material suplementar).

DISCUSSÃO

Nossos resultados demonstraram que, no Brasil, as soluções cristaloides foram utilizadas mais frequentemente do que as coloides para ressuscitação volêmica. Em outros países, os cristaloides também foram o fluido escolhido, porém, no Brasil, a proporção foi significantemente mais elevada. A solução cristaloide mais frequentemente prescrita no Brasil foi cloreto de sódio a 0,9%, apesar da disponibilidade de soluções balanceadas. Em outros países, as soluções balanceadas preferidas foram os cristaloides. A disponibilidade dos níveis séricos de albumina foi fator associado com a escolha de cristaloides ou coloides para ressuscitação volêmica. Além disso, o tipo de prescritor dos fluidos teve associação significantemente com o uso de cristaloides.

Os resultados no Brasil são coerentes com estudos mais recentes relativos às práticas de ressuscitação volêmica. A ressuscitação com fluidos tem como alvo melhorar a perfusão tissular, por restaurar a pressão de perfusão dos órgãos vitais e assegurar um débito cardíaco adequado.(1313 Cecconi M, De Backer D, Antonelli M, Beale R, Bakker J, Hofer C, et al. Consensus on circulatory shock and hemodynamic monitoring. Task force of the European Society of Intensive Care Medicine. Intensive Care Med. 2014;40(12):1795-815.) Em linha com esses princípios, as principais indicações para administração de fluidos nas UTIs brasileiras foi similar às encontradas no estudo principal e em outros que trataram desse assunto.(1818 Hammond NE, Taylor C, Finfer S, Machado FR, An Y, Billot L, Bloos F, Bozza F, Cavalcanti AB, Correa M, Du B, Hjortrup PB, Li Y, McIntryre L, Saxena M, Schortgen F, Watts NR, Myburgh J; Fluid-TRIPS and Fluidos Investigators; George Institute for Global Health, The ANZICS Clinical Trials Group, BRICNet, and the REVA research Network. Patterns of intravenous fluid resuscitation use in adult intensive care patients between 2007 and 2014: An international cross-sectional study. PLoS One. 2017;12(5):e0176292.,1919 Cecconi M, Hofer C, Teboul JL, Pettila V, Wilkman E, Molnar Z, Della Rocca G, Aldecoa C, Artigas A, Jog S, Sander M, Spies C, Lefrant JY, De Backer D; FENICE Investigators; ESICM Trial Group. Fluid challenges in intensive care: the FENICE study: A global inception cohort study. Intensive Care Med. 2015;41(9):1529-37.) Nossos resultados mostraram também uma diminuição no uso de soluções coloides.(1818 Hammond NE, Taylor C, Finfer S, Machado FR, An Y, Billot L, Bloos F, Bozza F, Cavalcanti AB, Correa M, Du B, Hjortrup PB, Li Y, McIntryre L, Saxena M, Schortgen F, Watts NR, Myburgh J; Fluid-TRIPS and Fluidos Investigators; George Institute for Global Health, The ANZICS Clinical Trials Group, BRICNet, and the REVA research Network. Patterns of intravenous fluid resuscitation use in adult intensive care patients between 2007 and 2014: An international cross-sectional study. PLoS One. 2017;12(5):e0176292.

19 Cecconi M, Hofer C, Teboul JL, Pettila V, Wilkman E, Molnar Z, Della Rocca G, Aldecoa C, Artigas A, Jog S, Sander M, Spies C, Lefrant JY, De Backer D; FENICE Investigators; ESICM Trial Group. Fluid challenges in intensive care: the FENICE study: A global inception cohort study. Intensive Care Med. 2015;41(9):1529-37.
-2020 Hammond NE, Taylor C, Saxena M, Liu B, Finfer S, Glass P, et al. Resuscitation fluid use in Australian and New Zealand Intensive Care Units between 2007 and 2013. Intensive Care Med. 2015;41(9):1611-9.) A evidência de prejuízos oriunda de recentes ensaios clínicos randomizados com o uso de coloides sintéticos, como HES,(33 Myburgh JA, Finfer S, Bellomo R, Billot L, Cass A, Gattas D, Glass P, Lipman J, Liu B, McArthur C, McGuinness S, Rajbhandari D, Taylor CB, Webb SA; CHEST Investigators; Australian and New Zealand Intensive Care Society Clinical Trials Group. Hydroxyethyl starch or saline for fluid resuscitation in intensive care. N Engl J Med. 2012;367(20):1901-11.

