SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.24THE SEXED BEING IS ONLY AUTHORIZED BY HIM/HERSELF AND BY SOME OTHERSGENDER, SEXUALITY AND THE SEXUAL: THE SUBJECT BETWEEN BUTLER, FOUCAULT, AND LAPLANCHE author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Psicologia em Estudo

Print version ISSN 1413-7372On-line version ISSN 1807-0329

Psicol. Estud. vol.24  Maringá  2019  Epub Feb 18, 2019

http://dx.doi.org/10.4025/1807-0329e41860 

Artigo

ASCENSÃO PROFISSIONAL FEMININA, GESTAÇÃO TARDIA E CONJUGALIDADE

ASCENSIÓN PROFESIONAL FEMENINA, EMBARAZO TARDÍO Y RELACIÓN CONYUGAL

Diogo Bruzamarello1 
http://orcid.org/0000-0002-9056-3960

Naiana Dapieve Patias1  2 
http://orcid.org/0000-0001-9285-9602

Cláudia Mara Bosetto Cenci1 
http://orcid.org/0000-0001-9998-2339

1Faculdade Meridional(IMED), Passo Fundo-RS, Brasil.


RESUMO

A ascensão profissional feminina, dentre outras mudanças sociais e culturais, tem modificado os padrões das famílias na contemporaneidade. Um dos padrões refere-se ao adiamento da maternidade e como os casais vivenciam esta decisão, na relação conjugal. O objetivo desse estudo é compreender a decisão dos casais, principalmente da mulher, de adiar a parentalidade e como esta decisão impacta na relação conjugal. A pesquisa é de cunho qualitativo, transversal e descritivo. Participaram 16 indivíduos heterossexuais casados que responderam a uma entrevista semiestruturada. A análise das entrevistas foi realizada por meio da análise de conteúdo, da qual emergiram três categorias: (a) questão financeira no processo parental: 'ter filho com que dinheiro?', (b) tentativa de controle versus surpresa da gestação, e (c) gestação tardia e calmaria na conjugalidade. Evidenciou-se uma preocupação significativa quanto à seguridade financeira para gestar, assim como o desejo de controle dos casais com relação ao momento adequado da gestação e da maturidade emocional vivenciada pelos entrevistados quanto à gestação tardia. No que diz respeito à conjugalidade, os casais manifestam que a mesma trouxe união e compreensão.

Palavras-chave: Ascensão profissional feminina; gestação tardia; conjugalidade

RESUMEN

La ascensión profesional femenina, entre otros cambios sociales y culturales, ha modificado los patrones de las familias en la contemporaneidad. Uno de dichos patrones se refiere a la prórroga de la maternidad y cómo las parejas experimentan, en la relación conyugal, esa decisión. El objetivo de este estudio ha sido comprender la decisión de las parejas, principalmente de la mujer, de posponer la etapa parental y cómo esa decisión impacta en la relación conyugal. La investigación posee cuño cualitativo, transversal y descriptivo. Participaron dieciséis individuos heterosexuales casados que respondieron a una entrevista semiestructurada. Las entrevistas se han evaluado según el análisis de su contenido, del cual surgieron tres categorías: (a) La cuestión financiera en el proceso parental: '¿es asumible económicamente tener un hijo?', (b) La tentativa de control versus la sorpresa del embarazo, y (c) El embarazo tardío y la tranquilidad en la relación conyugal. Se ha evidenciado una preocupación significativa en cuanto a la seguridad financiera para la gestación, así como el deseo de control de las parejas con respecto al momento adecuado del embarazo, y de la madurez emocional vivenciada por los entrevistados en función del embarazo tardío. En lo que se refiere a la relación conyugal, las parejas manifiestan que la misma trae unión y comprensión.

Palabras clave: Ascensión profesional femenina; embarazo tardío; relación conyugal

ABSTRACT

Women professional growth, among other social and cultural changes, has modified the standards of families in the contemporary world. One of these standards refers to the postponement of motherhood, and how couples experience this decision in the marital relationship. This study aimed to understand the decision of couples, especially women, to delay parenting, and how this decision influences the marital relationship. The research is qualitative, cross-sectional, and descriptive. Sixteen heterosexual married individuals participated in a semi-structured interview. The analysis of the interviews was performed through content analysis, from which emerged three categories: (a) Financial issue in the parental process: 'can we afford having a child?', (b) Attempt of control versus surprise of pregnancy, and (c) Late pregnancy and calmness in the conjugal relationship. There was a significant concern with respect to the financial security to get pregnant, besides the couples’ desire to control the appropriate time to pregnancy, and emotional maturity experienced by the interviewees related to late pregnancy. Regarding the conjugal relationship, couples manifested that it brought unity and understanding.

Keywords: Women professional growth; late pregnancy; conjugal relationship.

Introdução

Na contemporaneidade, tem sido comum a decisão dos casais de aguardar o momento ideal, em que tenham a seguridade financeira e profissional para gestar. Em função desta escolha, muitos casais terão seu primeiro filho depois dos 35 ou 40 anos, considerada, na literatura, sob o termo 'gravidez tardia' ou 'maternidade tardia' (Andrade et al., 2004; Ministério da Saúde, 2012). De fato, na atualidade, principalmente nas camadas médias e altas da população, um dos critérios para ter filhos refere-se às possibilidades financeiras que o casal julga necessitar para sustentar os custos advindos após o nascimento da criança (Matos & Magalhães, 2014).

A opção por ter filhos pode denotar o enfraquecimento das ambições pessoais como, por exemplo, adiar planos de carreira mais audaciosos ou deixar de consumir alguns bens materiais desejados para o futuro. Outra preocupação comum entre casais refere-se ao fato de que ter filhos significa ter outro ser humano totalmente dependente afetiva e financeiramente deles. Esta dependência do filho comprometeria a autonomia e a independência de cada um dos cônjuges, trazendo insegurança quanto à seguridade financeira e relacional do casal (Matos & Magalhães, 2014).

