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Revista da Escola de Enfermagem da USP

versão impressa ISSN 0080-6234versão On-line ISSN 1980-220X

Rev. esc. enferm. USP vol.51  São Paulo  2017  Epub 20-Jul-2017

https://doi.org/10.1590/s1980-220x2016029003240 

Artigo Original

Elaboração e validação de Escala de Desconforto da Sede Perioperatória*

Pamela Rafaela Martins

Lígia Fahl Fonseca

Edilaine Giovanini Rossetto

Lilian Denise Mai

1 Universidade Estadual de Londrina, Londrina, PR, Brasil.

2 Universidade Estadual de Maringá, Maringá, PR, Brasil.


Resumo

OBJETIVO

Elaborar e validar uma escala para avaliação do desconforto da sede perioperatória.

MÉTODO

Pesquisa metodológica realizada em 2014 e 2015, no centro cirúrgico de um hospital público do norte do Paraná. A escala foi elaborada após revisão bibliográfica, seguida de validação aparente e de conteúdo e avaliação da fidedignidade através de sua consistência interna e da equivalência inter observadores.

RESULTADOS

Sete itens compuseram a escala: boca seca; lábios ressecados; língua grossa; saliva grossa; garganta seca; gosto ruim e vontade de beber água. O índice de validade de conteúdo para atributos e itens foi de 0,98, e o índice de fidedignidade foi de 1 para os atributos e itens da escala. A consistência interna avaliada pelo alfa de Cronbach foi de 0,91, e a equivalência interobservadores foi de 1, medida pelo coeficiente de kappa ponderado.

CONCLUSÃO

A escala de desconforto da sede perioperatóriademonstrou altos índices de validade de conteúdo e fidedignidade.

Descritores Sede; Escalas; Avaliação; Enfermagem Perioperatória;Estudos de Validação

Abstract

OBJECTIVE

Developing and validating a scale to assess perioperative thirst discomfort.

METHOD

A methodological research conducted in 2014 and 2015 at the surgical center of a public hospital in the north of Paraná, Brazil. The scale was developed after literature review, followed by face and content validation, and reliability assessment through its internal consistency and inter-observer equivalence.

RESULTS

Seven items make up the scale: dry mouth; dry lips; thick tongue; thick saliva; dry throat, bad taste and desire to drink water. The content validity index for attributes and items was 0.98, and the reliability index was 1 for the scale attributes and items. Internal consistency assessed by Cronbach's alpha was 0.91 and inter-rater equivalence was 1, as measured by weighted kappa coefficient.

CONCLUSION

ThePerioperative Thirst Discomfort Scaleshowed high content and reliability indexes.

Descriptors  Thirst; Scales; Evaluation; Perioperative Nursing; Validation Studies.

Resumen

OBJETIVO

Elaborar y validar una escala para evaluación de la incomodidad de la sed perioperatoria.

MÉTODO

Investigación metodológica realizada en 2014 y 2015, en el quirófano de un hospital público del norte de Paraná. La escala fue elaborada tras revisión bibliográfica, seguida de validación aparente y de contenido y evaluación de la credibilidad mediante su consistencia interna y la equivalencia entre los observadores.

RESULTADOS

Siete puntos compusieron la escala: boca seca; labios resecos; lengua gruesa; saliva gruesa; garganta seca; gusto malo y deseo de beber agua. El índice de validez de contenido para atributos indicadores fue de 0,98 y el índice de credibilidad fue de 1 para los atributos y puntos de la escala. La consistencia interna evaluada por el alfa de Cronbach fue de 0,91 y la equivalencia entre observadores fue de 1, medida por el coeficiente de kappa ponderado.

CONCLUSIÓN

La escala de incomodidad de la sed perioperatoria demostró altos índices de validez de contenido y credibilidad.

Descriptores Sed; Escalas; Evaluación; Enfermería Perioperatoria; Estudios de Validación

Introdução

A sede é descrita como a vontade de beber água, influenciada por fatores fisiológicos e hábitos de vida do indivíduo1. Quando não atendida por meio da ingestão hídrica, torna-se uma sensação desagradável tão imperiosa que pode sobrepujar todas as outras2.

