Laudatio à Bárbara Freitag-Rouanet por ocasião da cerimônia de outorga do título de Professora Emérita do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília, em 20 de março de 2006

DISCURSOS

Laudatio à Bárbara Freitag-Rouanet por ocasião da cerimônia de outorga do título de Professora Emérita do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília, em 20 de março de 2006

Berlindes Astrid Küchemann

Professora do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB)

Querida homenageada, colega Bárbara Freitag-Rouanet.

Estimado professor Timothy Mulholland, reitor da Universidade de Brasília.

Estimado professor Edgar Nobuomamiya, vice-reitor da Universidade de Brasília.

Estimada colega Lourdes Bandeira, diretora do Instituto de Ciências Sociais.

Estimados professores, alunos, funcionários, familiares de Bárbara e demais presentes.

É para mim uma grande honra e uma grande satisfação poder fazer o discurso laudatório à nossa homenageada Bárbara Freitag-Rouanet.

Preparar esse discurso laudatório foi tarefa super gratificante. Procurando saber quem é realmente Bárbara Freitag-Rouanet, tive a oportunidade de embarcar numa trajetória verdadeiramente fantástica. Para poder observar como Bárbara, equipada com rigorosos instrumentos teóricos e sólida bagagem intelectual, transita de um lado para outro com desenvoltura, segurança e precisão, eu viajei não apenas por vários países, mas por vários mundos ou campos distintos do saber e por vários universos institucionais e científicos.

Obrigada Bárbara por essa oportunidade!

Bárbara Freitag Rouanet nasceu em Obernzell/Baviera, na Alemanha, no dia 26 de novembro de 1941.

Emigrou com a família para o Brasil em 1948. Entre os anos de 1949 e 1960, fez o curso primário e secundário, tendo estudado no Colégio de Itajubá, em Minas Gerais, e nos colégios Farroupilha e Júlio de Castilhos, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

Entre 1961 e 1963, estudou Ciências Sociais na J. W. Goethe Universität/ Frankfurt/M. (mais conhecida como Universidade de Frankfurt). Lá teve a oportunidade de assistir aulas de Filosofia e Sociologia de Horkheimer e Adorno, dois grandes expoentes da Escola de Frankfurt. Influenciada pela teoria crítica, filiou-se ao pensamento dessa Escola, tornando-se discípula de Jürgen Habermas.

Seguindo uma velha tradição acadêmica alemã, Bárbara não termina seus estudos em Frankfurt, mas em Berlim. Solicitou, em 1964, sua transferência para a Universidade Livre de Berlim, na qual, em 1967, conclui sua licenciatura em Filosofia, Sociologia e Psicologia.

Em 1968, ela conclui sua dissertação, com um estudo sobre Gilberto Freyre, Celso Furtado e Florestan Fernandes, tornando-se, como ela mesma se definiu, uma espécie de "Brazilianist". Talvez, por isso mesmo, optou no doutorado por uma tese sobre a política educacional brasileira (do período colonial ao militar), que defendeu em 1972 na Universidade Técnica de Berlim.

Ao concluir o seu doutorado, em 1972, resolveu aceitar um dos inúmeros convites que Florestan Fernandes lhe havia feito para vir lecionar no Brasil.1 1 Bárbara manteve 30 anos de correspondência com Florestan Fernandes. Após a morte de Florestan, em 1995, parte dessa correspondência foi publicada sob o título "Florestan Fernandes por ele mesmo" na revista Estudos Avançados da USP (v. 10, n. 26, p. 129-172, jan./abr. 1996. Disponível em: <

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_

arttext&pid=S0103-40141996000100015&lng=pt&nrm=iso

Apesar do agravamento da censura e da repressão do regime militar, Bárbara decide retornar ao Brasil e, assim, desde julho de 1972, a Universidade de Brasília (UnB) passou a ser a casa-mãe de suas atividades acadêmicas.

Na UnB, desde o início, trabalhou na graduação e na pós-graduação. Quando ingressou na UnB, o mestrado em Ciências Sociais havia sido recentemente instituído.

Foi encarregada de ministrar os cursos de Teorias Sociológicas (clássicas e contemporâneas), Teoria da Modernidade e Pós-Modernidade, Teoria da Ação Comunicativa, Teoria Crítica da Escola de Frankfurt, Teoria Marxista, Teorias da Socialização e outros.

Em 1988 torna-se professora titular do Departamento de Sociologia da UnB.

Casada com o diplomata Sérgio Paulo Rouanet, ela o acompanhou em vários postos no exterior, como Berlim, Copenhague, Zurique e Praga, nas décadas de 1980 e 1990.

