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Psicologia & Sociedade

On-line version ISSN 1807-0310

Psicol. Soc. vol.23 no.3 Florianópolis Sept./Dec. 2011

https://doi.org/10.1590/S0102-71822011000300020 

Corporeidade e representações sociais: agir e pensar a docência

 

Corporeity and social representations: acting and thinking about teaching

 

 

Ariane Franco Lopes da Silva

Universidade Católica de Santos, Santos, Brasil

 

 


RESUMO

Este estudo procurou refletir sobre as manifestações corporais do professor e as representações construídas sobre sua profissão. Participaram da pesquisa estudantes de pedagogia e estudantes de pós-graduação em gestão escolar. Os sujeitos examinaram três fotografias extraídas de uma dinâmica de grupo onde pessoas representavam os papéis de professores. Eles foram requisitados a apontar dentre as figuras quais eram reais professores e a justificar as respostas. Com esta metodologia, foi possível identificar quais manifestações corporais foram identificadas como típicas de ser professor. Percebeu-se que os julgamentos baseados nas fotografias refletiam as formas de interação professor-aluno. Para os graduandos em pedagogia, a palavra "postura" e descrições de gestos indicaram representações centradas na ação dos professores. Para os pós-graduandos, verbos de ação e referências aos outros envolvidos na relação revelaram uma representação mais dinâmica da relação professor-aluno.

Palavras-chave: representações sociais; linguagem não verbal; relação professor-aluno; formação docente; identidade docente.


ABSTRACT

The aim of this study is to reflect upon teachers' bodily manifestations and the representations constructed about their profession. A group of students enrolled in an undergraduate program in Education and another group from a graduation program in school administration took part in this study. Subjects examined three pictures of people acting as teachers and were requested to point among the figures which ones they considered to be real teachers and to justify their answers. With this methodology it was possible to identify which body manifestations were identified as typical of teachers. It was observed that judgments based on the photographs reflected teacher-student ways of interactions. For the undergraduate students, the word "posture" and gestural descriptions indicated representations focused on teacher's actions, while for the graduate ones action verbs and words referring to the others involved in the interaction revealed a more dynamic representation of teacher-student relationship.

Keywords: social representations; non verbal language; teacher-student relationship; teacher training; teacher identity.


 

 

Autores de diferentes campos do saber e de diversas tradições teóricas têm enfatizado a importância de se considerar o corpo e as manifestações corporais no estudo do comportamento e das relações humanas. Retomando as ideias de autores consagrados como Merleau-Ponty e Foulcault, encontramos reflexões que enfatizam a capacidade do corpo humano de manifestar significados "The body is essencially an expressive space." (Merleau-Ponty, 1962, p. 146), e que revelam a significância do corpo como objeto de controle social (Foulcault, 1979). Já Shilling (2003) oferece uma visão do corpo como um meio multi-dimensional para a constituição da sociedade "a souce of, a location for, and a means of positioning individuals within society" (Shilling, 2003, p. 208). Com uma perspectiva mais sociológica, Le Breton (2009) argumenta que as representações do corpo decorrem da relação que as pessoas têm com o mundo e que por isso o corpo é um vetor de compreensão dessa relação.

A presença do corpo na construção da identidade também foi o foco de atenção da sociologia como mostram os estudos de Goffman. O conceito de identidade social para o autor traduz a relação entre signos transmitidos pela pessoa através da expressão corporal e as expectativas que se tem em relação àquilo que ela deveria ser. Goffman chega a diferenciar as expectativas que se constrói sobre alguém, baseadas em "imputações feitas por um retrospecto em potencial", a qual ele denomina de "identidade virtual", e os atributos que a pessoa prova realmente possuir, que ele denomina "identidade social real" (Goffman, 1988, p.12). Essa diferenciação é importante, pois discrepâncias entre a identidade virtual e a real podem gerar reclassificações. Goffman (1990) também fala de símbolos que transmitem informações de prestígio, honra e posição social e os de estigma que resultam em uma redução da valorização da pessoa. Esses símbolos nos levam a construir uma imagem, a princípio estereotipada, da identidade de alguém e geram categorizações.

No que concerne à utilização do corpo como um sistema codificado de linguagem, os estudos de Argyle (1988, 2007), Dittman (1987) e Cosnier (1996) apontam para o papel do corpo nas interações humanas e salientam que ele pode expressar por meio da gestualidade, dos movimentos, da postura e das expressões faciais as ideias, os valores, e as emoções que as pessoas possuem. Para esta linha de trabalho, compreender as especificidades da linguagem corporal ampliaria a nossa compreensão de como se dão os processos comunicativos, o que é importante para se apreender o valor atribuído a esses processos em diferentes contextos sociais.

