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História, Ciências, Saúde-Manguinhos

Print version ISSN 0104-5970On-line version ISSN 1678-4758

Hist. cienc. saude-Manguinhos vol.5 no.1 Rio de Janeiro Mar./June 1998

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-59701998000100004 

 

 

 

 

 

Histórias de vida e
história da cultura

Stories of life, stories
of culture

 

 

 

 

 

 

 

Fernando Sergio Dumas dos Santos

Mestre em história social pela Universidade
Estadual de Campinas (Unicamp)
Departamento de Pesquisa
Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz
Av. Brasil, 4036 sala 406 Manguinhos
21040-360 Rio de Janeiro — RJ Brasil

 

 

SANTOS, F. S. D. dos: ‘Histórias de vida e história da cultura’.
História, Ciências, Saúde — Manguinhos,
V(1): 85-98 mar.-jun. 1998.

Este trabalho visa refletir sobre os usos dos relatos de vida na pesquisa histórica. Com ênfase em um tipo de produção historiográfica voltada para as questões culturais, e, nesse sentido, mais subjetivas, articula uma experiência de pesquisa que vem se desenvolvendo em relação a grupos sociais do Norte do Brasil, cujos padrões sócio-culturais divergem bastante daqueles usualmente encontrados entre as populações urbanas do Centro-Sul do país — e aos quais costumamos, equivocadamente, atribuir dimensões totalizantes —, a todo um campo recente de discussões sobre usos e maneiras de utilizar a história oral na pesquisa histórica. O foco central da reflexão busca compreender as relações que se estabelecem entre as memórias individuais e as nuanças presentes na noção de cultura popular.

PALAVRAS-CHAVE: história oral e vídeo, cultura popular, memória, fontes para pesquisa.

 

SANTOS, F. S. D. dos: ‘ Stories of life, stories of culture’.
História, Ciências, Saúde — Manguinhos,
V(1): 85-98 Mar.-Jun. 1998.

In this reflection on the use of life histories in historical research, the focus is on historiographic work concerned with cultural (and therefore more subjective) questions. An oral history research project is being conducted among social groups in North Brazil whose socio-cultural standards differ greatly from those usually observed among urban populations in central-southern Brazil — and whose singularities are often lost to the eye of the outside observer. This article shows how this research experience has a bearing on a range of recent discussions about how oral history is and can be used in historical research. The central concern here is to understand the relationships between individual memories and the nuances found in the notion of popular culture.

Keywords: oral history and videos, popular culture, memory, research sources.

 

 

 

