RESUMO
Objetivo: fornecer aos pesquisadores de enfermagem um quadro abrangente para a realização de revisões de escopo de alta qualidade e aprimorar o processo de cuidado baseado em evidências.
Método: Com base na literatura existente, este artigo sintetiza as orientações existentes com foco na adaptação das informações para a comunidade de enfermagem. Além disso, apresenta uma proposta de um quadro de 10 etapas para a realização de revisões de escopo, específico para pesquisadores de enfermagem, amalgamando orientações de organizações renomadas de pesquisa em saúde, como o Instituto Joanna Briggs (JBI) e a extensão do PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analysis) para Revisões de Escopo.
Resultados: Em uma era marcada pelo dilúvio de informações, os pesquisadores de enfermagem desempenham um papel fundamental na condução de revisões de escopo para navegar pelo crescente cenário científico. O artigo enfatiza a importância de uma abordagem sistemática em 10 etapas, fornecendo uma estrutura que assegura confiabilidade, rigor e transparência.
Conclusão: Ao aderir a protocolos robustos e diretrizes de relato, os pesquisadores de enfermagem podem contribuir efetivamente para práticas de saúde baseadas em evidências, orientar os formuladores de políticas e inspirar futuras pesquisas, fechando, em última análise, a lacuna na tradução do conhecimento.
DESCRITORES:
Revisão; Enfermagem; Enfermagem baseada em evidências; Prática baseada em evidências; Revisão da literatura como tópico
ABSTRACT
Objective: to provide nursing researchers with a comprehensive framework for conducting high-quality scoping reviews and enhance the process of evidence-based care.
Method: Drawing upon existing literature, this paper synthesizes insights from existing guidance with a focus in adapting the information for the nursing community. Furthermore, it introduces a proposed 10-step framework for conducting scoping reviews, specific for nursing researchers, amalgamating guidance from reputable healthcare research organizations such as the Joanna Briggs Institute (JBI) and the Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analysis (PRISMA) extension for Scoping Reviews.
Results: In an era marked by the information deluge, nursing researchers hold a pivotal role in conducting scoping reviews to navigate the burgeoning scientific landscape. The paper emphasizes the significance of a systematic 10-step approach, providing a framework that ensures reliability, rigor, and transparency.
Conclusion: By adhering to robust protocols and reporting guidelines, nursing researchers can effectively contribute to evidence-based healthcare practices, guide policymakers, and inspire future research, ultimately closing the knowledge translation gap.
DESCRIPTORS:
Review; Nursing; Evidence-based nursing; Evidence-based practice; Review literature as topic
RESUMEN
Objetivo: proporcionar a los investigadores de enfermería un marco integral para llevar a cabo revisiones de alcance de alta calidad y mejorar el proceso de atención basado en evidencia.
Método: Basado en la literatura existente, este artículo sintetiza las guías actuales con un enfoque en la adaptación de la información para la comunidad de enfermería. Además, presenta una propuesta de un marco de 10 pasos para la realización de revisiones de alcance, amalgamando orientaciones de organizaciones de investigación en salud reconocidas, como el Instituto Joanna Briggs (JBI) y la extensión PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analysis) para Revisiones de Alcance.
Resultados: En una era marcada por el diluvio de información, los investigadores de enfermería desempeñan un papel crucial en la conducción de revisiones de alcance para navegar por el creciente panorama científico. El artículo enfatiza la importancia de un enfoque sistemático en 10 pasos, proporcionando una estructura que asegura confiabilidad, rigor y transparencia.
Conclusión: Al adherirse a protocolos sólidos y guías de informes, los investigadores de enfermería pueden contribuir efectivamente a prácticas de salud basadas en evidencia, orientar a los formuladores de políticas e inspirar futuras investigaciones, cerrando, en última instancia, la brecha en la traducción del conocimiento.
DESCRIPTORES:
Revisión; Enfermería; Enfermería basada en evidencia; Práctica basada en la evidencia
INTRODUÇÃO
Os avanços no desenvolvimento da pesquisa e o aumento das oportunidades de financiamento estão contribuindo para um crescimento contínuo no volume de publicações científicas relacionadas à saúde1. Como consequência, há um excesso avassalador de informações no domínio da literatura científica, com milhões de artigos sendo publicados anualmente em periódicos científicos revisados por pares1. Apesar de esse aumento nas publicações indicar progresso na exploração científica, também deixa frequentemente os profissionais e desenvolvedores de políticas inundados com uma vasta quantidade de informações disponíveis que podem ou não ser de alta qualidade. O número esmagador de publicações, juntamente com outros aspectos estruturais, dificulta a incorporação de cuidados baseados em evidências nos ambientes clínicos, e estima-se que a lacuna de tradução do conhecimento (desde a publicação de certas evidências até sua incorporação na prática) seja de cerca de 17 anos ou até mais2-3.
