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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123On-line version ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.25 no.7 Rio de Janeiro July 2020  Epub July 08, 2020

https://doi.org/10.1590/1413-81232020257.21482018 

ARTIGO

Desnutrição e fatores associados em crianças quilombolas menores de 60 meses em dois municípios do estado do Maranhão, Brasil

Victor Nogueira da Cruz Silveira1 
http://orcid.org/0000-0002-5271-7412

Luana Lopes Padilha2 
http://orcid.org/0000-0002-7162-2726

Maria Tereza Borges Araújo Frota1 
http://orcid.org/0000-0001-6889-5785

1Departamento de Ciências Fisiológicas, Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Av. Portugueses, Vila Bacanga. 65080-805 São Luís MA Brasil. victorncsilveira@gmail.com

2Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, Departamento de Saúde Pública, UFMA. São Luís MA Brasil.


Resumo

O objetivo deste artigo é avaliar a prevalência de desnutrição em crianças menores de 60 meses residentes em comunidades remanescentes de quilombos de dois municípios do estado do Maranhão e seus fatores associados. Estudo transversal com amostra de 372 crianças realizado em agosto de 2015. Foram coletadas informações socioeconômicas, demográficas, maternas e das crianças. A antropometria seguiu o proposto pela Organização Mundial da Saúde. Foram calculados os índices estatura para idade e peso para estatura utilizando o software Anthro versão 3.2.2. Foi realizada regressão de Poisson com variância robusta para a associação da desnutrição com as variáveis estudadas, utilizando o software Stata versão 14.0. A desnutrição em crianças foi elevada segundo a estatura-por-idade (15,1%) e peso-para-estatura (7%). Crianças cujas mães possuíam baixa estatura (< 1,497 m) apresentaram mais chances de possuírem déficit de estatura-para-idade (p < 0,05). Nenhuma variável se associou estatisticamente ao baixo peso-para-estatura. A desnutrição infantil persiste como problema de saúde pública em regiões vulneráveis e os fatores maternos como a baixa estatura materna podem explicar a baixa estatura dos filhos. Aponta-se para a necessidade de ações de enfrentamento deste desvio nutricional.

Palavras-chave Pré-escolares; Desnutrição infantil; População negra

Abstract

Objective: To evaluate the prevalence of malnutrition in children under 60 months of age living in quilombo remnant communities of two municipalities in the state of Maranhão and their associated factors. Methods: This is a cross-sectional study conducted with a sample of 372 children in August 2015. Socioeconomic, demographic, maternal and child information were collected. The anthropometry followed the one proposed by the World Health Organization. Height-for-age and weight-for-height rates were calculated using Anthro software version 3.2.2. Poisson regression was performed with a robust variance for the association of malnutrition with the studied variables, using Stata software version 14.0. Results: Child malnutrition was high for height-for-age (15.1%) and weight-for-height (7%). Children whose mothers had a short height (< 1.497 m) were more likely to have height-for-age deficits (p < 0.05). No variables were statistically associated with low weight-for-height. Conclusion: Child malnutrition persists as a public health problem in vulnerable regions, and maternal factors such as low maternal height may explain the short stature of the children. The need for actions to address this nutritional deviation is pointed out.

Key words Preschoolers; Child malnutrition; Black people

Introdução

A população negra brasileira compreende 8,9% do contingente populacional do Brasil e está agrupada, especialmente, nas regiões Nordeste (11%) e Sudeste (9,7%)1. Parte significativa desta população se concentra nos estratos mais pobres do país, fruto de iniquidades sociais aos quais a raça negra historicamente foi submetida desde o período escravagista2,3.

Dentro da população negra geral existe um grupo social afro-brasileiro que descende de escravos e vive em áreas rurais isoladas, as quais, no período escravagista, serviram de resistência, e que mantêm fortes vínculos com a cultura negra africana, os quilombos3. Após o fim do período escravagista, essas comunidades passaram a ser designadas como remanescentes de quilombos2.