     Quando se trabalha com histórias pessoais — vividas, sentidas, sofridas por aqueles que as contam para nós como quem dá, de verdade, um pedaço (ou alguns pedaços) de si —, entramos em contato com pressupostos presentes em qualquer abordagem utilizada neste tipo de fonte. A memória é o primeiro deles; é a partir da memória do depoente que se vai constituir a narrativa. Esta pode ser mais ou menos conduzida por um roteiro, mas a dimensão que dá o tom, o ritmo e o encadeamento dos fatos é, efetivamente, a memória.1
     Um outro marco recorrente no uso dos relatos de vida é a noção de cultura, que permeia qualquer investigação que tenha como ponto de partida o uso de histórias orais. Nas sociedades ocidentais, a transmissão oral de valores, tradições, regras, hábitos, enfim, de cultura, permanece viva e com significativa importância no processo de formação do indivíduo e dos comportamentos sociais. Logo, quem trabalha com as memórias de uma pessoa, contadas através de suas histórias pessoais — vividas, escutadas ou mesmo inventadas —, está lidando diretamente com uma das matérias-primas da produção de cultura.2
     Partindo destes dois elementos de análise — a memória e a cultura — este artigo busca desenvolver uma reflexão acerca do uso de registros em áudio e em vídeo para entrevistas que visem recolher histórias de vida. Tomará por base a experiência do projeto ‘Revisitando a Amazônia de Carlos Chagas: da borracha à biodiversidade’, que utiliza esta técnica como um modo privilegiado de compreender historicamente o período transcorrido entre 1912-13 e a década de 1990. Nesta pesquisa ficou definido, desde o princípio, que seriam usados tanto gravadores de áudio quanto equipamentos de vídeo durante os trabalhos de campo. Serão, então, relacionadas as características intrínsecas de produção e disponibilização das fontes (em áudio e em vídeo) com os objetos de estudo da pesquisa.3
     Revisitar a Amazônia percorrida por Carlos Chagas exatamente nos anos em que a produção do látex asiático superou a brasileira (a partir de 1913 o Brasil não recuperou mais a primazia do comércio da borracha) significou olhar para uma sociedade que tinha no tempo e no espaço as duas principais linhas de explicação e de indagação do processo histórico vivido por ela e, ao mesmo tempo, o principal elo de uma cadeia constituída pelo homem na sua relação com os outros homens e com a natureza. O projeto lançava, mais de oitenta anos depois, o olhar para uma sociedade que, aparentemente, mantivera estáticos, no tempo e no espaço, os modos de vida e de transmissão de ensinamentos encontrados pelo cientista do Instituto Oswaldo Cruz (IOC).4
     A proposta objetivou, ao longo de três expedições, visitar todas as localidades onde Chagas estivera, comissionado pela Superintendência de Defesa da Borracha, ao longo dos vales dos rios Juruá, Tarauacá, Solimões, Negro, Branco, Acre, Purus e Yaco, entre setembro de 1912 e março de 1913. Àquela época, a partir dos dados obtidos durante a verificação das condições de saúde dos seringueiros, ele reuniu os elementos que lhe possibilitaram propor um plano de profilaxia para a região.5 Procurar-se-ia, então, comparar as condições de vida, de saúde e de trabalho encontradas hoje com aquelas anotadas no relatório do início do século. Esta comparação não seria pontual, ou seja, não estaria referida apenas às duas épocas estudadas. Ela deveria compreender o complexo emaranhado de episódios, fenômenos, fatos e acontecimentos históricos transcorridos no período.
     A linha mestra do trabalho firmou-se, então, sobre o resgate daquela memória oculta pela aparência de estagnação do processo cultural e envolta nas brumas de noções de tempo e de espaço muito próximas daquelas ditadas pela natureza. Dar voz às populações visitadas, não no sentido da "voz dos vencidos" consagrado pela recente historiografia brasileira, mas tentando redescobrir laços de historicidade que as vinculassem aos relatórios que Chagas e outros mais haviam produzido. O importante é observar, nestas narrativas pessoais, os eixos temporais que se delineiam à medida que as características ancestrais da sociedade, e especificamente aquelas relativas à comunidade, se confrontam com a realidade atual e ativam um processo de lembrança. E compreender estes relatos como as fontes que dariam início à montagem do quebra-cabeça.
     Portelli (1996, pp. 70, 64) defende que as fontes orais têm a sua representatividade para o campo da história medida em dois níveis: o plano textual, onde o que importa é a "capacidade de abrir e delinear o campo das possibilidades expressivas"; e o plano dos conteúdos, no qual interessa "o delinear da esfera subjetiva da experiência imaginável: não tanto o que acontece materialmente com as pessoas, mas o que as pessoas sabem ou imaginam que possa suceder". Ele prossegue afirmando que "o que nossas fontes dizem pode não haver sucedido verdadeiramente, mas está contado de modo verdadeiro. Não dispomos de fatos, mas dispomos de textos; e estes, a seu modo, são também fatos, ou o que é o mesmo: dados de algum modo objetivos, que podem ser analisados e estudados com técnicas e procedimentos em alguma medida controláveis".
     A tradição cultural que se constituiu com as modernas sociedades ocidentais privilegiou a forma textual de narrar e transmitir os acontecimentos, embora alguns autores cheguem a afirmar que "não existiria cultura se o homem não tivesse a possibilidade de desenvolver um sistema articulado de comunicação oral" (Laraia, 1995, p. 53). No entanto, a oralidade não foi abandonada como forma de transmissão de saberes, principalmente daqueles vinculados às tradições populares. O "plano textual", nestas sociedades, passou a exprimir o próprio sentido daquilo que foi dito, escrita ou verbalmente. Da mesma forma, o discurso passou a ser lido ‘textualmente’, ou seja, analisado como o produto acabado de uma reflexão num dado momento, representando um posicionamento consciente de quem o produziu.
     Este discurso não possui apenas uma verdade; ele toma, muitas vezes, significados que apontam para posições bastante distintas dos significantes que os originaram. Em sua análise sobre a produção de verdade na sociedade burguesa, Foucault (1985, p. 53) destaca o desenvolvimento de procedimentos científicos que se ordenaram em função de uma forma de poder-saber a qual buscava, pelo discurso, "esquivar a verdade insuportável e excessivamente perigosa" sobre seu objeto.
     A ciência não buscava impedir a disseminação de saberes interditos, mas circunscrevê-los num complexo de significados tão emaranhado que, por um lado, ocultasse o seu significante ancestral e a forma como se constituiu, e, por outro, exercesse um rigoroso controle sobre os discursos produzidos, e daí sobre os saberes socialmente disseminados. A estrutura de poder característica da ciência não permite que atribuições ditadas de fora do universo em que foi moldada, como, por exemplo, no caso das tradições transmitidas pelos sábios anciãos, sobreponham-se aos imperativos morais e às opções econômicas ou políticas que devem lhe servir de esteio.
     Vista por alguns autores como uma metodologia privilegiada para a constituição de uma "história do tempo presente" e por outros como uma disciplina específica ou ainda como uma "ciência auxiliar", o que se convencionou chamar de ‘história oral’ é uma prática de trabalho já tradicionalmente utilizada por antropólogos e sociólogos, desde o início deste século pelo menos. O trabalho de etnografia, por exemplo, pressupõe o recolhimento das ‘histórias orais’ do grupo estudado; esta é a sua matéria-prima, e é a partir daí, conjugando estas narrativas com as observações pessoais do etnógrafo acerca de hábitos, costumes e práticas sociais (individuais e coletivas), que se constitui o trabalho antropológico.
     Ao escolher a memória individualmente construída como fonte privilegiada de pesquisa, o historiador passa a trabalhar em outro contexto da sociedade, diferente daqueles normalmente privilegiados pelas análises quantitativas ou pelas ‘histórias sociais globalizantes’, aquelas que dão mais importância aos grandes processos sociais que aos sujeitos das ações. Essa escolha descortina o vasto campo da cultura como objeto da investigação histórica. A fonte de pesquisa, nesse caso, será o depoimento, porque nele se revelam as particularidades pessoais, locais, muitas vezes descontínuas, que distinguem o transcurso da história de um indivíduo para outro, de uma comunidade para outra. Mas tanto a técnica de coletar estas "memórias locais" (Foucault, 1982, p. 171), quanto o modo pelo qual se faz uso delas vão influir sobremaneira no resultado da pesquisa.
     Por exemplo, a transcrição de uma entrevista será, sempre, qualitativamente inferior, do ponto de vista da memória construída pela pessoa que deu o depoimento acerca de sua vida ou de qualquer outro mote, do que o discurso gravado. Pode-se argumentar que a transcrição seja uma cópia fiel, apenas ‘textualizada’, do depoimento oral. Todavia, é inevitável a perda de dimensões sensoriais contidas na fita — um resmungo aqui, um silêncio significativo no meio de uma fala, alguma leve comoção que pouco transparece para o ouvido — e que, quase sempre, não são registradas no papel, muitas vezes, porque a própria linguagem escrita não conseguiria traduzi-las.
     Não se trata de propor apenas o recurso à fonte falada como método de trabalho com história oral. Embora considerando esta versão mais rica do que a textual, o que vai definir o método de trabalho é o objetivo da pesquisa, ou seja, só depois de definir o seu objeto e a angulação da análise é que o historiador poderá resolver esta questão. Por exemplo, se a pesquisa visa estabelecer os mecanismos de construção de determinado campo científico, privilegiando questões como formas de financiamento, práticas e técnicas usuais dentro do campo e as vias de legitimação do mesmo, possivelmente não haverá nenhum inconveniente em se consultar a versão textual das narrativas, pois dificilmente estará nas falas ‘não ditas’ a essência que se procura.
     Por outro lado, se buscássemos compreender os modos de construção das relações interpessoais dentro deste campo científico, muito provavelmente correríamos sérios riscos de perda de elementos fundamentais para a análise que não são verbalizados numa entrevista, mas que estão explicitados nos silêncios, nas pausas, numa mudança abrupta de tom ou de impostação da voz, enfim, até nos gestos do entrevistado. Nesse caso, ouvir a fonte deve ser mais rico do que lê-la. E aqui se coloca mais uma dimensão técnica da história oral, da qual o pesquisador precisa aprender a tirar proveito: o uso da imagem do entrevistado, que, além do áudio, pode se transformar em um poderoso aliado do historiador na busca dos dados não ditos.
     O projeto ‘Revisitando a Amazônia de Carlos Chagas’ procurou se ocupar deste vasto campo de trocas de conhecimentos e de experiências pessoais, onde se modela a memória e do qual parte a sua difusão. Os hábitos cotidianos, as práticas e os rituais que envolvem as tradições da população, a alimentação e a forma pela qual a obtém, o trabalho e seus significados, as formas da sobrevivência humana no ambiente da floresta tropical, foram alguns dos pontos focalizados nas entrevistas. Também os discursos científicos originários da região (principalmente de Manaus), abarcando diversas disciplinas, estiveram na pauta, sempre relacionados aos discursos populares, tanto do ponto de vista da proposição de temas e questões, quanto de comentários acerca de conteúdos do imaginário social apreendidos.
     A pesquisa contemplou a diversidade do espectro social das comunidades e as diferentes inserções individuais neste cenário, e procurou identificar, em cada parada, os lugares de memória: a escola, com a professora; os moradores mais velhos e as famílias mais antigas; o agente de saúde e o líder da comunidade. Estes representavam um viés de memória mais coletivo — no sentido que Le Goff (1984) e Leroi-Gourhan (1983) empregam o termo — e mais oficial, porque, por um lado, eram a única face visível do poder público praticamente inexistente, e, por outro, possuíam uma espécie de representatividade oficial, delegada pelas pessoas que ali viviam. Às vezes, havia, ainda, uma ruína ou outra marca monumental.6
     O principal produto, inicialmente previsto, seria uma série de vídeo-documentários onde se explicitariam os termos da comparação histórica. Esse fato já definia, de antemão, os procedimentos técnicos prioritários: entrevistas gravadas em videoteipe, em formatos que permitissem sua utilização nos programas. Isto quer dizer perguntas claras e concisas e respostas bem articuladas, preferencialmente com boa dicção e linguagem compreensível. Todavia, o que chamávamos no âmbito do projeto de "memórias da população" deveria ser objeto de um investimento específico, realizado a partir da metodologia convencional de trabalho com história oral.
     Em 1991, na primeira expedição, a equipe era pequena para a amplitude de atividades previstas: cinco pesquisadores e um técnico para produzir um acervo fotográfico que mostrasse a realidade atual e retratasse as comparações com as fotos deixadas por Chagas; gravar imagens e depoimentos em vídeo; coletar informações acerca de arquivos, bibliotecas e coleções particulares de fotos e documentos; produzir diariamente as entrevistas, montando roteiros, localizando pessoas, marcando hora com autoridades; e fazer a própria produção da viagem. Além disso, o choque do primeiro encontro com a realidade social, com o caldo cultural onde fermenta todo o universo de significados da vida naquelas paragens, tornou-nos reféns de uma curiosidade quase jornalística. Ainda assim, os resultados desta fase, no que diz respeito à execução dos produtos do projeto, foram plenamente satisfatórios.7
     O acervo gerado em vídeo (36 horas) retratou a realidade encontrada, permitindo a comparação histórica com o relatório de Chagas e registrando um pouco da memória popular, confrontando-a, muitas vezes, com os temas oriundos do discurso científico. A qualidade de conteúdos obtida nos depoimentos constantes deste importante conjunto de fontes demonstrou a viabilidade da metodologia escolhida, embasando a decisão de investir no projeto, incorporando novos grupos de pesquisa. Mas o material gravado em áudio serviu, quase sempre, apenas para apoiar a coleta de dados secundários, tais como listas bibliográficas, relações de documentos, pequenos depoimentos indicando novas perspectivas de análise ou alguma fonte importante, mas quase nada de história oral, nenhum relato de vida.
     O uso das informações colhidas apontou, então, para algumas questões apenas tangenciadas nas entrevistas em vídeo, e que, pelo formato dado à coleta destes depoimentos no campo, não puderam ser desenvolvidas. Surgiram, também, histórias pessoais por demais interessantes, mas que, da mesma forma, perderam-se numa certa ‘superficialidade’ das entrevistas em relação à história de vida, imposta pela tentativa de objetivar o trabalho da unidade de videoteipe. É importante destacar que, dentro do projeto, sempre esteve compreendido que o marco definidor da transmissão cultural é a linguagem, tenha ela qualquer uma das formas encontradas entre os homens. Daí, os aspectos imagético e iconográfico ganharem esta dimensão. Mas a expressão oral continuou privilegiada como um viés de abordagem fundamental para o trabalho.
     A avaliação da primeira experiência indicava que, para uma plena potencialização do trabalho de recolhimento de histórias orais, deveria haver uma reformulação da proposta a partir da definição de objetivos e de escopo mais fechados, além de um redimensionamento na equipe. Prevaleceu a idéia de manter o recolhimento das "memórias da população", visando identificar uma memória coletiva a partir dos relatos individuais coletados, observando o significado e a amplitude da noção de região, resgatando histórias e descrições de cada lugar, estabelecendo comparações entre a atualidade do depoimento e outros depoimentos ou imagens antigos, buscando reflexões, explicações, inferências sobre o processo histórico vivenciado.
     Na realidade, buscavam-se as expressões dos saberes dominados, "estes blocos de saber histórico que estavam presentes e mascarados no interior de conjuntos funcionais e sistemáticos" (Foucault, 1982, p. 170). Somente partindo das memórias pessoais dos habitantes da região, dos saberes particulares, locais e descontínuos que continham, seria possível verificar se os indícios de saberes dominados encontrados na pesquisa documental efetivamente constituíam saberes históricos. A historicidade é determinada por sua oposição ao conhecimento que o circunda; principalmente àquele de viés científico do tipo que se tornou dominante em nossa sociedade. Seus conteúdos devem ser confrontados com os conteúdos históricos já estabelecidos.
     Agregou-se, ainda, à elaboração da memória das pessoas a questão do uso de plantas medicinais. Encaradas inicialmente como nova linha de trabalho no âmbito do projeto multidisciplinar, seriam enfocadas à luz de diversos referenciais. Os questionários que o grupo de pesquisa de saúde e ambiente aplicou durante a viagem possuíam um campo para o tema, encarregando-se o grupo de coletar plantas referidas como medicinais. Além disso, todos os grupos participantes gravaram depoimentos a esse respeito. O tema, que já estivera em evidência na primeira viagem, transformou-se, então, num estudo mais sistemático sobre tradições locais de uso de plantas medicinais.
     A equipe que participou do trabalho de campo em 1995 era formada por 19 pessoas, entre pesquisadores e técnicos de diversas instituições, dos quais quase a metade trabalhou com gravadores.8 No decurso das atividades avaliou-se que o resultado das entrevistas feitas em áudio estava muito aquém do esperado. As pessoas incumbidas desta tarefa não foram preparadas técnica, metodológica nem conceitualmente para produzir um acervo de história oral que atendesse ao objetivo de recuperar histórias de vida. As entrevistas resumiam-se, quase sempre, à aplicação de um questionário padrão, previamente definido, o qual não permitia o estabelecimento de uma relação de confiança entre entrevistador e entrevistado, fundamental para que o objetivo fosse atingido.9
     Os relatos pessoais passaram a ser registrados em vídeo. Ainda assim, as limitações impostas pelos formatos de entrevista que utilizávamos cerceavam a liberdade de expressão do entrevistado. Por exemplo, ao permitir-lhe uma fala longa, mas extremamente redundante, o entrevistador era advertido, pelo diretor de cena, de que devia interromper a resposta, pois o número de fitas seria insuficiente para finalizar o trabalho naquele ritmo. Ou, ao tentar inferir determinada situação que o entrevistado tinha dificuldade de narrar, reformulando a mesma pergunta em contextos ou de formas diferentes, vinha a lembrança de que aquela resposta arrancada aos pedacinhos dificilmente seria utilizada na montagem do vídeo-documentário. Momentos como estes repetiram-se a todo momento durante a viagem de cerca de quarenta dias.
     Assim, não pudemos aproveitar, na sua plenitude, as possibilidades desta tecnologia para capturar histórias de vida. As predefinições que instituíramos para o trabalho de campo tornavam os recursos do vídeo inadequados à rotina que estávamos acostumados a seguir com o gravador: longas conversas com os entrevistados, sem aquela parafernália de equipamentos que acompanha uma gravação de tevê, incluindo, às vezes, luzes direcionadas para o rosto do entrevistado e posições nada naturais para uma conversa descontraída.
     De toda forma, os resultados dos depoimentos em vídeo concernentes ao uso medicinal de plantas foram mais expressivos do que aqueles obtidos com fitas de áudio produzidas a partir de questionários. Isso se deveu às definições que adotamos para a construção das fontes orais. Trabalhando nos marcos mais elementares de constituição das estruturas culturais ao nos valermos de memórias individuais, seja pela via das histórias de vida, seja através de depoimentos orientados para determinados eventos ou fatos históricos, tendo sempre clareza de que sua construção se dá tanto ao nível da experiência pessoal estrita, como pelas representações sociais dos traços que a compõem.
     As formas simbólicas contidas nestas narrativas refletem os níveis de articulação entre o universo mental e imaginativo do narrador e os acontecimentos sociais concretos. E mais, conduzem o pesquisador através dos meandros de um imaginário social e coletivamente construído, mas cuja apropriação se dá de forma individual. Uma proposta de reflexão acerca de tradições populares a partir de relatos de vida tem, então, que privilegiar a história pessoal do entrevistado como a base da construção do contexto sobre o qual repousará a análise. São as histórias de vida destes indivíduos que vão situar as condições em que se deu a construção desta ou daquela tradição de uso.
     São estas histórias que podem informar sobre os fatos que se sucederam ao longo do processo histórico estudado. E é a partir de seus conteúdos que encadearemos as relações estabelecidas entre os "fatos objetivos", tão decantados pelos historiadores mais tradicionais e encontrados nas fontes convencionais, e os "fatos subjetivos", oriundos das interpretações e mediações feitas no discurso do narrador. Contemplar estas relações significa, nesse caso, não apenas estabelecer os nexos entre as fontes disponíveis, visando descobrir as tradições existentes entre as comunidades estudadas, mas também cotejar um conjunto de depoimentos orais — que servirá de base para a reconstituição das tradições de uso de plantas hoje vigentes — com séries documentais de outros suportes, referentes a períodos da história bem mais recuados.
     Para a terceira expedição, os objetivos da pesquisa histórica foram reafirmados: as "memórias populares" e as plantas medicinais continuavam a ser os alvos prioritários. Foi feita uma meticulosa revisão dos registros gerados em áudio e vídeo na viagem anterior, e definiu-se que teríamos um pesquisador designado especificamente para realizar as entrevistas sobre plantas medicinais e outro apenas para recolher as memórias dos lugares visitados, coletando os relatos de eventos e acontecimentos históricos e as histórias de vida narradas, principalmente, pelos habitantes mais velhos de cada localidade. Ambos trabalhariam com registros em áudio.10
     O vídeo, nesta viagem, foi otimizado e tentou atuar com o espectro mais amplo de questões possível, entre as quais as mais recorrentes diziam respeito às condições de saúde e de doença; aos processos, condições e relações de trabalho; às mudanças na geografia, no ambiente e nos ritmos da vida cotidiana; às condições de habitação e de vida da população. Nosso objetivo principal continuava a ser o de constituir um acervo que representasse, em grau de excelência, o universo social e cultural que estávamos vivenciando. Nesse sentido, imagens e entrevistas tinham que se completar harmoniosamente, tendo respeitados os padrões técnicos ideais.
     Um primeiro diagnóstico deste material, fruto muito mais do seu uso tanto do ponto de vista dos procedimentos de disponibilização do acervo (principalmente, copiagem, decupagem, indexação e transcrição), quanto da análise informativa dos conteúdos, aponta para o efetivo cumprimento das metas estabelecidas. A articulação entre as formas e os conteúdos dos registros nos diferentes suportes está se apresentando tão bem estruturada que tem nos parecido possível a realização, cerca de um ano após a geração do material, de um produto multimídia (que se valerá de todas as mídias vinculadas ao projeto: texto, fotografia, vídeo, áudio, iconografia [pinturas, desenhos] e mapas), cujo eixo central será a identificação da atual tradição de uso de plantas medicinais vigente nas calhas dos rios Acre e Purus.
     Finalizadas as etapas de campo do projeto, podemos dizer que, quanto às memórias pessoais e à reconstituição de saberes históricos derrotados nos embates da aculturação, o acervo produzido durante as três expedições possui um certo equilíbrio no que tange às questões gerais levadas para a população. Em todas as três, tomou-se como base do trabalho a comparação entre o universo descrito por Chagas em seu relatório, que, como já dissemos, possuía a estreiteza de uma observação clínica sobre a relação doença-trabalho, e as nossas próprias observações. Verificar a existência de memórias da expedição do ínicio do século era tarefa primeira.
     As fotografias antigas circulavam nas mãos de velhos e novos moradores, enquanto eles tentavam precisar o lugar exato e o ângulo do fotógrafo em cada imagem. Os nomes de grandes seringalistas, poderosos coronéis dos tempos áureos da borracha, eram evocados, proporcionando recordações e reflexões. Situações do dia-a-dia dos seringais, como o "barracão", a "estrada", o "batelão", as doenças, o patrão, levantadas a partir de uma pesquisa bibliográfica prévia ou incorporadas ao longo da vivência na região, representavam um conhecimento que servia como estímulo para a população opor seus próprios saberes. Apesar das grandes diferenças entre cada uma das expedições, esta é uma marca geral da pesquisa.