Para auxiliar acadêmicos e educadores a terem acesso a informações abrangentes e reduzir a lacuna de tradução do conhecimento, vários tipos de revisão de literatura foram elaborados para selecionar, compilar e resumir de maneira sistemática e abrangente a pesquisa existente, tornando as evidências acumuladas mais significativas e acessíveis4-6. O principal objetivo de realizar uma revisão é identificar lacunas no conhecimento, definir uma questão e elucidar conceitos pertinentes a uma pergunta específica5. Essas revisões são ajustadas para abordar diferentes perguntas de pesquisa e podem ser diferenciadas pelo rigor de suas considerações metodológicas. Mais recentemente, a metodologia de revisão de escopo ganhou popularidade e acrescentou complexidade à tipologia das revisões.
As revisões de escopo, também conhecidas como revisões de mapeamento, têm suas raízes nas ciências sociais e possuem a capacidade de amalgamar evidências derivadas de diversas abordagens metodológicas7. Autores8 realizaram uma revisão para explorar a condução e o relato de revisões de escopo no campo da saúde humana. As descobertas desse estudo indicaram um aumento notável na popularidade das revisões de escopo nos últimos anos; e que essa metodologia é principalmente empregada para orientar futuras pesquisas e identificar implicações tanto para a prática quanto para a política(8). Com a crescente popularidade das revisões de escopo, numerosos documentos de orientação surgiram em vários periódicos acadêmicos para auxiliar acadêmicos e pesquisadores no processo de condução desse tipo de revisão9-11. No entanto, ainda há evidências contundentes indicando que a qualidade e o relato das revisões de escopo publicadas frequentemente deixam a desejar em termos de rigor e execução eficaz.
Autores12 conduziram uma revisão de escopo para fornecer uma visão geral das revisões de escopo publicadas, e suas descobertas indicaram que, dadas as diferenças na forma como essas revisões foram realizadas, há uma necessidade atual de estabelecer metodologias padronizadas para garantir a eficácia e a robustez das evidências que as revisões de escopo podem fornecer12. Além disso, outros autores(8) conduziram uma revisão de escopo para investigar a condução e o relato de revisões de escopo publicadas, e, de forma semelhante às descobertas de outro estudo(8), seus resultados indicaram que pesquisas adicionais sobre metodologias de revisão de escopo são justificadas, com ênfase específica no desenvolvimento de diretrizes de relato para estabelecer uma abordagem padronizada.
Coletivamente, essas descobertas da literatura12-14 destacam que, apesar do aumento no número de revisões de escopo sendo conduzidas em diferentes áreas, existe uma clara necessidade de melhorias na forma como as revisões de escopo são conduzidas e relatadas. Agravando essa questão, há uma falta de orientações específicas para acadêmicos e pesquisadores de enfermagem, especialmente no contexto brasileiro. Portanto, neste artigo, nosso objetivo é contribuir para o conhecimento existente fornecendo uma descrição abrangente dos atributos essenciais das revisões de escopo e orientações sobre o processo de condução e relato dos achados. Além disso, este ensaio visa fornecer clareza quanto à sua contribuição para o quadro teórico existente de análise documental, especialmente no contexto da pesquisa em enfermagem, ao introduzir uma estrutura proposta de 10 etapas para a condução de revisões de escopo e sintetizar informações de organizações respeitadas de pesquisa em saúde.
CARACTERÍSTICAS QUE DEFINEM A REVISÃO DE ESCOPO
As revisões de escopo se destacam como uma adição relativamente recente à família de métodos de revisão, diferenciando-se dos tipos de revisão mais tradicionais15. Elas também são conhecidas como "estudos de escopo" ou "revisões de mapeamento", refletindo sua capacidade única de explorar questões de pesquisa mais amplas, porém bem definidas16. O principal objetivo das revisões de escopo é elucidar conceitos essenciais, abordar lacunas no conhecimento, oferecer uma visão abrangente de um tema específico ou fornecer orientação para futuras iniciativas de pesquisa7,16.
Deve-se notar que, em 2020, o Grupo de Metodologia para Revisões de Escopo no Instituto Joanna Briggs (JBI) começou a discutir a necessidade de uma definição formal para revisões de escopo, chegando a um consenso de que são um tipo de síntese de evidências que visa identificar e mapear sistematicamente a amplitude das evidências disponíveis sobre um determinado tema, campo, conceito ou problema, muitas vezes independentemente da fonte (por exemplo, pesquisa primária, revisões, evidências não empíricas) dentro ou em contextos específicos11.