A participação da mulher no mercado de trabalho é um fenômeno presente na sociedade brasileira. No entanto, na atualidade, percebe-se a ampliação da inserção da mulher no mercado de trabalho sendo que os dois cônjuges trabalham e a renda proveniente do trabalho feminino é um fator importante para a sustentabilidade econômica da família. Além da sustentabilidade, há também maior poder de consumo dos casais, pois encontram-se inseridos em uma sociedade que possui valores culturais pautados na individualidade na crença de que o consumo de bens é um meio para viver mais feliz (Zanirato & Rotondaro, 2016).

Aliando-se à questão financeira, outro aspecto importante tem se modificado na representação social do universo feminino. Outrora, tornar-se mãe parecia o destino inevitável de toda mulher, sendo essencial para sua identidade feminina. Nos dias atuais, principalmente em classes médias e altas da população, evidenciam-se cada vez mais mulheres fazendo suas escolhas, priorizando sua carreira profissional e seus estudos em detrimento da identidade mulher-mãe. A escolha pelo papel de mulher e não de mãe como prioridade configura-se numa realidade crescente entre as escolhas femininas (Lopes, Dellazzana-Zanon, & Boeckel, 2014; Patias & Buaes, 2012).

Ainda, a economia na contemporaneidade tem ditado os padrões de consumo, influenciando quando e como ter filhos. Se a opção for por ter filhos, também existe a possibilidade de escolha na forma com que o filho nascerá, poderá ser por meio de parto normal ou de cesárea. Após o parto, haverá a escolha de quais métodos contraceptivos utilizar para não haver gestações não planejadas. Todas essas demandas criadas socialmente influenciam os casais nas decisões financeiras e, consequentemente, faz com que se questionem se seus bens materiais são suficientes para subsidiar os custos de gestação, cuidados, vestuário e educação do filho (Matos & Magalhães, 2014).

No entanto, não apenas o contexto econômico influencia a maneira com que os casais pensam a parentalidade. As mudanças históricas e sociais atreladas aos papéis femininos e masculinos e a industrialização trouxeram mudanças no mercado de trabalho. A inserção das mulheres no mercado de trabalho foi balizada por profundas desigualdades sociais e sexuais. No século XIX, as mulheres das famílias operárias depararam-se com a necessidade de conciliar o trabalho nas fábricas com o exercício da maternidade. Assim, inicia-se a dinâmica da dupla responsabilidade que, com o avanço da industrialização e da urbanização no século XX se intensificam. Neste contexto, ser ou não ser mãe é um questionamento crescente e influenciado por fatores relacionados às condições subjetivas, econômicas e sociais das mulheres e, também, do casal (Biffi & Granato, 2017; Patias & Buaes, 2012).

De fato, coube à mulher, por muito tempo, o papel social de ser mãe. Esse papel foi construído sendo que, na contemporaneidade, há questionamento maior em grande parte, pela possibilidade de a mulher de classe social média e alta, poder optar por outras identidades que também lhe deem prestígio social. Embora permaneça, ainda hoje, no imaginário social, que toda mulher deva ser mãe (Braga, Miranda, & Correio, 2018; Patias & Buaes, 2012).

Os modelos anteriormente hegemônicos de divisão de papéis de gênero estabelecidos socialmente - tendo a mulher o papel de ser mãe e dona de casa e ao homem o provedor - acabam reproduzindo relações assimétricas de poder entre homens e mulheres. No entanto, quando a mulher se posiciona defendendo seus interesses, surgem novas tensões relacionadas ao modelo patriarcal ainda presente na sociedade (Giordani, Piccoli, Bezerra, & Almeida, 2018).

Por outro lado, a partir do momento que a mulher foi inserida neste contexto de outras possibilidades identitárias que não apenas ser mãe exigiu-se dela ser excelente profissional além de ser mãe exemplar, sem a possibilidade de falhar em nenhuma das situações, pois ela assumiu um papel novo: o de auxiliar no sustento da família ou de ser a única provedora. Ao inserir-se no mercado de trabalho, a mulher assume um nível mais igualitário em relação ao homem, embora o compartilhamento de tarefas, principalmente referente ao cuidado dos filhos e as domésticas tenham iniciado, ainda a mulher parece ser a principal responsável (Fiorin, Patias, & Dias, 2011; Guimarães & Petean, 2012).

A mudança no estilo de vida e o crescimento profissional das mulheres são mais significativos a cada dia que passa. A sociedade está em crescente desenvolvimento e a mulher está assumindo espaço em todas as áreas, tornando-se liberal, construindo sua autonomia e fazendo suas escolhas, tais como ser solteira ou casada, ter filhos ou não, e qual profissão seguir. Assim, a mulher contemporânea busca atender às suas necessidades individuais, construindo o próprio destino (Maluf & Kahhale, 2010).

A busca de autonomia feminina implica investimento na esfera pública e, consequentemente, um desinvestimento na esfera privada que exigia da mulher o desempenho de papéis sociais estabelecidos pela cultura relacionada ao cuidado da casa e dos filhos. O que fica explícito nesta nova configuração é o acúmulo de um terceiro turno no cotidiano destas mulheres que, na tentativa de equilibrar as demandas do universo doméstico e profissional, acumulam funções (Dema-Moreno & Díaz-Martínez, 2010; Simões & Hashimoto, 2012). Torna-se evidente que a entrada da mulher no mercado de trabalho traz consigo outra temática a ser administrada pelos casais que se refere ao ganho financeiro feminino, tema permeado por subjetividade individual, familiar e cultural/social, por significados construídos na história de vida de cada cônjuge e nem sempre de fácil negociação (Cenci, Bona, Crestani, & Habigzang, 2017). Em função destas demandas emergentes presentes nos dias atuais, da complexidade que a vida contemporânea impõe aos casais são responsáveis por novas configurações conjugais e relacionais (Perucchi & Beirão, 2007).

