SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.29 número3Bioquímica como Disciplina Básica em Medicina: Esquemas e Soluções de Problemas índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Serviços Personalizados

Journal

Artigo

Indicadores

Links relacionados

Compartilhar


Revista Brasileira de Educação Médica

versão impressa ISSN 0100-5502versão On-line ISSN 1981-5271

Rev. bras. educ. med. vol.29 no.3 Brasília set./dez. 2005  Epub 15-Jun-2020

https://doi.org/10.1590/1981-5271v29.3-022 

EDITORIAL

Desafios para 2006 no Campo da Avaliação das Escolas Médicas

Challenges for the Year 2006 in the Evaluation of Medical Schools

Fernando Antonio Menezes da Silva1 

1Vice-presidente da ABEM, Membro das comissões assessoras do ENADE e da Avaliação das Condições dos Cursos de Graduação/INEP-MEC. Curso de Medicina, Universidade Federal de Roraima, Boa Vista, Roraima, Brasil.


A avaliação do processo educacional tornou-se assunto obrigatório nas instituições de Ensino Superior. Não é um fato local, mas uma tendência global. A comunidade acadêmica foi desafiada a demonstrar e a assegurar a qualidade dos curso de graduação. A sociedade, que paga, exige bons profissionais e de modo crescente quer saber onde está gastando seus recursos financeiros.

Os dois temas que vêm a seguir podem servir como ponto de partido para o aprofundamento das discussões sobre avaliação escolas médicas. A Avaliação da Educação como um Serviço Público:

A aferição da qualidade educacional ofertada pelas instituições foi iniciada em 1996 com a implementaçã o do Exame Nacional dos Cursos (provão). Em paralelo, uma comissão formada por pares, realizava uma visita de avaliação das condições de infra-estrutura,.do corpo docente e do projeto do curso. Não houve uma integração entre estes dois métodos de avaliação. Pior, sem antes aferir a validade e a confiabilidade destes processos, a imprensa leiga adotou um sistema de classificação (ranking) de cursos.

De qualquer modo, precisávamos iniciar o processo e criar uma cultura de avaliação nas instituições de Ensino Superior. Atualmente o Sistema Nacional de Avalianção da Educação Supecior (Sinaes), representa uma evolução do modelo anterior. Em primeiro lugar porque utiliza mais de um instrumento de avaliação; propõe uma aferição do progresso do estudante; permite delinear um perfil institucional e do curso a partir de avaliações internas e externas; e propõe que o resultado final represente de modo qualitativo o conjunto dos processos. Infelizmente, foram divulgados os resultados do primeiro Exame Nacional do Desempenho do Estudante (Enade), independente dos outros instrumentos de avaliação institucional propostos pelo Sinaes. Ao considerar o processo de avaliação institucional como um serviço de utilidade pública, como orientar o entendimento da sociedade a respeito destes resultados e como criar uma cultura de avaliação na comunidade acadêmica que permita a validade e a confiabilidad e de seus instrumentos.

Estes são alguns desafios:

  • Promover a apropriação institucional e o entendimento a respeito dos instrumentos de avaliação pelos diversos atores envolvidos: estudanetes, professores e a comunidade;

  • promover a auto-avaliação das escolas médicas utilizando parâmetros científicos;

  • esclarecer a comunidade dos reais objetivos do processo avaliativo; a qualidade é produto do comprometimento de todos; sociedade, mantenedores e corpo social institucional;

  • entender que a avaliação faz parte do processo ensino-apnmdizagem , e não deve ser deste desvinculada .

  • criar nas escolas médicas núcleos de pesquisa educacional com responsabilidade pelos processos de planejamento curricular integrado a avaliação;

A AVALIAÇÃO COMO PARTE DO PROCESSO ENSINO-APRENDI ZAGEM

As Diretrizes Nacionais Curriculares para os cursos de medicina (Resólução CNE/CES n. 4, de 7 de novembro de 2001) definem os princípios, fundamentos, condições e procedimentos da formação de médicos. O perfil desejado para o graduando encontra-se definido de modo abrangente. O documento é esclarecedor: define as competências e habilidades gerais e especificas desejadas ao final do processo de graduação.

No processo educacional sugerido pelas diretrizes deve-se ir além da aquisição de conhecimento por meio de conteúdos programáticos. Exige-se para o estudante o desenvolvimento de competências clínicas, de atitudes e comportamentos profissionais, e de habilidades para o a prendizado permanente. Isto tem modificado os projetos de curso e os seus currículos. Entretanto, como avaliar neste novo cenário?

Como avaliar no estudante:

  • desenvolvimento do pensamento crítico;

  • As habilidades de resolução de problemas e raciocínio clínico;

  • A capacidade de auto-aprendizado;

  • As habilidades para o relacionamento interpessoal e social;

  • As habilidades para o trabalho em grupo;

Como identificar, na auto-avaliação, se os currículos facilitam a aquisição destas competências?

Como norma geral, a avaliação deve assegurar um cruzamento entre os métodos de avaliação e os princípios contidos no currículo proposto. Os testes escritos, exames práticos, entrevistas, e outros métodos devem ser utilizados em um programa da avaliação abrangente e não isoladamente . Evidências originadas em pesquisa educacional sugerem que:

  • a confiabilidade em um exame isolado não é condicional na objetividade e na padronização deste;

  • nenhum método de avaliação é inerentemente de baixa confiabilidade e qualquer método pode ser suficientemente confiável, desde que a amostragem seja apropriada através das condições de aferição;

  • a validade do teste está cada vez mais relacionada com a autenticidade da avaliação e a prática cotidiana.

Finalmente, o grande desafio para os próximos anos estará atrelado a algumas tendências específicas no campo da avaliação. Todas relacionadas ao ensino de competências de modo integrado à avaliação do desempenho. As avaliações não serão obras individuais do professor da disciplina. A informação a ser trabalhada neste novo modelo será qualitativa, descritiva e narrativa. Na verdade, como criar uma abordagem programática, inserida no planejamento curricular e que ultrapassa a autonomia do professor.

Curso de Medicina da Universidade Feral de Roraima.

Creative Commons License Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons