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Marcadores sorológicos do vírus da hepatite B em mulheres jovens atendidas pelo Programa de Saúde da Família em Vitória, Estado do Espírito Santo, 2006

Serological markers for hepatitis B virus in young women attended by the Family Health Program in Vitória, Espírito Santo, 2006

Nínive Camillo de Figueiredo Kimberly Page-Shafer Fausto Edmundo Lima Pereira Angélica Espinosa Miranda Sobre os autores

Resumos

O objetivo deste estudo foi determinar a freqüência dos marcadores sorológicos para hepatite B e de fatores de risco associados com a infecção pelo vírus B em mulheres jovens, residentes em Vitória, ES, onde a vacinação em recém-nascidos e em adolescentes foi iniciada em 1994 e 2000, respectivamente. Estudo populacional, por amostragem, realizado em três regiões de saúde de Vitória em 2006. Foi realizada entrevista e pesquisa de HBsAg, anti-HBc e anti-HBs. De 1.200 mulheres selecionadas, 1.029 (85,7%) participaram do estudo. A mediana de idade foi 23 anos (distância interquartil 20-26 anos) e 93,2% tinham mais de quatro anos de escolaridade. Quarenta e três (4,2%) mulheres (IC95% 2,97%-5,43%)] apresentaram anti-HBc total positivo e 9 (0,9%) (IC95% 0,4%-1,6%)] HBsAg. Houve 466 (45,3%) testes (IC95% 42,2%-48,4%)] anti-HBs positivos dos quais 427 eram anti-HBc e HBsAg negativas. A única variável independentemente associada com anti-HBc (+) foi renda mensal de até 4 salários mínimos [OR =2,6 (IC95% 1,06-6,29)]. Os dados mostram baixa prevalência do vírus B e de seus fatores de risco mais conhecidos. A prevalência do anti-HBs com anti-HBC e HBsAg negativos reflete a cobertura vacinal do Município neste grupo (43,7%). Não foi possível determinar fatores de risco significativos para a aquisição do vírus hepatite B nessa população.

Hepatite B; Mulheres jovens; Prevalência; Fatores de risco


The aim of this study was to determine the frequencies of serological markers for hepatitis B and risk factors associated with HBV infection among young women living in Vitória, Espírito Santo, where vaccination for newborns and adolescents started in 1994 and 2000, respectively. This was a population-based study performed by sampling in three health regions of Vitória in 2006. Interviews were held and HBsAg, anti-HBc and anti-HBs were investigated. Out of 1,200 women selected, 1,029 (85.7%) were enrolled. The median age was 23 years (interquartile range: 20-26 years) and 93.2% had had more than four years of schooling. Forty-three women (4.2%; 95%CI 2.97%-5.43%) were positive for anti-HBc total, and nine, for HBsAg (0.9%; 95%CI 0.4%-1.6%)]. There were 466 positive anti-HBs tests (45.3%; 95%CI 42.2%-48.4%), of which 427 were negative for anti-HBc and HBsAg. Monthly income of up to four minimum monthly salaries was the only variable independently associated with positive anti-HBc tests (OR = 2.6: 95%CI 1.06-6.29). These data show low prevalence of the hepatitis B virus and its better-known risk factors. The prevalence of positive anti-HBs tests with negative anti-HBc and HBsAg tests reflects the vaccine coverage in the municipality in this group (43.7%). It was not possible to determine any significant risk factors for hepatitis B virus acquisition among this population.

Hepatitis B; Young women; Prevalence; Risk factors


ARTIGO ARTICLE

Marcadores sorológicos do vírus da hepatite B em mulheres jovens atendidas pelo Programa de Saúde da Família em Vitória, Estado do Espírito Santo, 2006

Serological markers for hepatitis B virus in young women attended by the Family Health Program in Vitória, Espírito Santo, 2006

Nínive Camillo de FigueiredoI; Kimberly Page-ShaferII; Fausto Edmundo Lima PereiraI; Angélica Espinosa MirandaI

IPrograma de Pós-Graduação em Doenças Infecciosas, Núcleo de Doenças Infecciosas, Universidade Federal do Espírito Santo., Vitória, ES

IICenter for AIDS Prevention Studies, Department of Medicine, University of California, San Francisco, USA

