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Revista Brasileira de Entomologia

On-line version ISSN 1806-9665

Rev. Bras. entomol. vol.48 no.2 São Paulo June 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S0085-56262004000200013 

SISTEMÁTICA, MORFOLOGIA E BIOGEOGRAFIA

 

Nothoprodontia, um novo gênero de Trachyderini (Coleoptera, Cerambycidae, Cerambycinae)

 

 

Miguel A. MonnéI, III; Marcela L. MonnéII, IV

IMuseu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Quinta da Boa Vista, São Cristovão, 20940-040 Rio de Janeiro-RJ, Brasil
IIMuseu de Zoologia, Universidade de São Paulo. Caixa Postal 42494, 04218-970 São Paulo-SP, Brasil
IIIPesquisador CNPq
IVBolsista FAPESP

 

 


RESUMO

Nothoprodontia gen. nov. e sua espécie-tipo, N. boliviana sp. nov., são descritos da Bolívia (Cochabamba). O novo gênero é comparado com Prodontia Audinet-Serville, 1834, Eriphus Audinet-Serville, 1834, and Athetesis Bates, 1870.

Palavras-chave: Cerambycinae; novos táxons; região Neotropical; Trachyderini.


ABSTRACT

Nothoprodontia, a new genus of Trachyderini (Coleoptera, Cerambycidae, Cerambycinae). Nothoprodontia gen. nov. and its type-species, N. boliviana sp. nov., are described from Bolívia (Cochabamba). Comparative notes with Prodontia Audinet-Serville, 1834, Eriphus Audinet-Serville, 1834, and Athetesis Bates, 1870 are also given.

Keywords: Cerambycinae; Neotropical; new taxa; Trachyderini.


 

 

A tribo Trachyderini Dupont, 1836 compreende 124 gêneros e mais de 400 espécies na região Neotropical (MONNÉ & GIESBERT 1995). Nothoprodontia gen. nov. pertence a um grupo de gêneros, com uma ou mais espécies, com padrão de coloração semelhante aos de Lycidae (LINSLEY 1961a, b), isto é, preto ou azul-escuro combinados com amarelo a alaranjado como ocorre em Prodontia Audinet-Serville, 1834, Eriphus Audinet-Serville, 1834 e Athetesis Bates, 1870 (Figs. 2-4).

 


 

O material examinado pertence ao Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro (MNRJ).

Nothoprodontia gen. nov.

Espécie-tipo: Nothoprodontia boliviana sp. nov.

Fronte curta e vertical. Sutura coronal indicada até o nível dos lobos oculares superiores. Tubérculos anteníferos moderadamente projetados e próximos entre si. Olhos desenvolvidos e ligeiramente estreitados entre os lobos. Lobos oculares superiores tão distantes entre si quanto 1,5 vezes a largura de um lobo. Lobos oculares inferiores com aspecto arredondado e não atingem a face ventral. Genas curtas, triangulares, com ápices aguçados e cerca de um terço do diâmetro do lobo ocular inferior. Mandíbulas arredondadas na margem externa, ápices simples e aguçados. Mento trapezoidal. Artículos apicais dos palpos labiais e maxilares cilíndricos e ápices truncados. Antenas com 11 antenômeros. Escapo curto, robusto, alargado para o ápice e com sulco dorsal na base; antenômero III pouco mais longo que o escapo; IV cerca de 2/3 do comprimento do III; V-VII subiguais em comprimento; VIII-X subiguais e ligeiramente mais curtos que o VII; XI cerca de um terço mais longo que o X.

Protórax (Fig. 1) (excluídos os tubérculos laterais) quase tão largo quanto longo, a cada lado com um tubérculo aguçado. Cavidades coxais anteriores arredondadas, ligeiramente angulosas lateralmente e abertas atrás. Processo prosternal cerca da metade do diâmetro da cavidade coxal anterior, com superfícies articulares laterais. Cavidades coxais intermediárias abertas lateralmente. Mesosterno plano. Processo mesosternal tão largo quanto o diâmetro de uma mesocoxa, entalhado na extremidade e com projeções laterais para encaixe nas mesocoxas. Sulco metasternal apenas alcança o terço basal do metasterno. Escutelo curto e triangular. Élitros (Fig. 1) cerca de quatro vezes o comprimento do protórax, aplanados na metade apical e com ápices arredondados e inermes. Úmeros arredondados e não-projetados anteriormente. Pernas posteriores um terço mais longas que as anteriores. Pro- e mesocoxas arredondadas. Fêmures lineares, alcançam o quarto apical dos élitros e sem espinhos nos ápices. Tíbias cilíndricas, delgadas e tão longas quanto os fêmures. Esporões tibiais curtos, delgados, o externo ligeiramente mais longo. Metatarsômero I 1,5 vezes mais longo que o II. Escovas tarsais compactas.

