Resumo
O êxito da diálise peritoneal (DP) depende da obtenção de um acesso peritoneal funcional, seguro e duradouro. Nas últimas décadas, avanços no desenho dos cateteres e nas técnicas de inserção foram consolidados, destacando-se o cateter de Tenckhoff como o mais utilizado. Apesar disso, a prevalência da DP no Brasil permanece reduzida, condicionada por limitações técnicas e logísticas no implante do cateter e pelo intervalo entre a indicação do método e a realização do procedimento. Esta revisão analisa criticamente as principais modalidades de implantação do cateter para DP, enfatizando aspectos técnicos, desfechos clínicos e complicações. A cirurgia convencional possibilita visualização direta da cavidade de forma simples e segura, enquanto as técnicas percutâneas, sobretudo as guiadas por ultrassonografia e fluoroscopia, reduzem o tempo de hospitalização e ampliam a aplicabilidade do procedimento pelo nefrologista. Evidências comparativas demonstram que as abordagens percutâneas apresentam baixas taxas de complicações infecciosas e mecânicas, com boa sobrevida do cateter, enquanto os implantes videolaparoscópicos parecem alcançar melhores resultados entre as modalidades mais utilizadas, embora com maior complexidade técnica e logística. A heterogeneidade dos estudos limita conclusões definitivas, reforçando a necessidade de ensaios clínicos randomizados robustos. Uma utilização sistemática de métodos de imagem pode ampliar a acurácia técnica, enquanto a participação ativa do nefrologista no implante é determinante para reduzir atrasos, otimizar desfechos clínicos e expandir o uso da DP. A padronização dos procedimentos e a difusão de técnicas minimamente invasivas configuram perspectivas promissoras para o fortalecimento da DP como modalidade terapêutica.
Descritores:
Diálise Peritoneal; Cateteres; Técnicas; Fluoroscopia; Procedimento
Abstract
The success of peritoneal dialysis (PD) depends on securing a functional, safe, and durable peritoneal access. Over recent decades, important advances in catheter design and insertion techniques have been consolidated, with the Tenckhoff catheter remaining the most widely used. Nevertheless, the prevalence of PD in Brazil remains limited, hindered by technical and logistical barriers to catheter placement, as well as by delays between indication and procedure. This review critically examines the main approaches to establishing PD access, with emphasis on technical aspects, clinical outcomes, and complications. Conventional surgery provides direct visualization of the peritoneal cavity in a simple and safe manner, whereas percutaneous methods, particularly those guided by ultrasonography and fluoroscopy, shorten hospitalization and broaden applicability when performed by nephrologists. Comparative evidence shows that percutaneous approaches achieve low rates of infectious and mechanical complications, with satisfactory catheter survival, while videolaparoscopic placement appears to yield superior results among the most frequently adopted techniques, despite greater technical and logistical complexity. Study heterogeneity limits definitive conclusions, underscoring the need for robust randomized clinical trials. Systematic use of imaging guidance may improve technical accuracy, while the active involvement of nephrologists in the procedure is crucial for reducing delays, optimizing outcomes, and expanding PD utilization. Standardization of practices and wider adoption of minimally invasive techniques represent promising avenues for strengthening PD as a therapeutic modality.
Keywords:
Peritoneal Dialysis; Catheter; Techniques; Fluoroscopy; Procedure
Introdução
O sucesso da diálise peritoneal (DP) como terapia de suporte renal depende de um acesso peritoneal funcional e duradouro. Desde a descrição inicial por Ganter, em 1923, diversos modelos de cateteres e técnicas de implantação foram desenvolvidos. Os primeiros dispositivos utilizados eram adaptações de equipamentos destinados a outras finalidades1. Ao longo dos cem anos seguintes, ocorreram avanços significativos em materiais e técnicas, tornando o método mais seguro e eficaz. Destacam-se, na década de 1960, os estudos de Tenckhoff e Schechter, que resultaram no modelo de cateter mais amplamente utilizado até hoje, o “cateter de Tenckhoff”2.
Segundo o Censo de Diálise de 2024, mais de 172.000 pacientes estão em terapia dialítica no Brasil, sendo aproximadamente 5,6% (cerca de 9.600 pacientes) em DP. Em comparação a levantamentos anteriores, observa-se uma tendência de queda na proporção de pacientes em DP, com leve recuperação no último ano3. Esse cenário reforça a importância de investigar os fatores que contribuem para a baixa prevalência da modalidade. Entre os principais fatores estão dificuldades técnicas e logísticas relacionadas à implantação do cateter peritoneal, além do tempo de espera entre a admissão do paciente e a realização do procedimento. Não obstante, complicações associadas ao cateter e à sua inserção são responsáveis pela migração de 5% a 10% dos pacientes para a hemodiálise, muitas vezes de forma definitiva4,5.
Diversas técnicas para a implantação do cateter de DP estão descritas, variando conforme o tipo de cateter e a experiência do operador. Entre as principais estão o implante cirúrgico convencional, a inserção percutânea com trocarte, a peritonioscopia, a videolaparoscopia e a técnica de Seldinger, havendo grande heterogeneidade nos detalhes técnicos empregados em cada uma delas em diferentes centros. A punção percutânea pode ser realizada pelo próprio nefrologista, em sala de procedimento ou à beira do leito, com o objetivo de reduzir o tempo entre a indicação e a implantação do acesso; essa abordagem pode diminuir os custos de internação e impactar positivamente na prevalência da DP como modalidade dialítica6,7. Além disso, o envolvimento do nefrologista possibilita a realização de implantes em caráter emergencial, especialmente em situações nas quais não há tempo hábil para programação eletiva8.
A presente revisão tem como objetivo discutir os principais aspectos técnicos relacionados ao acesso para DP, abordando a evolução das principais modalidades de implante, os desafios encontrados e as perspectivas atuais.
Cuidados Gerais para a Implantação do Cateter
Após avaliação multidisciplinar e decisão pelo método, o primeiro passo para a implantação do cateter de DP é a avaliação pré-operatória, que deve considerar características físicas como peso, altura e volume abdominal. Os hábitos de vestuário também devem ser considerados, pois influenciam aspectos técnicos, como a escolha do sítio de saída do cateter. Recomenda-se ainda um preparo intestinal adequado, com laxativos e antifiséticos, bem como o esvaziamento vesical antes do procedimento, conforme diretrizes da International Society for Peritoneal Dialysis (ISPD)9. No pré-operatório imediato, há evidências de que a profilaxia antimicrobiana reduz significativamente a incidência de infecções precoces relacionadas ao cateter, sendo geralmente suficiente a administração de uma dose única endovenosa de cefalosporina de primeira ou segunda geração10,11.
