RESUMO
Objetivo: Validar o conteúdo e aparência de um vídeo sobre a Ferramenta PICCTIP para mensuração do PICC em neonatos.
Método: Estudo metodológico para validação de vídeo sobre a Ferramenta PICCTIP. A validação ocorreu a partir da avaliação do vídeo por 78 juízes (enfermeiros, pedagogos e designers), no período de julho a agosto de 2023. Para a análise dos dados foi utilizado o índice de Validação de Conteúdo e a consistência interna foi mensurada pelo Alpha de Cronbach, tendo como ponto de corte valor igual ou superior a 0,80 e 0,75, respectivamente.
Resultados: O vídeo teve seu conteúdo validado com índice global de 0,98 na categoria dos enfermeiros, 0,99 na categoria pedagogos e 0,90 na categoria designers. A aparência também foi validada com índices de 0,97 nas categorias dos enfermeiros e pedagogos e 0,95 na categoria designers. Quanto a aparência geral, o alfa de Cronbach obtido na categoria dos enfermeiros foi 0,98, na categoria pedagogos de 0,99 e designers de 0,96.
Conclusão: O vídeo sobre a Ferramenta PICCTIP é válido quanto ao conteúdo e aparência, além de possuir uma boa consistência interna. Pode ser utilizado como uma ferramenta para translação do conhecimento, para médicos e enfermeiros habilitados que realizam a inserção de PICC em neonatos.
DESCRITORES:
Filme e vídeo educativo; Recém-nascido; Dispositivos de acesso vascular; Cateteres venosos centrais; Ciência translacional biomédica; Estudo de validação; Enfermagem
ABSTRACT
Objective: To validate the content and appearance of a video about PICCTIP Tool for measuring PICC in infants.
Method: A methodological study to validate a video about PICCTIP Tool. Validity occurred based on video assessment by 78 judges (nurses, educators and designers) from July to August 2023. The Content Validity index was used to analyze the data, and internal consistency was measured by Cronbach’s alpha, with a cut-off point of 0.80 or greater and 0.75, respectively.
Results: The video content was validated with an overall index of 0.98 in the nurses category, 0.99 in the pedagogues category and 0.90 in the designers category. Appearance was also validated with indexes of 0.97 in the nurses and pedagogues categories and 0.95 in the designers category. Regarding overall appearance, Cronbach’s alpha obtained in the nurses category was 0.98, in the pedagogues category it was 0.99 and in the designers category it was 0.96.
Conclusion: The video about PICCTIP Tool is valid in terms of content and appearance, and has good internal consistency. It can be used as a knowledge translation tool for qualified physicians and nurses who perform PICC insertion in infants.
DESCRIPTORS:
Instructional Film and Video; Infant Newborn; Vascular Access Devices; Central Venous Catheters; Biomedical Translational Science; Validity Study; Nursing
RESUMEN
Objetivo: Validar el contenido y apariencia de un video sobre la Herramienta PICCTIP para la medición de PICC en lactantes.
Método: Estudio metodológico para validar un vídeo sobre la Herramienta PICCTIP. La validación ocurrió con base en la evaluación del video por 78 jueces (enfermeros, pedagogos y diseñadores) en el período de julio a agosto de 2023. Para el análisis de los datos, se utilizó el índice de Validación de Contenido, y la consistencia interna se midió por el alfa de Cronbach, con un valor de punto de corte igual o mayor a 0.80 y 0,75, respectivamente.
Resultados: El vídeo tuvo su contenido validado con un índice global de 0.98 en la categoría de enfermeras, 0.99 en la categoría de pedagogos y 0.90 en la categoría de diseñadores. La apariencia también fue validada con índices de 0.97 en las categorías de enfermeras y pedagogas y 0.95 en la categoría de diseñadores. Respecto a la apariencia general, el alfa de Cronbach obtenido en la categoría de enfermeras fue de 0.98, en la categoría de pedagogos fue de 0.99 y en la categoría de diseñadores fue de 0.96.
Conclusión: El vídeo sobre la Herramienta PICCTIP es válido en cuanto a contenido y apariencia, además de tener una buena consistencia interna. Se puede utilizar como una herramienta de traducción de conocimientos para médicos y enfermeras calificados que realizan la inserción de catéteres PICC en bebés.
DESCRIPTORES:
Película y Vídeo Educativos; Recién Nacido; Dispositivos de Acceso Vascular; Catéteres Venosos Centrales; Ciencia Traslacional Biomédica; Estudio de Validación; Enfermería
INTRODUÇÃO
Os vídeos consistem em ferramentas tecnológicas que se utilizam de recurso audiovisual para transmitirem uma mensagem1. Quando eles são construídos com finalidade de promover o processo de ensino-aprendizagem são conhecidos como vídeos educacionais2, os quais têm se apresentado como um recurso audiovisual prático, relativamente de amplo alcance, com bom custo-benefício, de fácil acesso e utilização, possibilitando que seja assistido várias vezes3.
Neste contexto, destacam-se como potentes ferramentas de ensino-aprendizagem, com potencial para aprimorar o desenvolvimento de habilidades, com destaque para a comunicação e assistência ao paciente4. Caracterizam-se também como estratégia relevante para a Translação do Conhecimento (TC), caracterizada como a construção, troca e aplicação do conhecimento, possibilitando a permuta de saberes entre os centros de pesquisas e os serviços de saúde5. Em estudo realizado com enfermeiros para avaliar um vídeo sobre o manejo da dor neonatal, observou-se que foi considerado como uma ferramenta útil e viável no processo de TC6.
Entretanto, para que cumpram seu papel educacional e sejam um aliado na construção de conhecimento, os vídeos precisam seguir uma série de etapas metodológicas em seu processo de estruturação e elaboração2. Dessa forma, é necessário que haja não somente o processo de construção de vídeos educacionais, mas também, a validação deles, garantindo rigor no conteúdo oferecido. O processo de validação contribui para um refinamento do material produzido, por meio de um olhar crítico de avaliadores, que possibilite adequações necessárias no conteúdo audiovisual, e garanta o aprimoramento do vídeo7.
Nessa perspectiva, foi desenvolvido um vídeo denominado “PICCTIP: Ferramenta para mensuração do Cateter Central de Inserção Periférica (PICC) em neonatos” com o intuito de instrumentalizar profissionais de saúde, que inserem o PICC em neonatos, para a utilização da Ferramenta PICCTIP. A Ferramenta consiste em uma mnemônica que aborda os sete passos para a realização da Técnica Tomazoni, sendo esta Técnica uma forma de mensuração do PICC desenvolvida especificamente para neonatos8,9. O vídeo produzido possui cinco minutos e três segundos de duração e aborda as diferenças entre a técnica tradicional e a Tomazoni, explicando de forma objetiva e lúdica cada etapa para a aplicação da Ferramenta PICCTIP.
A técnica tradicional utiliza como referência a anatomia da rede venosa para medição do comprimento do cateter, medindo o trajeto até o terceiro espaço intercostal10. Já a técnica Tomazoni a distância é medida do local da punção até o espaço esterno clavicular direito8. Estudo clínico randomizado comparou esses dois métodos na inserção de cateteres PICC em recém-nascidos e demonstrou que a técnica Tomazoni proporcionou um posicionamento mais preciso da ponta do cateter em relação ao método tradicional8. Apesar da eficácia comprovada da Técnica Tomazoni e da disponibilidade da Ferramenta PICCTIP, há a falta de materiais educacionais validados que orientem os profissionais de saúde na aplicação desses métodos. Dessa forma, com o intuito de aprimorar a qualidade e rigor científico do vídeo, este estudo teve como objetivo validar o conteúdo e aparência de um vídeo sobre a Ferramenta PICCTIP para mensuração do PICC em neonatos.