Adiar a maternidade é uma consequência das mudanças do contexto social, econômico e cultural e dos novos papéis que a mulher vem assumindo. Estas mudanças podem produziram bivalência entre gestar ou não gestar, gestar e quando gestar. Assim, ter um bebê tardiamente é uma possibilidade cada vez mais plausível e que pode trazer benefícios para ambos, mãe e bebê (Lopes et al., 2014). Cabe ressaltar que a decisão de ter filhos é tomada mediante múltiplas representações experienciadas pelas mulheres nas suas vivências relacionais. Entretanto, muitas vezes a decisão pelo exercício da maternidade é pautada pela pressão social que ainda delimita papéis de gênero como o fato de a mulher ter que ser, necessariamente, mãe. Se a mulher não deseja ter filhos ocorre o rompimento de um modelo feminino tradicional, nem sempre de fácil resolução pelas mulheres (Farinha & Scorsolini-Comin, 2018; Patias & Buaes, 2012).

No que diz respeito à ascensão profissional feminina, um estudo realizado com mulheres que trabalham fora de casa e são mães sugere que as mulheres atribuem ao trabalho externo uma importância maior do que o trabalho doméstico. Apesar de ambos serem relevantes, apenas a esfera pública é reconhecida socialmente e a esfera privada é entendida como uma obrigação inerente ao gênero feminino. Dessa forma, as mulheres entendem que a maternidade pode realizá-las pessoalmente, porém, para o crescimento profissional, ter um filho configura-se numa desvantagem. Este dado referente à realidade no mercado de trabalho é uma das justificativas para que as mulheres adiem a gestação (Fiorin, Oliveira, & Dias, 2014). Entretanto, no exercício da maternidade tardia, após os 35 anos, a mulher pode, por vezes, não se sentir eficiente como mãe e trabalhadora, e a ambivalência em ser boa nas duas funções pode gerar conflitos emocionais (Travassos-Rodriguez & Féres-Carneiro, 2013).

Os impactos de uma maternidade tardia podem ser tanto positivos como negativos. Percebe-se que a maternidade está atrelada ao fato de a mulher estar em constante crescimento, conquistando seu espaço e independência profissional. Atualmente, pela independência financeira há a possibilidade de várias decisões que outrora eram mais difíceis: se quer se casar, com quem ter filhos, se quer ter filhos e em que momento, se quer optar por uma produção independente. Ainda, se optar pela gestação tardia a mulher pode estar mais preparada psicologicamente, pois sua experiência de vida lhe proporciona saber escolher o que quer e preparar-se melhor para as mudanças que esse filho trará em sua vida. No entanto, como ponto negativo, seus pais estarão em idade avançada e podem precisar dos cuidados da mulher que, além de cuidar de um filho, terá que prestar auxílio aos pais que irão necessitar de acompanhamento no processo de envelhecimento. Além disso, há maiores riscos de complicações quando a gestação é tardia (Ministério da Saúde, 2012; Oliveira, Rocha, Colissi, & Sifuentes, 2013). Outro aspecto importante refere-se às maiores dificuldades de gestar após os 35 anos que poderá trazer consequência para a conjugalidade. A pesquisa realizada por Spotorno, Silva e Lopes (2008) evidenciou que as mulheres poderão experienciar sentimentos de solidão frente a longa duração do tratamento e, em alguns casos, do desinvestimento gradual do cônjuge no processo de tratamento.

De fato, a escolha pela gestação tardia pode acarretar na possibilidade de a mulher necessitar de auxílio das técnicas de reprodução assistida para gestar. Esta escolha dos casais poderá trazer dificuldades relacionais no que diz respeito à conjugalidade, como a comunicação do casal, aos aspectos relacionados à sexualidade e à coesão conjugal. A gestação, nesse caso, configura-se num período de incertezas e de reflexão sobre as escolhas conjugais realizadas. Trata-se de um tempo em que o casal pode enfrentar apreensão ao expressar seus sentimentos, assim como dificuldade na compreensão dos sentimentos do cônjuge. Pode haver também a clareza de que o tratamento pode fracassar e que ambos os cônjuges terão que avaliar novamente as possibilidades para exercerem a parentalidade neste momento da conjugalidade desejada (Silva & Lopes, 2011). Diante do exposto, o objetivo desse estudo foi compreender a decisão dos casais, principalmente da mulher, de adiar a parentalidade e como esta decisão impacta na relação conjugal.

Método

Delineamento

Trata-se de uma pesquisa qualitativa, transversal e descritiva. Por ser uma pesquisa com delineamento descritivo, indicará as categorias temáticas que emergiram das entrevistas, contextualizando-as por meio das falas dos participantes ou entrevistados (Cervo, Bervian, & Silva, 2006).

Participantes

Participaram do estudo16 indivíduos heterossexuais casados. Oito deles possuem ensino superior completo (04 homens e 04 mulheres). Destes dois são doutores (01 homem e 01 mulher) e dois possuem especialização (01 homem e 01 mulher). Tecnólogo um (mulher). Os outros indivíduos possuem apenas ensino médio completo. Sobre o nível socioeconômico, os participantes possuíam renda familiar que variou de um a dez salários mínimos, sendo que a maior parte deles recebia em torno de cinco salários mínimos. Abaixo, há outras características dos participantes (Tabela 1):

Tabela 1 Profissão, sexo, idade e idade que gestou 

Profissão Sexo Idade Idade que gestou
E1M. Analista de custos Masculino 36 34
E1F. Tec. Segurança do trabalho Feminino 34
E2M. Comerciante Masculino 37 35
E2F. Comerciante Feminino 35
E3M. Professor Masculino 42 43
E3F. Autônoma Feminino 43
E4M. Administrador Masculino 38 36
E4F. Engenheira de alimentos Feminino 37
E5M. Professor universitário Masculino 47 38
E5F. Professorauniversitária Feminino 47
E6M. Caminhoneiro Masculino 38 38
E6F. Vendedora Feminino 38
E7M. Administrador Masculino 40 36
E7F. Farmacêutica Feminino 38
E8M. Mecânico Masculino 41 34
E8F. Prof. inglês Feminino 35

Fonte: Os autores. E1M* = Entrevistado 1 - Masculino.

Instrumentos

Utilizou-se, como instrumento de coleta de dados, uma entrevista semiestruturada, formulada a partir dos principais pressupostos teóricos encontrados na literatura revisada, associados à gestação tardia. As questões norteadoras foram: (a) Quais são as razões/justificativas para a gestação tardia? (b) Existe algum reflexo/consequência da gestação tardia na relação conjugal?

Procedimentos de coleta de dados

Os participantes foram selecionados pelo critério de conveniência, sendo indicados pela rede relacional do pesquisador com o efeito 'bola de neve' (snowball). Primeiramente, iniciou-se por um casal que se disponibilizou a participar. Após, este casal indicou outro casal e assim por diante. O pesquisador realizou ligações telefônicas informando sobre o objetivo da pesquisa e convidou os indivíduos a participar. Diante do aceite, as entrevistas foram agendadas e realizadas, individualmente, com cada cônjuge, segundo a disponibilidade de cada participante e ocorreram na residência ou no local de trabalho dos mesmos. A entrevista foi gravada e, posteriormente, transcrita na íntegra. Esta pesquisa faz parte de um projeto maior intitulado 'Dinheiro, casais e famílias ao longo do ciclo vital familiar' o qual foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) sob parecer CAAE44191015.0.0000.5319. O mesmo seguiu todas as normas previstas na resolução nº 466/12.

Os participantes receberam uma cópia do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), que foi lido no momento da entrevista a fim de reforçar questões como sigilo, preservação da identidade dos participantes e garantia de que os resultados do estudo seriam usados apenas para fins de pesquisa. Informou-se, a todos os participantes, que a entrevista seria gravada em áudio e que, após a análise das transcrições, os arquivos seriam apagados. Por fim, os participantes foram informados que poderiam desistir de participar da pesquisa sem quaisquer prejuízos.

Análise dos dados

As entrevistas foram transcritas com fidedignidade e os dados foram analisados pelo método de análise de conteúdo proposto por Bauer (2002). Este método de análise compreende as seguintes etapas: (a) pré-análise: compreende a leitura flutuante do material, de modo que os pesquisadores conheçam os documentos e o texto, deixando-se envolver por impressões e orientações. Nesta etapa, as entrevistas transcritas foram lidas e relidas; (b) exploração do material: nesta etapa ocorre a administração sistemática das decisões tomadas, quer se trate de procedimentos aplicados manualmente ou não. Esta fase consiste, essencialmente, de operações de codificação, em função de regras previamente formuladas. Nesta etapa, dois pesquisadores classificaram o conteúdo das entrevistas em aspectos semelhantes e deram nomes às categorias; e (c) tratamento dos resultados, inferência e interpretação: os resultados brutos são tratados de maneira a serem significativos e válidos, constituindo categorias temáticas para discussão. As categorias emergiram das entrevistas, ou seja, foram construídas indutivamente, são elas: (a) Questão financeira no processo parental: 'ter filho com que dinheiro?', (b) Tentativa de controle versus surpresa da gestação; e (c) Gestação tardia e calmaria na conjugalidade.

Resultados e discussão

A partir da análise das entrevistas, ficou evidente que, com a inserção cada vez maior da mulher no mercado de trabalho, com as conquistas financeiras desta inserção e, com a importância da sua remuneração para o sustento do casal, a mulher ganhou mais poder de decisão sobre o momento da gestação. Este poder de escolha está pautado não só pelo desejo do exercício da maternidade, mas também por aspectos relacionados ao momento da sua carreira profissional e das necessidades entendidas pelo casal como imprescindíveis para poder gestar. Sendo assim, os casais buscam organizar-se profissionalmente e financeiramente por meio da compra de apartamento/casa, carro adequado para incluir um bebê e demais bens materiais, antes de fazerem a tentativa para a primeira gestação. Esta é uma decisão, em muitos casos, de comum acordo.

Questão financeira no processo parental: 'ter filho com que dinheiro?'

Nesta categoria de análise são evidentes as mudanças realizadas pelos casais nas suas configurações relacionais. Os indivíduos entrevistados acreditam na necessidade pelo momento 'certo' do relacionamento para ter filhos. Na verbalização de uma das participantes da pesquisa, a tentativa de escolha do melhor momento conjugal e da seguridade financeira para gestar é claramente descrito em sua fala. Pode-se observar também o quanto a participante enfatiza a sua responsabilidade e necessidades de formação, de sentir-se segura financeiramente para então poder gestar. E4F:

Porque eu sempre coloquei como se fossem metas pra eu atingir na vida, sabe, então eu primeiro tinha que estudar, [...] que ter minha independência financeira, [...] eu tinha que tá segura, porque eu acho que filho não é brincadeira, filho não pode ter no susto, assim, sabe, [...] eu tenho que ter segurança pra fazer isso.

Esta segurança profissional e financeira está relacionada à preparação considerada 'ideal' para que nada falte ao primogênito. A necessidade apresentada pelos casais entrevistados para evitar ao máximo a angústia quanto à falta de dinheiro e as consequências que os casais acreditam que teriam caso algo inesperado acontecesse, faz com que invistam na profissionalização e, consequentemente, na seguridade financeira, com o intuito de tentar minimizar o possível sofrimento da família. Esta escolha mostra-se como importante fator na escolha dos casais pela gestação tardia. A entrevistada E5F, que gestou aos 38 anos, argumenta:

E daí com a vinda da nossa filha, foi bem bom termos tudo que a gente tinha quando ela nasceu, [...] nós tínhamos a nossa casa, nós tínhamos uma estabilidade financeira né, os dois tinham trabalho, a gente tinha condições de ter uma empregada, então isso foi bem bom. De não ter angústia de não ter o dinheiro, [...] Então pra nós foi importante.

