Open-access Comunicação e letramento em saúde na emergência pediátrica: perspectivas da equipe de enfermagem*

RESUMO

Objetivo:  Analisar os conhecimentos e perspectivas da equipe de enfermagem sobre um processo educativo com foco na comunicação e letramento em saúde no contexto de uma emergência pediátrica.

Método:  Estudo qualitativo, baseado na pesquisa participante em saúde e no referencial teórico do letramento em saúde. O processo educativo foi conduzido em uma emergência pediátrica entre outubro e novembro de 2021, com a participação de dez enfermeiros e 28 técnicos de enfermagem. Os dados foram coletados a partir das interações e produções dos grupos operativos durante o processo educativo e analisados por meio de codificação descritiva e analítica, com apoio do software Atlas.ti, versão 8.0.

Resultados:  Os participantes reconheceram as barreiras na comunicação com as crianças e suas famílias, ampliando seu repertório de estratégias comunicativas, reforçando o uso do brinquedo terapêutico, da técnica teach-back e de fantoches.

Conclusão:  As atividades de ensino-aprendizagem estimularam a participação ativa e reflexiva da equipe de enfermagem, ampliando conhecimentos e habilidades de letramento em saúde.

DESCRITORES
Educação em Saúde; Comunicação em Saúde; Letramento em Saúde; Criança Hospitalizada; Emergências

ABSTRACT

Objective:  To analyze the nursing team’s knowledge and perspectives on an educational process focusing on communication and health literacy in the context of a pediatric emergency.

Method:  A qualitative study, based on participatory health research and the health literacy theoretical framework. The educational process was conducted in a pediatric emergency room between October and November 2021, with the participation of ten nurses and 28 nursing technicians. Data were collected from operational groups’ interactions and productions during the educational process and analyzed through descriptive and analytical coding, with the support of Atlas.ti software version 8.0.

Results:  Participants recognized barriers in communication with children and their families, expanding their repertoire of communication strategies, reinforcing the use of therapeutic toys, the teach-back technique and puppets.

Conclusion:  Teaching-learning activities encouraged the nursing team’s active and reflective participation, expanding knowledge and health literacy skills.

DESCRIPTORS
Health Education; Health Communication; Health Literacy; Child, Hospitalized; Emergencies

RESUMEN

Objetivo:  Analizar los conocimientos y perspectivas del equipo de enfermería sobre un proceso educativo centrado en la comunicación y la alfabetización en salud en el contexto de una emergencia pediátrica.

Método:  Estudio cualitativo, basado en la investigación participativa en salud y el marco teórico de la alfabetización en salud. El proceso educativo se realizó en una emergencia pediátrica entre octubre y noviembre de 2021, con la participación de diez enfermeros y 28 técnicos de enfermería. Los datos fueron recolectados de las interacciones y producciones de los grupos operativos durante el proceso educativo y analizados mediante codificación descriptiva y analítica, con apoyo del software Atlas.ti, versión 8.0.

Resultados:  Los participantes reconocieron las barreras en la comunicación con los niños y sus familias, ampliando su repertorio de estrategias comunicativas, reforzando el uso de juguetes terapéuticos, la técnica del teach-back y los títeres.

Conclusión:  Las actividades de enseñanza-aprendizaje estimularon la participación activa y reflexiva del equipo de enfermería, ampliando conocimientos y habilidades de alfabetización en salud.

DESCRIPTORES
Educación en Salud; Comunicación en Salud; Alfabetización en Salud; Niño Hospitalizado; Urgencias Médicas

INTRODUÇÃO

O letramento em saúde (LS) é definido pela Organização Mundial da Saúde como a “capacidade de obter, processar e compreender as informações em saúde, no intuito de tomar decisões apropriadas para a gestão do autocuidado”(1). É um determinante social da saúde influenciado por condições estruturais, situacionais e contextuais que podem limitar, favorecer ou modificar a capacidade de ação de crianças e adolescentes em contextos de atenção à saúde. Tal processo é moldado pelo ambiente social em que eles estão inseridos, incluindo as relações com cuidadores, amigos, professores, profissionais de saúde, entre outros(2).

A emergência pediátrica é um ambiente crítico de cuidados que pode ser percebido como impessoal, com restrições às atividades diárias da criança (como interagir e explorar os diversos espaços ao seu redor). Isso torna a assistência prestada pelos profissionais de saúde um desafio, pois pode representar uma ameaça momentânea ou duradoura à integridade física e emocional do paciente pediátrico, especialmente quando suas necessidades não são compreendidas e não se utilizam estratégias específicas para um cuidado integral(3).

A equipe da sala de emergência lida com traumas, doenças e fatalidades que tornam o cenário comumente caótico, e estabelecer uma boa comunicação pode ser difícil(4). Desse modo, além dos cuidados técnicos e emocionais, o profissional precisa estabelecer vínculos de confiança com o paciente e a família, bem como aperfeiçoar o processo de comunicação e LS com a criança, considerando suas particularidades.

