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Revista Brasileira de Meteorologia

versão impressa ISSN 0102-7786

Rev. bras. meteorol. vol.25 no.4 São Paulo dez. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-77862010000400008 

ARTIGOS

 

Estrutura vertical da troposfera associada com nuvens Cumulunimbus e Nimbustratus em Pelotas, RS

 

The tropospheric vertical structure associated with Cumulunimbus and Nimbustratus cloudiness in Pelotas, RS

 

 

Natalia FedorovaI; Maria Helena de CarvalhoII; Vladimir LevitI; Paulo R. B. BarbieriII; André M. GonçalvesII; Eliane P. AlvesII; Elizabeth SignoriniII; Gilsane M. C. PinheiroII; Júlio R. Q. MarquesII; Vladair M. de OliveiraII; Antonio J. de AlmeidaII

IInstituto de Ciências Atmosféricas da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Maceió, AL. natalia@dimin.net
IICentro de Pesquisas e Previsões Meteorológicas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Pelotas, RS

 

 


RESUMO

As condições termodinâmicas do desenvolvimento de nuvens Cumulunimbus (Cb) e Nimbustratus (Ns) e formação de precipitações na cidade de Pelotas são estudadas utilizando-se dados do NCEP (National Center for Environmental Prediction, Washington) para os níveis padrões e dados meteorológicos convencionais. Analisou-se a freqüência das nuvens Cb e Ns durante três anos, para as quatro estações do ano, e calcularam- se os índices de instabilidade (Showalter, lifted, K and standard totals-totals) e a energia potencial de convecção. Foram identificados cinco tipos de perfis verticais de temperatura e umidade para os dias em que foram verificadas nuvens Cb e Ns, através de dados de radiossondagens de Porto Alegre, e das análises do NCEP. Apresentam-se os resultados da análise da instabilidade atmosférica e são discutidos os problemas da previsão de nuvens Cb e Ns, utilizando os índices de instabilidade.

Palavras-Chave: nuvens Cb e Ns,instabilidade atmosférica, previsão do tempo.


ABSTRACT

The thermodynamic conditions of Cumulunimbus (Cb) and Nimbustratus (Ns) cloudiness development and precipitation formation in Pelotas city were studied using NCEP (National Centers for Environmental Prediction, Washington) data for standard levels and conventional meteorological data. The frequency of the Cb and Ns cloudiness during three years and for each seasons was analyzed. Stability indexes (Showalter, lifted, K and standard totals-totals) and the convective available potential energy were calculated. Five types of vertical profiles of temperature and humidity for days with Cb and Ns clouds were identified through radiosonde data over Porto Alegre and NCEP analysis. The results of the atmospheric instability analysis are presented and problems envolving the Cb and Ns cloudiness forecasting, using the stability indexes, are discussed.

Keywords: Cb and Ns cloudiness, atmospheric instability, weather forecast.


 

 

1. INTRODUÇÃO

A previsão da precipitação de curto prazo é um dos elementos principais no trabalho diário dos meteorologistas nos diferentes Centros de Previsão de Tempo. Quando ocorrem precipitações intensas, diversos setores da economia e a sociedade em geral sofrem enormes prejuízos.

Os estudos climatológicos das precipitações em Pelotas mostram diferentes lados deste problema. Uma análise das probabilidades das precipitações pluviométricas em Pelotas foi feita por Silva e Amaral (1987). Utilizando um arquivo de dados de 1900 a 1951, elaboraram-se as tabelas de probabilidades pentadais, totais e máximas, utilizando as transformações raiz cúbica e raiz quinta. O padrão de distribuição espacial de chuvas intensas na região de Pelotas também foi estudado em Goulart (1992). Sua análise para o período de dois anos das alturas pluviométricas e duração de chuva, mostrou que a precipitação máxima para o período de 1/2 hora foi 34,7 mm, para 2 e 3 horas foram quase iguais, 50,2 e 54,9mm, respectivamente, e para 24 horas atingiu 85,2mm. Já analisando 24 eventos, registrados no período entre 1954 e 1984, obteve-se que a tendência da redução da precipitação pontual diminuiu sistematicamente com o aumento da duração da chuva; mas esta tendência foi verificada somente para durações entre 3 e 12 horas. O comportamento das precipitações mensais em Pelotas, durante os eventos de El Niño e La Niña no período de 1950 a 1997, foi estudado em Sansigolo et al. (2000). Os autores concluíram que a influência do fenômeno El Niño no regime de precipitações é pequena e restrita ao segundo trimestre do ano, enquanto a do La Niña é maior, mas pequena, na maior parte do ano. Todavia, alguns autores como Kousky e Cavalcanti (1984), Rao e Hada (1990) verificaram que em anos de El Niño ocorre precipitação acima da normal na região sul do Brasil. Já Assis (1991) apud Goulart (1992) mostrou que os dias chuvosos em Pelotas apresentam uma distribuição bem uniforme ao longo do ano. Por este estudo, os meses mais chuvoso e seco são setembro e abril; sendo que estes meses apresentam precipitações equivalentes a 10,1% e 7,3% do total anual, respectivamente.

