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Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões

Print version ISSN 0100-6991On-line version ISSN 1809-4546

Rev. Col. Bras. Cir. vol.26 no.5 Rio de Janeiro Sept./Oct. 1999

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-69911999000500006 

ARTIGOS ORIGINAIS

 

Tratamento cirúrgico do megacólon chagásico. Retocolectomia abdominal com anastomose colorretal mecânica término-lateral

 

Surgical treatment of chagasic megacolon. Abdominal rectocolectomy with mechanical colo-rectal end- to-side anastomosis

 

 

José Hyppolito da Silva, TCBC-SPI; Luciana de Azevedo SodréII; Cláudio de Oliveira MatheusIII; Galdino J. S. Formiga, ACBC-SPIII

IProfessor Livre-Docente de Cirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - Chefe do Serviço de Coloproctologia do Hospital Heliópolis
IIEstagiária do Serviço de Coloproctologia do Hospital Heliópolis
IIIAssistente do Serviço de Coloproctologia do Hospital Heliópolis

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Trinta e cinco doentes portadores de megacólon chagásico foram operados pela técnica da retocolectomia abdominal com anastomose colorretal mecânica término-lateral durante o período de 1993 a 1997. Vinte (57,14%) doentes eram do sexo feminino e 15 (42,85%) do masculino. A idade variou de 27 a 76 anos, com média de 51 anos. A operação constou de ressecção do segmento dilatado, sepultamento do coto retal na altura da reflexão peritoneal com grampeador, dissecção do espaço retrorretal até o plano dos músculos elevadores e anastomose colorretal mecânica término-lateral posterior. Em quatro (11,42%) doentes a anastomose foi anterior. Em três (8,57%) doentes, o teste de escape da anastomose foi positivo, o que obrigou a complementação manual da sutura em dois (5,71 %) e sutura e ostomia derivativa em um (2,85%). Ocorreram sete (20,00%) complicações pós-operatórias precoces, sendo quatro consideradas relevantes (11,42%) e quatro (11,42%) complicações tardias. Houve um (2,85%) óbito por complicação clínica. Os doentes submetidos a colostomia foram reoperados para fechamento da mesma sem intercorrências. A totalidade dos doentes apresenta hábito intestinal normal. Não houve referências a alterações gênito-urinárias, nem a incontinência fecal. A anastomose foi tocada ou visibilizada em todos os pacientes examinados, durante o seguimento ambulatorial. Não houve casos de fecaloma no coto retal. Embora os resultados iniciais sejam bastante satisfatórios, é necessário maior tempo de observação para se avaliar a possibilidade de recidiva.

Unitermos: Megacólon chagásico; Retocolectomia; Anastomose mecânica.


ABSTRACT

Thirty five patients with chagasic megacolon were operated on by the technique of recto-colectomy with colo-rectal mechanical end-to-side anastomosis, anterior or posterior during the period of 1993 to 1997. Twenty (57.14%) patients were female and 15 (42.85%) male. The age ranged from 27 to 76 years, with a mean of 51years. The operation consisted of resection of the dilated colon, closure of the rectal stump at the level of the peritoneal reflexion, dissection of the rectrorectal space down to the level of the levator ani and posterior end to side colo-rectal mechanical anastomosis. Four (11.42%) patients had the anastomosis made anteriorly. Three (8.57%) patients had a positive test of the anastomosis integrity and demanded suture in two (5.71%) and suture and ostomy in one (2.85%). There were seven postoperative early complications, four (11.42%) considered important and four late complications. There was one (2.85%) death due to clinical complication. Patients that underwent colostomy were reoperated in order to close it with no problems. The totality of patients has normal bowel function. There were no complaints of sexual, urinary disturbances or fecal incontinence. The anastomosis was examined in all patients. There was no case of fecaloma in the rectal stump. Although the initial results are good, a long follow up is necessary to evaluate the possibility of recurrence.

Key words: Chagasic megacolon; Recto-colectomy; Mechanical anastomosis.


 

 

Texto completo disponível apenas em PDF.

Full text available only in PDF format.

 

 

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Endereço para correspondência:
Dr. José Hyppolito da Silva
Rua Frei Caneca, 1.212 cj. 91
01307-002 - São Paulo - SP

Recebido em 26/1/99
Aceito para publicação em 30/8/99

 

 

Trabalho realizado no Serviço de Coloproctologia do Hospital Heliópolis - São Paulo - SP.

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