MÉTODO
Trata-se de um estudo metodológico, que visa investigar métodos para coleta e organização de dados11.
O material validado neste estudo trata-se de um vídeo educacional intitulado “PICCTIP - Ferramenta para a mensuração do cateter central de inserção periférica em neonatos”, desenvolvido para facilitar o aprendizado e a implementação da Ferramenta PICCTIP por profissionais de saúde, utilizando a Técnica Tomazoni, com duração de cinco minutos e três segundos. O processo de criação seguiu um referencial teórico-metodológico estruturado em três fases: pré-produção, produção e pós-produção. O vídeo começa apresentando a Técnica Tradicional e a Técnica Tomazoni. Em seguida, cada letra do mnemônico “PICCTIP” é explicada detalhadamente. Por fim, o vídeo se encerra com os créditos. O conteúdo foi cuidadosamente elaborado para garantir rigor técnico e científico, empregando animações, ilustrações anatômicas e imagens reais para melhor compreensão do público-alvo.
A etapa de validação iniciou-se com a seleção dos juízes que iriam compor o Comitê de Validação. Como optou-se por fazer uma validação de conteúdo e aparência, selecionaram-se juízes da área de saúde (enfermeiros e médicos) e os juízes técnicos (pedagogos e designers). Os critérios de inclusão para os juízes da área da saúde foram: ser profissional da saúde atuante na área assistencial ou docência; ser habilitado em inserção de PICC (somente para enfermeiros); possuir experiência/especialização em alguns dos seguintes temas/áreas: terapia intravenosa, pediatria, neonatologia, PICC e atingir seis pontos ou mais nos critérios de seleção do Modelo Adaptado de Fehring12, que consta de pontuações de acordo com experiência profissional, titulação e produção acadêmicas. Já para os juízes técnicos: ser profissional de pedagogia/design, possuir domínio na área de pedagogia/recursos visuais e atingir três pontos ou mais nos critérios de seleção do Modelo Adaptado de Fehring12. Vale ressaltar que para o grupo de designers, considerou-se ainda a experiência na produção de vídeos. Estabeleceu-se como critério de exclusão para ambos os grupos o envio do formulário incompleto. Pontua-se ainda que os juízes da área da saúde, foram compostos apenas por enfermeiros, tendo em vista que os médicos indicados a participar da pesquisa não alcançaram pontuação mínima para participar da validação.
A seleção dos juízes ocorreu por conveniência por meio da técnica “bola de neve”. Deste modo cada participante da pesquisa indicava outros participantes13. O processo foi iniciado pelas pesquisadoras sementes que indicaram alguns profissionais especialistas nas áreas de enfermagem, pedagogia e design que poderiam participar do estudo como juízes, a partir disso, deu-se seguimento ao processo de indicações, conforme os pesquisadores participaram do estudo, objetivando-se atingir a recomendação mínima de seis participantes14.
Ao todo, foram convidados 136 juízes da área da saúde e 37 juízes técnicos. A interrupção da coleta de dados foi definida com base no critério de atingimento do número mínimo recomendado pela literatura para o tipo de estudo em questão14.
O instrumento de validação foi adaptado15-17 e dividido em dois eixos: validação de conteúdo e validação de aparência. No primeiro eixo apresentaram-se oito tópicos: Objetivo; Conteúdo; Ambiente; Linguagem verbal; Funcionalidade; Usabilidade; Relevância e Eficiência. Já no segundo eixo, foram utilizados sete tópicos: Instrumento de Validação de Aparência de Tecnologias Educativas (IVATE)18; Conceito da ideia; Construção dramática; Ritmo; Personagens; Estilo visual; e Áudio. Entretanto, vale pontuar que para o grupo de juízes técnicos de Pedagogia foram retirados os três últimos itens dos tópicos objetivo, linguagem e relevância por não serem de sua área de expertise, assim como, o grupo de juízes técnicos de Design, na validação de conteúdo, só responderam ao tópico de eficiência e relevância, sendo retirado o último item do tópico relevância, tendo em vista, que não era aplicável a esse grupo.