Ao falar em linguagem corporal, estamos falando da capacidade decodificadora dos interlocutores, o que implica em falar de percepção. Uma retomada dos estudos seminais de Bartlett (1995) sobre percepção, representação e memória, demonstra o quanto o ato de reconhecer algo está carregado de significação, de atitudes e de orientação que vão além da simples reação sensória e perceptiva. "Every act of recognizing carries a significance which goes beyond the specific identification which it involves. It tells us something about the preferential psychological reactions of the person who performs the act." (Bartlett, 1995, p. 191). Desta maneira, o ato de reconhecer alguém está associado a uma identidade social (Goffman, 1990), o que revela as significações existentes de quem reconhece (Bartlett, 1995).

No campo da psicologia social, os estudos de Jodelet (1998) sobre a construção da imagem de si e do outro trazem uma enorme contribuição para a compreensão da posição e do papel conferido ao corpo nesse processo.

Si nous avons insisté sur la lecture d'autrui qu'autorisent le corps et les modèles, profanes ou savants, qui ont cherché à en rendre compte, c'est à la fois: - pous donner une idée de l'importance que la corporéité prend aujourd'hui dans la psychologie, et des proximités entre son approche scientifique et les savoir de sens commun; - et parce qu'elle nous introduit aux dimensions sociales de la représentation de soi et d'autrui, à travers les jeux du langage corporel et celui des apparence auxquels les psychologues sociaux n'ont pas toujours été suffisamment sensible dans leur analyse de la perception des personnes." (Jodelet, 2006, p. 48)

Ao relatar os resultados que obteve com a exploração desse tema, Jodelet (2006) mostra que, em um contato inicial entre duas pessoas, o fator estético prevalece na formação de uma impressão sobre quem é o outro. Entretanto, no processo de se formar uma opinião sobre quem é o outro, a interação assume um papel importante e códigos sociais como a maneira de falar, de se comportar, os gestos e as atitudes fornecem índices muito mais pertinentes para a formação dessa opinião do que o fator estético (Jodelet, 2006). A autora também encontrou uma relação estreita entre os critérios que servem à formação de uma primeira impressão sobre o outro e os que presidem à elaboração de uma opinião sobre o outro, e observou que o grupo de pertença fornece as categorias e os modelos para se apreender o outro.

Para se compreender como se processam as categorizações e como elas estão influenciadas pelo grupo de pertença é preciso que se reflita sobre o conceito de imagem. A definição que Moliner (1996) oferece permite compreender como a imagem de um corpo se relaciona com as representações atribuídas a ele. Para o autor, a imagem é o conjunto de características e propriedades atribuídas a um objeto, ou seja, é a forma pela qual nós escolhemos representar algo. Seja ela gráfica ou mental, a imagem é sempre uma representação. Enquanto a imagem é um produto, a representação, por outro lado, é o processo pelo qual a imagem é produzida. Para o autor, a emergência da imagem social sobre algo depende das informações que os indivíduos possuem sobre o objeto. E para percebê-lo, interpretá-lo e fazer inferências sobre ele, os indivíduos fazem uso dos saberes preliminares compartilhados sobre esse objeto. Moliner conclui assim que as imagens são produto das representaçõe sociais. "la thèse que nous développerons ici est celle de l'image envisagée comme un produit des représentations" (Moliner, 1996, p. 146). Segundo o autor, a finalidade das imagens sociais é que elas constituem a forma pela qual os objetos sociais existem no universo cognitivo dos indivíduos, e que as características e propriedades atribuídas ao objeto permitem aos indivíduos fazerem julgamentos de valor. Ao relacionar essa definição de imagem social à problemática da corporalidade, podemos inferir que as leituras que se fazem das manifestações corporais dos outros estão referendadas nos conhecimentos que os indivíduos possuem sobre estes outros e nesse momento, a imagem corporal se aproxima de uma representação.

Apesar de sua relevância para os estudos no campo da educação, como vimos em Foulcault (1979), são poucas as pesquisas que se dedicam a compreender as manifestações corporais dos atores envolvidos no campo educacional, professores e alunos, sob o ponto de vista psicossocial. Com vistas a contribuir para essa compreensão, este trabalho procura focalizar o corpo humano como um objeto de estudo valioso no campo da psicologia social com o suporte teórico da teoria das representações sociais, idealizada por Serge Moscovici (2003). Isto porque esta teoria atribui à interação humana uma importância primordial na construção de conhecimentos, na elaboração de ideias e na assunção de valores e crenças. As representações oriundas das interações encontram suas raízes na convenção, na memória e nas tradições de determinado grupo social. Como são marcadas pela pertença a grupos sociais, elas revelariam a multiplicidade de conhecimentos e saberes que existem sobre determinado objeto. Uma reflexão sobre os processos interativos que geraram as representações permite aos pesquisadores acessar os valores do grupo estudado, referenciar essas condutas e definir os elementos das representações que são passíveis de transformação. Jodelet (1991) também salientou que o corpo é um objeto de estudo valioso para a psicologia social ao mencionar que ele é ao mesmo tempo um objeto privado e público, cujas representações estão fortemente ligadas ao contexto psicológico, social e cultural (Jodelet, 1991, p. 211).