Durante o procedimento, diversas medidas devem ser adotadas para otimizar o funcionamento do cateter e minimizar complicações. A ISPD recomenda a escolha do lado de implantação livre de cicatrizes prévias9, enquanto diretrizes europeias sugerem o lado esquerdo, evitando a região do ceco, embora não existam estudos comparativos que sustentem essa preferência12. A introdução do cateter deve ocorrer, idealmente, através do músculo reto abdominal, na linha paramediana, abordagem que proporciona melhor fixação, menor risco de extravasamento do dialisato e menor incidência de hérnias. Tradicionalmente, o manguito interno deve ser posicionado dentro do músculo ou acima da fáscia interna, evitando sua introdução na cavidade abdominal, o que pode levar à formação de aderências9,13. No entanto, uma revisão recente propõe o posicionamento de ambos os manguitos no tecido subcutâneo, sem atravessar a camada muscular, possibilitando, inclusive, o uso precoce do cateter com baixas taxas de complicações14.
Quanto ao túnel subcutâneo, alguns autores recomendam sua orientação caudal e lateral em relação ao manguito interno, buscando reduzir complicações infecciosas. Em um estudo retrospectivo com 1.930 pacientes, Golper et al.15 observaram redução de 38% nas complicações infecciosas com túnel voltado para caudal, enquanto a orientação cranial aumentou essa taxa em 50%15. Em outro estudo prospectivo, Crabtree e Burchette16 não encontraram diferenças significativas entre túnel caudal e lateral em 178 pacientes16. As diretrizes atuais recomendam que a conformação do túnel varie conforme o modelo do cateter. Em cateteres retos, por exemplo, o sítio de saída pode ser posicionado acima do ponto de entrada na cavidade peritoneal9,17. Também se recomenda que o manguito externo fique a cerca de 2 cm do orifício de saída, favorecendo a epitelização do túnel distal e reduzindo o risco de infecção e extrusão acidental do manguito18.
No pós-operatório, geralmente não é necessária internação hospitalar, o que contribui para a redução de custos19,20,21. As diretrizes sugerem um período de espera (break-in) de aproximadamente duas semanas antes do início da diálise, durante o qual o orifício de saída e a ferida operatória devem permanecer cobertos com curativo seco, evitando traumas locais9,22. Apesar disso, o uso precoce do cateter tem se tornado prática comum em diversos centros, sendo a DP de início urgente uma alternativa viável14,23. Durante o break-in, não há recomendações formais para a infusão de dialisato, e a lavagem peritoneal com solução salina deve ser evitada, pois pode causar irritação da membrana e deslocamento do cateter9,24,25.
Técnicas de Implante
O desenvolvimento e a disseminação de técnicas de implante de cateteres para DP que sejam seguras, eficazes, de baixo custo e que possam ser aplicadas na prática clínica, particularmente por nefrologistas, são cruciais para ampliar o acesso a essa modalidade terapêutica. Para melhor compreensão e organização, os autores desta revisão dividiram as modalidades de implante em três categorias: implantes por trocarte (utilizando o trocarte de Tenckhoff ou outras variações mais atuais desse dispositivo), implantes cirúrgicos convencionais (também chamados de minilaparotomia) e implantes percutâneos. Entre os implantes percutâneos estão o implante por Seldinger (e suas variações) e os implantes totalmente percutâneos guiados por imagem, aqui também denominados implantes “minimamente invasivos”.
O implante percutâneo com trocarte, descrito originalmente por Tenckhoff e Schechter em 19682, é uma técnica simples e com baixa taxa de complicações, embora seja pouco utilizada atualmente. Utilizando apenas instrumental básico, pode ser útil em situações emergenciais ou em locais com poucos recursos logísticos, permitindo o uso precoce do cateter com risco minimizado de extravasamento de dialisato. Em um estudo retrospectivo que incluiu 403 implantes realizados por trocarte, Kang et al.26 observaram disfunção precoce em somente 1% dos cateteres, sangramentos também em 1%, um único episódio de extravasamento, três infecções do sítio de saída e 19 casos de peritonite (4,7%). As complicações tardias incluíram extrusão do manguito externo (n = 3), extravasamento (n = 5) e disfunção do cateter (n = 9; 2,2%), com uma taxa de sobrevida de 96,5% em um ano e 83,6% em cinco anos26. Em outro estudo comparativo envolvendo 129 procedimentos, Chula et al.27 não observaram diferenças estatisticamente significativas entre a técnica por trocarte e a abordagem cirúrgica convencional, tanto no que diz respeito às complicações quanto à sobrevida dos cateteres27.
O implante cirúrgico tradicional, por meio de minilaparotomia, envolve a abertura direta da cavidade peritoneal, permitindo a visualização das estruturas intra-abdominais, o que reduz o risco de lesões viscerais inadvertidas. Essa abordagem também possibilita a realização de omentectomia, quando indicada. Em um estudo com 250 implantes, Chow et al.28 relataram disfunção do cateter em 2,8%, peritonite precoce em 3,6% e infecção do sítio de saída em 4,4%, com sobrevida de 92,7% no primeiro ano e 87,2% ao final de dois anos28.
Os estudos que comparam a técnica cirúrgica convencional com os procedimentos percutâneos são bastante heterogêneos. Em uma metanálise que incluiu 34 estudos, em sua maioria observacionais, o implante percutâneo esteve associado a taxas significativamente menores de infecção do túnel e do sítio de saída, migração do cateter e necessidade de remoção. No entanto, não foram encontradas diferenças significativas na sobrevida dos cateteres29. Quando realizados por nefrologistas, os implantes de cateter para DP são, habitualmente, feitos por via percutânea, com uso de kits específicos. Quando realizado sem o emprego de recursos de imagem, o implante percutâneo não permite visualização direta ou indireta da cavidade peritoneal em tempo real, sendo a punção realizada de forma cega após incisão da pele e dissecção do tecido subcutâneo (técnica de Seldinger ou Seldinger modificada). Apesar dessa limitação, trata-se de uma técnica segura, com bons resultados clínicos e possibilidade de uso imediato do cateter em situações de urgência. Em outra metanálise, que incluiu 1.626 pacientes e comparou os desfechos clínicos entre cateteres implantados por técnica percutânea e por via cirúrgica, não houve diferença significativa na sobrevida dos cateteres em um ano; contudo, de modo geral, a incidência de complicações infecciosas e mecânicas foi significativamente menor nos procedimentos percutâneos30.
