Objetivo: discutir as contribuições da narrativa como abordagem metodológica e ética na pesquisa qualitativa em saúde, a partir da análise de sentidos e estratégias de cuidado construídos por mães e redes de apoio de Pessoas com Deficiência.
Método: estudo qualitativo, de natureza reflexiva, com abordagem narrativa, realizado em Chapecó, Brasil, com quatro mães, uma avó, uma irmã de pessoa com deficiência e duas profissionais de saúde. Os dados foram produzidos em abril de 2025, durante uma roda de conversa, utilizando palavras-disparadoras para evocar memórias e elaborar narrativas sobre cuidado, desafios do capacitismo e reconstrução subjetiva. As falas foram gravadas, transcritas e analisadas sob a perspectiva da hermenêutica, da bioética narrativa e da análise crítica do discurso.
Resultados: foram revelados quatro núcleos de sentido: (1) solidão: território do maternar, (2) a rede como resistência ao capacitismo, (3) o cuidado como fé e reinvenção, e (4) a elaboração de sentido diante do inesperado. As narrativas permitiram acessar camadas profundas da experiência humana, evidenciando resiliência, reconstrução simbólica e produção de sentidos éticos e existenciais.
Conclusão: a abordagem narrativa revelou-se um gesto ético, político e estético. Narrar pode servir ao cuidar, resistir e produzir conhecimentos situados, emergentes das histórias de vida, comprometidos com a dignidade e a existência das pessoas. A pesquisa reafirmou a narrativa como instrumento de transformação e partilha, capaz de reposicionar sujeitos e reconstruir modos de existir.
DESCRITORES:
Pesquisa qualitativa; Família; Bioética; Pessoas com deficiência; Cuidadores
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