A avaliação do instrumento se deu a partir da Escala do Tipo Likert: Concordo fortemente (5); Concordo (4); Nem concordo, nem discordo (3); Discordo (2); Discordo fortemente (1)13. A coleta de dados ocorreu nos meses de julho a agosto de 2023 de forma on-line por meio de aplicativo de gerenciamento de pesquisas, sendo enviado um e-mail aos juízes contendo orientações sobre a participação na validação e o acesso ao instrumento de avaliação, o qual incluía o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e o link vídeo a ser avaliado. Após o aceite, o prazo para preenchimento do instrumento era de 15 dias. Entretanto, devido à baixa adesão por parte dos participantes, houve também o contato por meio de aplicativo de mensagens instantâneas e de aplicativo de compartilhamento de imagens e vídeos e reduziu-se o tempo de prazo para o preenchimento para 14 dias, otimizando a captação de juízes.
A análise dos dados foi realizada por meio do Software Microsoft Excel ® e Statistical Package for the Social Sciences ® (SPSS), versão 22.0 para Windows ®, sendo calculado o Índice de Validação de Conteúdo (IVC) e o Alfa de Cronbach. Nesse estudo, foram calculados três tipos de IVC, sendo: I) IVC de cada Item (IVC-I): realizado a partir do somatório das respostas “5” e “4”, divididos pela quantidade total de respostas; II) IVC de cada Categoria (IVC-C): calculado a partir da soma dos IVC de cada item e dividido pela quantidade de itens por categoria; e III) IVC Totais de cada bloco de validação (IVC-T): feito a partir da soma dos valores de IVC de cada categoria e dividido pela quantidade de categorias em cada bloco da validação. Vale ressaltar que o foi considerado o valor do IVC maior ou igual a 0,80 para o vídeo ser considerado válido19.
Já para a avaliação da consistência interna do processo de validação, utilizou-se o alfa de Cronbach. Para sua interpretação foi considerado o seguinte score: α ≤ 0,30 - Muito baixa; 0,30 < α ≤ 0,60 - Baixa; 0,60 < α ≤ 0,75 - Moderada; 0,75 < α ≤ 0,90 - Alta; e α > 0,90 - Muito alta19. O estudo utilizou a Técnica Delphi, em que seriam realizadas várias rodadas do formulário até ser alcançado o nível de concordância de maior ou igual a 0,80 e consistência acima de 0,75. Entretanto, tais índices já foram alcançados na primeira rodada, dispensando a realização das demais.
O presente estudo seguiu as recomendações da Resolução n.° 580 de 22 de março de 2018 do Conselho Nacional de Saúde do Ministério da Saúde. O vídeo foi registrado na Câmara Brasileira do Livro (CBL), sob número Hash: 7c9a6d4496207dbcff231955256a4a3268635c9419ab2f4b6cdf01af6897e91f para assegurar os direitos autorais.
RESULTADOS
Participaram da validação 58 enfermeiros e 20 juízes técnicos, sendo 12 de pedagogia e 8 de design. Ressalta-se que todos os formulários foram preenchidos integralmente, não sendo necessário descartar nenhum devido à falta de informações.
No que se refere a caracterização dos enfermeiros, a maioria são do sexo feminino (86,8 %) com média de idade de 37,78±9,76 anos, residentes da Região Nordeste (44,83 %), tempo de atuação na área da saúde de 14,22±9,54 anos, possuindo experiência profissional (89,7 %) e especializações (69 %). Já em relação aos juízes de pedagogia, a maioria é do sexo feminino (91,7 %), média de idade de 39,5±11,25 anos, da Região Nordeste (100 %), tempo de atuação na área de pedagogia de 13,75±9,55 anos, possuindo especialização (66,7 %) e experiência profissional (50 %). Em contrapartida, em se tratando dos juízes profissionais de design, a maioria é do sexo masculino (62,5 %), com média de idade de 33,38±4,77 anos, provenientes da Região Sul (50 %), com tempo de atuação na área de design de 10,75±5,23 anos, possuindo experiência profissional em design (87,5 %) e na produção de vídeo (62,5 %) e na participação em grupos de pesquisa (62,5 %).
