Open-access Condições pós-COVID: coocorrência de sintomas e desafios para o cuidado integral

RESUMO

Objetivo:  Analisar a frequência e coocorrência de sintomas das condições pós-covid e investigar a associação com variáveis demográficas, antecedentes de hospitalização e demanda por assistência à saúde.

Método:  Estudo transversal descritivo-analítico realizado com 821 participantes que apresentaram sintomas das condições pós-covid. Realizou-se análise descritiva, testes de associação e correlação de Pearson para identificar agrupamentos de sintomas.

Resultados:  Sexo feminino teve maior frequência de queda de cabelo (p < 0,001), enquanto adultos jovens relataram maior ocorrência de cefaleia (p = 0,003). Fraqueza muscular associou-se com hospitalização na fase aguda (p < 0,001), enquanto carga sintomática elevada aumenta a frequência de acolhimento com verificação de sinais vitais (p < 0,001). Identificou-se associação moderada entre parestesia em membros superiores e inferiores; dor em membros superiores e inferiores; dor articular e mialgia; ansiedade e sintomas depressivos; ansiedade e alterações do sono; náusea e epigastralgia/pirose; náusea e tontura; e dor de garganta e coriza.

Conclusão:  Condições pós-covid apresentam perfil sintomático heterogêneo e multissistêmico, associado a fatores demográficos, gravidade prévia e maior demanda assistencial, reforçando a necessidade de cuidado integral.

DESCRITORES
COVID-19; Síndrome de Pós-COVID-19 Aguda; Atenção Primária à Saúde; SARS-CoV-2; Sinais e Sintomas

ABSTRACT

Objective:  To analyze the frequency and co-occurrence of symptoms of post-COVID conditions and investigate the association with demographic variables, history of hospitalization, and demand for healthcare.

Method:  A descriptive-analytical cross-sectional study was conducted with 821 participants who presented symptoms of post-COVID conditions. Descriptive analysis, association tests, and Pearson correlation were performed to identify symptom clusters.

Results:  Female gender had a higher frequency of hair loss (p < 0.001), while young adults reported a higher occurrence of headache (p = 0.003). Muscle weakness was associated with hospitalization in the acute phase (p < 0.001), while a high symptomatic burden increased the frequency of admission with vital sign checks (p < 0.001). A moderate association was identified between paresthesia in upper and lower limbs; pain in upper and lower limbs; joint pain and myalgia; anxiety and depressive symptoms; anxiety and sleep disorders; nausea and epigastric pain/heartburn; nausea and dizziness; and sore throat and runny nose.

Conclusion:  post-COVID conditions present a heterogeneous and multisystemic symptomatic profile, associated with demographic factors, previous severity, and greater demand for care, reinforcing the need for comprehensive care.

DESCRIPTORS
COVID-19; Post-Acute COVID-19 Syndrome; Primary Health Care; SARS-CoV-2; Signs and Symptoms

RESUMEN

Objetivo:  Analizar la frecuencia y la coocurrencia de los síntomas de las condiciones pos-COVID-19 e investigar su asociación con variables demográficas, antecedentes de hospitalización y demanda de atención médica.

Método:  Estudio transversal descriptivo-analítico realizado con 821 participantes que presentaron síntomas de condiciones pos-COVID-19. Se realizó un análisis descriptivo, pruebas de asociación y correlación de Pearson para identificar agrupaciones de síntomas.

Resultados:  El sexo femenino presentó mayor frecuencia de caída del cabello (p < 0,001), mientras que los adultos jóvenes refirieron mayor ocurrencia de cefalea (p = 0,003). La debilidad muscular se asoció con la hospitalización en la fase aguda (p < 0,001), mientras que una carga sintomática elevada aumentó la frecuencia de visitas a urgencias con verificación de los signos vitales (p < 0,001). Se identificó una asociación moderada entre parestesia en las extremidades superiores e inferiores; dolor en las extremidades superiores e inferiores; dolor articular y mialgia; ansiedad y síntomas depresivos; ansiedad y trastornos del sueño; náuseas y epigastralgia/pirosis; náuseas y mareos; y dolor de garganta y rinorrea.

Conclusión:  Las condiciones pos-COVID presentan un perfil sintomático heterogéneo y multisistémico, asociado con factores demográficos, gravedad previa y mayor demanda de atención médica, lo que refuerza la necesidad de una atención integral.

DESCRIPTORES
COVID-19; Síndrome Post Agudo de COVID-19; Atención Primaria de Salud; SARS-CoV-2; Signos y Síntomas

INTRODUÇÃO

A pandemia da COVID-19, causada pelo vírus SARS-CoV-2, representou um dos maiores desafios sanitários do século XXI, com impacto profundo na morbimortalidade e nos sistemas de saúde em escala global. Embora os esforços iniciais tenham se concentrado no manejo da fase aguda da infecção, tornou-se progressivamente evidente que uma parcela expressiva dos indivíduos acometidos apresentava sintomas persistentes por semanas ou meses após a resolução do quadro clínico inicial, configurando um novo e complexo problema de saúde pública(1).

Essas manifestações prolongadas passaram a ser descritas, inicialmente, sob o termo long Covid (Covid longa), designando um espectro amplo de sinais e sintomas que persistem além da fase aguda da doença(2). A partir de 2023, o Ministério da Saúde brasileiro adotou oficialmente a denominação de condições pós-covid (CPC) para definir os sintomas e/ou condições que continuam ou se desenvolvem quatro semanas ou mais após a infecção inicial pelo SARS-CoV-2, e não podem ser justificadas por um diagnóstico alternativo. Os sintomas e/ou condições podem ser recorrentes ou persistentes, podendo se agravar ou se extinguir(3).

