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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123On-line version ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.24 no.9 Rio de Janeiro Sept. 2019  Epub Sep 09, 2019

https://doi.org/10.1590/1413-81232018249.22962017 

ARTIGO

Vulnerabilidade e fatores associados em idosos atendidos pela Estratégia Saúde da Família

Juliana Fernandes Cabral1 
http://orcid.org/0000-0003-3215-4111

Ageo Mário Cândido da Silva2 
http://orcid.org/0000-0001-5293-9413

Inês Echenique Mattos3 
http://orcid.org/0000-0002-7297-1864

Ádila de Queiroz Neves4 
http://orcid.org/0000-0001-7947-1494

Laércio Lima Luz5 
http://orcid.org/0000-0003-4320-3556

Daniele Bittencourt Ferreira6 
http://orcid.org/0000-0001-7014-5625

Lívia Maria Santiago7 
http://orcid.org/0000-0002-3784-9388

Cleber Nascimento do Carmo3 
http://orcid.org/0000-0003-4165-2198

1Departamento de Enfermagem, Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat). R. 05, 367w, Centro. 78.300-000 Tangará da Serra MT Brasil. ju_fcabral@hotmail.com

2Instituto de Saúde Coletiva (ISC). Cuiabá MT Brasil.

3Departamento de Epidemiologia, Escola Nacional de Saúde Pública. Rio de Janeiro RJ Brasil.

4Coordenação de Assistência e Saúde do Trabalhador, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Cuiabá MT Brasil.

5Hospital de Base, Instituto de Gestão Estratégica de Saúde. Brasília DF Brasil.

6Centro Universitário Augusto Motta. Rio de Janeiro RJ Brasil.

7Departamento de Fonoaudiologia, Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro RJ Brasil.


Resumo

Este estudo teve por objetivo analisar a prevalência de vulnerabilidade e fatores associados em idosos atendidos pelas Estratégias Saúde da Família do município de Várzea Grande (MT). Estudo transversal realizado com 377 idosos. A variável dependente, vulnerabilidade, foi investigada através do The Vulnerable Elders Survey. As variáveis independentes foram as sociodemográficas e as condições de saúde, avaliadas através dos instrumentos validados: Miniexame do Estado Mental, Escala de Katz, Escala de Lawton, Escala de Depressão Geriátrica e Miniavaliação Nutricional Reduzida. Foi realizada análise descritiva das variáveis categóricas e numéricas, análise bivariada calculando-se as Razões de Prevalência, utilizando o teste do χ2 de Mantel Haenszel e a análise múltipla usando a regressão de Poisson. Dos idosos, 49% são vulneráveis, sendo que a maior prevalência de vulnerabilidade esteve associada com a dependência em AIVD (RP = 4,43), apresentar sintomas depressivos (RP = 1,34) e estar na faixa etária de 80 anos e mais (RP = 1,34). A prevalência de vulnerabilidade encontrada no presente estudo foi alta ao se comparar com outros estudos realizados com idosos da comunidade, enquanto que o VES-13 demonstrou-se um instrumento de fácil aplicação na atenção primária em saúde e bastante prático na triagem de idosos vulneráveis.

Palavras-chave Envelhecimento; Populações vulneráveis; Idoso

Abstract

The objective of this study was to analyze the prevalence of vulnerability and associated factors among older people using family health strategies in Várzea Grande, Brazil. A cross-sectional study was performed with 377 community-dwelling older people. The dependent variable, vulnerability, was assessed using the Vulnerable Elders Survey. The independent variables included sociodemographic characteristics and the health status of the study population assessed using the following validated instruments: the Mini-Mental State Examination; Katz ADL scale and Lawton and Brody IADL scale; Geriatric Depression Scale; and Mini Nutritional Assessment Short-Form. Bivariate analysis was conducted using the Mantel-Haenszel chi-squared test with prevalence ratios and multivariate analysis was performed using Poisson regression. The data showed that 49% of the study population were vulnerable. The variables that showed the strongest association with vulnerability were dependence in IADLs (PR = 4.43), presence of depressive symptoms (PR = 1.34), and being aged 80 and over (PR = 1.34). The prevalence of vulnerability found by the present study was high when compared to other studies with community-dwelling older people. The VES-13 was shown to be easy to use in primary healthcare settings and particularly practical for screening vulnerability among older people.

