RESUMO
Objetivo: Compreender o processo de construção do pensamento social sobre vulnerabilidade e enfrentamento por trabalhadoras sexuais.
Método: Estudo descritivo e qualitativo, apoiado na Teoria das Representações Sociais, desenvolvido com 43 trabalhadoras sexuais, na região Sudoeste da Bahia, Brasil, entre os meses de novembro de 2022 e janeiro de 2023. As respostas foram analisadas com o auxílio do software IRAMUTEQ para Classificação Hierárquica Descendente.
Resultados: Foram evidenciadas seis classes temáticas que revelaram como elas constroem as representações sociais acerca da vulnerabilidade, a partir de problemas cotidianos verificado nas palavras: desemprego, necessidades, pobreza, violência e medo da rua; falta de direitos, cidadania e ausência do Estado. Por sua vez, o enfrentamento se baseia no entendimento sobre práticas preventivas de adoecimento e cuidados com o corpo, assim como nos benefícios adquiridos com o dinheiro oriundo do serviço sexual: sustento, autonomia, liberdade e independência.
Conclusão: O pensamento social, presente nas representações sociais da vulnerabilidade, remete às dificuldades enfrentadas pelas mulheres no contexto do serviço sexual. As formas de enfrentamento estão ancoradas nas atitudes e comportamentos que visam a proteção e manutenção da saúde. Tais achados poderão contribuir para que profissionais e serviços repensem a promoção do cuidado, com um olhar congruente e interseccional, focado nas demandas de grupos populacionais vulneráveis.
DESCRITORES:
Profissionais do Sexo; Saúde da Mulher; Vulnerabilidade social; Adaptação Psicológica; Representação Social; Enfermagem; Estigma Social
ABSTRACT
Objective: To understand the process of constructing social thought on vulnerability and coping mechanisms among female sex workers.
Method: This descriptive and qualitative study, based on the Theory of Social Representations (TSR), was conducted with 43 female sex workers in the Southwest region of Bahia, Brazil, between November 2022 and January 2023. The responses were analyzed with the aid of software IRAMUTEQ for Descending Hierarchical Classification.
Results: Six thematic categories were identified, revealing how these groups construct social representations of vulnerability, based on everyday problems found through the words: unemployment, needs, poverty, violence, and fear of the streets; lack of rights, citizenship, and absence of the State. In turn, coping is based on understanding preventive practices against illness and body care, as well as the benefits gained from the money derived from sex work: sustenance, autonomy, freedom, and independence.
Conclusion: Social thought, present in social representations of vulnerability, refers to the difficulties faced by women in the context of sex work. Coping strategies are rooted in attitudes and behaviors aimed at protecting and maintaining health. These findings may contribute to professionals and services rethinking the promotion of care, with a congruent and intersectional perspective, focused on the needs of vulnerable population groups.
DESCRIPTORS:
Female Sex Workers; Women's Health; Social vulnerability; Psychological Adaptation; Social Representation; Nursing; Social stigma
RESUMEN
Objetivo: Comprender el proceso de construcción del pensamiento social sobre la vulnerabilidad y los mecanismos de afrontamiento entre las trabajadoras sexuales.
Método: Se trata de un estudio descriptivo y cualitativo, basado en la Teoría de las Representaciones Sociales, realizado con 43 trabajadoras sexuales de la región Suroeste de Bahía, Brasil, entre noviembre de 2022 y enero de 2023. Las respuestas fueron analizadas con la ayuda de software IRAMUTEQ para Clasificación Jerárquica Descendente.
Resultados: Se identificaron seis categorías temáticas, que revelan cómo estos grupos construyen representaciones sociales de la vulnerabilidad, a partir de problemáticas cotidianas identificadas a través de las palabras: desempleo, carencias, pobreza, violencia y miedo a las calles; falta de derechos, ciudadanía y ausencia del Estado. A su vez, el enfoque se basa en comprender las prácticas preventivas ante la enfermedad y el cuidado del cuerpo, así como los beneficios que se obtienen del dinero derivado del trabajo sexual: sustento, autonomía, libertad e independencia.
Conclusión: El pensamiento social, presente en las representaciones sociales de la vulnerabilidad, refiere a las dificultades que enfrentan las mujeres en el contexto del trabajo sexual. Las estrategias de afrontamiento se basan en actitudes y comportamientos destinados a proteger y mantener la salud. Estos hallazgos pueden contribuir a que los profesionales y servicios repiensen la promoción del cuidado, con una perspectiva congruente e interseccional, centrada en las necesidades de los grupos poblacionales vulnerables.
