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Arquivos Brasileiros de Cardiologia

Print version ISSN 0066-782X

Arq. Bras. Cardiol. vol.95 no.2 São Paulo Aug. 2010  Epub June 11, 2010

https://doi.org/10.1590/S0066-782X2010005000065 

ARTIGO ORIGINAL
CARDIOLOGIA PEDIÁTRICA

 

Atividade física, horas de assistência à TV e composição corporal em crianças e adolescentes

 

 

Ivan Romero RiveraI; Maria Alayde Mendonça da SilvaI; Renata D'Andrada Tenório Almeida SilvaI; Bruno Almeida Viana de OliveiraI; Antonio Carlos Camargo CarvalhoII

IUniversidade Federal de Alagoas - Faculdade de Medicina, Maceió, AL
IIUniversidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina, São Paulo, SP - Brasil

Correspondência

 

 


RESUMO

FUNDAMENTO: Sedentarismo é fator predisponente ao aparecimento/piora de outros fatores de risco cardiovascular, particularmente obesidade.
OBJETIVO: Estabelecer nível de atividade física (NAF) e número diário de horas de TV (HTV) e a associação e/ou correlação destas variáveis com faixa etária, sexo, classe econômica, escola pública/privada, excesso de peso e obesidade, em crianças/adolescentes.
MÉTODOS: Estudo transversal, base populacional escolar, ensino público e privado, fundamental e médio. Cálculo da amostra baseado na menor prevalência esperada de inúmeras variáveis, incluindo sedentarismo. Amostragem por conglomerados. Protocolo: Questionário estruturado, incluindo "Physical Activity Questionaire for Older Children" (PAQ-C); medidas de peso, altura, índice de massa corporal (IMC) e prega cutânea do tríceps (PCT). Análise estatística: Qui-quadrado; correlação linear.
RESULTADOS: Nos 1.253 estudantes, com média de idade de 12,4 ± 2,9 anos, sendo 547 do sexo masculino, observou-se uma prevalência de sedentarismo em 93,5%, mais frequente em adolescentes do sexo feminino; não houve associação entre NAF e excesso de peso ou gordura corporal; futebol e dança foram as atividades mais frequentes em meninos e meninas, respectivamente; 60% dos estudantes não têm aulas de Educação Física. Média e mediana de HTV foram, respectivamente, 3,6 e 3 horas; houve associação significante entre maior HTV e obesidade e correlação significante entre NAF e idade (negativa) e entre IMC e PCT (positiva).
CONCLUSÃO: O sedentarismo está presente em 93,5% das crianças e adolescentes de Maceió, sendo mais prevalente nos adolescentes e no sexo feminino, não havendo associação ou correlação desta variável com excesso de peso ou gordura corporal; obesidade associou-se a > 3 HTV.

Palavras-chave: Sedentarismo, obesidade, composição corporal, crianças, adolescentes, televisão/utilização.


 

 

Introdução

Há evidências de que a aterosclerose, causa mais frequente de morte no Brasil1, tem início na infância2, e de que a rapidez da progressão e a gravidade das lesões que a constituem são proporcionais à presença e à agregação dos fatores de risco cardiovascular (FRCV), já descritos em adultos3, que se encontram presentes desde a infância4-6.

Dentre esses fatores, a inatividade física ou o sedentarismo surge como predisponente ao aparecimento ou à piora de outros FRCV3,7,8, particularmente da obesidade9 (resultante de um desequilíbrio entre a ingestão e o gasto energético) que, também em jovens, encontra-se associada a inúmeras comorbidades, tais como síndrome metabólica, diabetes melito tipo II, dislipidemia e hipertensão arterial sistêmica8-15. Além disso, há evidências de que o comportamento sedentário ou ativo apresentado na infância e adolescência tende a persistir na vida adulta16,17, de forma que a aquisição e a manutenção de um estilo de vida ativo desde a infância, encontra-se presente em todas as recomendações para uma sobrevida longa e saudável18-24.

