Objetivo: Investigar a associação entre mortalidade e morbidade por pneumonia e condições urbanas, ambientais e socioeconômicas nos distritos administrativos de São Paulo, Brasil.
Métodos: Estudo ecológico com dados agregados de 2010 a 2020, abrangendo 96 distritos administrativos. Foram analisados óbitos e internações por pneumonia em indivíduos de zero a 19 anos, com relação ao Índice Geográfico do Contexto Socioeconômico para Estudos de Saúde e Sociais (GeoSES), padrões habitacionais e condições urbanas. A análise espacial utilizou o software SaTScan para estimativa de risco relativo, e modelos de regressão linear simples (OLS) e ponderada geograficamente (GWR) foram aplicados para avaliar associações espaciais.
Resultados: No período, ocorreram 1.486 óbitos e 156.112 internações por pneumonia entre indivíduos de até 19 anos. A mortalidade foi maior no sexo masculino (54,7%) e apresentou aglomeração espacial. As taxas de mortalidade mostraram associação negativa com a proporção de residências de alto padrão e com o índice GeoSES e associação positiva com a presença de vias expressas. O modelo GWR teve melhor desempenho do que o OLS (R2 ajustado=0,44 vs. 0,40). As internações foram mais uniformemente distribuídas e menos associadas a indicadores socioeconômicos (R2 ajustado=0,17 para OLS).
Conclusões: A mortalidade por pneumonia em crianças e adolescentes em São Paulo está associada ao padrão socioeconômico e à desigualdade na condição urbana. Os resultados reforçam a necessidade de políticas públicas com enfoque territorial, que integrem planejamento urbano e equidade social nas estratégias de prevenção de doenças respiratórias.
Palavras-chave:
Sistemas de informação geográfica; Fatores socioeconômicos; População urbana; Saúde pública
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