O paciente cirúrgico integra um grupo com alto risco de desenvolver tanto a sede osmótica quanto a hipovolêmica1,3. No perioperatório, ele está exposto a diversos fatores que o predispõem ao sintoma sede, como jejum pré-operatório prolongado,medicações do ato anestésico-cirúrgico, entubação orotraqueal e perdas sanguíneas1-4. Somem-se a isso ansiedade, irritabilidade, estresse e temor da anestesia e cirurgia2,4-5, configurando um quadro em que a confluência desses elementos torna a sede um dos aspectos mais distressores para o paciente.

A sede é uma experiência subjetiva que excede os limites físicos, abrangendo a dimensão psicológica, social, espiritual e ambiental da pessoa6.Relatos de pacientes sobre a vivência da sede no perioperatórioa descrevem como sofrimento intenso, com alusões a pensamentos de desespero e até de morte7.Paradoxalmente, a sede permanece sub valorizada, sub mensurada e subtratada na prática clínica1,8.

Partindo do pressuposto de que o cuidado é o principal objeto de trabalho da enfermagem, a busca pelo conforto é um alvo a ser alcançado, integrado numa dimensão maior, em meio a processos, experiências e conceitos dinâmicos, como qualidade de vida, esperança, controle, revitalização e equilíbrio. A sede, como toda situação de desequilíbrio, desencadeia mudanças no cenário do paciente submetido à cirurgia, transformando a experiência em desconforto, com repercussões para sua recuperação9.

Criar uma esfera de conforto para o paciente torna-se, portanto, um desafio complexo6,e o primeiro passo para fundamentar a adoção de medidas de alívio é a mensuração da sede.

Diversos mecanismos identificam e mensuram a sede, como o mapeamento cerebral por tomografia e ressonância,alterações osmóticas e hormonais. Utiliza-se, da mesma forma,da percepção do próprio indivíduo por meio de escalas visuais analógicas (EVA) e escalas verbais numéricas (EVN), extensivamente empregadas na avaliação da dor, com indícios de fidedignidade também para avaliar a intensidade da sede por alterações osmóticas. Há evidências de que os escores obtidos por EVA e EVN se correlacionaram positivamente com os altos níveis do hormônio antidiurético e com a osmolaridade do sangue10.

O caráter subjetivo da sede dificulta sua valorização, reconhecimento e mensuração, sobretudo quando envolve pacientes com deficit de comunicação1. Dentre os principais sintomas vivenciados por pacientes em unidade de terapia intensiva (UTI), a sede foi o segundo sintoma mais intenso, desconfortável e incidente11.

Uma Escala de Desconforto da Sede foi submetida a teste com 247 pacientes em hemodiálise, avaliando-se a intensidade da sede por EVA12. Também um checklist com 18 itens mostrou-se válido e confiável para mensurar a sede em pacientes com demência avançada, os quais não conseguiam verbalizar a vontade de beber água13. Validou-se, ainda, afidedignidade de um Inventário deXerostomia, com 11 itens relacionados às condições impostas pelo ressecamento da cavidade oral14.

No entanto, as escalas de avaliação, mensuração e desconforto da sede existentes destinam-se a pacientes críticos ou submetidos à hemodiálise, predispostos, pela cronicidade das condições clínicas, ao desenvolvimento da sede ou de seus sintomas periféricos. Esses instrumentos consideram itens inapropriados ao paciente cirúrgico: são extensos, avaliam construtos difíceis de o paciente cirúrgico pontuar e não discriminam componentes e dimensões que compõem a experiência de estar com sede no contexto perioperatório.

Apesar de os pacientes cirúrgicos apresentarem sede intensa e altamente incidente,não se encontram estudos, especificamente neste contexto, que tenham desenvolvido instrumentos para mensuração das características e intensidade desse desconforto, sobretudo por sua subjetividade inerente7,15. Em vista disso, é imprescindível ter à disposição um instrumento válido e confiável para avaliar a magnitude do desconforto da sede perioperatória e propor adoção de medidas de alívio.

Os instrumentos de medida devem ter validade e fidedignidade em sua aplicação, para que os resultados tenham credibilidade e legitimidade16. Este estudo teve, então, como objetivo desenvolver e validar uma escala para avaliação do desconforto da sede perioperatória.

