Competências relacionais: necessidades sentidas pelos estudantes de enfermagem

Rosa Cristina Correia Lopes Zaida de Aguiar Sá Azeredo Rogério Manuel Clemente Rodrigues Sobre os autores

Resumos

OBJECTIVE: to identify the needs of nursing students in the field of relational competencies. METHOD: qualitative study with an exploratory-descriptive nature. The random sample included 62 students in the 2nd year of the nursing undergraduate program of a school located in the central region of Portugal. The inclusion criterion was the nonexistence of clinical teaching. Data were collected through a form designed to assess relational needs; content analysis was used to analyze data. RESULTS: the results indicated that the students' concept of nursing care at this stage of their education is focused on the performance of nursing tasks and techniques instead of on scientific knowledge. Overall, they are aware that greater personal development and better self-knowledge are determinant for their personal and social well-being and for them to become good professionals. CONCLUSION: these results will support the improvement of an intervention program to be developed with these students.

Students, Nursing; Interpersonal Relations; Clinical Competence; Competency-Based Education; Nursing Education Research


OBJETIVO: identificar as necessidades manifestadas pelos estudantes de enfermagem na área das competências relacionais. MÉTODO: estudo, qualitativo com características exploratório-descritivas, a amostra aleatória incluiu 62 estudantes do 2º ano do Curso de Licenciatura em Enfermagem (Escola da Região Centro de Portugal). Considerou-se como critério de selecção a inexistência de realização de Ensino Clínico. Coleta de dados realizada por meio da Ficha de Avaliação de Necessidades Relacionais com análise de conteúdo dos dados. RESULTADOS: indicaram que nesta fase da formação, os estudantes detêm um conceito de cuidar em Enfermagem centrado na execução de tarefas e técnicas de enfermagem em vez de na cientificidade do saber em Enfermagem e, que globalmente estão cientes que um maior desenvolvimento pessoal, um melhor conhecimento de si será determinante para o bem-estar pessoal e social e ser um bom profissional. CONCLUSÃO: as evidências permitirão aprimorar o programa de intervenção a desenvolver com estes estudantes.

Estudantes de Enfermagem; Relações Interpessoais; Competência Clínica; Educação Baseada em Competências; Pesquisa em Educação de Enfermagem


OBJETIVO: identificar las necesidades manifestadas por los estudiantes de enfermería en el área de las habilidades relacionales. MÉTODO: estudio, cualitativo con características exploratorio-descriptivas, la muestra aleatoria incluyó 62 estudiantes del 2º año del Curso de Licenciatura en Enfermería (Escuela de la Región Centro de Portugal). Se consideró como criterio de selección la inexistencia de realización de Enseño Clínico. Recogida de datos realizada por medio de la Ficha de Evaluación de Necesidades Relacionales con análisis de contenido de los datos. RESULTADOS: indicaron que en esta fase de la formación, los estudiantes detienen un concepto de cuidar en Enfermería centrado en la ejecución de tareas y técnicas de enfermería en vez de en la cientificidad del saber en Enfermería y, que globalmente saben que un mayor desarrollo personal, un mejor conocimiento de sí será determinante para el bienestar personal y social y serán buenos profesionales. CONCLUSIÓN: las evidencias permitirán apurar el programa de intervención a desarrollar con estos estudiantes.

Estudiantes de Enfermería; Relaciones Interpersonales; Competencia Clínica; Educación Basada en Competencias; Investigación en Educación de Enfermería


ARTIGO ORIGINAL

Competências relacionais: necessidades sentidas pelos estudantes de enfermagem

  • 1
    Rosa Cristina Correia LopesI; Zaida de Aguiar Sá AzeredoII; Rogério Manuel Clemente RodriguesIII
  • IDoutoranda, Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, Universidade do Porto, Portugal. Professor Adjunto, Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, Portugal

    IIPhD, Professor Auxiliar, Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, Universidade do Porto, Portugal

    IIIPhD, Professor Adjuncto, Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, Portugal

    Endereço para correspondência

    RESUMO

    OBJETIVO: identificar as necessidades manifestadas pelos estudantes de enfermagem na área das competências relacionais.