O objeto de estudo desta pesquisa é a corporeidade do professor cuja análise nos permite refletir sobre a sua profissão. Como as manifestações corporais integram um sistema de comunicação utilizado pelas pessoas para falarem sobre si, identificando-se ou diferenciando-se dos outros com os quais entram em contato no ambiente de trabalho, é possível articular manifestação corporal e identidade profissional. No caso da profissão docente, essa articulação se torna ainda mais atrativa sob o ponto de vista investigativo, pois ela é reconhecida como sendo uma profissão com um forte conteúdo humano-interacional (Placco, 2002) e "uma forma particular de trabalho sobre o humano" (Tardif & Lessard, 2005, p. 8). A questão do outro e o estudo da alteridade também vêm sendo enfatizados na área da educação (Sousa, Silva, & Lima, 2009).

Estudar a identidade docente por meio do enfoque da linguagem corporal implica em aprofundar na análise dos referenciais sociais e culturais que participam da formação da imagem de ser professor. Assim, as manifestações corporais passariam pelo filtro de categorias construídas e compartilhadas por observadores de diferentes grupos sociais. Uma das maneiras de se observar tal fenômeno é analisar as categorias que prevalecem nos julgamentos sobre quem é professor de diferentes observadores, feitas a partir da observação do corpo do professor, o que ele expressa e como é interpretado. As categorizações decorrentes da percepção e da interpretação de manifestações corporais refletiriam os saberes acumulados sobre esse profissional, pois encontrariam referência nos conhecimentos que circulam e que fazem parte das experiências acadêmicas, de vida e cultura dos estudantes.

A importância dos autores citados acima para o presente estudo reside no fato deles propiciarem uma introspecção sobre o tema corporeidade e estimularem a reflexão sobre as interpretações e os julgamentos que decorrem da percepção do corpo. O desafio desta pesquisa é identificar as manifestações corporais mais percebidas por diferentes observadores e extrair das interpretações e julgamentos resultantes dessas observações as significações existentes sobre a profissão docente.

 

Sobre a pesquisa

Estudo do CIERS-ed

A pesquisa está integrada a um projeto mais amplo desenvolvido pelo Centro Internacional de Estudos em representações Sociais e Subjetividade. Na primeira fase do projeto, foi aplicado um questionário a 3.100 estudantes do primeiro e segundo semestres do curso de pedagogia e licenciatura de Instituições de Ensino Superior de todo país que se iniciava com uma questão de associação livre de palavras sobre os temas "professor", "aluno" e "dar aula", além de questões referentes à escolha profissional e à visão que eles têm do trabalho docente. A análise por meio do programa EVOC possibilitou identificar as 25 palavras mais relevantes que poderiam constituir o núcleo representacional. Na segunda fase da pesquisa, requisitou-se dos respondentes que fizessem agrupamentos livres com essas palavras segundo algum tipo de relação de semelhança entre elas, que dessem um título a esses agrupamentos e que os justificassem. Logo em seguida, foi solicitado aos respondentes que classificassem essas palavras em cinco agrupamentos contendo cinco palavras cada um: "as que mais têm a ver com ser professor", "as que menos têm a ver", "as que ainda têm mais a ver", "as que ainda têm menos a ver" e finalmente, no quinto grupo, as palavras restantes.

A análise pelo método Alceste das justificativas dos agrupamentos livres identificou cinco classes (relatório CIERS-ed1). As duas maiores classes, classes A e E, têm uma especial importância para esse estudo, principalmente a classe E "relação afetiva professor-aluno", por fazer referência direta à interação professor-aluno. As palavras mais significativas da classe E foram: "sala" (chi2=92.44), "aula" (68.33), "companheiro" (59.33), "respeito" (55.68), "diálogo" (40.32), "relação" (27.39), "compreensão" (26.69) e "compromisso" (6.49).

Uma análise mais aprofundada de um grupo focal de dez respondentes de uma Instituição de Ensino Superior particular de São Paulo que fez parte da amostragem do CIERS-ed apontou para elementos afetivos e interativos nas representações de ser professor. Com relação aos títulos dados aos agrupamentos livres, cinco sujeitos fizeram pelo menos uma referência direta à interação professor-aluno e à afetividade: "Relações no ambiente escolar", "Compreensiva", "Responsabilidade", "Respeito mútuo na sociedade" e "Amizade". Na etapa do agrupamento dirigido, observou-se que, das 25 palavras mais relevantes que poderiam constituir o núcleo representacional, sete foram classificadas na categoria "as que mais têm a ver com a profissão docente" e todas elas faziam referência à relação professor-aluno: "responsabilidade", "respeito", "compromisso", "dedicação", "diálogo", "companheiro", e "compreensão". As quatro primeiras foram utilizadas por seis respondentes, "diálogo" por dois, enquanto que as outras duas por um respondente cada uma. Os elementos afetivos e interativos que emergiram deste grupo motivou um aprofundamento na questão da interação professor-aluno sob o ponto de vista da corporeidade.