Método

Fez-se um estudo metodológico, ideal para investigar métodos de obtenção, organização e análise de dados que resultem na validação de instrumentos e técnicas de pesquisa, com alto nível de fidedignidade e reprodutibilidade17.

Esta pesquisa foi realizada em 2014 e 2015, no centro cirúrgico de um hospital público do norte do Paraná, credenciado ao Sistema Único de Saúde. Desenvolveu-se segundo os pressupostos de Pasquali18para a elaboração de instrumentos psicológicos, com base na lista de verificação COSMIN(Consensus-based Standards for the selection of health status Measurement INstruments)19, concretizando-se em três procedimentos: teóricos,experimentais ou empíricos, e analíticos ou estatísticos18.

A etapa dos procedimentos teóricos consistiu na elaboração da escala a partir do construto “desconforto da sede”, na validação aparente e de conteúdo por especialistas.

O construto e seus atributos, que compreendem a multifatoriedade de sinais da sede, foram definidos depois de extensa revisão bibliográfica na literatura, além da utilização do banco de artigos do Grupo de Estudo e Pesquisa da Sede (GPS) da Universidade Estadual de Londrina.

Para compor a escala, elencaram-se os atributos mais representativos. Participaram dessa análise quatro integrantes do GPS e uma professora pesquisadora não familiarizada com a temática sede, visando atribuir um olhar neutro à seleção dos atributos.

Procedeu-se, então, à definição constitutiva. O objeto desconforto da sede representou o universo de interesse, e a explicitação das propriedades e atributos representou a delimitação desse universo. A seguir, definiu-se a dimensionalidade do desconforto, conceituando-se detalhadamente tanto o objeto como seus atributos,levando em conta a literatura pertinente, os peritos na área e a própria experiência do pesquisador. Estabeleceu-se, por fim, a definição operacional dos itens18.

Para quantificar esses itens, determinou-se uma escala tipo Likert de três pontos, em que zero significava “nada desconfortável”; um “pouco desconfortável” e dois “muito desconfortável”,obtendo-se uma pontuação de zero a 14, em que 14 correspondia à maior intensidade de desconforto referida.Foram observados os três axiomas básicos de escalas numéricas: identidade, ordem e aditividade18. Optou-se pela escala de três pontos por se considerar que o paciente cirúrgico, ainda em fase de recuperação anestésica, poderá compreender e responder às questões com maior acurácia, uma vez que outros instrumentos e inventários que mensuram a sede são excessivamente extensos e complexos para serem utilizados nesse momento.

O instrumento finalizado foi submetido à análise teórica em duas etapas distintas: validação aparente e de conteúdo. Na validação aparente, participaram quatro enfermeiros doutores, quatro enfermeiros recém-formados e oito pacientes (quatro com ensino fundamental e quatro com educação superior). A enfermeira pesquisadora, depois de aplicar a escala, questionava cada um dos participantes sobre a clareza e a compreensão dos itens.

A validação de conteúdo da escala coube a 11 especialistas com experiência em enfermagem perioperatória, na temática sede ou na validação de instrumentos. O contato com os especialistas ocorreu por e-mail. Eles receberam quatro instrumentos: validação dos atributos do desconforto da sede; validação dos itens da escala; manual operacional para validação das definições constitutivas e operacionais dos atributos e um instrumento de caracterização dos especialistas. Para a coleta dos dados, utilizou-se da técnica Delphi em duas rodadas.

Os dados obtidos foram organizados e analisados em uma planilha no programa Excel 2007. Para os cálculos, adotou-se o índice de validade de conteúdo (ContentValidity Index-CVI) e o índice de fidedignidade ou concordância interavaliadores (InterraterAgreement-IRA). O CVI demonstra a proporção de especialistas que julgaram o item da escala válido ou não, sendo ele concedido a cada atributo, a cada item da escala e ao instrumento na íntegra. Calculou-se o CVI para os itens da escala e atributos com base na razão do quantitativo de especialistas que consideraram válidos o item da escala e o atributo (pontuação de três ou quatro) pelo número de especialistas. Para a escala, o CVI baseou-se na média dos valores atribuídos aos itens e atributos. Utilizou-se do IRA para identificar a extensão em que os especialistas foram confiáveis em suas respostas. Obteve-se o IRA da razão entre o quantitativo de itens da escala que obtiveram valor acima de 80% pelo número total de itens da escala ou atributos. O ideal é que ambos os índices sejam maiores que 80%20.

Na etapa dos procedimentos empíricos, submeteu-se a escala a um teste-piloto com dez pacientes. Esse teste norteou a identificação de problemas com os itens incluídos na escala e as mudanças para melhor clareza e entendimento. Os resultados não foram incluídos no presente relato.

A última etapa, correspondente aos procedimentos analíticos, consistiu em verificar a fidedignidade da escala. Uma das enfermeiras pesquisadoras e uma enfermeira residente, atuante no local de estudo, ambas com experiência prévia em enfermagem perioperatória, conduziram a equivalência inter observadores. A dupla aplicou a escala simultaneamente, mas de forma independente: apenas uma das enfermeiras se comunicava com o paciente; a outra observava e fazia anotações. A coleta dos dados durou 3meses, e o instrumento de coleta contemplou, além da escala, dados clínicos e de caracterização.

Para o cálculo da amostra, adotou-se o que preconiza Pasquali18: para cada item da escala são necessários dez sujeitos, perfazendo uma amostra de 70 pacientes. Incluíram-se pacientes na fase pré e pós-cirúrgica imediata em sala de recuperação anestésica. Os critérios foram: idade entre 18 e 65 anos; referir sede; pontuação na EVN de sede maior ou igual a três; estar consciente, alerta e orientado no tempo e espaço no momento da coleta.

Os dados coletados foram organizados em uma planilha do programa Excel 2007, e utilizou-se do software SAS 9.0 para a análise descritiva e inferencial. Selecionaram-se duas técnicas de verificação da fidedignidade: o alfa de Cronbach e a equivalência interobservadores, com o cálculo do coeficiente de kappa ponderado. Ambos os coeficientes variam entre zero e um: quanto mais próximo de um, mais exata é a medida e maior é a fidedignidade do instrumento17.

O Comitê de Ética em Pesquisa Envolvendo Seres Humanos da instituição de estudo aprovou a pesquisa (CAAE: 02299412.6.0000.5231), sob as orientações da Resolução nº 466 de 2012, do Conselho Nacional de Saúde.

Resultados

A partir do construto “desconforto da sede”, definiram-se 30 atributos representativos: boca amarga, boca áspera, boca irritada, boca seca, cansaço, cavidade oral friável, dificuldade de deglutição, dor de cabeça, fácil sangramento da cavidade oral, garganta amarga, garganta áspera, garganta seca, gosto ruim na boca, hipossalivação, lábios ressecados, lábios rachados, língua grossa, língua seca, mau hálito, olhos ressecados, olhos secos, perda de apetite, queimação na garganta, queimação no estômago, saliva grossa, sonolência, tontura, vontade de beber água, vontade de engolir e xerostomia.

Reduziram-se os 30 atributos aos sete mais representativos do construto: boca seca, lábios ressecados, língua grossa, saliva grossa, garganta seca, gosto ruim e vontade de beber água. Com base na operacionalização dos atributos, obtiveram-se sete itens correspondentes: minha boca está seca; meus lábios estão ressecados; sinto que minha língua está grossa; minha saliva está grossa; minha garganta está arranhando; sinto um gosto ruim na boca e tenho vontade de beber água.

Validação aparente e de conteúdo

A validação aparente demonstrou que a Escala de Desconforto da Sede Perioperatória (EDESP) foi de fácil compreensão para todos os estratos.

Dos 11 especialistas convidados para a validação de conteúdo, oito residiam em Londrina; os demais eram de Maringá, Ribeirão Preto e São Paulo. Entre eles havia um pós-doutor em enfermagem, oito doutores e dois mestres; quatro (45,4%)atuavam na área por 25 a 30 anos, 45,4% exerciam suas atividades predominantemente na graduação e 81,8%trabalhavam em instituições públicas, 54,5% dos quais em instituições públicas de grande porte.

