RESUMO
Objetivo: revisar a literatura sobre o efeito da terapia por fotobiomodulação com uso de laser de baixa intensidade no desempenho muscular na musculatura da cabeça e do pescoço em crianças com Paralisia Cerebral.
Métodos: estudo descritivo-qualitativo, de revisão integrativa, com busca na BVS, PubMed, SciELO, Embase, ScienceDirect e Cochrane, utilizando os descritores de saúde: terapia com luz de baixa intensidade, criança, paralisia cerebral, músculos faciais, músculo masseter e músculos do pescoço e seus termos alternativos, aplicando-se filtros de acordo com cada base de dados. A busca ocorreu de outubro de 2022 a dezembro de 2023, sem limitação de ano de publicação e idioma. Foram selecionados artigos que respondessem à pergunta norteadora: “A terapia por fotobiomodulação a laser de baixa intensidade aplicada a musculatura da cabeça e pescoço na criança com paralisia cerebral pode ser eficaz no desempenho muscular?”
Revisão da Literatura: doze artigos foram selecionados, sendo excluídos dez artigos após a leitura do título e resumo e, incluídos dois artigos após a leitura na íntegra.
Conclusão: foi identificada uma lacuna a respeito da temática abordada que não permite uma conclusão definitiva sobre o assunto. Entretanto, a fotobiomodulação a laser de baixa intensidade aplicada na musculatura da cabeça e pescoço em crianças com paralisia cerebral parece ser promissora para o desempenho muscular. Ainda não existem artigos científicos que abordem o uso deste recurso para a sensibilidade intraoral, para o fluxo salivar e para a deglutição na população estudada.
Descritores:
Terapia com Luz de Baixa Intensidade; Criança; Paralisia Cerebral; Músculos Faciais; Músculo Masseter; Músculos do Pescoço
ABSTRACT
Purpose: to review the literature on the effect of low-level laser photobiomodulation therapy on head and neck muscle performance in children with cerebral palsy.
Methods: a descriptive-qualitative integrative review conducted in the VHL, PubMed, SciELO, Embase, ScienceDirect, and Cochrane databases, using the following health descriptors: low-level light therapy, child, cerebral palsy, facial muscles, masseter muscle, and neck muscles, and their alternative terms. Filters were applied according to each database. The search was conducted from October 2022 to December 2023, with no limitations on the year of publication or language, selecting articles that answered the research question, "Can low-level laser photobiomodulation therapy applied to head and neck muscles in children with cerebral palsy effectively improve muscle performance?".
Literature Review: 12 articles were selected, 10 being excluded after reading their titles and abstracts, hence, two articles were included after their full texts were read.
Conclusion: the review identified a gap regarding the topic, not allowing for a definitive conclusion on the subject. However, low-level laser photobiomodulation applied to the head and neck muscles of children with cerebral palsy appears to be promising for muscle performance. No scientific articles were found in the present research, addressing the use of this resource for intraoral sensitivity, salivary flow, or swallowing in the study population.
Keywords:
Low-Level Light Therapy; Child; Cerebral Palsy; Facial Muscles; Masseter Muscle; Neck Muscles
INTRODUÇÃO
A luz é uma condição sine qua non à vida. Desde os primórdios da civilização vem sendo utilizada para fins terapêuticos. Porém, a descoberta do light amplification by stimulated emission of radiation (LASER) por Maiman, em 1960, foi um marco na história tornando-se indispensável na Ciência, na Tecnologia e na Indústria. Após os estudos de Endre Mester, em 1967, diversas áreas da saúde passaram a estudar a interação da irradiação eletromagnética da luz com os tecidos biológicos1.
