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Transinformação

Print version ISSN 0103-3786On-line version ISSN 2318-0889

Transinformação vol.32  Campinas  2020  Epub Jan 20, 2020

https://doi.org/10.1590/1678-9865202032e180051 

ORIGINAL

Um método para publicação semântica Linked Data de bases de dados convencionais e um estudo de caso real de artigos acadêmicos

A method for Linked Data semantic publishing of conventional databases and a real case study of academic papers

Adriano de Oliveira GONÇALVES1 
http://orcid.org/0000-0002-5215-8251

Mark Douglas de Azevedo JACYNTHO2 
http://orcid.org/0000-0003-3910-1442

1Universidade Federal do Rio de Janeiro, Superintendência de Tecnologia da Informação e Comunicação, Diretoria de Macaé. Macaé, RJ, Brasil

2Instituto Federal Fluminense, Programa de Pós-Graduação em Sistemas Aplicados à Engenharia e Gestão, Mestrado Profissional em Sistemas Aplicadosà Engenharia e Gestão. R. Dr. Siqueira, n. 273, Parque Dom Bosco, 28030-130, Campos dos Goytacazes, RJ, Brasil.


Resumo

Este trabalho propõe, por meio de uma metodologia de pesquisa quali-quantitativa, aplicada e experimental, um método para mapeamento e publicação sistemática de uma base relacional existente, segundo os princípios Linked Data, a partir de um estudo de caso de artigos acadêmicos da conferência interna Semana de Integração Acadêmica de uma universidade públicafederal brasileira. O método proposto é resultado de mapeamento do domínio de conhecimento estudado em ontologias Linked Data de referência (Schema.org, Friend of a Friend, Bibliographic Ontology, Semantic Web Conference Ontology, entre outras). O referido método foi aplicado ao banco de dados relacional da conferência, a fim de disponibilizá-lo em formato inteligível por máquinas na Web, estabelecendo-se ainda links semânticos com a famosa fonte de dados DBpedia, por meio de um processo de mashup automatizado. Os resultados obtidos com o método foram bastante satisfatórios, atingindo-se plenamente o objetivo de se publicar uma visão Linked Data sobre os dados relacionais, sem alterá-los. Espera-se, com este trabalho, fomentar a disponibilização de dados semânticos na Web, em consonância com os princípios Linked Data. Assim, contribui-se para a ampla divulgação de conhecimento, impulsionada pela capacidade que a Web Semântica provê às máquinas de interligar, compreender e descobrir informações.

Palavras-chave Bases de dados; Ontologia; Resource Description Framework; Web semântica

Abstract

Using a quali-quantitative, applied, and experimental research methodology, this paper proposes a method for systematic mapping and publication of an existing relational database according to the Linked Data principles and based on a case study of academic papers of the internal conference Semana de Integração Acadêmica (Academic Integration Week), carried out in a Brazilian federal publicuniversity. The proposed method results from mapping the knowledge domain studied in reputed Linked Data ontologies (Schema.org, Friend of a Friend, Bibliographic Ontology, Semantic Web Conference Ontology, etc.) and it was applied to the conference’s relational database in order to make it available in machine readable format on the Web, establishing, in addition, semantic links with the famousDBpedia dataset through an automated mashup process. The results obtained with the method were quite satisfactory. The goal of publishing a Linked Data view over the relational data was fully achieved without changing it. With this work, we hope to foster making semantic data available on the web in accordance with Linked Data principles, thus contributing to a wide dissemination of knowledge,boosted by the ability the Semantic Web provides to machines for interconnecting, understanding, and discovering information.

Keywords Databases; Ontology; Resource Description Framework; Semantic Web

Introdução

Instituições acadêmicas (e.g., universidades) são, por definição, valiosos repositórios de conhecimento. Diversas pesquisas, publicações e eventos são, recorrentemente, gerenciados por sistemas de informação heterogêneos e isolados, que não compartilham conhecimento entre si devido à ausência de um formato de dados padrão, inteligível por máquina, para publicação e intercâmbio de informações. Na sociedade moderna, a Web se apresenta, sem dúvida, como o ambiente mais abrangente para a publicação desse conhecimento científico. Não obstante, a busca por publicações científicas geralmente se dá pelo próprio ser humano, o qual tem que pesquisar em vários sítios Web, analisando documentos Hypertext Markup Language (HTML) ou Portable Document Format (PDF), perfazendo suas próprias buscas, associações, interpretações e integrações entre conceitos e documentos, em um processo manual limitado, demorado e sujeito a erros.

Para auxiliar o ser humano na busca, integração e processamento de informação, surge a Web Semântica, inicialmente proposta por Tim Berners-Lee, em Berners-Lee et al. (2001), e difundida pelo consórcio W3C (W3C, 2018). A Web Semântica é uma extensão da Web original e consiste em um conjunto de tecnologias e padrões que viabiliza o compartilhamento e o reuso de conhecimento, em escala global. Isso é feito por meio de formatos de dados inteligíveis por máquinas, de forma que estas possam executar automaticamente, em larga escala, as tarefas que têm sido executadas de modo manual até então (Azevedo; Jacyntho, 2014). A utilização desses padrões tem se tornado uma tendência mundial, com considerável adesão nos meios científicos.

Como subconjunto mais pragmático da Web Semântica, proposto em Berners-Lee (2006), destaca-se a noção de Linked Data (Dados Ligados, em português). A ideia consiste, basicamente, na utilização da Web para publicar e interligar dados de forma direta através de links semânticos para que pessoas e máquinas possam explorá-los, tornando mais fácil a descoberta de dados relacionados. Esse conceito dá origem à chamada Web de Dados Ligados, um gigantesco grafo de dados global (Abele et al., 2017), compreensível por agentes de software, possibilitando buscas por informação mais precisas e consistentes (Heath; Bizer, 2011).

Um dos aspectos mais importantes da publicação de dados na Web diz respeito à forma como eles são representados (Azevedo; Jacyntho, 2014). Não basta diversas fontes de dados publicarem seus dados em um formato comum. Para que as máquinas consigam, efetivamente, intercambiar dados e compreendê-los sem ambiguidade, elas precisam compartilhar um vocabulário semântico comum para a área de conhecimento em questão. A Web Semântica provê mecanismos para criar, publicar e reutilizar esses vocabulários. De acordo com Jacyntho (2012), vocabulário é um conjunto de termos que denotam elementos de modelos formais de representação do conhecimento chamados de ontologias. Sendo assim, é imperativa a escolha de ontologias adequadas para descrever o domínio de conhecimento pretendido, buscando sempre reusar aquelas globalmente consagradas. À medida que fontes de dados publiquem suas informações reusando as mesmas ontologias ou vocabulários, estabelece-se um entendimento comum, viabilizando a interpretação desses dados por máquinas de fato, independentemente da origem e local da fonte de dados.

