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História, Ciências, Saúde-Manguinhos

Print version ISSN 0104-5970On-line version ISSN 1678-4758

Hist. cienc. saude-Manguinhos vol.16 no.3 Rio de Janeiro July/Sept. 2009

https://doi.org/10.1590/S0104-59702009000300013 

NOTA DE PESQUISA

 

Biblioteca Virtual Carlos Chagas Filho: um espaço para divulgação da ciência brasileira contemporânea

 

Carlos Chagas Filho Virtual Library: a space for disseminating contemporary Brazilian science

 

 

Francisco dos Santos LourençoI; Daniela PassosII; Marcus Teixeira MendonçaIII; Thiago Werneck GonçalvesIV; Darcy Fontoura de AlmeidaV

IPesquisador do Departamento de Arquivo e Documentação/Casa de Oswaldo Cruz/Fundação Oswaldo Cruz. flourenc@coc.fiocruz.br
IIBacharel em história pela Universidade Gama Filho. dpassos@coc.fiocruz.br
IIIBacharel em história pela Universidade Federal Fluminense (UFF). marcustm10@hotmail.com
IVBacharel em história pela UFF. thiagowerneck21@globo.com
VProfessor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho. Av. Brasil, 4366/601 - 21040-900 - Rio de Janeiro - RJ - Brasil. darcyalmeida@terra.com.br

 

 


RESUMO

Relata o processo de elaboração da biblioteca virtual dedicada à vida e obra de Carlos Chagas Filho. A pesquisa foi realizada no arquivo do próprio cientista e no de algumas instituições científicas e culturais em que ele atuou como membro e/ou dirigente. Os resultados obtidos até o momento demonstram que as informações e os documentos coletados contribuem para o conhecimento da prática científica no Brasil ao longo do século XX, bem como revelam suas interações com os movimentos das ciências biomédicas no exterior.

Palavras-chave: Carlos Chagas Filho; história das ciências; divulgação científica.


ABSTRACT

The article reports on the process of compiling a virtual library centered on the life and work of Carlos Chagas Filho. The research has included both the scientist's own archives as well as those of some scientific and cultural institutions where he was an active member or leader. Results on the information and documents collected to date show that these contribute to an understanding both of twentieth-century scientific practice in Brazil and of its interaction with movements in the biomedical sciences abroad.

Keywords: Carlos Chagas Filho; history of sciences; promotion of scientific information.


 

 

Todos os esforços no campo educacional, como no de divulgação ao povo, devem ser tentados.

Carlos Chagas Filho

 

No contexto da história das ciências contemporâneas, Carlos Chagas Filho (1910- 2000) é, sem dúvida, personalidade marcante. No período compreendido entre as décadas de 1930 e 1990, suas múltiplas atividades influíram de modo decisivo na trajetória das ciências biomédicas não só no Brasil como também no exterior. Podemos afirmar que, em várias ocasiões, sua intervenção foi fundamental, como no caso da história da fundação, em 1945, do Instituto de Biofísica da Universidade do Brasil, atual Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Góes Filho, 1997; Mariani, 1982).

Carlos Chagas Filho foi um dos pioneiros na pesquisa científica como atividade primordial da universidade brasileira1, configurada em particular na criação de institutos universitários de pesquisa.2 A passagem a seguir, retirada de sua apresentação à 2ª Conferência Internacional das Universidades, realizada em Istambul, Turquia, em 1955, sintetiza bem seu pensamento e roteiro de trabalho:

O título mesmo de meu relatório "O papel da universidade na formação de pesquisadores científicos" merece algumas considerações. O que nele me inquieta é a necessidade de formular e discutir uma responsabilidade que é imanente à própria ideia de universidade. Para mim, a universidade é essencialmente um centro de investigação por isso mesmo: porque pesquisa, ensina e porque é parte integrante de nossa sociedade, conferirá diplomas (Chagas Filho, 1956, p.72; grifos nossos).