As precipitações mais intensas ocorrem em associação com nuvens que apresentem um desenvolvimento vertical significativo. Bluestein (1993) descreveu os quatro tipos de perfil vertical da atmosfera associados com pancadas e trovoadas nos Estados Unidos. O tipo I tem uma camada muito úmida e estável até 800 hPa; uma forte inversão no topo desta camada e acima desta outra camada instável com ar muito seco (T-Td é de aproximadamente 30 ºC). O tipo II é típico para regiões tropicais e é caracterizado por uma camada condicionalmente instável e úmida (com T-Td variando entre 1 e 5 ºC), com desenvolvimento vertical profundo (até 7 km), e sem camadas com inversão de temperatura. O tipo III é semelhante ao do tipo II, todavia a atmosfera é mais fria, sendo que as temperaturas são, aproximadamente, 10 a 15 ºC mais baixas e a atmosfera em níveis médios e baixos é mais seca (o valor de T-Td é, na camada de 700 a 600 hPa, aproximadamente, 10 ºC e acima de 600 hPa, de, aproximadamente, 20 ºC ). O tipo IV não tem uma camada úmida em baixos níveis, porém a umidade aumenta com a altura. Neste tipo o ar à superfície é muito quente e a base das nuvens é muito alta.

Para a região sul do Brasil não se encontrou nenhuma descrição do perfil vertical da atmosfera associada com convecção intensa. Somente em Fedorova e Khan (1999) é apresentado um perfil vertical da atmosfera associado com o desenvolvimento de um Complexo Convectivo de Mesoescala (CCM). Estas autoras enfatizaram o desenvolvimento de convecção desde o topo da camada estável com isotermia. Para análise da instabilidade atmosférica que está associada com chuvas intensas, Correa (1997), em seus estudos sobre camada limite planetária sobre o sul do Brasil, usou o número de Richardson (Ri), o qual é indicador da estabilidade atmosférica, devido à distribuição vertical da temperatura e do vento.

A formação de tempestades severas na região centro-sul dos Estados Unidos foi analisada por Newton (1967). Ele mostrou que este processo desenvolve-se nas proximidades da intersecção entre correntes de jato nos altos e baixos níveis, quando as advecções diferenciais de umidade e calor são máximas. A corrente de jato nos baixos níveis é responsável pelo transporte de ar quente e úmido proveniente do Golfo do México, enquanto que nos altos níveis, o ar seco e frio é levado desde o oeste até o centro-sul dos E.U.A., onde ocorrem as tempestades. Para Uccellini e Johnson (1979), o efeito combinado dos máximos dos ventos da alta e baixa troposfera é o de criar uma região de instabilidade convectiva dentro da qual se desenvolvem as tempestades que produzem chuvas intensas. Scofield (1990), estudando casos de chuvas intensas associadas a ciclones extratropicais, observou que em muitos casos estas chuvas ocorrem quando um forte escoamento em 850 hPa passa por sobre uma região com altos valores de temperatura potencial equivalente ou quando uma perturbação nos altos níveis (corrente de jato) passa sobre regiões com alto teor de umidade.

Visto que na literatura não foram encontradas informações sobre a estabilidade atmosférica e a estrutura do perfil vertical da troposfera associadas com chuvas intensas sobre o Rio Grande do Sul, o objetivo deste trabalho é analisar a estrutura vertical da troposfera relacionada à formação de nuvens Cumulonimbus (Cb) e Nimbostratus (Ns), e de chuvas e trovoadas sobre a cidade de Pelotas. Adicionalmente serão determinados quais dos índices de instabilidade relacionados na metodologia podem ser melhor utilizados para a identificação das precipitações e trovoadas.

 

2. DADOS E METODOLOGIA

2.1. Dados Convencionais e Perfis Verticais

Neste estudo foram utilizadas informações de nuvens Cb e Ns, precipitações e trovoadas ocorridas na cidade de Pelotas - RS, registradas na estação meteorológica do Centro de Pesquisas e Previsões Meteorológicas (CPPMET) da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) para um período de três anos (de agosto de 1997 a julho de 2000). As nuvens e trovoadas foram observadas especialmente para a realização deste trabalho na mesma estação.

As análises numéricas do modelo do National Centers for Environmental Prediction (NCEP) são básicas para a elaboração da previsão de tempo pelos meteorologistas do CPPMET. A partir dessas análises numéricas para 1200 UTC nos níveis padrões de 1000 hPa até 300 hPa, construíram-se perfis verticais de temperatura e umidade (posteriormente mencionados como perfis construídos) para os dias em que foram observadas as nuvens Ns e Cb, para um ponto de grade próximo da cidade de Pelotas. A elaboração do perfil vertical da análise numérica foi feito devido à ausência de radiossondagem em Pelotas e, por outro lado, devido à utilização diária das análises do NCEP para elaboração da previsão de tempo.