Este trabalho procura responder à seguinte questão de pesquisa: como publicar bases de dados relacionais de acordo com os princípios Linked Data, sem, no entanto, alterar os dados originais? Desse modo, esta pesquisa tem o objetivo de propor um método para mapear e publicar, de forma sistemática, dados relacionais como um grafo Resource Description Framework (RDF), apenas de leitura, em consonância com os princípios Linked Data. Para tal, foi empregada uma metodologia de pesquisa quali-quantitativa, aplicada e experimental, culminando na aplicação do método proposto a um estudo de caso real da conferência acadêmica interna Semana de Integração Acadêmica de uma universidade pública federal brasileira. O estudo de caso consiste no mapeamento do banco de dados relacional convencional de gerenciamento do evento para o modelo de dados padrão da Web Semântica, o modelo RDF, contemplando: emprego de um conjunto de ontologias consagradas; estabelecimento automático de dados ligados com uma fonte de dados semânticos bem conhecida/reusada; seleção de softwares necessários para a publicação desses dados na Web de Dados Ligados.

Além do método proposto, que configura o objetivo deste trabalho, esta obra traz ainda, como contribuições, sugestões de ferramentas para cada um dos seus passos e um estudo de caso real como exemplo da aplicação do método. Adicionalmente, concebe um modelo ontológico para o domínio de conhecimento do estudo de caso.

O modelo ontológico apresentado pode ser sistematicamente empregado para a publicação e interligação de produções acadêmicas na Web de Dados. Espera-se que a universidade promotora do evento em estudo possa disponibilizar, na Web, os dados referentes a produções científicas de seus eventos internos, em formato inteligível por máquina, ligados a recursos de outras fontes de dados presentes na Web. Espera-se também que este modelo se torne uma referência para instituições acadêmicas que pretendam publicar suas produções, contribuindo, assim, para o crescimento do conhecimento científico, fomentado pela capacidade que a Web Semântica oferece às máquinas de interligar, compreender e descobrir informações.

Fundamentos

Web Semântica

O termo Web Semântica designa uma extensão da Web atual, de forma a prover tecnologias e padrões que permitam a adição de significado formal explícito à informação publicada, o qual possa ser entendido por máquinas, viabilizando, assim, a execução automática de tarefas até então executadas manualmente em larga escala (Yu, 2011). De acordo com Berners-Lee et al. (2001), a Web Semântica não é uma Web separada, e sim uma extensão da atual, na qual a informação recebe um significado bem definido, de forma a permitir que computadores e pessoas trabalhem cooperativamente.

Conforme Jacyntho e Azevedo (2015, p. 3.):

A Web Semântica baseia-se na simples ideia de reusar a arquitetura da Web original para compartilhar e interligar metadados (ou dados diretamente, no caso de Linked Data), assim como os recursos (entidades) descritos por eles, de forma homogênea e padrão, abstraindo das idiossincrasias tecnológicas internas de cada fonte (servidor) de dados.

Na Web Semântica, também conhecida como Web de Dados, entidades do mundo real (pessoas, locais, objetos, publicações, conceitos abstratos, etc.) são representadas por meio de recursos, os quais são identificados por um endereço Web único, um Uniform Resource Identifier (URI). Ao acessar (dereferenciar) esse endereço, retorna-se um documento contendo uma descrição do recurso solicitado, utilizando uma linguagem estruturada inteligível por máquina. Nesse documento, o recurso é descrito utilizando-se links Web que o conectam, relacionando-o semanticamente, com representações de outros recursos, geograficamente distribuídos, identificados por outros URIs, usando, pois, a Web como um grafo de dados global que cresce a cada dia (Heath; Bizer, 2011; Azevedo; Jacyntho, 2014).

Segundo Antoniou et al. (2012), toda linguagem para intercâmbio de dados entre máquinas é definida por três pilares, a saber: modelo de dados, semântica e sintaxe. A seguir, são apresentados esses três componentes da Web Semântica.

Resource Description Framework (RDF): modelo de dados

Resource Description Framework (RDF) é o modelo de dados padrão da Web Semântica. Trata-se de um modelo em grafo que permite a descrição de recursos por meio de triplas [recurso – propriedade – valor] (Jacyntho, 2012). Dessa forma, o modelo RDF adiciona semântica explícita à estrutura de links da Web ao nomear o link com o URI da correspondente propriedade de uma ontologia, assim como seu nó de origem (URI do recurso) e seu nó de destino (URI de outro recurso ou valor literal). A utilização desse simples modelo permite que dados (semi)estruturados sejam combinados, publicados e compartilhados entre diferentes aplicações (RDF Working Group, 2014). Utilizando os autores desse artigo, poder-se-ia afirmar que “Adriano conhece Mark” criando, por exemplo, a seguinte tripla RDF:

Nesse exemplo de tripla, o nó de origem é o URI que identifica o aluno “Adriano de Oliveira Gonçalves”, a aresta é o URI da propriedade “conhece” da ontologia para descrição de pessoas Friend of a Friend (FOAF) (Brickley; Miller, 2014), e o nó de destino é o URI que identifica o professor “Mark Douglas Jacyntho”. Um conjunto de triplas forma um grafo RDF.

Segundo Jacyntho e Schwabe (2016):

Em essência, um modelo de dados é apenas uma maneira de visualizar os dados. O modelo relacional estabelecido visualiza os dados por meio de relações e tuplas. O modelo em grafo RDF, baseado em triplas, é uma representação natural para vários tipos de aplicações (por exemplo, Facebook, Twitter, sistemas de recomendação, etc.), nas quais as entidades estão fortemente conectadas umas com as outras. Em contraste com o modelo relacional, essas aplicações consideram propriedades multivaloradas tão desejáveis na modelagem de dados reais, que trabalham com propriedades multivaloradas por padrão. Consultas de propriedades com valores múltiplos ou valor único são feitas exatamente do mesmo modo, sem preocupações com a necessidade de se associar a uma terceira tabela para modelar um relacionamento n-para-n. Além disso, o modelo RDF é mais conveniente se a aplicação tiver alta heterogeneidade em seu esquema ou necessidade frequente de adaptação de esquema. Os bancos de dados RDF simplificam o desenvolvimento de aplicações de dados ligados e também se alinham muito bem com numerosos algoritmos e técnicas estatísticas desenvolvidas para grafos

(Jacyntho; Schwabe, 2016, p.1 tradução nossa)3.