Como apontou Argyle (2007), as emoções têm no corpo um especial veículo de expressão. Embora a interpretação das emoções esteja baseada preferencialmente na observação das expressões faciais do outro, esta interpretação pode sofrer distorção uma vez que as emoções podem estar sendo deliberadamente controladas. Já os movimentos do corpo e a postura expressam emoções de uma maneira mais espontânea. Adicionalmente, o autor lembra que a interpretação das emoções está fortemente determinada pelo contexto e pela situação da interação em questão (Argyle, 2007). Portanto, quando um observador tem informações sobre o outro a ser observado, sua percepção e seus julgamentos serão afetados por essas informações. O autor lembra que o movimento corporal e a postura tendem a ser percebidos por aqueles mais sensíveis ou que possuem um interesse especial na observação dessas manifestações. Isto implica em observar, neste estudo, o movimento corporal, a postura, a gestualidade e a expressão facial como possíveis categorias indicativas e reveladoras de formas de interação professor-aluno.

 

Método

Participaram do presente estudo 29 estudantes (20 mulheres e 9 homens) que iniciavam o terceiro semestre de graduação em pedagogia (grupo 1) e 29 profissionais de diversas áreas (20 mulheres e 9 homens) que concluíam o segundo semestre do curso de pós-graduação lato sensu em gestão escolar. Este grupo era composto por elementos com formação em enfermagem (10 sujeitos), pedagogia (5), letras (3), psicologia (1), educação física (1), administração (3), técnicos em gestão de qualidade (2), engenharia (1), matemática (1), técnico em construção civil (1) e teologia (1). Ambos os grupos estudavam em uma Instituição de Ensino Superior particular de São Paulo (curso noturno) e foram enquadrados no perfil sócio-econômico médio. Foi previsto que os diferentes grupos de sujeitos, segundo o critério tipo de formação (graduandos e pós-graduandos), poderiam revelar representações diferentes da profissão docente.

Os sujeitos examinaram três fotografias extraídas de uma dinâmica de grupo nas quais estudantes universitários interpretavam os papéis de professores e de alunos em um contexto de sala de aula. Elas foram tiradas de forma que os personagens aparecessem em diferentes ângulos e posições. Na primeira fotografia o personagem é masculino, aparece em sala de aula, de perfil e com os braços cruzados. Na segunda fotografia existem quatro personagens, todas do sexo feminino. A primeira, no papel de professora, está de perfil, com um braço apontando para a lousa e falando. As outras estão escrevendo na lousa e de costas para a professora. Na terceira fotografia a personagem foi fotografada de frente, está no centro de uma roda de alunos, batendo palmas e falando. Essas fotografias foram observadas pelos participantes dos dois grupos respeitando a mesma ordem de apresentação. A orientação do pesquisador foi a seguinte: "Vou mostrar fotografias de pessoas dando aulas. Pode ser que algumas não sejam realmente professores e sim alunos no papel de professores". Foi então solicitado aos participantes que apontassem dentre os 3 personagens, quais eles consideravam professores respondendo "sim" ou "não" para cada foto, e que justificassem suas respostas por escrito.

O estímulo visual, presente neste estudo, pode fazer emergir representações vivas e reais de professores. Como aponta Gonzales Rey (2005, p. 66), as fotos são uma "via idônea para provocar emoções e situar o sujeito em uma temporalidade subjetiva vivida". Segundo o autor, instrumentos como pranchas, fotos e desenhos são facilitadores de expressão de valores que podem não ser expressos por outros instrumentos. Assim, os elementos afetivos e interativos nas representações de ser professor que surgiram do grupo focal podem encontrar no instrumento fotografia um veículo para a expressão de novos significados.

 

Resultados

As respostas foram agrupadas primeiramente segundo as categorias "sim, é professor" ou "não é professor" e comparadas segundo o tipo de formação (graduandos – grupo 1 e pós-graduandos – grupo 2). Os resultados colhidos da primeira foto mostraram que houve uma diferença significativa entre os dois grupos, graduandos e pós-graduandos, nas definições hipotéticas sobre ser ou não ser professor (Chi2 = 14.82; df = 1; significância 0.001). Para os sujeitos da graduação (grupo 1), a categoria "sim é professor" superou em muito (média = 79.31%) a categoria "sim, é professor" dos pós-graduandos (27.58%). Os resultados colhidos da segunda foto também mostraram que houve uma diferença significativa entre os dois grupos de sujeitos nos julgamentos hipotéticos sobre ser ou não ser professor (Chi2 = 3.52; df = 1; significância 0.10). Desta vez, para os sujeitos da pós-graduação (grupo 2), a categoria "sim, é professor" (média = 51.72%) superou os que responderam "sim" no grupo dos graduandos (27.58%). Os resultados colhidos da terceira fotografia mostraram que não houve diferenças significativas entre esses dois grupos de sujeitos. Na terceira fotografia, a maioria dos sujeitos de ambos os grupos elegeu os personagens como professores, 62.06% e 68.96% respectivamente.

