Sociedade e Estado (S&E): trinta anos de produção científica e pioneirismo na difusão do conhecimento em sociologia no Brasil

Ana Cristina Collares Sergio B. F. Tavolaro Tânia Mara C. Almeida Sobre os autores

Breve histórico e perfil da S&E

A revista Sociedade e Estado (S&E) é um periódico editado regularmente desde 1986 pelo Departamento de Sociologia (SOL) e vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia (PPGSOL) da Universidade de Brasília (UnB). Trata-se de uma revista científica de alta qualificação e prestígio, com uma coleção que soma trinta e um volumes anuais, 69 números e duas edições comemorativas (1993 e 1995) no período que se estende de junho de 1986 a dezembro de 2016. Semestral até dezembro de 2004, sua publicação tornou-se quadrimestral a partir de 2005. A importância da revista, aliada a seu forte impacto nas ciências sociais brasileiras, em especial no âmbito da sociologia, são amplamente reconhecidos. Em alguma medida, narrar um pouco dessa história equivale, portanto, a também dar a conhecer informações relevantes a respeito da constituição e do desenvolvimento da área no país.

O objetivo central da S&E tem sido colaborar para a atualização e o fomento do debate sociológico à luz de pesquisas desenvolvidas em centros de excelência acadêmica em todo o mundo. Com esse propósito, a revista tem publicado manuscritos originais de autores/as promissoras/es e renomados/as nas seguintes categorias: estudos teóricos, estudos metodológicos, revisões críticas de literatura, relatos de pesquisa, ensaios, notas técnicas, traduções de trabalhos estrangeiros relevantes, anais, resenhas e notícias. Além desses manuscritos, que se encontraram reunidos ora em dossiês temáticos ora sortidos por fluxo contínuo de submissão, há, desde, 2004 a divulgação de resumos de dissertações e teses do Programa de Pós-Graduação em Sociologia (PPGSOL) defendidas previamente à publicação de cada número.

No ano de 2013, a S&E obteve a classificação mais elevada de um periódico nacional em sua área de conhecimento, o Qualis A1, conferido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), mais uma evidência de sua relevância na comunidade científica nacional. Conta, ainda, com conceituação elevada do Qualis/Capes em várias outras áreas da produção científica: comunicação/informação, antropologia/arqueologia, ciências políticas/relações internacionais, psicologia, serviço social, administração pública e de empresas/ciências contábeis/turismo, artes/música, ciências ambientais, direito e outras. A bem da verdade, sua prestigiada reputação ultrapassa o universo acadêmico brasileiro: a S&E já se consolida como periódico científico relevante na América Latina, em Portugal, na Espanha; com o auxílio de meios digitais de informação, a revista encaminha-se para outros círculos acadêmicos graças ao aumento de submissões de manuscritos e publicações em espanhol, inglês e francês. Essa honrosa classificação foi-lhe atribuída de modo coetâneo à nova nota obtida pelo PPGSOL na avaliação dos programas de pós-graduação em sociologia de 2013 pela Capes, ocasião em que ascendeu ao conceito 6. Por si só, esse fato demonstra a importância da S&E na retomada da excelência do PPGSOL.

Comprometida com a agilidade da difusão de sua produção, a S&E preocupou-se com a inserção em grandes bases de indexação especializadas; cabe observar que todo esse processo sempre primou pelo tratamento criterioso e organizado dos artigos. Nos últimos anos, a indexação da revista em um extenso conjunto de bases de dados, muitos dos quais internacionalmente reconhecidos, tornou-se uma de suas metas orientadoras. A título de ilustração, mencionamos as seguintes: Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas (Seer), Citas Latino-americanas de Sociologia y Economía (Clase), Banco de Dados Bibliográficos do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Dataindice), Ebsco Publishin, Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), Sistema Regional de Información en Línea para Revistas Científicas de América Latina, el Caribe, España y Portugal (Latindex), Scientifie Electronic Library Online (SciELO) e Scopus-Elsevier.

