As viagens de Nísia Floresta: memória, testemunho e história

The travels of Nísia Floresta: memory, testimony, and history

Resumos

Dentre os escritores brasileiros do século XIX, que registraram suas viagens em livros, destaca-se Nísia Floresta Brasileira Augusta. Nascida no interior do Rio Grande do Norte, em 1810, ela residiu em Pernambuco, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro antes de se mudar para a Europa, em 1849, e visitar diferentes países até falecer, em 1885, em Rouen, na França. Dos 15 títulos que publicou - romance, novela, contos, poemas e ensaios, escritos em português, francês e italiano -, estão os interessantes Itinéraire d'un voyage en Allemagne (Paris, 1857) e Trois ans en Italie, suivis d'un voyage en Gréce (Paris, v. I, 1864; v. II, 1871). Esses livros, escritos sob a forma de diário ou de cartas, são mais que simples relatos, pois revelam, bem ao gosto da época, as emoções e as impressões da autora diante de cada cidade ou país que visita, bem como descrições e reflexões sensíveis de igrejas, museus, monumentos e tipos humanos.

literatura de viagem; literatura de autoria feminina; Nísia Floresta


Among the Brazilian writers of 19th century that registered their travels in books, Nísia Floresta Brasileira Augusta can be highlighted. She was born in 1810 in the countryside of the state of Rio Grande do Norte, and lived in Pernambuco, Rio Grande do Sul and Rio de Janeiro before moving to Europe in 1849. There, she visited several countries until she passed away in 1885, in Rouen, France. Among the fifteen titles she published " including novels, romances, short stories, poems, and essays written in Portuguese, French, and Italian, are the interesting Itinéraire d'un voyage en Allemagne (Paris, 1857), and Trois ans en Italie, suivis d'un voyage en Gréce (Paris, I vol. 1864; II vol. 1871). These books, written in the form of diary or letters, are more than simple reports, since they reveal, according to the taste of that time, the emotions and impressions of the author concerning every city or country that she visited, as well as sensitive descriptions and reflections of churches, museums, monuments, and human types.

Travel Literature; Female Literature; Nísia Floresta


ARTIGOS TEMÁTICOS

As viagens de Nísia Floresta: memória, testemunho e história

The travels of Nísia Floresta: memory, testimony, and history

Constância Lima Duarte

Universidade Federal de Minas Gerais

RESUMO

Dentre os escritores brasileiros do século XIX, que registraram suas viagens em livros, destaca-se Nísia Floresta Brasileira Augusta. Nascida no interior do Rio Grande do Norte, em 1810, ela residiu em Pernambuco, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro antes de se mudar para a Europa, em 1849, e visitar diferentes países até falecer, em 1885, em Rouen, na França. Dos 15 títulos que publicou - romance, novela, contos, poemas e ensaios, escritos em português, francês e italiano -, estão os interessantes Itinéraire d'un voyage en Allemagne (Paris, 1857) e Trois ans en Italie, suivis d'un voyage en Gréce (Paris, v. I, 1864; v. II, 1871). Esses livros, escritos sob a forma de diário ou de cartas, são mais que simples relatos, pois revelam, bem ao gosto da época, as emoções e as impressões da autora diante de cada cidade ou país que visita, bem como descrições e reflexões sensíveis de igrejas, museus, monumentos e tipos humanos.

Palavras-chave: literatura de viagem; literatura de autoria feminina; Nísia Floresta.

ABSTRACT

Among the Brazilian writers of 19th century that registered their travels in books, Nísia Floresta Brasileira Augusta can be highlighted. She was born in 1810 in the countryside of the state of Rio Grande do Norte, and lived in Pernambuco, Rio Grande do Sul and Rio de Janeiro before moving to Europe in 1849. There, she visited several countries until she passed away in 1885, in Rouen, France. Among the fifteen titles she published " including novels, romances, short stories, poems, and essays written in Portuguese, French, and Italian, are the interesting Itinéraire d'un voyage en Allemagne (Paris, 1857), and Trois ans en Italie, suivis d'un voyage en Gréce (Paris, I vol. 1864; II vol. 1871). These books, written in the form of diary or letters, are more than simple reports, since they reveal, according to the taste of that time, the emotions and impressions of the author concerning every city or country that she visited, as well as sensitive descriptions and reflections of churches, museums, monuments, and human types.

Key Words: Travel Literature; Female Literature; Nísia Floresta.

Era-me necessário percorrer novos países, neles haurir novas impressões, sob um horizonte mais amplo, em atmosfera mais livre e, consequentemente, mais consentâneas com minhas preferências.1 1 Nísia FLORESTA, 1998a, p. 37.

É triste ver-se, querer-se bem, para deixar-se logo em seguida! São, assim, no entanto, as ligações de turistas! Meu espírito ama as viagens, meu ser físico nelas se compraz, mas meu coração nunca será viajante.2 2 FLORESTA, 1998a, p. 116.