Foi nessas idas e vindas que Bárbara, entre 1979 e 1983, aproveitou para fazer seu pós-doutoradona Universidade Livre de Berlim (na Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais),com a Habilitation venia legendi em Sociologia.

No ano 2000, retornou definitivamente ao Brasil, retomando suas atividades acadêmicas no Departamento de Sociologia da UnB.

Aposentou-se em 2003. Contudo, continua vinculada ao Departamento de Sociologia na qualidade de Pesquisadora Associada Sênior. No mesmo ano, teve aprovado um projeto integrado de pesquisa no CNPq, no qual é pesquisadora 1A, sobre Itinerâncias Urbanas, um estudo comparativo entre metrópoles brasileiras.

Sua produção intelectual é bastante expressiva. Ao todo, são 27 livros de sua autoria ou por ela organizados, alguns deles publicados no exterior; 34 artigos publicados em coletâneas e revistas no exterior; 52 artigos publicados em coletâneas e revistas brasileiras; diversos trabalhos de tradução, principalmente do alemão para o português e uma série de artigos publicados no Correio Brasiliense.

A trajetória de Bárbara é realmente ímpar. Nos períodos em que se encontrava afastada do Brasil, sempre procurou uma vinculação com universidades dos países nos quais residiu. Na Alemanha, foi professora visitante em nada menos que seis universidades (Münster, Frankfurt, Freiburg, Universidade Livre de Berlin, Universidade Técnica de Berlim, na Humbold Universität zu Berlin) e no Instituto Max Plank für Bildungsforschung (Instituto Max Plank para Pesquisa Educacional). Também deu cursos na Universidade de Zurique (Suíça) e na Universidade Carolina (República Tcheca).

É preciso chamar a atenção para que, enquanto vivia fora do Brasil, ela não apenas se engajou em uma das universidades locais como ainda dava cursos também em outros países, inclusive no Brasil. Assim, enquanto vivia em Zurique, na Suíça, ela deu cursos em Frankfurt e Berlim e enquanto morou na República Tcheca também deu cursos em Berlim. Em 1989, enquanto vivia em Copenhague, deu um curso na Universidade de São Paulo; em 1995, quando morava em Berlim, veio dar um curso na Universidade Federal da Bahia e, em 1998-1999, quando morava em Praga, veio dar cursos na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Em termos acadêmicos, a Universidade de Brasília teve o privilégio de ter sido seu principal itinerário, o elo que sempre a ligou ao Brasil. Mas, além da UnB, ela foi professora visitante em várias universidades brasileiras: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, em 1979; Universidade Federal de Sergipe, em 1979-1980; Universidade Federal de Minas Gerais, em 1985; Universidade de São Paulo, em 1989 (quando residia em Copenhague); Universidade Estadual de São Paulo, em 1990; Universidade Federal da Bahia, em 1995, quando morava em Berlim; e Universidade Estadual do Rio de Janeiro, em 1998-1999, quando morava em Praga.

No primeiro semestre de 2002, colegas do Departamento de Sociologia e do Serviço Social da UnB organizaram uma jornada de debates sobre sua obra, denominada Itinerários de Bárbara Freitag, palavra que gosta de usar ao se referir à sua própria trajetória e utilizada em um de seus livros, intitulado Itinerários de Antígona. O simpósio realizou-se no Auditório da Reitoria da UnB, no dia 15 de abril de 2002.

Os trabalhos dessa jornada ilustraram os diferentes aspectos da obra de Bárbara, procurando unificar todos os fios, resultaram em um livro, publicado pela editora da UnB em 2005, e que é um convite ao leitor para que percorra esses itinerários, mesclados entre a biografia e a obra da autora.

Percorrendo a obra de Bárbara, e em consonância com a sua atividade profissional, podemos destacar três dimensões centrais: a de educadora, psicóloga e socióloga. Vou deter-me resumidamente em cada uma dessas três dimensões.

Bárbara como educadora

A dimensão de Bárbara como educadora está presente em várias de suas pesquisas e em seus vários trabalhos de Sociologia da Educação, principalmente em sua tese de doutorado sobre a política educacional brasileira, que inspirou o livro Escola, Estado e Sociedade, o mais conhecido, já em sua 6ª edição. Na década de 1970, ao analisar a instituição escolar não apenas como aparelho de reprodução ideológica, mas também de transformação social, a autora incomodou os governantes brasileiros que mantinham a universidade sob forte repressão militar (Rouanet, Souza & Coelho, 2005, p. 7).

Nesse livro, Bárbara mostrou que se a escola pode ser vista, segundo Althusser, como uma instância de reprodução da ideologia dominante, ela é mais do que isso, porque contribui para superar os déficits cognitivos no desenvolvimento psicogenético das crianças de classe baixa. Se a escola não é condição suficiente para superar a marginalidade social das classes baixas, é, no entanto, condição necessária.