DESCRIPTORES:
Trabajadores sexuales; Salud de la mujer; Vulnerabilidad social; Adaptación psicológica; Representación social; Enfermería; Estigma social
INTRODUÇÃO
O serviço sexual, exercido por mulher cisgênero, ao longo da história, tem se desenvolvido em paralelo à conformação da sociedade e dos núcleos familiares tradicionais, sendo marginalizado e invisibilizado, em decorrência da sexualidade e prática sexual voltadas ao matrimônio e procriação, bem como para satisfação de homens1-3. O serviço sexual é marcado por estigmas, pois além de envolver a sexualidade feminina e evocar o prazer feminino, as práticas sexuais são tidas como instrumento de trabalho de mulheres que rompem com o determinismo sociocultural do ser mulher3-4.
Ao negociar o serviço nos mais variados ambientes, mas sobretudo na rua e espaços públicos, tais mulheres encontram-se expostas a diversão situações de vulnerabilidade mantidas por Estados e Governos, como as diversas formas de violência de gênero, a inexistência de regulamentação da profissão, ausência de seguridade social, dificuldades em acessar os serviços de saúde e manutenção do estigma e preconceito institucional nos mais diversos setores, transversalizado com interseccionalidades que ampliam as iniquidades sociais (gênero, raça/cor e classe social)5-7.
Países subdesenvolvidos, como asiáticos (Índia)8, africanos9, latino-americanos como a Colômbia10 e, nesse estudo em específico, o Brasil (com desigualdades sociais marcantes)11 têm adotado, por meio de seus governantes, estratégias duvidosas e destoantes de proteção e formulação de políticas públicas, diferentes daquelas regulamentadas pela Organização Mundial de Saúde, para redução das mazelas e situações vulnerabilizadoras6,12.
A prática sexual remunerada no Brasil e em outros países como Itália, França e Finlândia, tem sido conceituada como um continuum sobre as relações estabelecidas pela troca econômica-prazer/sexual1,4,13. A delimitação do tempo, do tipo de serviço e a negociação da remuneração, levam-nas ao rompimento do status quo, pois, ainda que muitas são exploradas, outras tantas são responsáveis diretamente pelo serviço sexual que oferecem, fundamentando-se na troca econômico-sexual11,14-15.
Como alternativa à falta de proteção do Estado, as trabalhadoras sexuais necessitam estabelecer formas de enfrentamento, como modo de superar as adversidades: exploração, abusos, violência, o medo e a angústia em não conseguir dinheiro2.
Salienta-se que a vulnerabilidade tem tido um conceito amplo que se distancia das características de grupos de risco e é vista como um conjunto de fatores biológicos, epidemiológicos, sociais e culturais que podem ampliar ou reduzir a exposição ou a proteção de um determinado grupo diante de uma doença, condição ou dano5.
O enfrentamento ou coping, tem sido entendido a partir da noção de mecanismos ou estratégias cognitivas e comportamentais (adaptações psicológicas), as quais são usadas, por pessoas ou grupos sociais, para lidar com a exposição aos agravos ou situações que são potenciais causadoras de danos. Desse modo, são recursos subjetivos (ou nem tanto) que se evidenciam quando as pessoas não têm à sua disposição meios rotineiros ou automáticos, possibilitados de sobremaneira com a presença do Estado, para superar as situações que tornam-nas vulneráveis16-17.
O aprofundamento desse estudo torna-se relevante, do ponto de vista para aprofundamento do conhecimento científico, pois há uma lacuna teórica que transversalisa o marco teórico da vulnerabilidade com o serviço sexual a partir das RS. Além de fortalecer para o alcance de alguns objetivos do Desenvolvimento Sustentável, estabelecido pela Organização da Nações Unidas (ONU), com vistas no impacto social de grupos sociais vulneráveis: saúde e bem-estar, erradicação da pobreza, igualdade de gênero, trabalho descente e crescimento econômico e redução das desigualdades4,7.
Dessa forma, este estudo tem a possibilidade de apontar caminhos para que profissionais e serviços (não apenas os da enfermagem) repensem os cuidados dispensados às mulheres trabalhadoras sexuais, focados nas necessidades, demandas e entendimentos delas, de forma a contribuir para uma prática profissional congruente à promoção do cuidado, autocuidado e enfretamento, para além do tratamento e prevenção de ISTs, possibilitando uma assistência efetiva, individualizada, pautada no incentivo ao bem-estar, qualidade de vida e superação de condições vulnerabilizadoras.
Outrossim, traçou-se como questão norteadora: qual o pensamento social construído por trabalhadoras sexuais acerca da vulnerabilidade e enfrentamento no exercício do serviço sexual? Por sua vez, objetivou-se compreender o processo de construção do pensamento social sobre vulnerabilidade e enfrentamento por trabalhadoras sexuais.
MÉTODO
Trata-se de um estudo descritivo e qualitativo, fundamentado na Teoria das Representações Sociais em sua perspectiva processual18-19. A abordagem processual traz em seu constructo o entendimento de que as representações sociais é um conhecimento pautado na prática diária, e, portanto, no senso comum, no qual o objeto e o sujeito, que o representa, são conectados e construídos por meio de processos mentais que se desenvolvem com ideias e significados armazenados no inconsciente, na memória e pensamento social19-20. Tais processos são denominados de objetivação e ancoragem, que dão forma, realismo, conceitos e classificações, transformando o não familiar em familiar, o desconhecido em conhecido, o senso comum em ciência18-21.