Na validação de conteúdo, é possível observar que o IVC-I de cada item do instrumento possui nível de concordância entre 0,84 a 1 (Tabela 1). De forma geral, verifica-se que no item 1.4 (Tabela 1) se obteve valores de IVC abaixo de 1 em ambos os grupos de juízes, sugerindo que não ficou claro a existência de uma problemática e resolução desta no vídeo. Assim, foi inserido o objetivo do vídeo no mesmo para que se pudesse clarificar essa questão. No tópico Conteúdo, no item 2.8 (Tabela 1) que versa sobre as informações suficientes e adequadas, observa-se divergência entre os valores de IVC entre os profissionais de enfermagem e pedagogia.
Já na validação de aparência o IVC-I ficou em torno de 0,83 a 1 (Tabela 2). O tópico ambiente apresentou IVCs pouco acima de 0,9 (Tabela 1) na avaliação dos juízes. Dois itens que corroboram com ideia são o 7.3 da Eficiência (Tabela 1) e 1.6 do IVATE (Tabela 2), em que, também, houve divergência na avaliação dos juízes.
Quanto à validação, considerando as categorias de cada bloco de validação, os valores de IVC-C permearam entre 0,88 a 1 (Tabela 3). Assim, de forma geral, nota-se que o vídeo foi validado na primeira rodada alcançando valores de IVC-T recomendado de 0,80. Além disso, apresentou valores de consistência interna muito altos acima de 0,90, exceto em duas categorias específicas em que alcançou α=0,80, com consistência alta (Tabela 4).
Dentre as sugestões realizadas pelos juízes após a validação, tem-se: a inserção do objetivo no vídeo, substituição do termo “espaço” por “articulação”, baixar o volume da música, aumentar o volume do áudio, retirar ruídos, inserção de legendas, encurtar o tempo dos créditos do vídeo, explicitar o peso e indicação para a realização da técnica Tomazoni, correção de alguns pontos ortográficos, verificar as localizações e angulações corretas da mensuração, inserir uma conclusão para o vídeo, aprimoramento dos desenhos de mensuração correlacionando com marcos anatômicos, pronunciar corretamente a palavra cateter, retirar travesseiro do primeiro personagem, corrigir posição do pescoço. Tais modificações foram realizadas no vídeo e é possível visualizar algumas alterações nas imagens de antes e depois presentes (Figura 1).
DISCUSSÃO
As tecnologias educacionais têm se destacado como ferramentas didáticas que contribui a promoção do conhecimento e o ensino das habilidades dos profissionais na assistência de enfermagem2. Além disso, tais tecnologias tem sido cada vez mais utilizadas na área educacional para formação dos enfermeiros em sua prática assistencial2. Os vídeos educacionais, por sua vez, trazem informações numa linguagem mais acessível, favorecendo mudança de comportamentos20. Assim, tecnologias educacionais que são desenvolvidas e validadas possibilitam uma assistência de enfermagem mais segura, valorizando o trabalho executado pelos profissionais de saúde21.