As revisões de escopo oferecem uma visão abrangente sobre um determinado tema, permitindo aos pesquisadores abranger uma ampla variedade de fontes de literatura, incluindo artigos de opinião, artigos de periódicos revisados por pares e literatura cinzenta para ajudar a abordar suas questões de pesquisa7. Tipos de literatura cinzenta podem incluir trabalhos acadêmicos, como teses e dissertações, relatórios de pesquisa e comitê, relatórios governamentais, papers de conferências e pesquisas em andamento, entre outros. Devido à sua ampla gama de formatos e escopos, a literatura cinzenta é frequentemente uma fonte rica de evidências utilizadas em revisões sistemáticas e meta-análises18-19. Além de sua versatilidade, as revisões de escopo são particularmente valiosas em campos emergentes, onde o corpo existente de literatura pode ser relativamente inexplorado ou necessitar de exame mais extenso15. Nesse sentido, as revisões de escopo são amplamente utilizadas para mapear as evidências existentes por meio de uma lente ampla e fornecer implicações para a prática e orientação para futuras pesquisas.
FUNDAMENTOS FILOSÓFICOS
Enquanto os pesquisadores têm a flexibilidade de adaptar suas orientações epistemológicas e ontológicas para corresponder à natureza específica de seu estudo, é fundamental que essas orientações sejam claramente definidas antes de iniciar o processo de revisão(7). A falha em fazer isso aumenta significativamente o risco de produzir resultados de baixa qualidade ou tirar conclusões inadequadas7. Embora as revisões não possuam inerentemente uma fundação filosófica exclusiva, existem padrões discerníveis que valem a pena ser observados. Tipicamente, a revisão de escopo tende para uma epistemologia subjetivista, abraçando um paradigma de pesquisa enraizado no pós-positivismo, e se alinha ontologicamente com o relativismo contextual para fornecer um quadro interpretativo para compreender o conhecimento relacionado a um determinado assunto4,7.
Uma epistemologia subjetivista rejeita a noção de uma verdade única, objetiva e universalmente mensurável esperando para ser descoberta. Em vez disso, ela argumenta que nossa compreensão da realidade é construída através das interações individuais com o ambiente e entre si4,7. Além disso, como pesquisadores, nossas interpretações são inevitavelmente influenciadas por nossas próprias experiências vividas, que são inevitavelmente refletidas no conhecimento que geramos, seja derivado de participantes ou estudos existentes7. Consequentemente, as descobertas das revisões de escopo são tipicamente elaboradas através da interação entre os pesquisadores, os fenômenos investigados e o contexto do estudo. Isso resulta em uma interpretação subjetiva do conhecimento que cerca o assunto, em vez de um construto objetivista único.
ABORDAGENS METODOLÓGICAS
Enquanto as revisões de escopo oferecem uma exploração abrangente e ampla de um tema e permitem que os pesquisadores englobem uma variedade diversificada de literatura, incluindo artigos de periódicos revisados por pares e literatura cinzenta7, é essencial que os pesquisadores sigam uma sequência metodológica de passos para garantir tanto a confiabilidade quanto o rigor4. Nesse sentido, diversas organizações de pesquisa em saúde baseadas em evidências existem para fornecer diretrizes para síntese de evidências. No contexto de revisões de escopo, o JBI, ou Colaboração JBI, oferece orientações abrangentes para a condução de revisões de escopo6. Enquanto o JBI fornece todos os elementos necessários para realizar este método, desde o protocolo até a apresentação do manuscrito final, o PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analysis) - extensão para Revisões de Escopo fornece descrição detalhada, além de uma lista de verificação, para apoiar os autores na elaboração do relato de sua revisão de escopo. A Tabela 1 apresenta uma lista de orientações existentes para apoiar estudiosos na condução de revisões de escopo.
ESTRUTURA PROPOSTA
As orientações existentes (Tabela 1) apresentam direções semelhantes para os pesquisadores, embora ocorram variações nos métodos propostos e nos passos seguidos. A maneira fragmentada como as etapas essenciais para a realização de uma revisão de escopo de alta qualidade são tipicamente apresentadas pode frequentemente resultar em confusão entre acadêmicos e pesquisadores de enfermagem, potencialmente levando a estágios ignorados ou omitidos no processo de condução dessas revisões.
Assim, neste artigo, analisamos cuidadosamente as metodologias existentes disponíveis para revisões de escopo e resumimos os principais passos para pesquisadores de enfermagem em uma estrutura abrangente. Ao longo deste artigo, oferecemos uma visão geral da estrutura proposta com o consenso entre as metodologias existentes e as melhores práticas na condução de revisões de escopo usando um processo de 10 passos (Figura 1).
Passo 1. Definir equipe, pergunta de pesquisa, objetivos e conceitos
Para desenvolver uma revisão de escopo, é essencial determinar uma equipe de revisão capaz de realizar o trabalho de forma eficaz e rigorosa. O tamanho mínimo da equipe pode variar de acordo com a complexidade do tema e a extensão da revisão, mas geralmente envolve pelo menos três pesquisadores. A equipe ideal deve incluir membros com diferentes conjuntos de habilidades e conhecimentos. Isso pode incluir especialistas no tema em questão, revisores com experiência em metodologia de revisão, profissionais com experiência em busca de literatura, estatísticos para análise de dados (se aplicável), entre outros. A diversidade de habilidades garante que todas as etapas da revisão sejam realizadas de forma competente28.