4 Perner A, Haase N, Guttormsen AB, Tenhunen J, Klemenzson G, Aneman A, Madsen KR, Møller MH, Elkjær JM, Poulsen LM, Bendtsen A, Winding R, Steensen M, Berezowicz P, Søe-Jensen P, Bestle M, Strand K, Wiis J, White JO, Thornberg KJ, Quist L, Nielsen J, Andersen LH, Holst LB, Thormar K, Kjældgaard AL, Fabritius ML, Mondrup F, Pott FC, Møller TP, Winkel P, Wetterslev J; 6S Trial Group; Scandinavian Critical Care Trials Group. Hydroxyethyl starch 130/0.42 versus Ringer's acetate in severe sepsis. N Engl J Med. 2012;367(2):124-34.

5 Yates DR, Davies SJ, Milner HE, Wilson RJ. Crystalloid or colloid for goal-directed fluid therapy in colorectal surgery. Br J Anaesth. 2014;112(2):281-9.

6 Annane D, Siami S, Jaber S, Martin C, Elatrous S, Declère AD, Preiser JC, Outin H, Troché G, Charpentier C, Trouillet JL, Kimmoun A, Forceville X, Darmon M, Lesur O, Reignier J, Abroug F, Berger P, Clec'h C, Cousson J, Thibault L, Chevret S; CRISTAL Investigators. Effects of fluid resuscitation with colloids vs crystalloids on mortality in critically ill patients presenting with hypovolemic shock: the CRISTAL trial. JAMA. 2013;310(17):1809-17.

7 Caironi P, Tognoni G, Masson S, Fumagalli R, Persenti A, Romero M, Fanizza C, Caspani L, Faenza S, Grasselli G, Iapichino G, Antonelli M, Parrini V, Fiore G, Latini R, Gattinoni L; ALBIOS Study Investigators. Albumin replacement in patients with severe sepsis or septic shock. N Engl J Med. 2014;370(15):1412-21.

8 Zarychanski R, Abou-Setta AM, Turgeon AF, Houston BL, McIntyre L, Marshall JC, et al. Association of hydroxyethyl starch administration with mortality and acute kidney injury in critically ill patients requiring volume resuscitation: a systematic review and meta-analysis. JAMA. 2013;309(7):678-88.

9 Gattas DJ, Dan A, Myburgh J, Billot L, Lo S, Finfer S; CHEST Management Committee. Fluid resuscitation with 6% hydroxyethyl starch (130/0.4) in acutely ill patients: an updated systematic review and meta-analysis. Anesth Analg. 2012;114(1):159-69.

10 Gillies MA, Habicher M, Jhanji S, Sander M, Mythen M, Hamilton M, et al. Incidence of postoperative death and acute kidney injury associated with i.v. 6% hydroxyethyl starch use: systematic review and meta-analysis. Br J Anaesth. 2014;112(1):25-34.

11 Perel P, Roberts I, Ker K. Colloids versus crystalloids for fluid resuscitation in critically ill patients. Cochrane Database Syst Rev. 2013;(2):CD000567.
-1212 Rochwerg B, Alhazani W, Sindi A, Heels-Ansdell D, Thabane L, Fox-Robichaud A, Mbuagbaw L, Szczeklik W, Alshamsi F, Altayyar S, Ip WC, Li G, Wang M, Wludarczyk A, Zhou Q, Guyatt GH, Cook DJ, Jaeschke R, Annane D; Fluids in Sepsis and Septic Shock Group. Fluid resuscitation in sepsis: a systematic review and network meta-analysis. Ann Intern Med. 2014;161(5):347-55.) poderia explicar a preferência por soluções cristaloides no Brasil e em outros países. É interessante observar que a maior proporção de uso de coloides em outros países é representada pela albumina. Como a albumina é dispendiosa, o custo pode ter limitado seu uso no Brasil, um país de renda média.(2121 Falcão H, Japiassú AM. Uso de albumina humana em pacientes graves: controvérsias e recomendações. Rev Bras Ter Intensiva. 2010;23(1):87-95.)