A equipe de enfermagem constitui o principal grupo de profissionais no cuidado contínuo, ao realizar diferentes estratégias de atendimento às crianças hospitalizadas e seus cuidadores, por meio da educação em saúde(3,5). Alguns fatores podem limitar a compreensão das informações relacionadas à saúde da criança por parte dos pais ou cuidadores, tais como nível de educação e escolaridade, baixo LS, ansiedade, preocupação com o sofrimento do filho, e comunicação inadequada ou ineficiente durante a internação(6). As barreiras e habilidades comunicacionais limitadas dos profissionais de enfermagem podem interferir na capacidade de interpretar a comunicação verbal e não verbal do paciente pediátrico, além de dificultar a assimilação das informações compartilhadas pelos cuidadores sobre seu estado de saúde(4).

A comunicação entre equipe de enfermagem e cuidadores deve promover uma relação de empatia, apoio e confiança, fundamental para o estabelecimento de vínculo entre os sujeitos envolvidos. Além disso, é uma ferramenta para reduzir o medo e a ansiedade de pacientes pediátricos e cuidadores, tornando o atendimento de emergência menos traumático(7). Nessa perspectiva, contribui enquanto ferramenta de cuidado para o LS, que surge como construto intermediador das atividades educativas nos serviços de saúde(1). O modelo 6D (seis dimensões) do LS para crianças e adolescentes envolve particularidades relacionadas ao desenvolvimento infantil e determinantes sociais da saúde. A apropriação de conhecimentos e ferramentas com foco no LS pode ampliar o protagonismo da criança no sentido de acessar, compreender, avaliar e aplicar informações a partir da interação com os profissionais de saúde(8,9).

Estudos apontam a relevância e efetividade de intervenções com elementos que visam ampliar a empatia e a comunicação entre profissionais de saúde e crianças. Para atingir os objetivos, há necessidade de treinamento em estratégias de comunicação que qualifiquem a equipe de enfermagem a promover o LS de crianças e seus cuidadores(4,7). A utilização de ferramentas com foco no LS desde a mais tenra idade é considerada um investimento promissor na saúde e bem-estar desses pacientes, tanto agora quanto ao longo de sua adolescência e vida adulta(8).

Diante das concepções da comunicação em saúde como atividade para melhorar o LS aqui apresentadas, torna-se crucial o investimento em ações formativas de capacitação para que as instituições de saúde sejam responsivas ao LS(10). Em vista disso, a educação permanente em saúde é um espaço de diálogo e problematização do cotidiano, desde que os profissionais sejam incitados a repensarem sua atuação em um processo permanente de qualificação. Esse movimento deve promover mudanças que melhorem a qualidade e a eficácia da atenção à saúde da população(5).

Com base no potencial da educação permanente para mudanças na prática profissional e no processo de reflexão sobre a prática, este estudo teve como objetivo analisar os conhecimentos e perspectivas da equipe de enfermagem sobre um processo educativo com foco na comunicação e LS no contexto de uma emergência pediátrica.

MÉTODO

Desenho do Estudo

Trata-se de estudo qualitativo com referencial metodológico na pesquisa participativa em saúde, modalidade baseada na inter-relação entre os atores e saberes envolvidos em uma prática social e dialógica na perspectiva de Paulo Freire(11), que permite incluir as vivências, experiências e reflexões dos participantes(12). A presente pesquisa participativa foi realizada a partir de um processo educativo sobre comunicação e LS com a equipe de enfermagem de uma emergência pediátrica. Este artigo seguiu as diretrizes propostas pelo guia COnsolidated criteria for REporting Qualitative research (COREQ)(13).

A pesquisa foi realizada durante o contexto da pandemia de COVID-19, respeitando os protocolos vigentes, como o distanciamento dos participantes na sala e o uso de máscaras.

População e Amostra

O tamanho da amostra foi definido de forma intencional a partir de todos os participantes elegíveis, convidados por meio de visitas presenciais realizadas pela pesquisadora e via WhatsApp® e Instagram®. Todos os interessados foram por ela informados de que se tratava de pesquisa baseada em um processo educativo realizado na emergência pediátrica, incluindo atividades síncronas e assíncronas, com carga horária total de 40 horas e entrega de certificado de participação após sua conclusão. No recrutamento inicial, 44 profissionais de enfermagem aceitaram participar, sendo dez enfermeiros e 34 técnicos de enfermagem. Contudo, seis técnicos de enfermagem não compareceram a nenhum encontro devido a motivos pessoais e indisponibilidade em envolver-se nas atividades propostas. Assim, a amostra final foi composta por 38 profissionais, sendo dez enfermeiros e 28 técnicos de enfermagem.