Posteriormente foi feita a comparação do perfil vertical construído com os dados de radiossondagem (para 1200 UTC) de Porto Alegre, denominado de perfil real. Esta comparação foi realizada a fim de se avaliar a qualidade dos perfis construídos com os dados de reanálise do NCEP. Para esta análise foram escolhidos os dias em que nuvens Ns e Cb foram observadas tanto em Pelotas, quanto em Porto Alegre (pelos dados do 8º DISME), e foi feita então a análise da estrutura vertical da atmosfera pelos dados de radiossondagem.

2.2. Análise da Estrutura Vertical da Atmosfera

Para todos os perfis verticais (simulado e real) foram calculados os seguintes índices de instabilidade: K, Total Totals (TT), Lifted (LI) e Showalter (S).

O índice K (Vasquez, 1994) foi calculado pela equação: K= T850-T500+Td850-(T-Td)850, onde T850 e T500 são a temperatura do ar nos níveis de 850 e 500 hPa, respectivamente; Td850 e (T-Td)850 são a temperatura do ponto de orvalho e a depressão do ponto de orvalho no nível de 850 hPa, respectivamente. Valores de KI entre 31 e 35 correspondem a pancadas, e KI>35 indica pancadas com trovoadas.

De acordo com Bluestein (1993) e Djuric (1994), o índice K é calculado de uma maneira um pouco diferente, ou seja, pela equação: K= T850-T500+Td850-(T-Td)700, onde (T-Td)700 é a depressão do ponto de orvalho no nível de 700 hPa. O valor de K >24 mostra a possibilidade de pancadas e K>30 corresponde a pancadas com trovoadas.

O índice TT foi calculado pela seguinte equação: TT= Td850+ T850-2xT500 (Bluestein, 1993, Vasquez, 1994 e Djuric, 1994). As interpretações dadas pelos vários autores é um pouco diferente. Para Djuric (1994), os valores de TTD (TTD é o índice TT com a interpretação de Djuric.) >44 indicam aguaceiros com trovoadas; os valores TTD próximos de 55 correspondem a fenômenos do tipo tornados. Para Vasquez os valores de TTV (TTV é o índice de TT com a interpretação por Vasquez) >50 indicam alguns aguaceiros; os valores de TTV >52 correspondem a muitas pancadas com trovoadas e os valores TTV >56 correspondem a tornados.

O LI foi calculado como a diferença da temperatura do ar no nível de 500 hPa (T500) e a temperatura (TL) no mesmo nível. O valor de TL foi obtido pela curva de estado (Fedorova, 1999), a qual foi calculada a partir da superfície (Bluestein, 1993, Vasquez, 1994 e Djuric, 1994). O índice LI é negativo, se TL> T500. Para Vasquez, os valores de LI<-5 indicam tempo severo, sendo que, para Djuric (1994), valores -2<LI<-6 são comuns nas regiões com pancadas.

A primeira versão do LI, que foi derivada do índice S, foi obtida quando TL foi calculada no nível de 850 hPa (Bluestein, 1993, Vasquez, 1994 e Djuric, 1994). O índice S é calculado em função de três parâmetros: a temperatura do ar em 500 hPa, a temperatura do ar em 850 hPa e a temperatura do ponto de orvalho em 850 hPa. A parcela de ar em 850 hPa é levantada até alcançar seu nível de condensação por levantamento e, a seguir, por uma adiabática saturada até alcançar o nível de 500 hPa, onde atinge a temperatura da parcela ascendente (T'500). Assim, o índice S é definido como sendo S = T500 - T'500. Os valores negativos de S indicam possibilidade de convecção (Bluestein); os valores de S<-4 correspondem a tempo severo (Vasquez, 1994). Pela informação de Alcântara (1969) a interpretação de S é a seguinte: quando +1< S < +3, podem ocorrer algumas tempestades na área; se -2< S< +1, existe boa chance de haver trovoada; -6< S< -2, de ocorrência de tempestades severas, e S< -6, de desenvolver tornado.

Utilizando a interpretação dos valores dos índices apresentados acima e os dados sobre precipitação e trovoada observados no CPPMET, foi estudada a destreza destes índices. Este estudo foi feito separadamente para a precipitação e a trovoada. Para a interpretação do índice TT foi usada a explicação de Vasquez (1994) para valores menores do que 51, acrescentada à interpretação de Djuric (ver os itens 3.3.2 e 3.3.3).

Também, para todos os perfis verticais, foi calculada a energia potencial de convecção ou energia de instabilidade (CAPE, convective available potential energy, Bluestein, 1993, Vasquez, 1994 e Djuric, 1994) pelo método descrito em Fedorova e Khan (1999). A CAPE foi calculada para três camadas (de 1000 hPa até 700 hPa, 700hPa até 500hPa e de 500hPa até 300 hPa) e para toda a troposfera.