Evidencia-se na verbalização das entrevistadas uma preocupação com a aquisição de bens materiais que possibilitem uma relação familiar mais harmoniosa com a chegada de um filho. Como refere Zanirato e Rotondaro (2016), atualmente é comum a crença de que o poder de consumo é um meio para viver mais feliz. Nas verbalizações dos participantes são percebidos estes aspectos como, por exemplo, sobre a necessidade de o casal parental tentar proporcionar o maior conforto ao futuro bebê. O entrevistado E2M, no seu relato, refere que o casal tem trabalhado muito para dar conta do que almejam idealmente, mas que, segundo ele, os esforços são classificados como insuficientes: “Então a gente tentou construir alguma coisinha na vida pra depois dar um pouco de conforto pra criança”. O uso do diminutivo 'coisinha', 'um pouco' enfraquece o ganho econômico conquistado por ambos os cônjuges, assim como não há ênfase pela participante do aspecto relacional, afetivo exercido pelo casal na vivência da parentalidade.

Além da preocupação com a própria sustentabilidade financeira, os casais entrevistados também estão cientes de que necessitarão, diferentemente de seus pais, de investir por um período mais longo na formação acadêmica de qualidade para seu filho, que não inclui somente os investimentos financeiros na infância, mas também na vida adulta, pois sabe-se que os jovens vivenciam um período maior de formação antes de ingressarem no mercado de trabalho. Além disso, acreditam que necessitam suprir as inúmeras necessidades financeiras ao longo desta trajetória de formação do filho e que este deve ter condições confortáveis de subsistência. Os casais exemplificam as necessidades da seguinte forma: ter dinheiro para subsidiar o trabalho de uma babá, uma cuidadora, a melhor escola possível, a faculdade desejada pelo filho, assim como todas as despesas oriundas desta escolha. O entrevistado E9M verbaliza: “[...] a princípio esse aí, tentar dar um estudo, um troço assim, faculdade. Se não vai pra graxa também, né?”. Evidencia-se o cuidado e empenho para que o filho possua um trabalho que seja mediado pela formação acadêmica, ou seja, o filho deve ter um futuro melhor, com maior remuneração financeira. Ele pode ser um engenheiro mecânico, não um mecânico como o pai.

Observou-se, nesta pesquisa, que todos os casais considerados tardios para gestar desejavam ou desejaram ter filhos. Porém, esse desejo foi constantemente adiado em função de algo que estava em primeiro plano como, por exemplo, a preocupação com a aquisição da casa própria: “Como eu vou ter um filho se não tenho onde morar?” (E4F). Outra justificativa é que “Criar um filho custa muito hoje, primeiro eu tenho que estar bem estabilizado financeiramente, depois eu posso pagar alguém para cuidar; tenho um bom plano de saúde” (E4F).

Novamente, na verbalização dos participantes entrevistados evidencia-se a ênfase na demanda econômica e a presença de alguém, um terceiro pago, que auxilie no cuidado do filho possibilitando ao casal a manutenção do seu vínculo com o universo público, para que possam seguir trabalhando e garantindo a sustentabilidade da família. Cabe questionar em que princípio de sustentabilidade os casais entrevistados estão pautados para sua verbalização, pois existem necessidades criadas e os casais, envoltos num contexto social de consumismo, nem sempre conseguem refletir sobre suas reais necessidades, anseios e planos conjugais e parentais que contemplem suas subjetividades.

A entrevistada E4F relata sobre as escolhas do casal:

[...] nós temos bons empregos, eu e o meu marido, porém não é fácil, agora a gente pode trabalhar para pagar alguém para cuidar dele. Mas, justamente agora, que ele vai se espelhar em quem passa a maior parte do tempo com ele, criando o meu filho, e eu tenho que voltar a trabalhar e deixar ele com outra pessoa, não é fácil, sabe?

E, no final de sua reflexão, aponta um aspecto presente na parentalidade que diz respeito à responsabilidade feminina pelo cuidado e educação do filho. A ambivalência se instaura, pois, trabalho traz uma grande fonte de satisfação tanto financeira como pessoal (Lopes et al., 2014), mas o papel parental é percebido como insuficiente.

Tentativa de controle versus surpresa da gestação

Um fato relevante que deve ser considerado, e que foi constatado nessa pesquisa, é a tentativa do controle versus a surpresa da gestação. Os casais entrevistados buscaram planejar o momento adequado para gestar, como exposto na categoria anterior, priorizando a profissionalização e estabilidade financeira com a crença na possibilidade de controlar também o momento da fecundação. Entretanto, esta expectativa de controle nem sempre se configura no momento desejado por inúmeras razões, muitas delas referem-se às consequências de um organismo que não está biologicamente no período reprodutivo mais indicado.

A desejada concepção, segundo os casais entrevistados, ocorreu no momento em que, por motivos diversos, desfocam da pressão familiar, conjugal e social quanto à necessidade da gestação. Vários entrevistados relataram suas histórias de dificuldade para gestar a partir do momento que entenderam estar preparados para ter filhos, de abortos espontâneos repetidos, de reflexões sobre a possibilidade de adoção, de período de tristeza e de mais investimento nos estudos e no trabalho enquanto administravam as consequências de sua decisão pela gestação tardia e, neste período de desinvestimento da pressão da gestação, o inesperado aconteceu, como relata o entrevistado E7M: “E na viajem é que foi concebido”. O mesmo fato aconteceu com a entrevistada E8F: “E aí, enquanto isso vou focar mais nos estudos, eu foquei mais nessa parte e esqueci da história de engravidar, vou começar uma faculdade. No dia em que eu comecei a faculdade, no primeiro dia de aula eu descobri que estava grávida”.