Key words Aging; Vulnerable populations; Older people

Introdução

O envelhecimento populacional é um fenômeno que ocorre em todas as regiões do mundo, progredindo mais rapidamente nos países em desenvolvimento. Em 1950, o número de pessoas com 60 anos ou mais era de 205 milhões e, em 2012, esse número chegou a quase 810 milhões de pessoas, projetando-se dois bilhões de habitantes nesta faixa etária para o ano de 20501.

No Brasil, esse envelhecimento tem ocorrido de maneira ainda mais acelerada1. Em 2000, o número de idosos era de 14,2 milhões, passando para 19,6 milhões em 2010, devendo atingir 41,5 milhões em 2030 e 73,5 milhões em 20602. Isso vem trazendo importantes desafios aos profissionais e serviços de saúde, bem como a necessidade de se desenvolverem novas formas de cuidado e monitoramento para essa população. Nesse contexto, as ações de proteção e cuidados específicos vêm adquirindo relevância na agenda pública.

A manutenção da saúde do idoso está relacionada a um conjunto de aspectos físicos e mentais, independência financeira, controle e prevenção de doenças crônicas e seus agravos, além da existência de suporte social à pessoa idosa3.

As modificações morfológicas, funcionais, bioquímicas e psicológicas que ocorrem no processo de envelhecimento podem tornar o indivíduo vulnerável, devido à redução da sua capacidade de adaptação ao meio ambiente4. Portanto, a identificação de grupos vulneráveis na população idosa possibilita a elaboração de políticas e estratégias de saúde adequadas para a prevenção desses desfechos indesejados e para a recuperação de incapacidades já instaladas. O Vulnerable Elders Survey (VES-13) é um instrumento elaborado com o objetivo de desenvolver uma ferramenta simples a fim de identificar os idosos com risco de deterioração da saúde e morte, para os autores dessa ferramenta, a vulnerabilidade é definida como uma condição que aumenta o risco de declínio funcional e morte em idosos5. No Brasil, sua versão adaptada e validada em português foi bem compreendida e aceita pela população de estudo, apresentando propriedades psicométricas consistentes e adequadas para sua utilização6,7.

Tendo em vista a importância de melhor compreender esse fenômeno, o presente estudo teve como objetivo analisar a prevalência e fatores associados à vulnerabilidade de idosos da comunidade atendidos na atenção primária à saúde do município de Várzea Grande, Mato Grosso.

Métodos

Trata-se de um estudo de delineamento transversal com idosos de 60 anos ou mais, cadastrados nas Estratégias de Saúde da Família (ESF) do município de Várzea Grande (MT), situado na região metropolitana de Cuiabá, Estado de Mato Grosso. O projeto de pesquisa que originou este estudo atendeu às diretrizes da Resolução 466/2012, do Conselho Nacional de Saúde (CNS), sendo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Júlio Müller em Cuiabá.

Por meio do modelo de amostragem por conglomerados, foram selecionadas 11 Estratégias de Saúde da Família (ESF) das 15 existentes no município, e o tamanho da amostra foi dividido equitativamente pelas mesmas, de acordo com a população de idosos cadastrados em cada uma. O tamanho da amostra seguiu os procedimentos propostos para populações finitas8, utilizando nível de confiança de 0,95, erro tolerável de amostragem de 0,05 e prevalência assumida de vulnerabilidade de 0,50. Ao número obtido, acrescentou-se mais 10% para compensar possíveis perdas. Idosos com déficit cognitivo e sequelas de Acidente Vascular Encefálico (AVE), com grave comprometimento na linguagem, visão ou audição, foram excluídos da amostra. Nos casos de recusa e, quando o idoso selecionado não se encontrava em casa no momento da entrevista ou apresentava um dos critérios de exclusão, este era substituído pelo residente mais próximo, que também estivesse cadastrado na ESF. O déficit cognitivo foi avaliado pelo Miniexame do Estado Mental (MEEM), sendo utilizada a versão do instrumento adaptada para a população brasileira, considerando dois pontos de corte diferentes, de acordo com o nível de escolaridade9. Foram excluídos e repostos 213 idosos identificados com déficit cognitivo e 30 idosos que se recusaram a participar. A população de estudo ficou constituída por 377 idosos. Todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

A coleta de dados ocorreu entre março e junho de 2016, por meio de entrevistas estruturadas realizadas no domicílio do idoso, por profissionais de saúde treinados e padronizados.