Percorrendo as páginas da história da literatura brasileira do século XIX, poucas são as referências que encontramos acerca de relatos de viagens.3 3 Este artigo encontra-se ampliado em Constância Lima DUARTE, 1995. Apesar de inúmeros brasileiros terem estudado em Coimbra e em Lisboa e viajado pela Europa nessa mesma época, a verdade é que bem poucos registraram sua experiência. Entre os que publicaram alguma narrativa de viagem estão: Araújo Porto-Alegre, que divulgou em revistas da época rápidas anotações de sua excursão a Roma e Nápoles; e Pereira da Silva, que reuniu os apontamentos de sua ida à Europa, em 1851 e 1852, no livro Variedades literárias, publicado pela Garnier em 1862. Neste livro, além de poemas e contos, encontram-se 12 cartas suas sob o título "Impressões de viagem" que tratam das semanas passadas em Portugal, Londres e Paris e também um outro texto, "Viagem pela Alemanha em 1837", que contém seu depoimento sobre a Alemanha romântica. Também viajaram Marcos de Macedo (Viagem ao Egito e lugares santos), Conselheiro Lisboa (Viagem às repúblicas do Pacífico) e Nestor Vítor (Paris). E outros o fizeram pelo próprio país, como Couto de Magalhães (Viagens ao Araguaia, de 1863), João Severiano da Fonseca (Viagem ao redor do Brasil - 1875-1878) e Gonçalves de Magalhães (Memória histórica e documentada da Revolução da Província do Maranhão, desde 1839 até 1840, de 1848).

E, dentre tantos nomes masculinos, destaca-se a presença de Nísia Floresta no rol dos viajantes brasileiros ilustres do século XIX. Nascida no interior do Rio Grande do Norte, em 1810, com o nome de Dionísia Gonçalves Pinto, Nísia Floresta residiu também em Pernambuco, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro antes de se mudar para a Europa, em 1849, e residir em Portugal, Inglaterra, Itália e França, e viajar incansavelmente pelos países do Velho Mundo até falecer, em 1885, em Rouen, no interior da França.

Nísia Floresta foi pioneira em várias frentes, por exemplo, foi uma das primeiras mulheres no Brasil a rompe-rem os limites do espaço privado e a publicarem textos na grande imprensa, pois, desde 1830, seu nome era presença constante em periódicos nacionais, comentando questões polêmicas, como o direito das mulheres - e, também, dos índios e dos escravos - a uma vida digna e respeitável. Aliás, nesse gosto pela polêmica e no fato de viver sempre à frente de seu tempo, estariam, também, traços de modernidade da autora. Entre os principais títulos que publicou estão: Direitos das mulheres e injustiça dos homens (1832), que denuncia o preconceito contra a mulher na sociedade brasileira e desmistifica a idéia dominante da superioridade masculina; o Opúsculo humanitário (1853) e A mulher (1859), que discutem questões relativas à educação e à condição feminina; e o poema A lágrima de um caeté (1849), que, diferente da maioria dos textos indianistas, traz o ponto de vista do índio consciente de sua derrota histórica e inconformado com a opressão do invasor.

Foi no ano da publicação deste livro que Nísia seguiu para a Europa, onde viveu praticamente o resto de sua vida. Apenas duas vezes ela voltou ao Brasil - em 1852 e 1872 -, quando aproveitou para rever os familiares e a cidade do Rio de Janeiro e também vender terras e publicar novos livros.

Se o registro de suas viagens não se tornou conhecido pelo público nacional, isso se deve, principalmente, por ter sido escrito em língua estrangeira e ficado muitas décadas esgotado; são eles: Itinéraire d'un voyage en Allemagne e Trois ans en Italie, suivis d'un voyage en Gréce. O primeiro foi publicado em Paris, em 1857, e traduzido para o português somente em 1982. O segundo, também publicado em Paris, em dois alentados volumes, em 1864 e em 1872, apesar de considerado por mais de um crítico uma obra-prima, em que a autora teria alcançado a culminância de seu esplendor intelectual, permaneceu inédito em língua portuguesa até 1998, quando teve o seu primeiro volume traduzido e lançado em português.

Em ambos os livros, ela realiza o caminho inverso dos estrangeiros que aqui vinham "descobrir" o Brasil. Escritos sob a forma de diário ou de cartas aos parentes distantes, seus relatos revelam, bem ao gosto da época, as emoções e as impressões da autora diante de cada cidade ou país que visita, bem como reflexões diante das ruínas e dos fatos históricos que presencia. Nísia Floresta realiza, portanto, muito mais que simples relatos, pois descreve com sensibilidade e erudição cada cidade, igreja, museu, parque, biblioteca e monumento, e os tipos humanos que encontra.