O que diferencia as duas primeiras fotografias da terceira é o fato de não ser possível, por meio de simples observação, julgar se os personagens nas fotografias 1 e 2 eram mesmo professores ou alunos representando o papel do professor. Na primeira, o personagem está sozinho, de braços cruzados e de perfil, o que pode ter limitado a formação de hipóteses sobre quem ele era. Na segunda, o contexto e o posicionamento relativo das pessoas também dificultavam a formação de hipóteses. Os alunos estavam de costas para a figura no papel de professor e todos estavam de pé. Contrariamente, na terceira, a gestualidade, a postura e a posição relativa dos personagens em cena correspondiam mais ao que tradicionalmente se imagina tratar de formas de interação professor-aluno. É também a única fotografia em que os participantes da pesquisa observam a personagem de frente, e não de perfil, o que pode ter influenciado a atribuição de características de professor a ela.

Portanto, sem parâmetros sobre os quais pudessem formar opiniões, os participantes foram buscar em imagens subjetivas sobre ser professor os elementos que pudessem indicar se os personagens das fotografias 1 e 2 eram ou não professores, ou apenas alunos no papel de professor. Nesse momento, surgem as diferenças entre os grupos, pois quando se está dependente de uma fotografia para se fazer um julgamento acerca da identidade de alguém, diferentes grupos de pessoas podem utilizar diferentes elementos e estratégias para auxiliá-los nesta tarefa.

Em seguida, observou-se o tamanho dos enunciados, pois este fator fazia referência à quantidade de informações levadas em consideração para se fazer os julgamentos e ao nível de elaboração das argumentações. Observou-se que todas as formulações hipotéticas continham um número mínimo de detalhes, qualidades ou características da figura do personagem que pudessem justificá-las, tanto no grupo dos graduandos (grupo 01) como no dos pós-graduandos (grupo 02). Elas apresentavam a seguinte estrutura e tamanho: "Professor, auxiliando alunas" (suj. 15–01); "Sim é professor, parece estar intimidando os alunos" (suj. 09-02); "Não é professor pela maneira de como está em relação às outras pessoas." (suj. 17–02); "Professor, pelo modo de explicar" (suj. 01-01). A média de palavras de todos os enunciados, inclusive os que justificavam a classificação "não é professor", para a fotografias 1 foi: 9.0 para os graduandos e 9.68 para os pós-graduandos. Se contabilizado apenas as justificativas das argumentações em favor de ser professor temos: 9.86 para os graduandos e 11.25 para os pós graduandos. Para a fotografia 2 o calculo geral de média de palavras ficou: 9.10 para os graduandos e 9.34 para os pós graduandos. Quando contabilizado apenas as afirmações de ser professor, temos 8.25 para os graduandos e 8.2 para os pós-graduandos. Para a fotografia 3 temos 7.89 para os graduandos e 9.03 para os pós-graduandos de média geral, e 7.5 para os graduandos e 8.95 para os pós-graduandos para as justificativas de ser professor. O tamanho reduzido dos enunciados pode indicar uma tendência à formação de hipóteses apoiadas na aparência ou na eleição de um fator físico como determinante para a identificação deste profissional, que dispensaria maiores argumentações. Uma análise qualitativa dos enunciados poderá revelar quais manifestações corporais e características físicas foram as mais eleitas como típicas de ser professor.

Para a compreensão mais aprofundada dos dados textuais foi efetuado a análise de conteúdo proposta por Bardin (1977). Esta análise objetivou identificar os tipos de justificativas dadas às formulações hipotéticas e obter as unidades de significação mais pertinentes para os dois grupos, graduandos e pós-graduandos. Procedeu-se à contagem de um item de significação, neste caso, um enunciado em forma de palavra ou frase e formou-se um quadro geral, ou grade, que possibilitou visualizar alguns exemplos de enunciados e as distribuições desses enunciados e suas frequências. O quadro 2 fornece uma visão geral da classificação dos enunciados que correspondem à afirmação de que os personagens são mesmo professores referentes às fotografias para os dois grupos de participantes.

Dessa análise, surgiram seis categorias referentes à resposta "sim, é professor": categoria 1 "posicionamento do corpo"; categoria 2 "verbos"; categoria 3 "relação"; categoria 4 "expressão facial"; categoria 5 "contexto" e categoria 6 "aparência e vestimenta". Cada sujeito entrou com um único número de enunciado em cada categoria, mesmo se tivesse produzido dois enunciados, pois, quando isso acontecia, eles complementavam o que havia sido dito anteriormente. As categorias não eram excludentes, assim, o mesmo sujeito poderia ter em seu discurso um enunciado classificado na categoria "posicionamento do corpo" e outro enunciado na categoria "verbos de ação", por exemplo.