 

3. RESULTADOS

3.1. Frequência das Nuvens Cb e Ns durante as Estações do Ano

Durante a observação das nuvens feita em 1072 dias durante os três anos (devido a problemas técnicos os dados de alguns dias foram perdidos), nuvens Cb e Ns foram identificadas em 69 dias, ou seja, em 6,43% dos dias com observação (Tabela 1). Identificaram-se nuvens Ns mais freqüentemente em 40 dias (em 3,37% dos dias com observação). Já as nuvens Cb foram mais raras, sendo registradas em apenas 16 dias (1,49% dos dias com observação). Estes dois tipos de nuvens juntamente (posteriormente mencionadas como Ns+Cb) foram observados em 13 dias (1,21% dos dias com a observação).

As nuvens Cb, Ns e Ns+Cb juntamente foram um pouco mais freqüentes no inverno (29 casos ou 6,57 % dos dias com observação) e no verão (17 casos ou 6,71% dos dias com observação). Na primavera e no outono estas nuvens tiveram uma frequência menor (11 casos ou 4,08 %, e 12 casos ou 4,87 %, relativamente). O aumento de formação destas nuvens no inverno está associado com o aumento das atividades frontais sobre o Rio Grande do Sul.

A freqüência das nuvens Ns foi maior no inverno, quando foram registrados 17 casos, ou seja, estas nuvens foram observadas em 5,6 % dos dias com observação nesta estação do ano, ou em 42,5% dos dias, considerando todo o período (Tabela 1). As nuvens Ns+Cb foram identificadas no inverno em 6 casos (em 1,97% dos dias com a observação), sendo que ocorreram, no verão e na primavera, 3 casos (em 1,18% e 1,11%, respectivamente). Em relação às nuvens Cb, a freqüência das mesmas aumentou no verão (5 casos, em 1,97% dos dias com observação) e esta porcentagem foi igual à do inverno (para 6 casos).

3.2. Estrutura do Perfil Vertical de Temperatura e de Umidade e a Energia de Instabilidade nos Dias com Nuvens Ns e Cb

3.2.1. Perfis Verticais para os Casos com Nuvens Ns

Os perfis verticais da análise numérica de temperatura e umidade, construídos para os dias com nuvens Ns, foram divididos em quatro grupos (Figura 1 e Tabela 2a). As quantidades de casos de cada grupo foram 16, 9, 11 e 4 casos, respectivamente.

 


 

 

 

 

 

 

 

Os perfis do primeiro grupo (I) apresentam altos valores de umidade (1ºC<T-Td<7 ºC) em toda a troposfera (Figura 1a). Nestes casos foram observadas nuvens Ns durante o dia. A energia de instabilidade para estes casos não era muito grande e em média foi 244 J/kg. A energia positiva foi registrada em várias camadas: desde baixos até altos níveis (aproximadamente de 800 até 300 hPa, 2 casos), em médios e altos níveis (aproximadamente de 600 até 300 hPa, 5 casos); somente em baixos níveis (aproximadamente de 960 até 810 hPa, 5 casos) e em quatro dias não foi registrada energia positiva. Os maiores valores de CAPE+, 450-570 J/kg, foram registrados quando as camadas com CAPE+ foram observadas em toda a troposfera. Os menores valores da mesma, de 4 até 25 J/kg, foram obtidos para os casos com CAPE somente em baixos níveis.

Os perfis do segundo grupo (II) mostram altos valores de umidade em baixos (até, aproximadamente 900 hPa, T-Td < 3 ºC) e altos (acima de 400 hPa, T-Td < 7ºC) níveis da troposfera (Figura 1b). Em um dos casos, a camada nos baixos níveis foi mais seca, com T-Td entre 1000 e 900 hPa variando de 5 até 9 ºC. Os outros níveis da troposfera em todos os casos foram mais secos e a depressão do ponto de orvalho atingiu valores de 10 ºC até 15 ºC nos níveis de 700 hPa e/ou de 500 hPa. Os perfis deste grupo caracterizam-se por valores de CAPE+ menores do que os perfis do primeiro grupo (o valor médio de CAPE+ era 42 J/kg). Somente um perfil apresentou CAPE+ com valor 170 J/kg, em baixos e médios níveis (de 950 hPa até 560 hPa). O outro perfil tinha esta energia nos níveis de 930 hPa até 720 hPa e o valor era muito pequeno, 38 J/kg; um perfil tinha CAPE+ somente em baixos níveis. Os perfis deste grupo caracterizam-se por uma camada mais instável em baixos níveis (o gradiente vertical de temperatura foi igual ou um pouco maior do que o gradiente vertical de temperatura para os processos adiabáticos secos) do que nos outros grupos.

Os perfis do terceiro grupo (III), comparados com o segundo, foram mais secos (10 ºC<T-Td< 15 ºC) em médios e altos níveis da troposfera. Em 5 casos, os pequenos valores de CAPE+, os quais não ultrapassaram 26 J/kg, foram registrados entre, aproximadamente, 950 e 800 hPa. Em 4 casos, não foi identificada CAPE+. Em dois casos os valores de CAPE+ foram observados em toda troposfera acima de 820 hPa; em um deles os valores de CAPE+ foram grandes e atingiram o valor de 1073 J/kg (Figura 1c). Em todos os casos deste grupo as nuvens Ns foram observadas ou na parte da manhã ou da noite.