Outro aspecto que diferencia o Brasil dos demais países foi o uso da solução de cloreto de sódio a 0,9% como cristaloide de escolha. Embora a solução Plasma Lyte seja um produto de alto custo no Brasil, há soluções balanceadas de baixo custo (como Ringer Lactato). Nosso estudo não foi delineado para avaliar as potenciais razões para essa diferença entre o Brasil e outros países. É possível que isso tenha sido influenciado pela variação na disponibilidade entre locais do estudo e países, que enviesaria qualquer análise adicional. O número relativamente pequeno de pacientes e variáveis em nossa base de dados poderia também comprometer a confiabilidade de eventuais achados. Outra explicação possível é a preferência cultural, derivada de anos de uso do soro fisiológico potencialmente associado com pouca conscientização sobre os potenciais efeitos adversos de soluções hiperclorêmicas, já que a controvérsia relativa à comparação entre soluções cristaloides balanceadas e não balanceadas não era tão intensa quanto atualmente.(2222 Young P, Bailey M, Beasley R, Henderson S, Mackle D, McArthur C, McGuinness S, Mehrtens J, Myburgh J, Psirides A, Reddy S, Bellomo R; SPLIT Investigators; ANZICS CTG. Effect of a Buffered Crystalloid Solution vs Saline on Acute Kidney Injury Among Patients in the Intensive Care Unit: The SPLIT Randomized Clinical Trial. JAMA. 2015;314(16):1701-10.

23 Semler MW, Self WH, Rice TW. Balanced Crystalloids versus Saline in Critically Ill Adults. N Engl J Med. 2018;378(20):1951.
-2424 Self WH, Semler MW, Wanderer JP, Wang L, Byrne DW, Collins SP, Slovis CM, Lindsell CJ, Ehrenfeld JM, Siew ED, Shaw AD, Bernard GR, Rice TW; SALT-ED Investigators. Balanced Crystalloids versus Saline in Noncritically Ill Adults. N Engl J Med. 2018;378(9):819-28.) Cremos que nossos achados são potencialmente úteis para geração de hipóteses; são necessários mais estudos para avaliar os potenciais fatores associados com essa escolha.

Sepse, SDRA, trauma e TCE não influenciaram na escolha entre coloides e cristaloides. A incerteza em relação ao fluido ideal para essas doenças específicas poderia explicar esse achado.(2525 Martin C, Cortegiani A, Gregoretti C, Martin-Loeches I, Ichai C, Leone M, et al. Choice of fluids in critically ill patients. BMC Anesthesiol. 2018;18(1):200.) Contudo, nas UTIs brasileiras, os níveis de albumina sérica tiveram claro papel no direcionamento da escolha do tipo de fluido. Essa preferência não é suportada pela evidência disponível. Os resultados de ensaios clínicos randomizados de alta qualidade sugerem que a administração endovenosa de albumina não reduz a taxa de mortalidade na população mista de pacientes críticos, inclusive aqueles com hipoalbuminemia.(2626 SAFE Study Investigators, Finfer S, Bellomo R, McEvoy S, Lo SK, Myburgh J, Neal B, et al. Effect of baseline serum albumin concentration on outcome of resuscitation with albumin or saline in patients in intensive care units: analysis of data from the saline versus albumin fluid evaluation (SAFE) study. BMJ. 2006;333(7577):1044.) Mesmo a suplementação de albumina além de cristaloides com o alvo de concentrações séricas acima de 30g/L em pacientes sépticos não melhorou a sobrevivência aos 28 e 90 dias.(2727 Caironi P, Tognoni G, Masson S, Fumagalli R, Pesenti A, Romero M, Fanizza C, Caspani L, Faenza S, Grasselli G, Iapichino G, Antonelli M, Parrini V, Fiore G, Latini R, Gattinoni L; ALBIOS Study Investigators. Albumin replacement in patients with severe sepsis or septic shock. N Engl J Med. 2014;370(15):1412-21.) Assim, cremos que esse achado provavelmente reflete mais os padrões locais de prática do que evidência sólida. Convém mencionar que residentes e estagiários sênior tiveram maior probabilidade de prescrever soluções cristaloides para os pacientes do que os especialistas, provavelmente sugerindo que a exposição acadêmica à evidência científica promove alterações nos comportamentos práticos.(2828 Institute of Medicine (US) Committee on Standards for Developing Trustworthy Clinical Practice Guidelines; Graham R, Mancher M, Miller Wolman D, et al., editors. Clinical Practice Guidelines We Can Trust. Washington (DC): National Academies Press (US); 2011. 6, Promoting Adoption of Clinical Practice Guidelines. [cited 2020 Jan 13]. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK209543/
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK20...
) Outra explicação potencial é a diferença entre gerações. Os especialistas foram previamente expostos a um ambiente cultural no qual os coloides eram amplamente utilizados com base em seu potencial efeito superior na pressão oncótica. Em contraste, a nova geração, composta por residentes e estagiários, foi exposta à evidência científica referente aos riscos do uso de coloides. Isso também sugere que o treinamento continuado, mesmo para especialistas, que é importante para assegurar melhor qualidade dos cuidados.