Endereço para correspondência

RESUMO

O objetivo deste estudo foi determinar a freqüência dos marcadores sorológicos para hepatite B e de fatores de risco associados com a infecção pelo vírus B em mulheres jovens, residentes em Vitória, ES, onde a vacinação em recém-nascidos e em adolescentes foi iniciada em 1994 e 2000, respectivamente. Estudo populacional, por amostragem, realizado em três regiões de saúde de Vitória em 2006. Foi realizada entrevista e pesquisa de HBsAg, anti-HBc e anti-HBs. De 1.200 mulheres selecionadas, 1.029 (85,7%) participaram do estudo. A mediana de idade foi 23 anos (distância interquartil 20-26 anos) e 93,2% tinham mais de quatro anos de escolaridade. Quarenta e três (4,2%) mulheres (IC95% 2,97%-5,43%)] apresentaram anti-HBc total positivo e 9 (0,9%) (IC95% 0,4%-1,6%)] HBsAg. Houve 466 (45,3%) testes (IC95% 42,2%-48,4%)] anti-HBs positivos dos quais 427 eram anti-HBc e HBsAg negativas. A única variável independentemente associada com anti-HBc (+) foi renda mensal de até 4 salários mínimos [OR =2,6 (IC95% 1,06-6,29)]. Os dados mostram baixa prevalência do vírus B e de seus fatores de risco mais conhecidos. A prevalência do anti-HBs com anti-HBC e HBsAg negativos reflete a cobertura vacinal do Município neste grupo (43,7%). Não foi possível determinar fatores de risco significativos para a aquisição do vírus hepatite B nessa população.

Palavras-chaves: Hepatite B. Mulheres jovens. Prevalência. Fatores de risco.

ABSTRACT

The aim of this study was to determine the frequencies of serological markers for hepatitis B and risk factors associated with HBV infection among young women living in Vitória, Espírito Santo, where vaccination for newborns and adolescents started in 1994 and 2000, respectively. This was a population-based study performed by sampling in three health regions of Vitória in 2006. Interviews were held and HBsAg, anti-HBc and anti-HBs were investigated. Out of 1,200 women selected, 1,029 (85.7%) were enrolled. The median age was 23 years (interquartile range: 20-26 years) and 93.2% had had more than four years of schooling. Forty-three women (4.2%; 95%CI 2.97%-5.43%) were positive for anti-HBc total, and nine, for HBsAg (0.9%; 95%CI 0.4%-1.6%)]. There were 466 positive anti-HBs tests (45.3%; 95%CI 42.2%-48.4%), of which 427 were negative for anti-HBc and HBsAg. Monthly income of up to four minimum monthly salaries was the only variable independently associated with positive anti-HBc tests (OR = 2.6: 95%CI 1.06-6.29). These data show low prevalence of the hepatitis B virus and its better-known risk factors. The prevalence of positive anti-HBs tests with negative anti-HBc and HBsAg tests reflects the vaccine coverage in the municipality in this group (43.7%). It was not possible to determine any significant risk factors for hepatitis B virus acquisition among this population.

Key-words: Hepatitis B. Young women. Prevalence. Risk factors.

A hepatite B é uma enfermidade de distribuição universal que afeta ambos os sexos, mas que adquire especial importância entre mulheres pela alta transmissão materno-infantil13 17. A infecção também pode ser adquirida por transmissão horizontal através de contato sexual, compartilhamento de seringas, exposição ocupacional, transfusão de sangue contaminado e convívio familiar5 11. O padrão de transmissão do vírus da hepatite B (VHB) está relacionado com a taxa de prevalência. Em áreas de baixa endemicidade a transmissão sexual e percutâneas são preponderantes, nas de alta endemicidade a maioria das infecções ocorrem por transmissão vertical10. A despeito do conhecimento das principais vias de transmissão, pelo menos 20% dos casos de infecção aguda permanecem com fonte obscura de contato21.

A prevalência da infecção tem grandes variações geográficas, com regiões de alta prevalência (mais de 8% de portadores do HBsAg), média prevalência (entre 2% e 7%) e baixa prevalência (menos de 2%)1. No Brasil, a prevalência é heterogênea, com a região Amazônica, o Espírito Santo e o oeste de Santa Catarina consideradas zonas de alta e média prevalência14 e as demais regiões com índices baixos, semelhantes à América do Norte e Europa Ocidental2 4 7 15 19 20.