O Maranhão, um dos estados mais pobres do país, concentra a maior proporção de habitantes negros (74%)1 e de comunidades remanescentes de quilombos4. Estas, por terem servido de refúgio, são isoladas, com pouca infraestrutura e difícil acesso a serviços básicos como saúde e educação5,6.

Em razão das consequências ocasionadas pela ancestralidade quilombola, as pessoas negras apresentam uma desigual inserção no mercado de trabalho, geralmente recorrendo a ocupações informais e consequentemente com rendimentos inferiores. O negro, quando comparado ao branco e ao amarelo, ganha em média 1,8 vezes menos7, o que reflete em suas condições de saúde e nutrição, especialmente em segmentos mais vulneráveis como mulheres e crianças menores de 60 meses.

Dentre os desvios nutricionais mais abrangentes nestes segmentos vulneráveis, está a desnutrição. Esta, na infância, resulta da interação de múltiplos fatores e suas consequências extrapolam o crescimento e o desenvolvimento adequado, afetando o desenvolvimento neurológico e, em casos extremos, resultando na morte precoce da criança5,6. A desnutrição é responsável por 30% dos óbitos de crianças menores de 60 meses, atingindo 50% nos países em desenvolvimento8.

No Brasil, dentre as causas de mortalidade infantil, a taxa por desnutrição ocupa a nona posição, figurando como uma das principais causas de óbito em todos os estados do Norte e Nordeste9. Concomitante a este cenário, ser da raça negra é a segunda maior causa de óbito infantil, quando se baseia na mortalidade por cor ou raça10.

Nas comunidades remanescentes de quilombos, pesquisas acerca do estado nutricional do público infantil são bastante escassas. Estudos desenvolvidos verificaram prevalência de desnutrição que variaram de 9,7% em comunidades remanescentes de quilombos de Alagoas5 a 31,1% em comunidades do estado do Pará6, mostrando que a desnutrição infantil ainda figura como um dos problemas nutricionais importantes nas comunidades quilombolas.

Dessa forma, considerando a relevância de pesquisas dessa natureza, aliado ao fato de que conhecer este cenário nutricional de crianças quilombolas pode dar subsídio para o desenvolvimento de ações e estratégias voltadas à alimentação e nutrição destas comunidades, este estudo tem como objetivo avaliar a prevalência de desnutrição em crianças menores de 60 meses residentes em comunidades remanescentes de quilombos de dois municípios do estado do Maranhão e seus fatores associados.

Método

Trata-se de um estudo transversal integrado ao estudo “Condições de Nutrição e Segurança Alimentar de Mulheres e Crianças de Comunidades Quilombolas no Maranhão”, desenvolvido com o objetivo de avaliar as condições de saúde e nutrição das crianças menores de cinco anos em comunidades quilombolas no Maranhão e que, além do estado nutricional, avaliou os aspectos socioeconômicos e demográficos, a situação de insegurança alimentar das famílias e o estado de anemia das mulheres e crianças.

A pesquisa foi realizada em comunidades remanescentes de quilombos dos municípios de Penalva e Viana, Maranhão, com ou sem título de posse coletiva da terra emitido por órgãos oficiais. Foram visitados todos os domicílios nos quais residia pelo menos uma criança menor de 60 meses em 27 comunidades localizadas na zona rural dos referidos municípios.

Os municípios foram selecionados por conveniência, por se tratarem de comunidades em que as lideranças locais foram receptivas à realização do estudo. A amostra foi do tipo probabilística, calculada com um nível de confiança de 95% e erro amostral de 5%, tendo como referência o percentual de crianças com desnutrição na região Nordeste de 5,9%11 e acrescentado 20% para eventuais perdas, totalizando 152 indivíduos.

A amostra do estudo foi de 373 crianças menores de 60 meses acompanhadas da mãe ou responsável em idade reprodutiva. Para o presente estudo foi excluída uma criança que se recusou a participar, perfazendo amostra total de 372 crianças. No caso de duas ou mais crianças no mesmo domicílio dentro da faixa etária do estudo, a mais nova era escolhida. Os critérios de não inclusão foram as crianças gêmeas e as portadoras de anemia falciforme referida.