Os casais pensam ou agem como se houvesse a possibilidade de controle do tempo, das ações e desejos. Eles, muitas vezes, não percebem que não depende da 'casa econômica organizada' para gestar. Como afirma o entrevistado E6M: “E, claro, a gente ficou dois anos, ela parou de tomar anticoncepcional para engravidar, daí não. Aí quando a gente ia procurar um médico, daí veio, né? [...] não precisou fazer tratamento”. Existem outros elementos presentes no processo de gestação, seja de ordem consciente ou inconsciente. Percebe-se que o poder do consumo nos lares brasileiros é cada vez maior e a busca pela independência financeira é uma condição da contemporaneidade. Quando a mulher atinge sua autonomia financeira, o casal se sente mais confiante para ingressar no novo estágio do ciclo de desenvolvimento familiar (Saraiva Junior, 2010).

A pressão familiar e social vivenciada pelos casais quanto ao crescimento profissional e parentalidade é constante. Eles devem ter autonomia financeira, bens materiais, ter filhos e condições de cuidá-los. Tal complexidade é um fator que acaba por postergar a vinda do primeiro filho. Outrora, o exercício da maternidade era um estágio em que o homem cuidava das finanças e a mulher cuidava dos filhos, porém esse pensamento faz parte do passado. Hoje a mulher conquistou espaço notório em todas as esferas sociais e está escolhendo, junto com o parceiro, a melhor hora para si, assumindo que essa hora exista; portanto, elas pensam e organizam a gestação tardia. Os casais estão deixando claro que a maternidade ainda tem seu valor na atualidade, embora adiem a gestação ao se organizarem em outras esferas. Principalmente em classes médias e altas da população, há uma tendência de que os casais tenham seus filhos tardiamente, porém de maneira que a mulher não precise abandonar sua profissão e nem deixar de frequentar o meio social por causa da gestação tardia. De fato, à mulher contemporânea coube outros papéis além da maternidade sendo cada vez mais presente a compreensão do casal da permanência da mulher no exercício profissional pós-gestação (Barbosa & Rocha-Coutinho, 2007).

Gestação tardia e calmaria na conjugalidade

O relacionamento conjugal após a gravidez tardia, segundo os entrevistados, traz proximidade, paciência, afeto e companheirismo ao casal, principalmente do gênero masculino; ele traz um sentimento de calmaria para a relação. A gestação é um acontecimento que aproxima o casal e possibilita um espaço para diálogo reflexivo sobre o momento de vida que estão vivendo, também se configura como um momento de desafios e da necessidade de diálogo constante para equilibrar o exercício da parentalidade. Esse fato fica evidente no relato do entrevistado E7M:

Reflexos, acho que na parte sexual não tem tantos, acho que o que interfere então, digamos, da disposição [...] tem dias que os dois tão acabados né. Mas a nossa relação, assim, [...] a gente compartilha a criação dele, compartilha algumas tarefas que só a mãe faz, outras tarefas que é só comigo.

As mudanças que aconteceram nas relações conjugais e no exercício da parentalidade no transcorrer das décadas evidenciam diferenças relacionais menos assimétricas e, os casais entrevistados, relatam esta busca pelo equilíbrio entre o universo público e privado de ambos os cônjuges. Atualmente, o homem está se autorizando e sendo autorizado pela mulher a se ocupar do cuidado e afeto com relação aos filhos, o que, outrora, era uma tarefa exclusiva da mulher. Nesta nova forma de paternidade partilhada, o masculino e o feminino acabam se aproximando em uma relação de pertencimento e afeto. Isso se evidencia de forma fluída e, segundo Negreiros e Féres-Carneiro (2004) e Jablonski (2010), deve ser observado com um olhar crítico, com ética e uma nova ótica, pois surge uma nova realidade de constituição familiar que deve ser respeitada.

Segundo os participantes, a calmaria acontece em função do equilíbrio financeiro, que traz equilíbrio emocional, pois o casal não se desgasta com questões básicas de sobrevivência e, assim, consegue administrar as demandas do primeiro filho com mais equilíbrio. Ainda, quanto maior a qualificação profissional, maior é a seguridade do trabalho e o valor econômico do casal. Em função da seguridade econômica poderá haver menos conflitos conjugais, no que diz respeito às despesas inesperadas oriundas da presença de mais um membro no núcleo familiar e, por consequência, mais equilíbrio na relação como um todo. O relato do entrevistado E5M ilustra as mudanças na vida a dois a partir da chegada do filho:

É, muda bastante a relação conjugal, um filho ele é um marco né, filhos são um marco em muitos sentidos né. Muda, assim, primeira coisa é que certas coisas que você considerava antes muito importante, depois elas são relativizadas. [...] Eu acho, assim, que é um momento, quase um teste de amadurecimento de um casal, um filho.

Os casais relataram que o relacionamento se fortaleceu, pois perceberam maior maturidade na relação, uma convivência de viver e deixar viver, respeitando o tempo de cada cônjuge (Schimiti & Sarzedas, 2008).

Na verbalização dos casais entrevistados ficou evidente a aproximação vivenciada pelos casais após a gestação tardia, aproximação que se intensificou mesmo antes do nascimento do filho. O entrevistado E3M diz: “Talvez, eu acho que até criou mais laços afetivos, porque começa a falar, começa a pensar em nomes, se conversa mais e se procura padrinhos e madrinhas [...]”. E a entrevistada E2F diz: “A gravidez fez nos aproximar mais ainda, porque daí no médico ele me acompanha, no ultrassom [...]. Então eu acho que uniu mais ainda, uma união maior ainda do que era antes, uma união mais afetiva”.