O local de desenvolvimento do Estudo foi na Região Sudoeste da Bahia, nas cinco maiores cidades e mais populosas, que abrangem grande parte do semiárido baiano, na rota da BR-116 e o Sertão Produtivo Baiano: Vitória da Conquista, Jequié, Guanambi, Bom Jesus da Lapa e Brumado. Para se chegar até o grupo social investigado, partiu-se das informações oriundas de um projeto de Extensão desenvolvido pelo pesquisador principal no Munícipio de Guanambi-BA, junto ao Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) para ISTs/Aids com as trabalhadoras sexuais e, a partir daí, as mulheres iam indicando as demais. Nesse sentido, os locais de desenvolvimento da pesquisa foram nos vários estabelecimentos que as trabalhadoras utilizavam para negociar o serviço com os clientes: feiras-livre, bares, restaurantes, pensões, pousadas e nos postos de combustíveis à beira da BR-116 nas cidades de Vitória da Conquista e Jequié.
Adotou-se como critérios de inclusão ter idade maior que 18 anos e estar inserida no serviço sexual há pelo menos 01 ano (visto que, a experiência possibilita à maior uma visão mais ampliada do serviço sexual). Deve ser posto que não houve determinação prévia de quantas mulheres dentre as cinco cidades que compuseram o universo de pesquisa, deveriam participar, pois era mediante o aceite do convite e uma indicando a outra pelo critério de seleção e recrutamento de participantes determinado de Bola de Neve (snowball), sendo uma técnica de recrutamento de participantes16.
Apesar da snowball dispensar o uso de critérios de exclusão, adotou-se como determinante para excluir as participantes, aquelas que não responderam às perguntas em sua completude e se recusaram a continuar na entrevista, sendo dispensadas 09 entrevistadas. Participaram, a priori, 52 mulheres que desempenhavam o serviço sexual remunerado, tendo na amostra final 43 mulheres. A quantidade de trabalhadoras sexuais de cada uma das cinco cidades que responderam a entrevista foi próxima: Guanambi (09), Bom Jesus da Lapa (08), Brumado (06), Vitória da Conquista (11) e Jequié (09).
A coleta de informações, foi realizada por dois dos pesquisadores responsáveis pelo estudo (um do sexo masculino e outra do sexo feminino, ambos com experiência de pesquisa quali-quantitativa, projeto de extensão e publicações na área sobre serviço sexual); ocorreu individualmente (sem outras pessoas ao redor, com intuito de evitar ruídos e interferências ou contaminar as respostas) entre os meses de novembro de 2022 a janeiro de 2023, em espaços indicados pelas próprias trabalhadoras, considerados confortáveis e adequados para elas.
Utilizou-se um questionário com o intuito de proceder com a caracterização sociodemográfica das participantes e um roteiro composto de quatro perguntas que guiou a Entrevista em Profundidade: “Gostaria que você pudesse falar livremente sobre o que você pensa ser vulnerabilidade e estar vulnerável no trabalho sexual?”; “Na sua forma de pensar, quais fatores podem favorecer sua exposição no trabalho sexual, tornando você mais vulnerável”; “Na sua forma de pensar, quais fatores que podem facilitar o exercício do trabalho sexual com segurança e proteção?”; “Fale-me sobre as ações e estratégias utilizadas sobre as normas e condutas utilizadas por você(s) para enfrentar as adversidades e cuidar de si mesma e das colegas”.
As entrevistas desenvolvidas com as participantes, tiveram duração média de cerca de 25 minutos cada. As respostas foram gravadas em um aparelho celular, em seguida transcritas na íntegra no Software Microsoft Word 2016. As transcrições das falas foram feitas pelos autores, no mesmo dia em que as entrevistas eram concluídas.
Após a transcrição e organização das informações no banco de dados (corpus textual), as respostas foram processadas no software Interface de R pour lês Analyses Multidimensionnelles de Textes et de Questionnaires (IRAMUTEQ), que realiza a análise de conteúdo semântico-lexical, conforme as seguintes etapas: decodificação dos signos; identificação das convergências e divergências semântico-lexical nos conteúdos presentes nas falas; classificação dos códigos e unidades de texto; decodificação dos elementos que possuíam semelhança lexical e semântica para delimitação das classes, cujas palavras mais importantes apresentam os maiores valores de qui-quadrado (x²)22.
Na sequência, com a conformação das classes, procedeu-se com a análise pelo método da Classificação Hierárquica Descendente (CHD), a partir do Dendrograma de Classes22. Posteriormente, foram desenvolvidos 02 quadros sinópticos com a síntese do tema das classes presentes na CHD e seus respectivos segmentos de texto (ST), ou seja, trechos das falas, que dão características as classes e sentido as palavras/léxicos.