Os efeitos da terapia por fotobiomodulação (TFBM) a LASER de baixa intensidade (LBI) têm sido objeto de estudo em diversas áreas da Fonoaudiologia com o objetivo de contribuir para a otimização do processo terapêutico. Dentre os principais achados relatados na literatura na área de motricidade orofacial e disfagia estão ações analgésica, anti-inflamatória e antiedematosa na região orofacial e cervical, além de ações na otimização do desempenho muscular durante a realização dos exercícios miofuncionais e mioterápicos com aumento do ganho de força e redução dos níveis de fadiga após atividades intensas, na redução da espasticidade, no controle do fluxo salivar, assim como na regeneração de nervos periféricos2-9. Dentre estudos robustos publicados, pode-se destacar um estudo experimental, randomizado e triplo-cego10, com amostra de 23 mulheres e 17 homens com idades entre 18 e 33 anos. O estudo investigou os efeitos imediatos da fotobiomodulação (FBM) sobre a pressão máxima dos lábios, concluindo que o LBI (808 nm), na dose de 7 J, promoveu mudanças no desempenho do músculo orbicular da boca em tarefa de pressão máxima. Como na clínica fonoaudiológica, o treino miofuncional da musculatura estudada tem contribuído para melhorar o desempenho das funções orais, os autores referem que a associação do LASER ao treino miofuncional tem trazido resultados expressivos, sendo importantes novas pesquisas nessa temática.
Em relação aos estudos que abordam a FBM com LBI na disfunção temporomandibular (DTM) muscular, destaca-se o estudo do tipo ensaio clínico randomizado e cego11, que investigou a influência da FBM associada à terapia miofuncional orofacial (TMO) na DTM muscular, em uma amostra de 11 mulheres com idades entre 25 e 55 anos. O estudo concluiu que a TMO associada à FBM com LBI (830 nm) contribuiu no aumento da amplitude dos movimentos mandibulares, na melhora significativa dos quadros dolorosos com ganhos importantes na percepção da qualidade de vida dos indivíduos estudados.
Em relação ao reparo tecidual destacamos a revisão integrativa da literatura12 sobre o uso e o efeito do LBI como recurso terapêutico nas paralisias faciais periféricas. O estudo concluiu que o LBI é benéfico aos indivíduos acometidos por essa paralisia, sendo os efeitos observados potencializados quando utilizado em associação com outros recursos terapêuticos fonoaudiológicos.
Embora a Fonoaudiologia tenha sido regulamentada pela Lei Nº 6.965, de 9 de dezembro de 1981, somente em 2016, o Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFFa) por meio da Resolução Nº 492, de 7 de abril de 201613, regulamentou a atuação do fonoaudiólogo em disfagia, afirmando ser de competência desse profissional o uso de tecnologias e recursos terapêuticos coadjuvantes. Importante ressaltar que essa resolução foi recentemente revogada pela Resolução Nº 719, de 15 de dezembro de 202314. Vale salientar, ainda, que a inclusão do uso do LBI como recurso terapêutico associado aos procedimentos clínicos fonoaudiológicos convencionais ocorreu por meio da Resolução Nº 541, de 15 de março de 201915, ao passo que a TFBM foi regulamentada para esse fim em 2021, na Resolução Nº 606, de 17 de março de 202116.
Por ser a paralisia cerebral (PC) uma condição multifatorial caracterizada por um grupo de desordens permanentes do desenvolvimento do controle motor e da postura, decorrentes de uma lesão não progressiva do sistema nervoso central imaturo, podendo haver mudanças em suas manifestações clínicas ao longo do tempo, conferindo limitações funcionais e consequentes impactos negativos à saúde17, essa condição pode estar associada a uma ampla variedade de distúrbios, incluindo alterações sensoperceptivas, cognitivas, comunicativas, comportamentais, de aprendizagem. Também são frequentes os comprometimentos relacionados ao sono, humor, ansiedade, trato gastrointestinal, crescimento, estado nutricional, crises convulsivas, doenças respiratórias e problemas musculoesqueléticos secundários17.
Considerada a causa mais comum de incapacidade do neurodesenvolvimento na infância18, a PC possui etiologia heterogênea, incluindo fatores pré-concepcionais, perinatais e intraparto19, afetando duas crianças a cada mil nascidas vivas em todo o mundo20.
Estima-se que de 19 a 99% das pessoas acometidas por PC apresentem dificuldades alimentares21 decorrentes de alterações biomecânicas da deglutição, estando as estruturas orais envolvidas na deglutição, participando, também, de outras funções, como a sucção, mastigação, respiração, voz e fala22, dificuldades essas, intimamente ligadas ao comprometimento motor global.
Nesta população observa-se um maior percentual de disfagia orofaríngea de moderada a grave nos níveis IV e V do Gross Motor Function Classification System (GMFCS)23, o que justifica a subdivisão da Curva de Crescimento da Criança com PC para crianças classificadas no nível V do GMFCS em: com alimentação por via oral ou com alimentação por gastrostomia21-24, cabendo ao fonoaudiólogo, especialista nessa área, atuar na prevenção, avaliação e tratamento das alterações na deglutição22.
Quaisquer alterações no trajeto do alimento da boca ao estômago poderão conferir impactos biopsicossociais22. Importante ressaltar que essas alterações podem levar à desnutrição, desidratação, pneumonia aspirativa, regurgitação nasofaríngea, retardo do crescimento e a morbimortalidade da criança acometida24-27.
Por isso, é necessária uma criteriosa anamnese e avaliação anatomofuncional da deglutição, com olhar especial às fases preparatória oral, oral propriamente dita e faríngea, visando prevenir e/ou minimizar possíveis riscos à saúde. É fundamental que seja realizada uma avaliação dinâmica e objetiva da deglutição para corroborar não apenas o diagnóstico fonoaudiológico, mas também com o plano terapêutico singular que contemple o tratamento das desordens da deglutição28,29, estabelecendo uma via oral funcional com adequação da dieta, identificando condições clínicas desfavoráveis para alimentação oral, indicando a via alternativa de alimentação (VAA) quando necessária, atuando numa equipe multidisciplinar22.
Dessa forma, o fonoaudiólogo poderá investigar queixas familiares relacionadas a dificuldades alimentares e/ou à deglutição da criança, assim como a presença de crises convulsivas, doença do refluxo gastroesofágico, identificando as alterações apresentadas nas diversas fases da deglutição como: vedamento labial ineficiente com escape anterior do alimento, alteração dos reflexos orais, protrusão dinâmica de língua, insuficiência velofaríngea com regurgitação nasal, mastigação com padrão de amassamento, atraso no disparo da deglutição, pobre elevação de laringe, sinais sugestivos de penetração e/ou aspiração laringotraqueal, dentre outras.
Tais achados nortearão a conduta terapêutica, sendo estas: a modificação e alteração das consistências alimentares e a determinação do volume da dieta oral para o treino da deglutição, com atenção aos parâmetros respiratórios fisiológicos devido ao risco de complicações pulmonares decorrentes da disfagia, a orientação para a realização de manobras fonoaudiológicas para a adequação dos padrões da deglutição, o posicionamento da criança com alinhamento biomecânico, bem como o uso de tecnologias terapêuticas coadjuvantes, dentre outros, regulamentados pelo CFFa13,14 para a atuação do profissional fonoaudiólogo em disfagia, visando uma alimentação por via oral segura.
Embora esse processo de avaliação seja norteador de uma conduta terapêutica assertiva, o profissional que realiza a TFBM com LBI, como coadjuvante à terapia fonoaudiológica, deverá levar em consideração as características individuais como fototipo de pele, condição clínica a ser tratada, características do tecido alvo e presença de doenças concomitantes1, além da ação biomoduladora do LBI, definindo o comprimento de onda a ser empregado, a energia, potência e fluência, irradiância, tempo de irradiação necessário, modo de emissão, tipo de intervenção e método de irradiação.
Esse artigo teve como objetivo revisar a literatura sobre o efeito da TFBM com uso de LBI no desempenho muscular na musculatura da cabeça e do pescoço em crianças com PC.
MÉTODOS
Processo de Revisão Integrativa
Trata-se de um estudo de natureza exploratório-descritiva, do tipo revisão integrativa, sobre a TFBM a LBI na musculatura da cabeça e do pescoço na criança com PC, de acordo com o Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses 2020 (PRISMA)30.
Estratégias para Identificação de Estudos
Esse estudo foi desenvolvido em seis fases bem delimitadas e de fácil organização e compreensão. Inicialmente, formulou-se a pergunta norteadora: “A TFBM com uso de LBI aplicada na musculatura da cabeça e do pescoço em crianças com PC pode ser eficaz no desempenho muscular?”, considerando a população-alvo, o interesse, o tipo da intervenção, os desfechos e o tempo necessário para a obtenção desses desfechos31.