A descrição da técnica de Seldinger é bastante heterogênea na literatura, com inúmeras variações em seus detalhes técnicos. Devido à sua alta aplicabilidade, amplamente utilizada por nefrologistas, descrevemos abaixo as etapas (sugeridas pelos autores e ilustradas na Figura 1) do implante de cateter por este método:
-
a)
Assepsia e antissepsia, com colocação de campos estéreis;
-
b)
Marcação do ponto de punção, utilizando o cateter como medida (posiciona-se a ponta do cateter na sínfise púbica, esticando-o em direção à linha paramediana); no ponto correspondente à localização do manguito interno, deve ser realizada a incisão;
-
c)
Anestesia local da pele e do subcutâneo;
-
d)
ncisão longitudinal ou transversal, com 2 a 5 cm de extensão, seguida de dissecção do subcutâneo;
-
e)
Visualização da aponeurose externa do músculo reto abdominal, seguida da punção da cavidade com agulha do kit ou cateter intravenoso periférico, em uma angulação em relação à parede abdominal de 45° ou inferior;
-
f)
Infusão de 500–1000 mL de SF 0,9% para formação de ascite (opcional);
-
g)
Passagem do fio-guia, com ou sem uso da fluoroscopia;
-
h)
Passagem do dilatador com bainha, seguida da retirada do guia e dilatador;
-
i)
Inserção do cateter pela bainha, a qual é então rasgada e retirada;
-
j)
Fluoroscopia para verificar o posicionamento (opcional); uso de fio-guia metálico rígido, se necessário, seguido de teste de drenagem;
-
k)
Introdução do manguito interno no músculo reto abdominal (opcional);
-
l)
Teste de drenagem;
-
m)
Tunelização cranial e lateral, com novo teste de drenagem;
-
n)
Sutura do subcutâneo com fio absorvível ou semiabsorvível e da pele com fio mononylon;
-
o)
Conexão do adaptador e preenchimento do sistema com 5.000 UI de heparina em 9 mL de SF 0,9% (opcional);
-
p)
Curativo compressivo seco.
Mais recentemente, técnicas percutâneas guiadas por imagem têm sido adotadas com o objetivo de reduzir, especialmente, as complicações mecânicas. A ultrassonografia auxilia na identificação de vasos, na estimativa da profundidade da cavidade e na detecção de aderências, além de facilitar a anestesia do músculo reto abdominal. A fluoroscopia contribui para a verificação, em tempo real, do posicionamento adequado do cateter. Em metanálise com 13 estudos e 2.681 pacientes, não houve diferença significativa na sobrevida dos cateteres implantados cirurgicamente em comparação aos guiados por imagem31. Resultados semelhantes foram corroborados, posteriormente, em uma revisão sistemática32. Mais recentemente, Swinnen et al.33, em 61 implantes realizados com auxílio de ultrassonografia e fluoroscopia, relataram sucesso técnico em 97% dos casos, com extravasamento em 4,9% e necessidade de reintervenção em apenas 3,2%33. Em um estudo brasileiro, Chula et al.34 analisaram 74 implantes guiados por imagem (técnica batizada pelos autores como “implante minimamente invasivo”) e observaram menor taxa de complicações mecânicas e infecciosas em comparação à técnica com trocarte, com sobrevida de 89% em um ano34.
O implante percutâneo guiado por imagem associa baixa taxa de complicações à excelente sobrevida do cateter, além de possibilitar sua realização em regime ambulatorial, o que torna essa técnica uma alternativa viável e eficaz para nefrologistas. Dessa forma, descrevemos abaixo as principais etapas (sugeridas pelos autores e ilustradas na Figura 2) para este procedimento:
-
a)
Assepsia e antissepsia, com colocação de campos estéreis;
-
b)
Marcação do ponto de punção, considerando a posição do manguito interno (conforme descrito acima);
-
c)
Anestesia local da pele e do subcutâneo;
-
d)
Incisão puntiforme (<1 cm) e discreto divulsionamento do subcutâneo com pinça hemostática;
-
e)
Anestesia do músculo reto abdominal e punção peritoneal com cateter intravenoso 14F, guiada por ultrassonografia, empregando a menor angulação possível em relação à pele, com retirada da agulha e manutenção somente da cânula flexível na cavidade abdominal;
-
f)
Peritoniografia com injeção de contraste iodado, sob fluoroscopia, para confirmação do acesso à cavidade (espalhamento do contraste);
-
g)
Infusão de 500–1000 mL de SF 0,9% sob visualização ultrassonográfica;
-
h)
Passagem do fio-guia sob fluoroscopia;
-
i)
Passagem do dilatador com bainha, seguida da retirada do guia e dilatador;
-
j)
Inserção do cateter pela bainha e posterior retirada da mesma;
-
k)
Fluoroscopia para verificação do posicionamento; uso de fio metálico rígido, se necessário;
-
l)
Posicionamento profundo do manguito interno no subcutâneo;
-
m)
Teste de drenagem;
-
n)
Tunelização cranial e lateral, com novo teste de drenagem;
-
o)
Sutura simples com fio mononylon 3-0;
-
p)
Conexão do adaptador e preenchimento do sistema com 5.000 UI de heparina em 9ml de SF 0,9% (opcional);
-
q)
Curativo compressivo seco.
Principais etapas do implante do cateter peritoneal guiado por imagem (minimamente invasivo).
A utilização da peritonioscopia ou da laparoscopia permite a visualização direta da cavidade abdominal, o que contribui para a redução de complicações, especialmente quando realizadas por profissionais experientes. Além disso, a abordagem videolaparoscópica possibilita a execução de técnicas cirúrgicas avançadas, como a omentopexia profilática e a adesiólise. No entanto, essa abordagem é geralmente reservada para pacientes considerados aptos à anestesia geral e com disponibilidade para aguardar vaga em centro cirúrgico. A metanálise conduzida por Shrestha et al.35 evidenciou redução significativa na obstrução do fluxo e na migração da ponta do cateter quando técnicas laparoscópicas avançadas foram utilizadas35. Mais recentemente, Briggs et al.36, em nova metanálise, demonstraram que a inserção laparoscópica de cateteres para DP, em comparação à técnica cirúrgica convencional, apresenta pouca ou nenhuma diferença nos riscos de peritonite, remoção do cateter e extravazamento de dialisato, mas pode reduzir o risco de hemorragias e da migração da ponta do cateter36. Em estudo retrospectivo recente, Zheng et al.37 compararam os desfechos de implantes realizados por videolaparoscopia avançada com aqueles obtidos por técnicas percutâneas guiadas por imagem (ultrassonografia e fluoroscopia). Os autores observaram maior sobrevida dos cateteres e menor incidência de sangramentos leves nos procedimentos laparoscópicos. Contudo, o tempo mediano entre a indicação e a realização do procedimento foi significativamente maior nas técnicas laparoscópicas, em comparação às técnicas percutâneas (33 versus 12 dias; p < 0,001)37.