O presente estudo tem pontos fortes e algumas limitações, e alguns desses aspectos foram mencionados no estudo principal.(1818 Hammond NE, Taylor C, Finfer S, Machado FR, An Y, Billot L, Bloos F, Bozza F, Cavalcanti AB, Correa M, Du B, Hjortrup PB, Li Y, McIntryre L, Saxena M, Schortgen F, Watts NR, Myburgh J; Fluid-TRIPS and Fluidos Investigators; George Institute for Global Health, The ANZICS Clinical Trials Group, BRICNet, and the REVA research Network. Patterns of intravenous fluid resuscitation use in adult intensive care patients between 2007 and 2014: An international cross-sectional study. PLoS One. 2017;12(5):e0176292.) Este é o primeiro estudo a descrever as práticas de ressuscitação volêmica em uma grande amostra de UTIs brasileiras. O uso de formulários-padrão para o relato dos casos e as definições em todos os países, assim como informações detalhadas sobre fatores clínicos que podem influenciar na escolha dos fluidos para ressuscitação por ocasião do episódio com fluidos, permitiram não apenas comparações com outros países, porém também análise dos padrões nacionais de prática. Dentre as limitações do estudo, é importante mencionar a que se refere à possibilidade de generalizar os resultados. Mesmo com uma grande amostra de UTIs, o uso de uma amostra de conveniência pode ter deixado de refletir as práticas adotadas nas UTIs brasileiras. Outra limitação é a definição dos episódios de ressuscitação volêmica.(1818 Hammond NE, Taylor C, Finfer S, Machado FR, An Y, Billot L, Bloos F, Bozza F, Cavalcanti AB, Correa M, Du B, Hjortrup PB, Li Y, McIntryre L, Saxena M, Schortgen F, Watts NR, Myburgh J; Fluid-TRIPS and Fluidos Investigators; George Institute for Global Health, The ANZICS Clinical Trials Group, BRICNet, and the REVA research Network. Patterns of intravenous fluid resuscitation use in adult intensive care patients between 2007 and 2014: An international cross-sectional study. PLoS One. 2017;12(5):e0176292.) Finalmente, a interpretação das práticas de administração de fluidos em populações específicas de pacientes, como os portadores de sepse, demanda cautela, em razão do número relativamente pequeno de pacientes.

CONCLUSÃO

As soluções cristaloides foram utilizadas mais frequentemente do que as coloides como fluido para ressuscitação volêmica em unidades de terapia intensiva brasileiras. A solução de cloreto de sódio a 0,9% foi a solução mais frequentemente prescrita no Brasil, apesar da disponibilidade de soluções balanceadas. A disponibilidade dos níveis séricos e os níveis baixos de albumina foram os fatores que influenciaram na escolha entre cristaloides ou coloides para a ressuscitação volêmica. Além disso, residentes/estagiários sênior foram mais propensos do que especialistas a prescrever fluidos cristaloides para os pacientes.

  • Registro Clinical Trials: Clinicaltrials.gov: Fluid-Translation of research into practice study (Fluid-TRIPS) - NCT02002013.