No Espírito Santo a prevalência do vírus também é heterogênea, com municípios de prevalência média, especialmente os de colonização italiana, sendo os demais de prevalência baixa18. Em Vitória, onde existem os maiores Hospitais Gerais públicos do estado, é freqüente o diagnóstico de doenças crônicas ligadas ao VHB, especialmente hepatite crônica e carcinoma hepatocelular8, e a prevalência do anti-HBc está em torno de 12% no maior banco de sangue público do estado9.

Em razão de ter áreas de média prevalência do VHB, o Espírito Santo foi incluído no programa de vacinação para hepatite B em 1994, e hoje a cobertura vacinal completa é de 77,5% no estado e de 83,9% na capital (SEMUS: dados não publicados, 2005); entretanto, quando estratificada por faixa etária, a cobertura é bastante heterogênea. Entre os adolescentes de 11 a 14 anos, 37,6% haviam recebido as três doses da vacina e apenas 16% dos adultos entre 20 e 59 anos completaram a vacinação (SEMUS: dados não publicados, 2005).

Conhecer a prevalência da infecção e a situação vacinal em mulheres jovens é importante para se ter idéia do potencial da transmissão vertical a fim de elaborar medidas de intervenção. Por essas razões os objetivos do presente estudo foram: a) determinar a prevalência de marcadores do vírus da hepatite B em mulheres jovens residentes em Vitória; b) determinar o índice de proteção vacinal através da pesquisa do anti-HBS e c) descrever os fatores de risco em relação à hepatite B.

MATERIAL E MÉTODOS

Foi realizado um estudo de base populacional, por amostragem, em três regiões de saúde de Vitória, onde o Programa de Saúde da Família (PSF) já estava implantado e que dispunham de uma lista completa dos domicílios. As regiões incluídas foram: Maruípe, São Pedro e Continental com habitantes pertencentes às classes média alta, média e média baixa.

Constituição da amostra. O cadastro do PSF continha registro de 10.660 mulheres de 18 a 29 anos, que habitavam as regiões descritas, anteriormente. Utilizando uma tabela de números aleatórios foi obtida uma amostra de 1.200 mulheres. O tamanho da amostra foi calculado para estimar a taxa de infecção persistente pela hepatite B, com um intervalo de 95% de confiança, na população de estudo. Tomou-se como base para cálculo uma prevalência de HBsAg de 1% em gestantes residentes em Vitória12, o que gerou um número de 990 mulheres. Admitindo-se uma perda de 20%, foram selecionadas 1.200 mulheres. A amostra teve 30,7% de mulheres da Região Continental, 51% de Maruípe e 18,3% de São Pedro, já que essas proporções representavam as proporções de mulheres, na faixa etária do estudo, em cada região, em relação ao total das residentes nas três regiões do Município. A coleta de dados, realizada por enfermeiras do PSF, foi feita de março a dezembro de 2006.

Questionário. O questionário utilizado foi uma forma modificada daquele utilizado na pesquisa The Young Women's Survey16. O questionário foi validado e foram mantidas as perguntas que informavam sobre a) dados sócio-demográficos (idade, escolaridade, ocupação, estado civil e renda); b) dados clínicos (antecedentes de vacinação, história de DST, contracepção, gravidez e abortos); c) informações sobre práticas sexuais e sobre comportamentos de risco (uso de preservativos, número de parceiros sexuais, prostituição, abuso sexual, uso de álcool e drogas, transfusão de sangue). Todas as perguntas contidas no questionário eram fechadas.

Pesquisa dos marcadores da infecção com o vírus da hepatite B. Foram pesquisados o antígeno de superfície do vírus da hepatite B (HBsAg), os anticorpos anti-antígeno do core (anti-HBc) e anti-antígeno de superfície (anti-HBs), usando testes comerciais (Auszyme Monoclonal EIA, Corzyme EIA, Ausab EIA, Laboratórios Abbott, Rio de Janeiro, Brasil). Os testes foram realizados pelo Laboratório Central da Secretaria Municipal de Saúde de Vitória, seguindo as instruções do fabricante.