Critérios de Seleção

Os critérios de inclusão consideraram profissionais de enfermagem da emergência pediátrica em plantão diurno, que desenvolviam ações de cuidado direto às crianças de 0 a 13 anos, 11 meses e 29 dias, com pelo menos um ano de experiência na função e disponibilidade para participar do processo educativo e de todas as atividades propostas durante o turno de trabalho. Os critérios de exclusão foram os profissionais que estavam de licença durante o período de realização da ação educativa.

Cenário do Estudo

O processo educativo foi realizado em um hospital público brasileiro na cidade do Recife, PE, referência no atendimento pediátrico de urgência e emergência para crianças de 0 a 13 anos, 11 meses e 29 dias, com agravos de média e alta complexidade. O hospital recebe casos referenciados e regulados pela rede pública de saúde do estado de Pernambuco.

Descrição do Processo Educativo

O planejamento do processo educativo foi elaborado com a intenção de agregar preceitos da ação-reflexão-ação presentes na Política Nacional de Educação Permanente em Saúde(3). As estratégias de ensino-aprendizagem envolveram metodologias ativas, com ênfase no referencial teórico da aprendizagem experiencial desenvolvido por David Kolb(14).

Para garantir maior viabilidade de participação dos profissionais, o processo educativo foi realizado durante o turno laboral diurno, nos horários de 10:00 às 11:30 (manhã) e 13:00 às 14:30 (tarde). Para atender a todos os participantes, os encontros foram repetidos três vezes, antes e durante os intervalos de trabalho, ajustando-se à dinâmica do serviço.

Após a inscrição e a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), os participantes integraram todas as atividades do processo educativo. No primeiro encontro, foram apresentados dois questionamentos: 1) Qual é a sua expectativa para esta formação sobre LS e comunicação com a criança? 2) Quais motivos levaram você a optar por participar deste processo educativo?

O processo educativo foi estruturado em quatro encontros, cada um com um tema específico: Tema 1: Resgatando a criança interior dos profissionais de enfermagem; Tema 2: Tipos de abordagens de comunicação com a criança/família em um ambiente hospitalar; Tema 3: Comunicação e letramento em saúde na prática profissional; Tema 4: Percepções sobre a implementação das abordagens comunicativas para a promoção do letramento em saúde no ambiente de trabalho (Quadro 1).

Quadro 1
Temas e estratégias educativas utilizadas nas sessões grupais – Recife, PE, Brasil, 2021.

Cada encontro teve a seguinte sequência pedagógica: 1) dinâmica vivencial para identificação de conhecimentos e experiências prévias sobre o tema; 2) abordagem do tema principal pelo moderador, introduzindo novos conhecimentos; 3) perguntas de autorreflexão compartilhadas no grupo; 4) sugestões de atividades práticas para o ambiente de trabalho, encorajando os participantes a trazerem feedbacks para o encontro subsequente.

Ao final de cada encontro, uma pergunta era realizada para avaliar as informações sobre a compreensão e percepção dos participantes a partir de cada tema.

Coleta dos Dados

Para a coleta dos dados, foi utilizada a técnica de grupos operativos (GOs), que coloca os participantes no centro do processo de aprendizagem, tornando-os protagonistas na construção do conhecimento(15,16). As sessões grupais ocorreram entre outubro e novembro de 2021, organizadas da seguinte forma: abertura da sessão; apresentação dos participantes entre si; esclarecimento da dinâmica de discussão participativa; estabelecimento do setting; debate; síntese; e encerramento da sessão.

Os instrumentos de coleta de dados consistiram nas gravações das interações em grupo. Tais comunicações, mediadas pelas perguntas condutoras registradas na seção de descrição do processo educativo, foram o corpus principal de análise deste trabalho.

Ao todo, foram realizadas 12 sessões de GO com duração de cerca de uma hora e meia cada e presença de quatro a dez participantes, considerando uma média de oito a dez profissionais(15). Os GOs foram conduzidos por um moderador estudante de pós-graduação, com treinamento teórico-prático em pesquisa qualitativa, e dois a três estudantes de graduação, os quais receberam um treinamento prévio para a condução e apoio às atividades.

O moderador foi responsável pelo preparo, organização e instrumentalização em todas as etapas, enquanto os observadores acompanharam as sessões e registraram os depoimentos dos participantes em notas de campo, além de auxiliar no manuseio dos equipamentos de gravação de áudio e imagem. O total de membros assistentes foi de nove observadores.

O local escolhido para a realização dos GO foi a sala de aula do próprio hospital, que oferecia estrutura, iluminação e temperatura adequadas, proporcionando um ambiente privativo e acolhedor. Os assentos foram dispostos em semicírculo, garantindo que a equipe de enfermagem, os moderadores e os observadores compartilhassem o mesmo campo de visão. Devido à pandemia, medidas sanitárias foram adotadas para garantir a segurança e o bem-estar dos pesquisadores e do público-alvo.