A variável dependente do estudo foi a vulnerabilidade, avaliada pelo instrumento The Vulnerable Elders Survey - VES-13, instrumento desenvolvido com a finalidade de identificar indivíduos de 65 anos ou mais de idade que estejam em risco de perda de capacidade funcional e/ou morte5. É composto por 13 itens que contemplam: idade, saúde autorreferida, capacidade física e capacidade funcional e seu escore varia entre 0 e 13 pontos, sendo a pontuação igual ou maior que três (3,0) considerada como ponto de corte para classificar o indivíduo como vulnerável5. Utilizou-se a versão desse instrumento adaptada e validada para uso na população brasileira6,7.

As variáveis independentes foram características sociodemográficas: sexo (masculino; feminino), faixa etária (60 a 69 anos; 70 a 79 anos e 80 anos e mais), renda per capita (até ½ salário mínimo; de ½ a 1 salário mínimo; > 1 salário mínimo), raça/cor (pardo; preto e branco), arranjo familiar (vive acompanhado; vive sozinho) e estado civil (vive sem companheiro; vive com companheiro). A variável escolaridade, obtida originalmente por meio das perguntas Sabe ler ou escrever um bilhete simples? e Até que grau o (a) Sr. (a) estudou?, foi recategorizada em “alfabetizado” e “não alfabetizado”, devido à baixa condição educacional da população estudada. As condições de saúde foram: funcionalidade em atividades de vida diária (independente; dependente), funcionalidade em atividades instrumentais de vida diária (independente; dependente), depressão (sem sintomas depressivos; com sintomas depressivos), estado nutricional (desnutrido e em risco nutricional; sem risco nutricional), comorbidade (sem comorbidade com grau de gravidade 3 ou 4; com comorbidade com grau de gravidade 3 ou 4) e polifarmácia (sim; não).

Para avaliação da realização das Atividades Básicas de Vida Diária (AVD) e das Atividades Instrumentais de Vida Diária (AIVD), foram utilizadas, respectivamente, as escalas de Katz e de Lawton e Brody, ambas adaptadas e validadas para uso na população brasileira10,11. Para avaliação da depressão, usou-se a Escala de Depressão Geriátrica 15 (GDS - 15)12. O estado nutricional foi avaliado pela Miniavaliação Nutricional Reduzida (MANR)13. A comorbidade foi ponderada pela escala Cumulative Illness Rating Scale for Geriatrics (CIRS-G)14. A polifarmácia foi definida como a utilização de cinco ou mais medicamentos de forma contínua15. O uso de medicamento foi autorreferido; porém, visando à redução de viés de memória, foi solicitada a apresentação dos rótulos ou prescrições dos medicamentos utilizados.

Os questionários foram codificados e digitados duplamente no programa Epi Info versão 3.5.2 e os erros de digitação foram corrigidos após sua detecção no aplicativo Data Compare. Foi empregado o STATA versão 13.0 em todas as análises.

Para a análise descritiva das características da população de estudo, foram usadas frequências absolutas e relativas para variáveis categóricas e médias, medianas e desvios-padrão para variáveis numéricas. Na análise bivariada, foram calculadas as Razões de Prevalência (com IC 95%) como medida de associação entre a variável dependente (vulnerabilidade) e as variáveis independentes, empregando-se o teste do χ2 de Mantel Haenszel.