Dessa forma, este estudo propôs abordar o processo de validação de um vídeo educativo sobre a Ferramenta PICCTIP com a finalidade de aperfeiçoar e garantir rigor científico e metodológico do material produzido. Dessa forma, a seleção de juízes conceituados na área é fundamental para minimizar resultados com viés e conclusões inadequadas2. Na seleção dos juízes optou-se por possuir duas categorias: juízes da área da saúde e juízes técnicos, assim, foi possível a ampla avaliação em que cada categoria profissional observou aspectos de domínio de sua área, agregando mais qualidade na validação do vídeo. Destaca-se que a utilização de diferentes profissionais em processos de validação é uma prática consolidada e recomendada17,22, pois a diversidade de perspectivas técnicas e clínicas amplia a análise crítica, garantindo que o material atenda tanto aos critérios científicos quanto às demandas práticas do público-alvo.
Ainda sobre os juízes de validação, nota-se que a Enfermagem tem se destacado como participantes assíduos em processos de validação de tecnologias saúde7,23. Nesse estudo, não houve a participação dos profissionais médicos, por não atingirem a pontuação mínima dos critérios de seleção. Isso pode ser justificado por muitos médicos, após a formação, focarem em sua inserção no mercado de trabalho, buscando a realização da pós-graduação apenas para se tornarem especialistas em uma área24, e não atualizando seus currículos lattes. Impactando, dessa forma, para a baixa seleção de médicos em processos de validação. Vale ressaltar ainda, que houve uma baixa adesão dos profissionais de design, uma vez que esses, geralmente, realizam o serviço de avaliação por meio de pagamento, resultando em um número abaixo do esperado da participação desses profissionais neste estudo.
Mesmo sendo validado, os juízes realizaram sugestões para vídeo e a maioria foram acatadas, entretanto, algumas não foram. A primeira delas foi o uso de QR Codes para acesso às referências utilizadas no vídeo. É notável a inserção dessa tecnologia nos diferentes campos da saúde e educação25, entretanto, optou-se por não aderir a esse formato, devido a insegurança de algumas plataformas em manter esse link ativo por muito tempo. Assim, para evitar possíveis indisponibilidade desses QR Codes ®, não foi adicionado ao vídeo. Deixando apenas as referências completas no vídeo para serem consultadas ao final.
Outro ponto levantado pelos juízes foi que o ambiente em que se passa o vídeo não se assemelhava com o de uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), entretanto, vale ressaltar que a inserção do PICC pode ser feita em neonatos internados em outros setores do hospital de cuidados intermediários à intensivo26. Sendo assim, o vídeo buscou uma abordagem geral dos ambientes de cuidados de neonatos, não apenas as UTIN. Além disso, os juízes pontuaram que os desenhos dos neonatos não se assemelhavam com um neonato real. Entretanto, vale ser levado em consideração, que ao se trabalhar com vídeo animado é esperado que as ilustrações criadas sejam uma representação e não uma cópia, por isso o vídeo tentou trazer a representação mais próxima de um neonato.
Além disso, observou-se que alguns juízes relataram não fazerem o uso de canetas cirúrgicas para a marcação, devido à sensibilidade da pele do neonato. Apesar de não se encontrar estudos específicos pontuando essa relação de canetas cirúrgicas e a pele do neonato, esse tipo de instrumento é amplamente utilizado em procedimentos cirúrgicos e nas descrições desses produtos é assegurada a atoxicidade da tinta das canetas, bem como sua esterilidade, apresentando-se como material seguro para uso27.
Por último, foi pontuado a inserção de filmagens reais, de exemplos da mensuração com imagens reais e a necessidade explicar todos os processos para inserção do PICC. Apesar de se compreender que o recurso de filmagens reais acrescentaria na qualidade do vídeo, a ideia central do vídeo é que ele fosse desenvolvido a partir de animação, com uma proposta mais lúdica, simples e direta. Além disso, o vídeo já trazia exemplos de mensuração com imagens reais para facilitar na compreensão. Vale ressaltar que o enfoque é explicar sobre a Ferramenta PICCTIP não cabendo a explicação sobre a técnica de inserção do cateter, mas sim a mensuração. Os vídeos desenvolvidos precisam ser elaborados de maneira que seus objetivos centrais sejam atendidos2, sendo o objetivo desse vídeo abordar o conteúdo de forma animada, rápida e direcionada. Ademais, foi acrescentado o objetivo no vídeo para reforçar ao público qual a sua finalidade.