Análise e Tratamento dos Dados

As narrativas foram gravadas em áudio e vídeo, com o consentimento dos participantes. As pausas discursivas e entonações captadas pelo moderador e observadores, bem como as expressões faciais, gestos e outras linguagens corporais, foram registrados em “notas de campo”. Ao final do processo educativo, os dados foram transcritos integralmente e submetidos à leitura e validação dos participantes, que, se necessário, poderiam fazer alterações.

O corpus analisado baseou-se nas narrativas produzidas ao longo do processo educativo e nas notas de campo, examinadas mediante codificação qualitativa, seguindo as etapas propostas por Graham Gibbs: codificação linha por linha; categorização dos temas; e análise dos dados(17). Para auxiliar no processo de codificação e categorização temática, foi utilizado o software Atlas.ti (versão 8.0), que permitiu a segmentação do material coletado em códigos descritivos, grupos de códigos e categorias finais. A codificação foi realizada pela primeira autora (AKFS) em conjunto com a orientadora (MWLCM), e a síntese dos dados foi articulada com o referencial do LS.

Aspectos Éticos

O estudo seguiu todas as diretrizes e prerrogativas legais estabelecidas pelas Resoluções no 466/2012 e no 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde, e obteve aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Pernambuco, conforme Parecer nº 4.755.034. Todos os participantes receberam orientações e esclarecimentos sobre o estudo e, em seguida, foi-lhes entregue o TCLE, devidamente assinado após o aceite para participar da pesquisa. Foram garantidos o sigilo e o anonimato dos participantes, identificados por meio de um sistema alfanumérico composto pelas letras “E” (Enfermeiros) e “T” (Técnicos de Enfermagem) e o número correspondente à ordem em que os participantes preencheram o TCLE.

RESULTADOS

Os resultados foram obtidos de 38 profissionais, sendo dez enfermeiros e 28 técnicos de enfermagem, a maioria do sexo feminino (95,46%), com idade entre 26 e 62 anos. Esses profissionais tinham, em média, 17 anos de formação e cinco anos de atuação na instituição. Quanto à titulação, três enfermeiros (30%) e três técnicos de enfermagem (10,7%) possuíam especialização na área de atuação, e quatro enfermeiros (40%) eram mestres. Ao final do processo educativo, seis enfermeiros e 18 técnicos de enfermagem concluíram 70% das atividades propostas, totalizando assiduidade de 24 participantes.

A partir da codificação do corpus, foram sistematizadas duas categorias temáticas: 1 - Percepções e estratégias de comunicação da equipe de enfermagem; 2 - Conhecimentos e perspectivas do processo educativo fundamentados na comunicação e habilidades de letramento em saúde.

Categoria 1- Percepções e Estratégias de Comunicação da Equipe de Enfermagem

Barreiras na Comunicação com a Criança

Em suas falas, os participantes citaram barreiras na comunicação com a criança, incluindo a necessidade de compreender aspectos físicos, emocionais e o nível de desenvolvimento infantil. O ambiente da emergência pediátrica, o tempo limitado para o cuidado e o letramento dos cuidadores também dificultavam a comunicação. Além disso, percebe-se que a gravidade da condição da criança influenciava a abordagem comunicativa em um cenário de emergência.

Sabemos que é uma emergência pediátrica (....) principalmente na sala de estabilização, você não consegue ter um tempo maior para acalmar, para organizar, para trocar aquele olhar de empatia com a criança (...) diferente da ala verde e da ala amarela que você consegue, que não é uma criança de urgência, que não tá em uma situação de emergência, e aí você consegue ter um tempo melhor com aquela criança, apesar da demanda. Eu visualizei essas barreiras: serviço, o cenário do serviço, a criança dependendo da fase da doença em que ela se encontra e o nível de escolaridade dos pais. (E02)

Os participantes identificaram na criança sentimentos como o medo do desconhecido, e expressaram inconformismo com a prática frequente de “segurar a criança à força” durante os procedimentos. Essa conduta foi vista como um obstáculo à relação de confiança e à comunicação entre a equipe de enfermagem e o binômio.

A princípio, a criança tem muito medo! Só em ouvir (a palavra - acréscimo do autor) hospital assusta, aí depende muito da mãe ou do acompanhante. É importante abordar essa criança e conversar com ela; depende da idade da criança e do contexto, mas o medo é mesmo uma barreira (...). (T17)

Faz 4 anos que eu estou aqui, e não aceito isso de alguns bucos (cirurgiões bucomaxilofaciais - acréscimo do termo pelo autor), ortopedistas, médicos terem que suturar a criança segurando à força, sabe? Eu acho que isso causa um trauma desnecessário à criança, então a comunicação que fica para aquela criança é de que o profissional de saúde é uma pessoa ruim, malvada; ele é perverso, ele que segura a força e machuca. (E07)

Estratégias Comunicativas na Relação com a Criança

Estratégias destacadas pelos participantes em suas experiências com as crianças incluíram o uso de linguagem lúdica, desenhos animados e uniformes personalizados com motivos infantis, visando à distração e interação durante procedimentos como troca de curativos, punção venosa e lavagem retal.

