Sumário
Revista de Saúde Pública, Volume: 59 Suplemento 1, Publicado: 2025Revista de Saúde Pública, Volume: 59 Suplemento 1, Publicado: 2025
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Editorial Nascer no Brasil II: achados e implicações para o estado do Rio de Janeiro Bastos, João Luiz d’Orsi, Eleonora Cardoso, Marly Augusto Gonçalves, Tonantzin Ribeiro |
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Apresentação Gestação, parto e nascimento no estado do Rio de Janeiro Leal, Maria do Carmo |
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Artículo Original Utilização do pré-natal e estrutura hospitalar segundo o risco obstétrico no Rio de Janeiro Bittencourt, Sonia Duarte de Azevedo Domingues, Rosa Maria Soares Madeira Ferreira, Danielle Portella Esteves-Pereira, Ana Paula Dias, Marcos Augusto Bastos Nakamura-Pereira, Marcos Bernardo, Alessandra do Nascimento Blengini, Paulo Cesar da Graça Souza Suppo Gomes, Maria Auxiliadora de Souza Mendes Leal, Maria do Carmo Resumo em Português: RESUMO OBJETIVO: Estimar a utilização e adequação de serviços de pré-natal e verificar a estrutura da maternidade para atender às necessidades de cuidado de saúde durante o parto no Sistema Único de Saúde. MÉTODOS: Estudo seccional de base hospitalar realizado no estado do Rio de Janeiro. Foram elegíveis 1.073 puérperas cujo parto ocorreu em hospitais públicos e mistos. As entrevistas foram realizadas no hospital e foram extraídos dados da caderneta de pré-natal e do prontuário materno. Para avaliar a estrutura hospitalar foram entrevistados os gestores. As características sociodemográficas, obstétricas e do cuidado pré-natal das puérperas foram descritas segundo o risco obstétrico. A avaliação da estrutura da maternidade englobou: recursos humanos, medicamentos, equipamentos de emergência e serviços de apoio, segundo o nível de complexidade. Ao final, analisou-se a distribuição das puérperas classificadas em risco obstétrico segundo a complexidade da estrutura hospitalar. RESULTADOS: As maiores prevalências de alto risco obstétrico foram observadas nos hospitais localizados no interior, entre as mulheres brancas, com 35 ou mais de idade, com até 11 anos de estudo, multíparas e obesas. A adequação do pré-natal, o controle da hipertensão arterial, diabetes e da avaliação nutricional foram baixos e a peregrinação foi expressiva. Os hospitais com UTI/UTIN apresentaram melhores níveis de adequação em todas as dimensões de estrutura avaliadas. Ao nível estadual, 30,5% das mulheres de alto risco obstétrico foram atendidas em maternidades sem UTI/UTIN e 40,4% de risco habitual em maternidades com UTI/UTIN. CONCLUSÃO: O estudo sublinha a necessidade de melhorar a assistência pré-natal e a implementação de uma rede articulada dos serviços que integram o Sistema Único de Saúde (SUS), centrada em maternidades que garantam as condições de estrutura para a qualidade e segurança no cuidado obstétrico e neonatal, tanto nas boas práticas no risco habitual quanto no manejo de intercorrências e no alto risco obstétrico, de forma a impactar os persistentes resultados elevados de morbimortalidade materna e neonatal.Resumo em Inglês: ABSTRACT OBJECTIVE: To estimate the use and adequacy of prenatal care services and to verify the structure of the maternity hospital to meet the needs of health care during childbirth in the Brazilian Unified Health System. METHODS: This is a cross-sectional, hospital-based study conducted in the state of Rio de Janeiro, Brazil. 