A Influência do ruído na habilidade auditiva de ordenação temporal para sons verbais

Ana Carolina Fonseca Guimarães Juliana Nunes Santos Alessandra Terra Vasconcelos Rabelo Max de Castro Magalhães Sobre os autores

Resumos

OBJETIVO:

apurar a relação entre o ruído presente em sala de aula e a habilidade auditiva de ordenação temporal para sons verbais.

MÉTODOS:

estudo descritivo transversal, com amostra de 209 estudantes com idade entre sete e dez anos. Foi realizada a avaliação do ruído em 13 salas de aula de oito escolas públicas municipais de Belo Horizonte, por meio da medição do parâmetro acústico nível de pressão sonora equivalente, com as salas de aula vazias e mobiliadas, de acordo com a norma American National Standards Institute (ANSI) S12.60. Para avaliar a habilidade auditiva de ordenação temporal para sons verbais nos estudantes, foi utilizado o teste de memória sequencial verbal. Para fins de análise estatística, o ruído foi categorizado pelo valor da mediana e relacionado aos resultados dos estudantes no teste.

RESULTADOS:

a maioria dos alunos apresentou resultado normal no teste e não houve diferença em relação ao gênero e à idade. Todas as salas de aula apresentaram valores de nível de pressão sonora equivalente acima do preconizado pelas normas regulamentadoras internacionais (ANSI S12.60 e Bulletin 93) e nacional (Associação Brasileira de Normas Técnicas -NBR10152). Ao relacionar o ruído com o desempenho dos alunos no teste, houve diferença, com maior ocorrência de alterações nos alunos pertencentes às salas mais ruidosas.

CONCLUSÃO:

os níveis de ruído mensurados nas salas de aula estão acima do permitido pelas normas e constatou-se relação entre ruído presente na sala de aula e maior dificuldade na habilidade auditiva de ordenação temporal.

Saúde Escolar; Ruído; Efeitos do Ruído; Percepção Auditiva; Testes Auditivos; Aprendizagem


PURPOSE:

to investigate the relationship between ambient noise levels in classrooms and auditory temporal ordering ability for verbal sounds.

METHODS:

a cross-sectional descriptive study of a sample of 209 students aged 7‒10 years was conducted. Noise levels were measured in 13 classrooms at 8 Belo Horizonte public schools. The acoustic parameter for this assessement was the equivalent sound pressure level for unoccupied and furnished classrooms according to the American National Standards Institute (ANSI) standard S12.60. To assess the verbal auditory temporal ordering ability of students, a verbal sequential memory test was given. For statistical analysis, noise was categorized on the basis of the median noise level value and related to the students' achievement in the test.

RESULTS:

most students showed normal results and no statistical difference was found regarding sex and age. All classrooms had noise levels ​​above the upper limits recommended by international (ANSI S12.60 and Bulletin 93) and national (Brazilian Association of Technical Standards - NBR10152) standards. Significant differences were found when relating the noise with student test performance, with greater alterations in the students belonging to the noisiest rooms.

CONCLUSION:

ambient classroom noise levels were above those permitted by the standards. Classroom noise was associated with greater difficulties in auditory temporal ordering ability.

School Health; Noise; Noise Effects; Auditory Perception; Hearing Tests; Learning


Introdução

Para ocorrer desenvolvimento da aprendizagem, é necessário que o indivíduo tenha habilidades cognitivas e que as condições ambientais sejam favoráveis. A aprendizagem é o meio pelo qual o indivíduo promove sua inserção social na sociedade. É dever do Estado oferecer subsídios, por intermédio da escola, que estimulem os diferentes potenciais dos alunos11. Ministério da saúde (Brasil). Saúde na escola. Série B. Textos Básicos em saúde. Brasília: Ministério da Saúde; 2009. 24p..

