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Internacional escravista: a política da Segunda Escravidão

Resumos

O artigo analisa a unificação das experiências políticas dos três grandes espaços escravistas da América do século XIX, Estados Unidos, Cuba e Brasil, após o surgimento da aliança do movimento abolicionista anglo-americano na década de 1830. Descrevendo o quadro político das três regiões, demonstra como elas passaram a reagir ao abolicionismo internacionalista de modo integrado e cooperativo, o que pode ser chamado de "internacional escravista". Examina, por fim, por que essa interação não evoluiu para uma plataforma oficial dos governos envolvidos. Seu desaparecimento ocorreu quando a Guerra Civil norte-americana (1861-65) abalou a escravidão no Brasil e no Império Espanhol.

Estados Unidos; Brasil; Cuba; escravidão; política


The article analyses the unification of the political experiences of the three major nineteenth-century New World slave societies (United States, Cuba, and Brazil) after the rise of the Anglo-American abolitionist alliance in the 1830s. Describing the political framework of those three zones, it shows how they reacted to the Anti-Slavery International abolitionism in an integrated and cooperative way, something that can be called the Proslavery International. Finally, it examines why this interaction has not evolved to an official platform of its respective governments. The Proslavery International disappearance occurred with the impact of the American Civil War (1861-1865) in the Brazilian and the Spanish Empire slave systems.

United States; Brazil; Cuba; slavery; politics


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  • WRIGHT, Antonia Fernanda de Almeida. Desafio americano à preponderância britânica no Brasil, 1808-1850. São Paulo: Cia. Editora Nacional/Brasília: Instituto Nacional do Livro,.1978
  • 1
    {ABREU E LIMA, José Inácio de}. As bíblias falsificadas ou duas respostas ao sr. cônego Joaquim Pinto de Campos pelo christão velho. Recife: Typ. Commercial de G. H. de Mira, 1867, p. 326. A atribuição da obra está identificada em BLAKE, A. V. A. Sacramento. Diccionario Bibliographico Brazileiro. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1898, v. IV, p. 457.
  • 2
    Acerca dos efeitos sobre o tráfico negreiro, ver MURRAY, David. Odious Commerce. Britain, Spainand the Abolition of the Cuban Slave Trade. Cambridge: Cambridge University Press, p. 298-326; da articulação do movimento antiescravista, SCHMIDT-NOWARA, Christopher. Empire and Antislavery: Spain, Cuba, and Puerto Rico, 1833-1874. Pittsburgh: University of Pittsburgh Press, 1999; da primeira guerra de Independência e da Lei Moret, GUERRA Y SÁNCHEZ, Ramiro. Manual de Historia de Cuba (1ª ed: 1938). Havana: Editorial de Ciencias Sociales, 1971, p. 589-590, e SCOTT, Rebecca J. Emancipação escrava em Cuba: a transição para o trabalho livre, 1860-1899 (trad.port.; 1ª ed: 1985). Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1991, p. 65-66.
  • 3
    O primeiro historiador brasileiro do século XX a estabelecer uma relação direta entre a Guerra Civil e a Lei do Ventre Livre foi BANDEIRA, Luiz A. Moniz. Presença dos Estados Unidos no Brasil (1ª ed., 1972). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007, p. 155-161. Outros estudos que a mencionam são CONRAD, Robert. Os últimos anos da escravatura no Brasil, 1850-1888 (tradução portuguesa; 1ª ed.: 1972). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1975, p. 88-100; PENA, Eduardo Spiller. Pajens da casa imperial: jurisconsultos, escravidão e a lei de 1871. Campinas: Ed. Unicamp, 2001; CHALHOUB, Sidney. Machado de Assis, Historiador. São Paulo: Companhia das Letras, 2003, p. 139-142; e SALLES, Ricardo. E o Vale era o escravo: Vassouras, século XIX. Senhores e escravos no coração do Império. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008, p. 79-110.
  • 4
    DRESCHER, Seymour. Abolition: A History of Slavery and Antislavery. Cambridge: Cambridge University Press, 2009, p. 245-411.
  • 5
    TOMICH, Dale. Through the Prism of Slavery: Labor, Capital, and World Economy. Boulder, Co: Rowman & Littlefield, 2004, p. 57.
  • 6
    ARRIGHI, Giovanni. O longo século XX (trad. portuguesa; 1ª ed: 1994). Rio de Janeiro: Contraponto/ São Paulo: Editora Unesp, 1996, p. 47-58.
  • 7
    Sobre os motivos imediatos envolvidos na compra do território da Louisiana, FRY, Joseph A. Dixie looks abroad: The South and U.S. Foreign Relations, 1789-1973. Baton Rouge: Lousiana State University Press, 2002, p. 26-31; para a idéia de "potência imperial", MEINIG, D.W. The Shaping of America. A Geographical Perspective on 500 years of History. Volume II: Continental America, 1800-1867. Yale: Yale University Press, 1993, p. 23.
  • 8
    MASON, Matthew. Slavery and Politics in the Early American Republic. Chapel Hill: The University of North Carolina Press, 2006, p. 87-105.
  • 9
    Idem, p. 177-212.
  • 10
    DAVIS, David Brion. Inhuman Bondage - the Rise and Fall of Slavery in the New World. Oxford: Oxford University Press, 2006, p. 279. O ultimo estudo monográfico da questão é o de FORBES, Robert Pierce. The Missouri Compromise and Its Aftermath. Chapell Hill: The University of North Carolina Press, 2007.
  • 11
    ASHWORTH, John. Slavery, Capitalism, and Politics in the Antebellum Republic. Volume 1. Commerce and Compromise, 1820-1850. Cambridge: Cambridge University Press, 1995, p. 289-437.
  • 12
    Sobre a recepção do abolicionismo britânico nos Estados Unidos, RUGEMER, Edward Bartlett. The Problem of Emancipation. The Caribbean Roots of the American Civil War. Baton Rouge: Louisiana State University Press, 2008, p. 180-221. A respeito das articulações internacionais do abolicionismo, MAYNARD, Douglas H. The World's Anti-Slavery Convention of 1840. The Mississippi Valley Historical Review, v. 47, n. 3, p. 452-471, 1960, e MCDANIEL, William Caleb. Our Country is the World: Radical American Abolitionists Abroad. PhD Thesis. Baltimore: The Johns Hopkins University, 2006, p. 28-105. Para uma análise da Carolina do Sul no período pré-bélico, SINHA, Manisha. The Counter-Revolution of Slavery. Politics and Ideology in Antebellum South Carolina. Chapel Hill: The University of North Carolina Press, 2000.
  • 13
    GREESBERG, Kenneth. Masters and Statesmen. The Political Culture of American Slavery. Baltimore: The Johns Hopkins University Press, 1985, p. 106-123. Na década de 1850, contudo, ganhou força em círculos de proprietários de escravos livre-cambistas a crença na construção de uma harmonia política entre os dois países fundada na dependência econômica recíproca entre os teares da Revolução Industrial e as fibras de algodão dos campos sulistas. Ver SCHOEN, Brian. The Fragile Fabrico f Union: Cotton, Federal Politics, and the Global Origins of the Civil War. Baltimore: The John Hopkins University Press, 2009, p. 197-259.
  • 14
    BERBEL, Márcia, MARQUESE, Rafael & PARRON, Tâmis. Escravidão e política: Brasil e Cuba, c. 1780-1850. São Paulo: Hucitec, 2010.
  • 15
    Annaes do Parlamento Brazileiro: Câmara dos Srs. Deputados (doravante, ACD). Rio de Janeiro: Typ. da Viúva Pinto e Filho, 1884, seção de 17 de julho de 1839, t. II, p. 336-337.
  • 16
    Sobre a confluência entre trabalhadores e livre-cambistas, DRESCHER, Seymour. The Mighty Experiment: Free Labor versus Slavery in British Emancipation. New York: Oxford University Press, 2002, p. 158-178.
  • 17
    O Parlamento francês, contudo, se recusaria a ratificar o Tratado.
  • 18
    MAYNARD, Douglas H. The World's Anti-Slavery Convention of 1840, op. cit.; MCDANIEL, William Caleb. Our Country is the World: Radical American Abolitionists Abroad, op. cit.; MITTON, Steven Heath. The Free World Confronted: the Problem of Slavery and Progress in American Foreign Relations, 1833-1844. PhD Thesis. Baton Rouge: Louisiana State University, 2005; RUGEMER, Edward Bartlett. The Problem of Emancipation. The Caribbean Roots of the American Civil War, op. cit.
  • 19
    HORNE, Gerald. The Deepest South: The United States, Brazil, and the African Slave Trade. New York: New York University Press, 2007; e RUGEMER, Edward B. The Problem of Emancipation, op. cit. Antes, já haviam chamado a atenção para o tema LUZ, Nícia Villela. A Amazônia para os negros americanos. As origens de uma controvérsia internacional. Rio de Janeiro: Saga, 1968, e WRIGHT, Antonia Fernanda de Almeida. Desafio americano à preponderância britânica no Brasil, 1808-1850. São Paulo: Cia. Editora Nacional/Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1978, p. 221-248.
  • 20
    MITTON, Steven H. The Free World Confronted: the Problem of Slavery and Progress in American Foreign Relations, 1833-1844, op. cit., p. 22-55.
  • 21
    Parecer de Villa Urrutia, de 25 de março de 1842, reproduzido em TARDIEU, Jean-Pierre. "Dominar o morir": en torno al reglamento de esclavos de Cuba (1841-1866). Frankfurt: Vervurt; Madrid: Iberoamericana, 2003, p. 257.
  • 22
    ACD, Sessão de 6 de fevereiro de 1843, p. 542-543.
  • 23
    Ver, por exemplo, [PEREIRA da SILVA, J. M.]. Inglaterra e Brasil - tráfego de escravos. Por um Deputado. Rio de Janeiro: Typographia do Brasil, de J. J. da Rocha, 1845; e discursos parlamentares de Bernardo Pereira de Vasconcelos reproduzidos em Anais do Senado (doravante, AS), sessões de 25 a 27 de abril de 1843, p. 346-396. Para o estabelecimento da autoria do primeiro e uma análise do contexto enunciativo do segundo, ver PARRON, Tâmis. A política da escravidão no Império do Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011, p. 208-219 e 223-230.
  • 24
    "Ofícios da missão especial em Londres, 1843, de José de Araújo Ribeiro a Paulino José Soares de Souza, 23 de novembro de 1843 e 28 de dezembro de 1843", Arquivo Histórico do Itamaraty, códice 271/4/6. Ribeiro diz ter encontrado um agente norte-americano vindo de Paris e ex-redator de um jornal em Washington que tinha sido encarregado de discutir sobre a escravidão negra com quem achasse conveniente. Duff Green se encaixa perfeitamente nesse perfil: fora redator do US Telegraph, de Washington, passara uma temporada em Paris e encontrava-se então em Londres, para onde fora enviado, por Abel Uphser, para informar o gabinete norte-americano de qualquer política européia que pudesse afetar a escravidão nos Estados Unidos. A esse respeito, ver MITTON, S. H. The Free World Confronted, op. cit., p. 63-67.
  • 25
    "Instructions to U. S. Ministers", série IV, J. C. Calhoun a Henry Wise, 20 de maio de 1844, apud WRIGHT, Antonia F. P. de A. Desafio americano à preponderância britânica no Brasil, 1808-1850, op. cit., p. 239-241. Grifos originais.
  • 26
    AS, Sessão de 3 de julho de 1845, p. 217.
  • 27
    MARQUES, João Pedro. Os sons do silêncio: o Portugal de Oitocentos e a abolição do tráfico de escravos. Lisboa: Imprensa de Ciências Sociais, 1999.
  • 28
    FEHRENBACHER, Don E. The Slaveholding Republic. An Account of the United States Government's Relations to Slavery (Completed and edited by Ward M. McAfee). Oxford: Oxford University Press, 2001, p. 156-202; MARQUES, Leonardo. A participação norte-americana no tráfico transatlântico de escravos para os Estados Unidos, Cuba e Brasil. História: Questões & Debates, n. 52, p. 87-113, jan./jun.2010.
  • 29
    A esse respeito, ver BERBEL, M., MARQUESE, R. & PARRON, T. Escravidão e política: Brasil e Cuba, c. 1780-1850, op. cit., p. 276-303.
  • 30
    Apud MURRAY, David. Odious Commerce. Britain, Spain and the Abolition of the Cuban Slave Trade, op. cit., p. 230-231.
  • 31
    Ver SLENES, Robert. The Brazilian Internal Slave Trade, 1850-1888: Regional Economies, Slave Experience, and the Politics of a Peculiar Market. In: JOHNSON, Walter (Org.). The Chattel Principle: Internal Slave Trades in the Americas. London: Yale University Press, 2004. p. 325-270.
  • 32
    Cf. PARRON, Tâmis. A política da escravidão no Império do Brasil, op. cit., p. 245-9.
  • 33
    MARQUESE, Rafael de Bivar. Feitores do corpo, missionários da mente. Senhores, letrados e o controle dos escravos nas Américas, 1660-1860. São Paulo: Companhia das Letras, 2004, p. 286-288.
  • 34
    "Extrato de um Parecer da Seção dos Negócios do Império do Conselho de Estado, de 4 de Fevereiro de 1853, sobre um plano para a introdução de colonos no Império", Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), lata 824, doc. 18.
  • 35
    Sobre a especulação fundiária provocada pela expansão das ferrovias, ver SCHOEN, Brian. The Fragile Fabric of Union: Cotton, Federal Politics, and the Global Origins of the Civil War, op. cit., p. 212.
  • 36
    MAY, Robert E. The Southern Dream of a Caribbean Empire, 1854-1861. Gainesville: University Press of Florida, 2002, p. 46-76.
  • 37
    TAKAKI, Ronald T. A Pro-Slavery Crusade. The Agitation to Reopen the African Slave Trade. New York: The Free Press, 1971.
  • 38
    As citações foram, respectivamente, extraídas de ALENCAR, José de. Ao correr da pena. Org. de João Roberto de Faria. São Paulo: Martins Fontes, 2004, p. 336, e de ACD, Sessão de 4 de agosto de 1858, p. 36.
  • 39
    Sobre a Amazônia, LUZ, Nícia V. A Amazônia para os negros; a respeito da Carolina do Sul e Partido Republicano, SINHA, M. The Counter-Revolution of Slavery. Politics and Ideology in Antebellum South Carolina, op. cit., p. 173-180.
  • 40
    Mesmo especialistas que não estão presos à visão paroquial que marca grande parte da historiografia norte-americana sobre a escravidão esposam essa opinião. Joseph Miller, por exemplo, afirma que "os proprietários de escravos dos Estados Unidos foram os únicos senhores [na história da escravidão negra no Novo Mundo] que edificaram uma defesa sistemática da escravidão". Em regiões como o Império do Brasil e a colônia de Cuba, prossegue o raciocínio, não teria ocorrido a elaboração de argumentos que defendessem em bases positivas a instituição. MILLER, Joseph C. Stratégies de marginalité. Une approche historique de l´utilisation des êtres humains et des idéologies de l´esclavage: progéniture, píété, protection personnelle et prestige - produit et profits des propriétaires. In: HENRIQUES, Isabel Castro & SALA-MOLINS, Louis (Orgs.). Déraison, esclavage et droit. Les fondements idéologiques et juridiques de la traite négrière et de l´esclavage. Paris: Éditions Unesco, 2002, p. 126.
  • 41
    A respeito desse problema metodológico, ver o texto seminal de HOPKINS, T. K. The Study of the Capitalist World-Economy: Some Introductory Considerations. In: K.HOPKINS, T. & WALLERSTEIN, I., (Orgs.). World-Systems Analysis. Theory and Methodology. Beverly Hills: Sage Publications, 1982, p. 9-38.
  • 42
    Apud SCHOEN, Brian. The Fragile Fabric of Union: Cotton, Federal Politics, and the Global Origins of the Civil War, op. cit., p. 218.
  • 43
    Sobre a crença no King Cotton e a reconfiguração da rede mundial de abastecimento de algodão, ver, respectivamente, SCHOEN, Brion. The Fragile Fabric of Union: Cotton, Federal Politics, and the Global Origins of the Civil War, op. cit., e BECKERT, Sven. Emancipation and Empire: Reconstructing the Worldwide Web of Cotton Production in the Age of the American Civil War. The American Historical Review, v. 105, n. 5, p. 1405-1438, 2004.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    Jul-Dec 2011
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