O julgamento dos especialistas norteou as alterações realizadas na escala: o item “sinto que minha língua está grossa” mudou para “minha língua está grossa”, a fim de padronizar; o item “minha garganta está arranhando” mudou para “minha garganta está seca”, pois o paciente geralmente associava sensação de garganta arranhando com entubação no ato anestésico.Os critérios para qualificar a avaliação do desconforto da sede alteraram-se segundo o julgamento dos especialistas e o teste-piloto da escala com dez pacientes: em lugar de “nada desconfortável”, “pouco desconfortável” e “muito desconfortável”, adotou-se o zero para “nada incomodado”, um para “um pouco incomodado” e dois para “muito incomodado” (Quadro1), para proporcionar aos pacientes melhor compreensão e caracterização do sistema de pontuação dos itens da escala; a periodicidade da avaliação passou a incluir, além da queixa espontânea, questionar o paciente sobre sua sede.

Quadro 1  Escala de Desconforto da Sede Perioperatória - Londrina, PR, Brasil, 2015 

Nas Tabelas 1 e 2estão os resultados da análise dos dados do CVI e do IRA.Índices de concordância abaixo de 80% ocorreram apenas na primeira rodada de validação de conteúdo, ao passo que na segunda todos os atributos e itens alcançaram os níveis estabelecidos neste estudo. Para o item “minha saliva está grossa”, houve índices baixos na apreciação do instrumento para a validação dos itens da escala, com CVI de 77% e IRA de 57%.

Tabela 1 − Resultados da validação de conteúdo dos itens da Escala de Desconforto da Sede Perioperatória - Londrina, PR, Brasil, 2015. 

Itens avaliados CVI* 1ª rod CVI** 1ª rod IRA***1ªrod CVI* 2ª rod CVI** 2ª rod IRA*** 2ª rod
Minha boca está seca 0,97 0,91 1,00 0,98 0,98 1,00
Meus lábios estão ressecados 0,97 1,00 0,98 1,00
Minha língua está grossa 0,85 0,86 0,98 1,00
Minha saliva está grossa 0,77 0,57 0,98 1,00
Minha garganta está seca 0,84 0,85 0,98 1,00
Sinto um gosto ruim na boca 1,00 1,00 0,98 1,00
Tenho vontade de beber água 0,97 1,00 0,98 1,00

*ContentValidity Index (Índice de Validade de Conteúdo)− CVI do item da escala;

** ContentValidity Index− CVI da escala na íntegra;

***InterraterAgreement (Índice de Fidedignidade ou Concordância Interavaliadores)− IRA por item da escala.

Os resultados obtidos com a validação dos atributos e do manual operacional estão apresentados na Tabela 2. O IRA para o atributo “língua grossa”, em seu julgamento no primeiro instrumento, foi de 71% na primeira rodada. A validação de conteúdo do manual operacional resultou em valores baixos do IRA para os atributos “lábios ressecados” (0,50), “língua grossa” (0,50) e “garganta seca” (0,75). Ambos os índices ficaram abaixo do valor ideal para os atributos “saliva grossa” e “gosto ruim”.

Os valores abaixo de 80% dos índices obtidos na validação de conteúdo do manual operacional resultaram da não concordância dos especialistas em relação à periodicidade de avaliação e critérios de qualificação dos itens da escala na primeira rodada da avaliação. Feitas as correções, a escala apresentou, na segunda rodada, CVI e IRA de 100% para todos os itens.

Tabela 2 Resultados da validação de conteúdo dos atributos da Escala de Desconforto da Sede Perioperatória - Londrina, PR, Brasil, 2015 

Atributos avaliados CVIa* CVIa** IRAa*** CVIb* CVIb** IRAb***
1ª rod 2ª rod 1ª rod 2ª rod 1ª rod 2ª rod 1ª rod 2ª rod 1ª rod 2ª rod 1ª rod 2ª rod
Boca seca 0,97 0,98 0,91 0,98 1,00 1,00 0,88 1,00 0,83 1,00 1,00 1,00
Lábios ressecados 0,91 0,98 1,00 1,00 0,81 1,00 0,50 1,00
Língua grossa 0,83 0,98 0,71 1,00 0,83 1,00 0,50 1,00
Saliva grossa 0,91 0,98 1,00 1,00 0,79 1,00 0,50 1,00
Garganta seca 0,91 0,98 1,00 1,00 0,81 1,00 0,75 1,00
Gosto ruim 0,91 0,98 1,00 1,00 0,79 1,00 0,50 1,00
Vontade de beber água 0,91 0,98 1,00 1,00 0,92 1,00 1,00 1,00

*ContentValidity Index (Índice de Validade de Conteúdo)− CVI do atributo;

** ContentValidity Index− CVI da escala na íntegra;

***InterraterAgreement (Índice de Fidedignidade ou Concordância Interavaliadores)− IRA por item da escala. a − Validação de Conteúdo dos Atributos; b − Validação de Conteúdo do Manual Operacional.

