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Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul

Print version ISSN 0101-8108

Rev. psiquiatr. Rio Gd. Sul vol.28 no.3 Porto Alegre Sept./Dec. 2006

https://doi.org/10.1590/S0101-81082006000300007 

ARTIGO ORIGINAL

 

Desenvolvimento da versão em português do Brasil do questionário sobre padrão de relacionamentos Beziehungs-Muster Fragebogen

 

 

Eliane Bernadete FerreiraI; Maria Lúcia Tiellet NunesII; Regina A. KurthIII; Dan PokornyIV; Luciana TerraV; Simone HauckVI; Lúcia Helena Freitas CeitlinVII

IPsiquiatra. Mestranda, Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas: Psiquiatria, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, RS
IIPsicóloga. PhD. Professora titular, Curso de Psicologia, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Porto Alegre, RS Coordenadora, Programa de Pós-Graduação em Psicologia, PUCRS, Porto Alegre, RS
IIIUniversidade de Giessen, Alemanha
IVUniversidade de Ulm, Alemanha
VPsicóloga. Mestranda, Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas: Psiquiatria, UFRGS, Porto Alegre, RS
VIPsiquiatra. Doutoranda, Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas: Psiquiatria, UFRGS, Porto Alegre, RS
VIIPsiquiatra. MpH, PhD. Professora adjunta, Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal, Faculdade de Medicina, UFRGS, Porto Alegre, RS

Correspondência

 

 


RESUMO

INTRODUÇÃO: O desenvolvimento da versão em português do Brasil do Beziehungs-Muster Fragebogen, conhecido na literatura internacional como Relationship Patterns Questionnaire, questionário que avalia o padrão central de relação, visa à introdução, em nosso meio, de uma medida auto-aplicável para implementação de projetos de pesquisa cuja questão envolva o construto transferência.
METODOLOGIA: As etapas para o desenvolvimento da versão foram: obtenção da licença dos autores; tradução do instrumento original para o português do Brasil; julgamento e ajuste do material traduzido por profissionais da área da psiquiatria e psicologia; retrotradução; julgamento da equivalência semântica; consenso de profissionais da área da psiquiatria e psicologia sobre a adequação do instrumento à nossa cultura; interlocução com a população-alvo.
CONCLUSÃO: O Beziehungs-Muster Fragebogen é uma medida auto-aplicável, para avaliação da transferência ou padrão central da relação, que poderá facilitar a implementação de projetos para investigar os aspectos da relação terapêutica adjuntos à transferência. É um método de fácil aplicação e análise, baixo custo e que dispensa o uso de vídeos ou gravadores na sessão. Estudos investigatórios acerca do padrão de relação poderão fornecer mais resultados sobre a adaptabilidade desse instrumento à nossa cultura.

Descritores: Beziehungs-Muster Fragebogen,Relationship Patterns Questionnaire, transferência.


 

 

INTRODUÇÃO

O Beziehungs-Muster Fragebogen (BeMus-3), conhecido na literatura internacional como Relationship Patterns Questionnaire (RPQ)1,2, é um questionário que avalia o padrão central de relação, podendo, então, ser usado para avaliação da transferência. O construto transferência teve sua importância reconhecida desde que Sigmund Freud lançou sua teoria em 19053, no pós-escrito do "caso Dora". O autor definiu transferência como novas edições ou fac-símiles de impulsos e fantasias que são despertados e tornados conscientes durante o progresso da análise. Experiências psicológicas são revividas, mas não mais dirigidas às figuras primitivas do passado, e, sim, à figura do médico na situação atual.

Freud3 colocou a transferência como um obstáculo predestinado à psicanálise que, se for detectada e interpretada ao paciente, torna-se seu mais poderoso aliado. Em Cinco lições de psicanálise4, Freud teorizou o processo da transferência. Expelido da consciência e da lembrança, o impulso continua a existir no inconsciente, à espera de oportunidade para se revelar, havendo a formação de um substituto do reprimido, para lançar à consciência algo que também traz a sensação de desprazer que se julgava resolvida pela repressão.