É importante destacar que não há necessidade de os diferentes recursos envolvidos em ligações semânticas estarem publicados no mesmo servidor. Este é o cerne da Web de Dados: fontes de dados distintas com recursos interligados (mashup semântico), promovendo o reuso das informações e permitindo à máquina navegar de um recurso para outro, e de uma fonte para outra, extraindo mais informações, independentemente da localização dos dados (Azevedo; Jacyntho, 2014).

O modelo RDF oferece uma linguagem de consulta padrão chamada de SPARQL Protocol and RDF Query Language (SPARQL Working Group, 2013). Ela desempenha um papel análogo ao da linguagem de consulta Structured Query Language (SQL) nos bancos de dados relacionais.

Ontologias: semântica

Um dos componentes fundamentais da Web Semântica são modelos formais de representação de conhecimento, denominados ontologias (Berners-Lee et al., 2001), as quais, no campo da Ciência da Computação, possuem a capacidade de promover o compartilhamento e a reutilização do conhecimento (Camilo; Silva, 2009). De acordo com Gruber (1995), uma ontologia é a especificação de uma conceitualização. Conforme W3C OWL Working Group (2012), ontologias são vocabulários formalizados de termos, geralmente abrangendo um domínio de conhecimento específico e compartilhados por uma comunidade de usuários.

A utilização de ontologias traz uma série de vantagens, como, por exemplo, o fato de, diferentemente de como acontece com a representação textual dos documentos na Web, estas serem definidas em linguagem formal, não deixando espaço para as limitações semânticas e ambiguidades de entendimento da linguagem natural. Além disso, ontologias podem ser mapeadas entre diferentes linguagens computacionais e especializadas para domínios de conhecimento mais específicos (Souza, 2016).

Na Web Semântica, as ontologias são criadas por meio das linguagens (metaontologias) Web Ontology Language (OWL) (Horrocks et al., 2012) e RDF Schema (RDFS) (Brickley et al., 2014), linguagens declarativas baseadas em lógica descritiva. Como ontologias OWL e RDFS são documentos RDF, as classes e propriedades que compõem seu vocabulário também são identificadas por endereços Web (URIs), consistindo, dessa forma, em recursos. Esses recursos podem igualmente ser dereferenciados pelas aplicações para que, através das suas descrições RDF, a máquina compreenda os tipos dos recursos (classes), assim como os relacionamentos entre eles, inclusive sendo capaz de inferir novas triplas com base nas regras (axiomas) descritas na ontologia (Azevedo; Jacyntho, 2014).

Para que haja melhor comunicação entre aplicações, é fortemente recomendado o reuso de ontologias existentes para a descrição dos dados. Essa prática maximiza a probabilidade de os dados serem consumidos entre aplicações sem que seja necessário aplicar alguma modificação ou pré-processamento (Heath; Bizer, 2011).

Sintaxes para publicação de arquivos RDF

Para que os dados do grafo abstrato RDF sejam efetivamente publicados na Web, foram criadas diversas sintaxes-padrão para arquivos RDF, entre as quais: RDF/XML (Gandon; Schreiber, 2014), Turtle (Beckett et al., 2014) e JSON-LD (Sporny et al., 2014).

Linked Data

Um paradigma muito importante pertencente à Web Semântica é o conceito de Linked Data (Dados Ligados, em português). Trata-se de um conjunto de princípios para publicar e interligar dados estruturados na Web, provendo um caminho mais genérico e flexível para que os consumidores de dados possam descobrir e integrar dados de diferentes fontes de dados (Heath; Bizer, 2011). A aplicação desse paradigma viabiliza a chamada “Web de Dados Ligados” (Web of Linked Data, em inglês): uma Web de dados estruturados, totalmente compreensível por máquinas, tornando a busca por informações mais precisa e consistente (Jacyntho; Azevedo, 2015). A topologia da Web de Dados consiste em um enorme grafo global, interligando diversas fontes de dados abertos. O coração da Web de Dados é a fonte de dados DBpedia (Bizer et al., 2009; DBpedia, 2017), que é uma versão Linked Data da Wikipédia.

Em Berners-Lee (2009), são apresentados os quatro princípios Linked Data que devem nortear a publicação de dados semânticos na Web de Dados, a saber: (1) Use URI para nomear recursos; (2) Use URI Hypertext Transfer Protocol (HTTP), de forma que se possa acessar esses recursos; (3) Faça todos os URIs dereferenciáveis. Em outras palavras, quando um URI for acessado, retorne informações úteis, utilizando os padrões (RDF, SPARQL); (4) Inclua links para outros URIs, para que se possa descobrir (navegar para) mais recursos (Linked Data mashup).

O termo mashup denota técnicas utilizadas na Web que permitem combinar dados de múltiplas fontes em uma única aplicação, como, por exemplo, reusar serviços de dados proprietários disponibilizados por gigantes da Web, como Google, Yahoo e eBay. Linked Data mashup significa utilizar as tecnologias da Web Semântica para integrar, de forma padronizada, dados estruturados de diferentes fontes, permitindo, assim, acesso através de clientes genéricos, como navegadores RDF, máquinas de busca RDF e agentes de consulta na Web. Supera-se, desse modo, as limitações dos mashups tradicionais (Bizer; Cyganiak; Gauß, 2007). Esse tipo de mashup semântico permite que as máquinas naveguem de um recurso para outro, obtendo mais informações, independentemente da localização dos dados (Azevedo; Jacyntho, 2014).

O modelo cinco estrelas para publicação de dados abertos

Com o objetivo de encorajar e orientar as pessoas na produção e publicação de dados abertos ligados, Tim Berners-Lee (2009) criou um modelo de classificação de maturidade de dados abertos em cinco níveis, ou cinco estrelas, descrito a seguir: ★ Disponível na Web (em qualquer formato, e. g., PDF), mas com uma licença aberta, para serem dados abertos; ★★ A regra anterior, mais: dados estruturados inteligíveis por máquina (e. g.., uma planilha Excel em vez de uma imagem digitalizada de uma tabela); ★★★ Todas as regras anteriores, mais: formato não proprietário (e. g., CSV4, em vez de Excel); ★★★★Todas as regras anteriores, mais: usar os padrões do W3C (RDF e SPARQL) para descrever os recursos (entidades), de forma que seja possível referenciá-los para reuso; ★★★★★Todas as regras anteriores, mais: ligar os dados publicados a dados de outras pessoas para prover contexto (Linked Data mashup).

Método proposto para publicação de dados relacionais, como Linked Data

Nesta seção, é apresentado o método proposto para a publicação de bases de dados relacionais, como Linked Data, retratado no fluxograma da Figura 1, bem como, para cada um dos passos, a trajetória metodológica percorrida para sua definição a partir do domínio do estudo de caso considerado neste trabalho. Ainda, são sugeridas ferramentas que foram avaliadas e selecionadas em cada um dos passos. Complementando a explanação do método, a seção subsequente a esta é reservada à descrição detalhada da aplicação do método proposto ao estudo de caso real, visando corroborar sua eficácia.