1,073 puerperae were eligible, whose delivery took place in public and mixed hospitals. The interviews were conducted in the hospital, and data were extracted from the prenatal card and maternal medical records. To evaluate the hospital structure, managers were interviewed. Sociodemographic, obstetric and prenatal care characteristics of the puerperae were described according to obstetric risk. The evaluation of the structure of the maternity hospital included: human resources, medicines, emergency equipment, and support services, according to the complexity level. Moreover, the distribution of puerperae classified as at obstetric risk was analyzed according to the complexity of the hospital structure. RESULTS: The highest prevalence of high obstetric risk was observed in hospitals located in small cities, among white women, aged 35 years or over, with up to 11 years of formal study, multiparous, and obese. Prenatal care adequacy, control of hypertension, diabetes, and nutritional evaluation were low, and traveling for delivery was significant. Hospitals with ICU/NICU presented better levels of adequacy in all structure dimensions evaluated. At the state level, 30.5% of women at high obstetric risk were seen in maternity hospitals without ICU/NICU; and 40.4% women at normal risk, in maternity hospitals with ICU/NICU. CONCLUSIONS: We highlight the need to improve prenatal care and the implementation of an articulated network of services that integrate the Brazilian Unified Health System (SUS), centered on maternity hospitals that guarantee the structure conditions for quality and safety in obstetric and neonatal care, both in good practices at normal risk and in the management of complications at high obstetric risk, in such a way to impact the considerable outcomes of maternal and neonatal morbidity and mortality. |
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Artigo Original Desigualdades na atenção ao Trabalho de Parto e Parto no Rio de Janeiro – Nascer no Brasil II: pesquisa nacional sobre aborto, parto e nascimento Leal, Maria do Carmo Esteves-Pereira, Ana Paula Domingues, Rosa Maria Soares Madeira Bittencourt, Sonia Duarte de Azevedo Theme-Filha, Mariza Miranda Leal, Neide Pires Nakamura-Pereira, Marcos Dias, Marcos Augusto Bastos Carvalho, Thaiza Dutra Gomes de Leite, Tatiana Henriques Gama, Silvana Granado Nogueira da Resumo em Português: RESUMO OBJETIVOS: Descrever a atenção ao trabalho de parto (TP) e parto no estado do Rio de Janeiro (ERJ) segundo a localização do hospital e o tipo de financiamento do parto e verificar os fatores sociais, geográficos e assistenciais associados a entrar em trabalho de parto (TP) e a ter parto vaginal (PV). MÉTODOS: Estudo seccional de base hospitalar ("Nascer no Brasil II: Pesquisa nacional sobre aborto, parto e nascimento") realizado em 29 hospitais do ERJ. Foram elegíveis puérperas com nascidos vivos e/ou natimortos com idade gestacional ≥ 22 semanas ou peso ≥ 500 g, no total de 1.762 mulheres. As entrevistas foram realizadas nos hospitais, no puerpério imediato, e foram extraídos dados do cartão de pré-natal e do prontuário materno. Foi realizada regressão logística múltipla para os desfechos TP e PV, sendo utilizado um modelo hierarquizado, com estimativa das razões de chance e respectivos intervalos de confiança. RESULTADOS: A frequência de TP foi de 54% e de PV 41%. Mostraram associação com entrar em TP ser atendida em hospitais do município do Rio de Janeiro (MRJ), com financiamento público, ser nulípara ou multípara com PV anterior, ter preferência pelo PV no fim da gestação, não ser obesa nem ter apresentado intercorrências na gestação. Ter PV foi associado com menos anos de estudo, ausência de companheiro, ser nulípara ou multípara com PV anterior, ter acesso às boas práticas no TP e parto e ao uso de analgesia no TP, independentemente do tipo de financiamento e da localização do hospital. CONCLUSÃO: Foram verificados avanços na assistência ao parto no ERJ, embora a frequência de TP e de PV ainda seja baixa, bem como a de boas práticas, com melhores resultados para o MRJ. Todas as boas práticas se associaram ao PV, destacadamente o uso de analgesia e a presença de doulas. O PV foi mais frequente em mulheres socialmente vulneráveis.Resumo em Inglês: ABSTRACT OBJECTIVE: To describe the care for labor and delivery in the state of Rio de Janeiro, Brazil, according to hospital location and type of funding for delivery, and to verify the social, geographic, and care factors associated with going into labor and