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Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões

Print version ISSN 0100-6991On-line version ISSN 1809-4546

Rev. Col. Bras. Cir. vol.35 no.5 Rio de Janeiro Sept./Oct. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-69912008000500015 

RELATO DE CASO

 

Baço migratório em hérnia paraestomal

 

Wandering spleen in parastomal hernia

 

 

César Guerreiro de Carvalho - ACBC - RJI; Carlos Eduardo Pereira do Vale - ACBC - RJII; Paulo César de Castro Jr. - TCBC - RJIII; Thiago Borges FradeIV

IChefe da Clínica de Proctologia Cesar Guerreiro; Titular de Proctologia da SBCP
IIStaff da Clínica de Proctologia Cesar Guerreiro; Especialista de Proctologia pela SBCP
IIIStaff da Clínica de Proctologia Cesar Guerreiro; Titular de Proctologia da SBCP
IVStaff da Clínica de Proctologia Cesar Guerreiro; Residente de Proctologia do Hospital Naval Marcílio Dias

Endereço para correspondência

 

 


ABSTRACT

The authors report a case of a parastomal hernia that incarcerated a wandering spleen. We present a very rare case of an 85-year-old woman with a giant parastomal hernia. Computed tomography revealed a parastomal hernia with a wandering spleen inside. We introduce a different and simple alternative approach, with the smallest inconvenience as possible to solve the trouble. We carried out the treatment with a prosthetic repair closing the defect with ePTFE mesh, performed through a laparoscopic approach, intraperitoneal, like a tie and move the spleen back to its anatomical place. The result was excellent.

Key words: Wandering spleen; Parastomal, hernia; Laparoscopy; Surgery.


 

 

INTRODUÇÃO

O baço migratório é uma condição rara na prática médica e o seu achado no interior de uma hérnia paraestomal é inédito na literatura disponível. Apresentamos um caso em que a correção da distopia esplênica e da hérnia paraestomal foram resolvidos por via videolaparoscópica, com bom resultado e rápida recuperação.

 

RELATO DO CASO

Paciente de 85 anos, feminina, portadora de volumosa hérnia paraestomal. Iniciou seu quadro há 32 anos após uma operação de Miles devido a um adenocarcinoma de canal anal. Apesar da evolução favorável, a paciente notou o surgimento de uma hérnia paraestomal. O aumento gradativo da hérnia levou a um quadro de dor abdominal intermitente, volumoso abaulamento abdominal e incapacidade progressiva para as atividades cotidianas. Ao exame físico havia uma volumosa e irredutível hérnia paraestomal. A tomografia computadorizada demonstrou hérnia paraestomal gigante, contendo alças intestinais e imagem compatível com baço (Figura 1). Foi indicada a correção cirúrgica por videolaparoscopia na técnica denominada nó de gravata1.

 

 

O inventário da cavidade evidenciou volumosa hérnia paraestomal com um amplo orifício herniário, contendo alças de delgado e todo o baço, além de parte do grande omento (Figura 2). Realizada a lise das aderências para permitir a colocação intraperitoneal da tela. Redução do grande omento e das alças de delgado, o que permitiu a redução espontânea do baço. Colocação intraperitoneal de tela de politetrafluoretileno expandido (ePTFE) - (GORE-TEX® Biomaterial; W. L. Gore & Associates, Flagstaff, AZ) seguindo a técnica descrita por Carvalho et al1.

 

 

A paciente apresentou boa recuperação pós-operatória com alta em 24 horas e retorno às atividades cotidianas, sem restrição, após a primeira semana da cirurgia.

 

DISCUSSÃO

O baço migratório, também denominado baço ectópico ou ptose esplênica é uma condição raramente observada. O primeiro relato, descrito por Van Horne2,3, ocorreu em 1667. Acomete pacientes de três meses a 80 anos, sendo mais comum entre crianças e em mulheres entre 20 a 40 anos2. Trabalhos sobre esplenectomia demonstram uma incidência menor que 0,5%3. A etiologia parece estar ligada à falha da fusão do mesogástrio com a parede posterior do abdome no segundo mês da vida embrionária3-5. A multiparidade também parece exercer alguma influência - fato observado epidemiologicamente. Um longo pedículo vascular predispõe a torção do órgão, o que pode trazer dor aguda, crônica ou intermitente3,4. A torção permanente do pedículo pode levar ao infarto esplênico. Também foram relatados casos de pancreatite caudal e sintomas de compressão gástrica2,4. O tratamento pode ser: a simples observação clínica, quando assintomático, ou a cirurgia - falta consenso para pacientes adultos. A operação pode ser a esplenectomia, esplenectomia parcial com fixação do restante do baço no diafragma ou na parede abdominal e, ainda, a fixação de todo o baço mediante uso de tela ou por um "envelope" de peritônio parietal2-5.

A hérnia paraestomal é uma complicação bastante comum e quase inevitável1. O seu tratamento evoluiu desde o simples reposicionamento do estoma ao uso de material sintético para a correção do defeito herniário. A utilização da técnica videolaparoscópica traz consigo a menor morbidade do acesso laparoscópico, a possibilidade de redução do conteúdo herniário pelo pneumoperitônio e o manuseio da tela em um ambiente livre de contaminação. Essa técnica possibilita uma boa resolubilidade, com baixos índices de complicações e rápida recuperação1.

No caso apresentado a tática empregada possibilitou a resolução das duas doenças simultaneamente e com uma recuperação precoce da paciente.

 

REFERÊNCIA

1. Carvalho CG, Vale CEP, Castro Júnior PC. Tratamento cirúrgico da hérnia paraestomal por videolaparoscopia. Rev Bras Coloproct. 2004; 24(4):311-6.         [ Links ]

2. Dahiya N, Karthikeyan D, Vijay S, Kumar T, Vaid M. Wandering spleen - unusual presentation and course of events. Ind J Radiol Imaging. 2002;12(3):359-62.         [ Links ]

3. Lane TM, South LM. Management of a wandering spleen. J R Soc Med. 1999; 92(2):84-5.         [ Links ]

4. López-Tomassetti F, Arteaga G, Martín M, Carrillo P. An unusual case of hemoperitoneum owing to acute splenic torsion in a child with immunoglobulin deficiency. J Postgrad Med. 2006; 52(1):41-2.         [ Links ]

5. Jesus LE, Marinho EB, Júdice MM. Rotação gastro-esplênica inversa com ausência de rotação do intestino médio. Rev Col Bras Cir. 2004; 31(5):338-9.         [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência:
César Guerreiro de Carvalho
R. Siqueira Campos, 07/901 - Copacabana
22031-070 - Rio de Janeiro - RJ
E-mail: cesarguerreiro@terra.com.br

Recebido em 13/02/2006
Aceito para publicação 21/03/2006
Conflito de interesse: nenhum
Fonte de financiamento: nenhuma

 

 

Trabalho realizado na Clínica de Proctologia Cesar Guerreiro, Rio de Janeiro - RJ.

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