Na ausência de um padrão ouro, diferentes instrumentos têm sido utilizados para a mensuração da atividade física diária, os quais podem fazê-lo de um ponto de vista fisiológico (consumo de oxigênio, frequência cardíaca) ou comportamental (questionários, entrevistas, diários)25. É também de importância, a investigação do tempo diário utilizado em atividades sedentárias (televisão, jogos eletrônicos, computadores), as quais, por reduzir o tempo gasto em atividades com maior dispêndio energético, podem contribuir para a elevação do peso e da gordura corporal, da pressão arterial e dos lípides séricos26-28.

Em estudos populacionais, é necessária a escolha de instrumentos de precisão, de fácil aplicação e de baixo custo25, como ocorre com questionários validados com outros instrumentos de precisão29 e apropriadamente testados30.

O presente trabalho tem como objetivo estabelecer o nível de atividade física (NAF) e o número diário de horas frente à TV (HTV), bem como a associação e a correlação de tais variáveis com o excesso de peso e a obesidade, em crianças e adolescentes.

 

Métodos

No ano letivo de 2001, foi realizado estudo epidemiológico, observacional, transversal, com a finalidade de identificar a prevalência de fatores de risco cardiovascular (sobrepeso, obesidade, tabagismo, hipertensão arterial sistêmica e sedentarismo), em amostra representativa de crianças (de 7 a 9 anos) e adolescentes (de 10 a 17 anos), de ambos os gêneros, matriculados nas escolas de ensino fundamental e médio das redes pública (municipal, estadual e federal) e particular da cidade de Maceió.

Alguns dos resultados desse estudo, os critérios utilizados para o cálculo e seleção da amostra para a definição das variáveis investigadas e do consentimento para a participação foram previamente publicados31,32.

O sobrepeso foi definido como o índice de massa corpórea (IMC) no percentil maior ou igual a 85, identificado em tabela população-específica, e em função da idade33. O IMC no percentil igual ou acima de 95, da mesma tabela, foi utilizado para definir obesidade33.

O diagnóstico de obesidade também foi realizado através da medida da prega cutânea do tríceps (PCT), utilizando os parâmetros de Must, Dallal & Dietz33, os quais estabelecem que a PCT no percentil igual ou acima de 85, identificada em tabelas derivadas do National Health and Nutrition Examination Survey I (NHANES I), identifica indivíduos obesos e a PCT no percentil igual ou acima de 95 identifica indivíduos superobesos.

A pesquisa de sedentarismo foi feita a partir da investigação da prática de atividade física realizada pelos estudantes, utilizando-se como instrumento o "Physical Activity Questionaire for Older Children" (PAQ-C), já validado para a faixa etária sob investigação25,29 e adaptado a fim de excluir atividades físicas não praticadas no Brasil30.

O PAQ-C investiga atividades físicas moderadas e intensas nos 7 dias anteriores ao preenchimento do mesmo (incluindo, portanto, o final de semana). Esse questionário é composto de 9 questões sobre a prática de esportes e jogos, atividades físicas na escola e lazer. Cada questão tem valor de 1 (não praticou atividade) a 5 (praticou todos os dias da semana) e o escore final é a média das questões. Ao final, o escore obtido estabelece um intervalo de muito sedentário a muito ativo (de 1 a 5): 1 - muito sedentário; 2 - sedentário; 3 - moderadamente ativo; 4 - ativo; e 5 - muito ativo.

O PAQ-C inclui ainda uma questão sobre a média do número de horas diárias de assistência à TV, duas sobre o nível comparado de atividade física com pessoas do mesmo gênero e idade e uma sobre a existência de doença que impedisse o entrevistado de haver praticado atividade física na semana avaliada. As respostas às últimas 4 questões não entram na construção do escore.

Para análises de associação, a amostra foi distribuída em grupos: Sedentários (com escores 1 e 2 no PAQ-C) e Ativos (com escores 3, 4 e 5 no PAQ-C); com HTV maior ou igual à mediana e menor do que a mediana). As variáveis independentes analisadas foram: faixa etária, gênero, classe econômica, tipo de escola, IMC e PCT. A análise foi feita através do teste do qui-quadrado ou do teste exato de Fisher, em tabelas de associação, sendo estabelecido o nível de 5,0% para a rejeição da hipótese de nulidade.