AGRADECIMENTOS

O estudo original teve suporte parcial de verbas irrestritas da Baxter Healthcare e CSL Behring, fornecidas ao George Institute for Global Health. NH recebeu uma bolsa de pós-graduação do National Health and Medical Research Council of Australia (2012±2014), que deu suporte à parte deste trabalho [APP1039312]. Os patrocinadores não tiveram qualquer influência no delineamento e condução do estudo, na coleta, gestão, análise e interpretação dos dados, na preparação do manuscrito e nem na decisão de submeter o manuscrito para publicação.

Centros brasileiros participantes

Coordenadora nacional: Flavia R Machado.

Albert Sabin Hospital e Maternidade - SR Zajac; Associação Beneficente Hospital Unimar - A Campos, D de Albuquerque; Associação Hospitalar Beneficente São Vicente de Paulo - J Gomez; Casa de Caridade de Carangola - S Vaz; Casa de Saúde Campinas - B Campos, W Delgadinho; Casa de Saúde Santa Lúcia - RT Amâncio, VC Souza-Dantas; Clínica Campo Grande - V Damasceno, J dos Santos; Clínica Dom Rodrigo - F de Araújo, I do Nascimento; Complexo Hospitalar Ortotrauma de Mangabeira - F de Araújo, I do Nascimento; Fundação Doutor Amaral Carvalho - M Higashi, E Mattos; Fundação Pio XII- Hospital de Câncer de Barretos - CP Amendola, UVA Silva; Hospital São José - F Dal-Pizzol, C Ritter; Hospital 9 de Julho - UTI 10a andar - MD D’Agostino; Hospital 9 de Julho - UTI 11a andar - C Moreira; Hospital 9 de Julho - UTI 1a andar - C Moreira; Hospital 9 de Julho - UTI 8a andar - L da Cruz Neto; Hospital 9 de Julho - UTI 9a andar - F Ganem; Hospital Adventista de Belém - ME de Oliveira, E Sobrinho; Hospital Adventista de Manaus - P Ferreira, R Rabelo; Hospital Alemão Oswaldo Cruz - R Cordioli, F Zampieri; Hospital Alvorada Brasília - ACC Cembranel, EJ Nascimento; Hospital Alvorada Taguatinga - RS Biondi, E Milhomem; Hospital Amecor - Unidade Coronariana - M Bley; Hospital Amecor - UTI Geral - M Bley; Hospital Anis Rassi - G Canedo, R Filho; Hospital Assunção - M Fukushima, L Miilher; Hospital Beneficência Portuguesa - UTI do Choque - S Houly; Hospital Brigadeiro - EC Maitan, OL Santarém; Hospital Carlos da Silva Lacaz - A Ferreira, E Ferreira; Hospital Casa de Saúde de Santos - P Rosateli, A Scazufka; Grupo Hospitalar Nossa Senhora da Conceição - W Nedel, VM Oliveira; Hospital Copa D’Or - CTI Amarelo - L Rabello, W Viana; Hospital Copa D’Or UPO 2 - AP Santos, W Viana; Hospital Copa D’Or - UTI Azul - L Tanaka, W Viana; Hospital Copa D’Or - UTI Pós-Operatória - L Salles, AP Santos; Hospital Copa D’Or - CTI Verde - K Ebecken, W Viana; Hospital Copa D’Or - Neurointensiva - D Musse, L Rabello; Hospital Copa D’Or - UTI Lilás - L Rabello, L Tanaka; Hospital da Luz Vila Mariana - F Filho, F dos Santos Borges; Hospital da Restauração - K Monteiro, F Buarque; Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - UTI Emergências Clínicas - P Mendes, L Taniguchi; Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu - L de Stefano, A Gut; Hospital das Clínicas da Faculdade Ribeirão Preto - M Auxiliadora-Martins, ML Puga; Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais - V Nobre; Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Espírito Santo - LM Caixeta, PF Vassallo; Hospital das Clínicas de Porto Alegre - RB Moraes, J Vidart; Hospital de Base - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - H Batista, SM Lobo; Hospital de Caridade Astrogildo de Azevedo - CB da Silva, C Kmohan; Hospital de Clínicas Gaspar Vianna - C da Rocha, H Reis; Hospital de Urgência - UTI Geral 1 - D