Às vezes, revisões de escopo envolvem uma grande quantidade de literatura a ser rastreada, revisada e resumida. Uma equipe maior pode gerenciar melhor essa carga de trabalho, garantindo que nada seja negligenciado. Ter dois ou mais revisores independentes avaliando estudos e tomando decisões de inclusão/exclusão em cada estudo ajuda a reduzir viés e erros de interpretação, sendo altamente recomendado para revisões de escopo30. Além disso, conflitos podem ser resolvidos por meio de discussão entre os membros da equipe27. É essencial enfatizar que a equipe deve manter comunicação regular ao longo de todo o processo de revisão, desde a remoção até a análise e apresentação dos resultados. Realizar verificações periódicas como equipe, seja por meio de reuniões presenciais ou comunicações por e-mail, durante as etapas de remoção e análise, é extremamente importante. Isso permite discutir o progresso do processo, abordar desafios potenciais encontrados durante a remoção de dados, considerar possíveis modificações nas ferramentas utilizadas para orientar a restrição de dados (como formulários ou tabelas de exclusão), e abordar quaisquer outras questões e descobertas relacionadas à revisão28.
Após a equipe ser estabelecida, as revisões de escopo devem ser orientadas por uma questão de pesquisa e objetivos bem definidos. Para apoiar o desenvolvimento de questões de pesquisa, geralmente utiliza-se o framework PCC (População, Conceito, Conteúdo), embora o formato PICo (População, Fenômeno de Interesse, Contexto) também possa ser aceito(4). Um exemplo de como o formato PCC deve ser aplicado para definir os conceitos e a questão de pesquisa pode ser encontrado na Figura 2.
Questão de Pesquisa da Revisão de Escopo Utilizando o Formato PCC, St. Catharines, ON, Canadá, 2023.
Além disso, o JBI recomenda o uso de subquestões como uma estratégia para direcionar mais precisamente a revisão de escopo30. Essas subquestões, especialmente quando aplicadas no contexto do formulário de extração de dados, visam aprofundar a investigação e orientar o processo de revisão26. Como exemplo, para o formato PCC mencionado anteriormente, destacam-se as seguintes subquestões:
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Quais são os principais sintomas de burnout e fadiga por compaixão relatados pelos coordenadores de doação de órgãos e tecidos?
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Quais são os fatores de risco e protetores identificados na literatura quanto ao desenvolvimento de burnout e fadiga por compaixão entre os coordenadores de doação de órgãos e tecidos?
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Quais estratégias e abordagens são mencionadas na literatura para lidar com burnout e fadiga por compaixão entre os coordenadores de doação de órgãos e tecidos, e quais são os resultados associados a essas estratégias?
Essas subquestões desempenham um papel fundamental na estruturação da revisão de escopo, permitindo que a equipe de pesquisa explore minuciosamente cada aspecto do tema em análise. Isso, por sua vez, facilita a identificação de possíveis lacunas e contribui para uma análise dos resultados mais abrangente e cuidadosa26,28.
Passo 2. Busca preliminar
Uma vez que a equipe de pesquisa definiu os principais objetivos, questões de pesquisa e conceitos da sua revisão, uma busca preliminar deve ser conduzida para investigar a extensão de outros trabalhos semelhantes. Recomenda-se que os pesquisadores realizem uma busca preliminar em fontes relevantes para identificar revisões atuais ou em andamento sobre o tema definido. Exemplos de fontes relevantes para conduzir as buscas preliminares são: MEDLINE, Prospero, Epistemonikos, a Cochrane Database of Systematic Reviews e JBI Evidence Synthesis (a seleção de fontes pode variar de acordo com o tema investigado). Após a realização da busca preliminar, podem surgir três resultados potenciais: 1) não foram identificadas revisões atuais ou em andamento sobre o tema: nesse caso, o pesquisador pode prosseguir com a investigação; 2) foram identificadas revisões atuais sobre o tema: o pesquisador precisa acessar a revisão existente e investigar quão similar ou diferente é da revisão proposta e se há necessidade de uma nova revisão no tema (por exemplo, para atualizar o período para incluir descobertas mais recentes); 3) foram identificadas revisões em andamento sobre o tema: se revisões em andamento forem identificadas, o pesquisador líder deve entrar em contato com os autores para entender melhor os conceitos sendo explorados, buscar colaboração ou adaptar sua revisão para evitar a realização de trabalhos duplicados. Independentemente do resultado, as descobertas da busca preliminar e o processo de tomada de decisão devem ser indicados no protocolo da revisão de escopo e no manuscrito final (idealmente no último parágrafo da introdução).