No quarto grupo (IV) foram incluídos quatro perfis, porque em médios e/ou altos níveis o ar estava muito seco (20ºC<T-Td<35ºC). Todavia, em baixos níveis até aproximadamente, 850 hPa, o ar encontrava-se úmido, com T-Td< 3 ºC. A CAPE+ entre 950 e 850 hPa apresentou valores pequenos, até 11 J/kg (2 casos). Nos outros dois casos, o valor de CAPE+ não foi determinado. As chuvas foram registradas na parte da manhã, ou à noite, ou em curtos períodos durante o dia.

3.2.2 Perfis Verticais para os Casos com Nuvens Cb

Para os dias em que foram observadas nuvens Cb, foi registrada uma grande variedade de distribuições verticais de umidade do ar. Foi possível agrupar no máximo seis dias com perfis semelhantes. Todavia, foram achados quatro tipos de perfis parecidos com os grupos descritos para as nuvens Ns e um perfil diferente (grupo V).

Foram encontrados dois casos parecidos com os do grupo I para as nuvens Ns, ou seja, com umidade alta em toda a troposfera (Figura 2a). Nestes dois casos, durante o dia foram observadas nuvens altas (Cc, Cs) e médias (Ac) e no fim da tarde e no começo da noite, foram desenvolvidos Cb. A CAPE+ ocorreu em níveis médios e altos (acima de 680 e 750 hPa) com valor máximo (652 J/kg) maior do que para o grupo I de Ns.

 


 

Em dois casos os perfis para os dias com Cb foram parecidos (pela distribuição de umidade) com os do grupo II de Ns (Figura 2b), mas a CAPE+ ocorreu quase em toda a troposfera (um caso de 960 hPa e outro de 760 hPa) e o valor máximo da CAPE+ foi maior do que para as nuvens Ns e atingiu o valor de 726 J/kg.

Em quatro casos de Cb, os perfis com uma camada úmida somente foram semelhantes aos do grupo III de Ns em baixos níveis. A diferença em relação ao último é o valor e a altura da distribuição vertical de CAPE+, a qual foi registrada em três casos em toda a troposfera e em um caso somente em baixos níveis. Os valores de CAPE+ foram um pouco maiores do que para os casos com Ns. Nos três casos incluídos neste grupo, as nuvens Cb foram desenvolvidas à noite. No dia 20 de janeiro de 1999 (Figura 2c), o valor da CAPE+ atingiu o valor de 1196 J/kg; neste dia à tarde foram registradas fortes pancadas de chuva e granizo.

Os perfis semelhantes ao do grupo IV de Ns, também estavam associados com Cb (6 casos). Uma diferença entre o perfil do grupo IV para Cb e Ns é a umidade em baixos níveis. No caso de Cb nesta camada o ar estava um pouco mais seco: em geral, T-Td era menor do que 5 ºC (comparado com T-Td< 3 ºC para Ns) e em dois dias o ar úmido existia somente próximo à superfície. Em dois casos, não foi registrada CAPE+; em um deles, foi pequena e não ultrapassou o valor de 30 J/kg. Em três casos, a CAPE+ foi grande, maior do que 500 J/kg e ocorreu em quase toda a troposfera. Em um destes casos, no dia 11 de janeiro de 1998 (Figura 2d), a CAPE+ com valor de 652 J/kg apresentou valor acima de 890 hPa. Neste dia de manhã foram observados Cumulus humilis (Cu hum), os quais desenvolveram-se até Cumulus mediocris (Cu med) às 16 horas (hora local) e às 18 horas até Cb com pancadas de chuvas. O valor máximo de CAPE+ para este grupo de Cb atingiu 887 J/kg e foi registrado acima de 920 hPa.

O grupo V e último (3 casos) para Cb apresentou semelhança com o terceiro grupo, ou seja, com ar bastante seco (7 ºC<T-Td< 15 ºC) em médios e altos níveis da troposfera. A diferença principal com o grupo III é que, nestes casos, em baixos níveis o ar não estava úmido com 5 ºC<T-Td< 10 ºC (Figura 2e). Além disso, o desenvolvimento de instabilidade do ar nestes casos foi observado, tanto à superfície, quanto em níveis mais altos, desde 850 hPa e 910 hPa. Nestas situações foi observada CAPE+, aproximadamente, desde 700 hPa até acima de 300 hPa, cujo valor atingiu 1082 J/kg. Resultados parecidos foram obtidos no trabalho de Fedorova e Khan (1999) para um caso de CCM, onde o valor máximo de energia de instabilidade positiva foi 1040 J/kg e esta energia foi observada desde o nível de 700 hPa.