Foi uma criança que iria fazer uma lavagem retal, e quem ia era outra técnica. Mas chamou tanta atenção a blusa de T12, da Frozen, que a criança disse: “Eu quero a Frozen!”. Então, é assim, querendo ou não, isso aproxima a criança e quebra o aspecto do medo. (E06)

Aí eu já fui tentando conversar com ele. Ele estava com a camisa do homem aranha, aí a gente já pega aquilo ali e vai tentando puxar um assunto que talvez seja do interesse dele, porque, às vezes, é uma música, um personagem que está na roupa (...) então, é uma forma da gente quebrar o gelo e começar a comunicação ali com aquela criança (...). (E07)

Eu disse: “É uma furadinha bem suportável”, assim, que nem uma formiguinha que a gente sente e não chora. Pronto, é a mesma coisa essa furada, aí ele disse: “A senhora pode me mostrar o tamanho dessa agulha?” (...) aí eu mostrei o tamanho do jelco, o amarelinho, 24. Veja o que foi que aconteceu na mente dele: “Ô tia, qual é o tamanho dos bebês daqui? Porque ele disse que a agulha era grande”. (T07)

O brinquedo terapêutico foi citado como uma estratégia de comunicação com as crianças. Para os participantes, a interlocução efetiva envolve acolhimento e desenvolvimento de confiança, permitindo o acesso às informações de saúde durante as ações de cuidado.

Mas acho que tem uma coisa chamada “brinquedo terapêutico” que a gente sempre tenta explicar para a criança o que vai ser feito nela, e serve para qualquer procedimento; isso alivia muito a tensão. Sendo que necessita de algum material para isso: bonequinho, material para simular a sonda e a seringa (...) para se aproximar, tocar e ter um momento com a criança (...). (E14)

Estratégias Comunicativas com a Família

Quanto às estratégias de comunicação com a família, os participantes enfatizaram a importância de um acolhimento mais empático, como o uso da comunicação não verbal, em que expressões faciais e linguagem corporal atuam como facilitadores ou dificultadores dessa acolhida durante a internação da criança.

Acho que a gente tem que ter muita paciência, saber falar (...). Você pode dar um não de diversas formas, você pode dar um não grosseiramente ou você pode dar um não delicadamente (...), a forma que você fala o tom que você usa. Porque muitas das vezes o corpo fala, o corpo com certeza fala! Suas expressões faciais e a movimentação do seu corpo, então (...). (E08)

Os participantes percebiam que as questões socioeconômicas e o nível de escolaridade dos cuidadores/famílias que acompanham as crianças no pronto-socorro interferiam na compreensão, avaliação e aplicação das informações de saúde. Além disso, reconheciam a falta de ferramentas para usar uma comunicação mais simples e acessível.

O primeiro ponto, eu acredito que é o nível de escolaridade dos pais, e eu percebo que quanto menor o nível de escolaridade, mais insegurança gera nesse processo de conhecimento da doença do filho e é mais difícil de conversar com essa pessoa, porque a gente não tem nenhuma preparação depois que você se forma para deixar de falar termos técnicos (...). Não é regredir, mas falar de uma forma que a população entenda. (E02)

Eu estou com aquela mãe ali daquele paciente, e eu vejo que ela não tem nenhuma qualidade, assim, de entendimento, e eu me doar até que eles possam entender o que eu estou falando. Me doar com compaixão. Me colocando ali naquele lugar. (T07)

Categoria 2 - Conhecimentos e Perspectivas do Processo Educativo Fundamentados na Comunicação e Habilidades de Letramento em Saúde

Acesso as Informações de Saúde

Os participantes destacaram que, além de compreender os aspectos físicos e emocionais da criança, é importante envolvêla no processo de cuidado, garantindo-lhe acesso a informações claras e verdadeiras sobre os procedimentos e tratamentos. Ademais, enfatizaram que os profissionais devem fazer o mesmo em relação aos cuidadores, solicitando seu apoio.

Porque, se vamos puncionar, a gente sabe que eles vão chorar, vai gritar, vai correr, mas antes de tudo, nós temos que conversar e explicar o que está fazendo, mesmo quando muitas vezes eles não querem prestar atenção, mas é sempre bom estar explicando. Pedir para a mãe auxiliar também é muito importante (...). A mãe tranquiliza a criança enquanto fazemos o nosso trabalho. (T06)

Compreensão e Avaliação das Informações de Saúde

Os participantes aplicaram estratégias de comunicação aprendidas no processo educativo, como o uso de fantoches. Tal vivência permitiu identificar os sentimentos da criança e da mãe, além de destacar o potencial do recurso lúdico para reduzir a dor e o medo. Também reconheceram a importância do suporte entre colegas no trabalho em equipe.