Complicações
As complicações relacionadas ao implante e à manutenção do cateter de DP podem ser divididas em duas categorias principais: mecânicas (ou não infecciosas) e infecciosas. Entre as complicações mecânicas, a perfuração de vísceras ocas, embora rara, é a mais temida durante o implante do cateter. Quando ocorre, costuma ser identificada e tratada com relativa facilidade em procedimentos com visualização direta, podendo o manejo ser conservador, com antimicrobianos, ou exigir intervenção cirúrgica, a depender da gravidade38,39. Outra complicação observada nos primeiros dias após o implante é a presença de dialisato com sangue (hemoperitônio), sendo os sangramentos volumosos menos frequentes e geralmente relacionados a lesões vasculares, como as da artéria epigástrica inferior. Mital et al.40 relataram uma taxa de 2% de sangramentos importantes, associados a fatores como uso de anticoagulantes, uremia, trombocitopenia ou ácido acetilsalicílico40. O sangramento intraperitoneal constitui um fator de risco independente para a formação de aderências e para a falência do cateter41. Nesse sentido, o uso da ultrassonografia com Color Doppler, durante a punção da parede abdominal, ajuda a localizar a artéria epigástrica inferior ou outros vasos de maior calibre, minimizando o risco de uma punção inadvertida e do consequente sangramento.
A disfunção do cateter pode se manifestar como baixo fluxo na infusão ou na drenagem do dialisato e está frequentemente associada à migração da extremidade intraperitoneal, que ocorre em 15% a 20% dos casos, embora nem sempre resulte em mau funcionamento42,43. As disfunções podem estar relacionadas ao envolvimento do cateter pelo omento, e procedimentos como a omentopexia têm se mostrado eficazes na prevenção dessas intercorrências44. Quando ocorre o deslocamento, manobras como o uso de guias metálicos flexíveis ou a videolaparoscopia podem auxiliar no reposicionamento do cateter45,46. Ainda entre as complicações mecânicas, o extravasamento de dialisato, precoce ou tardio, pode se manifestar como saída de líquido pelo orifício de saída ou pela formação de coleções subcutâneas, afetando até 5% dos pacientes. O diagnóstico é comumente realizado já na inspeção ou por tomografia computadorizada com contraste intraperitoneal; seu tratamento inclui repouso peritoneal e, em alguns casos, intervenção cirúrgica42,47. A extrusão do manguito externo, por sua vez, decorre geralmente de falhas na técnica de implante, especialmente quando este é posicionado muito próximo ao orifício de saída. Na ausência de infecção do manguito interno ou peritonite, é possível manter o cateter com raspagem cuidadosa do manguito exteriorizado48.
Entre as complicações infecciosas, destaca-se a peritonite, intercorrência grave que pode ocorrer a qualquer momento após o implante do cateter e está fortemente associada à falência da técnica dialítica. A ISPD recomenda uma incidência inferior a 0,4 episódios por paciente-ano, sendo que casos recorrentes ou refratários podem demandar a retirada definitiva do cateter11,49,50. A infecção do sítio de saída, caracterizada por secreção purulenta e hiperemia local, deve ser tratada com antimicrobianos adequados. Sua incidência varia entre 0,05 e 1,02 episódios por paciente-ano e está fortemente associada à ocorrência de peritonite. A infecção do túnel, geralmente associada à infecção do sítio de saída, pode ser diagnosticada ao exame físico ou por ultrassonografia; embora raramente ocorra de forma isolada, pode causar peritonites recorrentes e exige tratamento antimicrobiano específico51.
Além dessas complicações, há relatos de intercorrências raras, como erosão de alças intestinais, fragmentação do cateter e reações alérgicas ao silicone, que, embora incomuns, devem ser consideradas no acompanhamento clínico dos pacientes52,53,54.
Considerando a heterogeneidade das técnicas de implantação descritas na literatura, a comparação das taxas de complicações relacionadas ao implante e à manutenção dos cateteres de DP torna-se uma tarefa desafiadora. A Tabela 1 apresenta as incidências de complicações, de acordo com diferentes técnicas de inserção, reportadas em estudos publicados nos últimos 15 anos. Com o objetivo de evidenciar as principais complicações mecânicas e infecciosas, foi necessário, em alguns casos, agrupar determinados desfechos.
Complicações relacionadas ao implante e à manutenção do cateter para diálise peritoneal, de acordo com a técnica de implantação utilizada
Em conclusão, a despeito dos avanços nas técnicas de implantação de cateteres para DP, persistem desafios relevantes. Os autores observam a necessidade de ensaios clínicos randomizados, bem delineados, que comparem de forma robusta as principais técnicas atualmente utilizadas. Paralelamente, é fundamental o uso sistemático de tecnologias e recursos de imagem, objetivando maior precisão técnica e redução de complicações. Além disso, o envolvimento ativo do nefrologista nesses procedimentos é essencial, tanto para otimizar os desfechos clínicos quanto para favorecer a expansão da DP como modalidade terapêutica.
Disponibilidade de Dados
O presente artigo é uma revisão, baseada exclusivamente em dados secundários provenientes da literatura científica e em experiência profissional dos autores. Como não foram gerados dados primários nem compilados conjuntos de dados inéditos, não há arquivos adicionais a serem disponibilizados. Todas as informações analisadas podem ser consultadas nas referências citadas.
Referências bibliográficas
- 1. Ganter G. Ueber die Beseitigung giftiger Stoffe aus dem Blute durch Dialyse. Munch Med Wochenschr. 1923;70:1478–80.
- 2. Tenckhoff H, Schechter H. A bacteriologically safe peritoneal access device. Trans Am Soc Artif Intern Organs. 1968;14(2):181–7. PubMed PMID: 5701529.
-
3. Sociedade Brasileira de Nefrologia. Censo de Diálise de 2024: dados sobre a prevalência e tipos de terapias renais no Brasil [Internet]. São Paulo: SBN; 2024 [cited 2025 Sept 1]. Available from: https://sbn.org.br
» https://sbn.org.br -
4. Asif A, Byers P, Gadalean F, Roth D. Peritoneal dialysis underutilization: the impact of an interventional nephrology peritoneal dialysis access program. Semin Dial. 2003;16(3):266– 71. doi: https://doi.org/10.1046/j.1525-139X.2003.16051.x. PubMed PMID: 12753690.
» https://doi.org/10.1046/j.1525-139X.2003.16051.x -
5. Campos RP, Chula DC, Riella MC. Complications of the peritoneal access and their management. In: Ronco C, Crepaldi C, Cruz DN, editors. Peritoneal dialysis – from basic concepts to clinical excellence. Basel: Karger; 2009. p. 183–197. doi: https://doi.org/10.1159/000223798.