As técnicas de análise semântico-lexical dão sentido crítico às comunicações, aos respectivos significados que cada palavra possui dentro do contexto de uma frase ou narrativa, sejam explícitos ou ocultos, mas que favorecem a Classificação Hierárquica Descendente (CHD)21.
Em todas as etapas de operacionalização da pesquisa, os autores cumpriram as normas e critérios de rigor da qualidade, ao guiarem-se pelas diretrizes do Consolidated Criteria for Reporting Qualitative Research (COREQ). O estudo esteve vinculado aos resultados de uma tese, oriunda de um projeto guarda-chuva, sendo submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, a partir da plataforma Brasil. Foi aplicado o termo de consentimento livre e esclarecido antes das entrevistas.
A fim de garantir o anonimato das participantes e preservar as identidades de cada uma, adotou-se códigos para nomeá-las: as letras ‘TS’, seguida de um número (exemplo: TS. 01).
RESULTADOS
Quanto a caracterização das 43 entrevistadas, segundo as variáveis utilizadas para processamento das narrativas, que após serem transcritas na íntegra, se constituíram em corpus textual para processamento no software IRAMUTEQ, tem-se: a raça/cor autodeclarada, 58% eram pardas ou pretas; no quesito religião houve predominância de 79% mulheres que apresentam ter uma fé cristã (católicas ou evangélicas), todavia chama-se atenção ao fato de que apenas 21% assumiram seguir o espiritismo, a umbanda ou o candomblé. O nível de escolaridade evidenciou que 35% tinha cursado apenas o ensino fundamental e 32% ensino médio, numa soma total de 67% delas com baixo nível de escolaridade.
Quanto ao tempo de inserção no serviço sexual, a maioria tinha o tempo mínimo de um ano de experiência: 46,5% entre um ano e cinco anos, além de 42% estarem há mais de 05 anos. Grande parcela dessas mulheres revelou ter uma frequência de 3 a 4 programas semanais 53,4%; e uma frequência diária média de 05 programas 49%. Sobre a adesão ao uso de preservativos nas relações com os clientes, percebeu-se que 79% faziam o uso sempre; todavia esse percentual cai quando se tratam dos parceiros fixo ou pelos homens por quem elas desenvolvem algum afeto, às vezes 43% ou raramente 38% e sempre faz uso 14%.
Para composição e apresentação final do Dendrograma (Figura 1), foi desenvolvido previamente um corpus textual que contou com 43 textos, oriundos das entrevistas ou Unidade de Contexto Inicial (UCI), que conformou 1734 segmentos de texto (ST) ou unidades de contexto elementares (UCE), com retenção de 74,14% de aproveitamento dos ST, visto que ultrapassou o índice mínimo necessário para aproveitamento (70%)21.
Dendrograma de Classes para Classificação Hierárquica Descendente que conformam o ‘Pensamento social de trabalhadoras sexuais sobre vulnerabilidade e estratégias de enfrentamento’. Região Sudoeste, BA, Brasil, 2022-2023. (n= 43)
A análise de conteúdo lexical inicial, fornecida pela CHD, mostrou a categorização de 06 classes, dispostas em dois grandes eixos no desenho final do Dendrograma (Figura 1): o primeiro eixo tem duas ramificações em que há a classe 01 (16,3%), separada das classes 05 (18,6%) e 02 (13,9%) que estão dispostas unidas; por sua vez, o segundo eixo, também com mais duas ramificações, é composto pela classe 06 (16,3%), que está isolada das classes 04 (16,3%) e 03 (18,6%), as quais ficaram atreladas.
Nota-se que o conteúdo das classes (Figura 1) não faz oposição umas às outras, mas demonstram complementaridade, o que possibilita inferir uma consonância do grupo de pertencimento que contribuíram para a formação das Representações Sociais, logo o fator local/cidade de residência/procedência não se revela como um viés, mas reforça as ideias presentes no pensamento social das trabalhadoras sexuais.
O Dendrograma e mostra a composição gráfica da CHD, na qual as seis Classes se apresentaram divididas em duas ramificações do corpus total analisado. Enquanto as duas grandes repartições foram nomeadas conforme o sentido que a sintaxe e a semântica dos léxicos possuíam nas classes que a compuseram, as classes receberam os títulos com trechos das narrativas, ou seja, das UCE que traduziam os significados das palavras para formação das RS.
Ao destrinchar formação esquemática do Dendrograma, vê-se a primeira repartição, na (Figura 1), nomeada conforme o contexto temático é ‘Vulnerabilidades marcadas por exposição aos problemas e a necessidade de ter formas de cuidado (de si) para manter o corpo saudável’, que comporta três classes, organizadas com seus respectivos segmentos de texto (ST) no Quadro 1 (sinóptico): classe 1 (“Temos diversos problemas: tanto nós temos que nos cuidar e os políticos tem que olhar por nós”), classe 5 (“Estamos vulneráveis por termos os direitos negados e porque o trabalho nos coloca em risco”) e classe 2 (“Nos cuidamos para não faltar clientes, pois precisamos de dinheiro para as nossas necessidades”).