Na verdade, a gente quis pegar uma criança grande porque achou que ela não ia chorar (...) mas a menina gritava, gritava muito, porque estava com muita dor abdominal (...)a gente tentou de alguma forma acalmar ela, e levou os fantoches para tirar a atenção dela (...). A mãe era muito ansiosa, porque ela não queria que a criança fosse para a cirurgia, e a gente de alguma forma tentou tranquilizar a mãe, medicou a menina, enfim, quando a gente passou o plantão, a menina estava dormindo bem tranquila (...). (T14)

(...) eu posso chegar para ela (a criança - acréscimo do autor) e explicar, tudo do começo, como vai ser aquela abordagem, para tranquilizá-la, trazer a família também como o ajudador nesse processo, porque cada vez que a gente se aproxima para fazer uma medicação, um procedimento, aquela criança entendendo a minha comunicação com ela, ela não vai ter medo (...). (E01)

Outra estratégia utilizada pelos participantes foi a técnica teach-back, aplicada para explicar e reforçar com os familiares as informações de saúde e os tratamentos direcionados à criança na emergência pediátrica.

Quando eu estava no curso, fui me aprimorar mais sobre o assunto, e eu vi que a técnica teach-back é a que finaliza tudo em termos de comunicação em saúde. Vi que ela é importantíssima porque gera benefício a médio e a longo prazo. Essa abordagem é o elo principal com o acompanhante, porque precisamos muito da ajuda dele. (T02)

Comunicação, eu acho que, no caso do letramento, é o ato de se fazer compreendido, porque não adianta eu falar e quem está recebendo a informação não compreender a minha fala. Então, houve aquela barreira, houve aquele filtro, ele não conseguiu compreender. (E08)

Aplicação das Informações de Saúde

Os participantes compartilharam suas impressões e contribuições para o processo educativo, destacando-se a ampliação da capacidade de compreender as dores e as necessidades das crianças e seus cuidadores. Também foi observada a aplicação prática das estratégias de comunicação no próprio cotidiano, levando-se em conta as perspectivas das crianças e suas famílias.

O curso, pra mim, serviu para aprimorar mais minha comunicação, paciência e empatia com a mãe e a criança, mostrar as coisas mais simples pra eles, observar mais o contexto da vida deles, pois assim fica mais claro para eles e para mim, para ajudar no dia a dia de cuidados da criança. (T19)

Me ajudou muito a forma de abordar as famílias, e agora já sabemos de forma mais clara como fazer essa abordagem, a linguagem, a forma de falar (...) até onde a pessoa consegue compreender, de forma clara e objetiva. (T06)

Um ponto de destaque foi a percepção sobre a necessidade de processos contínuos de educação permanente na prática profissional como recurso para promover a ampliação de conhecimentos, habilidades e reflexões.

(...) esse tipo de curso não é para você participar uma vez no ano; isso é educação permanente, e quando a gente vem e esquece, a gente tem um novo treinamento, a gente resgata (...) essa questão da educação em saúde é importante em todos os níveis da assistência; isso é a segurança do paciente, então isso (o letramento - acréscimo do autor) não pode ser uma educação pontual, tem que ser uma educação contínua (...). (E08)

DISCUSSÃO

A partir do objetivo de analisar os conhecimentos e perspectivas da equipe de enfermagem sobre um processo educativo com foco na comunicação e LS no contexto de uma emergência pediátrica, foi identificado o reconhecimento, por parte dos profissionais de enfermagem, das barreiras que impediam a comunicação empática e sensível com as crianças e, consequentemente, a ampliação de um olhar mais sensível em relação às necessidades de crianças e famílias atendidas na emergência pediátrica. As atividades reflexivas, aliadas às atividades práticas, forneceram elementos para uma comunicação em saúde geradora de mais satisfação no mundo do trabalho que, adicionalmente, estimulava a cooperação de crianças e familiares como aliados no cuidado de enfermagem.

A comunicação é a base do LS, essencial para estabelecer relações de confiança entre as pessoas(18). Apesar das incertezas e do estresse presentes na circunstância de prática, os participantes compartilharam seus conhecimentos e experiências, o que contribuiu para a reflexão e aprimoramento das habilidades de comunicação e LS no contexto de hospitalização.

O cenário de emergência pediátrica é frequentemente difícil e caótico, e pode representar uma barreira/filtro no processo comunicativo, como apontam estudos(19). Sob esse aspecto, o “medo do desconhecido” demonstrado pelas crianças foi identificado como um dos principais elementos desfavoráveis à comunicação. Além disso, outros estudos confirmam que pacientes pediátricos podem temer os profissionais de saúde, associando sua presença a procedimentos dolorosos(2,20).