having a vaginal delivery. METHODS: This is a cross-sectional hospital-based study ("Birth in Brazil Research II: national survey on abortion, delivery, and birth") conducted in 29 hospitals located in the state of Rio de Janeiro. Women with live births and/or stillbirths with gestational age ≥ 22 weeks or ≥ 500 g weight were eligible, totaling 1,762 women. Interviews were conducted in the hospitals, in the immediate postpartum period. Data were extracted from the prenatal card and maternal medical records. Multiple logistic regression was performed for labor and delivery, using a hierarchical model, with estimated odds ratios and specific confidence intervals. RESULTS: The frequency of going into labor was 54% and of vaginal delivery, 41.0%. The following aspects were associated with going into labor: provision of care in hospitals located in the municipality of Rio de Janeiro, with public source of funding, being nulliparous or multiparous with previous delivery, preferring vaginal delivery at the end of pregnancy, not being obese and without complications during pregnancy. For vaginal delivery, we observed an association with low level of education, having no partner, being nulliparous or multiparous with previous delivery, having access to good practices as for going into labor and delivery, and use of analgesia during labor, regardless of the type of funding and hospital location. CONCLUSIONS: We observed advances in labor care in the state of Rio de Janeiro, although the frequency of labor and vaginal delivery is still low, as well as good practices, but with better results for the municipality of Rio de Janeiro. All good practices were associated with vaginal delivery, especially the use of analgesia and the presence of doulas. Vaginal delivery was more frequent in socially vulnerable women. |
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Artigo Original Adequação do pré-natal no estado do Rio de Janeiro segundo o tipo de financiamento do parto Domingues, Rosa Maria Soares Madeira Dias, Marcos Augusto Bastos Esteves-Pereira, Ana Paula Ayres, Barbara Vasques da Silva Bernardo, Alessandra do Nascimento Leal, Maria do Carmo Resumo em Português: RESUMO OBJETIVO: Avaliar a adequação da assistência pré-natal (PN) no estado do Rio de Janeiro (ERJ) segundo o tipo de financiamento do parto. MÉTODOS: Estudo transversal, de base hospitalar, realizado no período 2021–2023, por meio de entrevista com puérperas, coleta e análise de dados de cartão da gestante e prontuário médico em hospitais públicos e privados. Foi estimada a adequação global e dos diversos componentes da assistência PN, utilizando como critério as diretrizes assistenciais da Organização Mundial da Saúde e Ministério da Saúde brasileiro, com o parâmetro de 95% como padrão de adequação. RESULTADOS: Cobertura PN de 98,5%, com 98,6% das mulheres tendo recebido cartão da gestante. Das 1.325 mulheres com cartão disponível, 79,3% tiveram início da assistência pré-natal até a 12ª semana gestacional; 75,5% tiveram o número adequado de consultas para a idade gestacional no parto; 64,7% tiveram o registro de todos os exames da primeira rotina de PN e 18,9% da segunda; 31,6% receberam imunização adequada para tétano e hepatite B; 29,4% receberam suplementação de sulfato ferroso e ácido fólico; e 17,6% receberam orientações sobre tipos de parto, maternidade de referência e foram questionadas sobre o uso de álcool e tabagismo. Verificou-se redução da adequação do PN ao incorporar todos os componentes, com menos de 1% das mulheres apresentando adequação global do PN. Mulheres com financiamento público apresentaram maior vulnerabilidade social e menor cobertura de PN e de adequação de época de início, número de consultas, exames e orientações. CONCLUSÃO: A assistência pré-natal mostrou-se inadequada no ERJ, com menor adequação em mulheres com financiamento público, que constituem um grupo com maior vulnerabilidade social, aumentando a probabilidade de desfechos negativos nessa população. É essencial