» https://doi.org/10.1159/000223798 -
6. Asif A, Pflederer TA, Vieira CF, Diego J, Roth D, Agarwal A,. Does catheter insertion by nephrologists improve peritoneal dialysis utilization? A multicenter analysis. Semin Dial. 2005;18(2):157–60. doi: https://doi.org/10.1111/j.1525-139X. 2005.18204.x. PubMed PMID: 15771662.
» https://doi.org/10.1111/j.1525-139X.2005.18204.x -
7. Asif A. Peritoneal dialysis access-related procedures by nephrologists. Semin Dial. 2004;17(5):398–406. doi: https:// doi.org/10.1111/j.0894-0959.2004.17355.x. PubMed PMID: 15461749.
» https://doi.org/10.1111/j.0894-0959.2004.17355.x -
8. Pilatti M, Theodorovitz VC, Hille D, Sevignani G, Ferreira HC, Vieira MA, et al. Urgent vs. planned peritoneal dialysis initiation: complications and outcomes in the first year of therapy. Braz J Nephrol. 2022;44(4):482–9. doi: https://doi. org/10.1590/2175-8239-jbn-2021-0182. PubMed PMID: 35385569.
» https://doi.org/10.1590/2175-8239-jbn-2021-0182 -
9. Crabtree JH, Shrestha BM, Chow KM, Figueiredo AE, Povlsen JV, Wilkie M, et al. Creating and maintaining optimal peritoneal dialysis access in the adult patient: 2019 update. Perit Dial Int. 2019;39(5):414–36. doi: https://doi.org/10.3747/ pdi.2018.00232. PubMed PMID: 31028108.
» https://doi.org/10.3747/pdi.2018.00232 -
10. Gadallah MF, Ramdeen G, Mignone A, Patel D, Mitchell L, Tatro S. Role of preoperative antibiotic prophylaxis in preventing postoperative peritonitis in newly placed peritoneal dialysis catheters. Am J Kidney Dis. 2000;36(5):1014–9. doi: https://doi.org/10.1053/ajkd.2000.19104. PubMed PMID: 11054359.
» https://doi.org/10.1053/ajkd.2000.19104 -
11. Li PKT, Chow KM, Cho Y, Fan S, Figueiredo AE, Harris T, et al. ISPD peritonitis guideline recommendations: 2022 update on prevention and treatment. Perit Dial Int. 2022;42(2):110– 53. doi: https://doi.org/10.1177/08968608221080586. PubMed PMID: 35264029.
» https://doi.org/10.1177/08968608221080586 -
12. Dombros N, Dratwa M, Feriani M, Gokal R, Heimburger O, Krediet R, et al. Peritoneal access. Nephrol Dial Transplant. 2005;20(Suppl 9):ix8–12. doi: https://doi.org/10.1093/ndt/ gfi1117. PubMed PMID: 16263753.
» https://doi.org/10.1093/ndt/gfi1117 -
13. Gokal R, Alexander S, Ash S, Chen TW, Danielson A, Holmes C, et al. Peritoneal catheters and exit-site practices toward optimum peritoneal access: 1998 update. Perit Dial Int. 1998;18(1): 11–33. doi: https://doi.org/10.1177/089686089801800102. PubMed PMID: 9527026.
» https://doi.org/10.1177/089686089801800102 -
14. Müller JVC, Ponce D. Infectious and mechanical complications in planned-start vs. urgent-start peritoneal dialysis: a cohort study. Braz J Nephrol. 2022;44(4):1–9. doi: https://doi. org/10.1590/2175-8239-jbn-2021-0287en. PubMed PMID: 35788617.
» https://doi.org/10.1590/2175-8239-jbn-2021-0287en -
15. Golper TA, Brier ME, Bunke M, Schreiber MJ, Bartlett DK, Hamilton RW, et al. Risk factors for peritonitis in long-term peritoneal dialysis: the Network 9 peritonitis and catheter survival studies. Am J Kidney Dis. 1996;28(3):428–36. doi: https://doi.org/10.1016/S0272-6386(96)90502-8. PubMed PMID: 8804243.
» https://doi.org/10.1016/S0272-6386(96)90502-8 -
16. Crabtree JH, Burchette RJ. Prospective comparison of downward and lateral peritoneal dialysis catheter tunnel-tract and exit-site directions. Perit Dial Int. 2006;26(6):677–83. doi: https://doi.org/10.1177/089686080602600612. PubMed PMID: 17047235.
» https://doi.org/10.1177/089686080602600612 -
17. Sood BR, Kessaris N, Reid C, Bowes E. UK Renal Association clinical practice guideline for peritoneal access and commentary on the 2019 ISPD update for the creating and maintaining optimal peritoneal dialysis access. Perit Dial Int. 2022;42(3): 248–78. http://doi.org/10.1177/08968608221077597.
» https://doi.org/10.1177/08968608221077597 -
18. Twardowski ZJ, Nichols WK. Peritoneal dialysis access and exit-site care including surgical aspects. In: Gokal R, Khanna R, Krediet RT, Nolph KD, editors. Textbook of peritoneal dialysis. Dordrecht: Springer; 2000. p. 307–361. doi: https:// doi.org/10.1007/978-94-017-3225-3_9.
» https://doi.org/10.1007/978-94-017-3225-3_9 -
19. Maya ID. Ambulatory setting for peritoneal dialysis catheter placement. Semin Dial. 2008;21(5):457–8. doi: https://doi. org/10.1111/j.1525-139X.2008.00462.x. PubMed PMID: 18764798.
» https://doi.org/10.1111/j.1525-139X.2008.00462.x -
20. Salonen TE, Saha H. Structured outpatient peritoneal dialysis catheter insertion is safe and cost-saving. Perit Dial Int. 2014;34(6):612–7. doi: https://doi.org/10.3747/ pdi.2012.00121. PubMed PMID: 23818001.
» https://doi.org/10.3747/pdi.2012.00121 -
21. Verrelli M, Fontaine B, Kraushar M, Fine A. Hospitalization is not necessary for peritoneal dialysis catheter insertion. Perit Dial Int. 2002;22(5):614–6. doi: https://doi.org/ 10.1177/089686080202200513. PubMed PMID: 12455573.
» https://doi.org/10.1177/089686080202200513 -
22. Htay H, Johnson DW, Craig JC, Teixeira-Pinto A, Hawley C, Cho Y. Catheter type, placement and insertion techniques for preventing catheter-related infections in chronic peritoneal dialysis patients. Cochrane Database Syst Rev. 2019;5(5):CD004680. doi: https://doi.org/10.1002/14651858. CD004680.pub3. PubMed PMID: 31149735.