Os relatos apontaram experiências na comunicação verbal e não verbal que prejudicam a qualidade do cuidado da criança, como a prática de segurá-la “à força” durante procedimentos na emergência pediátrica. Essa conduta, segundo os participantes, impacta negativamente a forma como ela enfrenta a hospitalização, já que reconhecem a importância de respeitar seus sentimentos, anseios e particularidades. Estudos destacam a relevância de dar visibilidade ao papel ativo da criança no LS, garantindo sua voz e compreendendo suas necessidades por meio de estratégias que promovam o LS(21,22).

A equipe de enfermagem identificou, ainda, outras barreiras de comunicação, como os aspectos socioeconômicos, o nível de escolaridade e o estado físico e emocional dos cuidadores/famílias durante a internação. Pesquisas destacam que fatores demográficos, socioeconômicos e o nível de LS da família influenciam o estado e comportamento de saúde da criança, impactando suas habilidades de LS(21,23).

A falta de comunicação e informações de saúde durante o cuidado com a criança pela equipe de enfermagem pode gerar conflitos e angústia nos cuidadores/familiares. A forma como esses lidam com o tratamento influencia a participação da criança, bem como sua compreensão das informações de saúde e a aplicação desses conceitos em seu autocuidado(8,24).

A formação de vínculos entre a equipe de enfermagem e a família desde o início da internação da criança é essencial para amenizar o estresse causado pelos procedimentos e tratamentos. Para isso, o profissional de saúde deve combinar amplas competências técnicas com conhecimentos e habilidades nas áreas da comunicação em saúde, mediação de conflitos, resolução de problemas, marketing em saúde e criatividade. Além disso, é fundamental possuir competências sociais que promovam uma abordagem mais humana, holística e aprofundada do paciente, considerando seu contexto(9).

Quanto às estratégias de comunicação com a criança, alguns participantes relataram o uso de uniformes com temas infantis e adoção de linguagem lúdica para demonstrar os materiais que seriam utilizados na troca de curativos e punção venosa. A comunicação baseada em comparação e distração, recorrendo a imagens de desenhos animados durante os procedimentos, possibilitou à equipe de enfermagem interagir com a criança, respeitando seu nível de desenvolvimento cognitivo e socioemocional(25).

Nossa percepção das crianças e dos jovens está profundamente ligada à nossa visão subjetiva da infância e ao papel social atribuído a esse público nas interações cotidianas. Nesse contexto, promover o LS de crianças e famílias requer o aperfeiçoamento de habilidades de LS com foco em atributos pessoais, considerando três categorias centrais: cognitiva (compreensão e avaliação); comportamental/operacional (acesso e aplicação); e afetiva/conativa (motivação). Essas competências interagem com fatores sociais e ambientais, sendo desenvolvidas ao longo das diferentes fases da infância e da vida(8,26,27).

Na perspectiva do LS, as necessidades emocionais e sociais da criança devem ser atendidas pela equipe de enfermagem por meio de estratégias que a tornem sujeito ativo de seu processo de cuidado(18,28). Alguns profissionais destacaram o uso do brinquedo terapêutico - abordagem facilitadora que utiliza um brinquedo estruturado para minimizar a dor e a ansiedade - como recurso para explicar os procedimentos à criança, facilitando sua adaptação às experiências vivenciadas no ambiente hospitalar(28).

Estudo sobre a percepção da equipe de enfermagem em relação aos benefícios das estratégias lúdicas revelou que brincadeiras, fantoches, contação de histórias, jogos, acessórios com motivos infantis e músicas podem favorecer a adaptação, participação e colaboração da criança durante os procedimentos hospitalares(25). Os participantes vivenciaram e perceberam os conhecimentos e perspectivas do processo educativo sobre comunicação e LS durante as atividades de ensino-aprendizagem no ambiente de trabalho. Alguns utilizaram, como estratégia lúdica, fantoches para orientar a criança com diagnóstico de apendicite e sua família, explicando-lhes o preparo e a realização de um procedimento cirúrgico.

Pesquisa realizada no Brasil em 2022 confirma que o uso de estratégias lúdicas, como a improvisação e personalização de bonecas e fantoches, facilita a comunicação entre profissionais de enfermagem e crianças hospitalizadas(16). Ao adotar uma linguagem própria da infância, o profissional promove a interação e a participação ativa da criança, permitindo que ela expresse suas preocupações, medos e pontos de vista. Essa abordagem contribui para reduzir seu sofrimento emocional e minimizar as relações hierárquicas entre crianças e adultos(22,24).