    MÉTODO: estudo, qualitativo com características exploratório-descritivas, a amostra aleatória incluiu 62 estudantes do 2º ano do Curso de Licenciatura em Enfermagem (Escola da Região Centro de Portugal). Considerou-se como critério de selecção a inexistência de realização de Ensino Clínico. Coleta de dados realizada por meio da Ficha de Avaliação de Necessidades Relacionais com análise de conteúdo dos dados.

    RESULTADOS: indicaram que nesta fase da formação, os estudantes detêm um conceito de cuidar em Enfermagem centrado na execução de tarefas e técnicas de enfermagem em vez de na cientificidade do saber em Enfermagem e, que globalmente estão cientes que um maior desenvolvimento pessoal, um melhor conhecimento de si será determinante para o bem-estar pessoal e social e ser um bom profissional.

    CONCLUSÃO: as evidências permitirão aprimorar o programa de intervenção a desenvolver com estes estudantes.

    Descritores: Estudantes de Enfermagem; Relações Interpessoais; Competência Clínica; Educação Baseada em Competências; Pesquisa em Educação de Enfermagem.

    Introdução

    As competências relacionais e a relação interpessoal são consideradas como o pilar do cuidado em enfermagem e reconhecidas como a competência diferenciadora de um cuidado de enfermagem de excelência(1). A aquisição destas competências é considerada como um processo evolutivo, desenvolvido segundo vários estádios: iniciado, iniciado avançado, competente, proficiente e perito(2). É certo que a competência profissional em enfermagem inclui os aspectos clínicos e técnicos, mas é o aspecto relacional que a completa. Este desenvolvimento da competência profissional só será atingido através da aquisição de um certo desenvolvimento da competência pessoal(1). Relativamente à competência pessoal, não existem dúvidas quanto à sua relevância para a realização pessoal e profissional, nem quanto à utilidade do seu treino ou mesmo da sua inclusão em programas escolares(3).

    Podemos assim afirmar, que a base da competência profissional em enfermagem está, em primeiro lugar, nas qualidades pessoais do enfermeiro, na personalidade do enfermeiro, que é determinante para a aquisição de formação e experiência. A competência em enfermagem comporta dois aspectos essenciais: a mobilização das competências pessoais e a mobilização dos saberes e saber-fazer aplicados aos cuidados em enfermagem(1).

    Quanto mais e melhor o cuidador se conhece melhor cuidará(4), ou seja o conhecimento de si (reconhecer os seus limites, reconhecer as suas emoções, trabalhar as emoções), o respeito pelo outro, a distância relacional, a abertura de espírito, a atitude e posicionamento profissional, a escuta, a invenção e a criatividade são competências indispensáveis à qualidade da intervenção de enfermagem(5).

    Numa abordagem clínico-reflexiva de matriz ecológica(6) a competência profissional é resultado de um conjunto de micro-interacções: com o próprio (interacção intrapessoal), com os outros (interacção interpessoal), com os saberes na relação de interactividade (interacção multidisciplinar), o que, considerando-se as pessoas a essência de uma organização, o seu pleno envolvimento permite que as suas competências sejam utilizadas em benefício da própria organização, podendo beneficiar da implementação de programas de intervenção(7).

    Importa ainda salientar que a qualidade dos cuidados será fortemente marcada pelas atitudes e pelos comportamentos de quem cuida e que, o desempenho profissional competente requer um saber mobilizar, integrar e transmitir os conhecimentos adquiridos no âmbito da formação(8), o que poderá ser possibilitado pelo desenvolvimento de competências mediante novas oportunidades pedagógicas durante a formação inicial(9).

    Concretamente em Enfermagem o saber-fazer incorpora em si o saber-fazer relacional(8,10), sendo os cuidados de enfermagem, considerados como a atenção particular disponibilizada à pessoa em situação de ajuda, são desenvolvidos essencialmente pela relação interpessoal, o que exige ao enfermeiro competências complexas, centradas nos princípios humanistas (unicidade, tendência actualizante, autonomia, evolução) e de relação de ajuda (aceitação, autenticidade, empatia, respeito caloroso, congruência, escuta)(11).

    Objetivo

    Identificar as necessidades manifestadas pelos estudantes de enfermagem na área das competências relacionais.

    Métodos

    Estudo qualitativo com característica exploratório-descritiva. Insere-se numa investigação de desenho e método quasi-experimental, de carácter longitudinal e triangulação dos métodos quantitativo e qualitativo, que pretende avaliar a eficácia de um programa de intervenção.