A principal ferramenta de produção do conhecimento no ambiente escolar é a voz do professor22. Dreossi RCF, Momensohn-Santos T. O ruído e sua interferência sobre estudantes em uma sala de aula: revisão de literatura. Pro-Fono R Atual Cient. 2005;17(2):251-8.. Para que possa compreender a mensagem verbal, além de possuir fisiologia auditiva favorável, conforme os padrões de normalidade, o estudante precisa interpretar e reconhecer a mensagem33. Ramos CS, Pereira LD. Processamento auditivo e audiometria de altas frequências em escolares de São Paulo. Pro-Fono R Atual Cient. 2005;17(2):153-64.. As habilidades auditivas, também conhecidas como "processamento auditivo", estão entre as habilidades essenciais para a aprendizagem. Elas expressam a forma como os indivíduos interpretam o que ouvem. Compreendem o conjunto de habilidades responsáveis pela localização, lateralização da fonte sonora, discriminação auditiva, reconhecimento de padrões auditivos, aspectos temporais da audição e desempenho auditivo com sinais acústicos competitivos e degradados44. ASHA: American Speech and Hearing Association [Internet]. Rockville: American Speech-Language-Hearing Association; 2005. Central Auditory Processing Disorders [Technical Report]; Available from: http://www.asha.org/policy.
http://www.asha.org/policy...
. Essas habilidades são utilizadas a todo instante por indivíduos sem alteração auditiva, em situações de comunicação.

No âmbito do conjunto de habilidades do processamento auditivo, os aspectos temporais assumem importante papel na compreensão da fala e, consequentemente, no desenvolvimento da linguagem55. Santos JLF, Parreira LMMV, Leite RDCD. Habilidades de ordenação e resolução temporal em crianças com desvio fonológico. Rev CEFAC. 2010;12(3):371-6. , 66. Terto SSM, Lemos SMA. Aspectos temporais auditivos: produção de conhecimento em quatro periódicos nacionais. Rev. CEFAC. 2011;13(5):926-36.. Define-se como processamento temporal as habilidades de ordenação (ou sequencialização), resolução (ou somação), mascaramento e resolução (ou acuidade temporal) 66. Terto SSM, Lemos SMA. Aspectos temporais auditivos: produção de conhecimento em quatro periódicos nacionais. Rev. CEFAC. 2011;13(5):926-36.. Estas habilidades possibilitam a percepção das alterações do som no tempo e no espaço66. Terto SSM, Lemos SMA. Aspectos temporais auditivos: produção de conhecimento em quatro periódicos nacionais. Rev. CEFAC. 2011;13(5):926-36.. Neste estudo, avalia-se a habilidade auditiva de ordenação temporal para sons verbais, entendida como a capacidade do indivíduo de perceber diferentes estímulos em sua ocorrência no tempo66. Terto SSM, Lemos SMA. Aspectos temporais auditivos: produção de conhecimento em quatro periódicos nacionais. Rev. CEFAC. 2011;13(5):926-36..

Para que o indivíduo processe adequadamente o som, o sinal acústico deve chegar até ele de forma eficaz. Sendo assim, ele necessita de um ambiente acusticamente favorável. O ambiente favorável é indispensável para a inteligibilidade de fala, que é definida com base na relação entre as palavras pronunciadas e as palavras entendidas. Um dos agentes que prejudicam essa inteligibilidade de fala é o ruído presente no ambiente escolar77. Gonçalves VSB, Silva LSS, Silva LB, Coutinho AS. Ruído como agente comprometedor da inteligibilidade de fala dos professores. Produção. 2009;19(3):466-76..

Em uma sala de aula, o ruído está entre os fatores prejudiciais à boa comunicação entre o professor e o aluno, pois compete com a fala do professor22. Dreossi RCF, Momensohn-Santos T. O ruído e sua interferência sobre estudantes em uma sala de aula: revisão de literatura. Pro-Fono R Atual Cient. 2005;17(2):251-8. , 77. Gonçalves VSB, Silva LSS, Silva LB, Coutinho AS. Ruído como agente comprometedor da inteligibilidade de fala dos professores. Produção. 2009;19(3):466-76. , 88. Guidini RF, Bertoncello F, Zanchetta S, Dragone MLS. Correlações entre ruído ambiental em sala de aula e voz do professor. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2012;17(4):398-404. e ocasiona pior percepção e interpretação dos sons99. Caumo DTM, Ferreira MIDC. Relação entre desvios fonológicos e processamento auditivo. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2009;14(2):234-40..