Passo 3. Registro da revisão
Uma vez que os pesquisadores tenham garantido que a contribuição da sua revisão de escopo proposta é única, o título da revisão deve ser registrado para evitar a realização de trabalhos duplicados no futuro. O registro da revisão em andamento permite que outros autores tenham acesso aos trabalhos em andamento, busquem colaboração e evitem esforços duplicados. Atualmente, os registros de revisões de escopo podem ser realizados em dois formatos, e idealmente ambos os registros devem ser feitos: 1) JBI: O título das revisões de escopo deve ser registrado no JBI Evidence Synthesis utilizando o JBI Systematic Review Title Registration Form (uma versão do formulário PCC para revisões de escopo pode ser solicitada por e-mail, e este registro precisa ser feito por pessoas dentro de centros afiliados); 2) OSF: As revisões de escopo também devem ser registradas no Open Science Framework utilizando seu template de registro. Observe que este processo de registro está relacionado ao título da revisão, o que difere da publicação do protocolo que será mencionada nas próximas seções. Ambos os processos de registro são gratuitos. Por fim, atualmente, as revisões de escopo não podem ser registradas na plataforma PROSPERO.
Passo 4. Desenvolvimento do protocolo
Para alinhar-se aos propósitos das revisões de escopo e manter o rigor no processo, um protocolo deve ser desenvolvido como o passo inicial para a condução da revisão de escopo. O protocolo deve incluir, de maneira detalhada, todos os aspectos relevantes para a realização da revisão de escopo. Existem templates para ajudar no desenvolvimento do protocolo (por exemplo, JBI), mas os principais componentes de um protocolo de revisão de escopo podem ser encontrados abaixo:
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Introdução: fornecer uma cobertura extensa sobre a extensão do problema, principais conceitos de interesse, justificativa das lacunas existentes e necessidade da revisão, justificativa da escolha da metodologia e descrição do processo de busca preliminar (passo 2).
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Objetivos e questões de pesquisa: o protocolo deve fornecer um alinhamento entre objetivos e questões de pesquisa, e uma lista de questões de pesquisa específicas cobrindo os principais aspectos da investigação.
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Critérios de elegibilidade: deve haver uma definição clara dos critérios de inclusão e exclusão baseados nos principais conceitos de interesse na revisão. Por exemplo, se o formato PCC foi usado para definir a questão de pesquisa, o mesmo formato deve ser usado ao identificar os critérios de inclusão e exclusão (incluindo os tipos de fontes). Portanto, é essencial estabelecer critérios de inclusão e exclusão relacionados à população, conceito e contexto.(30) Além disso, muitos autores incluem a eliminação de estudos duplicados como critério de exclusão, o que não é recomendado, já que a exclusão de estudos duplicados faz parte do procedimento padrão em qualquer método de revisão.
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Metodologia: É essencial indicar a escolha do quadro metodológico para a condução da revisão de escopo, como o quadro JBI para conduzir a revisão e o PRISMA-ScR para relatar os achados; mas outras opções podem ser usadas e justificadas conforme necessário. Embora o quadro JBI tenha se originado em 200510, devido à falta de clareza para o desenvolvimento de cada etapa, ele foi atualizado em 201022 e refinado pelo JBI em 201531, 201732 e 202033.
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Fontes de informação e estratégia de busca preliminar: nesta etapa, os autores devem definir quais fontes de informação, tanto para literatura publicada quanto não publicada, serão usadas durante o processo de busca. Não há um número mínimo de fontes de informação, mas geralmente são indicadas pelo menos três fontes para fornecer uma cobertura extensa das descobertas; e a seleção dependerá do tema investigado. Um esboço da estratégia de busca também deve ser fornecido no protocolo, para que possa ser avaliado para garantir uma busca específica e sensível. O JBI recomenda que o desenvolvimento e implementação da busca de evidências sigam um processo bem definido de três etapas. A primeira etapa consiste em realizar uma busca inicial em duas bases de dados relevantes, como PubMed e CINAHL, a fim de identificar artigos relevantes para o tópico em questão. Nesta etapa, são identificadas as palavras-chave presentes nos títulos e resumos dos artigos relevantes, bem como os termos indexados (MeSH/CINAHL Headings) usados para descrever os artigos. Isso é essencial para desenvolver uma estratégia de busca completa10. Para construir essa estratégia de busca, recomenda-se que os revisores combinem todos os elementos listados na estratégia PCC. Em seguida, é aconselhável que os revisores realizem um teste piloto da busca final em duas bases de dados (por exemplo, PubMed e LILACS). Esta etapa permite avaliar a eficácia da estratégia implementada e identificar possíveis novos termos relacionados ao PCC. Uma vez validado o protocolo, pode-se realizar uma busca definitiva nas bases de dados selecionadas para o estudo. Além disso, recomenda-se que as listas de referências dos artigos que serão incluídos na revisão sejam verificadas por dois revisores independentes. Isso visa identificar literatura adicional relacionada ao tema em estudo. Idealmente, o processo de seleção de fontes de informação e desenvolvimento da estratégia de busca deve contar com a orientação de um especialista em informação em ciências da saúde, como um bibliotecário. Este profissional pode fornecer suporte especializado na construção da estratégia de busca, tornando-a mais precisa e abrangente.