Na análise múltipla, foi utilizada a regressão de Poisson, sendo incluídas as variáveis que apresentaram p-valor < 0,20. Usou-se um modelo exploratório, no qual foram mantidas todas as variáveis que se mostraram estatisticamente significantes (p ≤ 0,05) ou que tinham importância biológica e clínica.

Resultados

A média de idade da população foi de 69,6 (±7,5) anos. A maioria dos idosos era do sexo feminino (60,2%), estava na faixa etária de 60 a 69 anos (56,8%) e se autodeclarou parda (59,2%). Aproximadamente, 44% dos indivíduos não tinham companheira e 72% eram analfabetos. A maior parte relatava renda per capita entre 56% e recebia de ½ a 1 salário mínimo (Tabela 1).

Tabela 1 Características sociodemográficas dos idosos da amostra em estudo, Várzea Grande, MT, 2016 (N = 377). 

Variáveis N %
Sexo
Feminino 227 60,2
Masculino 150 39,8
Faixa Etária
60-69 anos 214 56,8
70-79 anos 117 31,0
≥ 80 anos 46 12,2
Raça/Cor
Pardo 222 59,2
Preto 80 21,3
Branco 73 19,5
Estado Civil
Casado e vive com companheiro 212 56,2
Viúvo 118 31,3
Divorciado, separado e solteiro 47 12,5
Escolaridade
Alfabetizado 270 71,6
Não alfabetizado 107 28,4
Renda per capita
Até ½ SM 122 32,4
½ a 1 SM 211 56,0
1 SM 44 11,7

SM - Salário Mínimo vigente (880 reais).

A prevalência de vulnerabilidade na população em estudo correspondeu a 49%. Observou-se que a maioria dos idosos era independente para Atividades Básicas da Vida Diária (72,7%), porém apresentava dependência funcional para Atividades Instrumentais da Vida Diária (62,3%). Em relação a outras dimensões avaliadas, a grande parte não mostrava sintomas depressivos (68,7%) ou comorbidade grave (60,5%), não estava em risco nutricional (54,4%) e não fazia uso de polifarmácia (78,3%) (Tabela 2).

Tabela 2 Condições de saúde dos idosos da amostra em estudo, Várzea Grande, MT, 2016 (N = 377). 

Variáveis N (377) %
Vulnerabilidade
Sim 185 49,1
Não 192 50,9
Funcionalidade em AVD
Dependente 103 27,3
Independente 274 72,7
Funcionalidade em AIVD
Dependente 235 62,3
Independente 142 37,7
Sintomas depressivos
Sim 118 31,3
Não 259 68,7
Avaliação Nutricional
Desnutrição 37 9,8
Em risco 135 35,8
Sem risco 205 54,4
Comorbidade (Gravidade 3 ou 4)
Sim 149 39,5
Não 228 60,5
Polifarmácia
Sim 82 21,8
Não 295 78,3

Com base nas análises bivariadas (Tabela 3), observou-se maior risco de vulnerabilidade, com significância estatística, no sexo feminino (RP = 1,41, IC95% 1,12-1,78), com idade de 80 anos ou mais (RP = 1,81, IC95% 1,44-2,27) e analfabetos (RP = 1,50, IC95% 1,23-1,83) (Tabela 3).

Tabela 3 Prevalência e Razão de Prevalência de vulnerabilidade segundo características sociodemográficas dos idosos da amostra em estudo, Várzea Grande, MT, 2016 (N = 377). 

Variáveis Vulnerabilidade
N % RP bruta (IC95%) Valor de p
Sexo
Masculino 59 39,3 1 0,002
Feminino 126 55,5 1,41 (1,12-1,78)
Faixa etária
60 a 69 anos 90 42,1 1
70 a 79 anos 60 51,3 1,22 (0,96-1,54) 0,108
80 anos e mais 35 76,1 1,81 (1,44-2,27) < 0,001
Renda per capita
Acima ½ SM 99 47,6 1 0,525
Até ½ SM 86 50,9 1,07 (0,87-1,31)
Raça/cor
Preto e pardo 145 78,8 1 0,407
Branco 39 21,2 0,96 (0,87-1,06)
Arranjo Familiar
Vive acompanhado 156 48,9 1 0,878
Vive sozinho 29 50,0 1,02 (0,77-1,35)
Estado Civil
Vive sem companheiro 85 46,0 1 0,403
Vive com companheiro 100 54,1 1,10 (0,88-1,39)
Escolaridade
Alfabetizado 116 43,0 1 <0,001
Não-alfabetizado 69 64,5 1,50 (1,23-1,83)

RP - Razão de Prevalência; IC - Intervalo de Confiança. SM - Salário Mínimo vigente (880 reais).