a elaboração e implantação de estratégias destinadas a aumentar a adequação do PN e oferecer o melhor cuidado justamente àquelas que mais necessitam dessas ações.Resumo em Inglês: ABSTRACT OBJECTIVE: To evaluate the adequacy of prenatal care (PNC) in the state of Rio de Janeiro (SRJ) according to the type of childbirth funding. METHODS: A cross-sectional, hospital-based study conducted from 2021 to 2023 through interviews with postpartum women and collection and analysis of data from prenatal cards and medical records in public and private hospitals. Overall adequacy and adequacy of various PN components were estimated based on care guidelines from the World Health Organization and the Brazilian Ministry of Health, using 95% as the standard for adequacy. RESULTS: PN coverage was 98.5%, with 98.6% of women having received a prenatal card. Among the 1,325 women with an available card, 79,3% began PNC by the 12th gestational week; 75.5% had the adequate number of consultations for gestational age at delivery; 64.7% had documentation of all first routine PN tests, and 18.9% of the second; 31.6% received adequate immunization for tetanus and hepatitis B; 29.4% received iron and folic acid supplementation; and 17.6% received counseling on delivery types, reference maternity hospital, and were asked about alcohol use and smoking. A decrease in PN adequacy was observed when all components were considered, with less than 1% of women achieving overall adequacy. Women with publicly financed births had greater social vulnerability and lower PN coverage and adequacy in terms of timing, number of consultations, tests, and counseling. CONCLUSION: PNC was found to be inadequate in SRJ, with lower adequacy among women with public financing, who represent a group with higher social vulnerability, increasing the likelihood of adverse outcomes in this population. It is essential to develop and implement strategies to improve PN adequacy and to ensure the best care for those who need it most. |
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Artigo Original Violência obstétrica no estado do Rio de Janeiro: Pesquisa Nascer no Brasil II Leite, Tatiana Henriques Marques, Emanuele Souza Leal, Maria do Carmo Domingues, Rosa Maria Soares Madeira Nakamura-Pereira, Marcos Theme-Filha, Mariza Miranda Baldisserotto, Marcia Leonardi Caetano, Karina de Cássia Carvalho, Thaiza Dutra Gomes de Fernandes, Fernanda Freitas Costa, Rafaelle Mendes da Chiavazzoli, Amanda Mesenburg, Marília Arndt Resumo em Português: RESUMO OBJETIVO: Estimar a prevalência e o perfil de coocorrência de violência obstétrica em mulheres internadas por motivos de parto no estado do Rio de Janeiro, bem como sua distribuição de acordo com características demográficas, socioeconômicas e referentes à gestação atual. MÉTODOS: Trata-se de uma coorte perinatal. Os dados utilizados foram obtidos no segundo seguimento telefônico da Pesquisa Nascer no Brasil II referente ao estado do Rio de Janeiro. A violência obstétrica (abuso físico; abuso psicológico; negligência; estigma e discriminação; e toques vaginais inadequados) foi avaliada por meio de uma versão adaptada transculturalmente de um questionário endossado pela Organização Mundial da Saúde. Estimaram-se as prevalências e o perfil de coocorrência (diagrama de Venn) dos tipos de violência obstétrica analisados. RESULTADOS: A prevalência total de violência obstétrica total foi de 65,3%. Os tipos de violência obstétrica mais prevalentes foram toques vaginais inadequados (46,2%), negligência (31,5%) e abuso psicológico (21,7%). Destaca-se que características socioeconômicas como baixa escolaridade, ausência de emprego, recebimento de algum benefício governamental e ter tido o parto com financiamento público se mostraram mais presentes entre as mulheres vítimas de diferentes tipos de violência obstétrica. Outras características como idade ≥ 35 anos, entrar em trabalho de parto e ser primípara apresentaram maiores prevalências de violência obstétrica. A coocorrência