Melanie Klein5 também trouxe contribuições importantes para esse construto. Atribuiu a origem da transferência a um momento anterior ao sugerido por Freud. Situou a transferência como oriunda das relações primitivas de objeto, das primeiras relações da criança com o seio.

Freud6 afirmou que cada indivíduo desenvolve uma forma própria de conduzir-se. Essa forma se dá através da ação combinada de sua disposição inata e das influências sofridas nos primeiros anos e apresenta-se como um clichê estereotípico repetido no decorrer da vida.

Outros autores continuam trazendo contribuições a esse tema, que nunca deixou de ser atual, pois, se é instrumento de cura, como disse seu descobridor, é instrumento diário de trabalho. Sua compreensão, então, pode nos aproximar do paciente e, possivelmente, trazer um melhor prognóstico ao tratamento.

Só na base de dados PsycINFO, encontramos 12.125 referências sobre estudos acerca do tema, desde 1971 até junho de 2006. Se usarmos a palavra transference como descritor maior, encontraremos 3.552 estudos nessa base de dados, sendo 1.073 estudos empíricos, 39 revisões de literatura, 10 estudos qualitativos, oito estudos quantitativos e demais com outras metodologias. A natureza dos trabalhos estende-se desde abordagens puramente psicanalíticas até associações entre o construto e transtornos psiquiátricos.

Nesse contexto, vem crescendo o número de instrumentos disponíveis para aferição do padrão central de relacionamentos ou dos clichês que se repetem no decorrer da vida. Podemos classificar esses instrumentos em observacionais e auto-aplicáveis.

Dentre os instrumentos observacionais, podemos citar o Core Conflictual Relationship Theme (CCRT)7, o Plan Formulation Method8, o Configurational Analysis Method9, o Frame Method10, o Cyclical Maladaptive Pattern Method11, o Idiographic Conflict Formulation Method12 e o Consensual Response Formulation Method13.

Entre as medidas auto-aplicáveis, citamos o INTREX Questionnaire14, o Central Relationship Questionnaire15 e o BeMus-31,2.

Existem instrumentos robustos, tanto observacionais quanto auto-aplicáveis, como os citados nos dois parágrafos anteriores. Sem querer traçar um comparativo entre as duas formas de avaliar a transferência, pois isso seria bastante complexo, citamos algumas vantagens dos instrumentos auto-aplicáveis. De maneira geral, são instrumentos de baixo custo de aplicação e análise, pois dispensam um número maior de pessoas envolvidas para sua avaliação (juízes), e são de aplicação mais rápida e mais objetivos.

O BeMus-3 é um questionário auto-aplicável baseado no modelo interpessoal de Benjamin16 e na CCRT7.

Neste estudo, relatamos o desenvolvimento da versão em português do Brasil desse instrumento, em sua forma abreviada, para uso em estudos exploratórios de investigação sobre o construto transferência, alguns dos quais, neste momento, já foram realizados por nossa equipe de pesquisa ou estão em fase de conclusão. O objetivo principal seria, então, a introdução, em nosso meio, de um instrumento para avaliação da transferência que tenha um bom suporte teórico e seja de aplicação compatível com nossas condições socioeconômicas.

 

DESCRIÇÃO DO INSTRUMENTO

O BeMus-31,2, RPQ na literatura internacional, é um questionário desenvolvido pelos pesquisadores Regina Kurth e Dan Pokorny, validado em 20021 e 20042. Apresenta uma versão longa e outra abreviada. O desenvolvimento da versão em português do Brasil, neste estudo, foi realizado para a versão abreviada.

É um instrumento auto-aplicável e pode ser aplicado a qualquer pessoa de referência e a períodos de tempo diferentes (presente ou infância).

Os itens e escalas do BeMus-3 têm sua teoria baseada no modelo interpessoal de Benjamin16, que desenvolveu o Structural Analysis of Social Behavior (SASB), com três focos: o transitivo, o intransitivo e o introjetivo. O transitivo é o eixo direcionado ao outro. O intransitivo é direcionado ao próprio sujeito. O introjetivo representa os processos intrapsíquicos.