» https://doi.org/10.1002/14651858.CD004680.pub3 -
23. Ponce D, Brabo AM, Balbi AL. Urgent start peritoneal dialysis. Curr Opin Nephrol Hypertens. 2018;27(6):478–86. doi: https://doi.org/10.1097/MNH.0000000000000451. PubMed PMID: 30142094.
» https://doi.org/10.1097/MNH.0000000000000451 -
24. Breborowicz A, Oreopoulos DG. Is normal saline harmful to the peritoneum? Perit Dial Int. 2005;25(Suppl 4):S67–70. doi: https://doi.org/10.1177/089686080502504S09. PubMed PMID: 16300274.
» https://doi.org/10.1177/089686080502504S09 -
25. Garrett M, Malone S, Yates K. Postoperative irrigation of newly inserted Tenckhoff catheters: “To flush or not to flush…”. Renal Soc Australas J. 2020;16(1):20–4. doi: https:// doi.org/10.33235/rsaj.16.1.20-24.
» https://doi.org/10.33235/rsaj.16.1.20-24 -
26. Kang SH, Do JY, Cho KH, Park JW, Yoon KW. Blind peritoneal catheter placement with a Tenckhoff trocar by nephrologists: a single-center experience. Nephrology. 2012;17(2):141–7. doi: https://doi.org/10.1111/j.1440-1797.2011.01518.x. PubMed PMID: 21883673.
» https://doi.org/10.1111/j.1440-1797.2011.01518.x -
27. Chula DC, Campos RP, Gonçalves EA, Riella MC. Percutaneous and surgical insertion of peritoneal catheter in patients starting dialysis therapy: a comparative study. Semin Dial. 2014;27(3):E32–7. doi: https://doi.org/10.1111/sdi.12147. PubMed PMID: 24118030.
» https://doi.org/10.1111/sdi.12147 -
28. Chow KM, Szeto CC, Law MC, Fun CH, Li PK. Tenckhoff catheter insertion by nephrologists: open dissection technique. Perit Dial Int. 2010;30(5):524–7. doi: https://doi.org/10.3747/ pdi.2009.00145. PubMed PMID: 20378842.
» https://doi.org/10.3747/pdi.2009.00145 -
29. Esagian SM, Sideris GA, Bishawi M, Ziogas IA, Lehrich RW, Middleton JP, et al. Surgical versus percutaneous catheter placement for peritoneal dialysis: an updated systematic review and meta-analysis. J Nephrol. 2021;34(5):1681–96. doi: https://doi.org/10.1007/s40620-020-00896-w. PubMed PMID: 33197001.
» https://doi.org/10.1007/s40620-020-00896-w -
30. Tullavardhana T, Tantiyavarong P, Katavetin P, Songtish D. Surgical versus percutaneous techniques for peritoneal dialysis catheter placement: a meta-analysis of the outcomes. Ann Med Surg. 2016;10:11–8. doi: https://doi.org/10.1016/j. amsu.2016.07.007. PubMed PMID: 27489619.
» https://doi.org/10.1016/j.amsu.2016.07.007 -
31. Boujelbane L, Fu N, Chapla K, Melnick D, Redfield RR, Waheed S, et al. Percutaneous versus surgical insertion of PD catheters in dialysis patients: a meta-analysis. J Vasc Access. 2015;16(6):498–505. doi: https://doi.org/10.5301/jva. 5000439. PubMed PMID: 26165817.
» https://doi.org/10.5301/jva.5000439 -
32. Abdel Aal AK, Guest SS, Moawad S, Mahmoud K, Jackson B, Rageeb PM, et al. Outcomes of fluoroscopic and ultrasoundguided placement versus laparoscopic placement of peritoneal dialysis catheters. Clin Kidney J. 2018;11(4):549–54. doi: https://doi.org/10.1093/ckj/sfx132. PubMed PMID: 30094020.
» https://doi.org/10.1093/ckj/sfx132 -
33. Swinnen JJ, Baker L, Burgess D, Allen R, O’Grady A, Chau K. Changing the peritoneal dialysis access algorithm with a precise technique of percutaneous Seldinger PD catheter placement. J Vasc Access. 2022;23(4):615–23. doi: https://doi.org/10.1177/11297298221077607. PubMed PMID: 35164597.
» https://doi.org/10.1177/11297298221077607 -
34. Chula DC, Riella MC, Portiolli Franco R, de Alcântara MT, Campos RP, Gordon GM, et al. Minimally invasive peritoneal access: A new approach of catheter placement for peritoneal dialysis. J Vasc Access. 2024;25(2):557–65. doi: https:// doi.org/10.1177/11297298221127756. PubMed PMID: 36203380.
» https://doi.org/10.1177/11297298221127756 -
35. Shrestha BM, Shrestha D, Kumar A, Shrestha A, Boyes SA, Wilkie ME. Advanced laparoscopic peritoneal dialysis catheter insertion: systematic review and meta-analysis. Perit Dial Int. 2018;38(3):163–71. doi: https://doi.org/10.3747/ pdi.2017.00230. PubMed PMID: 29848597.
» https://doi.org/10.3747/pdi.2017.00230 -
36. Briggs VR, Jacques RM, Fotheringham J, Maheswaran R, Campbell M, Wilkie ME. Catheter insertion techniques for improving catheter function and clinical outcomes in peritoneal dialysis patients. Cochrane Database Syst Rev. 2023;2(2):CD012478. doi: https://doi.org/10.1002/14651858. CD012478.pub2. PubMed PMID: 36810986.
» https://doi.org/10.1002/14651858.CD012478.pub2 -
37. Zheng S, Drasin T, Dybbro P, Darbinian JA, Armstrong MA, Bhalla NM. Advanced image-guided percutaneous technique versus advanced laparoscopic surgical technique for peritoneal dialysis catheter placement. Kidney Med. 2024;6(1):100744. doi: https://doi.org/10.1016/j.xkme.2023.100744. PubMed PMID: 38188458.
» https://doi.org/10.1016/j.xkme.2023.100744 -
38. Asif A, Byers P, Vieira CF, Gadalean F, Stroup R, Roth D, et al. Peritoneoscopic placement of peritoneal dialysis catheter and bowel perforation: experience of an interventional nephrology program. Am J Kidney Dis. 2003;42(6):1270–4. doi: https://doi.org/10.1053/j.ajkd.2003.08.029. PubMed PMID: 14655200.
» https://doi.org/10.1053/j.ajkd.2003.08.029 -
39. Jacobs L, Salaouatchi M, Taghavi M, Sanoussi S, Nortier J, Mesquita M. Jejunal perforation secondary to blind insertion of peritoneal dialysis catheter. BMC Nephrol. 2023;24(1):116. doi: https://doi.org/10.1186/s12882-023-03155-9. PubMed PMID: 37106351.
» https://doi.org/10.1186/s12882-023-03155-9 -
40. Mital S, Fried LF, Piraino B. Bleeding complications associated with peritoneal dialysis catheter insertion. Perit Dial Int. 2004;24(5):478–80. doi: https://doi.org/ 10.1177/089686080402400514. PubMed PMID: 15490989.
» https://doi.org/10.1177/089686080402400514 - 41. Gadallah MF, Torres-Rivera C, Ramdeen G, Myrick S, Habashi S, Andrews G. Relationship between intraperitoneal bleeding, adhesions, and peritoneal dialysis catheter failure: a method of prevention. Adv Perit Dial. 2001;17:127–9. PubMed PMID: 11510259.
-
42. Crabtree JH. Selected best demonstrated practices in peritoneal dialysis access. Kidney Int Suppl. 2006;70(103):S27–37. doi: https://doi.org/10.1038/sj.ki.5001913. PubMed PMID: 17080108.
» https://doi.org/10.1038/sj.ki.5001913 -
43. Tanasiychuk T, Zakharchenko A, Glushko L, Lytvynenko O, Pashkov Y, Shchotka I, et al. The ideal position of the peritoneal dialysis catheter is not always ideal. Int Urol Nephrol. 2019;51(10):1867–72. doi: https://doi.org/10.1007/ s11255-019-02177-3. PubMed PMID: 31264086.
» https://doi.org/10.1007/s11255-019-02177-3 -
44. Kou HW, Yeh CN, Tsai CY, Liu SH, Ho WY, Lee CW, et al. A novel technique of sutureless omentopexy during dual-incision laparoscopic peritoneal dialysis catheter insertion to prevent catheter dysfunction due to omental wrapping. Surg Endosc. 2023;37(1):148–55. doi: https://doi.org/10.1007/s00464-02209449-7. PubMed PMID: 35879570.
» https://doi.org/10.1007/s00464-022-09449-7 -
45. Lee CM, Ko SF, Chen HC, Leung TK. Double guidewire method: a novel technique for correction of migrated Tenckhoff peritoneal dialysis catheter. Perit Dial Int. 2003;23(6):587–90. doi: https://doi.org/10.1177/089686080302300612. PubMed PMID: 14703201.
» https://doi.org/10.1177/089686080302300612 -
46. Santarelli S, Zeiler M, Marinelli R, Monteburini T, Federico A, Ceraudo E. Videolaparoscopy as rescue therapy and placement of peritoneal dialysis catheters: a thirty-two case single centre experience. Nephrol Dial Transplant. 2006;21(5):1348–54. doi: https://doi.org/10.1093/ndt/gfk041. PubMed PMID: 16421152.
» https://doi.org/10.1093/ndt/gfk041 -
47. Crabtree JH. Peritoneal dialysis catheter implantation: avoiding problems and optimizing outcomes. Semin Dial. 2015;28(1):12–5. doi: https://doi.org/10.1111/sdi.12299. PubMed PMID: 25338661.
» https://doi.org/10.1111/sdi.12299 -
48. Debowski JA, Wærp C, Kjellevold SA, Abedini S. Cuff extrusion in peritoneal dialysis: single-centre experience with the cuff-shaving procedure in five patients over a 4-year period. Clin Kidney J. 2017;10(1):131–4. doi: https://doi.org/10.1093/ ckj/sfw089. PubMed PMID: 28638613.
» https://doi.org/10.1093/ckj/sfw089 -
49. Li PKT, Szeto CC, Piraino B, de Arteaga J, Fan S, Figueiredo AE, et al. ISPD peritonitis recommendations: 2016 update on prevention and treatment. Perit Dial Int. 2016;36(5):481–508. doi: https://doi.org/10.3747/pdi.2016.00078. PubMed PMID: 27282851.
» https://doi.org/10.3747/pdi.2016.00078 -
50. Hsieh YP, Chang CC, Wen YK, Chiu PF, Yang Y. Predictors of peritonitis and the impact of peritonitis on clinical outcomes of continuous ambulatory peritoneal dialysis patients in Taiwan – 10 years’ experience in a single center. Perit Dial Int. 2014;34(1):85–94. doi: https://doi.org/10.3747/ pdi.2012.00075. PubMed PMID: 24084840.
» https://doi.org/10.3747/pdi.2012.00075 -
51. Vychytil A, Lilaj T, Lorenz M, Hörl WH, Haag-Weber M. Ultrasonography of the catheter tunnel in peritoneal dialysis patients: what are the indications? Am J Kidney Dis. 1999;33(4):722–7. doi: https://doi.org/10.1016/S02726386(99)70225-8. PubMed PMID: 10196015.
» https://doi.org/10.1016/S0272-6386(99)70225-8 -
52. Finkle SN. Peritoneal dialysis catheter erosion into bowel: amyloidosis may be a risk factor. Perit Dial Int. 2005;25(3): 296–7. doi: https://doi.org/10.1177/089686080502500317. PubMed PMID: 15981782.
» https://doi.org/10.1177/089686080502500317 -
53. Crabtree JH. Fragmentation of polyurethane peritoneal dialysis catheter during explantation. Perit Dial Int. 2004;24(6):601–2. doi: https://doi.org/10.1177/089686080402400622. PubMed PMID: 15559492.
» https://doi.org/10.1177/089686080402400622 -
54. Kurihara S, Tani Y, Tateishi K, Yuri T, Kitada H, Sugishita N, et al. Allergic eosinophilic dermatitis due to silicone rubber: a rare but troublesome complication of the tenckhoff catheter. Perit Dial Int. 1985;5(1):65–7. doi: https://doi.org/ 10.1177/089686088500500118.
» https://doi.org/10.1177/089686088500500118 -
55. Jwo SC, Chen KS, Lee CC, Chen HY. Prospective randomized study for comparison of open surgery with laparoscopicassisted placement of Tenckhoff peritoneal dialysis catheter: a single center experience and literature review. J Surg Res. 2010;159(1):489–96. doi: https://doi.org/10.1016/j.jss.2008.09.008. PubMed PMID: 19482306.
» https://doi.org/10.1016/j.jss.2008.09.008 -
56. Kou HW, Yeh CN, Tsai CY, Liu SH, Ho WY, Lee CW, et al. Clinical benefits of laparoscopic adhesiolysis during peritoneal dialysis catheter insertion: a single-center experience. Medicina. 2023;59(6):1014. doi: https://doi.org/10.3390/ medicina59061014. PubMed PMID: 37374218.
» https://doi.org/10.3390/medicina59061014 -
57. Iorga CR, Andreiana I, Stancu SH, Constantin T, Strambu V, Iorga C. Evaluation of short-term complications in laparoscopic peritoneal dialysis catheter placement - a single tertiary center experience. J Mind Med Sci. 2024;11(2):452–8. doi: https:// doi.org/10.22543/2392-7674.1547.
» https://doi.org/10.22543/2392-7674.1547 - 58. İslam M, Fırat N, Genç AC, Ercan Z, Gökçay Bek S, Balcı S, et al. Comparison of peritoneal catheter insertion techniques: a single-center experience comparing percutaneous and laparoscopic approaches. J Eur Int Med Prof. 2023;1(4): e10019799.
-
59. Al-Hwiesh AK. Percutaneous peritoneal dialysis catheter insertion by a nephrologist: a new, simple, and safe technique. Perit Dial Int. 2014;34(2):204–11. doi: https://doi.org/10.3747/ pdi.2012.00160. PubMed PMID: 24084842.
» https://doi.org/10.3747/pdi.2012.00160 -
60. Zhang D, Peng Y, Zheng T, Liu H, Wu J, Li Z, et al. An analysis of the “Half-Perc” versus open surgical placement method for a peritoneal dialysis catheter: a non-inferiority cohort study. BMC Nephrol. 2020;21(1):288. doi: https://doi.org/10.1186/ s12882-020-01936-0. PubMed PMID: 32689969.
» https://doi.org/10.1186/s12882-020-01936-0 -
61. Dogra PM, Hooda AK, Shanmugraj G, Kumar S. Peritoneal dialysis catheter insertion by surgical minilaparotomy: outcome analysis between nephrologist and surgeon. Indian J Nephrol. 2018;28(4):265–72. doi: https://doi.org/10.4103/ijn. IJN_281_17. PubMed PMID: 30158743.
» https://doi.org/10.4103/ijn.IJN_281_17 -
62. Aksu N, Yavascan O, Anil M, Kara OD, Erdogan H, Bal A. A ten-year single-centre experience in children on chronic peritoneal dialysis: significance of percutaneous placement of peritoneal dialysis catheters. Nephrol Dial Transplant. 2007;22(7):2045–51. doi: https://doi.org/10.1093/ndt/gfm150. PubMed PMID: 17438008.
» https://doi.org/10.1093/ndt/gfm150 -
63. Zou Y, Ma Y, Chao W, Zhou H, Zong Y, Yang M. Assessment of complications and short-term outcomes of percutaneous peritoneal dialysis catheter insertion by conventional or modified Seldinger technique. Ren Fail. 2021;43(1):919–25. doi: https://doi.org/10.1080/0886022X.2021.1925296. PubMed PMID: 34092201.
» https://doi.org/10.1080/0886022X.2021.1925296 -
64. Huang J, Bao S, Bao L, Zhang A, Gu L, Dai L, et al. The efficacy and safety of an improved percutaneous peritoneal dialysis catheter placement technique in urgent-start peritoneal dialysis patients: a retrospective cohort study. Ann Palliat Med. 2022;11(11):3455–63. doi: https://doi.org/10.21037/apm-221270. PubMed PMID: 36464964.
» https://doi.org/10.21037/apm-22-1270 -
65. Dias DB, Mendes ML, Banin VB, Barretti P, Ponce D. Urgent-start peritoneal dialysis: the first year of Brazilian experience. Blood Purif. 2017;44(4):283–7. doi: https://doi. org/10.1159/000478970. PubMed PMID: 29065404.
» https://doi.org/10.1159/000478970 -
66. Lee YK, Yang PS, Park KS, Choi KH, Kim BS. Modified peritoneal dialysis catheter insertion: comparison with a conventional method. Yonsei Med J. 2015;56(4):981–6. doi: https://doi.org/10.3349/ymj.2015.56.4.981. PubMed PMID: 26069120.
» https://doi.org/10.3349/ymj.2015.56.4.981 -
67. Peng Y, Zhang D, Zheng T, Liu H, Su J, Xu Y, et al. A half-percutaneous technique for peritoneal dialysis catheter implantation using a modified trocar: a report of 84 cases. Int Urol Nephrol. 2019;51(8):1451–7. doi: https://doi. org/10.1007/s11255-019-02159-5. PubMed PMID: 31119517.
» https://doi.org/10.1007/s11255-019-02159-5 -
68. Li Z, Ding H, Liu X, Zhang J. Ultrasound-guided percutaneous peritoneal dialysis catheter insertion using multifunctional bladder paracentesis trocar: a modified percutaneous PD catheter placement technique. Semin Dial. 2020;33(2): 133–9. doi: https://doi.org/10.1111/sdi.12862. PubMed PMID: 32160357.
» https://doi.org/10.1111/sdi.12862 -
69. Zhang D, Li R, He J, Peng Y, Liu H, Liu X, et al. The “Half-Perc” technique using a simple modified metal trocar for peritoneal dialysis catheter placement: results of a 3-year follow-up of 280 patients and a literature review. Int Urol Nephrol. 2022;54(7):1741–9. doi: https://doi.org/10.1007/ s11255-021-03028-w. PubMed PMID: 34813024.
» https://doi.org/10.1007/s11255-021-03028-w -
70. Zhang D, Peng Y, Zheng T, Liu H, Wu J, Li Z, et al. An analysis of the “Half-Perc” versus open surgical placement method for a peritoneal dialysis catheter: a non-inferiority cohort study. BMC Nephrol. 2020;21(1):288. doi: https://doi.org/10.1186/ s12882-020-01936-0. PubMed PMID: 32689969.
» https://doi.org/10.1186/s12882-020-01936-0
Editado por
-
Responsabilidade Editorial
Editor-chefe: Miguel C. Riella https://orcid.org/0000-0003-4181-613X.Editor Associado: Adriano Ammirati https://orcid.org/0000-0001-7185-2081.



(1) Dissecção até a aponeurose externa no músculo reto abdominal; (2) Punção da cavidade peritoneal com cateter intravenoso; (3) Passagem do fio guia; (4) Passagem da bainha introdutora com dilatador; (5) Passagem do cateter através da bainha; (6) Bainha sendo rasgada e retirada; (7) Introdução do manguito interno abaixo da aponeurose (opcional); (8) Criação do óstio de saída; (9) Cateter já tunelizado em subcutâneo.
(1) Medida para localização do ponto de incisão; (2) Punção da cavidade peritoneal guiada por ultrassom; (3) Peritoniografia; (4) Passagem do fio guia sob flouroscopia; (5) Fio guia introduzido; (6) Bainha introduzida; (7) Introdução do cateter através da bainha; (8) Checagem do correto posicionamento da ponta do cateter na pelve menor; (9) Resultado final.