dos quatro tipos de violência obstétrica mais prevalentes (abuso psicológico, negligência, estigma e discriminação e toques vaginais inadequados) foi de 3%. CONCLUSÃO: Os achados mostraram que a violência obstétrica é um problema de saúde pública relevante no estado do Rio de Janeiro, entretanto sua ocorrência evidencia desigualdade no atendimento a certos subgrupos de puérperas.Resumo em Inglês: ABSTRACT OBJECTIVE: To estimate the prevalence and co-occurrence profile of obstetric violence among women hospitalized for childbirth in the state of Rio de Janeiro, as well as its distribution according to demographic, socioeconomic, and current pregnancy-related characteristics. METHODS: This is a perinatal cohort study. Data were obtained from the second telephone follow-up of the Nascer no Brasil II Study referring to the state of Rio de Janeiro. Obstetric violence (physical abuse; psychological abuse; neglect; stigma and discrimination; and inappropriate vaginal examinations) was assessed using a culturally adapted version of a World Health Organization-endorsed questionnaire. Prevalence and co-occurrence profile (Venn diagram) of the types of obstetric violence were estimated. RESULTS: The overall prevalence of obstetric violence was 65.3%. The most prevalent types were inappropriate vaginal examinations (46.2%), neglect (31.5%), and psychological abuse (21.7%). Socioeconomic factors such as low educational level, unemployment, receipt of government benefits, and delivery under public healthcare financing were more frequent among women who experienced various types of obstetric violence. Other characteristics such as age ≥ 35 years, having gone into labor, and being a primipara were also associated with higher prevalence. The co-occurrence of the four most common types of obstetric violence (psychological abuse, neglect, stigma and discrimination, and inappropriate vaginal examinations) was 3%. CONCLUSION: Findings indicate that obstetric violence is a significant public health issue in the state of Rio de Janeiro, and its occurrence reflects inequalities in care for specific subgroups of postpartum women. |
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Artigo Original Práticas hospitalares e amamentação no Rio de Janeiro: dados da Pesquisa Nascer no Brasil II Esteves-Pereira, Ana Paula Martinelli, Katrini Guidolini Ayres, Barbara Vasques da Silva Baldisserotto, Marcia Leonardi Bittencourt, Sonia Duarte de Azevedo Heizer, Claudio Mattar, Maria José Guardia Blengini, Paulo Sabroza, Ricardo Leal Gama, Silvana Granado Nogueira da Leal, Maria do Carmo Resumo em Português: RESUMO OBJETIVO: Investigar a associação entre as práticas hospitalares e o aleitamento materno e o aleitamento materno exclusivo aos 2 meses de idade e os principais motivos para a alimentação pré-láctea. MÉTODOS: Coorte de base hospitalar, um recorte da Pesquisa Nascer no Brasil II no estado do Rio de Janeiro, 2021–2023. Coletamos dados durante a internação para o parto e aos 2 meses de idade. Para a análise dos fatores associados ao aleitamento materno e ao aleitamento materno exclusivo, utilizamos regressão logística. RESULTADOS: Foram incluídos 959 mães e bebês, calibrados para representar 1.537 puérperas do baseline. Cerca de 60% das mulheres amamentaram na primeira hora de vida, e quase 90% amamentaram nas primeiras 24 horas e praticavam aleitamento materno exclusivo na alta hospitalar. Cerca de 95% das mulheres amamentavam aos 2 meses, sendo 61,4% exclusivamente. A chance de aleitamento materno foi significativamente maior entre mulheres com parto em hospitais Iniciativa Hospital Amigo da Criança (odds ratio — OR = 2,35), com ≥ 12 anos de estudo (OR = 1,96), com ≥ três partos anteriores (OR = 4,35), que tinham a intenção de amamentar ≥ um ano (OR = 1,58) e se sentiram apoiadas após a alta (OR = 6,91), enquanto a chance de aleitamento materno exclusivo foi maior nas mulheres com financiamento público do parto (OR = 1,33), com ≥ 16 anos de estudo (OR = 2,27), que viviam