A coleta de dados aconteceu em agosto de 2015, após contatos prévios com as lideranças locais para solicitar anuência e colaboração para a realização da pesquisa. Ao chegar ao município, essas lideranças intermediaram o contato com os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) da Estratégia de Saúde da Família (ESF). A partir de então, eram elaborados os roteiros diários em cada comunidade, a identificação das famílias com o perfil desejado e a orientação das equipes para que procedessem a visita aos domicílios, sempre acompanhados do ACS responsável por aquela microárea e de um líder comunitário local.

O Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) era assinado após a concordância da participante em responder ao formulário. O original ficava com o entrevistador e uma cópia ficava no domicílio, em poder do entrevistado. A entrevistada que não assinava seu nome colocava a impressão digital no local da assinatura.

As entrevistas foram realizadas no domicílio da criança por meio de um formulário adaptado12, validado e pré-codificado, aplicado prioritariamente com a mãe biológica e, na ausência desta, com a responsável ou cuidadora da criança, desde que habitasse no mesmo domicílio, que atendesse ao pré-requisito de idade e pudesse fornecer as informações solicitadas.

Paralelamente foram aferidas as medidas antropométricas de acordo com as recomendações da WHO13. O peso das crianças foi aferido utilizando como instrumento a balança marca Omron® (Omron Healthycare Inc U.S.A.), modelo HBF 214, com capacidade de 150 kg e graduações de 100 g. As crianças menores de dois anos foram pesadas junto com a mãe com posterior cálculo de redução do peso13.

As crianças menores de dois anos tiveram seu comprimento medido em posição horizontal com infantômetro com amplitude de 100 cm, marca Sanny®. Para aferição da estatura das crianças maiores de dois anos foi utilizado o antropômetro de marca Alturexata®, amplitude de 0 a 2,13 m e subdivisões de 0,1 cm. Todos os indivíduos foram pesados e medidos sem sapatos, usando apenas roupas leves. Foram aferidas duas medidas de peso e altura e anotadas no formulário. A média de cada medida foi usada para a análise. Os entrevistadores trabalharam em duplas na aferição das medidas antropométricas. Novas mensurações foram realizadas quando as duas medidas de peso diferiram em mais de 100 g e as de altura em mais 1,0 cm13.

As crianças foram avaliadas segundo os índices antropométricos peso para estatura (P/E) e estatura por idade (E/I) calculados em escore Z com auxílio do software Anthro versão 3.2.214 que se baseia na atual população de referência13. Foram estabelecidos os pontos de corte para avaliação do estado nutricional segundo referência da WHO13.

Ao final de cada dia de trabalho, os entrevistadores conferiam e codificavam os formulários, os quais eram revisados pelo supervisor de campo, visando detectar falhas de preenchimento que exigissem retorno imediato ao domicílio. Depois era preenchida a planilha de controle de entrevistas, para avaliar a cobertura da meta para aquela localidade e guardados os formulários.

Após a entrevista e colheita dos dados nutricionais, a equipe de campo orientou as famílias dos indivíduos estudados quanto à alimentação adequada e saudável. Os participantes que apresentaram risco nutricional e/ou resultado positivo para anemia foram encaminhados à Unidade Básica de Saúde daquela microárea.

A digitação dos dados foi realizada com dupla entrada, no programa Epi-info, versão 3.5.2, com o objetivo de identificar inconsistências na digitação. Para a análise dos dados, usou-se o programa STATA®, versão 14.0. Os fatores associados à desnutrição em crianças foram identificados em duas etapas. Na análise bivariada usou-se a regressão de Poisson simples para identificar as variáveis independentes que apresentaram associações com os déficits nutricionais (p < 0,20), as quais foram selecionadas para compor os modelos múltiplos. Na segunda etapa foram identificados os fatores associados aos déficits de estatura para idade e peso para estatura, mediante análise múltipla e hierarquizada de regressão de Poisson (erro padrão robusto), utilizando modelo conceitual adaptado15 (Figura 1):

Adaptado de Souza et al.15.