Outra estratégia de comunicação e LS adotada pela equipe de enfermagem foi a técnica teach-back, cujo principal objetivo é explicar as informações de saúde aos cuidadores e familiares da criança e verificar sua compreensão do que foi transmitido. Esse método, baseado no reensino, pode melhorar a compreensão dos envolvidos e reduzir erros de medicação que levam a novas readmissões(4,29). Aplicar o teach-back de forma habitual é uma alternativa eficaz para triagem com base no LS, fornecendo aos profissionais de saúde informações relevantes, cumulativas e atualizadas a esse respeito e permitindo uma compreensão mais aprofundada das necessidades de LS dos cuidadores/da família(29).

Os relatos dos participantes evidenciaram que a comunicação é um elo essencial para promover as habilidades de LS (acessar, compreender, avaliar e aplicar informações de saúde) em crianças hospitalizadas e seus cuidadores. Pesquisa realizada nos Estados Unidos em 2019 destaca que o LS transcende as habilidades individuais, estando fortemente associado ao modo como as informações e os cuidados são oferecidos pelos provedores de saúde(4,30). Nesse sentido, os participantes observaram que o processo educativo sobre LS deve ser incorporado aos diversos níveis da assistência, ser contínuo e disponibilizado para todos os profissionais de saúde atuantes no serviço.

Portanto, adotar abordagens comunicativas que envolvam a criança em seu autocuidado - priorizando os aspectos físicos e socioemocionais da infância - permitirá aos profissionais de enfermagem desenvolverem uma comunicação simples, empática, acolhedora e humanizada nas ações de cuidado na emergência pediátrica. Logo, quanto mais simples e adequada for a comunicação dos profissionais de saúde com os cuidadores/família, mais fácil será sua compreensão e seu acesso às informações de saúde durante a recuperação e tratamento da criança(1,24).

As limitações deste estudo incluem a avaliação imediata e a assiduidade dos participantes ao final do processo educativo, influenciadas pela escassez de pessoal, a natureza do serviço e a alta demanda de trabalho. Fatores externos interferentes em ambientes críticos de hospitalização e o cenário de pandemia com o novo coronavírus podem ter impactado o envolvimento e a participação dos profissionais de enfermagem nas atividades realizadas durante o processo educativo.

O engajamento dos profissionais em atividades de educação permanente, que demandam mais tempo para reflexão e construção de conhecimentos, parece ser um desafio para garantir maior validade externa dos dados. Outra limitação foi a análise da comunicação apenas sob a perspectiva dos profissionais de enfermagem, embora se reconheça a importância de avaliações centradas na criança e na família para avaliar a repercussão das ações de outros profissionais de saúde que compõem esse cenário.

CONCLUSÃO

Esta investigação forneceu informações relevantes acerca dos conhecimentos e perspectivas dos profissionais de enfermagem sobre um processo educativo com foco na comunicação e LS no contexto de uma emergência pediátrica. Como observado, a comunicação dos profissionais de enfermagem pode influenciar a capacidade da criança/família de compreender, avaliar e aplicar as informações de saúde para a promoção do LS.

Além das estratégias lúdicas já utilizadas na emergência pediátrica, como desenhos animados, acessórios e uniformes com motivos infantis, os participantes ampliaram suas habilidades comunicativas baseadas no LS, como o reforço ao uso do brinquedo terapêutico, a técnica teach-back e os fantoches. Essas estratégias dialogam com as crianças e permitem motivá-las a participar das ações de cuidado.

As atividades de ensino-aprendizagem estimularam a participação ativa e reflexiva da equipe de enfermagem, com um repertório mais amplo de conhecimentos e habilidades de LS, especialmente no que se refere às estratégias e abordagens comunicativas específicas para as crianças. Além disso, potencializaram a relação de confiança entre os profissionais e a criança/família. Os dados apresentados podem subsidiar a aplicação de metodologias de ensino-aprendizagem em outros serviços de emergência pediátrica, como também em demais ambientes de cuidado nos quais a comunicação em saúde deve ser problematizada e ampliada por meio da reflexão sobre o trabalho.

DISPONIBILIDADE DE DADOS

Os dados que dão suporte aos resultados deste estudo foram publicados na dissertação que originou o artigo, disponível em: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/46079.

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  • Apoio financeiro
    Plano Orçamentário Anual - POA: 03.01.PROPESQI.07.Este estudo foi realizado com o amparo do Edital de Apoio à Produção Qualificada da Propesqi - Universidade Federal de Pernambuco, Brasil (UFPE).O presente trabalho foi realizado em parte com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - Brasil (CNPq) processo: 401923/2024-0 (versão em língua espanhola).

Editado por

  • EDITORA ASSOCIADA
    Ivone Evangelista Cabral

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    06 Jun 2025
  • Data do Fascículo
    2025

Histórico

  • Recebido
    18 Set 2024
  • Aceito
    12 Mar 2025
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