Pedroso, J Sobrinho; Hospital de Urgência - UTI Geral 4 - S Faria; Hospital de Urgência - UTI Neurológica 3 - J Sobrinho; Hospital de Urgência - UTI Trauma 2 - S Faria, D Pedroso; Hospital Distrital Evandro Ayres de Moura - L Figueiredo, H Magalhaes; Hospital do Coração - MLP Romano, R Vasconcelos; Hospital do Coração do Brasil - H Araújo, M de Araújo; Hospital do Rim e Hipertensão - AT Bafi, FGR Freitas; Hospital do Servidor Público Estadual - S Luzzi, D Ortega; Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo - T Farhat; Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo - UTI 7a andar - KM Sato; Hospital do Subúrbio - J Motta, C Lins; Hospital do Trabalhador - A Rea-Neto, F Reese; Hospital Dom Hélder - RAF Gomes, ARA Macedo Júnior; Hospital Dom Vicente Scherer - EM Rodrigues Filho, M Hadrich; Hospital e Maternidade Municipal Dr. Odelmo Leão Carneiro - C Arantes, MAS Toneto; Hospital e Maternidade Otaviano Neves - B Fernandino, A Pereira; Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto - L Cavalcante, A Matos; Hospital Ecoville - L Araújo, A Rea-Neto; Hospital Escola da Faculdade de Medicina de Jundiaí - E Ferreira; Hospital Estadual de Urgência e Emergência de Vitória - L Dornelas, L Tcherniacovsk; Hospital Estadual Getúlio Vargas - UTI 1 - A Rodrigues, K Schechter; Hospital Estadual Getúlio Vargas - UTI 2 - F Montesanto, B Vidal; Hospital Estadual Getúlio Vargas - UTI 3 - C Frambach, G Moralez; Hospital Estadual Getúlio Vargas - UTI 4 - F Callil, V Montez; Hospital Estadual Rocha Faria - CHF Ramos; Hospital Evangélico de Londrina - J Festti, C Grion; Hospital Evangélico de Sorocaba - A de Souza, M Marabezi; Hospital Federal dos Servidores do Estado RJ - M Bissoli, J Marques; Hospital Felício Rocho - D Fontes, C Ranyere; Hospital Fernandes Távora - A Batista, L Martins; Hospital e Maternidade Galileo - W Delgadinho, M Rocha; Hospital Geral de Fortaleza - UTI Azul - C Feijó, V Araújo; Hospital Geral de Goiânia - D Pedroso, G Silva; Hospital Geral de Vitória da Conquista - M Martins, M Ribeiro II; Hospital Geral Dr. César Cals - A Justo, A Macedo; Hospital Goiânia Leste - M Nobrega, M Nobrega; Hospital Hélio Anjos Ortiz - H Júnior, M Lazzarotto; Hospital IBR - J Andrade, L Souza; Hospital Estadual Ipiranga - S Fernandes, F Lombardi; Hospital Israelita Albert Einstein - TD Correa, M Assunção; Hospital Jardim Amália - C Arbex, M Arbex; Hospital Estadual Jayme Santos Neves - F dos Anjos Sad, E Stucchi; Hospital M’Boi Mirim - A Andrade, C de Abreu Filho; Hospital Madre Regina Prottman - D Colodetti, M Rodrigues; Hospital Marcelino Champagnat - M de Oliveira, A Rea-Neto; Hospital de Clínicas Mário Lioni - P Galhardo, A Japiassú; Hospital Maternidade e Pronto-Socorro Santa Lucia - R Bergo, F Dall’Orto; Hospital Maternidade São José - P Bernardes, R Figueiredo; Hospital Memorial São José - G Costa, K Monteiro; Hospital Moinhos de Vento - M Rosa, JHD Barth; Hospital Municipal de Paracatu - T Neiva, R de Souza; Hospital Municipal Dr. Munir Rafful - M Arbex, L de Oliveira; Hospital Municipal Irmã Dulce - D Boni, MOG Douglas; Hospital Municipal Dr. José Soares Hungria - K Conde, N Quintino; Hospital Municipal Padre Germano Lauck - R Almeida, J Fuck; Hospital Municipal Pedro II - E Paranhos, J Soares; Hospital Municipal Santa Isabel - A de Carvalho, C Tavares; Hospital Municipal São José - D Possamai, G Westphal; Hospital Nereu Ramos - E Berbigier, I Maia; Hospital Norte D’Or - J Pinto, S Sant’Anna; Hospital Nossa Senhora da Conceição - JM de Araújo, F Schuelter-Trevisol; Hospital