Em relação às condições de saúde (Tabela 4), notou-se maior risco de vulnerabilidade entre os idosos que revelavam deficiência nas seis dimensões avaliadas, com associações estatisticamente significativas com dependência em Atividades Básicas da Vida Diária (RP = 1,62, IC95% 1,33-1,96), dependência em Atividades Instrumentais da Vida Diária (RP = 4,99, IC95% 3,29-7,55), presença de sintomas depressivos (RP = 1,87, IC95% 1,54-2,26), em risco nutricional/desnutrido (RP = 1,31, IC95% 1,07-1,61), com comorbidade grave (RP = 1,33, IC95% 1,09-1,63) e uso de polifarmácia (RP = 1,30, IC95% 1,04-1,61).

Tabela 4 Prevalência e Razão de Prevalência de vulnerabilidade segundo condições de saúde dos idosos da amostra em estudo, Várzea Grande, MT, 2016 (N = 377). 

Variáveis/Instrumentos Vulnerabilidade
N % RP bruta (IC95%) Valor de p
Funcionalidade AVD (Escala de Katz)
Independente 115 42,0 1 < 0,001
Dependente 70 68,0 1,62 (1,33-1,96)
Funcionalidade AIVD (Escala de Lawton)
Independente 20 14,1 1 < 0,001
Dependente 165 70,2 4,99 (3,29-7,55)
Sintomas depressivos (GDS-15)
Não 100 38,6 1 < 0,001
Sim 85 72,0 1,87 (1,54-2,26)
Estado Nutricional (MANR)
Sem risco 88 42,9 1 0,009
Em risco/desnutrido 97 56,4 1,31 (1,07-1,61)
Comorbidade (CIRS-G)
Sem comorbidade grau 3 ou 4 99 43,4 1 0,006
Com comorbidade grau 3 ou 4 86 57,7 1,33 (1,09-1,63)
Polifarmácia
Não 136 46,1 1 0,028
Sim 49 59,8 1,30 (1,04-1,61)

RP - Razão de Prevalência; IC - Intervalo de Confiança.

Na regressão múltipla, as variáveis: idade mais avançada (RP = 1,32, IC95% 1,07-1,63), dependência em AIVD (RP = 4,12, IC95% 2,69-6,33) e presença de sintomas depressivos (RP = 1,29, IC95% 1,10-1,52) mantiveram-se associadas à vulnerabilidade (Tabela 5).

Tabela 5 Modelo de regressão múltipla com razões de prevalência ajustadas nos idosos da amostra em estudo, Várzea Grande, MT, 2016 (N = 377). 

Variáveis RP ajustada IC (95%) Valor de p
Faixa etária
60-69 anos 1 0,012
70 a 79 anos 1,10 (0,90-1,35)
80 e mais 1,32 (1,07-1,63)
Funcionalidade AIVD
Independente 1 (2,69-6,33) < 0,001
Dependente 4,12
Sintomas depressivos (GDS-15)
Não 1 (1,10-1,52) 0,003
Sim 1,29
Funcionalidade AVD
Independente 1 (0,99-1,35) 0,070
Dependente 1,16

Discussão

A prevalência de vulnerabilidade observada neste estudo foi elevada, atingindo quase a metade da população avaliada. Em estudo realizado em João Pessoa (Paraíba), com população semelhante à do presente estudo e também utilizando o instrumento VES-13, percebeu-se prevalência de vulnerabilidade pouco maior (52,2%)16. Na análise de validação do instrumento VES-13, feita nos EUA com 6.205 idosos da comunidade na faixa etária de 65 anos ou mais, a prevalência foi de 32,3%5. Na Irlanda, em outro estudo com 2.033 idosos da comunidade, com idade similar, foi encontrada prevalência de 32,1%17. Cabe ressaltar que no presente estudo, assim como naquele desenvolvido na Paraíba, foram incluídos indivíduos a partir de 60 anos de idade, população idosa mais jovem e, mesmo assim, as prevalências de vulnerabilidade foram maiores do que as observadas na Irlanda e nos Estados Unidos.