Em relação à sua tese doutoral, Pedro Demo, em Itinerários de Bárbara Freitag escreve: "A atualidade da tese de Freitag não poderia ser mais convincente. Sobretudo sua verve crítica, espelhada na teoria crítica que sempre cultivou com elegância inigualável, é aquilo que mais necessitamos hoje para analisar e principalmente mudar essa realidade encardida. Muitos autores se tornam melhores ao longo da vida. Freitag também tem esta marca, obviamente, com a diferença de que já começou bem - sua tese de doutorado não foi apenas o ato formal de passagem que toda a tese é; foi já o marco de uma perspectiva de vida acadêmica que brilha até hoje" (Demo, 2005, p. 31).

Em outro livro, o Diário de uma Alfabetizadora, analisou a alfabetização não apenas como domínio de uma técnica, mas também como condição necessária para que a pessoa utilize sua capacidade de pensar, para que veja o mundo segundo as categorias do pensamento lógico.

Enquanto professora, gostaria de salientar que os cursos ministrados por Bárbara, tanto na graduação como na pós-graduação, sempre foram muito concorridos. Em relação à Bárbara educadora, Valéria Rodrigues Motta (2005, p. 42), uma das "barbaretes",2 2 "Barbaretes" são as ex-alunas e os ex-alunos de Bárbara que com ela conviveram não apenas como alunas/alunos, mas como monitoras/monitores, orientandas/orientandos ou auxiliares de pesquisa e que ainda hoje mantêm estreito contato com a grande mestra. afirma: "Bárbara foi mais que uma professora, uma orientadora, uma intelectual consistente e competente. Bárbara foi uma excelente formadora, que não se restringiu ao conteúdo, mas também com a forma de se posicionar, de ouvir, de respeitar a opinião de seus alunos, coordenados e orientandos, rompendo a barreira fria que em geral se estabelece entre professor e aluno, trazendo para a sala de aula o verdadeiro significado da Paidéia, demonstrando o lado prazeroso de ensinar e aprender".

Bárbara psicóloga

Sua dimensão de educadora "está estreitamente ligada à dimensão psicológica. Bárbara é plenamente consciente da importância de integrar a teoria psicanalítica à reflexão sociológica, e, por essa razão, ministrou cursos sobre a obra de Freud. No campo da Psicologia dedicou-se, primordialmente, ao estudo da psicogênese piagetiana. Sua vocação de psicóloga foi realizada nas pesquisas sobre a psicogênese infantil, de acordo com a teoria de Piaget, a partir de estudos empíricos feitos em escolas e favelas paulistas. Nesses estudos, ela demonstrou que existe uma defasagem entre o desenvolvimento cognitivo e a competência moral e lingüística das crianças de classe baixa e as de classe média, entre as crianças escolarizadas e as não-escolarizadas. Tais investigações deram suporte empírico para as teses desenvolvidas sobre educação, no sentido de que esta está tanto a serviço da transmissão de conteúdos como do desenvolvimento da capacidade de pensar e, portanto, de agir politicamente" (Rouanet, Souza & Coelho, 2005, p. 8).

Bárbara, a socióloga

A terceira dimensão, a sociológica, "é central na obra de Bárbara, pois norteou toda sua formação e abrange as outras duas. A educação só pode ser entendida sobre o pano de fundo de tendências macro-sociológicas. O estudo da psicogênese infantil tinha como objetivo dar à criança instrumentos que permitissem superar bloqueios derivados das contradições de classe. Como socióloga, Bárbara parte do princípio da unidade entre teoria e prática, e por isso se dissocia da sociologia positivista que parte da existência de um observador neutro. Daí a importância que ela atribui ao marxismo, enquanto instância capaz de compreender e transformar o mundo, mas seu marxismo nada tem de ortodoxo. Ela tem afinidades especiais com a Escola de Frankfurt, que tenta pensar realidades contemporâneas a partir de um marxismo flexível, a teoria crítica, oposta a qualquer forma de dogmatismo" (Rouanet, Souza & Coelho, 2005, p. 8).

No contexto da Escola de Frankfurt, tem interesse particular em Habermas, autor que procura integrar os ideais emancipatórios do Iluminismo, inclusive os defendidos pelo marxismo, em um novo paradigma intersubjetivo e radicalmente democrático. A constante preocupação de Bárbara "com estudos empíricos, combinados com seu interesse multidisciplinar, fez com que ultimamente ela privilegiasse, dentro da Sociologia, um campo que, sendo específico, é ao mesmo tempo múltiplo: a cidade" (Rouanet, Souza & Coelho, 2005, p. 9).