Note-se que todos os números de Sociedade e Estado publicados desde 2000 encontram-se disponibilizados no SciELO, base consultada pelas agências de fomento e avaliação dos periódicos brasileiros, a partir da qual também são reunidas as informações que alimentam os principais rankings de classificação de periódicos científicos brasileiros. Nesse quesito, vale frisar que, em 2013, a S&E já ocupava a quinta posição entre os periódicos nacionais da área de ciências sociais (a qual inclui a subárea de ciência política e também de economia) mais acessados pela base Scopus. Todos os números da revista, desde 2002, podem também ser acessados no seu sítio eletrônico, no endereço (periodicos.unb.br/index.php/estado), e estamos em processo de disponibilização de todos os números antigos da revista no referido sítio.

Conforme há pouco sugerido, em tempos recentes, a S&E ensejou inúmeros esforços para aprofundar sua inserção nos meios virtuais. Desde 2012, ganhou uma versão eletrônica (ISSN 1980-5462) em coexistência com a tradicional versão impressa (ISSN 0102-6992). Seguindo uma tendência generalizada em outros periódicos nacionais e internacionais, sem prejuízo da qualidade da revista, é provável que apenas aquela seja mantida, a partir de 2017. A atualização visual por meio de projetos gráficos criativos e convidativos à leitura assim como a divulgação da revista através de links eletrônicos e redes sociais tornaram-se objeto de atenção especial de sua equipe editorial. Nessa exata direção, em 2016, o processo de submissão de manuscritos tornou-se integralmente eletrônico, através do portal de periódicos da UnB <http://periodicos.bce.unb.br>. Não menos importante, parte dos números recentes da S&E passou a ser disponibilizada não apenas no facebook da revista <https://pt-br.facebook.com/Revista-Sociedade-e-Estado-547927178580898/> como também através de um link específico na página virtual do Departamento de Sociologia da UnB <www.sol.unb.br>. Enfim, a revista tem procurado atingir, de maneira ágil e abrangente, um público leitor cada vez maior.

Nestes 30 anos, produzida sem qualquer finalidade lucrativa, a S&E tem sido majoritariamente apoiada com recursos oriundos do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq), da Capes, do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), do Ministério da Educação (MEC), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Funatec) e da própria UnB (por diversos de seus braços institucionais). Em geral, o aporte desses recursos ocorreu por meio de concorrência em editais públicos de fomento a periódicos científicos ou via projetos específicos para custear parte de suas despesas. Fiel à sua missão originária, o acesso à versão virtual da S&E permanece aberto e gratuito.

De maneira análoga, a versão impressa vem sendo distribuída sem ônus ao público interessado, o qual inclui, além de leitores individuais, bibliotecas, centros de estudo, entidades governamentais, organizações não governamentais e instituições de ensino e/ou pesquisa nacionais e estrangeiras. Os números que ainda não nos foi possível digitalizar e inserir em meio eletrônico, ou seja, aqueles publicados antes do ano 2000, podem ser acessados por meio de consulta direta ao acervo impresso da própria revista. Vale a pena registrar que, em alguns momentos destas três décadas, foram realizadas parcerias com editoras respeitadas pela comunidade acadêmica para a publicação de alguns fascículos, dentre elas a Relume-Dumará, a Editora da UnB (EdUnB) e a Paralelo 15.

Estatutariamente, o funcionamento ordinário, o perfil editorial e a programação dos números da S&E ficam a cargo de três instâncias responsáveis por sua gestão: a direção, o comitê editorial e o conselho editorial. Observe-se que reuniões periódicas são realizadas com todos os membros da editoria e do comitê editorial para avaliar as propostas de dossiês, e discutir outros assuntos referentes à revista. Além disso, uma equipe de estudantes estagiários/as e de prestadores/as de serviços (pessoas físicas e jurídicas) são constantemente mobilizados para a realização de tarefas que visam o bom andamento dos procedimentos rotineiros, suas diversas etapas de preparação assim como a finalização das edições.