 

Tabela 1

 

Análise da fotografia 1

As justificativas dos graduandos (23 sujeitos, grupo 1) para a resposta "sim é professor" da primeira fotografia foram classificadas da seguinte maneira: das 47 unidades de significação, 16 (34.04%) se encaixaram na categoria "posição do corpo", ou seja, enunciados que faziam referência ao corpo como um todo e também a seus membros como índices que pesaram nos julgamentos de que se tratava de professores: "pois está de braços cruzados" (suj. 15 – grupo 01), "estando parado" (suj.29grupo 01). Outro grande agrupamento de unidades de significação ocorreu na categoria "verbos" (15 = 31.91%) que relatava as ações e as atitudes dos personagens como indicativas de sua profissão: "ouvindo os alunos" (suj. 06 – 01), "está observando" (suj. 21 – 01). Os verbos estavam, em sua maioria, no gerúndio e se referiam tanto aos sentidos, como os verbos "ouvindo" e "observando", quanto aos gestos "apontando". Também houve referência à postura, com os verbos "aguardar" e "mantendo", e às ações interativas dos professores, com os verbos "questionando" e "interagindo".

Um número menor de unidades formou a categoria "relação" (6 = 12.76%) que fazia referência aos outros com os quais o sujeito interagia, ao tipo de interação professor-aluno e às atitudes em relação à classe como um todo. Também foram classificadas nesta categoria expressões que demonstravam se o sujeito estava ou não envolvido em formas de interação: "fechado para opiniões" (suj. 27 – 01); "(observando) os alunos" (suj. 10 – 01); "(interagindo) com a classe" (suj. 29 – 01). Houve apenas uma unidade classificada na categoria "expressão facial" (2.12%) e percebe-se a preocupação em identificar quem é professor pela atribuição de um estado emocional ou um atributo de autoridade ao personagem: "parecendo ser um pouco sério" (suj. 27 – 01). Cinco unidades de significação (10.63%) foram classificadas na categoria "contexto" que agregava enunciados que descreviam o contexto espacial onde ocorreram as cenas. Assim, os participantes justificaram as respostas por estarem os personagens: "em sala de aula" (suj. 26 – 01); "no centro da roda" (suj. 20 – 01); "diante do quadro" (suj. 14 – 01). Por fim, 4 unidades de significação (8.51%) foram enquadradas na categoria "aparência e vestimenta", onde vê-se a preocupação com aspectos físicos e estéticos como indicativos de ser professor: "pela idade" (suj. 22 – 01), "jeito de se vestir" (suj. 28 – 01).

Na categoria "posição do corpo" os 16 enunciados se subdividiram em 3 subcategorias: Na subcategoria "Postura" encontram-se agrupados os enunciados que se referem à postura física como indicativo da identidade do personagem (11 = 68.75%): "ele é professor por sua postura", ... de braços cruzados" (suj. 27 - 01), "Me parece a pessoa mais importante e real em sua postura" (suj. 8 - 01); "É professor pois está em posição de imposição" (suj. 23 – 01). Na subcategoria "Saberes" (4 = 25%) encontram-se reunidos enunciados sobre ações e atividades que fazem parte da prática docente e aos conhecimentos de como trabalhar os conteúdos visando a aprendizagem: "explicando um texto de forma pausada" (suj. 20 - 01), "É professor, ... dá uma aparência de explicar uma matéria" (suj. 25 – 01). Na subcategoria "Sentimentos/estado" (1 = 6.25%) encontra-se referência a sentimentos ou estados de espírito como indicativo de ser professor: "É professor, ... estava a vontade" (suj. 08 - 01).

A análise das justificativas dos pós-graduandos (8 sujeitos – grupo 02) para a resposta "sim é professor" da primeira fotografia foram classificadas da seguinte maneira, 7 unidades de significação (77.77%) foram classificados na categoria "Posição do corpo" e 2 (22.22%) na categoria "verbo": "falando..." (suj. 03-02) e "observando…" (suj. 13-02). Na categoria "posição do corpo" as 7 unidades se subdividiram em 6 subcategorias. Na subcategoria "Postura" (2 = 33.33%) vê-se a preocupação em descrever a posição do corpo: "Sim, é professor, pois tem uma postura" (suj. 14 - 02). Já na subcategoria "Hábito" (1 = 16.66%), vê-se a preocupação em relatar ações e atitudes já esperadas e conhecidas como típicas de ser professor, pois são comuns e se repetem com frequência: "Sim, porque em algumas situações alguns professores têm uma postura..." (suj. 10 - 02). Uma unidade de significação foi classificada na subcategoria "Qualificação" (1 = 16.66%), que agrupava enunciados que se referiam à formação do profissional, seu nível de atuação técnica e profissional: "Sim, mas parece um professor desqualificado" (suj. 21 - 02); e uma na subcategoria "Saberes" (1 = 16.66%): "Falando algo que conhece" (suj. 3). Por fim, uma única unidade de significação foi classificada na subcategoria "Sentimentos/estado" (1 = 16.66%): "muito séria, muito fechada" (suj.14 - 02).