A CPC é considerada uma síndrome multissistêmica, envolvendo predominantemente sintomas de fadiga, dor musculoesquelética, alterações respiratórias e manifestações neurológicas, como cefaleia, distúrbios do sono, ansiedade e déficits cognitivos(4). A diversidade de apresentações clínicas reflete não apenas a complexidade fisiopatológica da infecção, mas também a interação entre fatores biológicos, demográficos e contextuais que modulam a resposta ao vírus(1,5,6).

De forma geral, a manifestação das CPC não ocorre de maneira homogênea entre os diferentes grupos populacionais. Evidências apontam que o sexo feminino apresenta maior prevalência de sintomas persistentes, especialmente de natureza neurológica(6). Em relação à idade, estudos indicam uma maior frequência de sintomas neurológicos, como alterações do sono e fadiga, em adultos jovens(7,8), enquanto pessoas idosas tendem a apresentar maior comprometimento respiratório(9,10). A presença de comorbidades prévias, como obesidade, hipertensão arterial, diabetes mellitus e doenças respiratórias crônicas, também tem sido consistentemente associada a maior risco de evolução para CPC e maior carga sintomática(8).

Apesar do crescimento expressivo da literatura sobre CPC, a maioria dos estudos tem se concentrado na descrição isolada da prevalência de sintomas ou na identificação de fatores de risco individuais(5,11). Persistem, portanto, lacunas relevantes quanto à compreensão de como os sintomas coexistem e se organizam em agrupamentos sindrômicos, bem como sobre o impacto dessa coocorrência na complexidade da demanda assistencial e na organização do cuidado em saúde. A ausência de análises que explorem padrões de coocorrência sintomática limita a estratificação de risco, a priorização de pacientes e o planejamento de abordagens clínicas integradas, especialmente no âmbito da Atenção Primária à Saúde.

Diante desse cenário, faz-se necessário explorar os sintomas e suas coocorrências e a relação com as demandas por assistência à saúde, buscando contribuir para o entendimento dos padrões dos sintomas da CPC, como um fenômeno multissistêmico e oferecer subsídios para a estratificação de risco e o planejamento da assistência para um cuidado integral e resolutivo. Portanto, este estudo teve como objetivo analisar a frequência e coocorrência de sintomas da condição pós-covid e investigar a associação com variáveis demográficas, antecedentes de hospitalização e a demanda por assistência à saúde.

MÉTODO

Delineamento do Estudo

Trata-se de um estudo observacional, transversal descritivo-analítico e de base retrospectiva, realizado a partir de dados secundários. Foram seguidas as recomendações do protocolo Strengthening the reporting of observational studies in epidemiology (STROBE) para a apresentação do presente estudo. Este estudo apresenta dados que compõem o projeto guarda-chuva “Técnicas de inteligência artificial para a identificação e gestão clínica dos casos de Covid longa”, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), processos número 444361/2023-5 e 407497/2023-4.

Local do Estudo e Período da Coleta de Dados

O estudo foi realizado no âmbito dos serviços do Sistema Único de Saúde, especialmente, no Departamento de Atenção Básica e Vigilância Epidemiológica do município de São Carlos, no Estado de São Paulo, Brasil. A coleta de dados ocorreu de setembro de 2024 a setembro de 2025.

População

A população do estudo foi composta por indivíduos, a partir dos 18 anos de idade, com caso confirmado de COVID-19 por meio de teste de antígeno, no período de janeiro de 2021 a 31 de dezembro de 2023, registrado no Sistema de Notificação de COVID-19 (SisCovid) do município de São Carlos. Na cidade de São Carlos, foram notificados 62.977 casos positivos de COVID-19 em pessoas acima de 18 anos de idade no período analisado neste estudo.

Critérios de Seleção

Foram incluídas neste estudo pessoas com COVID-19 confirmada por teste de antígeno e que tinham registro em prontuários físicos e/ou eletrônico em unidades da Atenção Primária à Saúde do município de São Carlos. Utilizamos a definição do Ministério da Saúde do Brasil para Condições Pós-Covid (CPC): sintomas e/ou condições que continuam ou se desenvolvem quatro semanas ou mais após a infecção inicial pelo SARS-CoV-2, e não podem ser justificadas por um diagnóstico alternativo(3).

Foram excluídos do estudo indivíduos sem registros em prontuários da Atenção Primária e hospitais públicos de referência para pacientes com COVID-19 no município de São Carlos. Também foram excluídas pessoas hospitalizadas no município do estudo, mas que não residiam no mesmo.

Definição da Amostra

O cálculo amostral considerou prevalência de 50% de sintomas das CPC, valor adotado de forma conservadora diante da variação das estimativas reportadas na literatura(5,11,12). Assumiu-se um nível de significância de 5% e erro absoluto de 5 pontos percentuais. Considerando uma população finita estimada em 31.489 pacientes com CPC acima de 18 anos de idade no município de interesse, o tamanho amostral foi determinado por meio da fórmula para estimativa de proporções em população finita:

n = ( z ( 1 α 2 ) 2 N p ( 1 p ) ) d 2 ( N 1 ) + z ( 1 α 2 ) 2 p ( 1 p )

Onde p é a prevalência esperada, d é o erro absoluto tolerável e N é o tamanho da população. Assim, o tamanho amostral adotado neste estudo foi de n = 821.

Variáveis do Estudo

As variáveis analisadas foram: demográficas, clínicas prévias e relacionadas à infecção, sintomas de CPC e variáveis de assistência à saúde.

Variáveis demográficas: sexo (masculino ou feminino), raça/cor (preta, parda, branca, amarela ou indígena) e idade (em anos completos).