Formado em medicina pela Universidade do Rio de Janeiro em 1931 e, em novembro de 1934, pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC), onde seguiu as trajetórias de seu ilustre pai, Carlos Ribeiro Justiniano Chagas (1878-1934), e de seu irmão, Evandro Serafim Lobo Chagas (1905-1940), encontrou Carlos Chagas Filho seu caminho próprio na aplicação de métodos e técnicas da física e da físico-química para o estudo e a compreensão dos fenômenos biológicos. Em 1937, aos 27 anos de idade, alcançou a cátedra de física biológica da Faculdade Nacional de Medicina, posição que lhe permitiu pôr em prática suas ideias e seus pensamentos a respeito da vida na universidade (Chagas Filho, 2000; Almeida, 2003a).

É indispensável destacar a influência de José da Costa Cruz (1894-1940), Miguel Ozório de Almeida (1890-1953) e José Carneiro Felippe (1886-1951), do IOC, e Emmanuel Fauré-Fremiet (1883-1971) e René Bernard Wurmser (1890-1993), do Instituto de Biologia Físico-Química de Paris, na opção de Carlos Chagas Filho ao enfrentar a dualidade Manguinhos versus universidade, em face do artigo 159 da Constituição de 1937 e do artigo 2º do decreto-lei 24, de 29 de novembro de 1937, relativos à desacumulação de cargos. Carlos Chagas Filho deparou, mais cedo do que poderia prever, com séria encruzilhada em sua vida científica. A esse respeito, suas manifestações no depoimento concedido à Casa de Oswaldo Cruz (COC), entre 1987 e 1988, são eloquentes: "eu tinha amigos muito ligados ... Evandro, Walter, Emmanuel, Moussatché, Mário Viana Dias..., Costa Cruz, Carneiro Felippe, Miguel Ozório, Astrogildo Machado..., Costa Lima, por exemplo..., pessoas com que eu convivia muito. E eu sabia que não iria encontrar pessoas iguais na Faculdade de Medicina. De modo que foi muito duro (Chagas Filho, 1988, p.225-226).

Em outra passagem do mesmo documento, o cientista recorda suas dificuldades em recusar os pedidos do irmão:

[Fui] censuradíssimo por todos os meus companheiros de Manguinhos, inclusive por meu irmão, que só entregou o meu pedido de escolha, de opção, no último dia. Porque quando houve a Constituição de [1937], a chamada 'Polonesa' do Getúlio Vargas, acabou-se com qualquer forma de acumulação. Era uma medida salutar, na minha opinião, mas ela deixou de ser salutar porque não foi compensada com um aumento de vencimentos, e com o tempo integral no cargo que o sujeito quisesse ficar, não é? ... E eu me lembro que estava em Paris, comecei a receber telegramas, telefonemas, pedindo que eu desistisse da opção para continuar em Manguinhos. Mas eu achava muito importante voltar à Faculdade. Eu achava muito importante ter contato com os alunos, tirar o mais possível que eu pudesse como colaboração. E além do mais, eu estava muito interessado numa biologia física, com técnicas físicas, que não havia em Manguinhos, e numa biologia multidisciplinar (Chagas Filho, 1988, p.223).

Em trabalho recente, Darcy Fontoura de Almeida (2008, p.273) chega à conclusão, após análise das evidências disponíveis, de que o cientista já estava então decidido a migrar para outra disciplina:

A saída que afinal se impôs como a mais viável, ainda que carregada de óbvias implicações afetivas, pois atingia a intimidade de seu núcleo familiar, foi a do afastamento, a migração para outros horizontes. Mais do que isso, prevaleceu o surgimento imprevisto de uma nova e diferente tarefa, de grandeza talvez semelhante às de seus antecessores. Agora, era tempo de se preparar para desenvolver o encanto por uma nova disciplina, com fé no futuro.

