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Arquivos Brasileiros de Cardiologia

Print version ISSN 0066-782X

Arq. Bras. Cardiol. vol.101 no.5 São Paulo Nov. 2013  Epub Sep 13, 2013

https://doi.org/10.5935/abc.20130186 

Adiponectina sérica e risco cardiometabólico em pacientes com síndromes coronarianas agudas

 

 

Gustavo Bernardes de Figueiredo Oliveira; João Ítalo Dias França; Leopoldo Soares Piegas

Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, São Paulo, SP - Brasil

Correspondência

 

 


RESUMO

FUNDAMENTO: O tecido adiposo representa não somente uma fonte de energia estocável, mas principalmente um órgão endócrino que secreta várias citoquinas. A adiponectina, uma nova proteína semelhante ao colágeno, foi descoberta como uma citoquina específica do adipócito e um promissor marcador de risco cardiovascular.
OBJETIVO: Avaliar a associação entre os níveis séricos da adiponectina e o risco para a ocorrência de eventos cardiovasculares, em pacientes com síndromes coronarianas agudas (SCA), e as correlações entre adiponectina e os biomarcadores metabólicos, inflamatórios e miocárdicos.
MÉTODOS: Foram recrutados 114 pacientes com SCA, com seguimento médio de 1,13 ano para avaliação de desfechos clínicos. Modelos de regressão de risco proporcional de Cox com penalização de Firth foram construídos para determinar a associação independente entre adiponectina e o risco subsequente dos desfechos primário (composto de óbito cardiovascular/IAM não fatal/AVE não fatal) e coprimário (composto de óbito cardiovascular/ IAM não fatal/AVE não fatal/re-hospitalização requerendo revascularização).
RESULTADOS: Houve correlações diretas e significantes entre adiponectina e idade, HDL-colesterol e BNP, e inversas e significantes entre adiponectina e circunferência abdominal, peso corporal, índice de massa corporal, índice HOMA, triglicerídeos e insulina. A adiponectina foi associada a maior risco para os desfechos primário e coprimário (HR ajustado 1,08 e 1,07/incremento de 1.000, respectivamente, p = 0,01 e p = 0,02).
CONCLUSÃO: Em pacientes com SCA, a adiponectina sérica foi preditor de risco independente para eventos cardiovasculares. De modo adicional às correlações antropométricas e metabólicas, a adiponectina mostrou correlação significante com BNP.

Palavras-chave: Adiponectina; Síndrome X Metabólica; Resistência à Insulina; Síndromes Coronariana Aguda; Fatores de Risco.


 

 

Introdução

Síndrome Metabólica e Adiponectina

Os componentes metabólicos do risco cardiovascular caracterizados por obesidade, resistência insulínica, dislipidemia, entre outros, apresentam complexa interação em condições pré-clínicas e clínicas, e associam-se a morbimortalidade cardiovascular elevada1-11. A obesidade visceral apresenta crescente relevância como fator de risco cardiovascular. De fato, o tecido adiposo representa fonte de energia estocável e um órgão endócrino que secreta citoquinas, as quais podem contribuir para o desenvolvimento de doenças relacionadas à obesidade, incluindo diabetes melito (DM) e aterosclerose. Matsuzawa e cols.12 avaliaram o papel endócrino dos adipócitos e verificaram abundante expressão de genes ligados à síntese de diversas substâncias bioativas. Entre elas, a adiponectina (Arcp30, AdipoQ, apM1 ou GBP28), uma proteína semelhante ao colágeno, foi identificada como uma citoquina específica do adipócito.