O modelo SASB é detalhado, conceitualmente rigoroso e psicometricamente avançado, descendente do modelo original de Leary17. O SASB permite que comportamentos interpessoais ou seus análogos intrapsíquicos sejam representados matematicamente como pontos em uma das três coordenadas inter-relacionadas de duas dimensões18. Qualquer processo interpessoal, então, pode ser descrito matematicamente, localizando-se o mesmo em um ou mais pontos do SASB. Similarmente, diferenças e mudanças podem também ser quantificadas através das propriedades matemáticas desse modelo18.

A versão do BeMus-3 usada neste estudo corresponde a um desenvolvimento posterior do BeMus-3 de oito escalas unipolares: 1) Imposição; 2) Aceitação; 3) Amor; 4) Ajuda; 5) Submissão; 6) Defesa; 7) Ataque; 8) Indiferença. A versão abreviada, utilizada neste estudo, apresenta quatro escalas unipolares: 1) Imposição; 2) Amor; 3) Submissão; 4) Ataque. De acordo com o modelo de Benjamin16, essas quatro escalas distribuem-se num espaço bidimensional com os eixos de afiliação (amor e ataque) e interdependência (imposição e submissão).

Assim, o BeMus-3 fornece um escore para cada escala, em três níveis diferentes: resposta do self (RS), resposta do objeto (RO) e introjetivo. O nível self avalia a resposta do sujeito frente a determinado comportamento de outra pessoa (terapeuta, amigo, filho, mãe, pai, etc.); o nível objeto avalia a crença do sujeito acerca do comportamento da outra pessoa, em resposta a determinado comportamento seu; e o nível introjetivo, o comportamento do sujeito após um confronto com a outra pessoa. O questionário, em sua forma abreviada, está, então, estruturado da seguinte maneira: 16 itens, divididos em quatro questões, avaliam a RS; os 16 itens seguintes avaliam a RO; e oito itens, o nível introjetivo. Cada item é mensurado através de escala Likert de 5 pontos. O escore é obtido pela média dos itens relacionados à respectiva escala, e, por fim, a média é subtraída de um valor de medida individual.

O BeMus-3 investiga, então, o padrão de relação baseado na resposta do indivíduo à conduta de outra pessoa (RS), no que o indivíduo imagina ser a resposta de outra pessoa à sua conduta (RO), e como esse indivíduo age após o confronto com essa pessoa (nível introjetivo).

Até junho de 2006, havia cinco publicações a respeito desse instrumento na base de dados PsycINFO, cujos enfoques eram: validação do instrumento1; introdução a duas diferentes aplicações do instrumento19; propriedades psicométricas do instrumento2; uma abordagem quantitativa de auto-avaliação de padrões interpessoais20; estudo de validação com uma amostra clínica21. A validade do construto foi realizada através da checagem da estrutura cíclica das escalas e da ordem cíclica de seus itens. As escalas foram, então, correlacionadas umas com as outras. A força de correlação foi dependente da posição no modelo interpessoal. Escalas adjacentes se correlacionaram fortemente, de forma positiva, umas com as outras; escalas mais distantes mostraram correlações positivas mais fracas ou correlações negativas; e escalas em pólos opostos atingiram o valor negativo máximo. Quanto à ordem cíclica dos itens, os coeficientes de concordância para os níveis self e objeto de todos os itens foram satisfatórios. A confiabilidade teste/reteste das escalas de sujeito e objeto também foi satisfatória.

Esse instrumento foi cedido para uso neste estudo pelos autores Regina Kurth & Dan Pokorny, através de um trabalho de cooperação com os mesmos. Seu perfil psicométrico, na versão original em alemão, descrito no parágrafo anterior, sugeriu um instrumento confiável, apto a trazer resultados fidedignos sobre padrões de relacionamento transferencial.