Fidedignidade

Na última etapa, determinou-se uma amostra de 70 pacientes para a avaliação da fidedignidade da EDESP. A amostra compôs-se de 36 homens e 34 mulheres, com média de idade de 38,3 anos (md=36,0 e dp=14,4). O nível de escolaridade predominante foi o médio (61,4%); 32,9% apresentaram nível fundamental e 5,7%, superior. As principais especialidades cirúrgicas foram Ortopedia (35,7%) e Ginecologia (27,1%), sendo a cesárea (15,7%) o procedimento cirúrgico de maior incidência. Não houve diferenças no período de jejum de líquidos e sólidos. Permaneceram em jejum por pelo menos 12 horas 38,6% dos pacientes; 55,7% entre 12 e 24 horas, e 5,7% em período maior que 24 horas. As cirurgias duraram em média 1 hora e 59 minutos (md=1 hora e 40 minutos e dp=1 hora e 23 minutos).

Os pacientes foram submetidos predominantemente às anestesias raquidiana (58,6%) e geral (28,6%), cuja duração média foi de 2 horas e 24 minutos (md=2 horas e dp=1 hora e 30 minutos). Dos 70 pacientes, 23 (32,9%) foram entubados, e 37 (52,9%) eram ASA II, dentro da classificação para risco anestésico conforme o estado geral.

Oito pacientes referiram sede espontaneamente, e a pontuação média da EVN de sede de zero a dez foi de 6,7 (md=6 e dp=2,3). Quatro pacientes receberam alguma medicação anticolinérgica, e em 71% deles administrou-se medicamento opioide durante a cirurgia.

Todos os itens da escala obtiveram coeficiente de kappa ponderado de 1, com exceção do item “tenho vontade de beber água”, que obteve 0,97.A consistência interna da EDESP, verificada pelo cálculo do alfa de Cronbach da escala geral, foi de 0,91. A exclusão de qualquer um dos itens da escala não aumentou o valor do coeficiente, mantendo-se, portanto, os sete itens previamente definidos (Tabela 3).

Tabela 3 Comportamento do alfa de Cronbach na exclusão de algum item da Escala de Desconforto da Sede Perioperatória - Londrina, PR, Brasil, 2015 

Item Valor do coeficiente
Minha boca está seca 0,90
Meus lábios estão ressecados 0,89
Minha língua está grossa 0,90
Minha saliva está grossa 0,90
Minha garganta está seca 0,89
Sinto um gosto ruim na boca 0,90
Tenho vontade de beber água 0,90

Discussão

Os resultados deste estudo evidenciaram que a avaliação da sede não se esgota na dimensão intensidade, pois o autor relato traz à tona a percepção de desconfortos específicos e expressivos, compondo atributos periféricos da sede que não podem ser ignorados.

Os 30 atributos identificados quanto ao desconforto da sede nos pacientes cirúrgicos e a EDESP são um recorte dos principais sintomas periféricos desconfortáveis vivenciados na fase perioperatória, muitos usualmente nem sequer percebidos pela equipe de enfermagem.Iniciando pela caracterização e operacionalização dos atributos mais representativos do desconforto da sede, pôde-se elaborar, validar e verificar afidedignidade da escala.

Até o presente momento, não tinha sido encontrada na literatura escala validada para mensurar o desconforto da sede em pacientes cirúrgicos, o que confere importância, utilidade e ineditismo do produto desta pesquisa. A escassez de estudos dificultou tanto os processos de fundamentação teórica dos componentes da sede perioperatória e seu desconforto quanto o norteamento da elaboração e validação de instrumentos de avaliação.

Os instrumentos encontrados na literatura avaliaram a sede em pacientes em UTI11ou submetidos à hemodiálise12,14, cujo interesse, nesses casos, decorre das modificações que a doença renal crônica e fatores associados impõem ao organismo12,14.