3.2.3. Perfis Verticais para os Casos com Nuvens Ns juntamente com Cb

Para os dias em que nuvens Ns foram observadas juntamente com Cb, foram identificados quase os mesmos grupos de perfil vertical de temperatura e umidade como para Cb, e os primeiros quatro grupos para Ns. A única diferença é que para Ns+Cb não foram encontrados casos semelhantes ao grupo IV das nuvens Cb e Ns. Para fazer-se a comparação entre os grupos de perfis de Ns, Cb e Ns+Cb,, o grupo IV não foi usado para Ns+Cb.

Para o grupo I de Ns+Cb (2 casos), o valor máximo de CAPE+ foi maior do que para o mesmo grupo de cada uma destas nuvens separadamente. Este valor atingiu 1768 J/kg no dia 16 de agosto de 1997 e foi registrado acima do nível de 860 hPa (Figura 3a).

 


 

Foram encontrados quatro casos com perfil semelhante ao grupo II, o qual foi descrito anteriormente para Ns e Cb. Para este grupo de nuvens Ns+Cb, a base da área com CAPE+ estava mais alta (entre 610 e 780 hPa) do que para estas nuvens separadamente (Figura 3b). Os valores de CAPE+ variaram um pouco entre 371 e 564 J/kg; sendo maiores do que para Ns e menores do que para Cb.

Em quatro casos os perfis foram parecidos com o do grupo III, o qual foi descrito anteriormente para Ns e Cb. A base da área com CAPE+ encontrava-se, como para o grupo II, mais alta (em média a 741 hPa) do que para estas nuvens separadamente (Figura 3c). Os valores de CAPE+ em média foram maiores do que para Cb separadamente, e um pouco maiores do que para o mesmo grupo de Ns. Mas os valores máximos de CAPE+ no terceiro grupo para Ns, Cb e para estas nuvens juntamente foram quase iguais, aproximadamente 1070 J/kg.

No grupo V (3 casos), o desenvolvimento de instabilidade foi observado a partir do topo da camada superficial seca e, em dois casos, do topo da camada superficial com isotermia (Figura 3d). O valor da CAPE+ e a altura da base da área com CAPE+ foram, aproximadamente, iguais aos dos casos com Cb.

3.2.4. Energia de Instabilidade em Três Camadas em Dias com Nuvens Ns e Cb

Para as nuvens Ns, os valores médios de CAPE+ calculados entre os níveis de 1000 hPa até 700 hPa, de 700 hPa até 500hPa e de 500 hPa até 300 hPa foram de 12 J/kg, 27 J/kg e 75 J/kg, respectivamente. Para as nuvens Cb os valores de CAPE+ para os mesmos níveis foram maiores: 41 J/kg, 161 J/kg e 321 J/kg, respectivamente. Os valores de CAPE+ nas nuvens Ns+Cb atingiram os valores máximos 211 J/kg e 487 J/kg nas camadas entre 700 hPa e 500hPa, e de 500 hPa até 300 hPa, respectivamente, comparando-se com os valores obtidos para situações com estas nuvens separadamente. O valor de CAPE+ em baixos níveis (41 J/kg) foi maior para Cb do que para Ns e Ns+Cb.

3.2.5. Freqüência dos Grupos de Nuvens Ns e Cb

Em geral para as nuvens analisadas foi obtido que o perfil do grupo I predominou no inverno (16 casos, 5,26%) e do grupo 4 no verão (7 casos, 2,76%). Vale destacar que as porcentagens citadas são em relação aos dias com dados observacionais para a respectiva estação do ano.

Para as nuvens Ns é necessário salientar a predominância no inverno do perfil do grupo I (12 casos, 3,94%). Para as nuvens Cb foi mais freqüente no verão o perfil do grupo IV. Os outros perfis foram observados regularmente durante o ano.

3.3. Analise dos Índices de Instabilidade nos Dias com Nuvens Cb e Ns e os Fenômenos Associados

3.3.1. Precipitações e Trovoadas Associadas com as Nuvens Ns e Cb em Pelotas

Os valores médios das precipitações associadas com as nuvens Ns e Ns+Cb foram quase iguais, 21 e 22 mm/24 h, respectivamente (Tabela 2). Para os Cb's este valor foi menor, 16 mm/24 h. Todavia, o valor máximo (107 mm/24 h) das precipitações foi associado com as nuvens Cb.

Para as nuvens Ns os maiores valores médios das precipitações foram encontrados para os grupos I e II (25 e 24 mm/24 h, respectivamente) e os menores (8 mm/24 h) para o grupo IV. Para as nuvens Ns+Cb os perfis do primeiro grupo foram associados com valores maiores de precipitações, os quais, na média, foram 38 mm/24 h. As variações dos valores médios das precipitações entre os grupos de nuvens Cb foram menores (de 15 até 19 mm/24 h) do que para Ns e Ns+Cb.