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Plano de triagem, extração e análise de dados: Nesta etapa, os autores devem ter um plano abrangente de como as fontes serão triadas, selecionadas, extraídas e analisadas. Todas as citações encontradas durante o processo de busca devem ser avaliadas por pelo menos dois revisores independentes tanto na triagem de título e resumo quanto na triagem do texto completo. Este processo deve ser facilitado por um software para gerenciar, triagem, extração e análise das referências (por exemplo, Convidence, SUMARI). Alternativamente, opções gratuitas como Rayyan estão disponíveis no mercado, mas são limitadas por não realizar extração e análise de dados. Para a extração de dados, deve ser desenvolvido um formulário padronizado de extração de dados e orientações para o formulário, que descrevem cada ponto que será extraído. O desenvolvimento do formulário inicial de extração de dados é guiado pelas questões de revisão e geralmente inclui população, conceito e contexto. Este formulário de extração de dados precisa ser incluído no protocolo como um apêndice para que possa ser criticamente avaliado. Além disso, deve ser fornecido um plano detalhado de análise de dados, tanto quantitativo quanto qualitativo, junto com mecanismos propostos para a preparação e apresentação dos resultados28.
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Publicação: Para permitir a avaliação crítica do protocolo de revisão de escopo e dos métodos propostos, o protocolo deve ser submetido para consideração de publicação em um processo revisado por pares. Revistas que atualmente aceitam protocolos de revisão de escopo variam de acordo com o tema investigado e pode ser necessário um contato individual com editores sobre o potencial interesse para definir a melhor opção de revista para cada estudo específico. Para ajudar a melhorar a adesão à qualidade das revisões e rigor no processo, espera-se que mais revistas considerem receber protocolos no futuro próximo. Além disso, a síntese de evidências do JBI atualmente aceita protocolos, assim como os protocolos podem ser disponibilizados através do OSF e ter um número DOI atribuído a eles (mas neste último, não há um processo de revisão envolvido na publicação do protocolo). O processo de publicação do protocolo é diferente do processo de registro, que foi descrito acima (por exemplo, protocolos podem ser registrados e disponíveis no OSF, mas desta forma não são avaliados), e ambos devem ser realizados pelos autores para garantir rigor nos métodos propostos.
Passo 5. Processo de implementação da busca
Após o protocolo ter sido avaliado criticamente através de um processo de revisão por pares e as mudanças propostas pelos revisores terem sido abordadas, a estratégia de busca preliminar deve ser adaptada para diferentes fontes de informação e o processo de busca deve ser implementado por, ou com o apoio de um especialista em informação em ciências médicas. Os termos de busca podem incluir palavras-chave que são indexadas (por exemplo, termos Decs e Mesh) ou não. Uma vez finalizado o processo de busca, todas as citações podem ser importadas para um gerenciador de referências bibliográficas de preferência dos pesquisadores (por exemplo, Endnote, Zotero, Mendeley) onde os duplicados podem ser removidos e, em seguida, importados para um software para análise e síntese da literatura para apoiar métodos de síntese de conhecimento (por exemplo, Covidence, JBI Sumari, Rayyan, entre outros), onde o processo de triagem pode ser realizado; alguns desses softwares estão disponíveis gratuitamente, enquanto outros têm uma assinatura paga. Adicionalmente, como uma fonte adicional de informação, os autores podem optar por revisar a lista de referências de todos os artigos incluídos (após a conclusão do processo de triagem) para outras referências potencialmente relevantes. As bases de dados devem ser selecionadas de acordo com a relevância considerando o escopo da revisão, e a orientação atual sugere que mais de duas bases de dados devem ser incluídas e que a busca deve ter sido implementada no máximo 12 meses antes da submissão do artigo, e atualizações na busca devem ser consideradas34,6.
Passo 6. Seleção dos estudos
O processo de seleção dos estudos deve ser conduzido individualmente por dois avaliadores independentes, que realizarão uma avaliação preliminar dos títulos e resumos, seguindo os critérios de inclusão previamente definidos. Posteriormente, os textos completos dos estudos que apresentarem relevância potencial serão examinados minuciosamente, também por dois avaliadores independentes, com base nos critérios de inclusão estipulados. Qualquer razão para a exclusão de estudos que não cumpram os critérios de inclusão será documentada e apresentada detalhadamente na revisão final de escopo. Caso ocorram divergências entre os avaliadores em qualquer etapa do processo de seleção dos estudos, estas serão resolvidas por meio de discussão ou, se necessário, com a mediação de um terceiro avaliador. Os revisores devem apenas avaliar referências no idioma em que são fluentes e, independentemente do tamanho da equipe, cada referência deve ser incluída por pelo menos dois revisores independentes e os conflitos podem ser resolvidos por meio de discussão ou com a contribuição de um terceiro revisor. Um teste piloto no processo de triagem para ajudar a alinhar a equipe de revisores pode ser benéfico e, portanto, deve ser considerado. No processo de seleção, os registros serão inicialmente triados com base no título e resumo (primeira fase de seleção). Em seguida, os registros incluídos nesta etapa passarão por uma segunda seleção após a análise dos textos completos. É essencial que as razões que levaram à exclusão dos registros sejam registradas e documentadas durante a revisão dos textos completos. Essas informações devem ser incluídas no manuscrito final da revisão de escopo, seguindo as diretrizes recomendadas pelo PRISMA-ScR(21).