Variáveis clínicas prévias e relacionadas à infecção (binárias): histórico de internação pela COVID-19 e tipo de teste para confirmação da COVID-19 (RT-PCR ou teste rápido).

Variáveis de sintomas de CPC (binárias): presença e tipo de sintomas persistentes relatados após a fase aguda da infecção. Destaca-se que um mesmo paciente poderia apresentar 1 ou mais sintomas.

Variáveis de assistência à saúde (binárias): consultas com profissionais de saúde, acolhimento com verificação de sinais vitais, solicitações de exames complementares, encaminhamentos e prescrições farmacológicas e não farmacológicas.

Instrumentos Utilizados para a Coleta das Informações

Para a coleta de dados foi elaborada uma planilha eletrônica para o registro das variáveis de interesse do estudo por meio do software Microsoft Excel. Cada participante foi identificado por um número identificador único (ID). A coleta foi realizada por equipe técnica devidamente treinada, composta por 2 graduandos, 2 mestrandos e 1 doutorando, seguindo os protocolos e critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde sobre a definição de caso de COVID-19 e de CPC. Deste modo, foi possível minimizar possíveis vieses na identificação das informações, garantindo a padronização na coleta e confiabilidade dos dados obtidos.

Coleta de Dados

A primeira etapa da coleta consistiu na extração de dados no sistema SisCovid. A partir destes dados, identificaram-se as pessoas com teste reagente para COVID-19. Na segunda etapa, a partir dos dados das pessoas com COVID-19 confirmada, verificaram-se os prontuários eletrônicos na Atenção Primária à Saúde por meio do sistema e-SUS. Nesta etapa foram identificados os casos de CPC, coletados dados referentes a hospitalização durante a fase aguda da COVID-19, bem como variáveis de sintomas de CPC e de assistência à saúde.

Tratamento e Análise dos Dados

As análises estatísticas foram realizadas no software RStudio (versão 2026.01.0+392 para Windows), utilizando pacotes específicos para manipulação de dados e análise estatística. Inicialmente, procedeu-se à análise descritiva das variáveis. As variáveis categóricas foram descritas por frequências absolutas e relativas, enquanto as variáveis numéricas foram apresentadas por média e desvio-padrão. Adotou-se nível de significância de 5% (p < 0,05) para todas as análises inferenciais.

Sintomas com frequência total inferior a dez ocorrências foram excluídos das análises inferenciais para evitar instabilidade estatística. Considerando o n = 821, a frequência de sintomas relatados por menos de 10 participantes equivale a 1% ou menos de frequência em relação ao N de participantes. Desta forma, foram relatados 76 diferentes tipos de sintomas/sinais, dos quais foram incorporados na análise 32 sintomas/sinais.

Para fins analíticos, os sintomas foram agrupados da seguinte maneira: 0 sintomas; 1 sintoma; 2 sintomas; 3 sintomas; 4–5 sintomas; ≥6 sintomas. A idade foi categorizada em faixas etárias (18–29; 30–39; 40–49; 50–59; ≥60 anos), considerando critérios epidemiológicos e a distribuição da amostra.

A relação entre frequência dos sintomas e faixa etária e a relação entre frequência de sintomas e histórico de internação foram analisadas utilizando testes Qui-quadrado de Pearson ou teste exato de Fisher, conforme apropriado. Os resultados foram apresentados como percentuais com o respectivo p-valor.

Para avaliar a associação entre sexo e a presença de sintomas específicos, foram ajustados modelos de regressão logística binária, tendo cada sintoma como variável dependente. Os modelos foram ajustados por faixa etária, com o objetivo de reduzir confusão relacionada à idade. Os resultados foram apresentados como odds ratios, com intervalos de confiança de 95% e p-valor.

A associação entre carga sintomática e indicadores de assistência à saúde foi avaliada por meio da comparação de proporções entre as categorias de carga sintomática, utilizando-se o teste exato de Fisher. Quando necessário, empregou-se simulação de Monte Carlo (10.000 permutações) para estimativa do p-valor.

A coocorrência entre sintomas foi avaliada por meio de correlação tetracórica, adequada para análise de associação entre variáveis dicotômicas binárias, como presença ou ausência de sintomas. A correlação tetracórica permite avaliar o quanto dois sintomas tendem a ocorrer simultaneamente. Os coeficientes variam de −1 a +1, sendo valores próximos de +1 indicativos de maior coocorrência entre os sintomas, valores próximos de 0 são indicativos de ausência de associação e valores negativos indicativos de associação inversa. Para interpretação da magnitude das correlações, adotou-se a seguinte classificação: fraca ( < 0,50), moderada (0,50–0,74) e forte (≥0,75). Essa análise teve caráter exploratório e descritivo, sem inferência causal, e buscou identificar padrões de associação entre manifestações clínicas.

Considerações Éticas

O estudo foi conduzido de acordo com as diretrizes éticas nacionais e internacionais e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de São Carlos, em 25 de setembro de 2024, de acordo com o Certificado de Apresentação para Apreciação Ética número 74911623.5.0000.5504, sob parecer nº 7.102.185, anexado à presente submissão. O termo de consentimento livre e esclarecido aos participantes do estudo foi dispensado, uma vez que a pesquisa utilizou dados secundários.

RESULTADOS

O estudo foi realizado com 821 participantes, sendo 575 (70,0%) mulheres e 246 (30,0%) homens. A idade média foi de 49,2 ± 15,5 anos. Quanto à raça/cor, 552 (67,2%) participantes eram brancos, seguidos por 203 pardos (24,7%), 59 pretos (7,2%) e 7 amarelos (0,8%).