Figura 1 Modelo conceitual com seleção hierárquica para determinação de desnutrição em crianças menores de 60 meses. 

- 1º bloco - Fatores socioeconômicos e demográficos: sexo da criança e do chefe da família, idade da criança, escolaridade e vínculo trabalhista do chefe da família, renda familiar, total de pessoas na residência, participação no Programa Bolsa Família e Critério de Classificação Econômica Brasil;

- 2º bloco - Acesso aos serviços e condições de habitação: Esgotamento sanitário, destino do lixo, procedência e tratamento da água;

- 3º bloco - Fatores maternos: idade, aleitamento materno total e exclusivo, altura e IMC;

- 4º bloco - Assistência à saúde e nutrição: Visita do agente comunitário de saúde e cobertura da Estratégia saúde da família;

- 5º bloco - Características do nascimento: Peso ao nascer;

- 6º bloco - Morbidades da criança: Diarreia, tosse e febre nas últimas duas semanas

Iniciou-se a análise do modelo múltiplo do bloco distal para o proximal. As variáveis que apresentaram valor de p < 0,20 pela regressão de Poisson com variância robusta foram selecionadas como fator associado aos déficits nutricionais e permaneceram nos modelos múltiplos nas análises dos blocos subsequentes. No modelo final, foi considerada como variável estatisticamente significante aquela que apresentou p-valor < 0,05 após todos os ajustes realizados.

O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Maranhão, de acordo com os requisitos da Resolução do Conselho Nacional de Saúde (CNS 466/2012) e suas complementares.

Resultados

A média de idade das crianças estudadas foi de 23,1 ± 15,7 meses. Todas as características avaliadas estão descritas nas Tabelas 1 e 2. A prevalência de déficit de E/I foi de 15,1% (IC95%: 11,4 - 18,7) e de déficit de P/E foi de 7,0% (IC95%: 4,4 - 9,6).

Tabela 1 Distribuição das crianças quilombolas menores de cinco anos de idade segundo condições socioeconômicas e demográficas, acesso aos serviços e condições de habitação e saúde. Maranhão, 2015. 

Variáveis / Categorias n %
Sexo da criança
Masculino 182 48,92
Feminino 190 51,08
Sexo do chefe da família
Masculino 180 48,39
Feminino 192 51,61
Escolaridade do chefe da família
0 - 4 anos 191 51,34
> 4 anos 160 43,01
Sem informação 21 5,65
Vínculo trabalhista do chefe da família
Não trabalha 74 19,89
Aposentado(a) 15 4,03
Informal 242 65,05
Formal 40 10,75
Sem informação 01 0,27
Renda familiar
< 1 salário mínimo 266 71,51
≥ 1 salário mínimo 102 27,42
Sem informação 04 1,08
Programa Bolsa Família
Sim 307 85,53
Não 07 1,88
Sem informação 58 15,59
Critério de Classificação Econômica Brasil
Classe C 32 8,60
Classe D 171 45,97
Classe E 148 39,78
Sem informação 21 5,65
Esgotamento sanitário
Rede pública / Fossa séptica 42 11,35
Fossa rudimentar / Vala / Céu aberto 328 88,65
Sem informação 02 0,54
Procedência da água
Rede pública 18 4,84
Poço / Cacimba / Barreiro / Cisterna 354 95,16
Tratamento da água
Com tratamento 178 47,85
Coada ou sem tratamento 194 52,15
Total de pessoas na residência
1 - 5 pessoas 242 65,05
6 ou mais pessoas 130 34,95
Destino do lixo
Coleta urbana 01 0,27
Queimado / Enterrado 347 93,28
Jogado a céu aberto 24 6,45
Total 372 100.00

Tabela 2 Distribuição das crianças quilombolas menores de cinco anos de idade segundo fatores maternos e morbidade da criança. Maranhão, 2015. 

