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Arquivos Brasileiros de Cardiologia

Print version ISSN 0066-782X

Arq. Bras. Cardiol. vol.95 no.1 São Paulo July 2010

https://doi.org/10.1590/S0066-782X2010001100020 

ARTIGO DE REVISÃO

 

Efeitos do treinamento resistido sobre a pressão arterial de idosos

 

 

Andréia Cristiane Carrenho Queiroz; Hélcio Kanegusuku; Cláudia Lúcia de Moraes Forjaz

Laboratório de Hemodinâmica da Atividade Motora - Escola de Educação Física e Esporte - Universidade de São Paulo, São Paulo, SP - Brasil

Correspondência

 

 


RESUMO

O processo de envelhecimento reduz drasticamente a massa, a força e a potência musculares, diminuindo a capacidade de execução das atividades da vida diária. A prática de exercícios resistidos pode reverter esse quadro, auxiliando na manutenção da massa muscular e melhorando sua força e resistência. No entanto, o envelhecimento ocasiona alterações cardiovasculares, que podem resultar em aumento nos níveis de pressão arterial de repouso, sendo importante analisar os efeitos do exercício resistido sobre a pressão arterial de indivíduos idosos. O objetivo deste estudo é avaliar o conhecimento científico existente sobre as respostas da pressão arterial aos exercícios resistidos e seus mecanismos em idosos. Para tanto, realizou-se uma revisão bibliográfica baseada nas literaturas portuguesa e inglesa relacionadas ao tema. Com base nos estudos encontrados, o corpus atual, embora escasso e controverso, sugere que, de forma crônica, os exercícios resistidos podem ter efeito hipotensor em indivíduos idosos. Entretanto, esse efeito ocorre, principalmente, em idosos normotensos e com o treinamento de baixa intensidade. Os mecanismos envolvidos nessa resposta hipotensora ainda precisam ser elucidados. Embora o treinamento resistido esteja sendo recomendado para idosos e haja alguns indicativos de que ele possa ter efeito hipotensor crônico, ainda há carência de dados científicos e muitas controvérsias sobre o assunto, o que evidencia que este ainda é um campo aberto à investigação.

Palavras-chave: Pressão arterial, envelhecimento, exercício.


 

 

Introdução

A melhora nas condições de vida e os avanços da medicina, advindos do progresso da sociedade, têm resultado no aumento da expectativa de vida, principalmente nos países em desenvolvimento1, aumentando expressivamente a quantidade de pessoas que atingem os 60 anos2. No Brasil, a Organização das Nações Unidas3 (ONU) estimava para 2005 um número superior a 16 milhões para a população idosa.

O processo de envelhecimento pode ser definido, dentre outros conceitos, como a soma de alterações biológicas, psicológicas e sociais que levam à redução gradual da capacidade de adaptação e de desempenho do indivíduo4, tornando-o mais vulnerável a processos patológicos. Apesar dos avanços citados anteriormente, o processo de envelhecimento faz com que, após a sexta década de vida, haja uma acentuada perda na massa, força e potência musculares5. Tais modificações reduzem substancialmente a capacidade de execução das atividades da vida diária, aumentando o grau de deficiência dos idosos6. Como consequência, verifica-se aumento no número de quedas nessa fase da vida, o que comumente resulta em fraturas7,8. De fato, mais de 90% das fraturas em idosos são decorrentes de quedas - responsáveis por 70% das mortes acidentais em pessoas com 75 anos ou mais9.

Para prevenir esse quadro, é fundamental adotar condutas que mantenham a força muscular, já que, mesmo nos idosos, o sistema neuromuscular ainda conserva parte de sua plasticidade, podendo se adaptar em resposta a estímulos físicos10. Assim, o exercício resistido tem surgido como uma boa solução.

Diversos estudos11-13 têm relatado importantes benefícios musculares desse treinamento na população idosa, como a manutenção da massa muscular e o aumento expressivo da força e potência musculares. Por esse motivo, o exercício resistido vem sendo considerado uma intervenção promissora para impedir ou reverter, pelo menos em parte, as perdas decorrentes do envelhecimento. Ele tem sido fortemente recomendado para a terceira idade14, resultando na melhora das habilidades funcionais, do estado de saúde, da qualidade de vida e da independência dos idosos15.

