O artigo investiga a biblioteca de José Eutrópio (1886-1929), composta por 410 volumes entre livros, revistas, dicionários, catálogos, partituras, discos e fitas de cinema. Homem negro, formado em Direito, dedicou-se ao magistério, jornalismo e teatro de revista em Juiz de Fora, Minas Gerais. Inspirado na Limana, expressão cunhada por Lima Barreto, denomina-se Eutropiana a biblioteca, o consumo de livros e as práticas de leitura elaboradas por José Eutrópio. A análise desse acervo oferece perspectivas de estudo para a história do pensamento intelectual negro no pós-abolição, pois revela traços da personalidade do proprietário, seus interesses e preferências, além de padrões de leitura e consumo de obras e autores. A pesquisa contribui para compreender os mecanismos de produção, circulação e consumo das culturas letradas no início do século XX. Metodologicamente, o artigo baseia-se no inventário post-mortem de José Eutrópio e em sua produção intelectual – crônicas, artigos de opinião e crítica publicados na imprensa. Por fim, o estudo da Eutropiana representa uma oportunidade historiográfica para investigar práticas de leitura de uma geração de intelectuais negros que se formou e atuou politicamente entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX, no contexto do pós-abolição no Brasil.
PALAVRAS-CHAVE:
posse privada de livros; práticas de leitura; pós-abolição
Thumbnail
Fonte: AHJF. Inventário de José Eutrópio, 1929, n.p.