    A população estudada foi a dos estudantes do 2º ano do Curso de Licenciatura em Enfermagem, que realizavam o Ensino Teórico no 3º Semestre no ano lectivo de 2009/2010, numa Escola Superior de Enfermagem da Região Centro de Portugal, num total de 166 estudantes, distribuídos por três turmas. Considerando a aleatorização na distribuição dos estudantes por turma, a amostra, também aleatória, foi constituída por 62 estudantes. Na selecção da amostra foi considerado o critério da inexistência de realização de Ensino Clínico.

    O instrumento de coleta de dados utilizado foi a Ficha de avaliação de necessidades relacionais, de natureza qualitativa e de auto-preenchimento, constituído por cinco questões abertas e concebido com o objectivo de conhecer as necessidades relacionais manifestadas pelos estudantes de enfermagem na sua relação interpessoal e profissional e as necessidades de formação.

    Relativamente aos procedimentos éticos esta investigação foi autorizada pela Presidência da Escola, salientando-se o carácter voluntário da participação dos estudantes, sendo assinada uma declaração de consentimento informado. Importa ainda referir que esta investigação obteve o parecer favorável (parecer nº 14-12/2010) da Comissão de Ética da Unidade Investigação em Ciências da Saúde-Enfermagem (UICISA-E) da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra.

    Os dados obtidos foram tratados utilizando a análise de conteúdo que é um conjunto de técnicas de análise de comunicações(12). Salientando-se que a formulação de categorias obedeceu às seguintes regras: homogeneidade, exaustividade, exclusividade, objectividade, pertinência(12-14). O processo de análise de conteúdo iniciou-se com uma pré-análise do material através da leitura flutuante das respostas questão a questão, seguiu-se a exploração do material e sua codificação com a identificação e delimitação das unidades de registo, organizando as categorias e subcategorias, através de um processo indutivo. A validade e fidedignidade da análise de conteúdo foram asseguradas por um painel de peritos.

    Resultados

    A amostra é maioritariamente do género feminino (90,32%), com estado civil solteiro na quase totalidade (98,38%) com idades compreendidas entre os 18 e 35 anos, no entanto 61 participantes têm idades entre 18 e 22 anos e apenas 1 participante tem 35 anos. A média de idades foi de 19,55 anos e o desvio padrão de 2,163.

    Quando inquiridos os 62 estudantes sobre as competências que na sua opinião são essenciais para a qualidade do Cuidar em Enfermagem, foram obtidas 188 unidades de enumeração que foram organizadas em duas categorias: competência profissional e competência pessoal e social, sendo a primeira disposta em subcategorias e indicadores.

    Na análise geral dos resultados da Tabela 1, constatamos que os estudantes consideram competências essenciais para a qualidade dos cuidados, em primeiro lugar as técnicas e procedimentos (18,62%), em segundo lugar a relação de ajuda (18,08%), em terceiro lugar a competência pessoal e social (15,43%) e só depois o conhecimento científico (11,70%).

    Na análise de pormenor verificamos que a competência profissional foi organizada pelas subcategorias Saber, Saber fazer e Saber fazer relacional. Que relativamente ao Saber, onde se inclui o conhecimento científico e a ética, constatamos que 11,7% das unidades de enumeração são referentes ao conhecimento científico e 5,85% aos aspectos éticos. O Saber fazer refere-se em 18,62% a técnicas e procedimentos e em 6,38% à satisfação das necessidades da pessoa. Já o Saber fazer relacional refere-se essencialmente à relação de ajuda em 18,08%, aos princípios humanistas em 11,17% e à comunicação em 9,04% (Tabela 1). Quanto à competência pessoal e social onde se incluem aspectos respeitantes à assertividade, auto-estima, capacidade de adaptação, entre outros, esta representa 15,43% dão total das unidades de enumeração.

    A Tabela 2 mostra os resultados da análise de 318 unidades de enumeração manifestadas pelos estudantes, sendo sua opinião que são características pessoais facilitadoras da competência de um enfermeiro, especialmente a competência comunicacional (12,89%), seguida da simpatia (8,81%), da tolerância (6,92%), do profissionalismo (6,60%) e da auto-estima/autoconfiança (5,66%).