Urosternito I 1,5 vezes o comprimento do seguinte. Urosternito V transverso. Margem apical do urosternito VIII, nas fêmeas, com várias fileiras de pêlos diferenciados que formam uma escova.

Discussão. Entre os táxons sul-americanos de Trachyderini, Nothoprodontia gen. nov. (Fig. 1) assemelha-se principalmente a Prodontia (Fig. 2), Eriphus (Fig. 3) e Athetesis (Fig. 4) por apresentar o corpo alongado e o mesmo padrão de colorido, isto é, pronoto alaranjado com uma ou duas faixas longitudinais pretas e os élitros alaranjados com o terço apical preto com ou sem reflexos azul-metálicos. Em Eriphus, o referido padrão de coloração ocorre em parte das espécies (E. dimidiatus White, 1855 e E. longicollis Zajciw, 1961).

Nothoprodontia gen. nov. difere de Prodontia pelos ápices das mandíbulas simples, lados do protórax com tubérculos aguçados e fêmures lineares. Em Prodontia as mandíbulas são bífidas nos ápices, os lados do protórax não apresentam tubérculos aguçados e os fêmures são clavados. Difere de Eriphus pelos metafêmures que alcançam o quarto apical dos élitros e pelo metatarsômero I 1,5 vezes mais longo que o seguinte. Em Eriphus os metafêmures ultrapassam os ápices elitrais e o metatarsômero I tem pelo menos o dobro do comprimento do seguinte. Difere de Athetesis pelas antenas, nas fêmeas, que alcançam o meio dos élitros, escutelo triangular e élitros aplanados na metade apical. Em Athetesis as antenas apenas ultrapassam o terço apical dos élitros, o escutelo tem aspecto quadrangular com a margem apical arredondada e os élitros são paralelos.

Etimologia. Latim: nothus = falso.

Nothoprodontia boliviana sp. nov.
(Fig. 1)

Fêmea. Cabeça alaranjada com faixa dorso-longitudinal preta. Antenas, mesosterno, metasterno e abdome, castanhos. Protórax alaranjado exceto faixa longitudinal mediana no pronoto, preta. Escutelo preto. Élitros bicolores; nos 2/3 basais alaranjados, exceto região circum-escutelar castanho-clara, no terço apical azul-metálico. Pernas castanho-escuras exceto base dos fêmures e protíbia, castanho-claras. Região dorsal do corpo subglabra e com tegumento fosco.

Cabeça com pontos finos, rasos e densos. Antenas subserreadas, alcançam o meio dos élitros. Pronoto com pontos grossos, rasos e densos. Prosterno liso e glabro. Mesosterno finamente pontuado e com pêlos curtos, esparsos e esbranquiçados. Metasterno com pontos finos, moderadamente densos e pêlos curtos e longos, esbranquiçados. Abdome com pontos finos pouco aparentes e pêlos longos, esparsos e esbranquiçados. Fêmures e tíbias com pontos grossos e esparsos. Urosternito V sinuoso na margem apical.

Dimensões, em mm, fêmea. Comprimento total 13,5; comprimento do protórax 2,2; maior largura do protórax (sem tubérculos) 2,4; comprimento do élitro 9,8; largura umeral 3,5.

Holótipo fêmea. BOLÍVIA, Cochabamba: Provincia Chaparé, 7.X.1945, H. Zellibor col. (MNRJ).

 

Agradecimentos. Ao Dr. Steve Lingafelter (USNM) e Dr. José Ricardo M. Mermudes (MZSP) pela confecção das fotos. À FAPESP pela concessão da bolsa de estudo (Proc. 03/00511-3).

 

REFERÊNCIAS

LINSLEY, E. G. 1961a. The Cerambycidae of North America. Part I. Introduction. University of California Publications in Entomology 18: 1-97.         [ Links ]

LINSLEY, E. G. 1961b. Lycidlike Cerambycidae (Coleoptera). Annals of the Entomological Society of America 54(5): 628-635.         [ Links ]

MONNÉ, M. A. & E. F. GIESBERT. 1995. Checklist of the Cerambycidae and Disteniidae (Coleoptera) of the Western Hemisphere. Burbank, Wolfsgarden Books, xiv + 419 p.        [ Links ]

 

 

Recebido em 10.X.2003; aceito em 15.I.2004

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