com companheiro(a) (OR = 1,33) e que tinham a intenção de amamentar ≥ 1 ano (OR = 1,49). A alimentação pré-láctea na alta hospitalar se mostrou negativamente associada ao aleitamento materno (OR = 0,04) e ao aleitamento materno exclusivo (OR = 0,15), sendo mais frequente no setor privado (20,4%), entre termo precoce (18,3%), e nas cesarianas (15,6%). CONCLUSÃO: A política de promoção do aleitamento materno tem sido eficaz na quase universalização do aleitamento materno aos 2 meses de idade, entretanto para aumentar a prevalência do aleitamento materno exclusivo é necessário ampliar e qualificar o apoio, o manejo e as informações sobre o aleitamento materno exclusivo, focar nas populações vulneráveis, reduzir cesarianas e aprimorar práticas hospitalares como a regulação do uso de alimentação pré-láctea.Resumo em Inglês: ABSTRACT OBJECTIVE: To investigate the association between hospital practices and breastfeeding and exclusive breastfeeding at two months of age, and the main reasons for pre-lacteal feeding. METHODS: This is an analysis of the state of Rio de Janeiro, 2021–2023, from Pesquisa Nascer no Brasil II, a hospital-based cohort. We collected data during hospitalization for delivery and at two months of age. Logistic regression was used to analyse factors associated with breastfeeding and exclusive breastfeeding. RESULTS: 959 mothers and babies were included and calibrated to represent 1,537 puerperal women at baseline. Around 60% of women breastfed at first hour of life, and almost 90% breastfed in the first 24 hours and practiced exclusive breastfeeding at hospital discharge. Around 95% of women were breastfeeding at two months, 61.4% exclusively. The chance of breastfeeding was significantly higher among women who had given birth in BFHI hospitals (OR = 2.35), had ≥ 12 years of schooling (OR = 1.96), had ≥ 3 previous births (OR = 4.35), intended to breastfeed for ≥ 1 year (OR = 1.58) and felt supported after discharge (OR = 6.91). While the chance of exclusive breastfeeding was higher among women with public funding for childbirth (OR = 1.33), with ≥ 16 years of schooling (OR = 2.27), who lived with a partner (OR = 1.33), and who intended to breastfeed for ≥ 1 year (OR = 1.49). Pre-lacteal feeding PLF at hospital discharge was negatively associated with breastfeeding (OR = 0.04) and exclusive breastfeeding (OR = 0.15), and was more frequent in the private sector (20.4%), among "early-term" (18.3%), and caesarean sections (15.6%). CONCLUSION: Breastfeeding promotion policies have been effective in almost universalizing breastfeeding at two months of age. However, in order to increase the prevalence of exclusive breastfeeding, it is necessary to expand and qualify support, management and information on exclusive breastfeeding, focus on vulnerable populations, reduce caesarean sections and improve hospital practices such as regulating the use of pre-lacteal feeding. |
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Artigo Original Transtornos mentais no pós-parto no Rio de Janeiro 2021–2023: Pesquisa Nascer no Brasil II Theme-Filha, Mariza Miranda Baldisserotto, Marcia Leonardi Amaral, Ana Claudia Santos Bastos, Maria Pappaterra Schilithz, Arthur Orlando Correa Gama, Silvana Granado Nogueira da Caetano, Karina de Cássia Leal, Maria do Carmo Resumo em Português: RESUMO OBJETIVO: Analisar a prevalência e a inter-relação entre os sintomas de depressão, ansiedade e estresse pós-traumático associado ao parto. MÉTODOS: Foram analisados os dados de uma coorte de puérperas da Pesquisa Nascer no Brasil II, representativa dos nascimentos ocorridos no estado do Rio de Janeiro entre 2021–2023, entrevistadas no pós-parto imediato (face a face) e dois meses após o nascimento (por telefone). Foram incluídas as mulheres que responderam a todas as perguntas das escalas Edinburgh Postnatal Depression Scale, Generalized Anxiety Disorder 7 e City Birth Trauma Scale e excluídas as gestações que terminaram em aborto ou natimorto, totalizando 1.752 puérperas. Para