Em todos os dias com nuvens Ns, não foram registradas trovoadas (Tabela 2). Também, dias sem trovoada ocorreram freqüentemente, com Cb dos grupos III e IV. Todavia, as nuvens Cb dos grupos I e V e as nuvens Ns+Cb dos grupos III e V, sempre foram associadas com trovoadas.

3.3.2 Índices de Instabilidade nos Dias com Nuvens Cb e Ns e Precipitações Associadas

O índice S apresentou bons resultados nos dias com Cb e Ns+Cb, com acerto de interpretação em 81,2% e 84,6% dos dias com estes tipos de nuvens. A mesma porcentagem para as nuvens Ns foi não alta, somente 55,6%. É preciso ressaltar que nos grupos I, II e V para Cb e I e III para Ns+Cb foram acertados todos os casos, embora a quantidade de dias tenha sido pequena (de 2 a 4 casos).

O índice LI nos dias com Ns e Cb não indicou a ocorrência de pancadas ou tempo severo em quase todos os casos (em 94,7% e em 68,8%, respectivamente). Esta porcentagem foi melhor para as nuvens Ns+Cb e o acerto foi 61,5%. Todavia, para todos os casos dos grupos II das nuvens Cb e Ns+Cb, este índice apresentou pancadas, as quais foram observadas na realidade.

O índice K para Cb e Ns+Cb identificou melhor as pancadas do que o índice LI, mas apresentou resultados piores do que o índice S. A porcentagem do acerto pelo índice K para estas nuvens foi 75,0 e 76,9%, respectivamente. Pelo mesmo índice, é impossível identificar as precipitações associadas com as nuvens Ns, porque foram acertadas somente em 47,2%. Todos os casos de acerto ocorreram em os mesmos grupos, os quais foram citados para o índice S (no primeiro parágrafo do 3.3).

O índice K apresentou uma porcentagem de acerto muito baixa (38,9%) para as nuvens Ns; sendo que para as nuvens Cb e Ns+Cb este acerto foi melhor (62,5 e 69,2%, respectivamente), mas também baixo. Para os grupos I e V (para Cb) e I e III (para Ns+Cb) o índice de acerto foi total.

O índice TT apresentou uma porcentagem de acerto muito baixa (5,6%, 37,5% e 53,8% para as nuvens Ns, Cb e Ns+Cb, respectivamente), quando foram usados os critérios somente de Vasquez (1994). Acrescentando os critérios de Djuric (1994), esta porcentagem aumentou até 36,1%, 37,5 e 69,2% para as mesmas nuvens, respectivamente.

3.3.3 Índices de Instabilidade nos Dias com Nuvens Ns e Cb e Trovoadas Associadas

Os dados da Tabela 4 mostram a porcentagem de indicação de trovoadas por vários índices de instabilidade. A melhor indicação de trovoada nas nuvens Cb foi feita pelo índice K (em 81,2%), e em segundo lugar pelos índices S e KI (em 75%). Nas nuvens Ns+Cb a melhor porcentagem (69,2%) foi obtida utilizando os três índices, ou seja, S e TT (com a interpretação de Djuric, 1994), e a segunda melhor porcentagem foi conseguida com o índice K (61,5%). Nas nuvens Ns não foram observados relâmpagos (como foi descrito no 3.3.1) e os índices KI, LI e TT (com a interpretação por Vasquez, 1994) não mostraram o desenvolvimento de Ns em todos os casos.

A interpretação da trovoada nas nuvens Cb estava absolutamente certa nos casos em que o perfil vertical tinha os tipos I, II e V, e a interpretação foi feita pelos índices S, K (excluindo o tipo II) e TT (exclusivamente com a interpretação de Djuric). As trovoadas associadas com o perfil do tipo III das nuvens Cb, foram indicadas de forma absolutamente certa, utilizando os índices LI, KI e TT (exclusivamente com a interpretação de Vasquez).

A identificação de trovoada nas nuvens Ns+Cb foi feita absolutamente certa, quando os perfis tinham o tipo I (utilizando os índices S, K e TT, tanto por Dusan, quanto por Vasquez) e III (utilizando os índices de K, KI, LI e TT, exclusivamente com a interpretação de Djuric).

3.4. Estrutura da troposfera pelos dados de radiossondagem nos dias com nuvens Ns e Cb em Porto Alegre

As nuvens Ns foram registradas em Porto Alegre no horário da radiossondagem de dois dias (6/01/1998 e 19/09/1998). Também, às 0000 UTC do dia 6/01/1998, ou seja, antes do horário da radiossondagem foi registrada a existência de Cb na região. Neste dia, o perfil foi parecido com o do terceiro grupo (item 3.2.1); havia valores altos (1607 J/kg) de CAPE+, a qual foi observada em toda a troposfera acima de 800 hPa (Tabela 3). É importante acentuar que nos baixos níveis, até 910 hPa, a troposfera estava muito estável com camadas de inversão de temperatura e de isotermia. Além disso, o ar úmido (1<T-Td<2 ºC) encontrava-se somente na camada superficial até 980 hPa; acima desta camada até 855 hPa a depressão T-Td estava entre 3 e 5 ºC. Esta estrutura de perfil nos baixos níveis era parecida com o grupo V das nuvens Cb e Ns+Cb (itens 3.2.2 e 3.2.3). O segundo perfil das nuvens Ns na hora da radiossondagem foi semelhante ao do segundo grupo (item 3.2.1), com um valor pequeno de CAPE+ (7,5 J/kg) em baixos níveis. Os perfis verticais dos outros casos, quando as nuvens Ns foram observadas às 1800 UTC foram parecidos com o do grupo IV (item 3.2.1).