A adiponectina é expressa em níveis abundantes em indivíduos normais, apresenta propriedades antitrombóticas, antiaterogênicas e anti-inflamatórias, e sofre processo de regulação para baixo em obesos. Do mesmo modo, apresenta-se em níveis reduzidos em indivíduos do gênero masculino, com DM tipo 2, condições proinflamatórias, lipodistrofias, resistência à insulina e doença cardiovascular. De modo inverso, as concentrações séricas estão elevadas nas mulheres, indivíduos sem obesidade, com DM tipo 1 e naqueles em tratamento com fármacos agonistas do receptor ativado por proliferador de peroxissomo γ (PPARγ)13-20. Do ponto de vista prognóstico, em indivíduos saudáveis a adiponectina tem sido inversamente associada a risco cardiovascular, predominantemente em homens, ou diretamente associada ao risco particularmente em idosos21-25. Por outro lado, estudos em insuficiência cardíaca crônica ou doença cardiovascular documentada identificaram a hiperadiponectinemia como preditor independente de mortalidade26-28. De modo similar, Cavusoglu e cols.29 identificaram uma associação direta e independente entre adiponectina e o risco de IAM e óbito cardiovascular em uma coorte de homens submetidos a angiografia coronariana para investigação diagnóstica de dor torácica. Esses dados sugerem que a adiponectina possa desempenhar um papel diferente em cenários clínicos agudos. Portanto, os objetivos deste estudo foram avaliar a associação entre os níveis séricos da adiponectina e o risco para ocorrência de eventos cardiovasculares em pacientes com síndromes coronarianas agudas e estabelecer as correlações entre adiponectina e os biomarcadores metabólicos, inflamatórios e miocárdicos.

 

Método

Este estudo apresenta duas formas de delineamento: a) um estudo transversal e analítico, para determinação de características clínicas e dosagens de biomarcadores séricos na admissão hospitalar de pacientes com SCA; b) essa coorte de SCA foi incluída, prospectivamente, entre 2008 e 2010, com acompanhamento clínico para coleta sistemática e prospectiva de eventos cardiovasculares. Com base no estudo de Cavusoglu e cols.29, com subgrupo de pacientes com SCA constituindo cerca de 52,3% do total de 325 pacientes e taxa de mortalidade por todas as causas de 10,3% em dois anos de seguimento clínico, o cálculo do tamanho amostral foi estimado em 112 pacientes, com nível de significância em α = 0,05 e 1 - β = 0,80. Ressalte-se que, pela ausência de publicação de estudos de adiponectina em pacientes com SCA na população brasileira até o momento da elaboração do projeto de tese - portanto, pela escassez de dados sobre a variabilidade das medidas desse biomarcador -, estava prevista a possibilidade de estimativa inadequada. Foram incluídos pacientes de ambos os gêneros, idade > 18 anos, com coleta de amostras de sangue < 24 h após o início dos sintomas isquêmicos e com consentimento livre e esclarecido, nos setores de emergência e de unidade coronariana do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, São Paulo. Foram excluídos: doenças infecciosas, inflamatórias, neoplásicas; doença renal ou hepática em estágio avançado; doença valvar cardíaca significativa ou precipitante do quadro clínico; intervenção coronária percutânea (ICP) ou cirurgia de revascularização miocárdica (RM) nos últimos 30 dias; utilização prévia e vigente (atual) de insulina (pacientes com diabetes melito tipo 1 e aqueles com diabetes melito tipo 2 com requerimento de insulina); uso de antidiabético oral do grupo das tiazolidinedionas. Analisamos adiponectina, leptina, glicemia de jejum, insulina, índice Homeostasis Model Assessment (HOMA), hemoglobina glicada (HbA1c), colesterol total, LDL-colesterol, HDL-colesterol, triglicerídeos, proteína C reativa ultrassensível (PCR-us), leucócitos, fibrinogênio, plaquetas, troponina cardíaca I (TnI), massa da CKMB, peptídeo natriurético tipo B (BNP) e as variáveis demográficas (idade, gênero, etnia), antropométricas (peso, índice de massa corporal e circunferência abdominal) e angiográficas (extensão/gravidade da doença arterial coronariana [DAC] naqueles submetidos a angiografia coronariana). Foram coletadas amostras de 10 mL de sangue venoso na manhã seguinte após jejum noturno de 12 horas. A resistência insulínica foi calculada através do índice HOMA, pela fórmula utilizando o produto da glicose (mg/dL) pela insulina µUI/mL dividido pela constante 40530,31. As dosagens da adiponectina e da leptina foram realizadas por método de ELISA. Os kits para dosagem da adiponectina foram Human Adiponectin ELISA Kit 96-Well Plate (Cat. # EZHADP-61K), produzidos pela Millipore, Estados Unidos. Os kits para dosagem da leptina foram DiaSource KAP2281 Human Leptin ELISA IVD, produzidos pela DIAsource ImmunoAssays S.A., Bélgica. Definimos como desfecho primário o composto de óbito cardiovascular, infarto agudo do miocárdio (ou reinfarto) não fatal e acidente vascular encefálico (AVE) não fatal. Definimos como desfecho coprimário o composto dos eventos primários e re-hospitalização por isquemia recorrente ou considerada clinicamente significativa com necessidade de revascularização durante o seguimento clínico. Casos de IAM foram definidos por critérios propostos para definição universal de IAM32. Casos de AVE foram definidos por critérios clássicos de acordo com a OMS33. As distribuições das variáveis contínuas foram expressas como média (± desvio-padrão) ou mediana (com intervalo interquartil), conforme apropriado, e as comparações entre os grupos calculadas por teste t de Student ou não paramétrico (teste de Kruskall-Wallis), conforme apropriado. As distribuições das variáveis discretas (ou categóricas) foram expressas como frequências e porcentagens, e as comparações foram calculadas por teste do qui-quadrado ou teste exato de Fisher, conforme apropriado. A análise dos desfechos clínicos primário e coprimário foi baseada no tempo para ocorrência do primeiro evento. A análise de regressão univariada de Cox reuniu todas as variáveis demográficas, metabólicas, inflamatórias, antropométricas e angiográficas, e somente os preditores univariados com p < 0,10 e variáveis com significado clínico foram incluídos em modelos de regressão de risco proporcional de Cox para determinar se a adiponectina seria um preditor de risco independente. Foi utilizado o processo Backward Stepwise para os modelos até a identificação das variáveis independentes de risco para ocorrência dos desfechos primário e coprimário, respectivamente. Posteriormente, técnica de penalização de Firth foi utilizada para ajuste de variáveis potencialmente superestimadas em decorrência de elevada prevalência. Os resultados foram expressos como razão de risco (hazard ratio) e IC 95%, e a capacidade discriminatória dos modelos foi expressa pelo c-statistic (ou índice c). Foram utilizados testes bicaudais com nível de significância em α = 0,0534,35.