Como reflexo dessa opção, sua carreira se apresenta pontilhada de atitudes inovadoras, desde a escolha dos jovens integrantes de sua equipe - recrutados em geral em meio a estudantes de medicina - para treinamento em trabalhos de laboratório inseridos em projetos de pesquisa; a introdução de novas técnicas físicas aplicáveis à biologia e à medicina; a adoção de um modelo autóctone de pesquisa - e por isso inédita, sobre o peixe-elétrico ou poraquê, Electrophorus electricus, que acabou por revelar propriedades específicas e originais em bioeletrogênese -; a adoção de pesquisas interdisciplinares; e intenso intercâmbio com laboratórios nacionais e estrangeiros, envolvendo de fato seus estagiários de iniciação científica (Almeida, 2002; Chagas Filho, 1966; Friedrich, Rodrigues, 1998; Góes Filho, 1997; Mariani, 1982). Ressalte-se, ainda, o reconhecimento da importância de sua trajetória, traduzido em numerosas homenagens e premiações no Brasil e em vários outros países.3

Em sua época, cada uma dessas atitudes e iniciativas de Carlos Chagas Filho representou um passo à frente para a ciência brasileira. Dessa forma, seu prestígio cresceu e o levou a participar de diversas instituições de pesquisa, ensino e política científica, no Brasil e exterior, a exemplo do Setor de Pesquisas Biológicas (1951-1955) e do Conselho Deliberativo (1952-1960), do Conselho Nacional de Pesquisas, do Comitê Assessor de Pesquisas Médicas da Organização Mundial da Saúde (1951-1962; 1971-1973), do Comitê Científico das Nações Unidas Para o Estudo dos Efeitos das Radiações Atômicas (1956-1965), da Faculdade de Medicina (1964-1966), do Comitê Para a Aplicação da Ciência e Tecnologia Para o Desenvolvimento, do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (1966-1970), e da Missão Permanente do Brasil junto à Unesco (1966-1970).

Carlos Chagas Filho foi um dos raros membros de três das mais renomadas academias brasileiras - as de Ciências (1941), Medicina (1959) e Letras (1974) - e também um divulgador da ciência, tendo sido responsável por programa de palestras na Rádio Ministério da Educação, intitulado "Pensando no Brasil", entre 1952 e 1953.

Na Academia Pontifícia de Ciências do Vaticano, Carlos Chagas Filho ocupou posição singular, ao se tornar o primeiro presidente laico da instituição. Nela cumpriu quatro mandatos consecutivos, no total de 16 anos (1972-1988), durante os quais modificou profundamente a estrutura da Academia, que passou a receber novos membros de ambos os gêneros, de várias etnias e de uma multiplicidade de crenças religiosas. Como era de seu feitio, pôs em ação novos procedimentos, como a realização de Semanas de Estudos sobre temas científicos de interesse na época, com a participação de especialistas de reconhecida competência, e ainda a discussão das relações entre religião e ciência. São destaques de sua atuação à frente da Academia a datação do Santo Sudário, o processo de reabilitação de Galileu Galilei e a elaboração de documento contra a utilização da energia nuclear para fins não pacíficos, assinado pelos chefes das principais nações envolvidas na questão - trabalhos que exigiram extrema habilidade política e competência científica de vários grupos de cientistas (Chagas Filho, 2000).

 

Figura 1

 

Tendo em vista a relevante biografia do cientista para a história das ciências, a Biblioteca Virtual Carlos Chagas Filho (BVCCF)4 qualifica-se como um daqueles "endereços na Internet especialmente concebidos como lugar de sistematização e disseminação de documentos e informações relativos a ilustres personagens da ciência e tecnologia brasileiras" (Alves, 2001, p.705). Desse modo, a BVCCF, como projeto interdisciplinar de pesquisa - que abarca as áreas de documentação, história das ciências e informação -, se insere no segmento de estudos da COC dedicado a trajetórias de cientistas, para o qual já foram elaboradas bibliotecas virtuais sobre Oswaldo Cruz, Carlos Chagas, Adolpho Lutz e Vital Brasil.