Além dos prejuízos musculares, o envelhecimento também ocasiona alterações decrementais na função cardiovascular, as quais, com o avanço da idade16, resultam no aumento progressivo da pressão arterial. Tais alterações podem influenciar as respostas cardiovasculares ao treinamento resistido. é interessante observar que, mesmo em indivíduos jovens e de meia-idade, os efeitos do treinamento resistido sobre a função cardiovascular são controversos17,18. Como está sendo recomendado para idosos, que podem apresentar alterações na função cardiovascular, torna-se importante investigar os efeitos desse treinamento na pressão arterial destes indivíduos.

O objetivo desse artigo foi realizar uma revisão narrativa sobre esse assunto, discutindo o conhecimento científico atual acerca das respostas da pressão arterial e seus possíveis mecanismos regulatórios, hemodinâmicos e neurais, após um período de treinamento resistido em indivíduos idosos. Ao longo do texto, serão abordadas, inicialmente, as alterações da pressão arterial e seus mecanismos em relação ao envelhecimento e, posteriormente, o efeito do treinamento resistido sobre tais parâmetros.

Foram realizadas buscas em bibliotecas da área de Ciências Biológicas - revistas eletrônicas e bases de dados virtuais, como MEDLINE, PUBMED e SCIELO - nos últimos 20 anos a fim de identificar, principalmente, ensaios clínicos controlados e randomizados que tenham avaliado os efeitos crônicos do exercício resistido sobre a pressão arterial de indivíduos idosos. Foram utilizadas nas buscas as seguintes palavras-chave: pressão arterial, envelhecimento, exercício resistido/força, treinamento resistido/força e suas respectivas traduções para a língua inglesa.

 

Sistema cardiovascular e envelhecimento

O envelhecimento se associa a várias alterações que culminam com o aumento expressivo de doenças do sistema cardiovascular19. Entre as alterações mais notáveis que acompanham o envelhecimento, destacamos o aumento da pressão arterial, resultado de modificações estruturais e funcionais no coração e nos vasos, além de alterações no sistema nervoso autonômico20-23.

Com o passar dos anos, a artéria aorta e a árvore arterial sofrem redução de sua complacência e distensibilidade, tornando-se mais rígidas. Essas modificações levam ao aumento da pressão arterial sistólica, o que impõe uma sobrecarga ao coração20,21,24, resultando na deposição de colágeno e no aumento da espessura das paredes do ventrículo esquerdo, aumentando também a rigidez cardíaca24,25. Entretanto, mesmo com tais alterações estruturais cardíacas, a função sistólica mantém-se inalterada, ao passo que a complacência ventricular diminui, prejudicando a função diastólica e causando um aumento no tempo de relaxamento ventricular20,24.

Com o envelhecimento, a circulação periférica também sofre alterações, tanto morfológicas quanto funcionais, como a redução da relação capilar-fibra no músculo e diminuição do diâmetro capilar22. Além disso, há redução na liberação de óxido nítrico e menor resposta vasodilatadora dependente do endotélio24, resultando em menor responsividade vascular aos estímulos neuro-humorais de vasodilatação. Dessa forma, a resistência vascular periférica total aumenta, podendo levar também ao aumento da pressão arterial diastólica e média22,26.

O processo de envelhecimento também promove alteração da modulação da função cardíaca pelo sistema nervoso autonômico. Há redução da variabilidade da frequência cardíaca23,27,28, com aumento do componente de baixa frequência e redução do componente de alta frequência, o que indica um aumento da modulação simpática e uma diminuição da parassimpática para o coração, explicando a elevação da frequência cardíaca com o aumento da idade.