Quadro sinóptico, com a síntese das classes que compõem a primeira repartição do Dendrograma e seus respectivos segmentos de texto que a caracterizam. Região Sudoeste, BA, Brasil, 2022-2023. (n=43)
A segunda grande classe, também observada na (Figura 1), foi intitulada por “Estar vulnerável por consequência do contexto de vida, da sociedade e do desamparo do Estado frente às formas de enfrentamento pessoais que são adotadas”, seguindo os critérios de nomeação, que foi expressar os sentidos presentes no conteúdo semântico dos léxicos em suas UCE e respectivas classes, também organizadas no Quadro 2 (também, sinóptico). Teve sua formação fundamentada em três classes: 6 (“São diversas situações que nos deixam vulneráveis, mas a rua e sociedade me dá medo”), 4 (“Todas enfrentamos os riscos desse trabalho, se protegendo, porque ninguém olha por nós”) e 3 (“Estou na rua e nesse trabalho porque preciso, mesmo com os perigos e o preconceito”).
Quadro sinóptico, com a síntese das classes que compõem a segunda repartição do Dendrograma e seus respectivos segmentos de texto que a caracterizam. Região Sudoeste, BA, Brasil, 2022-2023. (n=43)
DISCUSSÃO
Quanto ao perfil, há predomínio de mulheres negras, seguidoras de alguma religião cristã (predominante no Brasil e com um discurso de fácil convencimento). Ou seja, sugere-se que as iniquidades sociais que marcam quaisquer mulheres no Brasil, na América Latina e no mundo, de um modo geral, são as mesmas que assolam as trabalhadoras sexuais e as fazem compor a base da pirâmide social, visto que as iniquidades interseccionais de classe, raça e gênero, interferem diretamente nas condições de vulnerabilidades2,8,10-11.
A TRS enseja na homogeneidade do grupo de pertencimento para a formação das RS, ainda que haja alguns dissensos sobre determinado fenômeno, em decorrências dos contextos. Todavia, pela sintonia com a realidade concreta evidencia-se um conteúdo representacional com pensamento social uniforme, que remete as dimensões subjetiva, afetiva, cultural e comportamental do ser humanos construídas de forma interindividual e intergrupal 3,18.
Ao pensar que o grupo social aqui estudado apresenta consonância nas RS, que independe da localidade ou procedência, sugere-se que as situações as quais são/estão expostas diariamente no serviço sexual, incide no consenso representacional. Até porque, as RS funcionam enquanto pensamentos ou ideias, oriundas do senso comum, das vivências de pessoas pertencentes a um grupo social,19-20.
Os resultados apresentados do perfil das trabalhadoras sexuais desse presente estudo coadunam com estudos anteriores3,10-12. Em pesquisas desenvolvidas com trabalhadoras sexuais tanto da Índia, quanto na Colômbia e na região Sul do Brasil, foi evidenciado que elas estavam na base da pirâmide social, com baixo nível escolaridade8,10-11. Outros estudos corroboram com os resultados aqui apresentados, que embora essas mulheres compõem um grupo de vulnerabilidade às IST/AIDS, ao longo de décadas de foco das políticas públicas, é perceptível a eficácia de estratégias de educação para promoção à saúde sexual e prevenção às IST, o que faz com muitas delas tenham adesão ao uso de preservativo e de anticoncepcional hormonal8,23-24, a exemplo do ocorre com trabalhadoras sexuais no Alto Sertão Produtivo Baiano, Brasil3,23.
Ainda na primeira repartição da CHD, nota-se que o pensamento social está ancorado em situações do contexto de vida que levam-nas a exercer o serviço sexual (problemas, desemprego, desespero, necessidade, pobreza e família), questões envolvendo o cotidiano do serviços sexual e falta de proteção do estado que as tornam expostas e, consequentemente vulneráveis (falta de direitos, cidadania e de acesso aos benefícios), ações de (auto)cuidado para enfrentamento de agravos que as coloquem em risco de adoecimento (teste-rápido, não beijar na boca, cuidado do corpo, sexo seguro, CTA, cuidar da saúde, exames, conhecimento e não confiar) e os ‘benefícios’ que elas consideram advir do serviço sexual (autonomia, liberdade, independência, futuro e qualidade de vida).
Tem-se posto que os significados da vulnerabilidade apresentados pelas trabalhadoras sexuais vão ao encontro de resultados de estudos anteriores, pois são marcas presentes no cotidiano do serviço: medo violência, pobreza, dificuldade de acesso a serviços públicos, desamparo do Estado), ainda mais que se intensificam com as interseccionalidades de classe, raça e gênero1,3,6,11.
As práticas de proteção desenvolvidas por elas e os pontos positivos que elas enxergam no exercício do serviço sexual, podem estar ancorados ao dinheiro obtido e ao fato delas serem suas ‘próprias patroas’ e determinarem como será o serviço, assim como negociar diretamente com os clientes1,3,13. Além disso, a necessidade de enfrentar sozinhas, com pouca ou nenhuma rede de apoio, a insegurança da rua, sugere que algumas se sintam livres e donas de si1,6,11,14.
Apesar da marginalização imposta na sociedade ao serviço sexual, diversas trabalhadoras sexuais têm nesse labor uma condição de trabalho, visto que é o meio para conquista da independência financeira, subsistência própria e de familiares, autonomia e realização pessoal, a exemplo do que ocorre na França, Finlândia, Índia e Brasil1,4,8,11,23. Nesse contexto, muitas delas possuem dificuldades de apoio dos governos para superação de suas demandas e necessidades, precisam de subsídios e proteção de outras instâncias da sociedade, ou até mesmo do sindicato das trabalhadoras do sexo e demais redes de apoio 11,16.
Doutro modo, ao trazerem nas narrativas a expressão não confiar, com conexão ao fato de não terem amigas no serviço, desconfiar das colegas e dos clientes, bem como referir ao conhecimento como forma de enfrentamento, sugere-se que o cuidado de si, na perspectiva ética de cuidado com outro ou não causar dano ao outro, é mínimo, por conta do ambiente de competitividade por clientes e dinheiro. Considera-se também, que a condição individual de luta por sobrevivência que cada uma delas carregam consigo, leva a pensar a falta de cuidado de si, não pelo egoísmo, mas pelas marcas de iniquidades sociais tão presentes na vida delas14.
Como fora pontuado por Michael Foucault14 o cuidado de si, no âmbito filosófico remete as questões éticas nas relações entre as pessoas, ainda mais em se tratando das trabalhadoras do sexo, que estão inseridas num contexto de multirelações (colegas, clientes, donos de bares e quartos e até familiares), dentro do qual precisam ter soberania sobre si mesmas, desde que desenvolvida de forma ética.
Por estarem em uma profissão que necessita diariamente disputar clientes, essa questão ética é posta em xeque, visto que precisam lutar arduamente pela sobrevivência própria quanto por familiares (filhos e parentes) e, muitas vezes, ir de encontro às regras e princípios estipulados por elas próprias, para acessar mais clientes e garantir renda. Sendo assim, é um cuidado de si dúbio, pois desrespeitam o espaço da colega, mas colocam as necessidades pessoais (básicas) em primeiro lugar14-15.
Infere-se que a composição da segunda repartição da CHD vai ao encontro da primeira, na medida em que reforça o processo de ancoragem ao demonstrar o quanto são consensuais e complementares18-19. Ainda que as situações que as tornam vulneráveis no contexto do serviço sexual sejam reforçadas pela insegurança (IST, encontros perigosos, crimes, medo, risco de morte, violência e trabalho perigoso), falta de direitos e manifestações de preconceito (discriminação, preguiçosas, mulher que não presta, religião), bem como a falta de reconhecimento da sociedade e do estado enquanto um ‘trabalho normal’, essas mulheres encontram no serviço sexual formas de se cuidarem e de estarem bem para conquistar clientes, assim como se proteger e minimizar a exposição aos agravos (roupas, higiene pessoal, preservativo, higiene do cliente, anticoncepcional, maturidade, autoestima e cuidado dos filhos).
A religião configura-se num subterfúgio para pessoas de classes econômicas desfavorecidas, pois ocupam um vácuo social deixado pelo Estado e oferecem por meio da fé benevolências em troca de dízimos, do perdão dos pecados e a vida eterna (ainda que o trabalho sexual, seja considerado pecado pelas religiões cristãs)11,16,23.
Tal mecanismo de enfrentamento, denominado por coping religioso/espiritual, se apresenta na medida em que pessoas ou grupos sociais utilizam da fé, espiritualidade ou religiosidade para manejar e superar adversidades e situações estressoras da vida, quando não se é possível ter o apoio de instâncias da sociedade e/ou do Estado25-26. Essa forma de coping remete aos domínios espirituais, comportamentais, cognitivos e interpessoal desenvolvidos pelo ser humano, portanto, inerente ao ser holístico25-26. Além disso, apresenta diversidade na forma de utilização, visto que se modifica de acordo as experiências, significados e representações de cada pessoa e grupo social26.
O cuidado holístico, com foco nas dimensões humanas, dispensado pela enfermagem às pessoas, sobretudo grupos vulneráveis, é fundamental para adoção e atendimento às práticas de enfrentamento e autocuidado, visto que as orientações repassadas de forma simples, clara e objetiva devem ser congruentes à realidade17, nesse caso específico, por diversos motivos, dentre eles o horário de trabalho, o respeito a autonomia e decisões tomadas sobre seus corpos, as demandas psicoemocionais e sociais3,11,13.
Essas questões mostram-se relevantes a TRS e aos significados que emergem do cotidiano no exercício da profissão, estão ligadas aos aspectos das emoções e da psiquê humana, que quando prejudicados acarreta em interferências nas necessidades humanas básicas e, por conseguinte, no cuidado para consigo e do outro, com benefícios diretos para o seu bem-estar e qualidade de vida 14,16-17,26-27.
Nesse sentido, as trabalhadoras sexuais mostraram que a noção de enfrentamento aponta para uma relação direta à adoção de hábitos saudáveis de vida para o alcance da independência, bem-estar e uma avaliação positiva da qualidade de vida16-17. Estudos desenvolvidos na França e no Quênia sinalizaram que grupos de trabalhadoras sexuais adotam estratégias alternativas para a falta de apoio e auxílio do Estado, utilizando do dinheiro para suprir suas necessidades1,24.
O coping remete ao bem-estar e vai além das questões que envolvem o processo de saúde-doença, por englobar fatores distintos como bem-estar psicossocial, saúde mental, autoestima, condição de saúde e, no que concerne a esse grupo de mulheres deve haver redução de estigmas, aceitação da sociedade, bem como outras vertentes que complementa o ser humano, principalmente a aquisição de renda16-17,28.
Outra associação apontada nas narrativas das trabalhadoras sexuais aqui apresentadas foi entre renda/dinheiro e autocuidado. O dinheiro obtido com o trabalho sexual é fundamental para a subsistência, suprimento das demandas básicas e superação das vulnerabilidades as quais se expõem, além de adquirir meios e ações para garantir vida saudável, bem como cuidar do aspecto físico, emocional e espiritual na sua máxima plenitude1,3,13,16,28.
É através desta renda que conseguem acessar o serviço de saúde privado, sem necessariamente expor a profissão, assegurando um atendimento livre de repulsa e estranhamento, já que muitos profissionais que prestam assistência no Sistema Único de Saúde nem sempre as atendem de forma universal, integral e equânime, pois perpetuam estigmas através do preconceito institucional já que, por vezes, os profissionais (enfermeiras, agentes comunitários de saúde, técnicas, dentre outros) conhecem as pessoas que compõem a área adscrita, por exemplo de unidade da Estratégia Saúde da Família3,11.
Essas práticas de cuidado quando promovidas pelas enfermeiras na atenção básica, livre de preconceitos e estigmas, atraem as populações marginalizadas e invisibilizadas pelo Estado para o serviço de saúde e contribuem para adesão ao cuidado dispensado3,12. As trabalhadoras sexuais desse presente estudo, divergem de outras, visto que, em pesquisas recentes foi apontado que grupos socias vulnerabilizados se dirigem cada vez menos aos serviços de saúde, em consequência ao preconceito institucional6,8,24,27.
Levar uma vida saudável, ter saúde e adquirir dinheiro são fatores preponderantes para uma parcela dessas de mulheres e é relacionado intimamente com o seu autocuidado, o respeito com a sua intimidade e o amor-próprio1,3,11,23. Resultados de estudos anteriores demonstraram que adotar ações de prevenção só é possível com a renda1,6,13,28, a exemplo das trabalhadoras sexuais oriundas do continente africano7,9.
Por fim, as RS enquanto elementos que apresentam processos tão variados como a difusão e a assimilação dos conhecimentos, tanto a nível individual e, sobretudo, no coletivo, na definição das identidades pessoais e sociais, na expressão dos grupos populacionais segmentados e nas transformações sociais18,21, são essenciais para elucidar as demandas de saúde (decorrentes das vulnerabilidades) e necessidades de estratégias de coping, pois têm elementos para reconstruí-los e resignificá-los, a fim de possibilitar avanços25-28.
As limitações se aportam, a priori, na sua realização, em uma região carente do nordeste brasileiro e distante dos grandes centros, o que dificulta o avanço dos resultados para outros cenários, tanto no Brasil quanto nos demais países. Tem-se também, dificuldades em se obter estudos que apontassem a relação entre TRS, trabalhadoras sexuais e vulnerabilidade, impondo limites e dificultando a discussão e comparações com outras culturas, realidades e contextos. Como esse trabalho é um desdobramento de um estudo maior, a coleta de dados foi demasiadamente longa, sendo a entrevista a terceira etapa, e aquelas que contribuíram, apresentaram-se cansadas e ansiosas pelo término das entrevistas.
Ao apresentar os resultados desse estudo, dentro do contexto do serviço sexual remunerado e consentido, aprofundado na TRS, ele torna-se relevante e inédito. Desse modo, poderá contribuir para que enfermeiras e demais profissionais, repensem sua práxis ao destinar um cuidado voltado às demandas de grupos populacionais vulneráveis, como as trabalhadoras sexuais, equânime, integral, universal, individual e livre de discriminação.