Muitos estudos têm sido realizados para mensurar o impacto do ruído nas habilidades auditivas no ambiente educacional1010. Jaroszewski GC, Zeigelboim BS, Lacerda A. Ruído escolar e sua implicação na atividade de ditado. Rev. CEFAC. 2007;9(1):122-32.

11. Nascimento LS, Lemos SMA. A influência do ruído ambiental no desempenho de escolares nos testes de padrão tonal de frequência e padrão tonal de duração. Rev. CEFAC. 2012;14(3):390-402.
- 1212. Klatte M, Lachmann T, Meis M. Effects of noise and reverberation on speech perception and listening comprehension of children and adults in a classroom-like setting. Noise Health. 2010;12(49):270-82..Dados demonstram a interferência do ruído nas habilidades auditivas de estudantes, as quais são necessárias ao bom entendimento do conteúdo das aulas1111. Nascimento LS, Lemos SMA. A influência do ruído ambiental no desempenho de escolares nos testes de padrão tonal de frequência e padrão tonal de duração. Rev. CEFAC. 2012;14(3):390-402. , 1313. Pinheiro FH, Oliveira AM, Cardoso ACV, Capellini AS. Testes de escuta dicótica em escolares com distúrbio de aprendizagem. Braz J Otorhinolaryngol. 2010;76(2):257-62., além da falta de condições acústicas favoráveis nas escolas1414. Greenland EE, Shield BM. A survey of acoustic conditions in semi-open plan classrooms in the United Kingdom. J Acoust Soc Am. 2011;130(3):1399-410..

O sucesso do aluno no ambiente acadêmico não é de responsabilidade exclusiva da educação, mas também da sociedade como um todo, que deve ter na educação um alicerce sólido, mediante o exercício da corresponsabilização e da cogestão. Atualmente, constata-se a preocupação dos gestores com o aprendizado dos estudantes, refletida no incremento dos investimentos em políticas que visam integrar a saúde e a educação. O programa de saúde na escola atua na perspectiva da inserção de uma cultura de ações de promoção e prevenção em saúde para minimizar impactos, como no caso do ruído, na educação e na saúde, por meio de ações educativas11. Ministério da saúde (Brasil). Saúde na escola. Série B. Textos Básicos em saúde. Brasília: Ministério da Saúde; 2009. 24p..

Com foco nas condições atuais das escolas e na importância de um bom desempenho das habilidades auditivas para o aprendizado do aluno, este estudo tem por objetivo apurar a relação entre o ruído presente em sala de aula e a habilidade auditiva de ordenação temporal para sons verbais em situação de ensino aprendizagem.

Métodos

Trata-se de um estudo descritivo transversal, com amostra de conveniência de oito escolas públicas de Belo Horizonte, aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da UFMG, sob o protocolo 352/2012.

As escolas foram selecionadas buscando-se diferentes características de construção e localização nas regiões da cidade e em diferentes tipos de via, com o objetivo de abranger a maior diversidade de exposição ao ruído. Em cada escola selecionada, duas salas de aula foram sorteadas para serem analisadas acusticamente. Em uma escola foi possível avaliar somente uma sala de aula. Assim, 13 salas de aula participaram da pesquisa.

A amostra foi constituída por 209 crianças, com idade variando entre sete e dez anos, sendo 108 do gênero masculino e 101 do feminino (48,3 %).

Todos os estudantes estavam regularmente matriculados no ensino fundamental das escolas avaliadas, o que os tornavam elegíveis para a participação no estudo. Foram considerados como critérios de exclusão da pesquisa: presença de déficit de atenção, alteração auditiva ou motora identificados pela professora, não cooperação do estudante ou dificuldade apresentada na realização do teste.

Além de avaliar os estudantes, mediu-se o ruído nas 13 salas de aula e aplicou-se a análise do parâmetro acústico nível de pressão sonora equivalente (Leq).