Fonte: Elaborada pelos autores (2018).

Figura 1 Metódo proposto 

A publicação, na Web de Dados, dos trabalhos acadêmicos da conferência realizou-se em um processo iterativo e incremental composto pelos seguintes passos:

(1) Definir informações a publicar: a partir do banco de dados relacional do sistema utilizado, foram definidas quais informações seriam pertinentes à publicação Linked Data, considerando perguntas como: (a) Quais informações são essenciais para um catálogo de publicações científicas, expressando os principais dados dos trabalhos, seus autores, instituições e informações relacionadas? (b) Quais propriedades possuem ontologias conhecidas para modelar o domínio pretendido? (c) Quais informações, por serem sensíveis ou privadas, não devem constar na publicação semântica a ser disponibilizada abertamente na Web?

(2) Criar um modelo de classes conceitual com base na estrutura das relações: com o objetivo de visualizar de forma mais simples e clara as informações escolhidas para serem publicadas, fez-se necessária a criação de um modelo de classes conceitual de mais alto nível de abstração, baseado nas relações e seus atributos, utilizando uma linguagem de modelagem adequada, como, por exemplo, Unified Model Language (UML) (Object Management Group, c1997). Esta foi selecionada para este projeto por ser um padrão largamente conhecido e adotado na área de computação.

(3) Criar um conjunto de views SQL com base no modelo de classes conceitual: com o intuito de agregar as informações a serem publicadas, bem como não interferir na base de dados original do sistema da conferência, garantindo acesso seguro às informações pretendidas, o mapeamento semântico se deu sobre views SQL, ou seja, consultas SQL pré-definidas, armazenadas na estrutura de um banco de dados auxiliar separado, expressando os dados a serem mapeados. Basicamente, deve ser criada uma view SQL para cada classe conceitual. Para esse banco de dados auxiliar de views SQL, foi utilizado o MySQL (Oracle Corporation, [201-]), apenas por ser o mesmo gerenciador de banco de dados usado na conferência.

(4) Selecionar ontologias de acordo com o domínio de conhecimento em questão: uma vez definidos os dados a publicar, foi conduzida uma pesquisa minuciosa, visando encontrar ontologias capazes de descrever o domínio de conhecimento em questão, partindo-se das mais conhecidas e conceituadas até outras mais específicas. A pesquisa foi feita a partir do catálogo de ontologias Linked Open Vocabularies (Vandenbussche et al., 2016), o qual se tornou uma referência para pesquisas dentro da área de Web Semântica, em sítios de busca e artigos acadêmicos. Com base nos resultados encontrados, foi definido o mapeamento do modelo conceitual da conferência para as classes e propriedades das ontologias selecionadas.

(5) Mapear o modelo de classes conceitual para as classes e propriedades das ontologias selecionadas: esta etapa compreende o mapeamento das classes e propriedades (atributos e relacionamentos) do modelo de classes conceitual para classes e propriedades das ontologias, o que pode ser documentado usando a mesma linguagem de modelagem escolhida no passo 2. A seção seguinte, sobre o estudo de caso real da conferência acadêmica, ilustra, por meio de estereótipos UML, como executar este passo mais detalhadamente.

(6) Gerar visão (grafo) RDF somente leitura sobre os dados relacionais a partir das views SQL criadas: esta etapa diz respeito à implementação desse mapeamento no acesso à base de dados relacional, a partir das views SQL criadas no passo 3 do método. Para o mapeamento em tempo real do banco de dados relacional da conferência em uma visão RDF, foi utilizada a plataforma D2RQ (Bizer et al., 2012). D2RQ permite, por meio da especificação do mapeamento relacional-RDF, expressar, em uma linguagem declarativa própria (D2RQ Mapping Language), a disponibilização das tuplas de um banco de dados relacional em triplas RDF, em tempo de execução (on the fly), sem a necessidade de armazená-las em um banco de dados RDF. Além disso, oferece um SPARQL endpoint que converte, de forma transparente, on the fly, consultas SPARQL em consultas SQL, bem como o retorno SQL no formato definido pelo protocolo SPARQL. Um mapeamento D2RQ é em si um documento RDF, escrito na sintaxe Turtle. Já a linguagem de mapeamento – D2RQ Mapping Language –, é uma ontologia RDF Schema simples. Portanto, o mapeamento é expresso usando termos (classes e propriedades) dessa ontologia.

A facilidade de se configurar declarativamente o mapeamento relacional-RDF, aliado a outros recursos, assim como a capacidade de permitir acesso Linked Data com negociação de conteúdo HTTP para humanos (HTML) e máquinas (RDF), e a capacidade de disponibilizar um SPARQL endpoint para consultas ad hoc, de forma transparente, tornaram o D2RQ a escolha adequada para a implementação deste projeto. Além do D2RQ, foi avaliada também a ferramenta Triplify, que trata o mapeamento por meio de comandos SQL e não fornece SPARQL endpoint (Jaenicke et al., 2010).

O mapeamento foi especificado, então, na linguagem de mapeamento do D2RQ (Cyganiak et al., 2012) e experimentado através de navegação nas páginas Web geradas dinamicamente pela plataforma D2RQ e por consultas SPARQL. Conforme apontado no passo 2, o mapeamento foi realizado sobre views SQL, armazenadas em um banco de dados MySQL separado dos dados relacionais originais da conferência (Oracle Corporation, [201-]).

(7) Realizar mashup automatizado com outras fontes de dados: com o objetivo de alcançar as cinco estrelas propostas pelo modelo de Berners-Lee (2009), faz-se necessária a ligação de recursos da base a ser publicada com outros recursos na Web, utilizando-se fontes de dados e predicados pertinentes (rdfs:seeAlso, owl:sameAs, etc.). Para a pesquisa de fontes de dados, podem ser utilizadas iniciativas como The Linked Open Data Cloud (Abele et al., 2017). Sendo assim, a pesquisa seguiu com o processamento dos dados por meio do SPARQL endpoint fornecido pela plataforma D2RQ.

Uma vez que já existia uma considerável quantidade de dados na base relacional em questão, decidiu-se pela realização de um mashup automatizado. Ele foi feito com o emprego da ferramenta Silk Framework (Isele et al., [2009]; Petrovski et al., 2014) para estabelecer o mashup automático entre recursos RDF extraídos pelo mapeamento D2RQ e recursos da DBpedia. Esta última é uma das fontes de dados mais expressivas no grafo global da Web Semântica, conforme é possível perceber em Abele et al. (2017), e foi selecionada para este projeto como destino para dados ligados.