testar a homogeneidade das proporções, foi realizado o teste χ2 considerando significativo valores de p inferiores a 5%. A análise das inter-relações entre os três sintomas foi conduzida por meio de modelagem de equação estrutural (MEE), utilizando-se o estimador de média e variância dos mínimos quadrados ponderados e a parametrização theta. RESULTADOS: A prevalência de sintomas de depressão, ansiedade e estresse pós-traumático associado ao nascimento foi, respectivamente, 17,9, 16,3 e 7,7%. A presença de pontuação positiva em pelo menos uma escala foi de 24,6%, e a ocorrência simultânea de duas ou três comorbidades foi, respectivamente, 12 e 3,7%. A baixa escolaridade e transtorno mental prévio apresentaram prevalência significativamente mais elevada nos três transtornos analisados. MEE revelou associação significativa e positiva entre as três escalas, e todas as variáveis latentes do modelo apresentaram itens com cargas fatoriais superiores a 0,5. CONCLUSÃO: O pós-parto é crítico para o diagnóstico de transtornos mentais e pode cursar com quadros complexos em que sintomas de depressão, ansiedade e estresse se sobrepõem. É importante que os profissionais de saúde estejam cientes da ocorrência e coocorrência desses transtornos, bem como das possíveis consequências na saúde da mulher e na do recém-nascido.Resumo em Inglês: ABSTRACT OBJECTIVE: To analyze the prevalence and interrelationship of symptoms of depression, anxiety, and birth-related post-traumatic stress disorder. METHODS: Data from a cohort of postpartum women from the Nascer no Brasil II study, representative of births that occurred in the state of Rio de Janeiro between 2021 and 2023, were analyzed. Participants were interviewed face-to-face in the immediate postpartum period and again by telephone two months after birth. Women who responded to all questions on the Edinburgh Postnatal Depression Scale, Generalized Anxiety Disorder 7, and City Birth Trauma Scale were included, whereas pregnancies that ended in miscarriage or stillbirth were excluded, resulting in a total of 1,752 postpartum women. To test the homogeneity of proportions, the chi-square test (χ²) was used, with p-values below 5% considered statistically significant. The analysis of the interrelationships among the three symptoms was conducted using structural equation modeling (SEM), employing the weighted least squares mean and variance adjusted (WLSMV) estimator and theta parameterization. RESULTS: The prevalence of symptoms of depression, anxiety, and birth-related post-traumatic stress disorder was 17.9, 16.3, and 7.7%, respectively. A positive score on at least one of the scales was found in 24.6% of participants, and the simultaneous occurrence of two or three comorbidities was 12% and 3.7%, respectively. Low educational attainment and a history of mental disorders were significantly more prevalent in all three conditions analyzed. Structural equation modeling (SEM) revealed a significant and positive association among the three scales, and all latent variables in the model showed items with factor loadings greater than 0.5 CONCLUSION: The postpartum period is critical for the diagnosis of mental disorders and may involve complex conditions in which symptoms of depression, anxiety, and stress overlap. It is important that healthcare professionals be aware of the occurrence and co-occurrence of these disorders, as well as their potential consequences for the health of both the woman and the newborn. |