Os pais das crianças participantes foram informados sobre o caráter voluntário da participação na pesquisa, seus objetivos e repercussões. Posteriormente, eles assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) concordando em participar.

As escolas participantes foram esclarecidas sobre a pesquisa e autorizaram as medições do ruído nas salas de aula e a aplicação dos testes nas crianças.

Para a medição do parâmetro acústico Leq, utilizou-se um medidor de nível de pressão sonora digital com data-logger da marca Instrutherm, modelo DEC-490, com microfone tipo dois. As medições foram realizadas por um profissional previamente treinado, nas frequências de 63Hz a oito KHz, em intervalos de um segundo entre as medições, com as salas de aula vazias, mobiliadas, com as atividades escolares ocorrendo normalmente nas salas de aula adjacentes. Foram coletados os dados durante uma hora. O medidor de nível de pressão sonora foi posicionado a um metro e 20 centímetros do chão, meio metro dos objetos móveis e um metro das paredes e objetos fixos. Escolheu-se a posição de fundo da sala próximo à janela, considerada a pior situação ou o local mais ruidoso da sala. As medições foram baseadas na norma internacional Acoustical Society of America-ANSI S12.60 (2010) 1515. Acoustical Society of America. ANSI S12.60-2010 - American National Standard: Acoustical Performance Criteria, Design Requirements, and Guidelines for Schools, Part 1: Permanent Schools, 2010..

A habilidade auditiva de ordenação temporal para sons verbais foi avaliada por meio do teste de memória sequencial verbal, aplicado por pesquisadoras previamente treinadas. A testagem consistiu em repetições das sílabas PA, TA, KA e FA, em sequências diferentes1616. Pereira LD. Processamento auditivo central: abordagem passo a passo. In: Pereira LD, Schochat E. (Org) Processamento Auditivo Central: Manual de Avaliação. São Paulo: Lovise, 1997. P.49-59. , 1717. Corona AP, Pereira LD, Ferrite S, Rossi AG. Memória sequencial verbal de três e quatro sílabas em escolares. Pro-Fono R Atual Cient. 2005;17(1):27-36.. O teste utilizado é padronizado para aplicação individual. Optou-se por adaptá-lo para aplicação em grupo em uma situação real de ensino-aprendizagem. As sílabas foram gravadas em laboratório acusticamente tratado, por um falante do sexo feminino, utilizando o programa Audacity. O teste foi reproduzido por um aparelho sonoro, com intensidade de 65 dB(A), para reproduzir a voz do professor em uma sala de aula sem esforço vocal1818. Libardi A, Vieira TP, Silverio KC, Rossi D, Penteado RZ. O ruído em sala de aula e a percepção dos professores de uma escola de ensino fundamental de Piracicaba. Distúrbios da Comunicação. 2006;18(2):167-78..

O teste foi aplicado em 13 salas de aula. Os estudantes receberam um formulário contendo sequências gráficas das sílabas PA, TA, KA e FA sendo orientados a marcar X, em um conjunto fechado com três opções de respostas, a sequência de sílabas ouvida1616. Pereira LD. Processamento auditivo central: abordagem passo a passo. In: Pereira LD, Schochat E. (Org) Processamento Auditivo Central: Manual de Avaliação. São Paulo: Lovise, 1997. P.49-59. , 1717. Corona AP, Pereira LD, Ferrite S, Rossi AG. Memória sequencial verbal de três e quatro sílabas em escolares. Pro-Fono R Atual Cient. 2005;17(1):27-36.. O teste possui critérios para sua análise e interpretação, que consideram como padrão de normalidade o acerto de pelo menos duas sequências de quatro sílabas em três apresentações1616. Pereira LD. Processamento auditivo central: abordagem passo a passo. In: Pereira LD, Schochat E. (Org) Processamento Auditivo Central: Manual de Avaliação. São Paulo: Lovise, 1997. P.49-59. , 1717. Corona AP, Pereira LD, Ferrite S, Rossi AG. Memória sequencial verbal de três e quatro sílabas em escolares. Pro-Fono R Atual Cient. 2005;17(1):27-36..