A escolha da ferramenta Silk para este projeto se justifica por fornecer, entre outros, uma gama de filtros de transformação, comparação e agregação de dados. Estes podem ser combinados em workflows a serem aplicados a diferentes fontes de dados, visando à geração de dados ligados, de forma automatizada, utilizando predicados pré-definidos pelo usuário. Além disso, ela já foi utilizada em diversos experimentos com resultados promissores (Isele et al., 2010; Halaç et al., 2013; Isele; Bizer, 2013; Petrovski et al., 2014).

Sendo assim, foi realizado o download das triplas RDF contendo títulos (labels) e resumos longos (long abstracts) da versão 10/2016 da DBpedia, disponível para download na língua portuguesa, e importadas em um banco de dados RDF (triple store) específico para mashup. Para tal, foram experimentados dois bancos de dados RDF (triple stores), a saber: GraphDB (Ontotext, 2018) e Stardog (Stardog Union, 2018). Dentre os bancos de dados RDF avaliados para este projeto, esses dois foram selecionados pela facilidade de instalação, configuração e uso, além de ambos oferecerem suporte à inferência ontológica.

Em seguida, foi criado um workflow na ferramenta Silk para encontrar similaridades entre os nomes das palavras-chave das publicações e das áreas de conhecimento da conferência e os títulos dos recursos da DBpedia. Os resultados encontrados pelo Silk vieram a compor triplas RDF com o predicado owl:sameAs, que significa que dois URI diferentes representam o mesmo recurso do mundo real, ligando os recursos da conferência com os da DBpedia. As triplas de mashup geradas foram importadas nos dois bancos de dados RDF de mashup, os quais eram completamente desvinculados do banco de dados relacional original da conferência.

(8) Publicar grafo RDF Linked Data na Web: foram avaliadas duas abordagens para a publicação dos recursos resultantes dos mapeamentos. A primeira foi por meio de consultas federadas envolvendo o SPARQL endpoint disponibilizado pela plataforma D2RQ e o SPARQL endpoint do banco de dados RDF de mashup. E, na segunda, tanto as triplas RDF geradas pelo mapeamento D2RQ quanto as triplas de mashup com a DBpedia geradas pelo Silk foram importadas, em lote, em um terceiro banco de dados RDF centralizado.

Aplicação do método em um estudo de caso real de publicações de uma conferência acadêmica

Esta seção descreve, em detalhes, a aplicação do método proposto ao estudo de caso em questão, ou seja, o mapeamento e a publicação do modelo relacional do banco de dados de publicações da conferência como dados RDF Linked Data. Trata-se de uma explanação em alto nível de abstração para facilitar a compreensão. Não obstante, todos os arquivos de implementação, como views SQL, especificação do mapeamento D2RQ das relações (classes) e seus campos (propriedades) em RDF, workflows de mashup do Silk, etc., podem ser obtidos no repositório do projeto no GitHub5.

Mapeamento do modelo de classes conceitual da conferência em ontologias

Os parágrafos seguintes apresentam uma breve descrição de cada uma das ontologias selecionadas para o estudo de caso. Em seguida, detalha-se o mapeamento do modelo de classes conceitual da conferência para as ontologias, representado por meio de um diagrama de classes UML (Figura 2).

Fonte: Elaborada pelos autores (2017).

Figura 2 Mapeamento do modelo conceitual da conferência para as ontologias selecionadas. 

Schema.org (Schema.org Community Group, [2011]) é uma ontologia resultante do esforço conjunto das empresas Google, Microsoft, Yahoo e Yandex (Yandex, c1997). Trata-se de um vocabulário para vários domínios de conhecimento (crossdomain), com o objetivo de inserir metadados estruturados em páginas Web, viabilizando retornos mais precisos pelas máquinas de busca. Essa ontologia foi utilizada como ponto de partida para estruturar o mapeamento proposto por este trabalho. Para abreviar URI, o prefixo “schema” foi utilizado para referenciar o namespace da ontologia (http://schema.org/).

Dublin Core Metadata Initiative Metadata Terms (DCTerms) (DCMI Usage Board, 2012) é uma das ontologias mais antigas e conhecidas. Extensão da ontologia Dublin Core, consiste em um vocabulário para descrever metadados genéricos. Para abreviar URI, o prefixo “dcterms” foi utilizado para referenciar o namespace da ontologia (http://purl.org/dc/terms/).

DBpedia Ontology (DBpedia, 2010) é uma ontologia crossdomain definida pela equipe da DBpedia para a descrição dos seus dados provenientes da Wikipédia. Para abreviar URI, o prefixo “dbo” foi utilizado para referenciar o namespace da ontologia (http://dbpedia.org/ontology/).

Semantic Web Conference (SWC) (Nuzzolese et al., 2016) é uma ontologia para descrever conferências científicas baseada na ontologia SWRC, adicionando links para classes de ontologias conhecidas. Para abreviar URI, o prefixo “swc” foi utilizado para referenciar o namespace da ontologia (http://data.semanticweb.org/ns/swc/ontology/).

Semantic Web for Research Communities (SWRC) é uma ontologia que visa modelar conceitos relacionados a comunidades científicas (publicações, estudantes, universidades, entre outros) (Sure et al., 2005). Ela disponibiliza uma série de classes e propriedades, mas não possui links para outras ontologias. Para abreviar URI, o prefixo “swrc” foi utilizado para referenciar o namespace da ontologia (http://swrc.ontoware.org/ontology#).

The Bibliographic Ontology (BIBO) é uma ontologia que provê conceitos e propriedades para descrever citações e referências bibliográficas (livros, artigos, etc.) (D’Arcus; Giasson, 2009). Para abreviar URI, o prefixo “bibo” foi utilizado para referenciar o namespace da ontologia (http://purl.org/ontology/bibo/).

Friend of a Friend (FOAF) (Brickley; Miller, 2014) é uma ontologia para descrever pessoas, suas atividades e relações com outras pessoas, grupos, entidades e documentos (Azevedo; Jacyntho, 2014). Para abreviar URI, o prefixo “foaf” foi utilizado para referenciar o namespace da ontologia (http://xmlns.com/foaf/0.1/).

Simple Knowledge Organization System (SKOS) (Miles; Bechhofer, 2009) é uma ontologia para modelar estruturas de organização de conhecimento (taxonomias, tesauros, folksonomias, etc.) (Azevedo; Jacyntho, 2014). Para abreviar URI, o prefixo “skos” foi utilizado para referenciar o namespace da ontologia (http://www.w3.org/2004/02/skos/core#).

Academic Institution Internal Structure Ontology (AIISO) (Styles et al., 2008) é uma ontologia para descrever a estrutura interna de uma instituição acadêmica. Para abreviar URI, o prefixo “aiiso” foi utilizado para referenciar o namespace da ontologia (http://purl.org/vocab/aiiso/schema#).