A busca da literatura incluiu artigos publicados até 31 de dezembro de 2023, nas seguintes bases de dados: Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), United States National Library of Medicine (PubMed), Scientific Electronic Library Online (SciELO), Excerpta Medica dataBASE (Embase), ScienceDirect Platform e Cochrane Library.
As palavras-chave selecionadas foram extraídas dos vocabulários controlados Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e Medical Subject Headings (MeSH): “terapia com luz de baixa intensidade”, “criança”, “paralisia cerebral”, “músculos faciais”, “músculo masseter” e “músculos do pescoço”, incluindo os respectivos termos em inglês, além dos termos alternativos para cada um deles, empregando-se os descritores combinados com operadores booleanos “AND” e “OR”, de acordo com Quadro 1.
Seleção de Artigos nas Bases de Dados
A seleção da amostra foi realizada em quatro etapas: análise dos títulos, dos resumos, dos textos completos e inclusão dos artigos.
Buscou-se incluir artigos sobre o uso da TFBM com o uso de LBI que respondessem à pergunta norteadora, sem restrição de idioma ou ano de publicação.
Optou-se por artigos originais, ensaios clínicos controlados e revisões sistemáticas, aplicando-se filtros de acordo com cada base de dados conforme mostra o Quadro 2, considerando a hierarquia da evidência e priorizando estudos com maior força de evidência.
Foram excluídos relatos de casos, projetos, livros, assim como pesquisas realizadas com animais, além daquelas sobre terapia fotodinâmica, laser acupuntura, laser pontual aplicado em membros superiores e inferiores para manejo da espasticidade, Intravascular Laser Irradiation of Blood (ILIB) ou terapia sistêmica, manejo da dor e reparação tecidual, xerostomia e FBM Transcraniana.
A princípio foi feita uma seleção por meio da leitura dos títulos e resumos, sendo excluídos os artigos que não atenderam aos critérios de inclusão.
A seguir foi realizada a leitura do texto completo dos artigos selecionados, identificando o tipo de FBM utilizado, buscando apenas aqueles que utilizaram LBI, mencionaram a ação biomoduladora estimulada, além dos parâmetros dosimétricos utilizados, leitura esta necessária quando o título do artigo e/ou resumo não esclarecessem se o artigo era relevante para a pergunta norteadora.
Tratamento dos Dados Coletados
Para a coleta de dados e elaboração da síntese das informações foi criado um quadro comparativo utilizando-se do fichamento URSI (2005), adaptado32, elencando-se as seguintes variáveis para análise: autor; ano de publicação; país em que a pesquisa foi realizada; objetivo principal do estudo; número de participantes; condições de saúde dos participantes; divisão de grupos; avaliações realizadas para atingir os objetivos; parâmetros dosimétricos utilizados; equipamentos utilizados; protocolo utilizado; principais resultados obtidos.
REVISÃO DA LITERATURA
O panorama das bases de dados e estratégias de busca utilizadas, de acordo com os descritores elencados nessa revisão integrativa foram apresentados no Quadro 3, ao passo que a distribuição dos artigos selecionados para leitura dos títulos e/ou resumos e leitura na íntegra de acordo com autores/anos e os objetivos dos estudos foi apresentada no Quadro 4.
Optou-se por apresentar, na Figura 1, o fluxograma do rastreio de estudos para composição da revisão a partir da recomendação PRISMA30.