Esta elevada prevalência de vulnerabilidade entre os idosos brasileiros pode ser explicada, entre outras coisas, pelas diferenças nas condições socioeconômicas entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, levando em conta as histórias de vida e as conjunturas sociais diversificadas que contribuíram para as condições de saúde das populações analisadas18.

Outras prováveis explicações relacionam-se às baixas condições sanitárias e de saúde da população estudada. Atualmente, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do município de Várzea Grande encontra-se abaixo das medianas das cidades onde os outros estudos foram realizados19, indicando piores condições de vida da população deste estudo. Além disso, é conhecido que em nosso país nem sempre a atenção à saúde é executada de maneira satisfatória, com piores qualidades no acesso à atenção primária e aos serviços de referência de média e alta complexidade20. Nesse sentido, se faz necessária a melhoria do cuidado e das práticas de saúde local para a identificação precoce dos agravos e fatores de risco associados à perda da capacidade funcional do idoso21, condição de saúde intensamente associada à situação de vulnerabilidade, objeto de nosso estudo.

A associação entre vulnerabilidade e dependência em AVD e AIVD era esperada em nosso estudo, já que a capacidade funcional é um dos componentes avaliados pelo VES-13, sendo que a AIVD foi a variável mais fortemente associada à vulnerabilidade. De maneira geral a perda de capacidade funcional em AIVD, relacionada às funções mais complexas, antecede a dependência em AVD, que se desenvolve mais tardiamente22,23. Também não se pode excluir a colinearidade existente entre as variáveis AIVD e AVD, visto que os dois instrumentos medem, de maneira concomitante, a perda de capacidade funcional. Em estudo com idosos em tratamento para câncer de próstata, desenvolvido nos Estados Unidos, foi percebida a associação entre dependência em AVD e vulnerabilidade24. Em outro estudo com 864 pacientes idosos hospitalizados, elaborado na Polônia, também foram encontradas essas mesmas associações25. O processo de envelhecimento acarreta diminuição gradual e progressiva da capacidade funcional e, muitas vezes, a perda dessa função pode ser a única alteração de saúde identificada nos idosos, especialmente nos mais saudáveis26. Deste modo, a definição da capacidade funcional do idoso e a classificação de seu grau de independência, autonomia e qualidade de vida27, são importantes para a identificação dos indivíduos mais vulneráveis.

A presença de sintomas depressivos também se manteve associada à vulnerabilidade, como em outros estudos que utilizaram o VES-13. Em investigação realizada na Itália, usando a GDS para aferir a presença desses sintomas, foi constatada moderada correlação entre os sintomas depressivos e a vulnerabilidade28. Outras pesquisas também encontraram associações entre sintomas depressivos e vulnerabilidade17,29. Os transtornos depressivos constituem um grupo de entidades distintas ou síndromes independentes que são manifestados pelo humor deprimido. Nos idosos, esses transtornos são comumente atribuídos às perdas das funções físicas e mentais que acompanham o processo de envelhecimento, sendo importante seu diagnóstico precoce como maneira de se evitar a progressão da depressão para estágios mais avançados30, que, concomitante à presença de vulnerabilidade, levam a piores condições de saúde.

No modelo múltiplo, a faixa etária de 80 anos ou mais se associou à vulnerabilidade. Deve-se destacar que indivíduos com idade igual ou acima de 85 anos são automaticamente classificados como vulneráveis por fazerem parte do ponto de corte estabelecido pelo VES-13. A literatura também refere maiores prevalências de vulnerabilidade nas faixas etárias maiores5,17,31. Estudo de coorte de base populacional realizado com idosos residentes no município de São Paulo (SP) também observou prevalências de vulnerabilidades maiores na faixa etária de 80 anos e mais, apesar de utilizar outro instrumento para avaliação de vulnerabilidade32. Importante destacar que idosos mais velhos também têm maiores probabilidades de apresentarem piores escores nas demais dimensões de saúde global33.