A correlação linear foi utilizada no estudo das relações entre idade, percentis de IMC, percentis de PCT com NAF e HTV.

O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética do Hospital Universitário da Universidade Federal de Alagoas.

 

Resultados

Foram avaliados 1.253 estudantes (7 além do previsto, em função de um número maior de alunos haverem sido matriculados em algumas escolas), sendo 547 do sexo masculino (43,7%) e 706 do sexo feminino (56,3%). A média de idade (± desvio-padrão) foi de 12,4 ± 2,9 anos. As características gerais da amostra estão colocadas na Tabela 1. Os valores de média, desvio-padrão, mediana, mínimo e máximo das variáveis contínuas estão na Tabela 2.

Quanto ao IMC, foram identificadas 116 crianças e adolescentes (9,3%) no percentil > 85 (com sobrepeso) e 56 (4,5%) crianças e adolescentes no percentil > 95 (com obesidade). O excesso de peso, medido pelo IMC, encontra-se presente, portanto, em 13,8% da amostra.

Quanto à PCT, foram identificadas 110 (8,8%) crianças e adolescentes no percentil > 85 (com obesidade) e 75 (6%) crianças e adolescentes no percentil > 95 (com superobesidade). Há excesso de gordura corporal, portanto, em 14,8% da amostra.

A PCT no percentil > 95 identificou 43 crianças e adolescentes com IMC no percentil > 95 (57,0%), 28 no percentil > 85 (37,0%) e 4 (6,0%) com IMC normal (percentil entre 50 e 85). No percentil > 85, a PCT identificou 11 crianças e adolescentes (10,0%) com IMC no percentil > 95, 47 (43,0%) no percentil > 85 e 52 (47,0%) com IMC normal, percentil entre 50 e 85. Quando analisadas em conjunto, a PCT e o IMC no percentil > 85 identificaram excesso de adiposidade central e excesso de peso em 129/228 (57,0%) crianças e adolescentes; excesso de peso, sem excesso de adiposidade central em 43 (19,0%) e excesso de adiposidade central, sem excesso de peso em 56 (24,0%) sujeitos da investigação.

A análise das respostas ao questionário sobre atividade física (PAQ) identificou 671 estudantes com escore 1 (muito sedentários) e 501 com escore 2 (sedentários), resultando 1.172 (93,5%) indivíduos sedentários; 79 estudantes apresentaram escore 3 (moderadamente ativo), 2 escore 4 (ativo) e nenhum apresentou escore 5 (muito ativo).

As atividades mais frequentemente (em três ou mais dias da semana) realizadas pelos estudantes do sexo masculino foram futebol (40,0%) e andar de bicicleta (37,0%) e para as estudantes foram dança (22,0%) e andar de bicicleta (21,0%); 62,0% das estudantes e 57,0% dos estudantes referiram não participar de aulas de educação física na escola.

Em relação à televisão, 38 (3,0%) estudantes admitiram não assisti-la, dos quais 26 não têm TV em casa (de um total de 129, em torno de 10,0% da amostra, que não a possuem) e 12 a têm.

Os outros 103 que não possuem TV informaram que assistem de 1-10 horas diárias, com média de 3,6 ± 2,0 horas. No grupo de 1.112 estudantes que possui TV em casa, o número de horas diárias de assistência também variou de 1-10 horas, média de 3,7 ± 2,2 horas. Considerando os que assistem TV, independente de tê-la em casa ou não, a mediana de horas diárias de assistência é 3 horas; 407 (32,0%) a assistem 1-2 horas e 808 (65,0%) a assistem 3 ou mais horas.