Portal Regional da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS)
Na BVS foram encontrados na BUSCA 1 para o descritor D1 (“low-level light therapy”) 8.312 resultados, sendo mais representativas as bases de dados Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE) com 7.772 artigos e Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) com 495 artigos, com predomínio dos idiomas inglês e português, e dos tipos de estudos: artigos (8.204) e teses (108). Na BUSCA 2, referente ao descritor combinado D2 (“low-level light therapy” AND “child”) foram encontrados 399 artigos, do quais 378 estavam na MEDLINE e 17 na LILACS, com maior expressividade para artigos em inglês e português, assim como para artigos (392) e teses (sete). Na BUSCA 3 para o descritor combinado D3 (“low-level light therapy” AND “child” AND “cerebral palsy”) foram encontrados 10 artigos, todos na MEDLINE, sendo todos artigos e publicados em inglês. Desses 10 artigos, oito foram excluídos por não responderem à pergunta norteadora3,33-39, e dois incluídos40,41 para essa revisão. Por fim, na BUSCA 4 para o descritor combinado D4 (“low-level light therapy” AND “child” AND “cerebral palsy” AND “facial muscles” OR “masseter muscle” OR “neck muscles”) foram encontrados dois artigos40,41, os quais já haviam sido incluídos na busca anterior.
Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos (PubMed)
Na PubMed, na BUSCA 1 para o descritor D1 (“low-level light therapy”) foram encontrados 1.901 resultados, dos quais 1.272 eram ensaios clínicos randomizados e controlados, 583 revisões sistemáticas e 46 meta-análises. Na BUSCA 2 para o descritor combinado D2 (“low-level light therapy” AND “child”) foram encontrados 140 resultados, sendo 103 ensaios clínicos randomizados e controlados, 14 revisões sistemáticas e 23 meta-análises. Na BUSCA 3 para o descritor combinado D3 (“low-level light therapy” AND “child” AND “cerebral palsy”) foram encontrados 12 resultados. Desses, oito foram excluídos3,33-39 por não responderem à pergunta norteadora e já terem sido identificados e excluídos em busca na BVS; dois foram excluídos, embora respondessem à pergunta norteadora40,41, pois já haviam sido incluídos nesta revisão; e dois foram excluídos por não responderem à pergunta norteadora42,43. E, na BUSCA 4 para o descritor combinado D4 (“low-level light therapy” AND “child” AND “cerebral palsy” AND “facial muscles” OR “masseter muscle” OR “neck muscles”) foram encontrados dois resultados, já incluídos na BVS e excluídos na busca anterior40,41.
Biblioteca Digital Scientific Electronic Library Online (SciELO)
Na SciELO, foram encontrados 149 resultados para o descritor D1 (“low-level light therapy”) na BUSCA 1. Na BUSCA 2 para o descritor combinado D2 (“low-level light therapy” AND “child”) foram encontrados sete resultados. Desses, quatro foram excluídos por abordarem o LBI em condição fora do escopo44-47 para esta revisão e três por já terem sido identificados e excluídos3,38,39 em busca na BVS e PubMed. Na BUSCA 3 para o descritor combinado D3 (“low-level light therapy” AND “child” AND “cerebral palsy”) foram encontrados três resultados3,38,39, todos já excluídos na busca anterior. Na BUSCA 4 para o descritor combinado D4 (“low-level light therapy” AND “child” AND “cerebral palsy” AND “facial muscles” OR “masseter muscle” OR “neck muscles”), não foram encontrados resultados.
Excerpta Medica Database (Embase)
Na Embase, foram encontrados 16.350 resultados para o descritor D1 (“low-level light therapy”), na BUSCA 1. Na BUSCA 2 para o descritor combinado D2 (“low-level light therapy” AND “child”) foram encontrados 1.596 resultados. Na BUSCA 3 para o descritor combinado D3 (“low-level light therapy” AND “child” AND “cerebral palsy”) foram encontrados 12 resultados3,33-43. Na BUSCA 4 para o descritor combinado D4 (“low-level light therapy” AND “child” AND “cerebral palsy” AND “facial muscles” OR “masseter muscle” OR “neck muscles”) foram encontrados dois artigos40,41, já incluídos na busca na BVS e, portanto, excluídos nesta busca por duplicidade.