Variáveis / Categorias N %
Idade da mãe
> 19 anos 319 85,75
≤ 19 anos 53 14,25
Cor auto-referida da mãe
Branca 16 4,30
Parda / Negra 354 95,16
Sem informação 02 0,54
Altura materna (n=248)
1º (1.415 - 1.497m) 127 34,14
2º (1.497 - 1.533m) 121 32,53
3º (1.533 - 1.67m) 124 33,33
IMC materno
Baixo peso 20 5,38
Eutrofia 191 51,34
Sobrepeso 83 22,31
Obesidade 49 13,17
Sem informação* 29 7,80
Estratégia Saúde da Família
Sim 60 16,13
Não 309 83,06
Sem informação 03 0,81
Visita do Agente Comunitário de Saúde
Sim 334 89,78
Não 38 10,22
Aleitamento materno total
Sim 365 98,12
Não 06 1,61
Sem informação 01 0,27
Aleitamento materno exclusivo
Não recebeu alimento antes dos 6 meses 228 61,29
Recebeu alimento antes dos 6 meses 115 30,91
Sem informação 29 7,80
Peso ao nascer (n=317)
< 2500 g 36 9,68
≥ 2500 g 281 75,54
Sem informação 55 14,78
Diarreia nas últimas duas semanas
Sim 327 87,90
Não 45 12,10
Tosse
Sim 190 51,08
Não 182 48,92
Total 372 100.00

Na Tabela 3 são apresentadas as análises bivariadas que associaram com o déficit de E/I. As variáveis associadas ao desfecho foram: a idade da criança, o sexo do chefe da família e a classe social do bloco socioeconômico e demográfico, o esgotamento sanitário do bloco de acesso aos serviços e condições de habitação, o tercil da altura materna do bloco de fatores maternos, o peso ao nascer do bloco de características do nascimento e a presença de diarreia e febre nas duas últimas semanas do bloco de morbidades da criança (p < 0,20).

As variáveis associadas na análise bivariada seguiram para a análise múltipla e hierarquizada do déficit de E/I. O tercil da altura da mãe foi o único fator associado a esse desfecho (RP: 4,08; IC95%: 1,95 - 8,52; p < 0,001), evidenciando que o déficit desse índice foi mais prevalente em filhos de mulheres com altura inferior a 1,497 m (Tabela 3).

Tabela 3 Prevalência (%) e razões de prevalência bruta e ajustada (RP) do déficit de estatura em crianças menores de 60 meses segundo fatores socioeconômicos e demográficos, acesso aos serviços e condições de habitação, fatores maternos, características do nascimento e morbidade da criança. Maranhão, 2015. 

Variáveis / Categorias Déficit de estatura para idade
% RP bruta p RP ajustada p
Fatores socioeconômicos e demográficos
Sexo da criança
Masculino 50.0 0.95 0.844
Feminino 50.0 1
Idade da criança
< 24 meses 51.8 0.68 0.111 0.65 0.080
≥ 24 meses 48.2 1 1
Sexo do chefe da família
Masculino
Feminino
39.3
60.7
1
1.44
0.150
1
1.35
0.276
Renda familiar
<1 salário mínimo 73.2 1.05 0.866
≥1 salário mínimo 26.8 1
Classe social
Classe C 1.9 0.16 0.071 0.20 0.115
Classe D 45.3 0.73 0.231 0.66 0.101
Classe E 52.8 1 1
Escolaridade da mãe
0-4 anos 41.1 0.74 0.235
> 4 anos 58.9 1
Acesso aos serviços e condições de habitação
Esgotamento sanitário
Rede pública/Fossa séptica 3.6 1 0.077 1
Fossa rudimentar/Vala 96.4 3.46 2.49 0.201
Abastecimento de água
Rede pública 3.6 1 0.638
Poço/caçimba/barreiro/cisterna 96.4 1.37
Tratamento de água para beber
Com tratamento 41.1 1 0.265
Coada ou sem tratamento 58.9 1.37
Total de pessoas no domicílio
1-5 pessoas 60.7 1 0.432
6 ou mais pessoas 39.3 1.22
Fatores maternos
Idade da mãe
≤ 19 anos 8.9 0.59 0.217
> 19 anos 91.1 1
Altura materna (tercil)
1º (1.415 - 1.497m)
2º (1.497 - 1.533m)
60.7
25.1
4.18
1.78
<0.001
4.08
1.73
<0.001
3º (1.533 - 1.67m) 14.3 1 1
IMC da mãe
Baixo peso 7.8 2.45 0.418
Eutrofia 54.9 1.80
Sobrepeso 29.4 2.21
Obesidade 7.8 1
Assistência à saúde e nutrição
Estratégia de Saúde na Família - ESF
Sim 16.1 1 0.985
Não 83.9 1.00
Visita do Agente Comunitário de Saúde
Sim 92.9 1 0.410
Não 7.1 0.68
Aleitamento materno
Sim 98.2 1 0.898
Não 1.8 1.13
Aleitamento materno exclusivo
Sim 66.7 1 0.974
Não 33.3 1.00
Características do nascimento
Peso ao nascer
< 2500 g
≥ 2500 g
18.2
81.8
1.74
1
0.124
0.94
1
0.937
Morbidades da criança
Diarreia nas últimas duas semanas
Sim
Não
17.9
82.1
1.58
1
0.151 1.49
1
0.193
Tosse nas últimas duas semanas
Sim 46.4 0.92 0.717
Não 51 1
Febre nas últimas duas semanas
Sim 46.2 1.72 0.130 1.42 0.396
Não 53.8 1 1