Todas as alterações expostas anteriormente aumentam a chance de se desenvolver hipertensão arterial no indivíduo idoso16, impondo uma sobrecarga ao sistema cardiovascular já envelhecido. De fato, a prevalência de hipertensão arterial aumenta com a idade29, chegando a 60% nos idosos16. O aumento da pressão arterial na terceira idade tem uma relação forte e direta com a mortalidade vascular30, sendo um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças, tais como a insuficiência coronariana, a insuficiência cardíaca e o acidente vascular encefálico16. A prevenção da elevação da pressão arterial na população idosa, portanto, é de suma importância.

No cenário da função cardiovascular, o exercício aeróbico se destaca como importante intervenção para a prevenção de doenças. Isso ocorre em função da existência de inúmeros estudos que comprovam seus benefícios crônicos sobre a estrutura e função cardiovasculares, principalmente na redução da pressão arterial e na prevenção da hipertensão arterial31. Por outro lado, até pouco tempo, o exercício resistido era contraindicado para indivíduos com doenças cardiovasculares, por promover uma grande sobrecarga de pressão no coração durante sua execução32. Desse modo, por muitas décadas, poucos estudos foram realizados a respeito dos efeitos desse tipo de exercício sobre o sistema cardiovascular. Com o aumento do interesse e da aplicação do exercício resistido em indivíduos idosos, seus efeitos sobre a função cardiovascular passaram a ser investigados. Assim, mais recentemente, algumas instituições de saúde, como o American College of Sports Medicine (ASCM)33 e o American Heart Association (AHA)18, passaram a recomendar o treinamento resistido, em complemento ao aeróbico, para indivíduos com problemas cardiovasculares, sobretudo mulheres e idosos, devido a seus comprovados benefícios osteomusculares11 e aos atuais indicativos de seus possíveis benefícios sobre alguns fatores de risco cardiovascular18.

 

Efeito do exercício resistido na pressão arterial

Considerando-se os efeitos do treinamento resistido sobre a pressão arterial, uma meta-análise inicial34, publicada em 2000, incluiu 11 estudos e observou redução de -2 e -4% nas pressões arteriais sistólica e diastólica, respectivamente. De modo semelhante, outra investigação mais recente35, publicada em 2005, incluiu 9 estudos controlados e aleató­rios, e verificou queda de -3,2 mmHg e -3,5 mmHg nas pressões arteriais sistólica e diastólica, respectivamente, após o treinamento resistido. Entretanto, essas meta-análises incluíram poucos estudos, e estes envolveram populações e protocolos de treinamento com diferentes características. Na presente revisão, foram levantados apenas os estudos que incluíram indivíduos idosos. Os principais resultados podem ser vistos na Tabela 1.

A redução da pressão arterial de repouso após o treinamento resistido foi observada em 10 estudos15,36-44. Em 4 estudos45-48 não houve alterações. Tais resultados sugerem que o treinamento resistido também pode ter um efeito hipotensor no idoso. Entretanto, a magnitude de modificação da pressão arterial foi diferente entre os estudos, o que sugere que fatores relacionados às características da população estudada e/ou do protocolo de treinamento realizado possam ter influenciado esta magnitude.

Considerando-se a população examinada, os estudos citados envolveram indivíduos normotensos, hipertensos e/ou diabéticos. Na população hipertensa, dos 6 estudos que incluíram estes indivíduos, 4 observaram redução da pressão arterial36,40,43,44, enquanto outros 2 não verificaram alterações45,46. Entretanto, é importante ressaltar que, em 3 dos 4 estudos que evidenciaram queda da pressão arterial, a amostra incluiu também indivíduos normotensos. Além disso, em um desses estudos, o treinamento aeróbico foi realizado concomitante ao resistido, de modo que o efeito hipotensor pode se dever ao estímulo aeróbico40. Em outros 2 estudos, os indivíduos também possuíam outras doenças metabólicas concomitantes, sendo que a presença destas doenças também pode ter influenciado os resultados36,44. Para finalizar, no único estudo que envolveu apenas idosos hipertensos43, os pacientes estavam em uso de diferentes medicações anti-hipertensivas, o que não permitiu determinar o efeito isolado do treinamento resistido sobre a pressão arterial. Nos estudos envolvendo apenas indivíduos normotensos, apenas 2 não verificaram redução da pressão arterial clínica47,48, enquanto outros 6 constataram queda desta pressão15,37-39,41,42. Tais resultados sugerem que o treinamento resistido é efetivo para reduzir a pressão arterial de idosos normotensos, mas seu efeito em hipertensos ainda precisa ser mais bem esclarecido. é importante ressaltar também que nenhum estudo evidenciou que o treinamento resistido possa aumentar a pressão arterial, nem em indivíduos normotensos, nem em hipertensos.