À guisa de conclusão

     A oralidade desempenhou papel preponderante no processo de transformação da vida dos homens em todo o planeta. Não devemos, entretanto, deixar de lado outras formas de expressão igualmente fundamentais, como a pintura, o desenho, a escrita, enfim, outras linguagens. Pensemos no estudo sobre o uso de plantas medicinais: ele tem como hipótese, grosso modo, que parte deste saber originou-se na medicina popular européia introduzida pelos colonizadores, parte advém das próprias práticas indígenas comuns na região e parte vem da cultura do Nordeste do Brasil, sob forte influência africana, e que chegou à região através dos intensos fluxos migratórios que se estabeleceram, principalmente, nas épocas áureas da borracha.
     Os relatos de cronistas, naturalistas e autoridades oficiais fornecerão dados referentes aos costumes mais antigos vigentes na região. A partir da década de 1930, a presença de antropólogos, sertanistas e indigenistas nas regiões estudadas se acentua, transformando os cadernos e relatórios de campo destes profissionais em fontes imprescindíveis ao trabalho. Mas o que são, em última análise, relatos de cronistas, naturalistas e autoridades oficiais e cadernos e relatórios de campo de antropólogos, sertanistas e indigenistas senão narrativas pessoais construídas no contato direto com as comunidades?
     Vamos refletir sobre a constituição intrínseca destes documentos. Estas narrativas, com maior ou menor objetividade, maior ou menor ‘cientificidade’, traduzem histórias transmitidas oralmente pelos membros dos grupos sociais estudados, além de exprimir observações, sensações e reações pessoais do autor sobre o elemento narrado. Parece-me claro que o papel das subjetividades na construção de todas estas narrativas — relatos dos cronistas, cadernos de campo dos antropólogos e história oral — é preponderante.
     O etnógrafo não se preocupa em transcrever fielmente o discurso do depoente, limitando-se a registrar as referências que lhe interessam ou lhe chamam a atenção. Todavia, qual é o procedimento habitual entre os ‘historiadores orais’ (se é que isso existe), quando se propõem a ir além da coleta dos depoimentos? Transcrever as fitas, circunscrever todo um mundo de emoções, de expressões prenhes de sentidos não verbalizados, de silêncios extremamente significativos, dentro das rigorosas normas gramaticais que regulamentam a construção do texto escrito. O mesmo caráter interpretativo presente na ação do etnógrafo estará presente no trabalho do historiador que abre mão da narrativa oral e se pauta pelas transcrições das entrevistas?
     As crônicas dos viajantes devem ser avaliadas com um certo cuidado porque foram produzidas em contexto histórico onde o imaginário acerca do Novo Mundo era por demais fantasioso e, muitas vezes, enxergava concretude em lendas e fantasias em fatos concretos. É de se crer que, se fôssemos acatar os paradigmas de objetividade para as ‘verdades científicas’, os relatos orais produzidos hoje em dia são muito mais aceitáveis ou convincentes, como prova dos fatos históricos, do que as narrativas dos naturalistas dos séculos passados. No entanto, cada tipo de fonte, ao seu modo, traz implícitas as marcas da subjetividade de sua construção e da tentativa de constituição de uma memória daquele tempo e lugar historicamente determinados.
     O debate acerca do papel das subjetividades dentro dos procedimentos historiográficos tem relatado uma tendência ao surgimento de estudos que enfoquem o papel dos indivíduos na construção de meios coletivos ou institucionais, bem como o seu envolvimento nos processos históricos. A história oral surge, então, já dentro de uma filosofia da história muito mais livre das amarras positivistas e racionalistas que dominaram o cenário historiográfico até bem recentemente, como uma técnica que possibilita ao historiador da cultura transitar por epistemes muito mais ajustadas à questão, sem abandonar seu referencial original.11
     Segundo Portelli (1960, p. 60), "o principal paradoxo da história oral e das memórias é, de fato, que as fontes são pessoas, não documentos, e que nenhuma pessoa, quer decida escrever sua autobiografia, quer concorde em responder a uma entrevista, aceita reduzir sua própria vida a um conjunto de fatos que possam estar à disposição da filosofia de outros (nem seria capaz de fazê-lo, mesmo que o quisesse)".
     Certamente não são apenas as fontes orais que possibilitam aos historiadores reconstituir as relações culturais de uma sociedade. Há infinitos conjuntos de fontes textuais (às vezes, imprescindíveis) que permitem o trabalho com questões relativas à cultura. Há, também, as fontes iconográficas, tradicionalmente cultuadas neste sentido. Porém, ao lidar com a memória enquanto objeto primordial de análise, o historiador não pode deixar de inferir sobre a conotação cultural deste discurso.
     Geertz (1989, p. 39) adverte que uma "análise cultural é intrinsecamente incompleta e, o que é pior, quanto mais profunda, menos completa". Ele afirma que "há uma série de caminhos para fugir a isso — transformar a cultura em folclore e colecioná-lo, transformá-la em traços e contá-los, transformá-la em instituições e classificá-las, transformá-la em estruturas e brincar com elas. Todavia, isso são fugas".

 

NOTAS

1 As relações entre memória e história podem ser recuperadas, por exemplo, a partir do ensaio de Jacques Le Goff (1984) para a Enciclopédia Einaudi, intitulado Memória, no qual ele historia o processo de transformação da memória como elemento essencial para a construção da identidade individual e coletiva, valendo-se de um modelo analítico proposto por Leroi-Gourhan (1983) que parte da idéia de uma "memória coletiva" enquanto fenômeno social, de Halbwachs. Também Michael Pollak (1992), em conferência proferida na Fundação Getúlio Vargas (FGV) em 1987, procurou tratar do problema desta ligação entre memória e identidade social, estabelecendo seus marcos teóricos mais importantes e apontando as principais linhas de abordagem da questão. É importante frisar, ainda, a obra de Pierre Nora (1985), acerca dos lugares da memória e de suas imbricações com a esfera do político.

2 Como coloca Ecléa Bosi (1994, p. 37), este tipo de registro "alcança uma memória pessoal que é também uma memória social, familiar e grupal". Nesse sentido, o trabalho se desenvolve "naquela fronteira em que se cruzam os modos de ser do indivíduo e da sua cultura". Cultura, aqui, entendida como uma rede de signos interpretáveis, socialmente construídos, dentro da qual podem ser compreendidos os acontecimentos sociais, os comportamentos ou os processos históricos (Geertz, 1989).