O relacionamento afetivo entre o casal, nessa nova caminhada que a gravidez tardia traz, e os ajustes que os casais têm que fazer reflete na maneira como o casal irá educar os filhos e os valores que serão passados para esse novo membro da família. A capacidade de negociação do casal nesse momento, o respeito às diferenças de opiniões, as mudanças de hábito que acabam acontecendo com a vinda do filho, o abandono de determinados afazeres, que antes eram individuais numa conjugalidade e, agora, são parentais no cuidado do filho e nas inúmeras demandas, são para o bom andamento da relação e a educação dos filhos (Braz, Dessen, & Silva, 2005).

Um fator que chama a atenção, a partir das entrevistas realizadas, é a segurança que as mães tardias têm do seu próprio desenvolvimento, seja pessoal, com relação aos estudos ou a sua condição profissional e financeira. Esta segurança é verbalizada pela entrevistada E8F: “A gente já tá estabilizado financeiramente, casa, enfim, tudo programado. Primeiro a gente vai ter uma casa, um carro, então, a gente já tem isso, já tá tranquilo quanto a isso”. Fica evidente na verbalização da participante sua seguridade com relação à questão financeira e que, a estabilidade financeira é um dos aspectos relevantes para a harmonia relacional do casal que gesta tardiamente. Na pesquisa realizada por Dias, Schumacher, e Almeida (2010), há evidencias de que o significado positivo atribuído à renda para as pessoas está intimamente relacionado com maiores níveis de satisfação na relação conjugal.

Considerações finais

O objetivo desse estudo foi compreender a decisão dos casais, principalmente da mulher, de adiar a parentalidade e como esta decisão impacta a relação conjugal. Constatou-se que ascensão profissional feminina interfere significativamente na decisão de quando o casal vai gestar. De fato, todas as mulheres entrevistadas estavam trabalhando no momento da pesquisa e sua profissão era algo muito importante, assim como ser mãe.

Sobre a conjugalidade, percebe-se que a crescente inserção da mulher no mercado de trabalho e do homem no universo familiar é verbalizada como uma mudança que traz benefícios para a conjugalidade no processo de gestação tardia, pois referem ter mais serenidade no processo conjugal e também maior estabilidade financeira para dar conta das necessidades que acreditam ser necessárias para o exercício da parentalidade. Importante destacar que, para os casais entrevistados, há algumas necessidades para ter filhos, o que também impacta na decisão pelo seu adiamento.

De fato, os indivíduos casados que participaram desta pesquisa referiram o receio de não ter dinheiro suficiente para subsidiar os estudos dos filhos e de não poder prover financeiramente os filhos das dificuldades que relatam ter enfrentado nas suas vidas. Tais preocupações referem-se principalmente à necessidade de formação profissional longa e dispendiosa financeiramente e de entenderem que seus filhos necessitam ter suas necessidades financeiras supridas enquanto forem dependentes deles.

O estudo limitou-se a um número de 16 indivíduos heterossexuais casados pelo nível de resistência encontrado nos casais para participarem da pesquisa. As justificativas mais utilizadas foram relacionadas ao excesso de trabalho. Entretanto, pode-se pensar que coexistem questões ambivalentes no universo conjugal no que diz respeito ao exercício da parentalidade e da profissionalização de ambos os cônjuges que nem sempre são verbalizados pelos casais e que podem ser realizadas mais pesquisas para que estes aspectos sejam elucidados. Sugere-se, para estudos futuros, estudos correlacionais que possam investigar relações entre variáveis sociais, econômicas, culturais e psicológicas com a gestação tardia.

Referências

Andrade, P. C., Linhares, J. J., Martinelli, S., Antonini, M., Lippi, U. G., & Baracat, F. F. (2004). Resultados perinatais em grávidas com mais de 35 anos: estudo controlado. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, 26(9), 697-702. [ Links ]

Barbosa, P. Z., & Rocha-Coutinho, M. L. (2007). Maternidade: novas possibilidades, antigas visões. Psicologia Clínica, 19(1), 163-185. [ Links ]

Bauer, M. W. (2002). Análise do conteúdo clássica: uma revisão. In M. W. Bauer & G. Gaskell (Orgs.), Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: manual prático (p. 189-217). Petrópolis, RJ: Vozes. [ Links ]

Biffi, M., & Granato, T. M. M. (2017). Projeto de ter filhos: uma revisão da literatura científica nacional e internacional. Temas em Psicologia, 25(1), 207-220. doi: 10.9788/TP2017.1-14Pt [ Links ]

Braga, R. C., Miranda, L. H., & Correio, J. P. C. (2018). Para além da maternidade: as configurações do desejo na mulher contemporânea. Pretextos - Revista da Graduação em Psicologia da PUC Minas, 3(6), 523-540. Recuperado de: http://periodicos.pucminas.br/index.php/pretextos/article/view/15994/13638Links ]

Braz, M. P., Dessen, M. A., & Silva, N. L. P. (2005). Relações conjugais e parentais: uma comparação entre famílias de classes sociais baixa e média. Psicologia: Reflexão e crítica, 18(2), 151-161. [ Links ]

Cenci, C. M. B., Bona, C., Crestani, P., & Habigzang, L. (2017). Dinheiro e conjugalidade: uma revisão sistemática da literatura.Temas em Psicologia , 25(1), 385-399. doi: 10.9788/TP2017.1-20 [ Links ]

Cervo, A. L., Bervian, A., & Silva, R. (2006). Metodologia científica. São Paulo, SP: Pearson Prentice Hall. [ Links ]

Dema-Moreno, S., & Díaz-Martínez, C. (2010). Gender inequalities and the role of money in spanish dual-income couples. European Societies, 12(1), 65-84. [ Links ]

Dias, J., Schumacher, F. I., & Almeida, D. S. (2010). Determinantes da felicidade: dados individuais de Maringá-PR (2007-2009). Revista Economia & Tecnologia, 6(1), 89-106. [ Links ]

