Editorial - Comemoração: os 70 anos da Universidade de São Paulo e a Enfermagem Brasileira

Ana Maria Kazue Miyadahira Maria Júlia Paes da Silva Semiramis Melani Melo Rocha

EDITORIAL

Comemoração: os 70 anos da Universidade de São Paulo e a Enfermagem Brasileira

No dia 25 de janeiro de 2004 festejamos os 70 anos da Universidade de São Paulo. Qual seria o significado desta celebração para a Enfermagem brasileira?

Os dados estatísticos confirmam a posição da USP como a maior instituição de ensino superior e de pesquisa do País. É a terceira da América Latina e está entre as cem primeiras organizações similares existentes no mundo. Em seis campi universitários, distribuídos pela capital e interior do Estado de São Paulo, possui 36 unidades de ensino que, em conjunto, ministram 189 cursos de graduação, freqüentados por 42.554 estudantes, 267 mestrados e 252 doutorados, com 27.709 alunos matriculados. Com mais de 4.800 professores e 14.900 funcionários forma, anualmente, uma média de 4.600 estudantes de graduação. Agrega, ainda, bases científicas, museus, institutos especializados, órgãos complementares e entidades associadas.

Em 25 de janeiro de 1934, o Decreto n.º 6.283, assinado pelo então governador do Estado de São Paulo, Armando Salles de Oliveira, criou a Universidade de São Paulo e estabeleceu como seus fins: promover, pela pesquisa, o progresso da ciência; transmitir, pelo ensino, conhecimentos que enriqueçam ou desenvolvam o espírito ou sejam úteis à vida; formar especialistas, em todos os ramos de cultura, técnicos e profissionais, em todas as profissões de base científica ou artística; realizar a obra social de vulgarização das ciências, das letras e das artes, por meio de cursos sintéticos, conferências, palestras, difusão pelo rádio, filmes científicos e congêneres. Desde então, carrega seu legado "Vencerás pela ciência".

A Universidade de São Paulo abriga duas Escolas de Enfermagem: a Escola de Enfermagem da USP, na cidade de São Paulo, criada em 31 de outubro de 1942 e a Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto - USP, criada em 26 de dezembro de 1951.

Desde sua criação, as duas Escolas tiveram a sorte de contar com enfermeiras visionárias em cargos de direção: Edith Magalhães Fraenkel foi a primeira diretora em São Paulo e Glete de Alcântara, em Ribeirão Preto. Esse fato propiciou às duas unidades de ensino marcarem sua trajetória com pioneirismo e iniciativas de vanguarda. Entre seus objetivos estabeleceram, para além da formação de profissionais em enfermagem, especialistas e pesquisadores, um elenco de atividades de prestação de serviços, intercâmbios nacionais e internacionais, colaboração com agências governamentais e não-governamentais que visam à melhoria das condições de saúde da população e difusão do conhecimento em enfermagem e em saúde.

Hoje, as duas Escolas de Enfermagem da USP podem se orgulhar de terem em seu histórico uma fecunda participação na vida da enfermagem brasileira, que vem se consolidando ao longo do tempo. Destacamos o I Congresso Brasileiro de Enfermagem, realizado em São Paulo, em 1946, e o I Seminário Nacional de Pesquisa em Enfermagem realizado em Ribeirão Preto, em 1979, com o decisivo empenho do corpo docente dessas duas casas.

As duas Escolas atuam na divulgação científica desde os tempos dos Anais de Enfermagem, publicados pela ABEn , e hoje mantêm dois periódicos de circulação internacional, jornais informativos e websites (rede internacional Internet). As suas bibliotecas possuem os mais representativos e completos acervos de enfermagem do País.

Já possuíam larga experiência em oferecer cursos de especialização quando criaram os cursos de mestrado, na década de 70. Em 1981 nasceu o primeiro Programa de Doutoramento em Enfermagem da América Latina, com a união das duas Escolas, diplomando os primeiros doutores que formaram a massa crítica de pesquisadores e professores universitários para o País e para o exterior.

Dentre as teorizações sobre as atividades científicas, costuma-se distinguir três categorias sobre a comunicação da ciência: a comunicação primária, que se dá entre pares de uma mesma área, disciplina ou especialidade; a comunicação didática, entre o professor e o aluno e a comunicação secundária, entre a academia e a sociedade, dirigida ao público leigo. Como parte integrante da Universidade de São Paulo, a Enfermagem pode se orgulhar de seu desempenho, na busca de atingir os objetivos explicitados, promovendo a pesquisa, formando recursos humanos e divulgando conhecimento da mais ampla forma.

Este número 2 da REEUSP, por exemplo, divulga 12 trabalhos de pesquisa, sendo 5 originados da pós-graduação stricto sensu (Mestrado e Doutorado) e outros 3 que receberam algum subsídio de órgão financiador (CNPq, Fapesp e Coseas), denotando sua importância para a academia e para a própria sociedade.

O saber de nossos pares, colegas de trabalho, é abordado nos artigos que verificam o conhecimento dos profissionais da área de saúde sobre a medida da pressão arterial, na aplicação de medicamentos por via intramuscular e no como realizam o acolhimento em Unidade de Saúde da Família.

Como nossos pares estão se sentindo no trabalho é foco das pesquisas que verificam a intensidade do estresse do enfermeiro, que faz dupla jornada de trabalho, e analisa variáveis psicológicas no desempenho do profissional em unidades críticas.

A comunicação didática é revista no artigo que identifica a área mais valorizada pelo aluno de Enfermagem no desempenho docente, concluindo que os aspectos afetivos da relação professor-aluno são mediadores para que, valendo-se do domínio tanto do conhecimento da disciplina, como dos aspectos didático-pedagógicos pelos docentes, o processo ensino-aprendizagem se concretize com sucesso.

O ensino também é foco no artigo que expõe as estratégias facilitadoras, utilizadas para a criação de estruturas e órgãos anatômicos com material reciclável, no ensino de nível médio, para formação do Auxiliar de Enfermagem. Outro estudo aponta o graduando de enfermagem e sua relação com o tabagismo, ainda temos uma experiência descrita de educação em saúde para portadores de doença mental.

Este número traz, ainda, as representações sociais construídas por familiares acerca do fenômeno saúde-doença mental (a difícil convivência com a diferença...), a auto-estima e o não-verbal dos pacientes com queimaduras (mais alta em homens!) e a versão simplificada do Therapeutic Intervention Scoring System com a acurácia de seu valor prognóstico.

Que as pesquisas aqui divulgadas possam ser úteis.

Uma boa leitura!

Prof.ª Dr.ª Ana Maria Kazue Miyadahira

Editora

Prof.ª Dr.ª Maria Júlia Paes da Silva

Presidente do Conselho de Editores

Prof.ª Dr.ª Semiramis Melani Melo Rocha

Editor Associado da Revista da Escola de Enfermagem da USP

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    25 Nov 2008
  • Data do Fascículo
    Jun 2004
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