Na Tabela 4 estão descritas as análises bivariadas que associaram com o déficit de P/E, a saber: idade da criança do bloco socioeconômico e demográfico e; o tercil da altura e IMC da mãe do bloco de fatores maternos (p < 0,20). Nenhuma variável se associou com este desfecho na análise múltipla (p > 0,05).

Tabela 4 Prevalência (%) e razões de prevalência bruta e ajustada (RP) do déficit de peso para estatura em crianças menores de 60 meses segundo fatores socioeconômicos e demográficos, acesso aos serviços e condições de habitação, fatores maternos, características do nascimento e morbidade da criança. Maranhão, 2015. 

Variáveis / Categorias Déficit de peso para estatura
% RP bruta p RP ajustada p
Fatores socioeconômicos e demográficos
Sexo da criança
Masculino 53.9 0.81 0.594
Feminino 46.1 1
Idade da criança
< 24 meses 23.1 1 1
≥ 24 meses 76.9 2.41 0.052 2.34 0.090
Sexo do chefe da família
Masculino
Feminino
50
50
1
0.93

0.853
Renda familiar
<1 salário mínimo 76.9 1.28 0.581
≥1 salário mínimo 23.1 1
Classe social
Classe C 3.8 0.35 0.308
Classe D 46.2 0.79 0.548
Classe E 50 1
Escolaridade da mãe
≤ 4 anos 53.8 0.91 0.825
> 4 anos 46.2 1
Acesso aos serviços e condições de habitação
Esgotamento sanitário
Rede pública/Fossa séptica 3.8 1
Fossa rudimentar/Vala 96.2 3.2 0.247
Abastecimento de água
Rede pública 3.8 1 0.807
Poço/caçimba/barreiro/cisterna 96.2 1.27
Tratamento de água para beber
Com tratamento 46.2 1
Coada ou sem tratamento 53.8 1.07 0.847
Total de pessoas no domicílio
1-5 pessoas 57.7 1
6 ou mais pessoas 42.3 1.38 0.398
Fatores maternos
Idade da mãe
≤ 19 anos 88.5 0.78 0.681
> 19 anos 11.5 1
Altura materna (tercil)
1º (1.415 - 1.497m)
2º (1.497 - 1.533m)
53.9
26.9
1.39
0.82
0.045
0.528
2.33
0.78
0.102
0.707
3º (1.533 - 1.67m) 19.2 1 1
IMC da mãe
Baixo peso 18.2 2.45 0.172 1.61 0.469
Eutrofia 50 0.71 0.541 0.64 0.438
Sobrepeso 13.6 0.44 0.273 0.39 0.195
Obesidade 18.2 1 1
Assistência à saúde e nutrição
Estratégia de Saúde na Família - ESF
Sim 24 1
Não 76 0.60 0.260
Visita do Agente Comunitário de Saúde
Sim 88.4 1
Não 11.6 1.14 0.821
Aleitamento materno exclusivo
Sim 66.7 1
Não 33.3 0.98 0.975
Características do nascimento
Peso ao nascer
< 2500 g
≥ 2500 g
15
85
1.37
1
0.599
Morbidades da criança
Diarreia nas últimas duas semanas
Sim
Não
19.2
80.8
1
1.72