Análise da fotografia 2

As justificativas dos graduandos (8 sujeitos) para a resposta "sim é professor" da segunda fotografia foram classificadas da seguinte maneira: das 10 unidades de significação, 3 (30%) se encaixaram na categoria "posição do corpo": "gesto e postura", (suj. 09 – 01), "pois está em posição de direcionamento" (suj. 23 – 01). Um agrupamento um pouco maior de unidades de significação foi a categoria "verbos" (4 = 40%): "orientando, apontando" (suj. 10 – 01). Um número menor de unidades formou a categoria "relação" (1 = 10%): "auxiliando as alunas" (suj. 15 – 01); e 2 unidades na categoria "local" (20%): "matéria que está na lousa" (suj. 29 – 01). Na categoria "Posição do corpo", os três enunciados foram subdivididos em subcategorias: 2 (66.66%) na subcategoria "Postura": "gesto e postura" (Suj. 9 - 01),"posição de direcionamento" (suj. 23 - 01) e 1 (33.33%) na subcategoria "Saberes": "explicando a matéria." (suj. 7 - 01).

Os enunciados dos 15 pós-graduandos foram classificados da seguinte maneira: das 26 unidades de significação, 10 (38.46%) foram classificadas na categoria "Verbos": "interagindo", "orientando", "mostrando". Como eles faziam referência à relação professor-aluno e citavam os outros com os quais o professor interagia, os complementos desses verbos foram classificados na categoria "relação" (11=42.30%): "(Sim, fala muito próximo) ao aluno, (orientando diretamente)" (suj. 29 - 02), "(sim, parece que está interagindo) com o aluno..." (suj. 26 – 02). Poucas unidades de significação (3 = 11.53%) foram classificadas na categoria "aparência": "é professora, pois está descontraída" (suj. 1 – 02), "apesar de jovem" (suj. 18 – 02); e apenas duas unidades (7.69%) na categoria "local": "no quadro" (suj. 13 – 02).

Comparando os resultados dos graduandos em pedagogia e dos pós-graduandos em gestão escolar quando esses elegeram os personagens como sendo professores (fotografia 1 para os graduandos e 2 para os pós-graduandos), ficou aparente que os graduandos usaram elementos físicos e posturais com maior frequência como atributos sobre os quais pudessem construir suas inferências. Esses elementos foram expressos pelas categorias posição do corpo (categoria 1), verbos (categoria 2) e pela subcategoria postura. Embora com menor frequência, fizeram uso também de elementos indicativos de tipos de relação entre os personagens (categoria 3), do contexto das cenas e de elementos estéticos (categorias 5 e 6). As palavras "postura" e "braços cruzados" ocorreram inúmeras vezes como indicativas de que o personagem se tratava de um professor. A palavra postura foi empregada no sentido de manutenção de uma posição "mantendo a postura"; como indicativa de um estado de espírito ou personalidade "postura, parecendo um pouco sério" (suj. 27 – 01); ou simplesmente como imagem de professor "postura corporal indica ser professor" (suj. 02 – 01). Nesse sentido, esta palavra pode estar revelando imagens de um profissional fechado para relações, rígido nas condutas, e mesmo quando se encontra em interação, mantém sua posição "interagindo com a aula, mantendo a postura" (suj. 21 – 01).

Os pós-graduandos tiveram seus enunciados concentrados em menos categorias. Eles empregaram com maior frequência elementos de ação expressos por verbos (categoria 2) acompanhados por complementos que indicavam as pessoas envolvidas nas interações (os alunos, a classe, o grupo). Os verbos no gerúndio indicavam uma ação em processo: "interagindo", usado por quatro sujeitos, "orientando", por três, além de "direcionando", e "ajudando", um sujeito cada uma. Estas categorias podem estar revelando imagens de um profissional aberto para relações.

Os pós-graduandos que elegeram a fotografia 1 como se tratando de um professor basearam suas hipóteses sobre elementos não muito positivos sobre essa profissão como pode ser visto por esses extratos: "em algumas situações, professores têm uma postura de ficar de costas e de braços cruzados" (suj. 10-02), "postura muito séria e muito fechada" (suj. 14-02), "sim, mas parece um professor desqualificado" (suj. 21-02). Os graduandos que elegeram a personagem da fotografia 2 como professora basearam suas hipótese sobre elementos diferentes dos pós-graduandos. Eles utilizaram verbos de ação com o sentido de um "fazer" como pode ser visto pelos seguintes extratos de texto: "professor, pois está em posição de direcionamento" (suj. 23 – 01), "Professora, ... apontando para a lousa", "Professora, pois está explicando a matéria", "Professora, gesto, postura, dinâmica".