    Os estudantes foram também questionados sobre quais as competências profissionais que o Curso os deveria habilitar, foram encontradas 220 unidades, organizadas em duas categorias (competência profissional e competência pessoal e social) conforme se apresenta na Tabela 3. Os resultados revelam, numa análise global, que é sua opinião que o Curso os deveria habilitar para a execução de técnicas e procedimentos (21,36%), deveria proporcionar o desenvolvimento da competência pessoal e social (16,82%), deveria habilitar para a execução da relação de ajuda (15,91%), desenvolver as competências comunicacionais (15,00%) e a aquisição de conhecimento científico (12,27%).

    Importa salientar que estes resultados relativos à opinião sobre as competências profissionais a que o Curso os deveria habilitar, se mostram relacionados com a opinião dos estudantes acerca das competências essenciais para a qualidade dos cuidados em enfermagem apresentados anteriormente na Tabela 1.

    Na Tabela 4 é apresentado o resultado da análise das unidades de enumeração manifestadas pelos estudantes acerca das características e das competências pessoais que os estudantes necessitam de dar atenção especial, de modificar, para ser um bom enfermeiro. Foram encontradas 172 unidades de enumeração, que revelam que as principais características a modificar são as competências comunicacionais (29,07%), a auto-estima (15,12%), incluindo-se os aspectos correlacionados da auto-confiança e da segurança. Também a competência pessoal e social, assertividade (13,37%), mereceram destaque dos estudantes.

    Unidades de enumeração relativas ao desenvolvimento do profissionalismo (8,14%), da compreensão (5,81%), do saber ouvir (5,23%) e da competência emocional (5,23%) foram também expressas igualmente pelos participantes. Ainda com menor representatividade surgem a tolerância, a ansiedade, o respeito pelo outro ou o trabalho em equipa.

    Os estudantes quando questionados sobre as características e as competências pessoais que necessitariam desenvolver para melhorar o seu bem-estar pessoal e social, referem em 29,55% das 132 unidades de enumeração analisadas a auto-estima, as competências comunicacionais em 23,48%, a assertividade em 15,91% e a competência emocional em 12,12% (Tabela 5). Menor relevância adquiriram a tolerância, o saber ouvir ou o sentido de responsabilidade, entre outros.

    Discussão

    Realçando os resultados mais significativos deste estudo logrados através da avaliação das necessidades relacionais, podem-se tecer as seguintes considerações.

    Daquilo que os estudantes consideram competências essenciais para a qualidade do Cuidar em Enfermagem, verificamos que as categorias criadas (competência profissional e competência pessoal e social) são bem elucidativas da importância atribuída à dimensão profissional (85%) e à dimensão intra e interpessoal (15%), o que nos permite depreender nesta fase da sua formação, que os estudantes ainda não integram concepções defendidas por alguns teóricos de referência, para os quais a qualidade dos cuidados de enfermagem é determinantemente marcada pelos comportamentos do enfermeiro(8) e que a competência profissional só será alcançada através de um certo desenvolvimento da competência pessoal(1).

    Paralelamente, outra evidência relativa às subcategorias da Competência Profissional prende-se com a maior valorização do Saber Fazer, muito à custa da sobrevalorização das Técnicas e Procedimentos, em detrimento da subcategoria Saber, especialmente do Conhecimento Científico. Ora, esta noção de Cuidar em Enfermagem, centrada na execução de tarefas e técnicas de enfermagem em vez de na cientificidade do Saber em Enfermagem tão essencial à sua autonomia(15). Por outro lado, os estudantes atribuem um valor significativo à subcategoria Saber Fazer Relacional (42%), reconhecendo a importância da relação de ajuda, dos princípios humanistas e da comunicação para qualidade do Cuidar em Enfermagem(10-11,16).

    Quanto às competências profissionais a que o Curso os deveria habilitar, os resultados mostram-se relacionados com as competências essenciais para a qualidade dos cuidados em enfermagem discutidas anteriormente, os estudantes voltam a subvalorizar o Conhecimento Científico e a evidenciar as Técnicas e Procedimentos.

    Estes achados contrariam algumas pesquisas anteriores desenvolvidas com estudantes de diferentes cursos do Ensino Superior, onde o aspecto que merece maior valorização por parte destes é a "aquisição de conhecimentos", indicando mesmo que os estabelecimentos de Ensino Superior transmitem mais conhecimentos do âmbito do saber-saber, do que do âmbito do saber fazer, do saber ser e do saber conviver(17).