 

Resultados

Características dos Pacientes

As principais características dos 114 pacientes com SCA estão listadas de acordo com quartis de adiponectina na Tabela 1. Globalmente, a idade média (± DP) foi de 62 (± 10,5) anos, com 41,2% de mulheres e 82,6% de etnia caucasiana. A prevalência de fatores de risco cardiovascular foi significativa, com cerca de 90% de hipertensão arterial, 30% de diabéticos, 78% com dislipidemia e 16,4% de tabagistas atuais. Com relação aos parâmetros antropométricos, os valores da mediana (intervalo interquartil) foram: IMC = 27,4 (24,6-30,4) kg/m2 e circunferência abdominal = 98 (91-108) cm. Com relação aos achados do ECG, 97,3% dos pacientes apresentaram alterações, sendo a depressão do segmento ST entre 0,5-1,0 mm a alteração mais frequente (30,9%). O diagnóstico final definiu 90,3% dos pacientes com SCA sem elevação persistente do segmento ST.

Biomarcadores na amostra global

A Tabela 2 mostra os valores dos biomarcadores de acordo com quartis de adiponectina. Ressaltamos que os valores de adiponectina foram: mediana = 9.807 (6.113-13.914) ng/mL.

Tratamento Farmacológico

Uso de medicamentos prévios e durante a fase hospitalar

Os tratamentos prévios incluíram 69% de ácido acetilsalicílico (AAS), 62,2% de inibidores da enzima conversora da angiotensina (IECA), 60,4% de betabloqueadores, 59,8% de estatinas, 13,2% de antidiabéticos orais e 1,8% de insulina. Nenhum paciente incluído estava em uso prévio de tiazolidinedionas. Quanto ao uso de fármacos na fase hospitalar do manuseio das SCA, destacamos AAS em 99,1%, clopidogrel em 96,5%, betabloqueadores em 89,5%, IECA em 88,5%, estatinas em 98,2% e anticoagulação com heparina de baixo peso molecular em 93,8% (enoxaparina).