Para a análise dos dados, foi utilizado o software SPSS 16.0. Realizou-se a análise descritiva das variáveis categóricas e medidas de tendência central e a dispersão das variáveis contínuas.

Para analisar a relação entre os resultados dos estudantes no teste de memória sequencial verbal e o valor do nível de pressão sonora equivalente encontrado na sala de aula, a variável Leq foi categorizada a partir do valor da mediana de 60 dB(A). Assim, as salas de aula foram divididas em dois grupos: a) salas com ruído médio de até 60 dB(A); b) salas com ruído elevado com valor acima de 60 dB(A).

Para analisar a associação do resultado do teste de ordenação temporal com as variáveis gênero, idade e Leq, utilizaram-se os testes Qui-quadrado e t-Student.

Resultados

Foram avaliados 229 estudantes, dos quais 20 preencheram os critérios de exclusão. A amostra ficou constituída, então por 209 estudantes, com média de idade de oito anos e sete meses (± 0,96).

A maioria dos estudantes apresentou resultado adequado na prova de ordenação temporal verbal (Tabela 1).

Quando comparado o resultado do teste de ordenação temporal com o gênero e a idade, não houve diferença (valor de p > 0,05) (Tabela 2).

Os valores do Leq nas salas de aula avaliadas variaram de 54,9 a 70,37 dB (A), com média de 62,4dB (A) ( ±4,6) (Figura 1).

Figura 1:
Variação do nível de pressão sonora equivalente em 13 salas de aula

Houve relação entre o ruído e o teste de ordenação temporal para sons verbais, pois dos alunos que apresentaram resultado alterado, 70,6% encontravam-se presentes em salas que apresentaram valores acima de 60 dB(A) nas medições (Tabela 3).

Discussão

Os estudantes foram avaliados nesta pesquisa em relação à variável Leq, classificados em duas categorias, e quanto ao desempenho no teste de ordenação temporal verbal. Por não existir um teste de escuta diótica padronizado e validado em nosso meio, optou-se por adaptar o teste de memória sequencial verbal para sua realização em grupo, a fim de simular uma situação real de ensino-aprendizagem em sala de aula, visto que a literatura aponta 65 dB como a intensidade vocal do professor em situação de ensino aprendizagem1818. Libardi A, Vieira TP, Silverio KC, Rossi D, Penteado RZ. O ruído em sala de aula e a percepção dos professores de uma escola de ensino fundamental de Piracicaba. Distúrbios da Comunicação. 2006;18(2):167-78. , 1919. Santos JF, Seligman L, Tochetto TM. Conforto acústico na percepção de escolares alfabetizados. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2012;17(3):254-9.. Nesse sentido, o teste foi gravado e reproduzido nessa intensidade. A literatura relata que níveis superiores de produção vocal geram no indivíduo sintomas como cansaço e ardência vocal, estresse e, consequentemente, durante longos períodos de tempo, alterações laringológicas88. Guidini RF, Bertoncello F, Zanchetta S, Dragone MLS. Correlações entre ruído ambiental em sala de aula e voz do professor. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2012;17(4):398-404..

Neste estudo, não houve diferença entre os resultados do teste de ordenação temporal verbal e as variáveis de gênero e idade (tabela 1), o que diverge da literatura, já que alguns estudos mostram melhor desempenho no gênero masculino nos testes que avaliam o processamento auditivo em crianças com idade escolar1111. Nascimento LS, Lemos SMA. A influência do ruído ambiental no desempenho de escolares nos testes de padrão tonal de frequência e padrão tonal de duração. Rev. CEFAC. 2012;14(3):390-402.. Além disso, observou-se em estudos anteriores, melhor desempenho com o aumento da idade, o que pode ser justificado pelo processo de maturação neuronal dos indivíduos99. Caumo DTM, Ferreira MIDC. Relação entre desvios fonológicos e processamento auditivo. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2009;14(2):234-40. , 2020. Simon LF; Rossi AG. Triagem do processamento auditivo em escolares de 8 a 10 anos. Psicologia Escolar e Educacional. 2006;10(2):293-304..