Farinha, A. J. Q., & Scorsolini-Comin, F. (2018). Relações entre não maternidade e sexualidade feminina: revisão integrativa da literatura científica. Revista de Psicologia da IMED, 10(1), 187-205. doi: 10.18256/2175-5027.2018.v10i1.2316 [ Links ]

Fiorin, P. C., Oliveira, C. T., & Dias, A. C. G. (2014). Percepções de mulheres sobre a relação entre trabalho e maternidade. Revista Brasileira de Orientação Profissional, 15(1), 25-35. [ Links ]

Fiorin, P. C., Patias, N. D., & Dias, A. C. G. (2011). Reflexões sobre a mulher contemporânea e a educação dos filhos.Revista Sociais e Humanas, 24(2), 121-132. Recuperado de: http://cascavel.ufsm.br/revistas/ojs-2.2.2/index.php/sociaisehumanasLinks ]

Giordani, R. C., Piccoli, D., Bezerra, I., & Almeida, C. C. B. (2018). Maternidade e amamentação: identidade, corpo e gênero. Ciência & Saúde Coletiva, 23(8), 2731-2739. doi: 10.1590/1413-81232018238.14612016 [ Links ]

Guimarães, M., & Petean, E. (2012). Carreira e família: divisão de tarefas domiciliares na vida de professoras universitárias.Revista Brasileira de Orientação Profissional , 13(1), 103-110. Recuperado de: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-33902012000100011&lng=pt&tlng=ptLinks ]

Jablonski, B. (2010). A divisão de tarefas domésticas entre homens e mulheres no cotidiano do casamento. Psicologia: Ciência e profissão, 30(2), 262-275. [ Links ]

Lopes, N. M., Dellazzana-Zanon, L. L., & Boeckel, M. G. (2014). A multiplicidade de papéis da mulher contemporânea e a maternidade tardia. Temas em Psicologia, 22(4), 917-928. doi: 10.9788/TP2014.4-18 [ Links ]

Maluf, V. M. D., & Kahhale, E. M. S. P. (2010). Mulher, trabalho e maternidade: uma visão contemporânea. Polêm!ca, 9(3), 143-160. [ Links ]

Matos, M. G. D., & Magalhães, A. S. (2014). Tornar-se pais: sobre a expectativa de jovens adultos. Pensando famílias, 18(1), 78-91. [ Links ]

Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. (2012). Gestação de alto risco: manual técnico. Brasília, DF. [ Links ]

Negreiros, T. C. D. G. M., & Féres-Carneiro, T. (2004). Masculino e feminino na família contemporânea. Estudos e pesquisas em psicologia, 4(1), 34-47. [ Links ]

Oliveira, D. R., Rocha, D. S., Colissi, C. C., & Sifuentes, M. (2013). A mulher contemporânea e a maternidade tardia. Anais da VI Mostra Científica do CESUCA, 1(7), 1-12. [ Links ]

Patias, N. D., & Buaes, C. S. (2012). “Tem que ser uma escolha da mulher”! Representações de maternidade em mulheres não mães por opção. Psicologia & Sociedade, 24(2), 300-306. [ Links ]

Perucchi, J., & Beirão, A. M. (2007). Novos arranjos familiares: paternidade, parentalidade e relações de gênero sob o olhar de mulheres chefes de família. Psicologia Clínica, 2(19), 57-69. [ Links ]

Saraiva Junior, F. I. (2010). Segmentação de mercados pelo estágio no ciclo de vida familiar: o modelo brasileiro (Tese de Doutorado). Fundação Getúlio Vargas, São Paulo. [ Links ]

Schimiti, J. A., & Sarzedas, L. P. M. (2008). Relacionamento estável na visão de casais. Terra e Cultura, 46, 87-97. [ Links ]

Silva, I., & Lopes, R. (2011). Relação conjugal no contexto de reprodução assistida: o tratamento e a gravidez. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 27(4), 449-457. doi: 10.1590/S0102-37722011000400008 [ Links ]

Simões, F. I. W., & Hashimoto, F. (2012). Mulher, mercado de trabalho e as configurações familiares do século XX.Vozes dos Vales, 1, 1- 25. Recuperado de: http://site.ufvjm.edu.br/revistamultidisciplinar/files/2011/09/Mulher-mercado-de-trabalho-e-as-configura%C3%A7%C3%B5es-familiares-do-s%C3%A9culo-XX_fatima.pdfLinks ]

Spotorno, P., Silva, I., & Lopes, R. (2008). Expectativas e sentimentos de mulheres em situação de reprodução medicamente assistida. Aletheia, 28, 104-118. Recuperado de: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-03942008000200009&lng=pt&tlng=ptLinks ]

Travassos-Rodriguez, F., & Féres-Carneiro, T. F. (2013). Maternidade tardia e ambivalência: algumas reflexões. Tempo psicanalítico, 45(I), 111-121. [ Links ]

Zanirato, S. H., & Rotondaro, T. (2016). Consumo, um dos dilemas da sustentabilidade. Estudos Avançados, 30(88), 77-92. doi: 10.1590/s0103-40142016.30880007 [ Links ]

Recebido: 26 de Fevereiro de 2018; Aceito: 28 de Setembro de 2018

2E-mail: naipatias@hotmail.com

Diogo Bruzamarello: Psicólogia pela Faculdade Meridional (IMED), Passo Fundo-RS, Brasil.

Naiana Dapieve Patias: Psicóloga, Doutora em Psicologia (UFRGS), Docente do curso de graduação e mestrado em Psicologia na Faculdade Meridional (IMED), Passo Fundo-RS, Brasil.

Cláudia Mara Bosetto Cenci: Psicóloga, Doutora em Psicologia (PUCRS), Docente do curso de graduação e mestrado em Psicologia na Faculdade Meridional (IMED), Passo Fundo-RS, Brasil.

Creative Commons License Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons