O artigo apresenta novas perspectivas para a produção do conhecimento histórico no Antropoceno, com base em uma crítica aos limites da história como singular coletivo. Tem por hipótese que a potência da história nos tempos de catástrofe não reside na atualização de categorias abrangentes que produzem pluralidades amorfas, mas na enumeração de uma cartografia de mundos e regimes de historicidade potenciais, que apontam para outros futuros possíveis. Para tanto, em um primeiro momento, o artigo analisa as contribuições da virada ontológica para a formulação de práticas históricas de caráter centrífugo e contra-hegemônico. Em seguida, a partir dos discursos de intelectuais indígenas reunidos pelo projeto Caminhos de Abya Yala, argumenta-se que a incorporação dos princípios da virada ontológica à pesquisa histórica tensiona as fronteiras da história intelectual em direção a formas mais apropriadas de interpretar o vocabulário político dos intelectuais indígenas.
Palavras-chave:
Intelectuais indígenas; Vocabulário político; Antropoceno