Os resultados do teste de ordenação temporal apresentaram-se alterados em alguns estudantes. Outros estudos encontraram valores semelhantes na ocorrência dessas alterações2121. Pelitero TM, Manfredi AKDS, Schneck APC. Avaliação das habilidades auditivas em crianças com alterações de aprendizagem. Rev CEFAC. 2010;12(4):662-70. , 2222. Engelmann L, Ferreira MIDC. Avaliação do processamento auditivo em crianças com dificuldades de aprendizagem. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2009;14(1):69-74.. Percebe-se, portanto, que esses estudantes apresentaram dificuldade na habilidade auditiva de ordenação temporal para sons verbais, o que aponta para a necessidade de promover investigações sobre a integridade do processamento auditivo em escolares. É importante ressaltar que grande parte das informações discutidas em sala de aula é produzida verbalmente pela professora e por outros alunos. Uma alteração no processamento auditivo poderia gerar no aluno dificuldade na compreensão da fala e na aprendizagem, contribuindo para o insucesso acadêmico.

A literatura também identifica relação entre dificuldade de aprendizagem e piores resultados no teste de memória sequencial verbal2121. Pelitero TM, Manfredi AKDS, Schneck APC. Avaliação das habilidades auditivas em crianças com alterações de aprendizagem. Rev CEFAC. 2010;12(4):662-70. , 2222. Engelmann L, Ferreira MIDC. Avaliação do processamento auditivo em crianças com dificuldades de aprendizagem. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2009;14(1):69-74.. No processo de ensino aprendizagem, a criança deve perceber o conteúdo expresso por meio da fala do professor, o que requer um processamento adequado das informações2323. Dreossi RCF, Momensohn-Santos TM. A interferência do ruído na aprendizagem. Psicopedagogia. 2004;21(64):38-47.. Quando o estudante detecta o som por meio da audição periférica, vários órgãos do sistema nervoso central atuam de forma conjunta para decodificar a mensagem. Estudos revelam que o aprimoramento das habilidades auditivas gera melhora significante no desempenho escolar2424. Pinheiro FH, Capellini SA. Desenvolvimento das habilidades auditivas de escolares com distúrbio de aprendizagem, antes e após treinamento auditivo, e suas implicações educacionais. Rev Psicopedagogia. 2009;26(80):231-41..