As nuvens Cb foram registradas na hora da radiossondagem somente em um caso, no dia 17/07/1998. O perfil para este dia foi semelhante em baixos níveis e em altos níveis com o do grupo V; em médios níveis a troposfera estava muito úmida, com T-Td igual a 1 ºC. Todavia, os valores de CAPE+ eram pequenos e eles foram registrados somente em baixos níveis (Tabela 3). Em cinco casos as nuvens Cb foram observadas às 0000 UTC e/ou às 1800 UTC. Os perfis para estes casos foram semelhantes ao do grupo IV. Os valores de CAPE+ foram registrados, aproximadamente, acima de 800 hPa com valores de 560 até 1190 J/kg. Em um dia com nuvens Cb às 1800 UTC, toda a atmosfera estava muito seca (10<T-Td<30 ºC) e instável (a curva de temperatura quase em toda a troposfera era paralela à adiabática seca); não foi encontrada CAPE+. Este caso foi semelhante ao descrito em Fedorova et al. (2000) para um caso com desenvolvimento de nuvens Cb com trovoada, mas sem precipitações.

 

4. CONCLUSÃO

A média da energia de instabilidade positiva observada atingiu os maiores valores (619 J/Kg) para os dias com nuvens Ns+Cb. Nos dias em que havia somente Cb este valor foi menor (551 J/Kg). A menor instabilidade (90 J/Kg) foi registrada nos dias com Ns.

Nas nuvens Ns, a energia de instabilidade positiva foi observada em toda a troposfera em 15% dos casos e somente em baixos níveis em 35% dos casos. Para as nuvens Cb as porcentagens foram de 69% e 12% para estes mesmos níveis. Nas nuvens Ns+Cb, a energia esteve presente em toda a troposfera em 54%, e não foi registrado nenhum caso com CAPE+, somente em baixos níveis.

Os menores valores médios para a energia de instabilidade positiva em todas as camadas foi registrada para as nuvens Ns (11 J/kg, 27 J/kg e 75 J/kg nas camadas de 1000 até 700 hPa, de 700 hPa até 500hPa e de 500 hPa até 300 hPa, respectivamente). Já para as nuvens Cb os valores encontrados foram maiores, principalmente em médios e altos níveis (41 J/kg, 161 J/kg e 321 J/kg). Para as nuvens Ns+Cb, os valores foram ainda maiores, para estes mesmos níveis (21 J/kg, 211 J/kg e 487 J/kg, respectivamente). Observou-se que na camada de 500 hPa até 300 hPa, obteve-se uma maior quantidade de energia de instabilidade positiva.

Nos casos com desenvolvimento de Ns, a energia de instabilidade positiva máxima foi de 1073 J/kg; para os casos de Cb esta energia aumentou até 1196 J/kg; para as situações destes dois tipos de nuvens juntamente ela atingiu o valor de 1768 J/kg.

Os perfis verticais sempre estiveram associados com trovoadas, quando o desenvolvimento de instabilidade foi observado acima da camada seca e estabilidade em baixos níveis (grupos V para as nuvens Cb e nuvens Ns+Cb). Além disso, as trovoadas acompanharam as nuvens Cb no ar úmido em toda a troposfera (grupo I para as nuvens Cb) e no ar muito úmido somente em baixos níveis (grupo III para as nuvens Ns+Cb).

Nos dias com Cb e Ns, os perfis verticais simulados para a cidade de Pelotas foram parecidos com os perfis construídos com os dados de radiossondagem para Porto Alegre, para os dias com os mesmos tipos de nuvens.

A maior porcentagem de acerto na interpretação dos valores dos índices de instabilidade (K, KI, TT, LI e S) foi para o índice S nos casos das nuvens Cb e Ns+Cb. Para as nuvens Ns nenhum índice mostrou valores bastante altos para se recomendar que ele seja utilizado na prática. Todavia, a maioria dos índices acertou todos os casos dos grupos I, II e V para Cb e I e III para Ns+Cb (embora a quantidade de dias tenha sido pequena).

Para a previsão de trovoada nas nuvens Cb e Ns+Cb, é melhor utilizar os índices K e S e, nas nuvens Cb, também o índice KI e nas nuvens Ns+Cb o índice TTD.

 

5. AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pelo financiamento deste trabalho no Centro de Pesquisas Meteorológicas da Universidade Federal de Pelotas.

 

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Enviado Setembro 2001
Aceito Abril 2010

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