 

MÉTODO

As etapas do desenvolvimento da versão em português do Brasil do BeMus-3 incluíram o modelo proposto por Reichenheim et al.22 para obtenção da equivalência semântica, que consiste de: tradução, retrotradução, apreciação formal de equivalência e interlocução com a população-alvo.

Obtenção da licença dos autores

O contato com a primeira autora, Regina Kurth, ocorreu, inicialmente, em novembro de 2004, após a publicação do estudo sobre as propriedades psicométricas do BeMus-3. Foram feitos sucessivos contatos via e-mail, através dos quais ficou combinado um trabalho de cooperação usando esse instrumento. Foram obtidos o instrumento em sua íntegra, nas versões longa e abreviada, e também licença para a tradução do mesmo.

Tradução

Foi realizada a partir do material em alemão, por tradutor oficial, bilíngüe, fluente em alemão e português. O material obtido foi revisado por profissional da área da psicologia, com fluência no idioma alemão, que realizou, junto com profissional da psiquiatria, os ajustes considerados adequados para a adaptação.

Retrotradução

Um tradutor alemão profissional, com fluência no idioma português, realizou essa etapa, sem tomar conhecimento do material original em alemão, traduzido para o português pelo tradutor citado no item II da metodologia.

Julgamento da equivalência semântica

Foi realizado pela autora do instrumento, Regina Kurth, que fez sugestões na versão retrotraduzida abreviada, num total de sete. A equipe trabalhou os ajustes lingüísticos para a versão em português do Brasil. Estes foram novamente traduzidos para o alemão e reenviados aos autores, até que fosse confirmada pelos mesmos a equivalência semântica do texto.

Consenso acerca do desenvolvimento da versão em português

Foi realizado por 12 profissionais da área da psiquiatria e da psicologia. Solicitou-se, aos profissionais, que relacionassem o conteúdo de cada item a uma escala do modelo interpessoal, avaliando-se aspectos da validade de conteúdo.

Interlocução com a população-alvo

A versão do instrumento foi apresentada, então, a 10 indivíduos de várias idades (entre 18 e 60 anos) e diversos níveis educacionais (fundamental, médio, superior), os quais preencheram a escala e expressaram sua opinião sobre a compreensão da mesma, avaliando-se aspectos da validade aparente.

 

RESULTADOS

Através das etapas descritas na metodologia, obteve-se uma versão para o português do Brasil do instrumento BeMus-3, usado para avaliação do padrão central da relação ou padrão transferencial.

Após a etapa de retrotradução, no julgamento da equivalência semântica, os autores do instrumento sugeriram alteração em sete palavras do questionário. Os ajustes lingüísticos foram feitos pela equipe de pesquisa com a supervisão de um tradutor profissional, fluente em alemão e português.

Na etapa de consenso acerca do desenvolvimento da versão em português do BeMus-3, realizada por 12 profissionais da área da psiquiatria e psicologia, avaliando a adequada correlação entre cada item e a escala correspondente, houve concordância de 100% nessa correlação, coerente com a proposta do instrumento, ficando sugerida, então, a validade de conteúdo.

Na etapa de interlocução com a população-alvo, os 10 pacientes que responderam ao questionário não apresentaram dificuldades no seu preenchimento, considerando o material compreensível. Através de julgamento subjetivo sobre o sentido de cada item, foram averiguados aspectos da validade aparente. Não foi feito, então, nenhum ajuste após essa última etapa da metodologia.

A versão final do BeMus-3 em português do Brasil teve também a forma do instrumento original mantida (anexo 1).

 

DISCUSSÃO

A transferência, construto-base na pesquisa de tratamentos na linha psicanalítica, já foi definida por Freud, em 19053, como agente de resistência e cura. Através de seu entendimento, o terapeuta pode chegar à compreensão dos impulsos e fantasias do paciente dirigidos às figuras primárias e, conseqüentemente, do padrão de relacionamento usado pelo paciente.