Nas escolas onde foram realizadas as medições acústicas do Leq, todas as salas de aula avaliadas apresentaram valores acima do recomendado pelas normas da ANSI S12.60 (2010), Building Bulletin 93 (2004) e Associação Brasileira de Normas Técnicas - NBR 10152 (2012), que preconizam o limite de 35 dB(A) para salas de aulas vazias1515. Acoustical Society of America. ANSI S12.60-2010 - American National Standard: Acoustical Performance Criteria, Design Requirements, and Guidelines for Schools, Part 1: Permanent Schools, 2010. , 2525. Department of education and skills. Building Bulletin 93. Acoustic Design of Schools: A design guide. London: The Stationery Office, 2004. , 2626. Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT - Norma NBR10152: Acústica - Medição e avaliação de níveis de pressão sonora em ambientes internos às edificações; 2012 (em revisão).. O mesmo foi observado em estudos nacionais88. Guidini RF, Bertoncello F, Zanchetta S, Dragone MLS. Correlações entre ruído ambiental em sala de aula e voz do professor. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2012;17(4):398-404. , 2727. Gonçalves VSB, Silva LSS, Silva MC, Coutinho AS. Estudo endêmico do ruído e da inteligibilidade de fala dos professores: um comparativo entre duas escolas. XVI ENEGEP; 2006 Out 9-11; Fortaleza: Universidade Federal do Ceará-UFC; 2006:1-8. e internacionais1414. Greenland EE, Shield BM. A survey of acoustic conditions in semi-open plan classrooms in the United Kingdom. J Acoust Soc Am. 2011;130(3):1399-410. , 2828. Magalhães A, Silva LT. Impacto do ruído no processo de ensino-aprendizagem na escola do 1º ciclo de ensino básico (1º ceb) da Prozela-Maia. In: Pluris 2010, 4º Congresso Luso-brasileiro para o Planeamento Urbano, Regional, Integrado e Sustentável; 2010 Outubro 6-8; Portugal. , 2929. Shield B, Dockrell JE. External and internal noise surveys of London primary schools. J Acoust Soc Am. 2004;115(2):730-8. que verificaram que mesmo em recesso escolar as salas de aula não atendem às condições estabelecidas pelas normas1717. Corona AP, Pereira LD, Ferrite S, Rossi AG. Memória sequencial verbal de três e quatro sílabas em escolares. Pro-Fono R Atual Cient. 2005;17(1):27-36. , 2828. Magalhães A, Silva LT. Impacto do ruído no processo de ensino-aprendizagem na escola do 1º ciclo de ensino básico (1º ceb) da Prozela-Maia. In: Pluris 2010, 4º Congresso Luso-brasileiro para o Planeamento Urbano, Regional, Integrado e Sustentável; 2010 Outubro 6-8; Portugal. , 2929. Shield B, Dockrell JE. External and internal noise surveys of London primary schools. J Acoust Soc Am. 2004;115(2):730-8.. Mesmo com a sala vazia, os valores de nível de pressão sonora equivalente encontraram-se altos. Tais evidências apontam para o mal planejamento em relação ao conforto acústico das salas de aula22. Dreossi RCF, Momensohn-Santos T. O ruído e sua interferência sobre estudantes em uma sala de aula: revisão de literatura. Pro-Fono R Atual Cient. 2005;17(2):251-8. , 1919. Santos JF, Seligman L, Tochetto TM. Conforto acústico na percepção de escolares alfabetizados. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2012;17(3):254-9.. O planejamento arquitetônico de edifícios escolares deve priorizar uma acústica adequada ao ambiente escolar, pois no contexto educacional, a longa exposição ao ruído pode ocasionar malefícios à saúde dos indivíduos e prejuízo no processo de ensino aprendizagem22. Dreossi RCF, Momensohn-Santos T. O ruído e sua interferência sobre estudantes em uma sala de aula: revisão de literatura. Pro-Fono R Atual Cient. 2005;17(2):251-8. , 83. Ramos CS, Pereira LD. Processamento auditivo e audiometria de altas frequências em escolares de São Paulo. Pro-Fono R Atual Cient. 2005;17(2):153-64. , 2323. Dreossi RCF, Momensohn-Santos TM. A interferência do ruído na aprendizagem. Psicopedagogia. 2004;21(64):38-47..

A medição do ruído foi realizada em salas vazias para seguir as recomendações das normas regulamentadoras, mas sabe-se que ruído gerado na própria sala de aula exerce forte impacto no processo de ensino-aprendizagem, sendo considerado como uma das fontes de barulho mais relatadas pelos professores1111. Nascimento LS, Lemos SMA. A influência do ruído ambiental no desempenho de escolares nos testes de padrão tonal de frequência e padrão tonal de duração. Rev. CEFAC. 2012;14(3):390-402..

Considerando os alunos que apresentaram alteração no teste de memória sequencial verbal, a maioria estuda nas salas de aula que apresentaram valores elevados de Leq. Isso confirma a hipótese de que o ruído é um fator que interfere no resultado dos testes de escuta dicótica em crianças com ou sem alteração de aprendizagem1313. Pinheiro FH, Oliveira AM, Cardoso ACV, Capellini AS. Testes de escuta dicótica em escolares com distúrbio de aprendizagem. Braz J Otorhinolaryngol. 2010;76(2):257-62.. Há estudos que evidenciam a interferência do ruído em outras habilidades auditivas1111. Nascimento LS, Lemos SMA. A influência do ruído ambiental no desempenho de escolares nos testes de padrão tonal de frequência e padrão tonal de duração. Rev. CEFAC. 2012;14(3):390-402.. Estes dados apontam para a interferência do ruído em atividades que exigem as habilidades auditivas para a adequada compreensão de fala, com possíveis prejuízos para o desempenho escolar dos estudantes.

A implementação de ações educativas sobre a influência do ruído na aprendizagem e seus malefícios à saúde, assim como de medidas mitigadoras de diminuição do ruído no ambiente escolar, é essencial para a criação de ambientes favoráveis à saúde na escola22. Dreossi RCF, Momensohn-Santos T. O ruído e sua interferência sobre estudantes em uma sala de aula: revisão de literatura. Pro-Fono R Atual Cient. 2005;17(2):251-8. , 1919. Santos JF, Seligman L, Tochetto TM. Conforto acústico na percepção de escolares alfabetizados. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2012;17(3):254-9. , 2727. Gonçalves VSB, Silva LSS, Silva MC, Coutinho AS. Estudo endêmico do ruído e da inteligibilidade de fala dos professores: um comparativo entre duas escolas. XVI ENEGEP; 2006 Out 9-11; Fortaleza: Universidade Federal do Ceará-UFC; 2006:1-8.. A literatura relata que providências como a colocação de borracha nos pés das cadeiras e mesas das salas de aulas, a manutenção de ventiladores, e o afastamento da área de parque e recreio das salas de aula, assim como a adoção de medidas educativas, podem contribuir para a redução dos níveis de ruído22. Dreossi RCF, Momensohn-Santos T. O ruído e sua interferência sobre estudantes em uma sala de aula: revisão de literatura. Pro-Fono R Atual Cient. 2005;17(2):251-8.. Os profissionais da saúde e da educação devem investir em medidas que promovam a criação de um ambiente favorável à aprendizagem.

As escolas que investem em medidas de prevenção e promoção da saúde no ambiente educacional potencializam o processo de ensino-aprendizagem11. Ministério da saúde (Brasil). Saúde na escola. Série B. Textos Básicos em saúde. Brasília: Ministério da Saúde; 2009. 24p.. Nessa perspectiva, o fonoaudiólogo que atua no contexto educacional deve ter uma atuação generalista, com foco na saúde do escolar3030. Lipay MS, Almeida EC. A fonoaudiologia e sua inserção na saúde pública. Revista de Ciências Médicas. 2007;16(1):31-41.. Sua atuação extrapola a clínica tradicional, pois ele precisa ter conhecimento da realidade local e dos determinantes de saúde da população escolar, a fim de fornecer subsídios para a criação de políticas favoráveis ao ambiente e ao aprendizado. Como profissional da estratégia de saúde da família, o fonoaudiólogo e os demais membros da equipe devem investir no estreitamento dos laços entre a saúde e a educação com foco na saúde do escolar11. Ministério da saúde (Brasil). Saúde na escola. Série B. Textos Básicos em saúde. Brasília: Ministério da Saúde; 2009. 24p..

Conclusão

A partir dos resultados da presente pesquisa, pode-se concluir que o ruído encontrado nas salas de aula esteve acima do preconizado pelas normas regulamentadoras e interferiu no desempenho dos estudantes na habilidade auditiva de ordenação temporal de sons verbais.

O ruído é um fator comprometedor do entendimento da fala do professor pelo estudante e pode interferir em seu aprendizado. Ressalta-se a importância de os profissionais da saúde atuarem como parceiros dos profissionais da educação na criação de ambientes favoráveis à saúde na escola, com o objetivo de diminuir os agentes prejudiciais ao sucesso da aprendizagem.

  • 1
    Ministério da saúde (Brasil). Saúde na escola. Série B. Textos Básicos em saúde. Brasília: Ministério da Saúde; 2009. 24p.
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  • Fonte de auxílio: Trabalho realizado no curso de Fonoaudiologia, Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG - Belo Horizonte (MG), Brasil, com bolsa concedida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    Fev 2015

Histórico

  • Recebido
    20 Fev 2014
  • Aceito
    20 Jun 2014
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