A Figura 2 demonstra, por meio de um diagrama de classes UML, o mapeamento do modelo de classes conceitual, gerado a partir do modelo relacional do banco de dados da conferência, nas classes e propriedades das ontologias selecionadas.

O mapeamento de cada classe e suas propriedades (atributos e associações) é expresso por estereótipos UML. Por exemplo, a classe “AreaConhecimento” foi mapeada nas classes skos:Concept e swrc:ResearchTopic; o atributo “nome” da “AreaConhecimento” foi mapeado nas propriedades rdfs:label e skos:prefLabel; e a propriedade “AreaConhecimento” da classe “Publicacao”, representada no diagrama pela associação entre “Publicacao” e “AreaConhecimento”, foi mapeada nas propriedades dcterms:subject e schema:genre. Os outros mapeamentos seguem o mesmo raciocínio.

Gerar visão RDF somente leitura sobre os dados relacionais

Todo esse mapeamento representado em alto nível de abstração no diagrama da Figura 2 foi especificado em um arquivo texto, por meio da linguagem declarativa de mapeamento relacional-RDF da plataforma D2RQ (D2RQ Mapping Language). Como apontado no passo 6 do método proposto, o que, de fato, é mapeado são as views SQL criadas com base nas classes conceituais da Figura 2. Conforme dito anteriormente, a linguagem de mapeamento D2RQ é uma ontologia RDF schema simples, e o arquivo de mapeamento é um documento RDF escrito na sintaxe Turtle. É baseada nesse arquivo de mapeamento que a plataforma D2RQ possibilita acessar, on the fly, o banco de dados relacional como um grafo RDF virtual, apenas de leitura (read-only).

Para ilustrar, considerando-se novamente a classe “AreaConhecimento” (view v_area_conhecimento) do modelo apresentado na Figura 2, esta foi mapeada para as classes ontológicas skos:Concept e swrc:ResearchTopic, bem como seu atributo “nome” (campo “nome” da view v_area_conhecimento) para a propriedade rdfs:label, por meio do seguinte trecho do arquivo RDF de mapeamento6:

  • map:area_conhecimento d2rq:ClassMap ;

    • d2rq:class skos:Concept, swrc:ResearchTopic

    • d2rq:classDefinitionLabel “area_conhecimento” ;

    • d2rq:dataStorage map:database_views ;

    • d2rq:uriPattern”area_conhecimento/@@v_area_conhecimento.id@@”

  • map:area_conhecimento__label d2rq:PropertyBridge ;

    • d2rq:belongsToClassMap map:area_conhecimento ;

    • d2rq:column “v_area_conhecimento.nome” ;

    • d2rq:property rdfs:label .

A partir dessa especificação, o D2RQ criou um mapeamento de classe (ClassMap), nomeado como map:area_conhecimento, e uma ponte de propriedade (PropertyBridge), vinculada a esse mapeamento de classe. Dessa forma, todas as tuplas retornadas pela view v_area_conhecimento são mapeadas, na visão RDF, em recursos com a propriedade rdf:type ligada às classes ontológicas mencionadas, bem como os valores do campo v_area_conhecimento.descricao são mapeados como valores da propriedade rdfs:label desses recursos. A propriedade d2rq:uriPattern serve para definir um padrão para a formação dos URIs dos recursos gerados, assim como a propriedade d2rq:classDefinitionLabel permite definir uma etiqueta (label) usada no menu de acesso na representação HTML, voltada para humanos. Esse mapeamento é capaz de gerar triplas como:

De forma análoga, são mapeadas todas as classes e propriedades do modelo conceitual para as classes e propriedades das ontologias selecionadas, utilizando-se as views criadas no banco de dados relacional, visando-se obter a visão em grafo RDF do modelo proposto.

Linked Data mashup

Para a geração do mashup, buscando-se encontrar ligações entre os recursos da conferência e os da DBpedia, foi utilizado o software Silk Framework. Esse software provê mecanismos para a criação de workflows, encadeando diversos tipos de processamento predefinidos para tratamentos e comparações entre os dados, aplicados a variados tipos de origem de dados semânticos (arquivos RDF, SPARQL endpoints, entre outros). A partir do caminho desenvolvido nesses workflows, os dados obtidos das duas bases de dados são comparados, e são geradas, automaticamente, novas triplas RDF, associando os recursos cujo resultado do processamento obedeça aos critérios definidos. O predicado a ser utilizado nessas novas triplas é estabelecido junto ao workflow do Silk. Neste trabalho, realizou-se o processamento usando o workflow descrito na Figura 3 e o predicado owl:sameAs, que significa que dois recursos interligados por ele são, na verdade, o mesmo recurso identificado por URIs distintos, ou seja, representam a mesma entidade do mundo real.

Como é possível ver na Figura 3, esse processo compara os nomes das palavras-chave e as áreas de conhecimento da conferência (mapeados na propriedade skos:prefLabel) com os nomes ou rótulos dos recursos da DBpedia (propriedade rdfs:label), aplicando-se alguns filtros (retângulos verdes) e utilizando, para comparação de cadeias de caracteres, o algoritmo da distância de Levenshtein (Bilenko et al., 2003) (retângulo laranja), cuja implementação já se encontra disponível no Silk.

Fonte: Elaborada pelos autores (2017).

Figura 3 Workflow do Silk para procurar ligações do tipo owl:sameAs entre os recursos da conferência e os recursos da DBpedia, com base nos respectivos nomes (labels) 

As triplas resultantes do mashup foram armazenadas em um banco de dados RDF separado dos dados relacionais originais.

Publicação dos dados

Para publicar na Web os dados mapeados e ligados, foram usadas duas abordagens: (1) Disponibilização dos dois SPARQL endpoints: do D2RQ sobre os dados relacionais e do banco de dados RDF com o mashup com a DBpedia, permitindo a realização de consultas SPARQL federadas; (2) Exportação de todas as triplas geradas pelo D2RQ a partir dos dados relacionais originais, por meio do software dump-rdf, distribuído junto à plataforma D2RQ, e importação dessas triplas e das triplas de mashup geradas pelo Silk em um terceiro banco de dados RDF centralizado independente, a ser atualizado em lote, de tempos em tempos, divulgando-se, assim, um único SPARQL endpoint. Mesmo nesse caso, a interface Web do D2RQ precisou ser mantida para que os URI dos recursos pudessem ser dereferenciados (acessados).

Conforme apontado na metodologia, para este trabalho, foram avaliados dois bancos de dados RDF, a saber: Stardog (Stardog Union, 2018) e GraphDB (Ontotext, 2018), ambos em suas versões gratuitas. Os dois apresentaram resultados satisfatórios.