Passo 7. Avaliação da qualidade (se aplicável)
A avaliação da qualidade não é uma parte obrigatória da revisão de escopo, mas se for relevante para os conceitos sendo investigados, ela pode ser incluída e justificada. O processo de avaliação da qualidade envolve uma avaliação abrangente da robustez metodológica e da confiabilidade dos estudos incorporados na revisão10. Esta avaliação é importante para verificar a confiabilidade dos achados da revisão. Existem várias fontes de avaliação crítica (por exemplo, CASP e JBI) e os autores devem selecionar a ferramenta a ser usada de acordo com os tipos de estudos incluídos e o objetivo da revisão. Como as revisões de escopo podem incluir uma ampla gama de literatura, é importante selecionar ferramentas que permitam avaliar as diferentes metodologias incluídas na revisão. Métodos de avaliação da qualidade podem ajudar a aumentar a credibilidade e validade das revisões, garantindo que os estudos incluídos contribuam efetivamente para a questão de pesquisa e identificando quaisquer limitações ou vieses potenciais que possam influenciar os resultados e interpretações da revisão.
Passo 8. Extração de dados
Uma vez concluído o processo de seleção de dados e selecionados os artigos relevantes para os propósitos da revisão de escopo, os autores devem realizar o processo de extração de dados. A extração de dados será baseada na ferramenta de extração de dados que foi elaborada para o protocolo da revisão de escopo e pode ser adaptada com base em quaisquer mudanças ao longo do processo. O formulário deve ser testado em um piloto para permitir que os revisores avaliem sua relevância e forneçam feedback para melhorar o processo de extração de informações. É recomendável testar pelo menos uma cópia de cada tipo de fonte de evidência, cobrindo pesquisas originais, revisões, artigos editoriais, peças de opinião e literatura cinzenta. Durante o teste piloto, os revisores devem considerar se o formulário de extração contém omissões, redundâncias ou falta de clareza, bem como a eficiência do processo de extração. Essas informações ajudam a alocar tempo adicional, se necessário(28). Como as revisões de escopo são um processo iterativo, modificações e adaptações podem ser feitas desde que sejam relatadas e justificadas. Idealmente, o processo de extração de dados será realizado por dois revisores independentes e triangulado para garantir a consistência no processo de extração. Quaisquer discordâncias entre os revisores podem ser resolvidas por meio de discussão ou, quando necessário, com a intervenção de um terceiro revisor imparcial. No entanto, quando recursos não estão disponíveis, os autores podem justificar o processo de extração de dados único; ainda assim, o processo de verificação por pares e o teste piloto da ferramenta são fortemente recomendados nesses casos. Por fim, os autores das fontes de dados podem ser contatados para solicitar informações adicionais ou ausentes, se necessário.
Passo 9. Análise dos dados
A análise de dados em revisões de escopo abrange abordagens quantitativas e qualitativas. A análise quantitativa envolve principalmente a contagem numérica direta para caracterizar os atributos coletivos dos estudos. Por outro lado, a análise qualitativa serve para fornecer um relato narrativo das principais descobertas. Vale ressaltar que os autores podem optar por empregar uma metodologia de análise qualitativa mais abrangente. No entanto, de acordo com as diretrizes estabelecidas, a abordagem de análise de conteúdo é o único método de análise qualitativa aceito para revisões de escopo, pois está mais alinhada com os objetivos dos estudos de revisão de escopo.
Os dados extraídos devem ser analisados e apresentados utilizando métodos apropriados para responder à questão de pesquisa. Um desafio comum observado em revisões sistemáticas é garantir que o mesmo conjunto de dados não seja duplicado em vários estudos. Em revisões de escopo, esse desafio pode surgir devido a vários motivos, como a inclusão tanto do estudo de revisão quanto dos artigos primários, o que pode resultar em uma possível sobreposição de dados. Embora não existam diretrizes formais específicas para abordar essa questão em revisões de escopo, os autores devem estar cientes desse risco e tomar medidas para evitar a contagem repetida dos mesmos conjuntos de dados provenientes de diferentes fontes28.