A análise de frequência de sintomas de CPC mostrou uma predominância de manifestações sistêmicas, musculoesqueléticas e neurológicas. Entre os sintomas mais frequentemente relatados, destacam-se cansaço/fadiga (n = 133; 16,2%), cefaleia (n = 110; 13,4%), falta de ar (n = 110; 13,4%), dor em membros inferiores (n = 103; 12,5%) e tosse (n = 82; 10%). Dentre os sintomas neurológicos destacam-se ansiedade (n = 60; 7,3%), alterações do sono (n = 52; 6,3%) e perda de memória (n = 49; 6,0%).

Na análise da relação entre sintomas e grupos etários destaca-se que alterações de memória foram mais frequentes entre indivíduos de 40 a 49 anos (p = 0,003). A cefaleia apresentou uma maior prevalência nas faixas etárias de 18 a 29 anos e de 30 a 39 anos, com redução progressiva nas idades mais avançadas (p = 0,003); as alterações do fluxo menstrual foram mais relatadas entre mulheres nas faixas etárias de 18 a 29 anos e de 30 a 39 anos (p = 0,012); e, a queda de cabelo também foi mais frequente nos grupos mais jovens, particularmente entre 18 e 29 anos e 30 e 39 anos (p = 0,018). Ainda, cabe destacar que a dor em membros superiores foi mais frequente entre pessoas entre 50 e 59 anos (p = 0,023); e, parestesia em membros inferiores foi mais observada em pessoas a partir de 50 anos (p = 0,037). Por fim, taquicardia foi mais frequente nas faixas etárias de 30 a 39 anos, embora com uma associação fraca (p = 0,049) (Tabela 1).

Tabela 1
Relação entre faixa etária e sintomas em pacientes com condições pós-covid – São Carlos, SP, Brasil, 2025.

Na análise da relação entre sintomas e sexo, destaca-se que o sexo masculino apresentou menor chance de queda de cabelo (p < 0,001), indicando que o sexo feminino teve aproximadamente nove vezes mais chance de relatar queda de cabelo. Para os demais sintomas, não foram observadas associações estatisticamente significativas (Tabela 2).

Tabela 2
Relação entre sexo e sintomas em pacientes com condições pós-covid – São Carlos, SP, Brasil, 2025.

Quanto à análise de relação entre sintomas e condutas assistenciais, identificou-se associação entre antecedente de hospitalização e presença de sintomas de fraqueza/perda de força muscular (p < 0,001), parestesia em membros inferiores (p = 0,012), dor abdominal (p = 0,017) e ansiedade (p = 0,039) (Tabela 3).

Tabela 3
Associação entre sintomas e condutas assistenciais segundo internação, encaminhamento e prescrição terapêutica em pacientes com condições pós-covid – São Carlos, SP, Brasil, 2025.

Quanto ao encaminhamento a especialista, foi verificado associação com presença de parestesia em membros inferiores (p = 0,002), dor em membros inferiores (p = 0,006), alterações cutâneas (p = 0,012) e dor de garganta (p = 0,028). Quanto à prescrição farmacológica, houve associação com fadiga (p < 0,001), dor em membros inferiores (p = 0,001) e ansiedade (p = 0,001), além de dor nas costas/lombar (p = 0,044) e epigastralgia/pirose (p = 0,047). Já a prescrição não farmacológica esteve associada à fadiga (p = 0,003), dor no peito (p = 0,041) e dor torácica (p = 0,046) (Tabela 3).

A relação entre a carga de sintomas de CPC e a demanda de assistência à saúde evidenciou associação entre presença de 4 ou mais sintomas e acolhimento com verificação de sinais vitais (p < 0,001) e encaminhamento a especialistas (p = 0,017). Além disso, houve associação entre prescrição farmacológica e a carga de 3 a 5 sintomas (p = 0,004) (Tabela 4).

Tabela 4
Relação entre a carga de sintomas e a demanda de assistência à saúde em pacientes com condições pós-covid – São Carlos, SP, Brasil, 2025.

Em relação à coocorrência dos sintomas de CPC, evidenciou-se uma associação significativa intragrupo, ou seja, entre sintomas musculoesqueléticos entre si, bem como entre sintomas neurológicos, gastrointestinais e respiratórios. Dentre os sintomas musculoesqueléticos, destaca-se a correlação moderada entre parestesia em membros superiores e parestesia em membros inferiores. Entre os sintomas gastrointestinais, identificou-se uma correlação moderada entre náusea e epigastralgia/pirose, e entre náusea e tontura. Entre os sintomas respiratórios, houve uma correlação moderada entre dor de garganta e coriza e correlações fracas entre tosse e coriza; e entre tosse e dor de garganta. Quanto aos sintomas neurológicos, observaram-se correlações moderadas entre ansiedade e sintomas depressivos, e entre ansiedade e alterações do sono, assim como entre alteração do sono e sintomas depressivos (Figura 1).

Figura 1
Coocorrência de sintomas em pacientes com condições pós-covid – São Carlos, SP, Brasil, 2025.

DISCUSSÃO

Os achados reforçam as CPC como manifestações multissistêmicas e heterogêneas, marcadas não apenas pela persistência, mas também pela coocorrência de sintomas musculoesqueléticos, neurológicos, gastrointestinais e respiratórios. Esse padrão converge com a literatura que descreve a CPC como condição de apresentação clínica variável, influenciada por mecanismos biológicos, perfil demográfico e gravidade do episódio agudo(1,4,12).

A diversidade de sintomas das CPC pode ser explicada parcialmente pelo mecanismo de entrada do SARS-CoV-2 na célula hospedeira, conectando-se aos receptores da Enzima Conversora de Angiotensina 2 (ECA-2), que estão amplamente distribuídos no organismo (13,14). Essa interação reduz a expressão de ECA-2 na superfície celular, gerando um acúmulo de angiotensina II, pró-fibrótica. Concomitantemente, a liberação massiva de citocinas e fatores pró-inflamatórios pelas células danificadas estabelece um estado de inflamação generalizada e potencial dano tecidual persistente, que fundamenta a coocorrência de manifestações clínicas em diversos sistemas(1).

No âmbito neurológico, apesar da maior frequência de alterações de memória entre indivíduos de 40 a 49 anos, a literatura ainda não estabelece consenso quanto à predominância etária dessas manifestações(6,15). Há hipóteses de que o sintoma esteja associado a mecanismos como neuroinflamação persistente e alterações estruturais em regiões relacionadas à consolidação da memória. Possivelmente, o comprometimento cognitivo ocorre de forma relativamente independente da idade, modulado por fatores individuais, como comorbidades prévias à COVID-19, e pela intensidade da resposta inflamatória inicial(15).

Em relação à cefaleia, apesar da maior frequência de cefaleia em adultos jovens, há evidências divergentes na literatura quanto ao efeito da idade, com relatos de aumento da prevalência em faixas etárias superiores(6,16). A heterogeneidade desses resultados sugere que a cefaleia na CPC pode representar diferentes fenótipos clínicos, incluindo a exacerbação de enxaqueca prévia ou surgimento de cefaleia associada à resposta inflamatória pós-viral(16,17). Por outro lado, a taquicardia pode estar associada a danos em células do sistema nervoso autônomo ocasionados por mecanismos de neuroinflamação(18).

No tocante à saúde feminina, as alterações do fluxo menstrual entre mulheres de 18 a 39 anos e a maior frequência de queda de cabelo no sexo feminino corroboram evidências de que a infecção pelo SARS-CoV-2 pode interferir na regulação do eixo hipotálamo-hipófise-ovariano(19). Além disso, é compatível com a ocorrência de eflúvio telógeno pós-infeccioso, desencadeado por estresse fisiológico intenso. A maior frequência de queda de cabelo entre adultos jovens também pode refletir maior percepção do sintoma e sua repercussão psicossocial(20). Já a maior frequência de dor em membros superiores e parestesia em membros inferiores em pessoas a partir de 50 anos pode estar relacionada ao envelhecimento imunológico e ao inflammaging, inflamação crônica de baixo grau característico da imunossenescência, potencialmente exacerbados pelo SARS-CoV-2(21).

De forma complementar, a hospitalização na fase aguda mostrou-se associada à fraqueza muscular, parestesia em membros inferiores, dor abdominal e ansiedade, indicando que a gravidade inicial influencia a persistência e o perfil dos sintomas. Fraqueza e parestesias podem refletir descondicionamento físico, imobilização e manutenção de processos inflamatórios e neuropáticos após a infecção(4,22). A maior frequência de ansiedade entre hospitalizados sugere, ainda, repercussões psicossociais relacionadas à internação e ao próprio adoecimento grave(23). Em relação à dor abdominal, embora tenha sido mais frequente entre hospitalizados, a literatura aponta que sintomas gastrointestinais também podem ocorrer após quadros leves, o que reforça a natureza multissistêmica da CPC(15).

No campo assistencial, manifestações musculoesqueléticas estiveram mais frequentemente relacionadas a encaminhamento especializado, enquanto fadiga, ansiedade, dor em membros inferiores, dor lombar e epigastralgia/pirose se associaram à prescrição farmacológica. Esses achados sugerem que sintomas percebidos como mais incapacitantes ou de manejo clínico mais difícil tendem a mobilizar maior uso de recursos especializados e terapêuticos(24,25). Ao mesmo tempo, a associação entre fadiga, dor torácica e dor no peito com prescrição não farmacológica reforça a importância de estratégias de reabilitação e acompanhamento multiprofissional no manejo da CPC(26,27).

Ainda nesse sentido, a presença de sintomas como epigastralgia/pirose também se associou à prescrição farmacológica, mas não à prescrição não farmacológica. Esse achado evidencia uma tendência à medicalização dos sintomas gastrointestinais na CPC, possivelmente em razão da maior disponibilidade e efeito rápido de terapias farmacológicas, sobretudo no manejo de dispepsia e refluxo gastroesofágico(28).

A carga sintomática também mostrou ser um preditor direto da complexidade da demanda assistencial. A presença de quatro ou mais sintomas aumentou a probabilidade de acolhimento com verificação de sinais vitais e encaminhamento a especialistas, enquanto a carga de três a cinco sintomas associou-se à prescrição farmacológica. Esse gradiente reforça a utilidade da carga sintomática como elemento de estratificação de risco e de organização de fluxos na Atenção Primária à Saúde(26).

Complementarmente, a análise de coocorrência de sintomas de CPC contribui para compreender como essa carga sintomática converge entre si. No domínio físico e musculoesquelético, a coocorrência entre parestesia em membros superiores e parestesia em membros inferiores, entre dor em membros inferiores e dor em membros superiores, e entre dor articular e mialgia sugerem uma possível relação com processos inflamatórios persistentes e lesões teciduais pós-infecção(14). Evidências apontam para a presença de neuropatia de pequenas fibras em subgrupos de pacientes com sintomas de dor crônica após a infecção por SARS-CoV-2(27).

No que se refere à coocorrência entre ansiedade e alterações do sono, há evidências sobre a alta frequência de sintomas ansiosos e distúrbios do ritmo sono-vigília em populações pós-covid, especialmente com histórico de hospitalização na fase aguda da COVID-19(29). Esse padrão está relacionado não apenas ao impacto psicossocial da doença, mas também à neuroinflamação, interferindo nas redes neurais do humor e do sono, uma vez que marcadores inflamatórios elevados no período pós-agudo se correlacionam com sintomas neurológicos(30). Cabe destacar que o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA) regula a resposta do organismo ao estresse, sendo que o estresse crônico pode levar à hiperativação desse eixo, resultando na elevação da liberação de cortisol, que contribui para danos neuronais, particularmente em regiões como o hipocampo e o córtex pré-frontal, ambos envolvidos na regulação do humor e do sono. Por outro lado, a privação ou má qualidade do sono intensifica sintomas ansiosos, estabelecendo um ciclo de retroalimentação negativa(29).

Adicionalmente, a coocorrência entre ansiedade e sintomas depressivos, bem como entre alterações do sono e sintomas depressivos, reforçam a hipótese de mecanismos compartilhados, como disfunção do eixo HHA, neuroinflamação e alterações na neurotransmissão serotoninérgica e dopaminérgica(29,30). A alta frequência de ansiedade, depressão e distúrbios do sono é amplamente descrita no contexto das CPC, sugerindo que tais manifestações não devem ser analisadas de forma isolada(27,29,30).

Já a correlação moderada da coocorrência entre dor de garganta e coriza, bem como entre tosse e coriza e entre tosse e dor de garganta, indicam a coexistência de sintomas respiratórios em adultos com CPC. Essas correlações podem refletir inflamação residual das vias aéreas superiores, disfunção imunológica persistente ou lesão na mucosa do sistema respiratório pós-infecção(14).

Em conjunto, esses achados reforçam que, embora os sintomas das CPC não formem um único padrão sindrômico dominante, existem agrupamentos clínicos distintos que devem ser considerados no planejamento da avaliação clínica, na estratificação de risco e na organização de abordagens terapêuticas integradas. Esses resultados dialogam com recomendações internacionais que destacam a necessidade de organização de linhas de cuidado multiprofissionais e longitudinalmente articuladas para pessoas com CPC, especialmente na Atenção Primária à Saúde, devido à elevada heterogeneidade clínica e à persistência da demanda assistencial(5,24,25,26). A identificação de padrões de coocorrência sintomática pode contribuir para o planejamento de fluxos assistenciais, definição de critérios de encaminhamento e fortalecimento de estratégias de reabilitação física, cognitiva e psicossocial nos serviços de saúde(9,24,25,26).

Entre as limitações, destacam-se o uso de dados secundários, de forma retrospectiva, provenientes de prontuários e sistemas de informação, sujeitos à heterogeneidade, incompletude de registros e possíveis vieses de registro, além de potencial subnotificação de sintomas e informações clínicas. Além disso, o delineamento transversal impede acompanhar a evolução temporal dos sintomas e estabelecer relações causais. Ainda assim, o estudo avança ao explorar a coocorrência de sintomas em adultos com CPC, oferecendo compreensão mais integrada da condição e subsídios para o planejamento do cuidado.

CONCLUSÃO

Este estudo evidencia que a CPC constitui uma condição de saúde complexa e multissistêmica, caracterizada por sintomas persistentes que afetam principalmente os sistemas musculoesquelético e neurológico. A distribuição dos sintomas não é homogênea, sendo que mulheres apresentam maior frequência de queda de cabelo e adultos jovens cefaleia. A gravidade do quadro agudo, particularmente a necessidade de hospitalização, mostrou-se determinante para a persistência de sintomas mais graves, como fraqueza muscular, parestesias e transtornos de ansiedade. Destacou-se que a carga sintomática está diretamente associada ao aumento da demanda assistencial, com maior necessidade de encaminhamentos especializados e intervenções terapêuticas em pacientes com múltiplos sintomas. A identificação de agrupamentos sindrômicos tem implicações diretas para a estratificação de risco, o planejamento da avaliação clínica e a organização do cuidado em saúde.

DISPONIBILIDADE DE DADOS

Os dados que sustentam os achados deste estudo não estão publicamente disponíveis no momento, pois fazem parte de uma pesquisa guarda-chuva ainda em andamento. A disponibilização dos dados será realizada após a conclusão do projeto principal, mediante solicitação ao autor correspondente.

  • Apoio financeiro
    Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – Fapesp processos nº 2024/17780-3; Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico -CNPq processos nº 444361/2023-5 e 407497/2023-4.