ScienceDirect Platform
Na ScienceDirect, foram encontrados 337 resultados para o descritor D1 (“low-level light therapy”), na BUSCA 1, sendo 267 artigos originais e 70 artigos de revisão. Na BUSCA 2 para o descritor combinado D2 (“low-level light therapy” AND “child”) foram encontrados cinco resultados, sendo dois excluídos por abordarem o uso do LBI aplicado ao reparo tecidual, edema, analgesia pós-operatória de insuficiência velofaríngea e laser acupuntura47,48, por não responderem à pergunta norteadora; e três que, embora abordassem o uso do LBI na criança com PC não responderam à pergunta norteadora34,35,42. Na BUSCA 3 para o descritor combinado D3 (“low-level light therapy” AND “child” AND “cerebral palsy”) foram encontrados três resultados34,35,42, já excluídos na busca anterior. Na BUSCA 4, para o descritor combinado D4 (“low-level light therapy” AND “child” AND “cerebral palsy” AND “facial muscles” OR “masseter muscle” OR “neck muscles”), não foram encontrados resultados.
Cochrane Library
Na Cochrane Library, na BUSCA 1, foram encontrados 3.042 resultados para o descritor D1 (“low-level light therapy”) destes, 3.027 ensaios, 13 comentários Cochrane, um produto Cochrane e uma resposta clínica. Na BUSCA 2 para o descritor combinado D2 (“low-level light therapy” AND “child”) foram encontrados 166 resultados. Na BUSCA 3 para o descritor combinado D3 (“low-level light therapy” AND “child” AND “cerebral palsy”) foram encontrados quatro resultados. Após a leitura do título, todos foram excluídos34,35,37,43 por não responderem à pergunta norteadora, já tendo sido os quatro artigos, identificados e excluídos em busca em outras bases de dados. Na BUSCA 4 para o descritor combinado D4 (“low-level light therapy” AND “child” AND “cerebral palsy” AND “facial muscles” OR “masseter muscle” OR “neck muscles”) não foram encontrados resultados.
Optou-se por apresentar a síntese dos dois artigos incluídos40,41 nessa revisão integrativa, levando em consideração o fichamento URSI 2005 adaptado32, no Quadro 5, de acordo com variáveis descritas anteriormente, comparando-os.
Os trabalhos publicados sobre o uso do LBI vêm sendo desenvolvidos desde a década de 60, com importantes estudos nos anos 80 investigando seus efeitos sobre os tecidos biológicos, sendo atribuída a absorção dessa radiação por componentes da cadeia respiratória celular para explicar o mecanismo da FBM.
Embora essa temática venha sendo cada vez mais estudada, já existindo revisões sistemáticas com meta-análise4,49,50 sobre o uso da TFBM nos músculos em humanos, a primeira publicação na musculatura da cabeça e pescoço data de 2003, havendo apenas 50 estudos publicados voltados à essa musculatura51.
Como terapia coadjuvante à fonoterapia convencional em pacientes com distúrbios miofuncionais orofaciais, a maioria dos estudos abordam a TFBM a LBI relacionando-a à disfunção temporomandibular, bruxismo, desempenho muscular, pontos de tensão muscular e dor miofascial, reparação tecidual, analgesia no pós-cirúrgico, além do controle da saliva, principalmente nos casos de xerostomia52.
Sabendo que a espasticidade é a comorbidade neuromotora mais frequente na PC podendo comprometer o bem-estar, a saúde e a qualidade de vida dos acometidos e seus familiares, optou-se pela leitura na íntegra dos dois artigos40,41 incluídos nessa revisão, publicados no Brasil, em 2016 e 2017, respectivamente. Ambos avaliaram a ação da TFBM a LBI sobre a musculatura mastigatória espástica de crianças com PC, sendo escolhidas as seguintes variáveis para análise desses artigos: autor, ano de publicação e país onde foi realizada a pesquisa; principal objetivo do estudo; número de sujeitos, condições de saúde e divisão em grupos; avaliações realizadas para mensurar os objetivos; parâmetros dosimétricos; equipamento utilizado; protocolo de aplicação utilizado; e principais resultados obtidos.