Nossa Senhora dos Prazeres - A Gargioni, R Gargioni; Hospital Nossa Senhora Monte Serrat - MAP Alves; Hospital Novo Atibaia - A Bemfica, R Franco; Hospital Ortopédico - L da Silva, M Nobrega; Hospital Paulistano - I Campos, DT Noritomi; Hospital Paulo Sacramento - ELA Ferreira; Hospital PIO XII de São José dos Campos - Unidade Coronariana - M Durval, A Silva; Hospital Português - R Hermes, O Messeder; Hospital Primavera - J Feijó, E Nogueira; Hospital Professor Edmundo Vasconcelos - E Jodar, R Pereira; Hospital Regional de Sousa - P da Silveira, A Lunguinho; Hospital Regional de Itapetininga São Camilo - V Irineu, R Seabra; Hospital Regional de Jundiaí - G Cavalcanti, M Leão; Hospital Regional de Presidente Prudente - GN Betônico, LA Garcia; Hospital Regional de Samambaia - UTI 1 - F Amorim, C de Carvalho; Hospital Regional de Samambaia - UTI 2 - S Margalho, F Santos; Hospital Renascentista - D Beraldo, R dos Santos; Hospital Samaritano Rio de Janeiro - J Freitas, R Lima; Hospital Samaritano São Paulo - UTI 6a andar - B Mazza, S Almeida; Hospital Samaritano São Paulo - 3a andar - B Mazza, R Rocha; Hospital Samaritano João Pessoa - P Gottardo, C Mendes; Hospital Santa Helena - R Narciso, S Pantaleão; Hospital Santa Isabel - K Gerent; Hospital Santa Izabel - R Marco, D Vinho; Hospital Santa Juliana - EMV Troncoso, KLN Vilassante; Hospital Santa Lúcia - A Ventura, M da Silva; Hospital Santa Maria - M Nobrega, F Oliveira; Hospital Santa Maria - Intensibarra - I Santiago, A Lima; Hospital Santa Rita - F da Costa, M Vilela; Hospital Santa Rita - T Lisboa, A Torelly; Hospital São Camilo Ipiranga - M Dutra, F Giannini; Hospital São Camilo Pompéia - A Ramacciot, AT Maciel; Hospital São Francisco de Assis - GA da Silva, M da Silva; Hospital São João de Deus - G Gussen, M Rocha; Hospital São Lucas - UTI cirúrgica - C Santos, T Smith; Hospital São Lucas - UTI clínica - A Sobrinho, T Smith; Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - S Baldiserotto, M Moretti; Hospital São Marcos - UTI A - W Dantas, L Ishiy; Hospital São Marcos - UTI B - W Dantas, L Ishiy; Hospital São Mateus - JG Moreira Filho; Hospital Saúde da Mulher - N Machado, L Rezegue; Hospital Sepaco - AT Bafi, ES Pacheco; Hospital SOS Cárdio - F Aranha, R Saorin; Hospital Tereza Ramos - K de Paula, R Waltrick; Hospital TotalCor - A Batista, P de Barros e Silva; Hospital Uniclinic - M Serpa, J Terceiro; Hospital Unimed ABC - MOG Douglas, R Rosenblat; Hospital Unimed de Belo Horizonte - A Barbosa, C Nogueira; Hospital Unimed de Limeira - A de Carvalho, L Paciência; Hospital Unimed de Macaé - JT Passos, PTS Almeida; Hospital Unimed de Manaus - WO Filho, MM Lippi; Hospital Unimed Rio de Janeiro - M Assad, F Miranda; Hospital Unimed Rio de Janeiro - UTI Cardio - R Gomes, P Nogueira; Hospital Unimed Salto - MAP Alves; Hospital Universitário Cajuru - V Bernardes, L Tannous; Hospital Universitário Ciências Médicas - R Dutra, G Mirachi; Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora - BV Pinheiro, EV Carvalho; Hospital Universitário da Universidade Federal de São Paulo - UTI Clínica Médica - H Guimaraes, L Vendrame; Hospital Universitário da Universidade Federal de São Paulo - UTI Geral - F Machado, A Nascente; Hospital Universitário da Universidade Federal de São Paulo - UTI Neuro - F Machado, J Polezei; Hospital Universitário da Universidade Federal de São Paulo - UTI Pronto-Socorro - AFT de Góis, KMC Teixeira; Hospital Universitário da Faculdade de Medicina de Jundiaí - G Cavalcanti, M Leão; Hospital Universitário