Merecem destaque e agradecimento especiais a colaboração e parceria estabelecidas com colegas de diversas instituições do Brasil e também do exterior, que durante todos estes anos atenderam nossas solicitações para a apreciação de manuscritos, de modo anônimo e voluntário. A revista recebe em torno de 30 manuscritos por fluxo contínuo ao mês, 360 por ano; e cada um deles passa por uma triagem inicial dos editores. Em geral, cerca de 60% dos artigos recebidos são encaminhados para a avaliação dos/as pareceristas logo após a averiguação de que se encaixam em escopo, em qualidade e nas regras definidas no estatuto da revista. Essa etapa é necessária devido ao grande volume de artigos recebidos mensalmente. Do conjunto de submissões aceitas à avaliação, aproximadamente cinco textos mensais são inicialmente rejeitados por questões de forma e/ou conteúdo. É importante sublinhar que os artigos dos dossiês também são submetidos ao mesmo processo de avaliação às cegas por pares. Desde longa data, a escolha de avaliadoras(es) passou a levar em conta a titulação mínima de doutorado, sua especialidade temática e a disponibilidade de tempo para a emissão dos pareceres. Uma vez concluídos, os pareceres são repassados aos/às autores/as a fim de que as propostas iniciais possam ser aprimoradas, completando assim um circuito fecundo para a produção do conhecimento científico. Com grande frequência, as editorias da S&E recebem feedbacks positivos de autoras(es) em relação à leitura rigorosa dos pareceristas e, estes/as, por sua vez, à elevada qualidade dos manuscritos submetidos.

A celeridade de todo o processo de confecção de cada fascículo da S&E é outro aspecto que mobiliza a atenção da equipe editorial. A ambição da revista é reduzir ao máximo o tempo despendido desde a submissão até a publicação do manuscrito; no momento, quando aprovado, a média tem sido em torno de dez meses. Contudo, manter esse padrão não tem sido tarefa fácil. Graças ao aumento do interesse de autores/as em publicar na S&E, especialmente a partir de 2013 (quando a revista alcançou a classificação A1 pelo Qualis/Capes), grande esforço vem sendo realizado para garantir a rapidez e atualização desse processo geral. Além disso, o maior volume de manuscritos submetidos e aprovados levou ao aumento significativo da quantidade de páginas e de artigos publicados na revista, passando de oito para uma média de dez trabalhos em cada número.

Tanto nos dossiês, quanto nos artigos de fluxo contínuo, S&E vem primando pela diversidade de áreas e tópicos temáticos das ciências sociais abordados. Um breve exercício de classificação dos artigos em grandes áreas é pertinente para demonstrar que as principais áreas e questões caras à produção sociológica contemporânea foram contempladas em algum momento dentro da trajetória de publicações da Sociedade e Estado. A Figura 1 mostra o número total de artigos publicados em cada grande área, durante esse período. Ressaltamos que outras subdivisões seriam igualmente possíveis, e que alguns artigos se situam em mais de uma categoria, diante disso, optou-se por classificá-los conforme aquelas que correspondem às antigas, bem como às atuais linhas de pesquisa do Departamento de Sociologia e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UnB.

Figura 1
Total dos artigos publicados na S&E, em média, por grande área das ciências sociais (1986-2016)

Desde pronto, percebe-se que apesar de certa ênfase na área de Política, Valores, Estado e políticas públicas (na qual também se inclui o tópico juventude) - algo que possivelmente reflete o escopo da revista -, as publicações contemplam um importante repertório de assuntos ao longo de todo o espectro das ciências sociais. A publicação de dossiês naturalmente concentra um número maior de artigos com temáticas específicas. Mas, ao longo do tempo, como demonstra a Figura 2, que ilustra o percentual de publicações em cada área por quinquênios, observa-se uma continuidade em relação à diversidade de assuntos abordados.