Enquanto o primeiro estudo40 avaliou o efeito da TFBM a LBI nos músculos masseter e temporal, o segundo estudo41 avaliou a eficácia apenas no músculo masseter. Ambos utilizaram o comprimento de onda infravermelho (808 nm), embora outros estudos relatem o uso concomitante de LBI vermelho e infravermelho para essa musculatura. Esses estudos incluídos40,41 realizaram aplicação do LBI com contato pontual com leve compressão, por apresentar, o modo pontual, maior grau de penetração no tecido estudado, potencializando sua ação, corroborando com a maioria dos estudos sobre LBI que mostram desfecho positivo para esse modo de aplicação49. Aqui ressalta-se outro estudo com desfecho negativo53, no qual os autores referem não haver redução da fadiga muscular esquelética induzida pela estimulação elétrica neuromuscular quando aplicado 7 J e 3 J, relacionando o desfecho negativo ao modo de aplicação em varredura e ao ângulo da fibra óptica em relação ao tecido irradiado maior que 90o .
Os dois artigos incluídos apresentaram informações claras, descrevendo a técnica usada para alocação, admitindo crianças com PC espástica. Enquanto o primeiro40 admitiu 30 crianças de 8 a 14 anos, de ambos os sexos, capazes de seguir instruções verbais e serem cooperativas, o segundo41 admitiu 52 crianças de 5 a 17 anos, com função cognitiva parcialmente preservada, tendo como critério de exclusão o uso de analgésicos, anti-inflamatórios, antiespasmódicos, toxina botulínica tipo A nos músculos estudados nos três meses anteriores à coleta de dados, relato de dor oral ou dentária, assim como uso aparelhos ortodônticos40, e a presença de doença genética ou clínica adquirida, com comprometimento muscular e uso de medicação analgésica41.
A amplitude de abertura de boca foi avaliada nos dois estudos40,41 sendo a força de mordida avaliada no primeiro estudo, ao passo que a espessura do músculo masseter e o impacto na qualidade de vida relacionada à saúde oral foram avaliados no segundo, sendo a amplitude de abertura da boca e força de mordida registradas antes e imediatamente após cada sessão de LBI, assim como durante as três semanas de acompanhamento clínico40.
O primeiro estudo40 foi longitudinal, pareado, enquanto no segundo41 os sujeitos foram pareados por sexo, idade e tipo de PC, formando três grupos: grupo experimental; grupo controle positivo; e grupo controle negativo.
Para avaliar os desfechos os estudos incluídos utilizaram dinamômetro eletrônico (modelo DMD Kratos Equipments, São Paulo, Brasil) para medir a força de mordida40, paquímetro para medir a amplitude de abertura bucal40,41, equipamento de ultrassonografia ACUSON X300 de 8 MHz em tempo real™ Ultrasound System, Premium Edition (Siemens AG, Healthcare Sector, Erlangen, Alemanha) para avaliar a espessura do músculo masseter41 e, versão brasileira validada do Questionário de Percepção Parental-Cuidador para avaliar a qualidade de vida relacionada à saúde oral41.
Para aplicação da TFBM a LBI esses estudos utilizaram protocolos com parâmetros dosimétricos semelhantes, com laser Arseneto de Gálio-Aluminio da Twin Flex Evolution Laser MMOptics, no comprimento de onda infravermelho, modo contínuo, com aplicação pontual. No primeiro estudo os músculos masseter e temporal40 foram irradiados bilateralmente por três semanas consecutivas, no ponto central de cada músculo, perfazendo um total de seis aplicações, baseado em estudo anterior sobre o uso de LBI InGaAIP para reparo tecidual no tratamento de lesão labial traumática em criança com PC espástica. No segundo estudo, o músculo masseter41 foi irradiado bilateralmente por seis semanas consecutivas no grupo controle, por 20 segundos por ponto, ao passo que estudo de LBI aplicado na musculatura espástica de membros superiores na criança com PC os autores referem desfecho positivo para modo de aplicação por contato por pelo menos 30 segundos49, levando-se em consideração o tamanho da fibra muscular para a escolha dos parâmetros dosimétricos.