Hentschel23 explica que o pequeno número de estudos exploratórios, de metodologia empírica, sobre aspectos da relação entre paciente e terapeuta deve-se, entre outros fatores, à descrença dos clínicos acerca da capacidade dos instrumentos disponíveis de avaliar a relação terapêutica. Infere, porém, que já se percebem mudanças nesse panorama, devido ao aumento das escalas bem fundamentadas teoricamente.

Nas últimas três décadas, principalmente, foi desenvolvida uma série de instrumentos para quantificar a relação terapêutica, ou seja, para traduzir essa compreensão em dados numéricos, passíveis de serem avaliados e de fornecerem resultados estatisticamente aceitos. Muitos desses métodos, porém, requerem vários profissionais envolvidos, necessitando, assim, de maior período de tempo para aplicação e análise, e, às vezes, são necessários vídeo ou gravador na sessão.

Nos últimos anos, medidas auto-aplicáveis vêm sendo desenvolvidas para suprir algumas dificuldades enfrentadas com os métodos observacionais. Porém, é importante ressaltar que esses comentários não visam comparar os diferentes métodos quanto à sua capacidade de medir as variáveis a que se propõem, visto que existem métodos observacionais já consagrados na literatura, com excelente referencial teórico. Objetivam, apenas, justificar a introdução de novos instrumentos que podem, talvez, adaptar-se bem aos nossos objetivos.

O BeMus-3 é, então, um questionário auto-aplicável, de baixo custo de aplicação, que dispensa o uso de vídeos ou gravadores na sessão. A implementação de estudos usando esse instrumento vai responder mais profundamente acerca de sua real adaptabilidade e funcionalidade para avaliar a transferência em nosso meio.

Uma observação importante acerca do referido instrumento é de que o mesmo ainda se encontra em evolução no seu país de origem e é passível de sofrer novos ajustes nos próximos anos.

A introdução de instrumentos que avaliem construtos fundamentais como a transferência serve de suporte à pesquisa, podendo nos fornecer resultados que melhorem a qualidade dos tratamentos psicoterápicos.

 

CONCLUSÕES

Transferência é um construto fundamental para a pesquisa na linha psicanalítica e mesmo em outras áreas da psiquiatria. Vem aumentando, na literatura internacional, o número de estudos que investigam a relação entre transferência e transtornos psiquiátricos ou entre transferência e apego, por exemplo. A introdução, em nosso meio, de instrumentos desenvolvidos para avaliação do padrão transferencial poderá propiciar suporte para melhorar o entendimento de nosso paciente, visto que o tema envolve grande parte de seus processos mentais. BeMus-3 é um instrumento auto-aplicável, de rápida administração e análise. Seu custo é baixo, e apresenta um bom suporte teórico.

Ao se trabalhar com instrumentos de pesquisa, deve-se conhecer suas vantagens, aplicabilidades e também suas limitações. Cada situação de pesquisa é um contexto em particular, e generalizações podem trazer prejuízos ao estudo; ou seja, saber o que se deseja investigar e buscar a escala de medida que melhor cumpra os objetivos são passos decisivos para a obtenção de resultados confiáveis.

A presente versão do BeMus-3 foi realizada e considerada adequada por profissionais da área da psiquiatria e psicologia e compreensível pelos pacientes da amostra retirada da população-alvo. Fica disponível, então, uma versão do BeMus-3 desenvolvida para o português do Brasil, observados os aspectos de equivalência conceitual, itens e semântica.

 

REFERÊNCIAS

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Correspondência:
Eliane B. Ferreira
Av. D. Pedro II, 1240/206
CEP 90550-140 - Porto Alegre, RS
Tel.: (51) 9285.7534
E-mail: ebferreira@cpovo.net

Recebido em 01.08.2006.
Aceito em 11.12.2006.

 

 

Estudo realizado no Programa de Psicoterapia Psicanalítica, Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), Porto Alegre, RS. Baseado em trabalho de dissertação de mestrado da primeira autora, intitulado "Um estudo da relação entre o padrão transferencial e a aliança terapêutica de pacientes em psicoterapia psicanalítica", apresentado à Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 2006.

 

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