Na Escala de Desconforto da Sede (ThirstDistressScale) para pacientes em hemodiálise, observaram-se três dimensões: desconforto, frequência e duração. Ao final de dez entrevistas com pacientes, revisão de literatura e definições teóricas, levantaram-se 12 itens para avaliação do domínio desconforto, três itens para duração e 16 para frequência12.

Também se elaborou um instrumento para avaliar a incidência de sede (DialysisThirstInventory) em pacientes submetidos à hemodiálise. No questionário com sete itens,indagava-se sobre o período do dia em que a vontade de beber água era mais incidente, correlacionando a percepção da sede antes, durante e depois das sessões de hemodiálise21.

Apesar de vários estudos investigarem um conjunto de sintomas relacionados ao ressecamento das mucosas, invariavelmente associados à sede, não havia na literatura um instrumento para avaliá-los, até a publicação do Inventário de Xerostomia (Xerostomia Inventory). Esse inventário compõe-se de 11 itens fundamentados em extensiva revisão de literatura e em outros estudos em que se avaliou a xerostomia14.

Apesar de validadas e confiáveis, essas escalas são muito extensas e contemplam dimensões de difícil caracterização e percepção pelo paciente no pós-operatório imediato, como a duração do sintoma. São inadequadas para avaliar o desconforto da sede em pacientes cirúrgicos, expostos a fatores que elas não consideram22.

O sistema de pontuação de uma escala é um fator importante que também interfere na mensuração da sede. Os critérios de qualificação da EDESP foram analisados pelos especialistas no terceiro instrumento da validação de conteúdo,consistindo em uma escala tipo Likert de três pontos.Em instrumentos anteriores12,14,21, utilizou-se da escala Likert de cinco pontos. Na Escala de Desconforto da Sede para pacientes em hemodiálise, o respondente dizia se concordava (pontuação cinco) ou não (pontuação um) com o item em avaliação12;no Inventário de Xerostomia14 e Sede21,“nunca” corresponde à pontuação um, e “sempre” à pontuação cinco, em relação à periodicidade do aspecto avaliado.

No Inventário de Xerostomia, um escore final individual de 11 significa que a “boca não está seca”, e 55, que a “boca está extremamente seca”14, enquanto no Inventário de Sede pontuação 7 significa estar “sem sede”, e 35, estar “com muita sede”21. Esse inventário pode não ser prático para utilizar com paciente cirúrgico por conter um grande número de itens com pontuação extensa, de difícil compreensão para o paciente nesse período.

Um dos especialistas sugeriu que os critérios de avaliação da EDESP fossem baseados em uma escala tipo Likert de quatro pontos. Visando à compreensão de pacientes recuperando-se de um procedimento cirúrgico, optou-se pela escala tipo Likert de três pontos, cuja aplicação é mais fácil e objetiva. Critério semelhante foi adotado em ensaio clínico randomizado para avaliação da intensidade do desconforto da sede com pacientes em UTI,ao se utilizar da Escala Visual Numérica de três pontos, embora sem explicitação de seus atributos11. Dessa forma, na EDESP, a pontuação final varia de zero a 14, onde14 corresponde ao desconforto mais intenso dos sintomas relacionados com a sede perioperatória.

No processo de validação de conteúdo com os juízes, os atributos “língua grossa” e “minha saliva está grossa” não obtiveram índices de concordância elevados na primeira rodada. Os pesquisadores optaram, contudo, por não retirar esses itens da escala, apoiados em sua experiência clínica com pacientes com sede. Na avaliação da fidedignidade,verificou-se a relevância também desses atributos dentro da escala, demonstrando que os pacientes realmente percebem a língua e a saliva grossas como eventos desconfortáveis, atributos também identificados em outras investigações com pacientes com sede1,7,13,22.

A variabilidade na percepção individual quanto à fome, à sede e à plenitude gástrica tem sido investigada, uma vez que é influenciada por características pessoais, fatores motivacionais e afetivos22. A sede também é afetada por fatores fisiológicos, ambientais e relacionados ao processo saúde-doença, sendo considerada um sintoma multifatorial2,22.A EDESP busca avaliar essas diferenças individuais de percepção da sede porque permite discriminar a intensidade do desconforto causado por seus diferentes atributos, o que as escalas que mensuram exclusivamente a intensidade da sede não conseguem diferenciar.