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Artigo Original Desfechos maternos e perinatais em adolescentes e mulheres com idade materna avançada Gama, Silvana Granado Nogueira da Schilithz, Arthur Orlando Corrêa Leal, Maria do Carmo Carmo, Talita Teresa do Theme-Filha, Mariza Miranda Barros, Denise Cavalcante de Soares, Glauce Cristine Ferreira Martinelli, Katrini Guidolini Resumo em Português: RESUMO OBJETIVO: Analisar a associação entre extremos etários e desfechos maternos e perinatais em nascimentos ocorridos no estado do Rio de Janeiro, Brasil. MÉTODOS: Este estudo utilizou dados do projeto Nascer no Brasil II: Pesquisa Nacional Sobre Aborto, Parto e Nascimento (2021–2023). Foram incluídas 1.734 puérperas com recém-nascidos vivos ou natimortos, entrevistadas no pós-parto imediato. Informações foram obtidas por meio de entrevistas, prontuários clínicos e cartões de pré-natal. A análise empregou regressão logística múltipla para avaliar associações entre idade materna e desfechos, tendo como referência mulheres de 20–34 anos. RESULTADOS: Parto em adolescentes representou 10,1% das participantes, enquanto mulheres com idade materna avançada (IMA ≥ 35 anos) corresponderam a 18,0%. As adolescentes tiveram menor probabilidade de receber orientação para maternidade de referência (odds ratio — OR = 0,68) e de contar com acompanhante constante (OR = 0,77) e apresentaram menor prevalência de diabetes gestacional (OR = 0,26). Já mulheres com idade materna avançada foram mais frequentemente orientadas para maternidades de referência (OR = 1,46) e apresentaram maior risco de síndromes hipertensivas (OR = 1,78), diabetes gestacional (OR = 1,87), descolamento prematuro de placenta (OR = 3,30) e morbidade materna grave (OR = 1,84). Nos desfechos perinatais, adolescentes tiveram maior risco de óbito perinatal (OR = 4,52) e parto espontâneo a termo precoce (OR = 1,47), contudo menor probabilidade de termo precoce por intervenção obstétrica (OR = 0,48). Recém-nascidos de mulheres com idade materna avançada apresentaram maior risco de Apgar < 7 no quinto minuto (OR = 3,05) e menor chance de sífilis congênita (OR = 0,34). CONCLUSÃO: Adolescentes receberam pior assistência em relação às adultas, enquanto as mulheres com idade materna avançada apresentam maior frequência de complicações relacionadas à idade. Esses resultados destacam a necessidade de atenção diferenciada, especialmente diante do aumento de partos em mulheres com idade avançada.Resumo em Inglês: ABSTRACT OBJECTIVE: To analyze the association between age extremes and maternal and perinatal outcomes in births in the state of Rio de Janeiro, Brazil. METHODS: Data from the Birth in Brazil II: National Survey on Abortion, Delivery, and Birth (2021–2023) were used. A total of 1,734 postpartum women were included, with live or stillborn newborns, interviewed in the immediate postpartum period. Information was obtained from interviews, clinical records, and prenatal cards. Multiple logistic regression was carried out to evaluate associations between maternal age and outcomes, having women aged 20–34 years as reference. RESULTS: Delivery in adolescents represented 10.1% of the participants, while women with advanced maternal age (AMA ≥ 35 years) corresponded to 18.0%. Adolescents were less likely to receive guidance as to reference maternity hospital (odds ratio — OR = 0.68) and to have a companion at all times (OR = 0.77), in addition to presenting lower prevalence of gestational diabetes (OR = 0.26). In turn, women with advanced maternal age were more often guided on reference maternity hospitals (OR = 1.46) and presented a higher risk of gestational hypertension (OR = 1.78), gestational diabetes (OR = 1.87), placental abruption (OR = 3.30), and severe maternal morbidity (OR = 1.84). In perinatal outcomes, adolescents had a higher risk of perinatal death (OR = 4.52) and spontaneous early-term delivery (OR = 1.47); however, there was a lower probability of early-term delivery by obstetric intervention (OR = 0.48). Newborns of women with advanced maternal age presented higher risk of 5-minute Apgar index < 7 (OR = 3.05) and lower chance of congenital syphilis (OR = 0.34). CONCLUSIONS: Adolescents were provided worse care compared to adults, while women with advanced maternal age presented a higher frequency of age-related complications. These results highlight the need for special care, particularly considering the increase in deliveries in women with advanced age. |
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