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Revista Brasileira de Enfermagem

Print version ISSN 0034-7167On-line version ISSN 1984-0446

Rev. Bras. Enferm. vol.73 no.4 Brasília  2020  Epub June 24, 2020

https://doi.org/10.1590/0034-7167-2020730401 

EDITORIAL

Pesquisas inovadoras na enfermagem: uma mudança necessária

Mitzy Tannia ReichembachI 
http://orcid.org/0000-0001-5380-7818

Letícia PontesII 
http://orcid.org/0000-0002-6766-7550

IEnfermeira. Doutora em História. Professora Associada da Universidade Federal do Paraná. Vice-Coordenadora do Programa de Pós Graduação em Prática do Cuidado em Saúde, Mestrado Profissional, da Universidade Federal do Paraná, gestão 2019-2021. Líder do Grupo de Pesquisa Tecnologia e Inovação em Saúde da Universidade Federal do Paraná. Curitiba, Paraná, Brasil.

IIEnfermeira. Doutora em Educação. Professora Adjunta da Universidade Federal do Paraná. Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Prática do Cuidado em Saúde, Mestrado Profissional, da Universidade Federal do Paraná, gestão 2019-2021. Membro do Grupo de Pesquisa Tecnologia e Inovação em Saúde da Universidade Federal do Paraná. Curitiba, Paraná, Brasil.


As transformações sociais e econômicas, no mundo todo, exigem forte investimento em pesquisa e inovação. Os países menos desenvolvidos se tiverem um nível mínimo de capital humano e infraestrutura institucional podem desenvolver pesquisas de inovação e garantir resultados e impacto(1).

Na área da saúde, em especial a enfermagem, um novo olhar para os modelos de pesquisa tem sido considerado. Indiscutivelmente, a pesquisa básica é necessária e essencial, mas, sem dúvida, deve haver uma razão no futuro aplicado, por mais distante que possa parecer. Essas pesquisas sustentam, com um arcabouço de informações, àquelas atualmente tão almejadas, as pesquisas de inovação.

Há uma década, o editorial de revista indexada da área de enfermagem já sinalizava a importância da discussão para o investimento em pesquisa de inovação na enfermagem, destacando a possibilidade de mudanças na qualidade ou na produtividade dos serviços(2). Naquele momento, considerou-se que a enfermagem tinha por desafios treinar e capacitar cientistas para trabalhar em nível internacional sobre a inovação da ciência e que esse seria o papel a ser desempenhado pelo sistema de ensino, incluindo os Programas de Pós-Graduação. Por sua vez, as instituições de fomento precisariam ampliar o financiamento para as pesquisas nacionais(2).

Mais recentemente, em resposta a esta provocação, os Programas de Pós Graduação mudaram sua dinâmica, em especial os Programas de Mestrado Profissional de Enfermagem, os quais investiram fortemente em pesquisas de inovação tecnológica. O desenvolvimento de pesquisas que apresentam como resultado inovação nos processos assistenciais, como, por exemplo, protocolos baseados nas melhores evidências, instrumentos de avaliação validados, definição de processos de trabalho sistematizados, entre outros, têm contribuído significativamente na melhoria da assistência de enfermagem.

Por sua vez, o Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) passou a investir efetivamente na qualificação dos profissionais, com o objetivo de capacitá-lo para a inovação na ciência. Como estratégia, vem aplicando recursos financeiros nos Programas de Pós-Graduação em Enfermagem na modalidade profissional, que têm interesse em desenvolver pesquisas inovadoras para a consolidação da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) e Gestão do Cuidado.

Além disso, o COFEN realizou o 22º Congresso Brasileiro dos Conselhos de Enfermagem em novembro de 2019, com a inteção de avançar nas discussões sobre a inovação na enfermagem, propiciando a divulgação e premiação de pesquisas em inovação tecnológica. No mesmo ano, em parceria com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), criaram o “Laboratório de Inovação em Enfermagem: Valorizar e Fortalecer a Saúde Universal”. O objetivo é mapear, sistematizar e divulgar experiências inovadoras produzidas pela enfermagem no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), na área da gestão de serviços, da atenção à saúde da população, da educação e formação profissional(3).

Parece-nos que a inovação na enfermagem possa ser percebida como sinônimo de mudança e, na atualidade, para que os profissionais de saúde obtenham resultados na qualidade da assistência, as pesquisas de inovação são essenciais frente às mudanças que acontecem na sociedade. Dessa forma, essas pesquisas têm sido um alento tanto para a criação de novas formas de assistir quanto para mudanças nos processos de trabalho da enfermagem. Uma pesquisa inovadora parte da capacidade de medir e avaliar, para melhorar continuamente os processos de prestação de cuidados, sendo capaz de dar aspecto novo a um cuidado ou, ainda, melhorar a forma de desenvolvê-lo.

Para um avanço substancial dessa temática na enfermagem, é imprescindível pensar e agir para além do tradicional, do comum, do determinado para o novo. É preciso ousar como visionários e protagonistas de pesquisas que provoquem mudanças reais na assistência a saúde ao redor do mundo.

REFERENCES

1 Paul GHE. Science and Innovation for Development[Internet]. Luxembourg: Publications Office of the European Union, 2016[cited 2020 Apr 26]. Available from: https://ec.europa.eu/research/iscp/pdf/publications/ki0116693enn_executive_summary.pdfLinks ]

2 Marziale MHP. Strategic research, technological innovation and nursing [Editorial]. Rev Latino-Am Enfermagem [Internet]. 2010 [cited 2020 Apr 26];18(1):[02 telas]. Available from: https://www.scielo.br/pdf/rlae/v18n1/01.pdfLinks ]

3 Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). Organização Pan-Americana da Saúde-Brasil (OPAS/OMS). Laboratório de Inovação em Enfermagem[Internet]. 2020[cited 2020 Apr 26]. Available from: https://apsredes.org/enfermagem/Links ]

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