A análise de associação do NAF, da mediana de HTV, do excesso de peso (segundo o IMC) e da obesidade (segundo a PCT) da amostra em relação às variáveis do estudo se encontra na Tabela 3. Há associação significante entre sedentarismo, adolescência e sexo feminino e entre assistência de três ou mais HTV e obesidade. O excesso de peso e a obesidade foram significantemente mais frequentes em indivíduos das classes econômicas mais elevadas, que estudam em escolas privadas; além disso, a obesidade associou-se de forma significantiva ao sexo masculino e ao excesso de peso.

 

 

Foi observada correlação negativa fraca entre a idade e o NAF (r = -0,27; p < 0,05); não foi observada correlação entre o NAF e HTV, percentis de IMC e percentis de PCT. Não houve correlação significante entre HTV e idade, percentis de IMC e percentis de PCT. Observou-se correlação forte entre IMC e PCT (r = 71; p < 0,01). A análise de correlação se encontra na Tabela 4.

 

Discussão

A elevação crescente da prevalência da obesidade e da inatividade física e a redução dos níveis diários de atividade física, em todas as faixas etárias e em diferentes populações ao redor do mundo, justificam a importância de estudos que analisem a distribuição dessas variáveis e a forma como se associam, indicando a necessidade e possibilitando a adoção de estratégias de saúde pública populações-específicas para o controle das mesmas9,18,19, com vistas à redução da morbimortalidade cardiovascular1.

No presente estudo, de base populacional escolar, observa-se que 93,5% dos jovens avaliados não praticam atividade física de moderada a intensa ao longo da semana e que esse comportamento sedentário, como já demonstrado em outros estudos27,30,34, é mais frequente em adolescentes do que em crianças e no sexo feminino. Utilizando o mesmo instrumento de investigação, Silva e Malina30 identificaram 89,5% de sedentários em amostra de 325 adolescentes de ambos os sexos, em Niterói, RJ, também com predominância no sexo feminino. Outros estudos realizados no Brasil demonstraram uma prevalência de sedentarismo entre 10-94,0% em jovens de diversas faixas etárias e utilizando diferentes instrumentos de investigação18,30,34, o que impossibilita a comparação de resultados, mas apontam para a urgente necessidade de estratégias de saúde pública para a redução do seu impacto como fator de risco para a aterosclerose18.

Neste estudo, não houve associação do sedentarismo com um menor poder aquisitivo (classe econômica C, D ou E; estudantes de escola pública) como observado em outros estudos28,34.

Quanto à composição corporal, no presente trabalho não se observou associação significante do comportamento sedentário com o sobrepeso identificado pelo IMC, nem com a prega cutânea do tríceps nos percentís igual ou acima de 85 e igual ou acima de 95, quando analisados isoladamente ou em conjunto, como observado em outros estudos6,9,10,15,21,26,28. Considerando que as causas de obesidade são múltiplas e complexas, envolvendo componentes genéticos e ambientais, provavelmente nos indivíduos com excesso de peso e/ou de gordura corporal da presente amostra, outros fatores, além da inatividade física, devem desempenhar um papel de maior relevância no aparecimento desta característica9,10,11. Além disso, a baixa prevalência dessas variáveis na presente amostra também pode explicar o resultado observado.

Chama a atenção na presente investigação, a elevada proporção de jovens (62,0% das estudantes e 57,0% dos estudantes) que não têm aulas de educação física na escola, considerando que a Lei de Diretrizes e Bases35 estabelece a sua obrigatoriedade nos ensinos fundamental e médio (Educação Básica), segmentos nos quais foram selecionados os sujeitos da nossa amostra.

Trudeau e cols.17, em estudo longitudinal que acompanhou adolescentes de 10-12 anos até a idade de 35 anos, observou um impacto positivo da prática regular, organizada e precoce de atividade física na escola, na persistência desta característica na vida adulta. Evidências dessa natureza têm atribuído à escola um papel de extrema importância no combate ao sedentarismo na infância e adolescência14-18, considerando que tanto a atividade como a inatividade física na infância, e especialmente na adolescência, tendem a persistir na vida adulta16,17.