Figura 2
Percentual de participação das grandes áreas da ciência sociais nos artigos publicados pela S&E, por quinquênio (1986-2015)

Publicar um periódico científico no Brasil, com a história e o perfil de excelência que a S&E logrou construir ao longo desses 30 anos é um feito hercúleo. O compromisso, a persistência e o empenho ferrenho de várias gerações de docentes, pesquisadores/as, estudantes de diferentes níveis de formação e servidores/as técnico-administrativos/as encontram-se representados nas páginas de toda a coleção. Daí por que manter a regularidade e a qualidade de sua produção significa zelar por um patrimônio não apenas do PPGSOL e do SOL, mas de um legado que extrapola os limites da UnB e se estende à substância da sociologia brasileira e latino-americana.

Composições editoriais, dossiês temáticos e autorias estrangeiras

Um aspecto importante a ser considerado na história da Sociedade e Estado refere-se às composições editoriais encarregadas da direção imediata da revista ao longo de sua existência. A esse respeito, talvez o traço mais notável seja a pluralidade de suas coordenações nas três décadas que se seguiram à criação da revista. Desde sua primeira coordenadora geral, a professora Maria Lúcia Maciel, até os números mais recentes, os registros documentais indicam um total de 14 editorias, todas sob a responsabilidade direta de docentes do Departamento de Sociologia da UnB. Conquanto já em seu segundo número haja registro de um Conselho Editorial composto por profissionais ligados a prestigiadas instituições científicas do país - a quem se somariam, ao que parece a partir de 1998, nomes destacados da comunidade científica estrangeira -, ao menos desde meados da década de 1990, a S&E passou a contar em seus comitês editoriais com a participação de docentes do próprio SOL, responsáveis por auxiliar as editorias em decisões cruciais da revista.

Destaca-se, é certo, a liderança da professora Lourdes M. Bandeira, a cargo da direção da S&E em diferentes momentos (entre 2002 e 2008, de 2012 a 2014, e entre 2014 a 2016). Ainda assim, na maior parte dos casos, tais participações quase sempre ocorreram em parceria com novas(os) editoras(es), de diferentes gerações de docentes, intercaladas(os) por outras lideranças do Departamento. Diante desse quadro, não parece exagero depreender que tal diversidade editorial traduziu a invariável preocupação do SOL e do PPGSOL com a permeabilidade da revista para a variedade de interesses acadêmicos, bem como de abordagens teóricas e metodológicas que avivem as ciências sociais.

Seria um erro, contudo, concluir que desse pluralismo editorial teria resultado a ausência de qualquer identidade acadêmica. Por certo, mesmo uma breve análise da coleção da S&E mostra facilmente que a revista já passou por várias mudanças de leiaute; mudanças também podem ser observadas em sua organização, assim como nos temas, nas abordagens teóricas e nos contornos metodológicos dos artigos que apareceram em suas páginas, desde o número inaugural. Todavia, ao invés de mero reflexo da inexistência de uma identidade editorial clara, tais modificações devem ser interpretadas como a expressão de incansáveis esforços do corpo docente com vistas ao ajuste e à atualização da S&E à luz dos tempos, de modo a conferir-lhe plasticidade ante as transformações observadas no próprio mundo social tanto quanto no universo acadêmico brasileiro e internacional.

Apresentamos, no Quadro 1, informações pormenorizadas a respeito das várias composições das editorias que estiveram desde o primeiro número à frente da Sociedade e Estado.

Quadro 1
Composição das diferentes editorias da S&E ao longo dos últimos 30 anos

Conforme anteriormente observado, outra característica marcante da Sociedade e Estado tem sido a publicação de dossiês temáticos que abordam questões relevantes (na academia e para além de seus contornos), compreendendo artigos elaborados por especialistas de todas as subáreas das ciências sociais. Ao longo de seus 30 anos, a revista trouxe ao público um conjunto rico e variado desses dossiês, os quais trataram de assuntos tão diversos quanto Ciência e tecnologia, Reforma do Estado, Globalização, Trabalho, Transformações urbanas, Educação, Gênero, Movimentos sociais, Questão ambiental, entre outros. Nesse exato sentido, é sintomático que, em seu primeiro número, a S&E tenha estreado com o dossiê Estado, cidadania e movimentos sociais. Daí se seguiriam mais de 40 organizações temáticas, na maior parte dos casos acompanhadas de artigos científicos variados. Vale analisar um pouco mais de perto essa importante faceta da Sociedade e Estado.