Ao atingir índices quase perfeitos na segunda rodada de avaliação do coeficiente de kappa ponderado e alfa de Cronbach, a EDESP se mostrou confiável para ser reproduzida em estudos com pacientes em fase cirúrgica, pois a produção de erros aleatórios em repetidas mensurações foi praticamente nula. O alfa de Cronbach geral de 0,91 revelou adequada consistência interna do instrumento, indicando que todos os itens incluídos na escala representaram realmente o construto “desconforto da sede”. Outros estudos obtiveram valores menores (0,7812, 0,5213)e uma escala obteve alfa semelhante (0,8721).O índice obtido pela EDESP está dentro dos valores ideais para o alfa de Cronbach, pois, se fosse superior ao encontrado, indicaria redundância ou duplicação dos itens, ou seja, vários estariam medindo exatamente o mesmo elemento do construto desconforto da sede23.

Esse procedimento é importante para avaliar a adequação dos itens elencados para compor um instrumento. Por exemplo, na avaliação da fidedignidade de uma escala para determinar o desconforto da sede em pacientes em hemodiálise12,identificou-se a necessidade de excluir todos os itens relacionados com a mensuração da duração e frequência por efetivamente não medirem o construto proposto.

A validação da EDESP seguiu três importantes etapas: validação aparente, de conteúdo e índice de fidedignidade -sendo este último um procedimento menos empregado na validação de instrumentos similares14. Não obstantes eu rigor metodológico, é importante ressaltar que não se deve confirmar a validade de um instrumento apenas por meio de um só estudo18. O construto requer um padrão de descobertas consistentes, com envolvimento de diferentes pesquisadores por um significativo período de tempo, respeitando uma variedade de aspectos relevantes24, como bem apontaram os autores do Inventário de Xerostomia14.

Futuros estudos em outras realidades poderão ajudar a interpretar a pontuação obtida com a aplicação da EDESPe, da mesma forma, nortear a proposição e o planejamento de estratégias de manejo e alívio da sede de acordo com o grau de desconforto autor referido.

O conceito de cuidado direcionado ao conforto define-o como holístico e individualizado, visando à satisfação das necessidades humanas básicas e promoção de alívio aos fatores estressantes em situações de doença6. Acredita-se que a EDESP, como um novo instrumento de cuidado, possa incentivara promoção do conforto a partir da identificação intencional dos sintomas desconfortáveis da sede, tão incidentes no paciente cirúrgico. Sua utilização pode ser o passo inicial em direção à implementação de medidas para o alívio da sede e ao aprimoramento da qualidade da assistência perioperatória.

Conclusão

A presente escala atingiu índices elevados de validade e fidedignidade e, com uma gama numerosa de possibilidades de atributos para avaliar o desconforto da sede, identificou os sete mais representativos do construto: minha boca está seca, meus lábios estão ressecados, minha língua está grossa, minha saliva está grossa, minha garganta está seca, sinto um gosto ruim na boca e tenho vontade de beber água.

A validação aparente demonstrou que a escala é de fácil compreensão e apropriada para utilização no período perioperatório.A validação de conteúdo por especialistas proporcionou os níveis ideais preconizados do índice de validade de conteúdo(CVI) e do índice de fidedignidade ou concordância inter avaliadores(IRA). Dispor de uma escala com alto índice de confiabilidade aumenta a segurança para sua utilização na prática clínica.

Autilização da EDESP deve ser reproduzida em estudos posteriores com pacientes cirúrgico se utilizada em diferentes realidades, com maior número de pacientes e por períodos prolongados. Isso pode fortalecer e corroborar a validade obtida pela presente pesquisa.

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* Extraído da dissertação “Elaboração e validação de uma Escala de Desconforto da Sede Perioperatória”, Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, Universidade Estadual de Londrina, 2016.

Recebido: 01 de Agosto de 2016; Aceito: 21 de Março de 2017

Autor correspondente Pamela Rafaela Martins. Universidade Estadual de Londrina Av. Robert Koch, 60 - Vila Operária. CEP 86038-440 - Londrina, PR, Brasil pammartins253@gmail.com

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