Em nosso estudo, foi constatada maior prevalência de vulnerabilidade no sexo feminino. O envelhecimento populacional brasileiro é caracterizado pela feminização34, onde as mulheres apresentam piores condições de saúde, maior isolamento social, viuvez e transtornos emocionais35. Em investigação realizada na Irlanda com idosos da comunidade17, o sexo feminino também mostrou maior prevalência dessa condição, o mesmo sendo observado em estudo feito nos EUA, com idosos hospitalizados por problemas cardiovasculares29.

Idosos não alfabetizados expuseram maior prevalência de vulnerabilidade nesta investigação, resultado similar ao percebido em outros estudos29,31. A escolaridade é um dos determinantes em saúde e maiores níveis educacionais estão relacionados a estilos de vida mais saudáveis e maior procura pelos níveis de saúde preventiva36,37. Importante destacar que o nível de escolaridade da população estudada é baixo, não permitindo a análise estratificada por níveis de escolaridade, o que explicaria melhor o efeito de sua influência sobre a vulnerabilidade.

Em relação às condições de saúde, a presença de comorbidade, risco nutricional e uso de polifarmácia apresentaram associações com vulnerabilidade somente na análise bivariada do presente estudo. Todavia, a associação entre essas variáveis e a vulnerabilidade tem sido observada em outros estudos.

Pesquisadores italianos, que utilizaram tanto a CIRS-G como o VES-13 para avaliar 419 idosos com câncer e idade de 70 anos ou mais, verificaram a presença de associação entre comorbidade e vulnerabilidade28. Em outros estudos, nos quais foram usados instrumentos diferentes para avaliação da comorbidade, também foram observadas associações entre essa variável e a vulnerabilidade mensurada pelo VES-1324,38. A comorbidade também é preditora importante de outras complicações e resultados desfavoráveis em idosos39. Como exemplo, estudo que acompanhou uma coorte de 104 idosos brasileiros hospitalizados encontrou associação entre comorbidade e maior risco de morte após a hospitalização40.

Quanto à associação entre risco nutricional/desnutrição e vulnerabilidade, observada no presente estudo, em uma investigação realizada na Itália, na qual foram utilizados os mesmos instrumentos, também foi encontrada essa associação28. A deficiência nutricional é considerada um problema relevante na população idosa, sendo que as alterações fisiológicas, dentre outras, acabam interferindo no consumo alimentar e absorção nutricional, aumentando o risco de desnutrição3.

Ainda em relação à análise bivariada, a polifarmácia também se demonstrou associada à vulnerabilidade. Em estudo no qual foi empregado o mesmo critério para definição de polifarmácia, percebeu-se associação entre seu uso e a presença de vulnerabilidade, aferida pelo VES-1328. Resultado similar foi observado em estudo português, realizado com 206 idosos com câncer gastrointestinal, utilizando o VES-13, porém com diferente critério (uso regular de 5 ou mais medicamentos) para definição de polifarmácia41. Da mesma forma, o estudo italiano já referido acima ressaltou correlação entre vulnerabilidade e uso de múltiplas drogas28. O uso de polimedicação por idosos pode aumentar a ocorrência de efeitos adversos, não sendo capaz de excluir a possibilidade de que muitas comorbidades frequentes em idosos são precipitadas ou potencializadas pela ação de algum medicamento ou pela associação de mais fármacos42. Neste sentido, a maior referência de efeitos adversos em idosos pode estar relacionada à maior ocorrência de vulnerabilidade nestes idosos.