Porém, se entre os escritores nacionais há poucos exemplos de diários e impressões de viagens, na Europa do século XVIII e XIX essa foi uma modalidade literária das mais fecundas e exercitadas por grande número de escritores. Aliás, foram precisamente os europeus em viagem ao Brasil que mais contribuíram para a formação de uma biblioteca de narrativas referentes ao nosso país, apesar de nem todos terem a intenção (e mesmo habilidade) de realizar literatura quando faziam anotações a respeito da nova terra. Pretendiam, sim, registrar suas observações e estudos acerca da geografia, da fauna e da flora tropical, e revelar à Europa alguns dos mistérios dessa terra que tanto fascínio exercia sobre os pintores, naturalistas, literatos e aventureiros do Velho Mundo. Ainda assim, as memórias, os diários ou os relatórios que fizeram tiveram uma inusitada importância no desenvolvimento do nosso romantismo. Tais textos colaboraram para ensinar os olhos nativos a ver e a valorizar a própria paisagem, bem como as expressões mais adequadas para descrevê-la. Foram eles, com certeza, os primeiros a mencionar a "natureza exuberante" ou o "espetáculo pitoresco" referindo-se às coisas do Brasil.

De Jean de Léry e André Thévet, no século XVI, a Carl von Koseritz, Daniel Kidder, Hermann Burmeister, Maria Graham, Jean-Baptiste Debret, Charles Ribeyroles, Ferdinand Denis, Auguste Saint-Hilaire e o casal Jean Louis e Elizabeth Agassiz, na segunda metade do século XIX, foram muitos os que vitalizaram o gênero literário relativo às viagens enquanto escreviam sobre as explorações científicas em nosso país. Dentre as reflexões acerca do procedimento a ser adotado pelos viajantes, destacam-se as de Jean-Jacques Rosseau. Segundo o autor,

Observa-se toda a região; olha-se para a esquerda e para a direita; examina-se o que apraz e a gente se detém quando se agrada do lugar. [...] Não basta para se instruir percorrer os países; é preciso saber viajar. Para observar é preciso ter olhos e voltá-los para o objeto que se quer conhecer. [...] Há muita diferença entre viajar para ver terras e viajar para ver povos. O primeiro objeto é o dos curiosos, o outro é apenas acessório. Deve ser o contrário para quem quer filosofar. A criança observa as coisas à espera de que possa observar os homens. O homem deve começar por observar os homens; depois observará as coisas, se tiver tempo.4 4 Jean-Jacques ROUSSEAU, 1968, p. 494, p. 544 e p. 548.

A arte de viajar incluía também a realização de longos passeios a pé, observando o que se apresentasse no trajeto, como os fósseis, as plantas, a natureza, a cultura e os costumes do País. Nísia Floresta, veremos, assimilou essas lições rousseaunianas e viajará comme il faut.

Vejamos cada um dos livros de viagem de Nísia Floresta. Com o título de Itinéraire d'un voyage en Allemagne, esse livro foi publicado em Paris em 1857, e quem assina o prefácio é Eugénie Pelserf, que revela, entre outras coisas, a intenção da autora em não publicar o texto. Essas "impressões de viagem", sob a forma de cartas, pretendiam apenas "dar expansão a suas emoções junto ao coração da família", o que explicaria a intimidade contida em suas páginas. À medida que a narrativa se desenvolve, percebemos que essa correspondência diária, quase um relatório do dia-a-dia, cumpria a função de preencher a solidão da viajante, convertendo-se num quase diário, no qual a autora, além de registrar as impressões do que vê, deixa-se levar pelo devaneio, tornando-se cada vez mais intimista.

Itinerário de uma viagem à Alemanha trata, pois, da primeira excursão realizada por Nísia Floresta ao país de Goethe, passando pela Bélgica e pelo interior da França, entre agosto e setembro de 1856. Ao todo, são 34 cartas escritas diariamente e dirigidas ao filho e aos irmãos que residiam no Brasil. A primeira é datada de Bruxelas, 26 de agosto, e a última é de 30 de setembro de 1856 e foi escrita em Estrasburgo. O trajeto escolhido ela nos explica: preferiu entrar na Alemanha pela Bélgica e sair por Kehl para ir de Estrasburgo a Montbélliard. Nelas, a narradora descreve os momentos mais marcantes de seu percurso, reiterando em quase todas as páginas a saudade que sentia, o quanto desejaria estar fazendo tal passeio com toda a família e não só em companhia de Lívia, a única filha presente.

E as razões que a levaram a realizar tal viagem também são reveladas logo de início: a aproximação do primeiro aniversário de morte da mãe, o desejo de conhecer outros países e, também, de fazer uma peregrinação ao túmulo "do venerável amigo, o sábio e bom Duvernoy", falecido no ano anterior. "Era-me necessário percorrer novos países, neles haurir novas impressões, sob um horizonte mais amplo, em atmosfera mais livre e, conseqüentemente, mais consentâneas com minhas preferências".5 5 FLORESTA, 1998a, p. 37.

Interessante observar que a morte a impulsiona para as viagens, que, por sua vez, conduzem-na de volta à vida. Toda a narrativa conserva uma tensão entre morte e vida, bem perceptível no clima fúnebre que preside o Itinerário. "Viajar, repito-lhes, é o meio mais seguro de aliviar o peso de uma grande dor que nos mina lentamente".6 6 FLORESTA, 1998a, p. 129. Porém, à medida que o roteiro avança, ela fica menos melancólica e se refere cada vez menos à mãe e aos familiares, pois, sem perceber, deixa-se envolver pela movimentação normal da viagem:

Passando de paisagem em paisagem, de ruínas em ruínas e de cidade em cidade, nesta poética Alemanha, contemplando suas magnificências naturais e artísticas, o espírito arrebatado pelo requinte da arte e pelos encantos da natureza ora risonha e ora garrida, ora austera e recatada, minha alma se prosterna, cada dia, perante o gênio benfazejo que me inspirou a idéia de visitar essas terras e me deu a coragem de executá-la.7 7 FLORESTA, 1998a, p. 165.

O país escolhido não poderia ter sido outro. Quem, naquela época, buscasse novas emoções necessariamente ia ao berço do movimento romântico, à poética Germânia, pátria de Leibnitz e Kant, que preenchia com lirismo, tradição e exotismo, na dose certa, os espíritos românticos sedentos de aventura. A Alemanha era, não só para Nísia Floresta como para os demais escritores do tempo, o país da sensibilidade e da filosofia e, também, em suas palavras, "da poesia, do devaneio e amor, tanto quanto país de maravilhas do trabalho e do gênio humano".

A autora refaz o percurso de Mme. de Stäel (De L'Allemagne, 1810), Victor Hugo (Voyages, 1840) e de outros viajantes e, como eles, também revela suas impressões. Realiza assim o sonho de sua época ao conhecer a "terra-modelo", a terra de Werther, de Goethe; de Os salteadores, de Schiller; e, mais ainda, a terra do sturm und drang, cujo fascínio sobre a imaginação romântica ainda não havia se esgotado.

Como Victor Hugo, ela revela a preferência por locais históricos e medievais e a emoção diante de cada monumento, cada ruína. Em Aix-la-Chapelle, por exemplo, Hugo rende homenagens a Carlos Magno, tal como faz nossa autora. Aliás, o Itinerário nisiano em vários trechos dialoga com o texto hugoano, acompanhando de perto as descrições que o escritor francês faz do túmulo real e da história dos despojos, despedaçados pela igreja para melhor explorá-los. Só que a narradora se coloca no centro da narrativa e faz parecer que tudo gira à sua volta. O que realmente importa para ela e, por conseqüência aos leitores, são as emoções e as impressões que sente diante do que vê e do que ouve. Ela não só seleciona o que vai contar como explicita a maneira de fazê-lo: sua emoção diante dos acontecimentos funcionará quase como um filtro e só por meio dela conhecemos cada aspecto de sua viagem.

Esse, portanto, não será um simples roteiro de viagem. Muito mais que o trajeto percorrido entre uma cidade e outra, esse itinerário conterá em suas páginas as diversas viagens que a narradora empreende ao mesmo tempo. A viagem propriamente dita, que configura o presente da narrativa, é feita por meio das aldeias, cidades e vilas e nos é comunicada nas descrições que a narradora faz das paisagens, dos castelos ou das igrejas que visita. Mesmo as informações mais prosaicas - o meio de transporte utilizado, as distâncias percorridas, os preços dos bilhetes, a qualidade dos hotéis, os atropelos burocráticos das bagagens e das alfândegas - aí estão. Nesses momentos vem à tona o caráter de crônica própria ao gênero:

Deixamos hoje Aix-la-Chapelle, pelas três horas da tarde, depois de haver visitado ainda algumas curiosidades. Chegando aqui, descemos no Hotel Clemente, cujo dono é casado com uma senhora agradável, que fala francês bastante bem. Tão logo ficamos instaladas em aprazível quarto no primeiro andar, de frente, dirigimo-nos a Deutz, aldeia do outro lado do Reno, que se comunica com Colônia através de uma ponte de barcos muito comprida.8 8 FLORESTA, 1998a, p. 79.

Porém, o momento presente da viagem é apenas um ponto de partida e um estímulo para se alcançar o passado do lugar que visita. A visão de um monumento, de uma estátua ou de uma praça, por exemplo, tem o poder de provocar na viajante a lembrança de um vulto histórico ou de uma guerra acontecida séculos antes, no mesmo local. E é no momento da viagem pela história antiga da Alemanha que melhor pode se observar a erudição da cicerone, a pesquisa que realizou e o vasto conhecimento que possui da história.

Uma terceira viagem realizar-se-á por meio de incursões na própria subjetividade, quando a narradora reflete a respeito do que está vivenciando ou dá vazão à nostalgia dos entes queridos. Nesse momento, ela se autocontempla romanticamente e se faz espetáculo de si mesma e dos leitores. Busca conscientemente a solidão, os recantos mais escondidos dos bosques, dos campos, à margem dos rios e dos lagos, para melhor dar vazão à introspecção. É o momento intimista da meditação, em que o presente interior é revelado.

Aqui, como aí, a imagem de vocês se reflete em meus olhos sobre os lençóis argênteos e riscados de ouro pelo sulco dos barcos que contemplo na vasta ponte enegrecida, em cujo centro se eleva a velha e austera estátua avermelhada de Carlos Magno. A imaginação, faculdade benfazeja, triunfa sobre a distância que nos separa, representando vocês, constantemente ao meu lado, por toda parte a que dirijo meus passos.9 9 FLORESTA, 1998a, p. 117-18.

Além das reflexões sobre sua condição de viajante e dos devaneios que a fazem se lembrar dos parentes, essa narradora-personagem recua ainda mais para dentro de si pela memória para procurar reminiscências da infância ou para ir ao encontro de familiares distantes, estejam eles vivos ou não, até como forma de novamente reviver um momento de felicidade. Está configurada, assim, mais uma viagem: a que conduz ao passado íntimo da personagem. Talvez seja essa a mais importante se se considerar que é a que mais nostalgia provoca e a que permitirá à personagem elaborar analiticamente suas perdas e a própria solidão.

Quase me esquecia de tratar com vocês da impressão que, antes de deixar Stuttgart, produziu em mim a visão dos lagos que se acham nas proximidades da cidade. Os de meu país natal fizeram-se presentes a meu espírito com toda a poesia dos anos de minha infância.10 10 FLORESTA, 1998a, p. 178.

A narradora desfaz, pois, ao longo do trajeto de sua viagem-escritura, a linearidade temporal, fundindo muitas vezes o passado, o presente e o futuro cronológicos. Seu compromisso com o mundo real e o espacial é relativo, pois os manipula subjetivamente, e cada momento do presente parece conter os momentos anteriores. A simultaneidade de planos que caracteriza a escrita moderna encontra-se, de certa forma, já neste Itinerário de uma viagem à Alemanha, assim como quase a reprodução do fluxo da consciência e quase um monólogo interior. Se o narrador não desaparece do texto, por outro lado, identifica-se com o EU autobiográfico, que, afinal, é quem comanda a cena textual.

Examinemos o outro livro de viagem - Trois ans en Italie, suivis d'un voyage en Grèce. O séjour italiano de Nísia Floresta inicia-se em 19 de março de 1858 e termina em meados de 1861, tempo mais que suficiente para percorrer o território da Península mais de uma vez e conhecer também a Sicília e a Grécia. Permite-nos supor também que, assim como alguns locais foram visitados mais de uma vez, a narrativa pode ter sido revista, apesar das reiteradas negativas da autora sobre modificações do texto. Em todo caso, dada a demora de sua publicação, foram necessárias algumas anotações de pé de página atualizando informações, como quando a autora descreve o "desagradável trajeto de sete horas, por uma estrada árida e deserta" a caminho de Roma e depois informa que "no momento em que publicamos estas páginas uma estrada de ferro transporta passageiros, em duas horas, de Civita-Vechia a Roma". O segundo volume, no qual aparece o maior número dessas observações, traz uma advertência aos leitores: informa que o livro havia sido escrito antes dos "grandes acontecimentos" (a luta pela independência) que então estavam sendo contados.11 11 FLORESTA, 1872, p. 47.

Naturalmente, antes de Nísia, muitos tinham sido os escritores que visitaram o solo italiano e que fizeram apaixonados relatos de sua estada. Entre os mais ilustres lembramos Chaucer, que por duas vezes cruzou esse território no século XIV para conhecer Petrarca e a Renascença Italiana, e Montaigne, que descreveu tudo com pormenores em Journal de voyage en Italie. A segunda metade do século XVIII, considerada a "idade de ouro da viagem à Itália", registrou um sem-número de relatos, como o do astrônomo francês Lalande, que publicou um livro de enorme repercussão, Voyage d'un françois en Italie (1769); o abade Coyer, autor de Voyages d'Italie et de Hollande (1775); e Goethe, que perambulou durante dois anos, de 1786 a 1788, e depois escreveu Italienische reise, composto de cartas dirigidas a Charlotte von Stein. Este livro é importante principalmente por conter a "educação do olhar" goetheano que tal viagem propiciou e alguns princípios da "arte de viajar" preconizados anteriormente por Rousseau. Entre os franceses, Victor Hugo e Chateaubriand também conheceram de perto esse país, assim como George Sand, Musset, Michelet, Lamartine e Mérimée, cujas obras revelam influências da excursão em terras italianas.

Assim, após tantos viajantes, era chegada a vez de Nísia Floresta conhecer a Itália. Diferente de outros, que percorrem o país em algumas semanas, e ela mesma fez em sua excursão à Alemanha, demora-se agora por três longos anos, um tempo mais que suficiente para conhecer e rever os lugares que lhe interessavam, fazer amizades e residir ora em Roma, ora em Veneza, Florença ou Milão. Em Trois ans en Italie, ela inicia como um diário de viagem e termina o segundo volume como uma crônica histórica. Opera ainda nesse texto uma singular fusão entre as duas formas de diário, "o de viagem" e o "diário íntimo", além de guardar uma semelhança com o gênero epistolar, quando se dirige a outra pessoa. Mesmo no diário, aqui e ali surge um vocativo que se refere à pessoa com quem a narradora dialoga (ou "monologa"), que tanto pode ser alguém de seu relacionamento, como um personagem histórico, uma cidade ou um cidadão qualquer.

Essa oscilação entre diário íntimo, diário de viagem e mesmo carta vem caracterizar a narrativa dessa escritora que parece não tratar um tema objetivamente sem se colocar no centro da questão. Em praticamente toda a sua obra, os sentimentos e os pensamentos mais íntimos são divulgados, pois ela não hesita em registrar dados autobiográficos e revelar seus pontos de vista em letra impressa. Essa subjetividade poderosa também vai estar presente nesse texto, pontuando-o com reflexões, opiniões e, principalmente, referências à sua vida particular.

Como a maioria dos escritores de narrativas de viagens, que buscavam conhecer o que os viajantes anteriores tinham dito, Nísia Floresta ao registrar suas impressões da estada em terras italianas também vai mencionar os livros dos que a precederam. Afinal, referir-se a eles representava uma amostra de erudição e uma atitude de reverência para com esses textos.

Onde tantos grandes gênios, tais como Goethe, Byron, C. Delavigne e Lamartine vieram entreter-se com a sombra lastimosa do sublime cantor da Jerusalém Libertada! A minha pobre pena nada poderia acrescentar. Mas uma lágrima sinceramente derramada nunca é demais para uma desgraça e essa lágrima foi, sem dúvida, a primeira derramada por uma mulher brasileira na prisão de Tasso.12 12 FLORESTA, 1864, p. 227, grifos meus.

Assim, em Trois ans en Italie, ela intertextualiza o próprio relato com os mais conhecidos, principalmente os de Byron e Goethe, citando-os e comentando os pontos comuns entre seu comportamento e o deles. Não deixa também de mencionar a existência de outros textos de viajantes, dos quais discorda, que emitiram opiniões apressadas ou alteravam significativamente a realidade do país. E apesar do numeroso repertório que encontra, ainda assim ela inovará o gênero, principalmente na abordagem sensível que faz do tempo presente italiano. O passado é importante sim, mas como referência para se compreender e valorizar o momento presente. Da mesma forma ela age com relação à Grécia: apesar de as fantásticas ruínas estarem diante de seus olhos, não deixa de observar como os jovens se comportavam e de se inteirar da situação política, social e cultural do país.

Não é, portanto, apenas uma turista que aí está, mas uma mulher portadora de uma consciência política forjada num passado de lutas contra o preconceito e as injustiças sociais. Nísia Floresta, é bom lembrar, desde a infância conviveu com fases revolucionárias em que se defendiam propostas liberais (em 1817 e 1824, em Pernambuco; de 1835 a 1838, com a Farroupilha, em Porto Alegre; e em 1848, com a Revolução Praieira, também em Pernambuco), responsáveis, aliás, pelas inúmeras mudanças de domicílio ao longo de sua vida. O fato de ela já conhecer Garibaldi desde a época em que residia no Sul do Brasil, por ocasião da Revolução Farroupilha, torna mais elucidativo seu entusiasmo pelo revolucionário italiano, quando ele toma a frente dos combates.13 13 DUARTE, 1995.

Também em Trois ans en Italie podem ser observados alguns níveis narrativos. O primeiro conteria a viagem propriamente dita, com as informações acerca de cada cidade, dos contratempos, dos passeios, das festas populares, das novas amizades, dos salões, dos assuntos discutidos, enfim, do conjunto de pormenores que preenchem cada instante presente de uma viagem. O segundo traria a incursão que realiza em seu interior, seja em busca de lembranças de um passado familiar, seja nos instantes em que se isola do presente exterior próximo e se refugia em experiências de caráter íntimo. E em um último nível, o terceiro, teríamos a sua imersão pela história, com reflexões e tomadas de posição acerca dos acontecimentos político-sociais. A narradora revela-se uma sutil observadora e analista de comportamentos, ao perceber os prenúncios da revolução que se aproximava, nesse momento-limite em que se encontrava o povo italiano. Trois ans en Italie é precisamente o livro em que melhor se delineia a ideologia política da autora, tanto por ter sido realizado num momento de maturidade intelectual, como por refletir as transformações sociais e políticas italianas. Nísia Floresta, como cronista da história italiana, expõe seus pensamentos liberais, toma partido e defende com paixão seu ponto de vista.