Até o presente, os resultados obtidos dizem respeito às pesquisas junto a entidades situadas na cidade do Rio de Janeiro que têm sob custódia acervos arquivísticos relacionados ao saber/fazer científico e cultural. Coadunando assuntos e documentos (textuais, iconográficos e filmográficos), o trabalho foi dividido em duas etapas, tendo como suporte a análise de literatura especializada sobre a atuação do cientista.5 Na primeira, a pesquisa no arquivo de Carlos Chagas Filho, em processo de organização pelo Departamento de Arquivo e Documentação da COC, propiciou o mapeamento das diversas áreas de sua competência. Fontes privilegiadas de informações sobre o cientista, os documentos de seu arquivo explicitam "seu pensamento político, social e científico, articulando estas duas últimas vertentes à sua religiosidade" (Lima et al., 2005, p.187). Na segunda etapa foram investigados o arquivo do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, sob a guarda do Museu de Astronomia e Ciências Afins, o da Academia Brasileira de Ciências, o da Academia Nacional de Medicina e o da Academia Brasileira de Letras, focalizando-se a trajetória de Carlos Chagas Filho como membro e/ou dirigente dessas instituições. Em ambas as etapas, o levantamento orientou-se de modo a identificar e contextualizar facetas de sua vida e obra, no que se refere à sua inserção nos processos de formulação de políticas de desenvolvimento, promoção e valorização da prática científica e cultural, no Brasil e no exterior, ao longo do século passado.

 

Figura 2

 

Diante da ausência de curriculum vitae elaborado com base em documentos originais e fatos bem comprovados, foi confeccionada ainda uma cronologia profissional de Carlos Chagas Filho, tendo por fonte os arquivos supracitados. A última versão do currículo do cientista, provavelmente redigida no final da década de 1990, apresenta alguns equívocos e imprecisões quanto à ocorrência dos fatos que demarcam sua trajetória, corrigidos então na cronologia, que inclui os seguintes aspectos: títulos acadêmicos; funções e atividades exercidas; trabalhos publicados; palestras, discursos e conferências realizadas; participação em organização de eventos; premiações e outras atividades. Na sistematização dos dados integrantes desses tópicos, evidenciaram-se elementos até então inéditos a respeito da trajetória do cientista. O Quadro 1, relativo ao ano de 1967, exemplifica a configuração adotada:

Encerradas as etapas iniciais de identificação e seleção de conteúdos e itens documentais, iniciou-se a fase de formatação da BVCCF, ora em andamento, que obedece a normas e princípios estabelecidos entre a COC e o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme), para bibliotecas virtuais de personagens da saúde disponíveis na Biblioteca Virtual em Saúde6, em sua seção História e Patrimônio Cultural da Saúde. O desenho preliminar da estrutura da BVCCF adota como parâmetros os segmentos concebidos para a Biblioteca Virtual em Saúde Adolfo Lutz7, primeira iniciativa do gênero, mantidas, porém, as especificidades inerentes à trajetória do personagem biografado. Os segmentos - denominados fontes de informação - são: (i) Trajetória; (ii) Cronologia, elemento original; (iii) Obra científica (livros, artigos, discursos, conferências e palestras); (iv) Sobre o cientista; (v) Imagem e som; (vi) Arquivos.

 

Figura 3

 

Definidas as motivações, bem como as estratégias que conduzem à realização da BVCCF como instrumento de divulgação e pesquisa na grande rede, outra característica se apresenta imbricada a essa sua funcionalidade. Além de constituir uma forma específica de utilização das tecnologias da informação hoje disponíveis, a BVCCF exibe atributos iguais aos que estão associados à identidade simbólica do correspondente arquivo do cientista e do Espaço Memorial8, erigido em sua homenagem como lugar de memória coletiva da ciência brasileira (Nora, 1993).

Essa interpretação deve ser compreendida como forma de adequação do emprego desse conceito às necessidades oriundas do emprego das modernas redes de comunicação via web e de seu impacto no dia-a-dia das sociedades, inexistentes à época do surgimento daquela ideia. Sua pertinência, no entanto, não se fundamenta em aspectos ufanistas de glorificação de homens e seus feitos, nos antigos moldes empírico-factuais de narrativas e descrições, mas sim na perspectiva de construção e difusão de conhecimentos dentro de contextos políticos, socioeconômicos e culturais.

Sendo assim, com lançamento previsto para 2010, ano das comemorações do centenário de nascimento de Carlos Chagas Filho, a biblioteca virtual relativa ao cientista terá atingido o objetivo matricial de sua proposta de elaboração: tornar pública a sua obra múltipla e variada, que transcende por vezes a esfera da ciência.

 

NOTAS

1 Para o entendimento do processo histórico de criação da universidade no Brasil, ver, entre outros, Mendonça, 2000; Lobo, 1980; Fávero, 2006; e Schwartzman, 1979.

2 Schwartzman (1979, p.234, 236) trata do assunto de forma modelar, ao afirmar: "Sua aspiração era, conseguindo a cadeira, implantar uma linha de trabalho científico-experimental na Faculdade, que considerava imprescindível para a formação de médicos na era pós-pasteuriana ... Assim, trabalhando em laboratórios improvisados em salas da Faculdade de Medicina, conseguiu formar um grupo aglutinado em torno do trabalho científico, dispensando qualquer controle de horário ou produtividade, dentro da ideia de que a ciência é uma atividade dotada de ritmo próprio sobre o qual não se pode interferir sem graves danos".

3 Apenas como exemplos da variedade de títulos, prêmios e homenagens, citamos os títulos de doutor honoris causa das Universidades de Paris (1954), Coimbra (1960) e Ibadan (1969), as medalhas Gaspar Vianna (1962), Inconfidência Mineira (1963) e Pio XII (1966), os prêmios Moinho Santista (1960), Almirante Álvaro Alberto para Ciência e Tecnologia (1988), Mondial Cino Del Duca (1989) e Oswaldo Cruz (1999), como também a designação de seu nome para uma espécie de nematódeo, Litomosoides chagasfilhoi (Moraes Neto, Lanfredi, De Souza, 1997).

4 O projeto Biblioteca Virtual Carlos Chagas Filho, sob a coordenação-geral de Paulo Gadelha e com recursos e apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), da Vice-Presidência de Desenvolvimento Institucional e Gestão do Trabalho e da Presidência da Fundação Oswaldo Cruz, vem sendo realizado desde 2005 no Departamento de Arquivo e Documentação da COC. Participaram e/ou participam de sua execução: Ana Luce Girão Soares de Lima, André Luiz Miranda Cavalcante, Carolina de Oliveira Salgado, Cecília Chagas de Mesquita, Luís Cláudio da Costa Thomaz, Daniela Passos, Darcy Fontoura de Almeida, Fernanda da Costa Monteiro Araújo, Francisco dos Santos Lourenço, Leonardo Arruda Gonçalves, Marcus Teixeira Mendonça, Nathacha Regazzini Bianchi Reis, Ricardo Augusto dos Santos, Rita de Cássia de Jesus Morais, Thiago Werneck Gonçalves e Vivian Luiz Fonseca. Alguns desses profissionais também estão envolvidos no processo de organização do arquivo do cientista.

5 Além das obras mencionadas no texto, os seguintes estudos foram relevantes para orientar o manejo das fontes primárias relacionadas a Carlos Chagas Filho: Almeida, 2003b; Carvalho, 1983; Chagas Filho, 1972; Gonçalves, Lourenço, 2005; Marini-Bettòlo, 1987; Tolmasquim, Domingues, 1998.

6 O advento dessa ferramenta tecnológica, segundo Moisés Goldbaum (2000, p.1), garantiu "o acesso, em tempo real, dos pesquisadores e profissionais (em especial da área de saúde) de qualquer parte do mundo (assegurada, obviamente, a existência dos equipamentos necessários para tanto) aos periódicos e publicações tecnocientíficas com seus textos completos, significando um passo importante para o processo de democratização da informação científica". Essa nova forma de disseminação de conteúdos em larga escala propiciou, também, o desenvolvimento de outras modalidades de bibliotecas virtuais, entre as quais aquelas dedicadas à vida e obra de personalidades da história das ciências biomédicas e da saúde pública.

7 A esse respeito, ver www.bvsalutz.coc.fiocruz.br.

8 O Espaço Memorial Carlos Chagas Filho, localizado no Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Cidade Universitária, Ilha do Fundão, Centro de Ciências da Saúde, bloco G), expõe fardões, diplomas, certificados, medalhas e fotografias pertencentes ao cientista, bem como uma réplica de seu escritório, com equipamentos e aparelhos utilizados para fins didáticos, durante os primeiros anos de vida daquela instituição.

 

REFERÊNCIAS

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