3 O projeto ‘Revisitando a Amazônia de Carlos Chagas’ realizou três expedições científicas multidisciplinares: em 1991, pelos rios Juruá, Tarauacá e Solimões; em 1995, pelos rios Negro e Branco; e em 1997, pelos rios Acre, Yaco e Purus. Teve, também, seu escopo ampliado a partir de 1994, passando a reunir mais profissionais, de diferentes formações, em busca de uma interpretação multidisciplinar da região estudada.

4 Partiram com ele, do Rio de Janeiro, os pesquisadores Pacheco Leão e João Pedroso. Durante cinco meses, percorreram cidades, vilas e seringais, buscando uma saída para a produtividade da economia da borracha, através da melhoria das condições de saúde dos seringueiros.

5 A malária era considerada o principal inimigo desta atividade, e, caso se conseguisse acabar com ela, ou pelo menos controlá-la, a produção cresceria de novo e reocuparia a ponta do mercado mundial. Para Carlos Chagas, as condições de saúde das populações visitadas eram determinadas pelas enfermidades que existiam, pela inexistência de assistência médica, pelo tipo de trabalho que executavam e pela alimentação. Ele considerou as características culturais destas comunidades somente dentro destes aspectos e sempre como determinantes das péssimas condições de saúde em que viviam.

6 No caso de sedes municipais eram sempre entrevistados o prefeito, o secretário de Saúde e, quando havia hospital, o seu diretor. Todos estes atores trazem, em princípio, os mesmos traços de oficialidade e coletividade citados.

7 Dois historiadores, dois sociólogos, um médico residente e um cinegrafista, todos vinculados à Fiocruz. Tínhamos um roteiro definido — o de Carlos Chagas — e um contato prévio com as prefeituras. No entanto, toda a infra-estrutura (hospedagem, alimentação, transporte, espaços de trabalho) foi sendo negociada ao longo da viagem. O principal produto desta fase foi o vídeo Chagas na Amazônia com diireção de Eduardo V. Thielen e Luis Otávio Coimbra, produção da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, 53min, 1992.

8 Tomaram parte da equipe multidisciplinar pesquisadores e técnicos da Fiocruz, Instituto de Medicina Tropical de Manaus, Universidade do Amazonas, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Museu Goeldi, além de uma equipe do Jornal do Brasil. Esta fase teve como principais produtos o livro Revisitando a Amazônia: expedição aos rios Negro e Branco refaz percurso de Carlos Chagas em 1913, o qual traz uma contextualização do processo histórico transcorrido no rio Negro entre a viagem de Chagas e a atual, além de uma crônica jornalística da expedição de 1995, e o vídeo Chagas nos rios Negro e Branco, dirigido por Eduardo Thielen e Fernando Dumas (produção da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, 55min, 1996), onde as propostas historiográficas da pesquisa estão mais bem elaboradas.

9 Segundo Alan Blanchet e Anne Gotman (1992, pp. 19-20), "a pesquisa realizada através dos relatos de vida se caracteriza por oposição ao método de aplicação de questionários, na medida em que, visando a produção de um discurso linear sobre um tema dado, este implica a abstinência de colocar outras questões para além das pre-existentes".

10A expedição de 1997, também com acentuado caráter pluridisciplinar, contou com 17 pesquisadores e técnicos da Fiocruz, Organização Mundial de Saúde (OMS), Universidade Federal do Acre, Hospital Alfredo da Matta (Manaus), Instituto de Medicina Tropical de Manaus, Fundação Nacional de Saúde (FNS) e Secretaria de Saúde do Estado do Acre.

11 Se formos considerar o período da história da historiografia definido como ‘história positivista’, limitar-nos-íamos ao período decorrido basicamente entre 1870 e 1920. Todavia, a generalização contida no texto refere-se à ênfase nos procedimentos ‘objetivos’ de seleção e crítica das fontes de pesquisa que até hoje são ensinados nas faculdades de história. Acho importante destacar que, muitas vezes, o pesquisador trabalha com ‘novos objetos’, buscando ‘novas abordagens’, dentro de uma visão de história que ele considera ‘moderna’, mas seus procedimentos mentais de trabalho — criação das hipóteses, desenvolvimento de análises, elaboração dos quadros teóricos e metodológicos — ainda não se libertaram dos dogmas cientificistas, gerados pelas e para as ciências de laboratório, que primam por um distanciamento crítico entre o observador e seu objeto e pela construção de análises objetivas da sociedade. O resultado é um trabalho que frustra o leitor verdadeiramente crítico, já que, via de regra, os resultados destas interpretações tangenciam questões efetivamente importantes e interessantes sem, contudo, jamais penetrá-las.

 

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Recebido para publicação em 23.10.1997.

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