Com relação ao efeito da intensidade do treinamento resistido, Tsutsumi e cols.42 demonstraram, em idosos normotensos, que o treinamento realizado em menor intensidade (55 a 65% de 1 RM) foi capaz de reduzir tanto a pressão arterial sistólica quanto a diastólica, enquanto o treinamento resistido realizado com maior intensidade (75 a 85% de 1 RM) só diminuiu a pressão arterial sistólica. De fato, outros estudos realizados com intensidade elevada (75% de 1 RM) também observaram redução apenas da pressão arterial sistólica15, ou mesmo nenhum efeito hipotensor48. Além disso, de modo geral, os estudos que envolveram exercícios com a intensidade classicamente utilizada para desenvolver resistência muscular localizada, ou seja, baixa intensidade (50 a 65% de 1 RM - 15 RM), encontraram queda tanto da pressão arterial sistólica quanto da diastólica37,38. Por outro lado, Taaffee e cols.41 verificaram que os exercícios resistidos realizados com alta intensidade (8 RM) foram capazes de reduzir a pressão arterial diastólica, porém não tiveram efeito sobre a pressão arterial sistólica. Sendo assim, a maior parte dos dados permite supor que o treinamento resistido realizado com menor intensidade seria mais recomendado a fim de promover redução da pressão arterial de repouso; entretanto, ainda há controvérsias a este respeito.

A pressão arterial avaliada por monitorização ambulatorial de 24 horas (MAPA 24h) tem se mostrado mais eficaz em avaliar risco cardiovascular do que a pressão arterial clínica49, sendo interessante verificar os efeitos de condutas clínicas sobre esta pressão. Entretanto, em idosos, não há nenhum estudo que aborde esse aspecto, o que demonstra a necessidade de investigações com este objetivo.

Além do possível efeito hipotensor crônico do treinamento resistido, é importante observar o efeito de cada sessão de treinamento sobre a pressão arterial (efeito agudo). Apenas um estudo abordou a questão em indivíduos idosos e hipertensos50. Verificou-se que uma única sessão de exercícios resistidos promoveu redução significante da pressão arterial após sua finalização. A redução máxima foi na ordem de 8 mmHg e a hipotensão foi observada por até 60 minutos pós-exercício. Entretanto, os indivíduos incluídos no estudo eram participantes de um programa de exercícios físicos supervisionados, mas não tinham experiência com o treinamento de força, sendo importante verificar se este efeito hipotensor agudo ocorre em indivíduos que estejam fazendo o treinamento resistido de forma regular.

Diante do exposto, o corpus atual sugere que o treinamento resistido regular pode ter efeito hipotensor sobre a pressão arterial clínica de idosos. Esses efeitos parecem ser principalmente evidenciados em indivíduos normotensos e com exercícios de menor intensidade. Como ainda há muita controvérsia e poucos estudos a esse respeito, este ainda é um campo bastante aberto a investigações científicas.

 

Possíveis mecanismos responsáveis pela resposta da pressão arterial ao exercício resistido

Os mecanismos responsáveis pela resposta da pressão arterial após o treinamento resistido ainda não foram esclarecidos, tanto em jovens e indivíduos de meia-idade quanto em idosos. Porém, alguns mecanismos que se relacionam à regulação da pressão arterial têm sido estudados.