Exemplo de mapeamento de uma publicação em RDF

Para ilustrar o mapeamento em RDF dos trabalhos acadêmicos da conferência, a Figura 4 apresenta uma publicação (“Extração de regras em uma base de conhecimento por meio da navegação em um grafo”) em RDF (Figura 4 a), representação para máquinas, e em HTML (Figura 4 b), representação para humanos, ambas geradas pela plataforma D2RQ. As representações RDF e HTML de um autor, não apresentadas por questões de espaço, são similares às representações da publicação, mudando apenas as propriedades e classes envolvidas.

Fonte: Elaborada pelos autores (2018).

Figura 4 Trecho da representação RDF (a) e da representação HTML (b) de uma publicação, geradas pela plataforma D2RQ 

Para efeito de testes, foi utilizado o endereço local como URI base para o banco de dados semântico (http://localhost:2020/)7. De novo, por razões de espaço, alguns valores textuais mais extensos foram abreviados com reticências na representação em RDF.

Resultados e discussão

Como se pode observar nos exemplos apresentados, diante dos ensaios realizados com o modelo ontológico proposto, constatou-se ser possível navegar com sucesso pelas informações da conferência, por meio da interface fornecida pelo D2RQ, tanto para humanos, em HTML, quanto para máquinas, em RDF e SPARQL, embora a interface tenha manifestado erros (exceções) durante testes com acessos simultâneos. Até esse ponto, alcançou-se o nível quatro estrelas do modelo proposto por Berners-Lee (2009). Com o objetivo de atingir o nível cinco estrelas, o processamento das triplas RDF com a ferramenta de mashup Silk, baseado no workflow da Figura 3, conseguiu estabelecer links owl:sameAs entre as palavras-chave e áreas de conhecimento da conferência e os recursos da DBpedia. De 10.784 palavras-chave e 1.335 áreas de conhecimento cadastradas no sistema, todas mapeadas como instâncias da classe skos:Concept, a ferramenta Silk foi capaz de encontrar, automaticamente, 6.923 links, realizando, assim, o Linked Data mashup de mais de 50% dos recursos processados.

Como exemplo de resultado de mashup obtido com o Silk, considerando ainda a publicação demonstrada na Figura 4, dentre as suas três palavras-chave (“base de conhecimento”, “construção de regras” e “grafos de conceitos”) mapeadas como instância de skos:Concept, foi encontrada uma ligação automática para o termo “base de conhecimento” (<http://localhost:2020/resource/palavra_chave/base_de_conhecimento>) com recurso <http://pt.dbpedia.org/resource/Base_de_conhecimento> da DBpedia em português, o qual, por sua vez, está ligado, dentro da própria base da DBpedia, através do predicado owl:sameAs, ao recurso <http://dbpedia.org/resource/Knowledge_base> da DBpedia em inglês. Este último recurso possui mais informações úteis sobre o respectivo conceito. Igualmente, a área de conhecimento da mesma publicação, “Ciência da Computação” (<http://localhost:2020/resource/area_conhecimento/10300007>), foi automaticamente associada ao recurso <http://pt.dbpedia.org/resource/Ciência_da_computação>. Este, por sua vez, está ligado internamente, na DBpedia, ao recurso <http://dbpedia.org/resource/Computer_science>, que descreve as propriedades da área de conhecimento em questão.

Sobre os ensaios com as duas abordagens de publicação de dados explicadas anteriormente, foram executadas consultas SPARQL nos dois cenários, experimentando os dois bancos de dados RDF (Stardog e GraphDB), com seus respectivos raciocinadores de inferência ontológica habilitados. As consultas foram realizadas tanto usando explicitamente a propriedade owl:sameAs (Figura 5 a) quanto usando inferência com base na semântica da propriedade owl:sameAs (Figura 5 b). As Figuras 5 a e 5 b, apresentam os códigos das consultas SPARQL executadas, recuperando todos os artigos da conferência que estão relacionados, seja por palavra-chave ou por área de conhecimento, ao recurso <http://pt.dbpedia.org/resource/Aprendizado> da DBpedia. A Figura 5 c, mostra o resultado obtido com ambas as consultas no GraphDB, demonstrando, assim, a aplicação bem-sucedida do conceito de Linked Data à base de dados da conferência. Esse resultado promove a reutilização dos dados da DBpedia, disponibilizando dados inteligíveis por máquinas e os incorporando ao grafo mundial da Web de Dados Ligados. O alcance dessa ligação permite, por exemplo, a associação dos artigos da conferência a outros de outras instituições de pesquisa pelo mundo que também possuam recursos de suas bases de dados ligados à DBpedia, fomentando, portanto, o crescimento e a distribuição do conhecimento científico e o apoio à descoberta desse conhecimento.

Fonte: Elaborada pelos autores (2018).

Figura 5 (a) Consulta SPARQL federada (banco de dados RDF de mashup e endpoint D2RQ) e sem inferência. (b) Mesma consulta SPARQL, porém não federada (banco de dados RDF centralizado com todas as triplas) e com inferência. (c) Resultados de ambas as consultas. 

As duas abordagens de publicação dos dados obtiveram os resultados esperados, sendo que a segunda abordagem, centralizada, sem a necessidade da realização de consulta federada, apresentou melhor desempenho e menor chance de erros de comunicação e de protocolos. É importante mencionar que o banco de dados RDF Stardog, diante da consulta demonstrada na Figura 5 b, não foi capaz de inferir automaticamente a ligação direta, pelas propriedades schema:about e schema:genre, entre as publicações e os recursos da DBpedia, funcionando de forma correta apenas com a consulta exposta na Figura 5 a, com a propriedade owl:sameAs explícita. Não foram encontrados problemas nos demais cenários avaliados.

Foram realizados ainda testes de processamento buscando localizar links semânticos entre a base de dados da conferência e a DBpedia, por meio de outro workflow do Silk que buscasse similaridades entre os conteúdos dos títulos e resumos dos recursos de ambas as bases de dados, estabelecendo ligações do tipo rdfs:seeAlso (“veja também”, em português). Todavia, o processamento se mostrou extremamente custoso e demorado, e não foram encontrados links nessa abordagem. Pretende-se realizar uma análise mais aprofundada, visando a uma reestruturação desse workflow, em trabalhos futuros.