Análise de dados. A análise estatística foi realizada utilizando-se o SPSS versão 11.5 para Windows. Inicialmente, foi realizada uma análise descritiva, incluindo distribuição de freqüência para variáveis qualitativas e cálculo de média e desvio - padrão para variáveis quantitativas. A prevalência de infecção pelo vírus B foi estimada pela freqüência do diagnóstico em questão, sendo calculado o correspondente intervalo de confiança de 95%. As possíveis associações entre infecção pelo vírus da hepatite B e comportamentos de risco ou variáveis demográficas e clínicas foram testadas através de testes de qui-quadrado. odds ratio e intervalos de confiança foram calculados para estimar o grau de associação entre a infecção e os potenciais fatores de risco. Análise multivariada de regressão logística foi utilizada para estimar o efeito de uma variável, ao mesmo tempo em que se controla o efeito das demais.

Aspectos éticos. Este projeto foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Espírito Santo e pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade da Califórnia, San Francisco. Todas as mulheres que aceitaram participar do projeto foram informadas dos objetivos da pesquisa, assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido e receberam acompanhamento médico quando diagnosticadas com a infecção.

RESULTADOS

Entre as 1.200 mulheres selecionadas, 1.029 participaram do estudo, o que representa 85,7% da amostra inicialmente selecionada, com mediana de idade de 23 anos (distância interquartil (DIQ) de 20-26 anos).

Quarenta e três (4,2%) mulheres (IC95% 2,97%-5,43%) foram consideradas expostas ao vírus da hepatite B (VHB) por apresentarem anti-HBc total positivo e 9 (0,9%) eram portadoras do HBsAg. (IC95% 0,4%-1,6%)] O anti-HBs foi positivo (título superior a 10UI, conforme especificação do método utilizado) em 466 (45,3%) mulheres (IC95% 42,2%-48,4%).

A Tabela 1 descreve os dados demográficos e marcadores de hepatite B em mulheres jovens atendidas pelo PSF de Vitória, de acordo com a região de residência. Chama a atenção a alta (93,2%) freqüência de escolaridade acima de quatro anos de estudo. Grande parte da população das regiões de São Pedro e Maruípe ganhava até quatro salários mínimos, enquanto 72,1% das mulheres da região continental relataram renda maior que quatro salários mínimos. Na Tabela 2 estão os dados relacionados com os fatores de risco para a infecção. O fator mais freqüente foi o uso de drogas ilícitas não injetáveis (17,8%) e o menos freqüente o uso de drogas injetáveis (0,5%); 87,9% das participantes relataram ser sexualmente ativas.

Na análise bivariada, a variável que se associou com a infecção pelo VHB (anti-HBc total positivo) foi a renda mensal de até quatro salários mínimos [OR=2,49(IC95%1,10-5,66)]. Não houve associação de anti-HBc total com estado marital, número de parceiros sexuais, ou uso de preservativo na última relação sexual. O relato de prática de prostituição, antecedentes de DST e transfusão sangüínea também não mostraram significância estatística. Nenhuma das três mulheres, que relataram fazer uso de drogas injetáveis, estava infectada pelo vírus B (Tabela 3).

No modelo final de regressão logística, a variável renda mensal até quatro salários mínimos permaneceu associada com a presença de anti-HBc total [OR=2,6 (IC95% 1,06-6,29)].

DISCUSSÃO

Trata-se do primeiro estudo com base populacional delineado para estudar a prevalência de marcadores de VHB em mulheres jovens (18 a 29 anos) no Brasil, em uma região onde a vacinação para esse vírus foi iniciada em recém-nascidos em 1994 e em adolescentes a partir de 2000 (SESA: dados não publicados, 2005). Na amostra estudada, 427 mulheres eram anti-HBs positivas (título acima de 10UI) e eram anti-HBc negativas, perfil sorológico típico de pessoas vacinadas. Considerando que a pesquisa do anti-HBc foi positiva em 43 mulheres e o HBsAg em 9 mulheres que tiveram contacto com o vírus e provavelmente não eram vacinadas, pode-se admitir que a proteção vacinal na amostra estudada é de 43,7% (427 anti-HBs positivas entre 977 negativas para os outros marcadores do VHB). Os dados permitem concluir que a vacinação de adolescentes tem uma razoável proporção de cobertura em Vitória, já que 43,7% das mulheres até 29 anos têm níveis protetores de anti-HBs. Ainda que seja uma cobertura vacinal baixa, é maior do os 16% de cobertura estimada pela Secretaria de Saúde do Município de Vitória.