0.248
Tosse nas últimas duas semanas
Sim 42.3 1
Não 57.7 0.77 0.495
Febre nas últimas duas semanas
Sim 27.3 1
Não 72.7 0.75 0.672

Discussão

Este estudo observou elevada prevalência de desnutrição, considerada de leve severidade para o déficit de E/I e moderada para o déficit de P/E16. Os fatores associados ao stunting foram a menor estatura materna e ao wasting, inicialmente, foram a idade da criança e a estatura materna.

A alta prevalência de desnutrição aqui observada está relacionada com os fatores ambientais das famílias das crianças avaliadas, as quais, em sua maioria, estão inseridas em classes econômicas mais baixas e com menor poder aquisitivo.

Controversamente, a média de Escore-Z do indicador E/I (-0,74) das crianças avaliadas foi mais próxima do valor de adequação (-2,0), quando comparada com a média nacional (-1,32), entretanto a média do P/E (-0,12) foi menor que a do país (0,17)17.

O déficit de estatura-por-idade é comumente associado à privação alimentar a longo prazo e infecções frequentes5,6,17-21. Restrições no crescimento linear tendem a acontecer antes dos dois anos de idade com efeitos severos sobre o desenvolvimento psicomotor da criança, especialmente no rendimento escolar22-25. Entretanto, neste estudo, a prevalência de déficit estatural esteve uniformemente distribuída entre todas as faixas etárias das crianças.

A prevalência de déficit estatural encontrada ultrapassou a de outros estudos com crianças brasileiras com ou sem ancestralidade negra2,5,6,11,15,18-23,26. As maiores prevalências de stunting global pertencem à Ásia Meridional (46%) e à África Subsaariana (38%)25. O valor encontrado aqui se aproximou ao encontrado para a América Latina e Ásia Oriental (16%)25, enquanto foi quase a metade da prevalência de países em desenvolvimento (32%)25, em que o Brasil se classifica.

A prevalência de 15,1% de déficit estatural, observada neste estudo, corresponde a cinco vezes o esperado para a população de referência (2 - 3%)27, demonstrando o grau de risco nutricional ao qual as crianças quilombolas estão expostas. Observa-se que moradores de comunidades tradicionais como estas ainda convivem com limitadores na melhora de seu estado nutricional, como baixa renda e escolaridade, informalidade nos vínculos empregatícios e acesso dificultado a bens e serviços, fatores parcialmente superados pelo restante da população infantil brasileira1,7.

Neste estudo, a baixa estatura materna foi a única variável associada ao déficit estatural em crianças menores de 60 meses. Reconhecidamente, mulheres com alturas mais baixas tendem a gerar conceptos com comprimento igualmente baixo e provável crescimento limitado frente aos filhos de mulheres com altura normal ou alta15,24,27. Esta relação pode estar associada a restrições no desenvolvimento e crescimento no útero materno, além de também perpetuar o ciclo da desnutrição crônica devido à manutenção da baixa estatura através das gerações subsequentes28.

Apesar da altura materna também ser conhecida por sua relação de causa - efeito com o baixo peso ao nascer, neste estudo não foi encontrado associação do peso ao nascimento com restrições no crescimento linear das crianças22,29,30.

O baixo peso-para-estatura é um dos indicadores mais fortes de mortalidade infantil para o grupo etário inferior a cinco anos de idade25. É comumente associado a formas mais agudas de privação alimentar ou episódios infecciosos25, diferentemente da E/I. A prevalência de déficit neste indicador foi maior do que as referidas na literatura científica5,6,15,18,19,21,23,25,31,32.