Em alguns casos, os autores podem optar por incluir a síntese de evidências em suas revisões de escopo, com o objetivo de mapear as evidências disponíveis e relatar o número de sínteses de evidências mapeadas. Nesse contexto, as diretrizes estabelecidas para revisões sistemáticas e revisões de guarda-chuva podem ser aplicadas. No entanto, é fundamental que os autores de revisões de escopo forneçam uma descrição clara no relatório final, especificando quais outras fontes de evidências primárias foram incorporadas na síntese de evidências. O relatório final da revisão de escopo deve explicar de forma transparente como diferentes tipos de sínteses de evidências foram tratados ao longo da revisão e quais dados foram extraídos delas, além de esclarecer a abordagem dos estudos primários, quando aplicável28.
Passo 10. Relatório dos resultados: manuscrito
Após a realização da extração e análise dos dados, o último passo será a organização dos dados e a apresentação de um resumo dos relatórios em formato de manuscrito. O manuscrito da revisão de escopo incluirá todas as categorias previamente exploradas no protocolo da revisão de escopo (passo 4); no entanto, uma seção para descrever os resultados, discussão, limitações e conclusões será adicionada. O manuscrito final deve relatar, se aplicável, quaisquer mudanças e desvios do protocolo da revisão de escopo, juntamente com uma justificativa para isso. A descrição dos resultados da revisão de escopo deve incluir o processo de seleção das fontes (por exemplo, PRISMA-ScR), características da literatura incluída, descrição geral das fontes incluídas e achados da revisão. A apresentação dos resultados em uma revisão de escopo deve ser estratégica, adaptada aos objetivos da revisão. Isso pode envolver a organização das descobertas de maneira lógica por meio de tabelas, gráficos ou formatos descritivos, cada um personalizado conforme a natureza da pesquisa. Tabelas e gráficos podem exibir dados, como distribuição das fontes por ano de publicação, país de origem, áreas de intervenção e métodos de pesquisa. Os resultados podem ser resumidos em mapas ou estruturas, ou apresentados de forma narrativa, dependendo do método mais eficaz para comunicar as descobertas. É essencial resumir as principais descobertas e relacioná-las às questões e objetivos originais da revisão. Além disso, alinhar os achados gerais com as necessidades de informação dos stakeholders relevantes, incluindo formuladores de políticas, profissionais de saúde e pacientes ou consumidores, é de extrema importância. Por fim, materiais suplementares podem ser usados para incluir uma tabela com a razão para exclusão de referências na triagem de texto completo.
CONCLUSÃO
No vasto panorama das publicações científicas relacionadas à saúde, o papel dos pesquisadores de enfermagem na realização de revisões de escopo de alta qualidade não pode ser subestimado. O aumento contínuo da literatura científica sinaliza progresso na exploração científica, mas também apresenta desafios. Usuários do conhecimento, incluindo clínicos, formuladores de políticas e partes interessadas, muitas vezes ficam sobrecarregados pelo grande volume de informações disponíveis. A lacuna desafiadora entre a geração de evidências e sua incorporação nas práticas clínicas pode persistir por anos. Para preencher essa lacuna, os pesquisadores de enfermagem desempenham um papel fundamental na condução de revisões de escopo como ferramentas valiosas para informar agendas de pesquisa e orientar políticas e práticas.
As revisões de escopo ganharam credibilidade e popularidade entre os pesquisadores de saúde, especialmente em campos emergentes. Elas geralmente adotam uma epistemologia subjetivista para mapear de forma abrangente a literatura existente sobre um assunto específico. No entanto, é imperativo empregar um quadro metodológico robusto para garantir a confiabilidade, rigor, transparência, replicabilidade e qualidade geral da revisão de escopo. Pesquisadores de enfermagem desempenham um papel de fundamental importância na realização de revisões de escopo de alta qualidade, que são ferramentas essenciais para navegar pela riqueza de informações disponíveis e fechar a lacuna de tradução do conhecimento. Seguindo protocolos rigorosos e diretrizes de relato, os pesquisadores de enfermagem podem contribuir significativamente para informar práticas clínicas, orientar formuladores de políticas, envolver partes interessadas e inspirar futuros pesquisadores na busca de cuidados de saúde baseados em evidências. Este estudo enfatiza a importância de uma abordagem sistemática e rigorosa, destacando a necessidade de seguir uma estrutura de 10 passos proposto para a realização de revisões de escopo.
Essa estrutura fornece clareza e orientação para os pesquisadores de enfermagem, desde a formulação de perguntas de pesquisa até a análise e apresentação dos resultados. Em um cenário de saúde em constante evolução, a relevância e o impacto das revisões de escopo não podem ser subestimados, tornando-se uma responsabilidade crítica para os pesquisadores de enfermagem garantir sua qualidade e eficácia no avanço dos cuidados baseados em evidências. Além de fornecer orientações práticas para a realização de revisões de escopo, este manuscrito destaca as implicações mais amplas de suas descobertas. Ao promover transparência, confiabilidade e adesão às diretrizes de relato, ele não apenas aprimora a prática de enfermagem baseada em evidências, mas também facilita a tradução do conhecimento e informa as direções de futuras pesquisas, enriquecendo, em última análise, o discurso em torno das metodologias de revisão de escopo na pesquisa em enfermagem.
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