Assim, poderá minimizar os estigmas e preconceitos, acolhê-las, de forma a confiar no profissional, com instruções e orientações de ações de autocuidado e formas de enfrentamento, sobretudo meios de minimização e superação das vulnerabilidades. Salienta-se que conhecer as RS de grupos estigmatizados, que necessitam de atenção e cuidado no contexto holístico, permitirá que a enfermeira dê atenção aos aspectos biopsicossociais que interferem no processo saúde-doença.
Sugere-se que este referencial seja utilizado para realizar novas pesquisas na esfera do serviço sexual em contextos e realidades distintas, sobretudo no que está relacionado à saúde das mulheres vulneráveis, com intuito em ampliar a rede de cuidado na prática profissional. Desse modo que outros resultados e desfechos, como os de causa e efeito sejam obtidos e, a posteriori, publicizados para a continuidade da promoção à saúde, dignidade e bem-estar das trabalhadoras sexuais.
CONCLUSÃO
Conclui-se que as narrativas que originaram as classes, foram responsáveis pela construção dos significados representacionais que traduzem o pensamento social que as trabalhadoras sexuais atribuíram à vulnerabilidade e às formas de enfrentamento no exercício do serviço sexual remunerado. As RS da vulnerabilidade se ancoraram nos problemas presentes no cotidiano do serviço sexual, objetivados no medo da rua, nas diversas formas de violência, na pobreza, nas necessidades pessoais, na competitividade por clientes, na insegurança e falta de proteção imposta pela negligência do Estado. Já o enfrentamento esteve ancorado em comportamentos, hábitos e atitudes adotados no dia-a-dia do serviço sexual, percebidas nas objetivações associadas ao dinheiro (que proporciona independência, além delas terem autonomia nas negociações), higiene pessoal, cuidados com a saúde para manutenção do corpo saudável, como práticas preventivas de IST/HIV/AIDS (pelo menos com os clientes).
Sugere-se que este referencial seja utilizado para realizar novas pesquisas na esfera do serviço sexual em contextos e realidades distintas, sobretudo no que está relacionado à saúde das mulheres vulneráveis, com intuito em ampliar a rede de cuidado na prática profissional. Desse modo, que outros resultados e desfechos, como os de causa e efeito sejam obtidos e, a posteriori, publicizados para a continuidade da promoção à saúde, dignidade e bem-estar das trabalhadoras sexuais.
AGRADECIMENTO
Às trabalhadoras sexuais, participantes do estudo, bem como Santuzza Alves e Monique Prada, por proporcionar olhares menos estigmatizantes e mais humanizado a esse grupo social.
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NOTAS
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ORIGEM DO ARTIGO
Extraído da Tese - “EU ENFRENTO A RUA PARA SUPRIR MINHAS NECESSIDADES”: sentidos da vulnerabilidade e formas de enfrentamento/cuidado de si atribuídos por trabalhadoras sexuais - apresentada ao Programa de Pós-Graduação Enfermagem e Saúde, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, 2023.
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FINANCIAMENTO
Financiamento próprio
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APROVAÇÃO DE COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA
Aprovado no Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, parecer n. 5.735.368 /2022, Certificado de Apresentação para Apreciação Ética 60984022.9.0000.0055.
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DISPONIBILIZAÇÂO DE DADOS
Os dados que sustentam os resultados deste estudo estão disponíveis mediante solicitação ao correspondente. O conjunto de dados não é de acesso público por conter informações sensíveis que podem comprometer a privacidade e o anonimato das participantes. A pesquisa envolveu mulheres em situação de vulnerabilidade, trabalhadoras sexuais, em sua maioria com narrativas sobre a história de vida com informações confidenciais, principalmente o envolvimento com o uso de substâncias psicoativas ilícitas e situações que envolvem práticas consideradas desviantes da legislação, logo exige cuidados adicionais de confidencialidade conforme as diretrizes éticas em pesquisa com seres humanos. O compartilhamento, quando solicitado, será avaliado conforme critérios éticos e mediante assinatura de termo de confidencialidade, se necessário.
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Os dados que sustentam os resultados deste estudo estão disponíveis mediante solicitação ao correspondente. O conjunto de dados não é de acesso público por conter informações sensíveis que podem comprometer a privacidade e o anonimato das participantes. A pesquisa envolveu mulheres em situação de vulnerabilidade, trabalhadoras sexuais, em sua maioria com narrativas sobre a história de vida com informações confidenciais, principalmente o envolvimento com o uso de substâncias psicoativas ilícitas e situações que envolvem práticas consideradas desviantes da legislação, logo exige cuidados adicionais de confidencialidade conforme as diretrizes éticas em pesquisa com seres humanos. O compartilhamento, quando solicitado, será avaliado conforme critérios éticos e mediante assinatura de termo de confidencialidade, se necessário.


Fonte: Dados da pesquisa.