Procedimentos Realizados na Fase Hospitalar

Cateterismo cardíaco para angiografia coronariana foi realizado em 87,7% dos pacientes. A DAC foi considerada significativa com estenose luminal > 50%, sendo documentado em pelo menos um vaso em 83% dos pacientes, com 38% de acometimento multiarterial. Houve realização de ICP em 47 pacientes submetidos a angiografia diagnóstica (49%), com 76,6% de implante de um stent coronariano e 21,3% com > 1 stent, sendo 91% de stents convencionais (não farmacológicos). Cirurgia de revascularização miocárdica (RM) foi empregada em 15,6%, com 100% de utilização da artéria torácica interna esquerda e 2/3 dos pacientes recebendo enxertos em > 3 vasos coronários.

Desfechos Clínicos

O desfecho primário foi observado em 18,4% dos pacientes, e o coprimário em 21,1%, com seguimento clínico médio de 1,13 ano na totalidade dos 114 pacientes recrutados. Portanto, houve 100% de seguimento sem perda de acompanhamento.

Adiponectina como Preditor de Risco Cardiometabólico

Foram incluídos nos modelos de Cox a adiponectina, demais biomarcadores, características clínicas, variáveis angiográficas, tratamentos e procedimentos realizados previamente e durante a hospitalização, que mostraram significância para a associação com os desfechos primário e coprimário. Os modelos foram calculados para quatro grupos de interesse pré-especificados: população global (grupo A), sem diabetes (grupo B), sem IAM com elevação do segmento ST (grupo C) e sem diabetes e sem IAM com elevação do segmento ST (grupo D) - Tabelas 3 a 6. Foram incluídas as seguintes variáveis no modelo para o desfecho primário, entre outras: angina prévia, hipertensão arterial, classificação de Killip, adiponectina, leptina, glicemia de jejum, creatinina, atividade da CKMB, massa da CKMB, TnI, BNP e ureia. Após ajuste para esses fatores, a adiponectina foi associada a risco elevado para o desfecho primário nos modelos para os grupos B e D. Para o desfecho coprimário, foram incluídas as seguintes variáveis: angina prévia, hipertensão arterial, classificação de Killip, adiponectina, leptina, glicemia de jejum, creatinina, atividade da CKMB, FC à admissão, HDL-colesterol, índice HOMA, obesidade e uso de AAS no hospital, entre outras. De modo consistente, a adiponectina foi preditor independente de risco elevado para eventos cardiovasculares nos modelos dos grupos B e D, com significância limítrofe para o grupo C.

De modo adicional, em análise de regressão logística observamos uma relação quase linear entre a adiponectina, como variável quantitativa contínua, e a estimativa da probabilidade de risco para os desfechos primário e coprimário (Figura 1).

Correlações entre Adiponectina e Biomarcadores

Como pré-especificado, o objetivo secundário foi estudar as correlações entre a adiponectina e os diferentes biomarcadores, variáveis demográficas e antropométricas. Conforme mostrado na Tabela 7, ressaltamos a correlação direta e significante entre adiponectina e BNP.

 

Discussão

Neste estudo de uma coorte de pacientes com SCA com seguimento clínico em médio/longo prazo, detectamos uma associação direta, significativa e independente entre a adiponectina e o risco para ocorrência de desfechos clínicos cardiovasculares relevantes. De fato, houve uma consistente sinalização de estimativa de risco mais evidente quando excluímos os pacientes diabéticos e aqueles sem IAM com elevação do segmento ST. Cavusoglu e cols.29 avaliaram 325 pacientes do gênero masculino com angina estável, angina instável e IAM sem elevação do segmento ST submetidos a angiografia coronariana para determinar o valor prognóstico dos níveis plasmáticos de adiponectina. Os pacientes foram seguidos por 24 meses para a ocorrência de óbitos por todas as causas, mortalidade cardiovascular e IAM. Naquele estudo, os autores identificaram uma associação preditiva direta e independente entre uma única dosagem basal de adiponectina e o risco subsequente de óbito e IAM. No subgrupo de SCA sem elevação de ST (n = 170), a adiponectina permaneceu como preditor independente de risco. Outros estudos recentes também identificaram uma associação direta entre adiponectina e o risco cardiovascular, notadamente em pacientes com insuficiência cardíaca, principalmente em idosos26-28. Wannamethee e cols.28 estudaram, prospectivamente, a relação entre os níveis de adiponectina e mortalidade em 4.046 homens idosos (60-79 anos), com e sem doença cardiovascular (DCV) e insuficiência cardíaca (IC) documentadas. Após ajuste para importantes características basais, a adiponectina permaneceu associada, de modo direto e significativo, com a mortalidade total e cardiovascular nos homens sem DCV ou IC, com RR ajustado 1,55 (IC95% 1,19-2,02), com p = 0,002 e RR 1,53 (IC95% 1,03-2,27), p = 0,02, para tendência na comparação entre o mais alto tercil com o tercil mais baixo, assim como entre os homens com IC diagnosticada, RR ajustado 2,37 (IC95% 0,64-8,79), p = 0,04 e 3,43 (IC95% 0,54-21,7), p = 0,008. Nenhuma associação foi demonstrada naqueles com DCV diagnosticada, porém sem IC.

Nosso estudo apresenta algumas diferenças importantes em relação aos anteriormente discutidos. Incluímos pacientes em faixa etária mais abrangente, sem análise restrita apenas aos mais idosos. Do mesmo modo, não restringimos o estudo à inclusão de indivíduos do gênero masculino21-23,26-29, ressaltando que houve adequado equilíbrio nas proporções dos gêneros, com significativa representatividade de mulheres (41,2%). De fato, a média de adiponectina é cerca de 50% maior em mulheres, principalmente idosas, em comparação aos homens de mesma faixa etária13,36. Em termos de predição de risco independente, os achados deste estudo apresentam respaldo na literatura mais recente em relação ao valor prognóstico da adiponectina em cenários clínicos diferentes, seja em condições estáveis e populações consideradas saudáveis ou sem DCV documentada, seja também em condições clínicas agudas ou com DCV manifesta, como no presente escopo. Alguns estudos identificaram uma associação independente entre adiponectina e maior risco para DAC (IAM não fatal e DAC fatal) em indivíduos sem documentação prévia, mas somente em idosos, com OR ajustado 1,69 (IC95% 1,23-2,32) para quintil 5 versus quintil 125. De modo contrário, o estudo Rancho Bernardo24 identificou que níveis de adiponectina no quintil 5 estratificado por gênero foram significativamente associados a 44% de redução no OR para ocorrência de DAC, o que foi eliminado após ajuste para HDL-colesterol e/ou triglicerídeos. Na análise prospectiva de 20 anos, maiores concentrações de adiponectina foram preditores de risco reduzido de IAM não fatal somente em homens. Corroborando essas informações, recente estudo sobre adiponectina e risco de eventos ligados à DAC no contexto de uma metanálise de sete estudos prospectivos prévios encontrou OR para DAC de 0,89 (IC95% 0,67-1,18), em comparação com homens no tercil 3 com o tercil 1, bastante semelhante aos achados da citada metanálise22. Wolk e cols.37 avaliaram 499 pacientes submetidos a angiografia coronária, sendo 168 com SCA, e identificaram altos níveis de adiponectina como independentemente associados com risco reduzido de SCA.

Entre as correlações estudadas entre adiponectina e os demais biomarcadores, detectamos uma correlação direta e significativa com o BNP. Não podemos, portanto, descartar possíveis interações como essa, entre outras identificadas e eventuais fatores ou variáveis não mensuráveis, os quais podem explicar a eventual atenuação da força de associação com o risco no modelo global. Essa hipótese apresenta suporte no trabalho de Schnabel e cols.38, no qual a associação de risco com adiponectina permaneceu robusta após ajuste para fatores de risco clássicos, na população global do estudo, porém, após ajuste para BNP, a adiponectina perdeu o valor preditivo independente. Por esses achados, em pacientes com DAC manifestada, a adiponectina parece ter um papel diferente. Enquanto, em indivíduos clinicamente assintomáticos, elevados níveis de adiponectina parecem ser protetores contra a doença aterosclerótica, quando elevadas em pacientes com DAC sintomática observa-se uma associação direta com risco para eventos cardiovasculares. Esse resultado de associação direta ou paradoxal implica que a influência benéfica da adiponectina na doença aterosclerótica se traduziria em elevações das concentrações da adiponectina como mecanismo contrarregulatório em resposta ao processo aterosclerótico excessivo e instável das SCA, com balanço líquido negativo de impacto adverso, a despeito das concentrações elevadas desse biomarcador. Isso poderia indicar um desequilíbrio de todo o sistema de homeostase metabólica, interferindo nos processos bioenergéticos celulares.

Ressaltamos que, mesmo que haja forte associação entre o fator de risco e o desfecho medido ou avaliado, não implica obrigatoriamente que o fator de risco promova base para uma regra preditiva efetiva. Wang e cols.39 demonstraram que, na avaliação do risco individual, o uso de 10 biomarcadores adicionou capacidade discriminatória apenas discreta aos fatores de risco clássicos, com curvas ROC praticamente superponíveis e índices c similares (0,76 versus 0,77).

Por fim, restaria uma questão sobre os mecanismos potenciais de aumento de risco para eventos cardiovasculares relevantes. Uma recente revisão abordou os diversos mecanismos fisiopatológicos envolvendo a adiponectina e concluiu que essas associações fornecem informações relevantes para o entendimento dos processos inflamatórios e aterogênicos associados com a progressão da doença arterial coronariana e a instabilidade de placas ateromatosas40. Esses mecanismos incluem: 1) envolvimento da adiponectina na regulação do desenvolvimento do core necrótico; 2) papel duplo no processo de neovascularização por propriedades pro/antiaterogênicas - a capacidade de promover angiogênese foi demonstrada como benéfica por prevenir isquemia; 3) a relação inversa entre adiponectina e a razão entre metaloproteinases da matriz e o inibidor tecidual da metaloproteinase-1 sugere que a adiponectina exerce modulação sobre a estabilidade de placas de ateroma através do equilíbrio dessa relação; 4) adiponectina local na íntima e adventícia da parede subendotelial exerce supressão da expressão das moléculas de adesão VCAM-1 e ICAM-1 nas paredes vasculares, sugerindo que a adiponectina melhora a aterosclerose, em parte, por inibição da expressão dessas moléculas inflamatórias in vivo. A adiponectina tem papel documentado na ativação endotelial, propagação de fatores inflamatórios por expressão de moléculas de adesão, adesão de monócitos ao endotélio vascular e migração para a íntima, ativação de macrófagos, transformação de macrófagos em células espumosas, acúmulo de lípides nos macrófagos, proliferação e migração de células musculares lisas para a íntima e agregação plaquetária. Outros mecanismos envolvidos também incluem fenômenos de oxidação e regulação do tônus vascular.

Entre as variáveis metabólicas estudadas, além da própria adiponectina, apenas a glicemia de jejum apresentou correlação significante, direta e independente com o risco cardiovascular. Nossos resultados são comparáveis aos vários estudos sobre o papel prognóstico da hiperglicemia nas SCA, notadamente no IAM. Isso pode refletir um desequilíbrio dos sistemas regulados pela adiponectina, como discutido previamente, ou ser influenciado pelos mecanismos contrarregulatórios responsáveis pela hiperglicemia de estresse. Entretanto, pelas associações observadas entre os biomarcadores, especificamente com a adiponectina, e pouca ou nenhuma correlação com PCR-us, leucócitos, plaquetas e fibrinogênio, e a manutenção da associação da glicemia mesmo com forte efeito de associação da massa da CKMB, traduzindo impacto do grau de necrose miocárdica, pensamos que os achados da glicemia de jejum possam realmente refletir as interações com os efeitos da adiponectina. Do mesmo modo, os resultados demonstrados por quartis de adiponectina sugerem e reforçam que os valores de glicemia estejam associados diretamente aos da adiponectina, exercendo efeito de interação ou colinearidade.

Outro aspecto deste estudo é a não realização de dosagens seriadas da adiponectina, assim como dos diversos biomarcadores do metabolismo, incluindo a própria glicemia, a insulina, o índice HOMA e a HbA1c. Essas dosagens seriadas poderiam fornecer informações adicionais relevantes para um entendimento maior das inter-relações da homeostase metabólica.