O presente estudo revela algumas limitações, dentre elas o delineamento de corte transversal, no qual exposições e desfechos são analisados simultaneamente. Outra limitação diz respeito ao fato de que as informações coletadas foram autorreferidas, o que poderia ter contribuído para subestimar a prevalência de condições subdiagnosticadas. Neste sentido, foram tomados os devidos cuidados de confirmação dos dados junto aos familiares e/ou cuidadores dos idosos, além do treinamento dos entrevistadores e padronização na coleta de dados. Viés de memória também poderia ter ocorrido, porém seu impacto foi reduzido pela exclusão dos idosos com déficit cognitivo e pela checagem das informações, conforme já mencionado.

Como este estudo foi realizado com idosos usuários da Estratégia de Saúde da Família, é preciso cautela na extrapolação de seus resultados para o conjunto da população idosa da cidade de Várzea Grande.

Como aspectos positivos do presente estudo, destaca-se o fato de ser um dos primeiros no país a avaliar a prevalência de vulnerabilidade e fatores associados em idosos que vivem na comunidade e que são usuários da atenção primária em saúde. A importância da identificação dessa condição entre a população idosa, para fins de prevenção de danos à saúde, pode ser demonstrada pelos resultados do estudo inicial do VES-13, realizado com idosos americanos da comunidade, usuários do Medicare Current Beneficiary Survey (MCBS) e idade igual ou maior a 65 anos5. Naquela população, após seguimento de dois anos, o risco de declínio funcional e morte entre os idosos vulneráveis foi 4,2 vezes aquele entre os não vulneráveis.

O instrumento VES-13 tem sido utilizado em estudos com idosos hospitalizados e pacientes oncogeriátricos, identificando prevalências de vulnerabilidade que variaram entre 52 e 58% em estudos desenvolvidos nos Estados Unidos da América (EUA)29,43,44. Alguns estudos de seguimento têm demonstrado boa capacidade preditiva do VES-13 para essas condições28,45. Em análises com pacientes em tratamento de câncer, realizadas nos Estados Unidos e na Itália, identificaram-se prevalências de vulnerabilidade em torno de 50%24,28. Em outra investigação, empreendida no Rio de Janeiro (RJ) e em Campo Grande (MS), com idosos com câncer de próstata, foi notada prevalência semelhante à do presente estudo31. Entretanto, como esses estudos foram desempenhados com populações selecionadas, constituídas por idosos que apresentavam câncer ou outras doenças, a comparabilidade dos respectivos resultados é limitada.

Conclusão

A prevalência de vulnerabilidade encontrada no presente estudo foi elevada ao se comparar a outros estudos realizados com idosos da comunidade. As variáveis presença de dependência em Atividades Instrumentais de Vida Diária, referência a sintomas depressivos e faixa etária de 80 anos e mais foram associadas à vulnerabilidade. Desta maneira, é importante que idosos, triados e identificados como vulneráveis, sejam melhor acompanhados pelos profissionais da atenção primária à saúde. Sugere-se que novas abordagens à saúde de idosos residentes na comunidade, para além das políticas e programas já existentes, sejam planejadas e implementadas.

O reconhecimento prévio da condição de vulnerabilidade pode levar melhor atendimento às principais necessidades de saúde dos idosos, ao se realizar um plano de cuidados que previna o declínio funcional e a morte precoce.

A maioria dos estudos em idosos é verificada em instituições de longa permanência ou hospitais, onde os perfis sociodemográficos são diferentes e com piores quadros de morbidade. Sugere-se a realização de novos estudos de avaliação geriátrica multifuncional no âmbito da atenção primária, em especial os de metodologia longitudinal, onde seus resultados possam direcionar os serviços de saúde para o desenvolvimento de melhores ações de promoção e proteção da saúde desta população.

Agradecimentos

Pesquisa financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat).

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Recebido: 23 de Maio de 2017; Aceito: 29 de Janeiro de 2018; Publicado: 31 de Janeiro de 2018

Colaboradores

JF Cabral, AMC Silva e AQ Neves participaram na concepção e delineamento do estudo, análise e interpretação dos dados; DB Ferreira e LM Santiago participaram da revisão crítica relevante do conteúdo intelectual do manuscrito e IE Mattos, LL Luz e CN Carmo participaram da aprovação final da versão a ser publicada e na garantia de sua precisão e integridade.

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