Accessibility / Report Error

Bromélias e beija-flores: um modelo observacional para testar hipóteses sobre correlações e adaptações morfológicas recíprocas1 1 Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Coordenação do Curso de Ciências Biológicas - ESFA.

Bromeliads and hummingbirds: an observational model for hypothesis test on morphological correlation and reciprocal adaptation

Resumo

Muitas angiospermas dependem da ação de animais para sua polinização. Embora a maioria das interações entre plantas e polinizadores não aparentem ser tão peculiares,de certa forma, parecem envolver algum grau de adaptação mútua de flor e animal. A morfologia floral é um dos mais importantes aspectos de interações planta-polinizador, pois determina a acessibilidade do polinizador ao néctar e a eficiência da deposição do pólen no corpo do polinizador e da aquisição do pólen pelo estigma. O presente trabalho pretende propor e validar uma metodologia que permita testar hipóteses quanto à existência de correlação morfológica entre flores e polinizadores. Uma abordagem de análise de série temporal foi proposta como medida de esforço observacional e a morfometria de comprimento e curvatura de corolas de bromélias e bicos de beija-flores foram utilizados como descritores para um teste de ajustamento, realizado por regressão logística. Em pequena escala, envolvendo quatro espécies de bromélias e sete de beija-flores, resultados levaram à rejeição da hipótese da existência de restrições morfológicas exercidas pelas bromélias no sentido de selecionar beija-flores pelo comprimento ou pela curvatura de seus bicos.

Palavras-chave:
polinização; angiospermas; vertebrados; interações animal-planta; regressão logística

Abstract

Many angiosperms depend on animals for their pollination. Although most of the interactions between plants and pollinators do not seem to be so peculiar, everything seems to involve some degree of mutual adaptation between flowers and animals. Floral morphology is one of the most important aspects of plant-pollinator interactions, because it drives the floral resource accessibility by pollinators. This paper aims to propose and validate a methodology to test hypothesis on morphological correlation between flowers and their pollinators. A temporal series approach was made as an estimation of observational effort. The morphometry of cord and curvature of flower tubes and hummingbird bills were used as descriptors for an adjustment test made by logistic regression. In this modeling scale, with four bromeliads and seven hummingbird species, we rejected the hypothesis of the existence of morphological restriction imposed by bromeliads on the hummingbird selection, by means of its bill length or curvature.

Key words:
pollination; angiosperms; vertebrates; animal-plant interaction; logistic regression

Texto completo disponível apenas em PDF.

  • 1
    Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Coordenação do Curso de Ciências Biológicas - ESFA.

AGRADECIMENTOS

Ao Museu de Biologia Professor Mello Leitão pelo acesso às coleções zoológicas e bibliográficas e pela autorização e apoio logístico para realização dos trabalhos de campo na Reserva Santa Lúcia. A Antônio Carlos Dalcolmo e Jorge Antônio Capucho pelo incentivo e acompanhamento nos trabalhos de campo. A Glória Matallana Tobón (UFRJ) pela orientação na etapa inicial do projeto e a Thiago dos Santos Coser pela identificação das espécies de bromélias. A Roseana Brumana do Nascimento e Glória M. Tobón, pelas sugestões e correções em uma versão prévia e a um revisor anônimo cujas sugestões foram fundamentais para uma melhor compreensão do texto.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • Bawa, K. S.; Bullock, S. H.; Perry, D. R.; Coville, R. E. & Grayum, M. H. 1985. Reproductive biology of tropical lowland rain forest trees: II. pollination systems. American Journal of Botany 72: 346-356.
  • Faegri, K. & van der Pijl, L. 1979. Principles of pollination ecology. 3rd ed. Pergamon Press, Oxford, 214p.
  • Feinsinger, P. 1983. Coevolution and pollination. In: Futuyama, D. J. & Slatkin, M. (eds.). Coevolution. Sinauer Associates Inc., Sunderland. Pp. 282-310.
  • Fenster, C. B.; Armbruster, W. S.; Wilson, P.; Dudash, M. R. & Thomson, J. D. 2004. Pollination syndromes and floral specialization. Annual Review of Ecology, Evolution and Systematics 35: 375-403.
  • Fischer, E. A. 1994. Polinização, fenologia e distribuição espacial de Bromeliaceae numa comunidade de Mata Atlântica, litoral sul de São Paulo. Dissertação de Mestrado. Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 80p.
  • Herrera, C. M. 1996. Floral traits and plant adaptation to insect pollinators: a devil's advocate approach. In: Lloyd, D. C. & Barrett, S. C. H. (eds). Floral Biology, studies on floral evolution in animal pollinated plants. Chapman & Hall, New York. Pp. 65-87.
  • Hosmer, D. W. & Lemeshow, S. 1989. Applied logistic regression. John Wiley, New York, 305p.
  • Krebs, C. J. 1999. Ecological methodology. 2nd ed. Benjamin Cummings, Menlo Park, 620p.
  • Proctor, M.; Yeo, P. & Lack, A. 1996. The study of pollination: a short history. In: Proctor, M.; Yeo, P. & Lack, A. The natural history of pollination. Harper Collins, London. Pp. 12-23.
  • Roubik, D. M. 1992. Loose niches in tropical communities: why are there so few bees and so many trees? In: Hunter, M. D.; Ohgushi, T. & Price, P. W. (ed.). Effects of resource distribution on animal-plant interactions. Academic Press, San Diego. Pp. 327-354.
  • Sakai, S.; Kato, M. & Inoue, T. 1998. Three pollination guilds and variation in floral characteristics of Bornean gingers (Zingiberaceae and Costaceae). American Journal of Botany 86: 646-658.
  • Sazima, I.; Buzato, S. & Sazima, M. 1996. An assemblage of hummingbird-pollinated flowers in a montane forest in southeastern Brazil. Botanica Acta 83: 705-712.
  • Snow, D. W. & Teixeira, D. L. 1982. Hummingbirds and their flowers in the costal mountains of southeastern Brazil. Journal of Ornithology 123: 446-450.
  • Varassin, I. G. & Sazima, M. 2000. Recursos de Bromeliaceae utilizados por beija-flores e borboletas em Mata Atlântica no sudestes do Brasil. Boletim do Museu de Biologia Mello Leitão 11/12: 57-70.
  • Waser, N. M. 1983. The adaptative nature of floral traits: ideas and evidence. In: Real, L. (ed.). Pollination biology. Academic Press, Orlando. Pp. 242-285.
  • ______; Chittka, L.; Price M. V.; Williams N. M. & Ollerton, J. 1996. Generalization in pollination systems, and why it matters. Ecology 77: 1043-1060.
  • Whittaker, R. H. 1975. Comunities and ecosystems. 2nd ed. Macillan, New York, 385p.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    Jan-Mar 2007

Histórico

  • Recebido
    Jan 2006
  • Aceito
    Maio 2006
Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro Rua Pacheco Leão, 915 - Jardim Botânico, 22460-030 Rio de Janeiro, RJ, Brasil, Tel.: (55 21)3204-2148, Fax: (55 21) 3204-2071 - Rio de Janeiro - RJ - Brazil
E-mail: rodriguesia@jbrj.gov.br