Em uma revisão sistemática do estado nutricional de crianças brasileiras foi constatado que a amplitude de wasting oscilou entre 0 - 5%29, classificado como problema de leve severidade16. A prevalência global deste agravo é de 7,7%31 e as maiores prevalências no mundo estão na Ásia Meridional (16%) e na África Subsaariana (7,8%)31. O valor encontrado neste estudo também se aproxima da prevalência observada em países em desenvolvimento (7,7%)31. No presente estudo, o déficit encontrado também foi superior ao esperado para a população de referência (2 - 3%)27, sendo mais que o dobro do limite superior.

O peso-por-estatura se mostrou homogêneo quando distribuído pelo sexo das crianças, entretanto, ao classificar pela idade, se observou que crianças com menos de 24 meses possuíam maior propensão em desenvolver baixo peso, corroborando com dados da literatura que indicam a população de menores de dois anos de idade como a mais afetada no retardo do ganho de peso5,32,33.

O emaciamento causado pelo déficit neste indicador retrata uma ruptura na harmonia corporal da criança13,15, possivelmente causada por ganho de peso inadequado, apesar de crescimento normal, ou perda de peso momentânea devido a morbidades comuns na infância, como tosse e diarreia34. Este estudo, no entanto, não encontrou associação de episódios de morbidade com o déficit neste indicador, provavelmente atribuindo ao déficit de P/E o ganho de peso inadequado, o qual não pôde ser avaliado devido à natureza transversal do estudo.

As prevalências de déficit de peso e estatura sugerem que as crianças quilombolas menores de 60 meses de Penalva e Viana ainda convivam com a inacessibilidade a serviços essenciais. As prevalências mais próximas às encontradas neste estudo foram em regiões geográficas mais pobres, principalmente no continente africano, de onde são oriundos os ancestrais dos remanescentes de quilombos2,5,6,11,15,18-23,25,26,31,32.

Este trabalho teve por limitação em seu delineamento o levantamento de dados em dois municípios de mesma região geográfica, sem levar em consideração a distribuição da população quilombola nos outros municípios no Maranhão, o que não permite inferir estes resultados para todas as comunidades quilombolas do estado. Além disso, a ausência da avaliação do consumo alimentar desta população restringiu a verificação de inadequações na dieta das crianças, as quais poderiam explicar a desnutrição encontrada.

O levantamento de informações em uma amostra representativa nas comunidades remanescentes de quilombos do estado do Maranhão constitui iniciativa pioneira de analisar a situação nutricional desta população, o que pode aperfeiçoar a compreensão da desnutrição em populações específicas em um dos estados mais pobres do país e, portanto, direcionar incrementos nas políticas públicas para este grupo populacional específico.

Conclusão

O presente estudo observou elevadas prevalências de déficit estatural e de baixo peso-para-estatura na amostra de crianças quilombolas em dois municípios no estado do Maranhão. A menor estatura materna se relacionou com o déficit de estatura infantil. Os resultados encontrados expõem a situação de iniquidade social e invisibilidade a que essa população está submetida e apontam para a necessidade de políticas públicas que visem compensar a negligência histórica do Estado para com esse segmento populacional.

Agradecimentos

Agradecemos à Secretaria de Estado da Saúde do Maranhão e à Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial pelo apoio logístico e financeiro. Agradecemos também à Associação Santo Antônio dos Pretos pelo apoio e permissão à pesquisa. Obrigado também a todos que direta ou indiretamente tenham contribuído para a realização deste trabalho.

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Recebido: 15 de Novembro de 2017; Aceito: 25 de Setembro de 2018; Publicado: 27 de Setembro de 2018

Colaboradores

VNC Silveira trabalhou na interpretação dos dados redação do artigo e aprovação da versão a ser publicada. MTBA Frota trabalhou na concepção, revisão crítica do trabalho e aprovação da versão a ser publicada. LL Padilha trabalhou na análise dos dados, revisão crítica do trabalho e aprovação da versão a ser publicada.

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