Análise da fotografia 3

Comparando os resultados dos graduandos em pedagogia e dos pós-graduandos em gestão escolar quando esses elegeram a personagem da fotografia 3 como sendo professora, observou-se resultados semelhantes aos encontrados nas fotografias 1 e 2. Os graduandos usaram elementos físicos e posturais com maior frequência como atributos sobre os quais pudessem construir suas inferências. Esses elementos foram expressos pelas categorias posição do corpo (categoria 1) com 41.66% de unidade classificadas, verbos (categoria 2) com 37.5% de unidades e pelas subcategorias "postura" e "gestos", utilizada por 4 sujeitos: "Professora, pelo gesto e postura..." (suj. 24-01), "Professora, está com postura..." (suj. 21-01). Embora com menor frequência, fizeram uso também de elementos indicativos de tipos de relação entre os personagens (categoria 3) com 12.5% de unidades fazendo referência à turma, à todas as pessoas, e ao grupo. Utilizaram também referência ao contexto das cenas como a sala de aula (categorias 5) em 8.33% das unidades.

Os pós-graduandos tiveram a maior parte dos seus enunciados concentrados nas categorias 2 e 3, ao empregar com maior frequência elementos de ação expressos por verbos acompanhados por complementos que indicavam as pessoas envolvidas nas interações. Mas, os enunciados apareceram classificados em um maior número de categorias que nas fotografias anteriores. Os verbos no gerúndio como "interagindo" e "explicando" apareceram três vezes cada um, além de "circulando", "exigindo", "batendo palmas" e "tentando por ordem", que apareceram apenas uma vez. Na categoria "relação", referências ao grupo, aos alunos e à sala como um todo apareceram em 32.25% dos enunciados, mas também se observaram enunciados classificados na categoria "posição do corpo" com 19.35% de enunciados. As subcategorias "gestos" e "saberes" foram as mais frequentes com 3 e 2 enunciados cada uma. Houve também um enunciado classificado na categoria "expressão facial" (1= 3.25%) e "local" (3.25%).

 

Discussão

Com esse estudo pretendeu-se refletir sobre as interpretações e categorizações decorrentes da percepção de manifestações corporais de professores e como elas refletem alguns saberes sobre esta profissão. Isto porque os julgamentos hipotéticos e as categorizações encontrariam referência nos conhecimentos que circulam e que fazem parte das experiências acadêmicas, profissionais e de vida dos sujeitos pesquisados. A escolha das fotografias 1 e 3 pelos graduandos como representativas de um professor baseou-se provavelmente em um conhecimento sobre a profissão que cobria um amplo espectro de saberes. Esses saberes estavam refletidos principalmente pelas categorias "posição do corpo", e "verbos". Como lembra Argyle (2007), o movimento corporal e a postura tendem a ser percebidos por aqueles mais sensíveis ou que possuem um interesse especial na observação dessas manifestações. Essas categorias podem, então, indicar que para os estudantes de pedagogia questões posturais, de atitudes e movimentos tinham grande importância.

Como a grande maioria dos sujeitos do grupo dos pós-graduandos não tinha formação em pedagogia e não exercia, em sua maioria, atividades pedagógicas, a escolha das fotografias 2 e 3 como se tratando de professores baseou-se provavelmente em um "saber" sobre um trabalho fundamentalmente interativo, como apontam Tardif e Lessard (2005), Placco (2002) e Sousa et al. (2009). Esta representação pode ter tornado a percepção das manifestações corporais comunicativas e expressivas significativas e representativas desse profissional. Em segundo lugar, para a área da gestão, os assuntos relacionados à interação entre as pessoas têm um grande significado. Portanto, pode-se concluir que as características e os interesses dos grupos nos informam sobre a significância que as manifestações corporais têm para eles, e que para esse grupo a interação era um elemento primordial.

Este estudo pretendeu fornecer elementos a mais para se pensar em práticas formativas de professores que levem em consideração formas de relação professor-aluno, pois este é um dos saberes que compõem a docência. Procurou-se refletir sobre a necessidade de se entender como se dá a comunicação não verbal que permeia as interações professor-aluno no contexto educacional para que se avance nos estudos sobre a formação docente. Seria interessante, portanto, conceber práticas formativas de professores onde a relação professor-aluno fosse trabalhada em diferentes situações e contextos e que a expressão corporal fosse considerada como um universo especial onde essa interação ocorre.

 

Nota

1 CIERS – ed. Centro Internacional de Estudos em Representações Sociais e Subjetividade – Educação/CIERS-ed, Fundação Carlos Chagas, Laboratoire Européen de Psychologie Sociale – LEPS, Maison des Sciences de L'Homme de Paris - MSH

 

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Recebido em: 08/10/2009
Aceite em: 05/01/2010

 

 

Ariane Franco Lopes da Silva possui graduação em Pedagogia pela Universidade Paulista, especialização em Psicopedagogia pelo Instituto Sedes Sapientiae e doutorado em Psicologia da Educação pela Universidade de Cambridge, Inglaterra. Pós-doutorada no Programa de Psicologia da Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Professora do Programa de Mestrado em Educação na Universidade Católica de Santos. Endereço: Campus D. David Picão. Rua Carvalho de Mendonça, 144. Vila Matias. Santos/SP, Brasil. Email: arianefls@yahoo.com.br

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