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Acta Ortopédica Brasileira

Print version ISSN 1413-7852On-line version ISSN 1809-4406

Acta ortop. bras. vol.10 no.1 São Paulo Jan./Mar. 2002

https://doi.org/10.1590/S1413-78522002000100006 

ARTIGO ORIGINAL

 

Tratamento das lesões traumáticas instáveis da coluna torácica e lombar com retângulo de Hartshill*

 

 

Júlio César Pereira da CunhaI; Jorge Mauad FilhoII; Nelson Hely Mikael BarsamIII; José Wagner de BarrosIV

IEx-Residente
IIMestre em Ortopedia e Traumatologia pela FMRP-USP, Responsável pelo Setor de Cirurgia da Coluna
IIIMédico Ortopedista
IVProfessor Titular e Responsável pela Ortopedia e Traumatologia

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Foram avaliados 14 pacientes com lesão instável da coluna torácica e lombar, tratados com instrumentação de Hartshill. De uma forma geral, obtivemos bons resultados com a técnica proposta.

Descritores: Lesões traumáticas instáveis da coluna, lesões traumáticas da coluna torácica e lombar, retângulo de Hartshill.


 

 

INTRODUÇÃO

A redução cruenta com fixação interna é um procedimento de rotina no tratamento das lesões instáveis da coluna torácica e lombar(3,19). Com o aparecimento de novas técnicas e materiais de síntese, houve grande avanço nas cirurgias de estabilização da coluna(4,5,13,15,17). O retângulo(6), utilizado nas últimas décadas, tem demonstrado resultados clínicos relevantes(6,19).

O objetivo deste estudo é avaliar 14 pacientes com lesões traumáticas instáveis da coluna torácica e lombar, tratados com instrumentação de Hartshill e com artrodese.

 

CASUÍSTICA E MÉTODOS

No período entre julho de 1990 e abril de 2000, 14 pacientes com lesão instável da coluna torácica e lombar foram submetidos a tratamento cirúrgico com instrumentação de Hartshill com artrodese. Dos pacientes avaliados, 11(78,6%) eram do sexo masculino e três (21,4%), do feminino. A idade variou de 16 a 42 anos, com média de 29 anos, aproximadamente. Os pacientes foram submetidos a radiografias em frente e perfil (Fig. 1A-B). A coluna torácica foi acometida em seis (42,9%) pacientes, a lombar em seis (42,9%) e a toracolombar em 2 (14,2%).

 

 

As lesões foram classificadas conforme preconizado pela American Spinal lnjury Assocíation (ASlA)(16) (Tabela 1). Dez (71,4%) eram do tipo C e quatro (28,6%), do tipo B. Na avaliação pré-operatória, os pacientes foram examinados clinicamente e realizada cuidadosa avaliação para averiguar danos neurológicos, conforme a escala(8) (Tabela 2). As características gerais desses pacientes avaliados encontram-se na (Tabela 3). O sistema de fixação interna utilizado constitui-se de: Retângulo de Hartshill, com 26,3mm de largura e variando de 40 a 400mm de comprimento, associado a fios de Luque com diâmetros de 1mm e 1,2mm.

 

 

 

 

 

 

Os pacientes foram submetidos à anestesia geral e posicionados em decúbito ventral. A via de abordagem foi a mediana longitudinal. Após a exposição dos processos espinhosos das vértebras acometidas inclusive duas vértebras acima e duas abaixo da lesão. Foi realizada a redução e, quando necessário, feita a laminectomia descompressiva. As lesões foram estabilizadas com retângulo de Hartshill, previamente moldado, e com os fios de Luque fixados nas lâminas acima e abaixo da lesão (Fig. 2A-B). Foi realizada artrodese com colocação de enxerto esponjoso de crista ilíaca ou do processo espinhoso.

 

 

No pós-operatório, os pacientes foram submetidos a uma nova avaliação clínica de acordo com a escala de danos neurológicos(8) (Tabela 2) e feitos exames radiológicos aos 30, 60 e 90 dias.

Os pacientes que apresentaram condições de deambulação Frankel D e E foram liberados para marcha precoce, com uso de colete de Jewet, por 3 meses, e pacientes que não deambulavam Frankel A, B e C foram encaminhados ao serviço de Fisioterapia para reabilitação.

 

RESULTADOS

Dos 14 pacientes avaliados no pós-operatório, 5 (35,8%) eram Frankel A, 7 (50%) Frankel B, 1 (7,1%) Frankel C e 1 (7,1%) Frankel E.

Dos 5 pacientes Fran-kel A, 2 mantiveram-se, um evoluiu para B, um para O e outro para E. Dos 7 Frankel B, dois evoluíram para C, três para O e dois para E. O Frankel C evoluiu para E .0 Frankel E manteve-se. A evolução clínica dos pacientes, no pré e no pós-operatório, encontra-se na (Tabela 4).

 

 

Não ocorreram complicações secundárias como infecção, perda da redução ou falência de material de síntese. Apenas um paciente evoluiu com dor persistente sendo evidenciada melhora do quadro, quatro semanas após o tratamento com antiinflamatório não hormonal.

 

DISCUSSÃO

As lesões instáveis da coluna torácica e lombar têm sido amplamente discutidas, quanto ao tipo de tratamento operatório utilizado(4,5,13,15,17).

Alguns autores preconizam a reconstrução e a estabilização da parte posterior da coluna, com implante funcionando como tirante de tensão(20). Outros autores dão preferência à abordagem e fixação anterior(1), relevando a carga axial que é submetida à coluna anterior. Outros ainda recomendam a fixação anterior e posterior como método mais eficaz de estabilização(10,9). De uma forma geral, todos os procedimentos recomendam instrumentação, com fusão óssea que permita estabilizar as lesões(11,12,18), sendo indicado para reduzir a morbidade e encurtar o período de hospitalização do paciente(2,14).

A redução e fixação das fraturas, com a restauração anatômica das lesões instáveis da coluna torácica e lombar, permitem uma estabilidade que proporciona uma melhora na evolução clínica dos pacientes com déficit neurológico(7).

Os resultados obtidos foram semelhantes aos da literatura, quando comparados com outras técnicas de fixação, como instrumentação(13,15), fixação monossegmentar com parafusos transpedicuIados(5) e método de Harms(4).

O instrumental de Hartshill, por nós utilizado, proporcionou uma melhor estabilização no pós-operatório e demonstrou ser uma boa opção para a fixação posterior das lesões instáveis da coluna torácica e lombar nos pacientes avaliados.

 

CONCLUSÕES

A fixação interna com restauração anatômica das lesões instáveis da coluna torácica e lombar, com o retângulo de Hartshill, permitiu uma estabilidade das fraturas e demonstrou ser um método apropriado no tratamento dos pacientes com lesão traumática grave da coluna.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Endereço para correspondência
José Wagner de Barros
Disciplina de Ortopedia e Traumatologia
Departamento de Cirurgia do HE/FMTM
R. Getúlio Guaritá S/Nº Bairro Abadia
CEP 38025-440 - Uberaba - MG

Trabalho recebido em 03/01/2001. Aprovado em 27/11/2001

 

 

*Trabalho realizado no Departamento de Ortopedia e Traumatologia do Hospital Escola da Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro - Uberaba - MG

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