O artigo apresenta uma reflexão sobre autoridade compartilhada, autoria e construção do conhecimento histórico no âmbito do projeto Passados Presentes: patrimônios e memórias negras (africanas e afro-indígenas) em Minas Gerais. A metodologia da pesquisa coletiva se organizou a partir de uma escuta atenta e horizontal da história e da memória dos detentores de patrimônios negros mineiros como quilombos, reinados/congados, jongos e folias de reis, com o objetivo de estabelecer diálogos epistêmicos entre saberes social e culturalmente localizados, ou seja, entre os pesquisadores das universidades participantes e os mestres/detentores dos patrimônios/memórias em foco. O presente artigo toma por base quatro entrevistas de história oral, com roteiros genealógicos e de história de vida, com os 4 principais consultores/detentores participantes do projeto. Essas entrevistas enfatizaram, em especial, as relações de cada um dos entrevistados com a territorialidade negra das cidades em que vivem e a historicidade da escravidão e das interações afro-indígenas em suas narrativas. O artigo mobiliza também a oralidade dos pontos de caboclo e de pretos velhos nas umbandas, fenômeno religioso que perpassa todas as trajetórias e grupos estudados, como chave de leitura das narrativas trabalhadas. A conclusão busca demonstrar a importância do diálogo epistêmico como ferramenta de renovação do conhecimento historiográfico.
PALAVRAS-CHAVE:
patrimônios afro-indígenas; história oral; história pública