Halaç et al. (2013) utilizam a filosofia Linked Data para integrar dados distribuídos entre diferentes sistemas de uma Universidade, propondo uma arquitetura que viabiliza a ligação entre as informações dos bancos de dados desses sistemas, além da criação de uma aplicação para auxiliar nessa integração de dados. O projeto utiliza a plataforma D2RQ para mapear bancos de dados relacionais de alguns dos sistemas, e a ferramenta Silk Framework para a descoberta de links entre os recursos de diferentes fontes de dados. Com a evolução da pesquisa, optou-se pela alimentação periódica em lote de uma base RDF centralizada, a partir dos bancos de dados dos sistemas em questão, por meio de uma aplicação que realiza a extração de dados, a conversão e a carga de forma automática, com o auxílio de ferramentas como D2RQ, Silk e Triplister (Rogers, 2011apudHalaç et al., 2013), mantendo os dados ligados atualizados de forma dinâmica.

Segarra et al. (2016) propõem uma arquitetura de integração entre repositórios digitais distribuídos, em um modelo Linked Data baseado em ontologias consagradas, como DCTerms, Bibo, Schema e FOAF, utilizando um enforque virtual através de consultas federadas SPARQL. O modelo proposto foi aplicado às bases de publicações acadêmicas de universidades equatorianas, angariando, desse modo, escalabilidade e aplicabilidade na integração, assim como sua fácil expansão a outros sistemas de informação.

Em Santarém Segundo et al. (2017), é feita uma análise de como os padrões e tecnologias da Web Semântica contribuem no processo de construção de redes semânticas e na organização de informações, visando prover informações de mais relevância aos usuários. Para tal, é realizado um estudo na colaboração digital de publicações acadêmicas, com foco na plataforma VIVO (Duraspace, Phoenix, Arizona, Estados Unidos da América), a qual utiliza tecnologias da Web Semântica, como RDF e OWL, para descrever e relacionar recursos. Conclui-se, então, que a Web Semântica, com suas tecnologias, aumenta o campo de visão e de relacionamentos de conceitos, oferecendo aos usuários resultados mais ricos do ponto de vista de relações semânticas, sendo a plataforma estudada (VIVO) um bom exemplo do uso dessas tecnologias.

Freitas Junior e Jacyntho (2016) propõem a construção de um protótipo para a catalogação semântica de publicações científicas, seguindo os princípios Linked Data da Web Semântica. Foi desenvolvida e publicada uma aplicação, na qual foram realizados experimentos com publicações reais. A aplicação desenvolvida disponibiliza uma interface amigável ao usuário, que deve cadastrar os dados manualmente no sistema.

Em comparação com esses outros trabalhos, esta proposta se diferencia por fornecer, além de um método para publicar, de forma sistemática, dados relacionais em grafo RDF, uma seleção de ontologias Linked Data bastante completa para o domínio de conhecimento de trabalhos acadêmicos, bem como por oferecer duas abordagens automatizadas de como publicar dados relacionais como Linked Data, uma federada e outra centralizada, usando ferramentas bem conhecidas pela comunidade da Web Semântica. As ontologias e diretrizes/ferramentas usadas nas duas abordagens podem, perfeitamente, ser empregadas em outros projetos similares.

Conclusão

Neste trabalho, foi apresentado um método para a publicação de bases de dados relacionais segundo os princípios Linked Data, validado por meio de um estudo de caso real de trabalhos acadêmicos. Foi usado, como estudo de caso, o mapeamento de um banco de dados relacional de uma conferência interna de uma universidade federal brasileira para o modelo de dados RDF, utilizando diversas ontologias conhecidas. Além disso, foi feita a geração automatizada de Linked Data mashup, visando interligar a base de dados da conferência com o grafo global da chamada Web de Dados Ligados, por meio da fonte de dados DBpedia. Diante dos desafios propostos, os resultados obtidos foram satisfatórios, atingindo-se o objetivo de se publicar uma visão Linked Data cinco estrelas completa sobre dados relacionais originais, sem precisar alterá-los em absolutamente nada. A publicação dos dados da conferência foi realizada em formato compreensível por máquina, em URIs dereferenciáveis, e foram feitas consultas SPARQL ad hoc envolvendo recursos oriundos da base de dados da conferência e da DBpedia, considerando-se as ligações estabelecidas no mashup.

Procurando tornar a proposta ainda mais robusta, outros workflows devem ser desenvolvidos futuramente na ferramenta Silk, viabilizando a descoberta de novas ligações automáticas de mashup, inclusive com outras fontes de dados Linked Data, além da DBpedia. No escopo desse trabalho futuro, poder-se-ia considerar também a possibilidade da aplicação de tradução automática de termos para a língua inglesa, com o objetivo de facilitar o mashup com fontes de dados em inglês.

O estudo de caso voltou-se à publicação das informações dos artigos e autores. Uma proposta interessante seria incluir, no mapeamento, informações sobre a conferência em si e a universidade, utilizando as mesmas ontologias já apresentadas nesta pesquisa, e, se necessário, outras complementares. Por fim, é importante aprofundar ainda mais a análise quali-quantitativa dos resultados encontrados, definindo mecanismos para medir a relevância e fidedignidade dos links RDF obtidos automaticamente com a ferramenta Silk.

Como citar este artigo/How to cite this article

Gonçalves, A. O.; Jacyntho, M. D. A. Um método para publicação semântica Linked Data de bases de dados convencionais e um estudo de caso real deartigos acadêmicos. Transinformação, v. 32, e180051, 2020. http://dx.doi.org/10.1590/1678-9865202032e180051

3No original: “In essence, a data model is just a way to view the data. The established relational model views the data through relations and tuples. The RDF graph model, based on triples, is a natural representation for various types of applications (e.g., Facebook, Twitter, recommender systems, etc.), where entities are strongly connected with each other. In contrast with legacy RDBMS, these applications consider multi-valued properties to be so desirable in modeling real-life data that they support multi-valued properties by default. Querying for multi-valued and single-valued properties is done in exactly the same way, without concerns about the need to join with a third table to model an n-to-n relationship. Furthermore, the RDF model is more convenient if the application has high heterogeneity in its schema or frequent need for schema adaptation. RDF stores simplify the development of linked data applications, and also align very well with numerous algorithms and statistical techniques developed for graphs”.

4Comma Separated Values (CSV): arquivo texto que armazena dados tabulares, no qual cada linha é um registro e cada registro consiste de um ou mais campos separados por vírgulas.

6Considerando-se os prefixos de namespace das ontologias selecionadas e o prefixo d2rq: <http://www.wiwiss.fu-berlin.de/suhl/bizer/D2RQ/0.1

7Quando a aplicação for, de fato, posta em produção e publicada na Web, o endereço local http://localhost:2020 será substituído por um domínio real (http://example.com) ainda a ser definido.

Referências

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Recebido: 28 de Junho de 2018; Revisado: 31 de Março de 2019; Aceito: 28 de Agosto de 2019

Correspondência para/Correspondenceto: M. D. A. JACYNTHO. E-mail: mjacyntho@iff.edu.br.

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