A prevalência do anti-HBc, que marca o contacto prévio com o vírus foi de 4,2% em toda a amostra. No entanto se retirarmos da amostra o grupo de mulheres que foi vacinado a prevalência vai para 7,2% (43/596 mulheres), menor do que a observada nos doadores voluntários do banco de sangue em Vitória, que era de 12,8% em 20009. Entretanto foi aproximada aos dados observados em outros estudos realizados na região sudeste4 7 19.

O HBsAg foi positivo em 9 (0,9%) mulheres da amostra examinada. Se for considerado que grande parte da amostra foi vacinada na infância ou adolescência, a prevalência da infecção persistente no soro nas mulheres não vacinadas foi de 1,3%, freqüência aproximada ao observado em outros estudos realizados em gestantes3 6 7 12 13 e do observado em estudo populacional realizado em São Paulo7.

A análise dos fatores de risco para infecção pelo VHB neste estudo confirma a baixa prevalência dos marcadores estudados, já que foram pouco freqüentes os relatos de transfusão de sangue, uso de drogas injetáveis e prostituição. Os fatores de risco mais freqüentemente relatados foram a história pregressa de DST e o relato de mais de um parceiro sexual. Eles também foram mais freqüentes no grupo de mulheres com marcadores positivos para o vírus B (HBsAg e ou anti-HBc). A multiplicidade de parceiros, o não uso de preservativos e a prática comercial da atividade sexual são conhecidos fatores de associação com as doenças sexualmente transmissíveis1. Na avaliação dos fatores conhecidos como de risco para infecção pelo VHB, apenas a renda familiar abaixo de 4 salários mínimos se correlacionou positivamente com a presença do anti-HBc. Estudo realizado por Silveira e cols19 também mostrou uma clara associação entre o baixo padrão sócio-econômico e a soropositividade para o VHB no Brasil. A ausência de correlação com fatores como o maior número de parceiros sexuais, uso de drogas injetáveis e prostituição pode estar relacionado à baixa freqüência desses fatores na amostra estudada.

Embora o estudo transversal não seja o ideal na determinação das possíveis vias de contágio do VHB, sua aplicação se justifica porque conhecer a soroprevalência em mulheres jovens, na faixa de maior fecundidade, é importante para demonstrar a susceptibilidade da população à forma mais grave de transmissão. Devido à baixa prevalência do VHB e dos fatores de risco nesta amostra, e à cobertura vacinal, o número de mulheres infectadas não foi suficiente para que se encontrasse associação estatística entre as variáveis independentes estudadas e a infecção pelo VHB. A possibilidade de ter ocorrido viés de resposta não pode ser descartada devido à tendência geral de se dar respostas socialmente aceitáveis.

O conhecimento das formas de contágio facilita o estudo das variáveis envolvidas no risco de transmissão, entretanto torna-se um desafio estudar populações onde estes mecanismos são desconhecidos e a prevalência é baixa1 5. Os dados do presente estudo oferecem um panorama da prevalência de marcadores sorológicos do vírus B entre as mulheres jovens de Vitória. Eles mostram uma baixa prevalência do vírus B e de seus fatores de risco mais conhecidos, a prevalência encontrada de anti-HBs reflete uma boa cobertura vacinal no Município. Entretanto, a multiplicidade das formas de exposição, o período de incubação prolongado e a forma assintomática na maioria dos portadores permanecem como desafios no estudo da infecção pelo vírus B.

  • Endereço para correspondência:

    Dra. Nínive Camillo de Figueiredo
    Núcleo de Doenças Infecciosas/UFES
    Av. Marechal Campos 1468, Maruípe
    29040-091 - Vitória, ES
    Tel: 55 27 3335-7504
    e-mail:
  • Recebido para publicação em 13/05/2008

    Aceito em 12/11/2008

    Apoio financeiro: AIDS International Training in Research Program (Fogarty International Center) D43W00003 e ICOHRTA Brazil Scientist Program (Fogarty International Center) D43TW005799

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    Endereço para correspondência: Dra. Nínive Camillo de Figueiredo Núcleo de Doenças Infecciosas/UFES Av. Marechal Campos 1468, Maruípe 29040-091 - Vitória, ES Tel: 55 27 3335-7504 e-mail: ninive-figueiredo@ig.com.br

    Datas de Publicação

    • Publicação nesta coleção
      05 Jan 2009
    • Data do Fascículo
      Dez 2008

    Histórico

    • Recebido
      13 Maio 2008
    • Aceito
      12 Nov 2008
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