Como morou em várias e distintas cidades européias, tendo a oportunidade de conhecê-las a fundo, interessou-se pelos estudos na área de Sociologia Urbana, passando a mergulhar inteiramente nesse campo. Desde então, publicou vários artigos sobre cidades e seus processos de urbanização, dentro e fora do Brasil. Fez estudos detalhados sobre o processo de urbanização em Portugal, com foco em Lisboa, sobre Berlim e São Paulo, e mais tarde sobre a urbanização no Brasil e na América Latina, a pedido da Unesco. Teve oportunidade também de ministrar cursos sobre esse tema em Berlim, Praga e Brasília.

Para ela, "a cidade é mônada, no sentido de W. Benjamin, metonímia, figura síntese da sociedade, para onde convergem todas as linhas de força do mundo moderno e pós-moderno. Cidade é história, geografia, arquitetura, pintura, literatura. Cidade é urbanidade, que vem de urbes, é política, cuja raiz é a polis, e é cidadania, cuja raiz é civitas. Sim, no tema da cidade, Bárbara se encontrou, porque nele pôde juntar todos os fios de sua vida e do seu pensamento: Bárbara é um pouco Berlim e um pouco Brasília, tão urbana quanto Antígona, cujos itinerários a levaram de Tebas a Colona e daí de volta a Tebas" (Rouanet, Souza & Coelho, 2005, p. 9).

Bárbara não é apenas uma ótima professora e pesquisadora. É uma intelectual brilhante e dedicada. Suas qualidades se estendem às outras esferas da vida. Possui uma personalidade cativante e tem sido sempre solidária e generosa para com os seus alunos e seus colegas.

Conviver com "essa alemã-brasileira ou brasileira-alemã que transita livremente pelos meios intelectuais da Europa e do Brasil com a segurança de alguém do lugar" (Nunes, 2005, p. 62) tem sido um grande privilégio para todos nós — colegas, alunos, alunas, amigas e amigos.

Notas

Referências bibliográficas

DEMO, Pedro. Educação pobre para o pobre: aportes da tese de doutorado de Bárbara Freitag. In: ROUANET, Sérgio Paulo; SOUZA, Nair Heloisa Bicalho de; COELHO, Maria Francisca Pinheiro. Itinerários de Bárbara Freitag, Brasília: Editora Universidade de Brasília, Finatec, 2005. p. 25-32.

FREITAG-ROUANET, Bárbara. Currículo Lattes. Atualização de 30 nov. 2005.

MOTTA, Valéria Rogrigues. O livro didático em questão. In: ROUANET, Sérgio Paulo; SOUZA, Nair Heloisa Bicalho de; COELHO, Maria Francisca Pinheiro. Itinerários de Bárbara. Brasília: Editora Universidade de Brasília, Finatec, 2005. p. 41-47.

NUNES, Brasilmar Ferreira. A cidade dos homens: a respeito de Bárbara Freitag. In: ROUANET, Sérgio Paulo; SOUZA, Nair Heloisa Bicalho de; COELHO, Maria Francisca Pinheiro. Itinerários de Bárbara Freitag. Brasília: Editora Universidade de Brasília/Finatec, 2005. p. 61-70.

ROUANET, Sérgio Paulo; SOUZA, Nair Heloisa Bicalho de; COELHO, Mara Francisca Pinheiro. Apresentação. In: ROUANET, Sérgio Paulo; SOUZA, Nair Heloisa Bicalho de; COELHO, Maria Francisca Pinheiro. Itinerários de Bárbara Freitag. Brasília: Editora Universidade de Brasília, Finatec, 2005. p. 7-10.

UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA. DEPARTAMENTO DE SOCIOLOGIA: Proposta de concessão do Título de Professora Emérita à profª Bárbara Freitag-Rouanet. Parecer da Comissão constituída pela Resolução Nr. 001/2005, de 14 de fevereiro de 2005.

  • 1
    Bárbara manteve 30 anos de correspondência com Florestan Fernandes. Após a morte de Florestan, em 1995, parte dessa correspondência foi publicada sob o título "Florestan Fernandes por ele mesmo" na revista
    Estudos Avançados da USP (v. 10, n. 26, p. 129-172, jan./abr. 1996. Disponível em: <
  • 2
    "Barbaretes" são as ex-alunas e os ex-alunos de Bárbara que com ela conviveram não apenas como alunas/alunos, mas como monitoras/monitores, orientandas/orientandos ou auxiliares de pesquisa e que ainda hoje mantêm estreito contato com a grande mestra.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    10 Out 2006
  • Data do Fascículo
    Abr 2006
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