Referências bibliográficas

  • 1. Jiao T, Huang Y, Sun H, Yang L. Research progress of post-acute sequelae after SARS-CoV-2 infection. Cell Death Dis. 2024;15(4):257. doi: https://doi.org/10.1038/s41419-024-06642-5. PubMed PMID: 38605011.
    » https://doi.org/10.1038/s41419-024-06642-5
  • 2. Srikanth S, Boulos JR, Ivankovic D, Gonzales L, Dean D, Boccuto L. Long COVID-19: a concept analysis. Infect Dis Rep. 2025;17(4):90. doi: https://doi.org/10.3390/idr17040090. PubMed PMID: 40863252.
    » https://doi.org/10.3390/idr17040090
  • 3. Brasil. Ministério da Saúde. Atualizações acerca das “condições pós-covid” no âmbito do Ministério da Saúde. Nota Técnica no. 57/2023-DGIP/SE/MS [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2023 [cited 2025 Dec 15]. Available from: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/mis-77912
    » https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/mis-77912
  • 4. Prediger KM, Ribeiro AC, Uehara SCSA. Prevalent symptoms and characteristics of the Long COVID-19 population: a scoping review. Rev Lat Am Enfermagem. 2025;33:e4479. doi: https://doi.org/10.1590/1518-8345.7353.4480. PubMed PMID: 39907353.
    » https://doi.org/10.1590/1518-8345.7353.4480
  • 5. Greenhalgh T, Sivan M, Perlowski A, Nikolich J. Long COVID: a clinical update. Lancet. 2024;404(10453):707–24. doi: https://doi.org/10.1016/S0140-6736(24)01136-X.
    » https://doi.org/10.1016/S0140-6736(24)01136-X
  • 6. Gorenshtein A, Leibovitch L, Liba T, Stern S, Stern Y. Gender disparities in neurological symptoms of Long COVID: a systematic review and meta-analysis. Neuroepidemiology. 2025;59(4):426–40. doi: https://doi.org/10.1159/000540919. PubMed PMID: 39159607.
    » https://doi.org/10.1159/000540919
  • 7. Choudhury NA, Mukherjee S, Singer T, Venkatesh A, Perez Giraldo GS, Jimenez M, et al. Neurologic manifestations of long COVID disproportionately affect young and middle-age adults. Ann Neurol. 2025;97(2):369–83. doi: https://doi.org/10.1002/ana.27128. PubMed PMID: 39575583.
    » https://doi.org/10.1002/ana.27128
  • 8. Notarte KI, de Oliveira MHS, Peligro PJ, Velasco JV, Macaranas I, Ver AT, et al. Age, sex and previous comorbidities as risk factors not associated with SARS-CoV-2 infection for long COVID-19: a systematic review and meta-analysis. J Clin Med. 2022;11(24):7314. doi: https://doi.org/10.3390/jcm11247314. PubMed PMID: 36555931.
    » https://doi.org/10.3390/jcm11247314
  • 9. Goldhaber NH, Kohn JN, Ogan WS, Sitapati A, Longhurst CA, Wang A, et al. Deep dive into the long haul: analysis of symptom clusters and risk factors for post-acute sequelae of COVID-19 to inform clinical care. Int J Environ Res Public Health. 2022;19(24):16841. doi: https://doi.org/10.3390/ijerph192416841. PubMed PMID: 36554723.
    » https://doi.org/10.3390/ijerph192416841
  • 10. Cohen K, Ren S, Heath K, Dasmariñas MC, Jubilo KG, Guo Y, et al. Risk of persistent and new clinical sequelae among adults aged 65 years and older during the post-acute phase of SARS-CoV-2 infection: retrospective cohort study. BMJ. 2022;376:e068414. doi: https://doi.org/10.1136/bmj-2021-068414. PubMed PMID: 35140117.
    » https://doi.org/10.1136/bmj-2021-068414
  • 11. Halas RG, Berceanu Vaduva DM, Radulescu M, Bredicean AC, Mateescu DM, Toma AO, et al. Long COVID prevalence and risk factors: a systematic review and meta-analysis of prospective Cohort Studies. Biomedicines. 2025;13(12):2859. doi: https://doi.org/10.3390/biomedicines13122859. PubMed PMID: 41462874.
    » https://doi.org/10.3390/biomedicines13122859
  • 12. O’Mahoney LL, Routen A, Gillies C, Ekezie W, Welford A, Zhang A, et al. The prevalence and long-term health effects of Long Covid among hospitalised and non-hospitalised populations: a systematic review and meta-analysis. EClinicalMedicine. 2023;55:101762. doi: https://doi.org/10.1016/j.eclinm.2022.101762. PubMed PMID: 36474804.
    » https://doi.org/10.1016/j.eclinm.2022.101762
  • 13. Vreeman ECA, Pillay J, Burgess JK. Post-COVID pulmonary sequelae: mechanisms and potential targets to reduce persistent fibrosis. Pharmacol Ther. 2025;272:108891. doi: https://doi.org/10.1016/j.pharmthera.2025.108891. PubMed PMID: 40447142.
    » https://doi.org/10.1016/j.pharmthera.2025.108891
  • 14. Rizvi A, Ziv Y, Crawford JM, Trindade AJ. Gastrointestinal and Hepatobiliary Symptoms and Disorders with Long (Chronic) COVID Infection. Gastroenterol Clin North Am. 2023;52(1):139–56. doi: https://doi.org/10.1016/j.gtc.2022.09.002. PubMed PMID: 36813422.
    » https://doi.org/10.1016/j.gtc.2022.09.002
  • 15. Shan D, Li S, Xu R, Nie G, Xie Y, Han J, et al. Post-COVID-19 human memory impairment: a PRISMA-based systematic review of evidence from brain imaging studies. Front Aging Neurosci. 2022;14:1077384. doi: https://doi.org/10.3389/fnagi.2022.1077384. PubMed PMID: 36570532.
    » https://doi.org/10.3389/fnagi.2022.1077384
  • 16. Rodrigues AN, Dias ARN, Paranhos ACM, Silva CC, Bastos TR, de Brito BB, et al. Headache in long COVID as disabling condition: a clinical approach. Front Neurol. 2023;14:1149294. doi: https://doi.org/10.3389/fneur.2023.1149294. PubMed PMID: 37034080.
    » https://doi.org/10.3389/fneur.2023.1149294
  • 17. Duraníková O, Horváthová S, Sabaka P, Minár M, Boleková V, Straka I, et al. Prevalence and risk factors of headache associated with COVID-19. J Clin Med. 2024;13(17):5013. doi: https://doi.org/10.3390/jcm13175013. PubMed PMID: 39274228.
    » https://doi.org/10.3390/jcm13175013
  • 18. Fedorowski A, Fanciulli A, Raj SR, Sheldon R, Shibao CA, Sutton R. Cardiovascular autonomic dysfunction in post-COVID-19 syndrome: a major health-care burden. Nat Rev Cardiol. 2024;21(6):379–95. doi: https://doi.org/10.1038/s41569-023-00962-3. PubMed PMID: 38163814.
    » https://doi.org/10.1038/s41569-023-00962-3
  • 19. Maybin JA, Walker C, Watters M, Homer NZM, Simpson JP, Robb C, et al. The potential bidirectional relationship between long COVID and menstruation. Nat Commun. 2025;16(1):8187. doi: https://doi.org/10.1038/s41467-025-62965-7. PubMed PMID: 40957873.
    » https://doi.org/10.1038/s41467-025-62965-7
  • 20. Aukerman EL, Jafferany M. The psychological consequences of androgenetic alopecia: a systematic review. J Cosmet Dermatol. 2023;22(1):89–95. doi: https://doi.org/10.1111/jocd.14983. PubMed PMID: 35403805.
    » https://doi.org/10.1111/jocd.14983
  • 21. Tizazu AM, Mengist HM, Demeke G. Aging, inflammaging and immunosenescence as risk factors of severe COVID-19. Immun Ageing. 2022;19(1):53. doi: https://doi.org/10.1186/s12979-022-00309-5. PubMed PMID: 36369012.
    » https://doi.org/10.1186/s12979-022-00309-5
  • 22. Fernández-de-las-Peñas C, Nijs J, Neblett R, Polli A, Moens M, Goudman L, et al. Phenotyping Post-COVID pain as a nociceptive, neuropathic, or nociplastic pain condition. Biomedicines. 2022;10(10):2562. doi: https://doi.org/10.3390/biomedicines10102562. PubMed PMID: 36289827.
    » https://doi.org/10.3390/biomedicines10102562
  • 23. Rocha DM, Pedroso AO, Menegueti MG, Silveira RCCP, Sousa LRM, Gir E, et al. Predictors of anxiety, depression, and stress in long COVID: systematic review of prevalence. Int J Environ Res Public Health. 2025;22(6):867. doi: https://doi.org/10.3390/ijerph22060867. PubMed PMID: 40566294.
    » https://doi.org/10.3390/ijerph22060867
  • 24. Hawke LD, Nguyen ATP, Wang W, Brown EE, Xu D, Deuville S, et al. Systematic review of interventions for mental health, cognition and psychological well-being in long COVID. BMJ Ment Health. 2024;27(1):e301133. doi: https://doi.org/10.1136/bmjment-2024-301133. PubMed PMID: 39384321.
    » https://doi.org/10.1136/bmjment-2024-301133
  • 25. Campos MC, Nery T, Speck AE, Arpini M, Moraes Antunes M, Bem Alves AC, et al. Rehabilitation improves persistent symptoms of COVID-19. Am J Phys Med Rehabil. 2024;103(3):194–202. doi: https://doi.org/10.1097/PHM.0000000000002350. PubMed PMID: 37816223.
    » https://doi.org/10.1097/PHM.0000000000002350
  • 26. Vieira YP, Rocha JQS, Viero VSF, Nunes BP, Facchini LA, Duro SMS, et al. Dose–response effect between the number of long COVID symptoms and the use of different health services. Sci Rep. 2025;15(1):13104. doi: https://doi.org/10.1038/s41598-024-72263-9. PubMed PMID: 40240378.
    » https://doi.org/10.1038/s41598-024-72263-9
  • 27. La Scaléa ACR, Uehara SCSA. Dor na COVID longa: uma revisão de escopo sobre características clínicas e padrões de manifestação. Rev Lat Am Enfermagem. 2025;33:e4778. doi: https://doi.org/10.1590/1518-8345.7836.4778.
    » https://doi.org/10.1590/1518-8345.7836.4778
  • 28. Katz PO, Dunbar KB, Schnoll-Sussman FH, Greer KB, Yadlapati R, Spechler SJ. ACG Clinical guideline for the diagnosis and management of gastroesophageal reflux disease. Am J Gastroenterol. 2022;117(1):27–56. doi: https://doi.org/10.14309/ajg.0000000000001538. PubMed PMID: 34807007.
    » https://doi.org/10.14309/ajg.0000000000001538
  • 29. Chinvararak C, Chalder T. Prevalence of sleep disturbances in patients with long COVID assessed by standardised questionnaires and diagnostic criteria: a systematic review and meta-analysis. J Psychosom Res. 2023;175:111535. doi: https://doi.org/10.1016/j.jpsychores.2023.111535. PubMed PMID: 37898059.
    » https://doi.org/10.1016/j.jpsychores.2023.111535
  • 30. Loftis JM, Firsick E, Shirley K, Adkins JL, Le-Cook A, Sano E, et al. Inflammatory and mental health sequelae of COVID-19. Compr Psychoneuroendocrinol. 2023;15:100186. doi: https://doi.org/10.1016/j.cpnec.2023.100186. PubMed PMID: 37223650.
    » https://doi.org/10.1016/j.cpnec.2023.100186

Editado por

  • EDITORA ASSOCIADA
    Thereza Maria Magalhães Moreira

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    17 Ago 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    30 Mar 2026
  • Aceito
    06 Jun 2026
location_on
Universidade de São Paulo, Escola de Enfermagem Av. Dr. Enéas de Carvalho Aguiar, 419 , 05403-000 São Paulo - SP/ Brasil, Tel./Fax: (55 11) 3061-7553, - São Paulo - SP - Brazil
E-mail: reeusp@usp.br
rss_feed Acompanhe os números deste periódico no seu leitor de RSS
Ir para o topo Reportar erro