De forma geral, vídeo validado representa um avanço significativo na TC entre a pesquisa e a prática clínica, especialmente no cuidado neonatal. Ao abordar de forma clara e lúdica os passos da Ferramenta PICCTIP, o vídeo se torna uma ferramenta de fácil acesso e compreensão, podendo ser utilizado repetidamente por médicos e enfermeiros em diferentes contextos. O vídeo não se apresenta cansativo e possui uma apresentação agradável, com um estilo visual consistente, bom ritmo de locução e das animações ao longo do mesmo. Além disso, sua validação por juízes especializados garante que o conteúdo seja cientificamente rigoroso e metodologicamente adequado, atendendo às necessidades do público-alvo.
A utilização de tecnologias educacionais como este vídeo pode contribuir para a padronização de práticas clínicas, reduzindo variabilidades e melhorando a qualidade do cuidado prestado aos neonatos. Nota-se, portanto, que o vídeo sobre a Ferramenta PICCTIP pode ser utilizado como uma tecnologia educacional para realizar a TC para os profissionais de saúde que realizam o procedimento de inserção do PICC em neonatos. Contribuindo para uma mensuração adequada do PICC, específica para neonatos, que tem potencial de prevenir os eventos adversos relacionados ao mal posicionamento do cateter9.
O estudo teve como limitação a ausência de médicos na validação do vídeo e o número reduzido de profissionais de design, o que pode ter influenciado a diversidade de perspectivas durante o processo de avaliação. Outra limitação foi a decisão de não incluir filmagens reais, que poderiam trazer uma representação mais real ao vídeo. No entanto, optou-se por manter uma abordagem animada e lúdica, que já estava alinhada ao propósito inicial do material. Apesar disso, o vídeo foi com excelentes índices de concordância e consistência interna, demonstrando sua qualidade. Embora o vídeo tenha sido validado quanto ao conteúdo e aparência, recomenda-se a realização de um estudo clínico ou experimental para avaliar sua efetividade na prática.
CONCLUSÃO
O vídeo foi validado quanto ao conteúdo e aparência de forma satisfatória pelos juízes da área da saúde e técnica. Além de apresentar boa consistência interna. Vale ressaltar que visando aperfeiçoar o vídeo, foram feitos ajustes a partir da opinião dos juízes. Por fim, destaca-se que por se tratar uma tecnologia educacional recomenda-se a realização de um estudo clínico/experimental para atestar a sua efetividade enquanto ferramenta educacional para TC entre a comunidade científica e nos espaços de saúde que cuidam de neonatos.
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NOTAS
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ORIGEM DO ARTIGO
Extraído da dissertação - Desenvolvimento do vídeo sobre a Ferramenta PICCTIP: Mensuração do Cateter Central de Inserção Periférica em Neonatos, apresentada ao Programa de Pós-Graduação de Enfermagem, da Universidade Federal de Santa Catarina, em 2023.
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FINANCIAMENTO
Bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) - Número 88887.666817/2022-00 - Programa de Excelência Acadêmica - Mestrado Acadêmico - Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Bolsas de Produtividade em Pesquisa - PQ, Processo 309565/2022-7 - Pesquisa vinculada como um subprojeto do Projeto Tecnologias Educacionais e Assistencial para a Prevenção de Eventos Adversos de Dispositivos de Acessos Vasculares em Pacientes Pediátricos, submetido a Chamada CNPq n.ͦ 09/2022.
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APROVAÇÃO DE COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA
Aprovado no Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina, parecer n.ͦ 5.775.511/2022, Certificado de Apresentação para Apreciação Ética 64901422.8.0000.0121.
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DISPONIBILIDADE DE DADOS
Todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo foi publicado no próprio artigo.
Editado por
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