Neste estudo, encontramos associação significativa e direta entre adiponectina e o gênero feminino, presença de comorbidades, de insuficiência renal crônica, estado vigente de tabagismo e níveis de HDL-colesterol e creatinina; de modo inverso, com a presença de diabetes melito, o peso corporal, a circunferência abdominal e os níveis de insulina e triglicerídeos. De fato, os resultados entre as diversas variáveis clínicas e os biomarcadores enfatizam a consistência interna e com padrões similares com os reportados previamente, reforçam um aspecto de consistência e sinalizam tendências similares, sugerindo que os resultados devam ser considerados satisfatórios e passíveis de interpretação. Por outro lado, algumas limitações são esperadas, como em outros estudos observacionais transversais, como vieses de seleção, além de fatores de confusão não completamente elucidados, portanto sem ajuste ideal. Entretanto, salientamos que esforços sistemáticos foram planejados para minimizar esses aspectos, incluindo o recrutamento consecutivo dos pacientes elegíveis, a coleta de dados de modo prospectivo e padronizado, principalmente dos eventos clínicos desde o início da SCA e contabilizados por seguimento de 100% dos pacientes, e o ajuste nos modelos de Cox para importantes covariáveis, como idade, sexo, extensão da doença arterial coronária, demais biomarcadores metabólicos, inflamatórios e de necrose miocárdica, função ventricular esquerda, procedimentos de revascularização coronária e terapêutica farmacológica com benefício cardiovascular comprovado. Diante da imprevisibilidade de variabilidade das diversas medidas na população estudada, da ocorrência de fatores confundidores não mensurados e da natureza exploratória das hipóteses, os achados e conclusões do estudo devem ser considerados como sugestivos ou indicativos, dando suporte à aplicabilidade na população brasileira e contribuindo para a formulação de novas hipóteses.

 

Conclusões

Os resultados deste estudo adicionam informações sobre o potencial papel prognóstico dos níveis séricos da adiponectina em pacientes com síndromes coronarianas agudas. Além disso, dão suporte ao conceito de homeostase metabólica como processo biológico essencial e determinante de risco cardiovascular. Os níveis séricos elevados da adiponectina total foram preditores independentes e diretos para a ocorrência de desfechos cardiovasculares relevantes, incluindo re-hospitalização com necessidade de revascularização. Os dados discutidos ressaltam as correlações entre a adiponectina e os biomarcadores antropométricos, metabólicos e miocárdicos, e suscitam investigações adicionais para a determinação dos mecanismos envolvidos na associação direta da adiponectina com maior risco cardiovascular e na correlação significante com o BNP, assim como na avaliação da potencial modulação desse biomarcador como alvo terapêutico.

 

Agradecimentos

Este estudo recebeu suporte logístico da Divisão de Epidemiologia Translacional e do Laboratório de Análises Clínicas do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (IDPC). Agradecimentos também são expressos ao Laboratório de Estatística e Epidemiologia (IDPC) e ao Instituto Gênese de Análises Científicas.

 

Contribuição dos Autores

Concepção e desenho da pesquisa, Análise e interpretação dos dados, Obtenção de financiamento e Revisão crítica do manuscrito quanto ao conteúdo intelectual: Oliveira GBF, Piegas LS; Obtenção de dados e Redação do manuscrito: Oliveira GBF; Análise estatística: França JID.

Potencial Conflito de Interesses

Declaro não haver conflito de interesses pertinentes.

Fontes de Financiamento

O presente estudo não teve fontes de financiamento externas.

Vinculação Acadêmica

Este artigo é parte de tese de Doutorado de Gustavo Bernardes de Figueiredo Oliveira pela Universidade de São Paulo.

 

Referências

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Correspondência:
Gustavo Bernardes F. Oliveira
Av. Dr. Dante Pazzanese, 500. Unidade Coronária, 2.º andar, Unidade Hospitalar III
CEP 04012-909, São Paulo, SP - Brasil
E-mail: goliveira@cardiol.br, oliveiragbf@gmail.com

Artigo recebido em 07/12/12; revisado em 10/06/13; aceito em 24/06/13.

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