    Contudo, no âmbito do Saber Fazer Relacional, enaltecem o desenvolvimento de competências em relação de ajuda e de competências comunicacionais e no âmbito do saber ser enaltecem a competência pessoal e social. Estes aspectos são globalmente confirmados pelas concepções que defendem que a competência em enfermagem comporta dois aspectos essenciais: a mobilização de competências pessoais e a mobilização dos saberes e saber-fazer aplicados aos cuidados de enfermagem(1) e que salientam a importância do enfermeiro se conhecer a si mesmo o que promove a habilidade e a qualidade em cuidar, ou seja quanto mais e melhor se conhecer melhor cuidará(5).

    Relativamente às características pessoais facilitadoras da competência de um enfermeiro, os estudantes dão grande destaque à competência comunicacional, mas também valorizam a capacidade de ser tolerante, rigoroso, organizado, profissional, compreensivo, assertivo e de ter uma boa auto-estima e autoconfiança. Globalmente estes resultados parecem ir ao encontro de que o investimento comunicacional por parte dos enfermeiros está associado a maiores níveis de crescimento pessoal(18).

    Quanto às características e competências pessoais que os estudantes necessitam de dar atenção especial, para ser um bom enfermeiro sobressaem as competências comunicacionais, a auto-estima e a assertividade. Resultados consonantes com os de outros estudos que defendem que a competência em comunicação interpessoal é uma habilidade fundamental a ser adquirida pelo enfermeiro, que lhe permitirá um cuidar consciente, verdadeiro e transformador(19). Intimamente relacionado com a questão anterior estão as características e as competências pessoais que necessitariam desenvolver para melhorar o seu bem-estar pessoal e social, ao que os estudantes voltam a destacar a auto-estima, as competências comunicacionais, a assertividade e também a competência emocional.

    Em investigações empíricas, voltadas para o sucesso académico em estudantes do Ensino Superior, surgem com significativa relevância as dimensões referentes ao desenvolvimento da responsabilidade, ao relacionamento positivo e à cooperação(17), considerando-se que o Ensino Superior deve favorecer o desenvolvimento pessoal. Em outras, voltadas para a aprendizagem em Ensino Clínico, destacam, entre outros, as características pessoais do estudante e a maturidade demonstrada nas interacções(6), o conhecimento de si e factores intrínsecos ao próprio indivíduo(20).

    Conclusão

    Da análise de conteúdo resultante da opinião dos estudantes acerca das competências essenciais para a qualidade dos cuidados em enfermagem e das competências profissionais a que o Curso os deveria habilitar, ficou evidente uma maior valorização do Saber Fazer, concretamente através da sobrevalorização das Técnicas e Procedimentos, em detrimento do Saber, especialmente do Conhecimento Científico, concluindo-se que os estudantes de enfermagem nesta fase da sua formação possuem um conceito de Cuidar em Enfermagem muito centrada na execução de tarefas e técnicas de enfermagem em vez de na cientificidade do Saber em Enfermagem, tão essencial à autonomia da profissão de enfermeiro e à ciência de enfermagem. Evidente ficou também a valorização para a qualidade do Cuidar em Enfermagem, do Saber Fazer Relacional especialmente através da relação de ajuda, dos princípios humanistas e da comunicação.

    Os estudantes identificaram como necessidades, relativamente às características pessoais para melhorar o seu bem-estar pessoal ou para ser um bom enfermeiro ou ainda para facilitar a competência de um enfermeiro, o desenvolvimento da sua competência comunicacional, da competência emocional, da auto-estima e do comportamento assertivo.

    Globalmente podemos depreender que os estudantes estão cientes que um maior desenvolvimento pessoal, um melhor conhecimento de si será determinante tanto para o ser bem-estar pessoal e social como para ser um bom profissional.

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    1Rosa Cristina Correia LopesI; Zaida de Aguiar Sá AzeredoII; Rogério Manuel Clemente RodriguesIII

    Datas de Publicação

    • Publicação nesta coleção
      17 Dez 2012
    • Data do Fascículo
      Dez 2012

    Histórico

    • Recebido
      10 Jan 2012
    • Aceito
      05 Out 2012
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