Ambos os estudos incluídos apresentaram desfecho positivo quando aplicado a fluência de 3J/cm2, corroborando pesquisas que referem interferência da energia sobre o desfecho havendo padrão dose-resposta bifásico onde doses baixas não apresentam efeito, doses intermediárias levam a efeito estimulatório e altas doses à inibição54, sendo o comprimento de onda e dose cruciais para produzir desfechos positivos55,56, com dose na dependência do grupo muscular57. Assim, nos estudos incluídos observou-se relaxamento da musculatura estudada e consequente redução da força de mordida, aumento da abertura de boca e da espessura do músculo irradiado, concluindo ser a TFBM a LBI uma ferramenta terapêutica não invasiva a curto prazo e reversível para a população estudada podendo haver uma possível melhora na alimentação por via oral, na higiene oral, assim como diminuição do trauma de partes moles durante os espasmos musculares, sugerindo, os autores, que as aplicações semanais sejam contínuas para manter os efeitos alcançados nos sujeitos estudados.
Nesses dois estudos incluídos, a população estudada, as intervenções aplicadas, os métodos de coleta de dados, assim como os critérios de avaliação e comparação dos desfechos foram semelhantes, não sendo observado, portanto uma heterogeneidade entre eles.
Em contrapartida, a não randomização dos sujeitos envolvidos nos respectivos estudos por razões éticas e a impossibilidade de realizar o acompanhamento a longo prazo de todos esses sujeitos pode ser considerada uma limitação dos estudos incluídos.
Destaca-se como ponto forte dessa revisão integrativa a elaboração da pergunta norteadora baseada na estratégia PICO31, além do processo de revisão baseado nas recomendações PRISMA30, o registro dos resultados de acordo com URSI32, buscando evidências científicas robustas.
Essa revisão encontrou limitações relacionadas ao número inexpressivo de estudos que abordem o uso do LBI, no desempenho muscular na musculatura da cabeça e pescoço na criança com PC.
CONCLUSÃO
O estudo identificou uma lacuna a respeito da temática abordada que não permite uma conclusão definitiva sobre o assunto. Entretanto, a fotobiomodulação a laser de baixa intensidade, aplicada na musculatura da cabeça e do pescoço em crianças com paralisia cerebral, parece ser promissora para o desempenho muscular. Ainda não existem artigos científicos que abordem o uso deste recurso para a sensibilidade intraoral, para o fluxo salivar e para a deglutição na população estudada.
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Estudo realizado na Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, Ceará, Brasil.
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Fonte de financiamento: Nada a declarar
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Declaração de compartilhamento de dados:
Os dados utilizados nesta revisão foram obtidos por meio de buscas sistemáticas em bases científicas, incluindo BVS, PubMed, SciELO, Embase, ScienceDirect e Cochrane Library, seguindo as diretrizes do PRISMA 2020. A estratégia de busca envolveu a combinação de descritores com operadores booleanos, priorizando estudos de maior força de evidência para garantir abrangência e relevância. Os conjuntos de dados gerados desde as buscas iniciais até a seleção e inclusão dos artigos serão compartilhados em acesso aberto, devendo ser disponibilizado: estratégia de busca completa; filtros aplicados por base de dados; critérios de elegibilidade elencados; lista dos estudos selecionados e panorama das buscas; síntese dos resultados incluídos. Os dados estarão acessíveis a partir da publicação do manuscrito e poderão ser consultados diretamente no artigo, permitindo reutilização acadêmica e científica.
Os dados utilizados nesta revisão foram obtidos por meio de buscas sistemáticas em bases científicas, incluindo BVS, PubMed, SciELO, Embase, ScienceDirect e Cochrane Library, seguindo as diretrizes do PRISMA 2020. A estratégia de busca envolveu a combinação de descritores com operadores booleanos, priorizando estudos de maior força de evidência para garantir abrangência e relevância. Os conjuntos de dados gerados desde as buscas iniciais até a seleção e inclusão dos artigos serão compartilhados em acesso aberto, devendo ser disponibilizado: estratégia de busca completa; filtros aplicados por base de dados; critérios de elegibilidade elencados; lista dos estudos selecionados e panorama das buscas; síntese dos resultados incluídos. Os dados estarão acessíveis a partir da publicação do manuscrito e poderão ser consultados diretamente no artigo, permitindo reutilização acadêmica e científica.


Fluxograma do rastreio de estudos para composição da revisão a partir da recomendação PRISMA (Page et al., 2020)