de Maringá - A Germano, S Yamada; Hospital Universitário de Santa Cruz do Sul - P de Moraes, R Foernges; Hospital Universitário de Santa Maria - L Garcia, S Ribeiro; Hospital Universitário Getúlio Vargas - WO Filho, A Matos; Hospital Universitário Júlio Müller - D Castiglioni, G da Silva; Hospital Universitário Lauro Wanderley - P Gottardo, C Mendes; Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian - S Pinto; Hospital Universitário São Francisco de Paula - M Guerreiro, L Teixeira; Hospital Universitário -Universidade Federal Grande Dourados - M Matsui, E Neto; Hospital Vila da Serra - F Anselmo, H Urbano; Hospital Vita Batel - R Deucher, A Rea-Neto; Instituto do Coração, Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - J Ferreira, E Costa; Instituto do Coração, Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - REC - FRBG Galas, LA Hajjar; Instituto do Coração, Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - FG Lima, VRB Benites; Instituto de Infectologia Emílio Ribas II - R Borba, M Douglas; Instituto de Ortopedia e Traumatologia - CPP Castro, AB Saraiva; Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas - Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas da Fundação Oswaldo Cruz - FA Bozza, A Japiassú; Instituto do Câncer do Estado de São Paulo - JP Almeida, LA Hajjar; Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer - C Righy, B Goncalves; Instituto D’Or de Ensino e Pesquisa - G Viana, A Reis; Instituto Latino Americano de Sepse - F Carrara, A Carvalho Júnior; Instituto Nacional de Cardiologia - M de Freitas, R Felipe; Instituto Ortopédico - L Caetano, M Nobrega; Instituto de Pesquisa Hospital do Coração - D de Moraes Paisani; Irmandade de Misericórdia de Guaxupé - SA Bezerra, DRB Pereira; Irmandade Misericórdia Hospital Santa Casa de Monte Alto - L Cassimiro, W Filho; Lifecenter - M Hermeto, B Pinto; Samur - L Ferraz, L Melo; Santa Casa de Angra dos Reis - V Bogado, S Silva; Santa Casa de Belém do Pará - R Batista, N Fonseca; Santa Casa de Belo Horizonte - P Correia, G Reis; Santa Casa de Caridade de Diamantina - MF Sousa, MMF Souza; Santa Casa de Misericórdia de Assis - GN Betônico, AL Leonardi; Santa Casa de Caridade de Don Pedrito - J Alvarez, A Tarouco; Santa Casa de Misericórdia de Paraguaçu Paulista - JA Alves, PRG Silva; Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre - G Friedman, T Lisboa; Santa Casa de Misericórdia de Presidente Prudente - C Bosso, G Plantier; Santa Casa de Misericórdia de Ribeirão Preto - P Antoniazzi, F Ostini; Santa Casa de Misericórdia de Santana do Livramento - J Alvarez, D de Souza; Santa Casa de Misericórdia de Santo Amaro - P Chaves, J Farhat Júnior; Santa Casa de Misericórdia de São Paulo - R Marco, E Peixoto; Santa Casa de Misericórdia de Vitória da Conquista - G Moreno; Santa Casa Maringá - Universidade Estadual Maringá - D Bolognese, P Torres; São Bernardo Apart Hospital - R López, M Rodrigues; Sociedade Beneficente de Senhoras Hospital Sírio-Libanês - LCP Azevedo, F Ramos; Universidade Estadual de Campinas - UTI da Disciplina de Emergências Clínicas - C Gontijo-Coutinho, T Santos; Universidade Estadual de Londrina - C Grion, M Tanita; Vitória Apart Hospital - A Muniz, C Piras

Os centros dos demais países foram mencionados na publicação original.

REFERÊNCIAS

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    05 Jul 2021
  • Data do Fascículo
    Apr-Jun 2021

Histórico

  • Recebido
    19 Set 2020
  • Aceito
    08 Dez 2020
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