Em relação aos efeitos do treinamento resistido na estrutura cardíaca, os estudos não têm demonstrado modificação na massa, na espessura da parede nem no tamanho da câmara ventricular51,52. é possível que o treinamento resistido não tenha repercussões estruturais cardíacas significantes em idosos, mas seu efeito na funcionalidade cardíaca ainda é controverso. Alguns estudos mostram manutenção da função sistólica52 e do débito cardíaco45,48 após um período de treinamento resistido. Entretanto, Cononie e cols.45 observaram que a manutenção do débito cardíaco ocorria em função da redução do volume sistólico ser compensada pelo aumento da frequência cardíaca, o que sugere que o treinamento resistido tem um efeito negativo na função do coração.

Os mesmos estudos45,48 que observaram manutenção do débito cardíaco após o treinamento resistido também constataram manutenção da resistência vascular periférica, o que explica a conservação dos níveis de pressão arterial. Entretanto, embora a resistência vascular total não se modifique com o treinamento, Anton e cols.48 verificaram aumento de fluxo e condutância vasculares na região dos membros inferiores, sugerindo que o treinamento resistido pode ter efeitos periféricos importantes.

Um mecanismo importante relacionado ao controle da pressão arterial é a integridade da estrutura e função do sistema vascular. Estudos envolvendo indivíduos jovens e de meia-idade têm relatado aumento da rigidez arterial após o treinamento resistido53,54. Esse aumento foi evidenciado tanto em artérias elásticas centrais quanto em artérias periféricas musculares, mesmo quando houve redução da pressão arterial média pós-treinamento53. Todavia, esses não são achados unânimes, uma vez que alguns autores55-57 não demonstraram alteração da rigidez arterial com o treinamento resistido em adultos jovens. O possível aumento da rigidez arterial tem importantes implicações clínicas, pois se associa ao aumento na mortalidade58. Esse é um fato especialmente importante em idosos, que já apresentam aumento da rigidez em decorrência do avanço da idade59. Apenas um estudo, o de Maeda e cols.60, avaliou o efeito do treinamento resistido na rigidez arterial de idosos - não houve qualquer alteração significante.

Em relação ao sistema nervoso autonômico, alguns estudos chegaram à conclusão de que este tipo de treinamento não altera a atividade nervosa simpática. Isso foi observado quando a atividade foi medida pela análise espectral da variabilidade da frequência cardíaca61,62, bem como quando foi avaliada pelos níveis plasmáticos de norepinefrina45,56 ou medida pela técnica de microneurografia63. Porém, outros estudos48,64 observam aumento nos níveis plasmáticos de norepinefrina, sugerindo um possível aumento da atividade nervosa simpática após o treinamento resistido em indivíduos idosos.

Diante do exposto, fica claro que o efeito do treinamento resistido sobre os mecanismos reguladores da pressão arterial ainda são muito controversos e precisam ser investigados com atenção no futuro.

 

Considerações finais

O corpus atual sugere que o treinamento resistido pode reduzir a pressão arterial de repouso de indivíduos idosos. Os dados, porém, ainda são escassos e os efeitos do treinamento foram evidenciados, principalmente, em idosos normotensos e com exercícios de menor intensidade. Os mecanismos responsáveis pela resposta de pressão arterial após um período de treinamento resistido foram pouco investigados e permanecem desconhecidos em idosos. Embora o treinamento resistido esteja sendo recomendado para idosos e haja alguns indicativos de que ele possa ter efeito hipotensor crônico, há ainda carência de dados científicos e muitas controvérsias sobre este assunto, o que evidencia que este ainda é um campo aberto à investigação.

 

Agradecimentos

Os autores agradecem o apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

Potencial Conflito de Interesses

Declaro não haver conflito de interesses pertinentes.

Fontes de Financiamento

O presente estudo foi financiado pela Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo.

Vinculação Acadêmica

Este artigo é parte de dissertação de Mestrado de Andréia Cristiane Carrenho Queiroz pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo.

 

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Correspondência:
Cláudia Lúcia de Moraes Forjaz
Av. Prof. Mello Moraes, 65 - Butantã
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E-mail: cforjaz@cardiol.br, cforjaz@usp.br

Artigo recebido em 29/10/08; revisado recebido em 18/02/09; aceito em 17/06/09.

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