Porém, por vezes o relato de viagem transforma-se em diário íntimo. Nesse momento, a autora registra os pensamentos de caráter pessoal, os devaneios, a confissão de saudades dos parentes e da pátria ou a alegria pela chegada de notícias. Trata-se, portanto, do espaço narrativo no qual encontramos informações nitidamente autobiográficas, como as lembranças de aniversários e morte dos entes queridos. Segundo a autora, os desabafos e as confidências só encontrariam eco entre aqueles que, como Nísia, estavam distantes da pátria e dos seres queridos, pois:

Somente para essas pessoas têm sentido as poucas linhas que acabam de escapar deste coração, hieróglifo indecifrável para o vulgo, que talvez me lerá indiferente a essas coisas emanadas do coração e que buscará nessas páginas somente a narrativa das coisas, tão repetidas por outros viajantes, com talento e um gosto formal refinado, que não pretendo exibir de maneira alguma.14 14 FLORESTA, 1864, p. 104.

Em todo caso, os momentos autobiográficos são aqui bem menos numerosos do que os que aparecem no livro anterior, que relata a viagem à Alemanha e abriga lembranças de toda ordem. Em 10 de abril, por exemplo, ela recorda o dia em que partiu do Brasil para a Europa pela segunda vez. Refaz mentalmente as circunstâncias da partida, as despedidas no porto do Rio de Janeiro, pelo simples prazer de se lembrar do passado e referendar alguns momentos de sua vida: "retomei o vôo para o velho mundo, onde procuro, em vão, através das viagens, adormentar a tristeza d'alma. E quanto mais se sucedem os dias, os meses e os anos, mais sinto o vazio que se faz em torno de mim".15 15 FLORESTA, 1864, p. 40.

A persona que predominou no Itinérário de uma viagem à Alemanha - a da mulher romântica, melancólica e solitária - parece surgir nesse livro quase como uma imposição estética, pois não deixa de ser contraditória a confissão de tristeza à noite quando escreve no diário e o entusiasmo pelas belezas artísticas que viu durante o dia. A imagem que se impõe sobre as demais, em Trois ans en Italie, é, acima de todas, a da mulher intelectual e amadurecida, autora de livros conhecidos, que ocupava seu tempo estudando os novos países, escrevendo ou freqüentando os mais diversos cursos. Essa imagem de mulher pública fica ainda mais evidente quando nos deparamos, ao final do livro, com a transcrição da "carta de despedida" a Florença, que publicou nos jornais da cidade em 10 de julho de 1861, dia de sua partida, dando conta do seu carinho pelo país e pelas pessoas que conheceu. Como seu séjour nessas terras não se passou de maneira discreta, nem limitado ao âmbito privado de alguns poucos relacionamentos, de certa forma, justifica-se sua despedida pública.16 16 DUARTE, 1995.

Se, em Itinerário de uma viagem à Alemanha, a autora tentou recompor as próprias "ruínas" interiores, despedaçadas no sentimento de perda que então a dominava, dois anos depois, em Trois ans en Italie, ela parece buscar a superação do individualismo em prol do social e do coletivo. Natural, pois, que neste livro manifeste preocupação com os destinos dos povos. As "ruínas morais" que percebe estão expressas principalmente nos sistemas de governo autoritários, na exploração do trabalho escravo, na dominação tirânica de um país sobre outro, no abuso da força física e em todos os tipos de tortura que se pratica sobre os vencidos. "Quando os bárbaros desaparecerão da terra?" é a pergunta que faz instigando o leitor à reflexão.

Ó futuro, futuro! quanta doce consolação não se experimenta ao pensar na melhoria e na felicidade que reservas a esta pobre Humanidade, já sujeita a tantos flagelos naturais e inevitáveis, arrastando ainda o pesado grilhão da escravidão física e moral, com o deplorável cortejo de desgraças!17 17 FLORESTA, 1864, p. 147.

Voltar-se para o futuro equivalia, segundo a lógica do espírito romântico, a projetar para depois o desejo de justiça e de paz que não era possível no seu tempo. Havia entre os românticos uma preocupação de cunho libertário que ultrapassava a questão regional e até a nacional, pois queriam abarcar a defesa de todos os oprimidos, de todas as raças. Essa herança utópica da ideologia progressista, cuja visão era universal, data dos fins do século XVIII e do início do XIX.

Possam os governos de todos os países civilizados escutar os gritos da agonia prolongada desses desgraçados oprimidos, brancos e negros! E que a libertação geral dos escravos no Novo Mundo como no Velho Mundo, assinalando uma das mais gloriosas épocas nos anais da Humanidade, evidencie a elevação das idéias do século dos maravilhosos progressos intelectuais.18 18 FLORESTA, 1864, p. 158.

A autora está em Messine, na Sicília, quando surgem nos jornais as notícias da deflagração do movimento revolucionário pela unificação italiana. Seu texto, a partir de então, reforça uma feição de crônica histórica por conter não só transcrições de matérias jornalísticas relativas aos avanços e às vitórias dos liberais como também cartas de Garibaldi à população e comentários da autora com "os votos mais ardentes" pelo triunfo completo da revolução. A cronista toma partido e não esconde em nenhum momento o quanto estava envolvida pelos acontecimentos. O Monitore Toscano, Il Movimento, Constitutionnel e La Nazione são alguns dos jornais de onde extraiu notícias, contribuindo para atestar a veracidade dos fatos históricos que serviram de base ao seu texto. Em maio de 1860, por exemplo, La Nazione publicou um apelo às mulheres italianas para que elas demonstrassem seu "amor à causa" doando seus adereços, supérfluos em tempo de guerra, para a compra de armas, assinado por Garibaldi, que Nísia Floresta fez questão de incluir em suas anotações. O tom panfletário da matéria jornalística parece contaminar o texto nisiano, que, mais do que nunca, mostra-se partidário defendendo suas idéias com entusiasmo.

Por tudo isso, esse "diário de viagem" se constitui num valioso documento para o estudo da história italiana, principalmente porque contém em suas páginas a história observada pela perspectiva dos dominados. Trois ans en Italie, envolvido por um discurso de caráter histórico, guarda análises sensíveis e eruditas acerca do passado, do presente, da vida social e política, dos costumes do povo, das tradições, enfim, de tudo que mais caracterizava a vida na Itália naqueles idos de 1860, além das citações de autores e obras e da multiplicidade de nomes de personalidades. O livro termina por compor um painel social e político, tornando-se uma importante fonte de pesquisa para estudos de natureza científica, referentes, por exemplo, à História, Antropologia, Sociologia, Política, História da Literatura e das Artes.

As referências à experiência pessoal ou ao caráter autobiográfico presentes nos Trois ans não chegam a comprometer de forma decisiva o testemunho de época que o livro possui, pois não impediram o registro da crônica política, da crítica cultural e das reflexões sobre a história daquele país. É nesse aspecto que reside a maior das diferenças entre este livro e o anterior. O autobiografismo aqui não se manifesta de forma individualista como no Itinerário. É a autora que narra, mas ela ultrapassa as limitações de um diário para se revelar uma cronista que faz a documentação das experiências históricas de um povo. A autora se inclui deliberadamente na trama do mundo e passa a fazer mesmo parte do espetáculo ao emitir opiniões, tomar partido ou vibrar com a vitória dos revoltosos.

Enfim, esta é Nísia Floresta, uma brasileira de olhar viajante e reflexivo, sujeito periférico, perspicaz e ousado que dialoga de igual para igual com o discurso das metrópoles. Em sua trajetória de vida, ela nada mais fez que ampliar os passos da jovem autora de Direitos das mulheres e injustiça dos homens, que já anunciava, em 1832, uma postura altiva diante do olhar estrangeiro.

[Recebido em setembro de 2008

e aceito para publicação em outubro de 2008]

  • DUARTE, Constância Lima.Nísia Floresta: vida e obra Natal: UFRN, 1995.
  • FLORESTA, Nísia. Trois ans en Italie, suivis d'un voyage en Grèce.Paris: E. Dentu, 1864. v. I.
  • ______.Trois ans en Italie, suivis d'un voyage en Grèce.Paris: E. Dentu, 1872. v. II.
  • ______.Itinerário de uma viagem à Alemanha Tradução de Francisco das Chagas Pereira. Natal: Editora Universitária, 1982.
  • ______.Itinerário de uma viagem à Alemanha 2. ed. Tradução de Francisco das Chagas Pereira e apresentação e notas biográficas de Constância Lima Duarte. Florianópolis: Editora Mulheres, 1998a.
  • ______.Três anos na Itália.Tradução de Francisco das Chagas Pereira e apresentação de Constância Lima Duarte. Natal: UFRN, 1998b.
  • ROUSSEAU, Jean-Jacques. Emílio ou da educação Tradução de Sérgio Milliet. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1968.

  • 1
    Nísia FLORESTA, 1998a, p. 37.
  • 2
    FLORESTA, 1998a, p. 116.
  • 3
    Este artigo encontra-se ampliado em Constância Lima DUARTE, 1995.
  • 4
    Jean-Jacques ROUSSEAU, 1968, p. 494, p. 544 e p. 548.
  • 5
    FLORESTA, 1998a, p. 37.
  • 6
    FLORESTA, 1998a, p. 129.
  • 7
    FLORESTA, 1998a, p. 165.
  • 8
    FLORESTA, 1998a, p. 79.
  • 9
    FLORESTA, 1998a, p. 117-18.
  • 10
    FLORESTA, 1998a, p. 178.
  • 11
    FLORESTA, 1872, p. 47.
  • 12
    FLORESTA, 1864, p. 227, grifos meus.
  • 13
    DUARTE, 1995.
  • 14
    FLORESTA, 1864, p. 104.
  • 15
    FLORESTA, 1864, p. 40.
  • 16
    DUARTE, 1995.
  • 17
    FLORESTA, 1864, p. 147.
  • 18
    FLORESTA, 1864, p. 158.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    27 Mar 2009
  • Data do Fascículo
    Dez 2008

Histórico

  • Aceito
    Out 2008
  • Recebido
    Set 2008
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