O comportamento sedentário possui inúmeros componentes, dentre os quais o tempo dedicado a assistir TV contribui em 81,0%27 para o mesmo, sendo digno de nota que este hábito não requer gasto energético acima da taxa metabólica basal e reduz o tempo diário a ser investido em atividades com maior dispêndio energético. Além disso, a propaganda veiculada pela televisão propicia a elevação do consumo de alimentos de alto conteúdo energético, frequentemente apresentados em comerciais e programas exibidos em horários de maior assistência16,26-28.

Dietz e cols.26, estudando 6.965 jovens de 6 a 11 anos e 6.671 de 12 a 17 anos, demonstraram que a prevalência de obesidade aumenta em 2,0% para cada hora adicional de TV.

Em estudo longitudinal que acompanhou 1.000 jovens de 5 a 15 anos até a idade de 26 anos, Hancox e cols.28 demonstraram que quanto maior o número de horas frente à TV, maior o índice de massa corporal, o nível de colesterol, a prevalência de tabagismo e a pior aptidão física na infância e adolescência. Demonstraram ainda que essas variáveis permaneceram na vida adulta.

Myers e cols.27, estudando jovens de 9 a 15 anos, identificaram maior prega cutânea do tríceps nos mais sedentários do sexo masculino e HDL-colesterol mais baixo em meninas mais sedentárias; em ambos os sexos, a pressão arterial diastólica foi mais elevada nos mais sedentários. Achados como esses fundamentam as recomendações de que crianças e adolescentes utilizem, no máximo, duas horas diárias frente à TV18-24.

No presente estudo, observa-se que a média diária de horas frente à TV foi de 3,6 horas, sendo 3,7 nas meninas e 3,5 nos meninos; a mediana para o grupo e em ambos os sexos foi de 3 horas. No estudo de Silva e Malina30, a média foi de 4,4 e 4,9 horas para os sexos masculino e feminino, respectivamente; a amostra ter sido constituída apenas de adolescentes explica estes valores mais elevados, quando comparada ao nosso estudo, que incluiu crianças e pré-adolescentes, naturalmente mais ativos.

Não houve associação entre assistir 3 ou mais horas de TV e faixa etária, sexo, classe econômica e tipo de escola, demonstrando que esse é um comportamento frequente e ubíquo nos jovens de Maceió. Em relação à composição corporal, há associação significante apenas em indivíduos que apresentam excesso de gordura corporal (PCT nos percentis acima ou igual a 85 e 95), como demonstrado anteriormente por Myers e cols.27. O impacto de outros fatores no desenvolvimento da obesidade, bem como a baixa prevalência das anormalidades relacionadas ao excesso de peso e de gordura corporal na presente amostra, como já mencionado anteriormente, justificam a ausência dessas associações.

A conclusão da presente investigação leva à observação de que a maioria (93,5%) dos jovens da cidade de Maceió não pratica atividade física de moderada a intensa, utiliza mais do que o tempo diário recomendado para atividades sedentárias (65,0%) e não pratica atividade física na escola (60,0%), havendo razões para acreditar-se que, apesar destes comportamentos não parecerem estar envolvidos na gênese da obesidade por eles apresentada, poderão contribuir na vida adulta para o aparecimento da obesidade e de outros FRCV16,17,28, que por sua vez contribuirão para piorar o atual perfil de morbimortalidade cardiovascular1.

A possível utilização dos dados ora apresentados na construção de estratégias para elevar o nível de atividade física e reduzir o tempo em atividades sedentárias de crianças e adolescentes, com vistas à prevenção da doença cardiovascular, justifica, por si só, trabalhos como este.

Potencial Conflito de Interesses

Declaro não haver conflito de interesses pertinentes.

Fontes de Financiamento

O presente estudo foi financiado pela FAPEAL.

Vinculação Acadêmica

Não há vinculação deste estudo a programas de pós-graduação.

 

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Correspondência:
Ivan Romero Rivera
Rua Eng. Mário de Gusmão, 1281/404 - Ponta Verde
57035-000 - Maceió, AL - Brasil
E-mail: irivera@cardiol.br, irrivera@uol.com.br

Artigo recebido em 08/04/09; revisado recebido em 30/10/09; aceito em 28/12/09.

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