Em primeiro lugar, destaca-se a incrível variedade de assuntos contemplados por esses dossiês. De uma forma ou de outra, tais organizações tenderam a refletir a agenda de pesquisa e atuação do próprio corpo docente do Departamento de Sociologia. Não é de estranhar, pois, que questões relacionadas à produção e dinâmica científicas tenham sido contempladas em alguns desses números; o mesmo, aliás, pode ser dito acerca de temas vinculados à problemática do mundo do trabalho, ao funcionamento do Estado, a questões relacionadas à gênero, violência, cultura e produção artística, assim como ao mundo urbano, aos movimentos sociais, ao pensamento e à teoria social, entre outros. Cada qual a seu modo, tratou, em boa medida, da reverberação de preocupações que coloriram a vida acadêmica do SOL e do PPGSOL nessas últimas três décadas.

Dito isso, não se pode perder de vista que nem sempre esses dossiês foram organizados exclusivamente por docentes do Departamento de Sociologia e/ou do Programa de Pós-graduação em Sociologia da UnB. Ainda que em menor quantidade, alguns desses números temáticos também estiveram sob a coordenação de pesquisadoras(es) vinculadas(os) a outras instituições, às(aos) quais abriu-se a oportunidade de trazer ao público leitor artigos elaborados por especialistas nos assuntos então abordados. Bom exemplo dessa tendência parece ser o dossiê Ciência, inovação e sociedade: novas abordagens temáticas, publicado no volume 27, número 1, de janeiro/abril de 2012, sob a coordenação de Elizabeth Balbachevsky, docente do Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo.

Outro dado relevante a respeito desses dossiês é a composição igualmente variada de autoras(es) colaboradoras(es). Se, por um lado, quase sempre esses números temáticos contaram com alguma participação de docentes e/ou pesquisadoras(es) diretamente associados ao SOL, por outro, salta aos olhos a expressiva presença de acadêmicas(os) vinculadas(os) a outras instituições de ensino e pesquisa. Por si só, esse aspecto manifesta a permanente sensibilidade das editorias em relação aos efeitos positivos da ampla circulação de ideias, bem como do intercâmbio intelectual que jamais deixou de caracterizar o dia a dia do Departamento de Sociologia da UnB. Nesse caso, um antídoto constantemente empregado para se evitar o confinamento da revista a círculos intelectuais restritos foi sua postura "cosmopolita", na melhor acepção que ainda se pode conferir ao termo.

Nesse particular, destaque deve também ser feito à frequente participação de autoras(es) estrangeiras(es) nos números temáticos. Veja-se, por exemplo, o dossiê Sociologia da cultura, publicado em 1994, o qual contou com a participação de intelectuais destacados, vinculados a universidades e centros de pesquisa estrangeiros, dentre os quais Howard Winant, Vera Zolberg, George Yudice, Sergio de la Pena e Bérangére Marques-pereira. Algo análogo pode ser dito a respeito do dossiê Decolonialidade e perspectiva negra, de janeiro-abril de 2016, compreendendo trabalhos escritos por Enrique Dussel, Patricia Hill Collins, Ramón Grosfoguel, Linda Martín Alcoff e Nelson Maldonado-Torres.

Para melhor ilustrar a riqueza e variedade desses dossiês, trazemos, no Quadro 2, os temas abordados e os respectivos números em que apareceram.

Quadro 2
Dossiês publicados e referências

Ainda acerca dessa participação estrangeira, deve-se salientar que, além dos dossiês, ela também ocorreu em artigos sortidos da revista, tanto como traduções previamente publicadas em periódicos ou livros estrangeiros como em trabalhos inéditos, com a devida cessão dos direitos autorais do autor e da editora de origem. Trata-se, também aqui, da preocupação demonstrada em fazer da S&E um órgão de divulgação da produção acadêmica com alcance ampliado. Essa presença foi detectada em mais de 40 números, seja em trabalhos individuais ou em coautorias, com publicações em língua portuguesa, assim como em francês, espanhol e inglês.

Índices de acesso e comparações

No período de 2000 a 2016, os dez trabalhos mais acessados da revista, por meio da base SciELO1, estão apresentados no Quadro 4.

Quadro 3
Contribuições de cientistas sociais na S&E, com as respectivas edições dos artigos

* Disponível
em: <http://analytics.scielo.org/w/accesses/list/articles?journal=0102-6992&collection=scl>. Acessado em: 05 Fev. 2017.

Uma demonstração do sucesso dos esforços das várias editorias para aprimorar a divulgação da Sociedade e Estado e publicar artigos de qualidade que sejam, ao mesmo tempo, de interesse do público especializado é a melhoria na performance nos últimos anos, de acordo com índices criados pelos próprios indexadores de periódicos (caso, por exemplo, do índice H do Google Schollar). Conforme o h5 index, referente aos últimos cinco anos, o número mediano de citações para cada artigo publicado na Sociedade e Estado é 17, um número expressivo se comparado com outros periódicos classificados com esse mesmo critério. O h5 index per se da Sociedade e Estado é 10, o que significa que cada 10 artigos publicados nos últimos cinco anos pela revista possuem, no mínimo, 10 citações.

Outros indicadores, como aqueles utilizados pelo Scimago Journal and Contry Rank (SJR) também revelam um crescimento significativo ao longo dos últimos anos, tanto no número de citações como na quantidade de colaboradores internacionais e, por consequência, no prestígio internacional da revista. Gráficos referentes a esses dados podem ser vistos na própria página da revista no SciELO1. Também pode ser constatada a ótima colocação da S&E em comparação com outros renomados periódicos brasileiros de sociologia e ciências políticas, de acordo com o reconhecido índice SJR2 2 .Disponível em: <http://www.scimagojr.com/journalrank. php?category= 3312&area= 3300&country= BR&type= j&year=2015>. Acessado em: 05 Fev. 2017. .

Um balanço final

O levantamento e o registro de alguns dos aspectos importantes e interessantes da longa trajetória da S&E neste número comemorativo trazem satisfação e orgulho diante dos avanços observados em meio a tantos desafios que envolveram sua manutenção regular e qualificada. Nunca é demais salientar que essas conquistas são o resultado de esforços coletivos de diferentes grupos e gerações de acadêmicos/as e profissionais do PPGSOL e do Departamento de Sociologia/UnB, comprometidos com a produção e difusão das ciências sociais no país e no exterior. Recursos escassos, falta de apoio institucional em alguns períodos além de tantos outros desafios encontrados cotidianamente pelas editorias, comitês e conselhos editoriais da revista, em vez de arrefecerem os ânimos, serviram de motivação para a sua consolidação.

Nestas três décadas, a S&E ajudou a compor a literatura formativa de um amplo universo de cientistas sociais do país, participando de bibliografias de cursos, de pesquisas, das atividades de grupos de estudos, das prateleiras de bibliotecas, de ações universitárias de extensão e, é claro, também do interesse de diletantes. Por isso, nada mais justo que esta singela homenagem à revista. Espera-se que esse resgate histórico lance algumas luzes nos anos e nas décadas que virão, e que também sirva de inspiração a outros novos periódicos na área.

  • 1
    . Disponível em: <http://www.scimagojr.com/journalsearch>.
  • 2
    .Disponível em: <http://www.scimagojr.com/journalrank. php?category= 3312&area= 3300&country= BR&type= j&year=2015>. Acessado em: 05 Fev. 2017.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    2016

Histórico

  • Recebido
    15 Dez 2016
  • Aceito
    20 Jan 2017
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